sexta-feira, 19 de abril de 2024

Santo Expedito


    Foi senador romano e príncipe-cônsul da Armênia, revoltosa província do Império Romano que hoje corresponde à parte do norte do Irã e do sul da Turquia. Foi comandante-chefe da famosa XII Legião Romana, muito especial companhia, conhecida pelo apelido de 'a fulminante' pela proeza que realizou sob o comando do imperador Marco Aurélio, numa batalha contra os germanos. Ser comandante dessa legião era uma grande honraria.
    Foi enviado pelo imperador Diocleciano ao distrito de Metilene, na região da Capadócia, que era parte da província da Armênia, para dar combate aos violentos ataques dos bárbaros asiáticos. A esse tempo, esta legião já era formada por uma maioria de soldados cristãos. Expedito, que significa enviado, tornou-se o apelido do sempre disposto e prestativo comandante, logo após se converter ao Catolicismo.
    Como chefe de exército, levava uma vida de honrarias, às vezes entregando-se à devassidão, e seu maior sonho era um dia voltar triunfante a Roma, como tantos outros generais que se tornaram césares. Mas a de seus soldados e o Evangelho trataram de arrebatar seu coração, que vez e outra já se dava conta de quão fúteis são os mundanos valores. Tudo mera vaidade.
    No dia em que definitivamente resolveu abraçar a fé em Cristo, um corvo apareceu-lhe gritando: 'Crás! Crás!', que em latim significa: 'Amanhã! Amanhã!' Percebendo aí mais uma tentação do Maligno, e fazendo jus ao seu diligente espírito, ele pisou o corvo e exclamou: 'Hoje!'


    Sua conversão foi motivo de grande alegria para seus soldados, que mesmo em campanha sempre achavam um modo de cultuar e divulgar o Nome de Jesus. A transformação de Santo Expedito foi tão profunda, e sua santidade era tão evidente, que ele mais parecia um Sacerdote. Nem sequer lembrava um comandante-chefe romano, muito menos da famosa XII Legião, temida por sua bravura.
    Logo as relações com os asiáticos se tornaram mais amistosas naquelas fronteiras. O povo que vivia sob sua jurisdição experimentou civilidade no tratamento recebido dos romanos, e a coleta de impostos passou a respeitar as limitações humanas. Por sua sincera entrega às penitências e orações, não demorou e grandes milagres começaram a acontecer por sua intercessão. Acima de tudo, todos sentiam nele sinais da presença de Deus.


    Mas o imperador, que inicialmente era tolerante com os católicos, entre 303 e 311 empreendeu contra a Igreja, fosse clero ou fiéis, a maior campanha de perseguição e extermínio de todo período do Império Romano. Como cultuava rituais pagãos, via o crescimento do cristianismo como uma fatal ameaça às antigas tradições romanas. E Santo Expedito, já conhecido por sua exemplar devoção, franco candidato a general, talvez mesmo a césar, tornou-se o grande foco da ira de Diocleciano. Chamado à sua presença, e como corajosamente não renegava a Jesus, foi flagelado e decapitado.
    Sua história, porém, não foi esquecida pelo povo dos lugares onde sua companhia atuou, muito menos pelos soldados que formavam sua legião. Assim, logo após o fim das perseguições aos cristãos, que se deu em 313 pelo Édito de Milão, foi popularmente aclamado como mártir em Roma.
    É o padroeiro dos militares e das urgentes causas. Santo sempre de prontidão e rápido, a inscrição 'hoje', na Cruz que ele empunha, continua sendo sua palavra de ordem. E ante a eminência de nossa morte, ou mesmo da definitiva Volta de Cristo, é luminoso e prudente sinal da urgência da conversão para todos que vivem afastados de Deus.


    Sua medalha é uma antiquíssima tradição pelo mundo.


    Um fragmento de osso é venerado como relíquia sua na Igreja de São Francisco Frade, em Fargo, Dakota do Norte, Estados Unidos.


    Santo Expedito, rogai por nós!