sábado, 20 de outubro de 2018

Santa Madalena de Nagasaki

 

    Três décadas depois do holocausto sofrido por São Paulo Miki e seus companheiros mártires, vendo que quase todo seu povo começava a abandonar a  por medo de morrer nas perseguições perpetradas pelo imperador, Santa Madalena de Nagasaki, então aos 23 anos, apresentou-se diante dos juízes e disse que era cristã.
    Ela nasceu em 1611, numa época em que sucessivos imperadores do Japão empreendiam violentas campanhas para exterminar o Catolicismo no país. A crueldade era recorrente, principalmente após o Édito de Expulsão dos Cristãos, do imperador Tokugawa Yeyasu, em 1614.
    Ele decretou que mesmo estrangeiros estavam proibidos de celebrar os Sacramentos, devendo imediatamente deixar o país, e que os japoneses que se renegassem a abandonar o Evangelho deveriam ou sair do país ou ser mortos.
    Esse decreto foi seguido a ferro e fogo por dois de seus sucessores, Hidetada e Yemitsu, que, de fato, quase extinguiram o Catolicismo no arquipélago.


    Santa Madalena de Nagasaki, portanto, foi testemunha ocular da morte de muitos cristãos. Ainda adolescente, viu seus pais e seus irmãos serem arrastados para a tortura e o martírio. Ela conheceu pessoalmente os Beatos mártires Frei Francisco de Jesus e Frei Vicente de Santo Antônio, que em 1628, após anos evangelizando na clandestinidade, foram cruelmente queimados em fogo brando.
    Esses monges haviam chegado a Nagasaki em 1624, e aí fundaram uma casa da Ordem Terceira de Santo Agostinho para coordenar os projetos de catequização. Santa Madalena de Nagasaki logo se candidatou e em pouco tempo tornou-se modelo para os missionários.
    Andava pelas ruas mendigando em nome dos pobres, dos idosos e dos enfermos. Esforçava-se para servi-los e confortá-los. Com autêntica fé e verdadeiro amor, levou ainda mais longe a Sã Doutrina da Igreja e conseguiu converter muitas almas para Cristo.



    Mas em 1628, com a intensificação das perseguições em Nagasaki, Santa Madalena e todos cristãos da cidade tiveram que se refugiar em montanhas ou cavernas, onde viviam e recebiam a consolação dos Beatos frades, Francisco e Vicente. Eram todos virtuosos, que renegavam a vida mundana e tinham fervoroso amor a Deus.
    Em 1632, porém, foram descobertos. Muitos terminaram decapitados, enquanto os frades eram mortos na fogueira. Dois outros frades agostinianos, Frei Melchior de Santo Agostinho e Frei Martinho de São Nicolau, que haviam chegado ao Japão no dia seguinte ao martírio de seus confrades, também foram presos e mortos pouco mais de dois meses depois, e da mesma maneira.
    O jesuíta São Francisco de Xavier, primeiro missionário a chegar ao Japão, havia enfrentado grandes dificuldades para anunciar a Salvação nestas terras um século antes, pois não lograva obter permissão das autoridades e sofria forte oposição dos líderes religiosos locais. Conseguiu, contudo, ainda que apenas de modo oculto, plantar a boa semente em algumas almas antes de partir.
    E assim, depois de São Paulo Miki e seus companheiros, agora era Santa Madalena de Nagasaki e sua geração que resistiam à crueldade dos imperadores. Flagrada entre cristãos, mas dispensada pelos perseguidores, pois pareceu-lhes absolutamente inofensiva, continuou vivendo nas montanhas ainda por mais dois anos, batizando crianças e convertidos, e tentando consolar e animar seus compatriotas a persistirem junto a Jesus.
    Sem alarde, mas corajosamente, sempre ia à cidade ao encontro dos que, sob tortura, haviam renegado a fé. Afável, fez com que alguns deles se arrependessem e reconduzia-os à vida piedosa, mesmo que por meio de práticas ocultas. Mas com o tempo ela deu-se conta de que, pouco a pouco, muitos fiéis começavam a desistir antes mesmo de serem torturados.
    Foi quando se decidiu que havia chegado o momento de viver a plena dimensão de sua fé, dando o maior de todos testemunhos, e assim ajudar seus irmãos, de então e da posteridade, na Salvação de suas almas: usando um hábito agostiniano e conduzindo uma Bíblia, ela apresentou-se como cristã perante os juízes.


    A princípio, eles ficaram admirados com sua beleza, fidalguia e Sabedoria, e não foram poucos os altos funcionários que lhe fizeram proposta de casamento. Mas Santa Madalena queria mesmo unir-se a Cristo em Seu sacrifício, e por não arredar pé do tribunal, fato que acabou chegando aos ouvidos das autoridades, foi presa, sendo torturada por vários dias. Amarrada pelos pés e pendurada de cabeça para baixo, eles submergiam-na num poço para que renegasse o Cristo. Quando era retirada, porém, ela recobrava o folego, e começava a cantar e louvar a Deus.
    Ao fim de 13 dias, porém, pois por sua aparente fragilidade eles estavam certos que iria terminar desistindo, foi definitivamente afogada e em seguida teve seu corpo queimado. Suas cinzas foram jogadas ao mar, para que o povo não fizesse de seu túmulo um lugar de veneração.
    Como dizia Tertuliano, no entanto, "O sangue dos mártires é a semente dos cristãos." Foi exatamente o que se viu em Nagasaki, e de forma ainda mais marcante nas manifestações após a explosão da bomba atômica sobre a cidade, no fim da Segunda Guerra Mundial. A Catedral de Santa Maria, cuja principal imagem, feita em madeira, foi miraculosamente preservada da destruição e do fogo na parte interna, ficou em ruínas.


    Santa Madalena de Nagasaki, rogai por nós!

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O Purgatório


    Como parece bastante óbvio, não se pode chegar aos Céus sem uma completa purificação da alma. Foi o que apontaram os seguidores de São Paulo, ao falar do necessário processo de santificação: "Procurai a Paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor." Hb 12,14
    De fato, isso já era da cogitação do salmista: "Quem será digno de subir ao monte do Senhor? Ou de permanecer em Seu santo lugar? Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro, cujo espírito não busca as vaidades nem perjura para enganar seu próximo. Este terá a bênção do Senhor, e a recompensa de Deus, Seu Salvador. Tal é a geração dos que O procuram, dos que buscam a face do Deus de Jacó." Sl 23,3-6
    Por isso, ele só detectava a verdadeira felicidade na efetiva ação da Divina Misericórdia: "Feliz aquele cuja iniquidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido." Sl 31,1
    São Pedro também falou de como poderíamos participar das coisas de Deus: "... a fim de tornar-vos, por este meio, participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." 2 Pd 1,4b
    Pois, de fato, no Reino de Deus não há lugar para impureza alguma, pois em Cristo renascemos "... para uma incorruptível, incontaminável e imarcescível herança, reservada para vós nos Céus..." 1 Pd 1,4
    E essa deve ser nossa condição já aqui na terra, quando participamos das coisas da Igreja, como do Santíssimo Sacramento. Dizem os da tradição de São Paulo: "E dado que temos um Sumo-Sacerdote estabelecido sobre a Casa de Deus, acheguemos-nos a Ele com sincero coração, com plena firmeza da , o mais íntimo da alma isento de toda mácula de pecados, e o corpo lavado com a Purificadora Água do Batismo." Hb 10,21-22
    Sem dúvida, todos nós devemos preservar e espelhar essa pureza, pois "... Cristo amou a Igreja e entregou-Se por ela, para santificá-la, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a Si mesmo apresentá-la a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25b-27
    Isso significa estar em perfeita Comunhão com os valores pregados por Jesus, pois só por Ele chegamos a Deus: "Ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6b
    Embora nesta passagem mencionando apenas o valor da fé, porque ninguém pode revogar os Sacramentos instituídos pelo próprio Jesus, São Paulo afirma a importância de Seus divinos ensinamentos como acesso ao Pai: "Em Cristo, pela fé que n'Ele temos, conseguimos plena liberdade de aproximarmo-nos confiantemente de Deus." Ef 3,12
    De fato, logo após a morte segue-se o Juízo Particular: "Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o Juízo..." Hb 9,27
    E segundo São Paulo, aqueles que, mesmo tendo edificado sua vida em Cristo, não alcançarem a imediata Redenção, serão purificados por um fogo devorador: "Agora, se alguém edifica sobre este fundamento (Cristo), com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O Dia do Juízo demonstrá-lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém de alguma maneira passando através do fogo." 1 Cor 3,12-16
    São Pedro também sustenta que nossa obra passa por uma prova, e compara-a ao fogo: "É isto que constitui vossa alegria, apesar das passageiras aflições que por diversas provações ainda vos são causadas, para que a prova a que é submetida vossa fé (mais preciosa que o ouro perecível, o qual, entretanto, não deixamos de provar ao fogo) redunde para vosso louvor, para vossa honra e para vossa glória, quando Jesus Cristo Se manifestar." 1 Pd 1,6-7
    Ora, ao falar do 'verme' do pecado, Jesus mesmo havia dito do processo da Salvação: "Porque todo homem será salgado pelo fogo." Mc 9,46
    Com efeito, tal fogo já está em ação aqui nesse mundo, para com aqueles que confessam e buscam a completa purificação de suas faltas. Assim se deu com o Profeta Isaías: "'Ai de mim', gritava eu. 'Estou perdido porque sou um homem de impuros lábios, e habito com um povo também de impuros lábios, entretanto meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!' Porém, um dos serafins voou em minha direção; na mão trazia uma brasa viva que com uma tenaz tinha tomado do Altar. Aplicou-a na minha boca e disse: 'Tendo esta brasa tocado teus lábios, teu pecado foi tirado, e tua falta, apagada.'" Is 6,5-7
    E se dará com os sobreviventes da Grande Tribulação, como disse o Senhor através do Profeta Zacarias: "'Espada, levanta-te contra Meu Pastor, contra Meu Companheiro - Oráculo do Senhor dos Exércitos. Fere o Pastor, que as ovelhas sejam dispersas. Voltarei Minha mão até mesmo contra os pequenos. Em toda a terra - Oráculo do Senhor - dois terços dos habitantes serão exterminados e um terço subsistirá. Mas este terço farei passar pelo fogo; purificá-lo-ei como se purifica a prata, prová-lo-ei como se prova o ouro. Então ele invocará Meu Nome, Eu ouvi-lo-ei e direi: 'Este é Meu povo'; e ele responderá: 'O Senhor é Meu Deus.'" Zc 13,7-9
    O Profeta Malaquias dizia da mesma sequência de acontecimentos, quando se referiu à purificação feita por Jesus, através de Sua Palavra, para fundar Seu Reino de Sacerdotes: "Porque Ele é como o fogo do fundidor, como a lixívia dos lavadeiros. Sentar-Se-á para fundir e purificar a prata; purificará os filhos de Levi e refiná-los-á, como se refinam o ouro e a prata. Então eles serão para o Senhor aqueles que apresentarão as ofertas como convêm." Ml 3,2b-3
    Mas há muito temos outra sentença de Deus, pronunciada bem antes da Vinda do Cristo, que indica até onde vai Seu fogo purificador. Eis o Purgatório: "O fogo da Minha ira está a arder, e vai queimar até à mansão dos mortos..." Dt 32,22
    Purificação essa que já se vislumbrava no livro da Sabedoria: "Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os tocará. Aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos: seu desenlace é julgado como uma desgraça e sua morte como uma destruição, quando na verdade estão na Paz! Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, a esperança deles era portadora de imortalidade, e por terem sofrido um pouco, receberão grandes bens, porque Deus, que os provou, achou-os dignos de Si. Ele provou-os como ouro na fornalha, e acolheu-os como holocausto." Sb 3,1-6
    E São Paulo fez várias menções ao Purgatório, claramente percebidas nas entrelinhas. Nesta, por exemplo, ele fala da Comunhão dos Santos, que inclui as almas que lá estão em penitência. De fato, quem já está no Céu não mais precisa de empenhar-se, e quem foi para o inferno já está condenado: "Por isso, também nos empenhamos em ser agradáveis a Ele, quer estejamos no corpo, quer já tenhamos deixado esta morada." 2 Cor 5,9
    Fez outra menção usando o termo 'sono', ao ainda mais explicitamente falar dessa Comunhão: "Ele morreu por nós, a fim de que nós, quer em estado de vigília, quer de sono, vivamos em união com Ele." 1 Ts 5,10
    Ele dava essa simples porém sensata explicação: "Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, sendo julgados pelo Senhor, Ele castiga-nos para não sermos condenados com o mundo." 1 Cor 11,31-32
    Afirmativamente, havia quase um século que o Purgatório era uma cogitação teológica recorrente entre o povo judeu, como vemos no livro de Macabeus, que data de quase dois séculos antes de Cristo: "Mas se ele acreditava que uma bela recompensa aguarda os que piedosamente morrem, esse era um bom e religioso pensamento. Eis porque ele pediu um sacrifício expiatório: para que os mortos fossem livres de suas faltas." 2 Mc 12,45-46


UM 'LUGAR' ESPIRITUAL DE EXPIAÇÃO

    E embora ao tempo de Rute ainda não houvesse uma mais evidente noção, a ideia da Misericórdia de Deus também para com os que já estavam mortos não era estranha. Repete-se o argumento: se houvesse apenas Céu e inferno como destinos após a morte, Deus não teria porque compadecer-se dos mortos, pois, depois de julgados, ou eles já estariam totalmente salvos ou condenados para sempre. "Noemi disse à nora: 'Que ele seja abençoado por Javé, que não deixa de ter misericórdia dos vivos e dos mortos.'" Rt 2,20
    O Profeta Isaías, mais especificamente, fala de uma prisão: "Nesse Dia, Javé julgará no Céu o Exército do Céu, e na terra, os reis da terra. Serão todos reunidos e presos na cadeia, ficarão fechados na prisão, e só depois de muito tempo é que serão julgados." Is 24,21-22
    Também falando sobre os mortos, e claramente não se referia aos Santos, pois logo após Sua Ressurreição estariam com Ele no Céu, o próprio Jesus afirmou: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá." Jo 11,25
    E falou sobre Juízo Particular, que se segue logo após a morte carnal, chamada por São João Evangelista no livro do Apocalipse de 'primeira morte'. A prisão que sucede a esse Juízo não pode ser o inferno, pois fala de uma detenção que não é definitiva, do contrário não haveria como sair dela. Essa prisão é o Purgatório, onde se paga o que se deve: "Sem demora, entra em acordo com teu adversário, enquanto com ele estás a caminho, para que não suceda que te entregue ao juiz, e o juiz entregue-te a seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade, digo-te: dali não sairás antes de pagares o último centavo." Mt 5,25-26
    Aliás, ao falar sobre a obrigação que temos de perdoar quem nos ofende, Ele repetiu-Se sobre a necessidade de quitar 'toda dívida': "O Senhor então o chamou e disse-lhe: 'Mau servo, eu perdoei-te toda dívida porque Me suplicaste. Não devias tu também te compadecer de teu companheiro de serviço, como Eu tive piedade de ti?' E o Senhor, encolerizado, entregou-o aos algozes, até que pagasse toda sua dívida. Assim vos tratará Meu Pai Celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão, de todo seu coração." Mt 18,34-35
    E deixa igualmente claro que haverá duas possibilidades de perdão, em diferentes tempos. Ele referia-Se ao Juízo Particular e ao Juízo Final, afirmando que as almas que forem para o Purgatório só receberão o perdão definitivo após terem 'pago o último centavo': "Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no vindouro." Mt 12,32
    Ele especificamente fala em punições maiores e menores. E por repetida conclusão, estas só podem acontecer no Purgatório, pois no Céu não haverá nenhuma punição e, no inferno, a punição será total, sem meio termo. No Purgatório, sim, conforme a gravidade dos pecados haverá as correspondentes punições expiatórias, ou seja, as punições intermediárias: "Aquele servo que conheceu a vontade de Seu Senhor, mas não se preparou e não agiu conforme Sua vontade, será açoitado muitas vezes. Todavia, aquele que não a conheceu e tiver feito coisas dignas de chicotadas, será açoitado poucas vezes. Àquele a quem muito se deu, muito será pedido, e a quem muito se houver confiado, mais será reclamado." Lc 12,47-48
    Tal dosagem da punição também pode ser observada nas sentenças de Jesus relativas às cidades onde realizou milagres, assim como a definitiva condenação de Cafarnaum, que pouco depois se cumpriu: "Depois Jesus começou a censurar as cidades, onde tinha feito grande número de Seus milagres, por terem recusado arrepender-se: 'Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidônia tivessem sido feitos os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas teriam-se arrependido sob o cilício e a cinza. Por isso, digo-vos: no Dia do Juízo haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós! E tu, Cafarnaum, serás elevada até o Céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro de teus muros, subsistiria até este dia.'" Mt 11,20
    De fato, Jesus deixou evidente que algumas punições seriam bem maiores, como disse dos falsos religiosos na versão de São Mateus: "Ai de vós, hipócritas escribas e fariseus! Devorais as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso, sereis castigados com muito maior rigor." Mt 23,14
    Afirmação que por Ele foi repetida no Evangelho de São Lucas: "Eles receberão mais rigoroso castigo." Lc 20,47b
    Não por acaso, São Tiago Menor dava um sério conselho aos que se pretendem conhecedores da Palavra: "Meus irmãos, entre vós não haja muitos a arvorar-se em mestres. Sabeis que seremos mais severamente julgados..." Tg 3,1
    Assim como os seguidores de São Paulo: "Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o Sangue da Aliança, em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29
    Sem dúvida, um xingamento jamais poderia ser razão para a condenação eterna, mas sim, caso não haja o devido arrependimento, para o Purgatório. Contudo, Jesus indicava que o fogo de lá é o mesmo do inferno: "Mas Eu digo-vos: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: 'Idiota', será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: 'Louco', será condenado ao fogo da geena." Mt 5,22
    Isso esclarece porque uns entrarão nos Céus antes de outros, a despeito dos dias de suas mortes. Disse Jesus aos chefes dos sacerdotes e Anciãos do povo: "Em verdade, digo-vos: os cobradores de impostos e as meretrizes precedem-vos no Reino de Deus!" Mt 21,31
    Também explica a diferença entre os Santos, que já ressuscitaram e estão reinando com Ele, ou seja, que participam da Primeira Ressurreição, e os que ainda estão purificando-se. O termo 'mil anos', empregado por São João, significa um perfeito, completo período, o tempo para a total purificação da alma: "Os outros mortos não tornaram à vida até que se completassem os mil anos. Esta é a Primeira Ressurreição. Feliz e Santo é aquele que toma parte na Primeira Ressurreição!" Ap 20,5-6a
    Sim, os Santos são os vencedores, já não estão expostos à segunda morte, que dizer, ao inferno. Jesus ditou a São João Evangelista: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: 'O vencedor não sofrerá dano algum da segunda morte.'" Ap 2,11
    E se os Santos já chegaram ao Céu, isto é, suas almas, e as dos condenados imediatamente seguem para o inferno, por que Jesus haveria de resgatar alguém da 'região dos mortos' senão após alguma purificação? "Pois estive morto, e eis-Me de novo, vivo pelos séculos dos séculos. Tenho as chaves da morte e da região dos mortos." Ap 1,18
    Assim, após a passagem de Jesus entre nós, entre as almas dos 'mortos' há duas condições: os que já foram condenados ao inferno e os que ainda não passaram pela Primeira Ressurreição, pois os 'vivos' que já chegaram à Gloria dos Céus: "Para isso é que morreu Cristo e retomou a Vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos." Rm 14,9
    E também fica claro porque, mesmo após a passagem por esse mundo, alguns, para avançar na purificação, embora com a saída já garantida, ainda terão que andar nas 'trevas': "Ainda por pouco tempo a Luz estará em vosso meio. Andai enquanto tendes a Luz, para que as trevas não vos surpreendam. Quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a Luz, crede na Luz, e assim vos tornareis filhos da Luz. Eu vim como Luz ao mundo. Assim, todo aquele que crer em Mim não ficará nas trevas." Jo 12,35-36.46
    Noutra passagem, Jesus havia feito menção à oportunidade que representa a vida terrena, ou seja, esse período de Luz de que dispomos, assim como indicou o sofrimento que será andar nas trevas: "Não são doze as horas do dia? Quem caminha de dia não tropeça, porque vê a Luz deste mundo. Mas quem anda de noite tropeça, porque lhe falta a Luz." Jo 11,9-10
    Por fim, como anunciou São João Batista, Jesus veio para batizar-nos com o Espírito Santo e com fogo. Ou seja, haveremos de ser 'salgado', de qualquer maneira passar pelo fogo purificador, vale dizer, pela Cruz, mesmo que seja apenas na vida terrena como acontece com os que alcançam a plena santificação: "Eu batizo-vos com água, em sinal de penitência, mas Aquele que virá depois de mim é mais poderoso que eu e nem sou digno de carregar Seus calçados. Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e em fogo." Mt 3,11
    Também São Pedro, falando de uma parcial condenação, registrou a descida de Jesus à mansão dos mortos, que àquele tempo ainda não se distinguia muito bem entre Purgatório e inferno. Ou seja: dava-se aí uma punição intermediária: "Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos. Para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito." 1 Pd 4,6
    Com efeito, a Vinda de Jesus representou a instalação do Perene Julgamento, pois Sua Palavra já é Seu veredito. Ele afirmou: "Agora é o Juízo deste mundo! ... a Palavra que anunciei julgá-lo-á no Último Dia." Jo 12,31a.48b
    São João Evangelista, de fato, registrou a oração dos 24 'Sacerdotes' no Céu, que prenunciava Seu Nascimento: "Irritaram-se os pagãos, mas eis que sobreveio Tua ira e o tempo de julgar os mortos, de dar a recompensa aos Teus servos, aos Profetas, aos Santos, aos que temem Teu Nome..." Ap 11,18
    Por isso, é certo que para muitos já se deu a Primeira Ressurreição, e que um dia todos ressuscitarão na carne, seja para a Vida Eterna, seja para a total punição. Jesus sentenciou: "Em verdade, em verdade, digo-vos: vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus. E os que a ouvirem viverão! Pois como o Pai tem a Vida em Si mesmo, também deu ao Filho ter a Vida em Si mesmo... Não fiqueis admirados com isso, pois vem a hora em que todos que estão nos túmulos ouvirão Sua voz, e sairão." Jo 5,25-26.28
    Foi essa a Ressurreição que atestou São Mateus, ao fim de seu Evangelho: "Os sepulcros abriram-se e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da Ressurreição de Jesus, e apareceram a muitas pessoas." Mt 27,52-53
    E assim como Isaías, São Pedro falou de uma prisão, mas para dizer que Jesus a ela já Se dirigiu antes de Sua Ressurreição: "É neste mesmo Espírito que Ele foi pregar aos espíritos que estavam detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, quando com paciência Deus aguardava enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água." 1 Pd 3,19-20
    Por fim, sabemos havia na nascente Igreja a prática de um batismo em favor dos mortos, do qual não se tem mais informação, a não ser um rápido registro feito por São Paulo. Entretanto, considerando-se a salvífica natureza do Batismo pela purificação, que outro significado isso poderia ter? Evidentemente era mais uma forma de expiação pelos pecados dos mortos: "De outra maneira, que intentam aqueles que se batizam em favor dos mortos? Se os mortos realmente não ressuscitam, por que se batizam por eles?" 1 Cor 15,29


A PROTEÇÃO DA SANTÍSSIMA MÃE DE DEUS E DA IGREJA

    É da consciência dessa realidade espiritual, portanto, que vem a importância do Privilégio Sabatino, oferecido por Nossa Senhora do Carmo aos que usam o Escapulário, e da Comunhão Reparadora dos Primeiros Sábados, prometida também pela Santíssima Virgem, mas nas revelações da Aparição de Fátima. Caso sejamos condenados ao fogo purificador, o que é bem provável dado mar de pecados em que se vive, pela primeira promessa Nossa Mãe Celestial garante resgatar-nos do Purgatório logo no primeiro sábado após nossa morte; e pela segunda, ela garante assistir-nos com todas Graças salvíficas já 'na hora de nossa morte', como rezamos na Ave Maria.
    Vemos também aí a importância dos Sacramentos, notadamente a Eucaristia, a Confissão e a Unção dos Enfermos, que, tomados em perfeita obediência aos ensinamentos de Jesus, reconciliam-nos plenamente com Deus e asseguram imediato acesso à eternidade, à Primeira Ressurreição, como Ele mesmo prometeu: "Em verdade, em verdade, digo-vos: quem ouve Minha Palavra e crê n'Aquele que Me enviou, tem a Vida Eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a Vida." Jo 5,24
    Disse-o outra vez, ao prometer o Pão do Céu: "Em verdade, em verdade, digo-vos: quem crê em Mim tem a Vida Eterna." Jo 6,47
    Dessa plena reconciliação que nos livra do Purgatório, e consequentemente do Juízo Final, deixando-nos apenas à espera da Ressurreição da carne, São João Evangelista escreveu: "Feliz e Santo é aquele que toma parte na Primeira Ressurreição! Sobre eles, a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo: com Ele reinarão durante os mil anos." Ap 20,6

    "Lembrai-Vos, ó Pai, de Vossos filhos!"

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

São Lucas Evangelista


    São Lucas, como lemos nas entrelinhas de São Paulo na Carta aos Colossenses, não era judeu: "Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, primo de Barnabé. A respeito de Marcos, recebestes instruções. Se ele for ter convosco, acolhei-o. Também Jesus, chamado Justo, saúda-vos. Dentre os judeus, somente estes três trabalham comigo pelo Reino de Deus." Cl 4,10-11
    Mas percebendo desde o início a importância do Apóstolo dos Gentios, que por erudição e profunda espiritualidade brilhava cada vez mais em suas missões, este evangelista, que também era estudioso, tornou-se um de seus mais íntimos colaboradores no anúncio da Boa Nova. Está na saudação da Carta a Filemon: "Epafras, meu companheiro de prisão por Cristo Jesus, saúda-te. Igualmente, Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores." Fm 1,23-24
    Além de São Paulo, São Lucas conheceu e também conviveu com alguns ou mesmo todos demais Apóstolos, dos quais obteve privilegiadas informações. Por isso, resolveu escrever seu Evangelho em concorrência com tantos outros, inclusive aqueles que mais tarde viriam a ser apenas apócrifos: "Muitos empreenderam compor uma história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, como no-los transmitiram aqueles que desde o princípio foram testemunhas oculares e que se tornaram ministros da Palavra. Também a mim bem pareceu, depois de diligentemente haver investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo, para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido." Lc 1,1-4
    Essas mesmas linhas desfazem uma hipótese que se levanta sobre São Lucas, apontando-o como um dos setenta e dois discípulos de Jesus, uma vez que ele não se inclui entre as testemunhas oculares, nem entre os ministros da Palavra. Mas a verdade é que, apesar de tudo que escreveu, temos pouca informação sobre sua pessoa.
    Ele também registrou os primeiros capítulos da História da Igreja, o fundamental livro dos Atos dos Apóstolos, onde temos importantíssimos detalhes sobre os ensinamentos de Jesus e o nascimento da Tradição Cristã: "Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda sequência das ações e dos ensinamentos de Jesus, desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo Suas instruções aos Apóstolos que escolhera, foi arrebatado ao Céu. E a eles manifestou-Se vivo depois de Sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de Seu Pai, 'que ouvistes', disse Ele, 'de Minha boca. Porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias.'" At 1,1-5
    Nesse livro, São Lucas várias vezes inclui-se na narrativa, pois de fato tomou parte de um longo período da vida e das viagens de São Paulo. Segundo Santo Irineu, na viagem a Macedônia eles teriam-se encontrado pela primeira vez, por volta do ano 51 da nossa era: "Assim que teve essa visão, procuramos partir para a Macedônia, certos de que Deus nos chamava a pregar-lhes o Evangelho." At 16,10
    Dadas as controvérsias e confusões, e a quantidade de discípulos de São Paulo, depois de uma breve separação voltou a encontrar-se com ele em Trôade, na costa oeste da atual Turquia: "Depois que cessou o tumulto, Paulo convocou os discípulos. Fez-lhes uma exortação, despediu-se e pôs-se a caminho para ir a Macedônia. Percorreu aquela região, exortou os discípulos com muitas palavras e chegou a Grécia, onde se deteve por três meses. Como os judeus lhe armassem ciladas no momento em que ia embarcar para a Síria, tomou a resolução de voltar pela Macedônia. Acompanharam-no Sópatro de Bereia, filho de Pirro, e os tessalonicenses Aristarco e Segundo, Gaio de Derbe, Timóteo, Tíquico e Trófimo, da Ásia. Estes foram na frente e esperaram-nos em Trôade. Nós, só depois da festa de Páscoa é que navegamos de Filipos. E cinco dias depois fomos ter com eles em Trôade, onde ficamos uma semana." At 20,1-6
    Nova separação teve fim em Assos, na mesma região, um pouco mais ao sul: "Nós tínhamos-nos adiantado e navegado para Assos, para ali recebermos Paulo. Ele mesmo assim o havia disposto, preferindo fazer a viagem a pé." At 20,13
    E daí partiram na última visita do Apóstolo a Jerusalém: "À nossa chegada em Jerusalém, os irmãos receberam-nos com alegria. No dia seguinte, Paulo dirigiu-se conosco à casa de Tiago, onde todos Anciãos reuniram-se." At 21,17-18
    São Lucas acompanhou São Paulo em viagem a Roma, já sob custódia da guarda imperial, onde seria julgado por César: "Logo que foi determinado que embarcássemos para a Itália, Paulo foi entregue com outros presos a um centurião da coorte augusta, chamado Júlio." At 27,1
    Sofreu com ele o naufrágio no mar da pequena Ilha de Malta, ao sul da Sicília: "No navio, éramos ao todo duzentas e setenta e seis pessoas. Mas deram numa língua de terra, e o navio aí encalhou. A proa, encalhada, permanecia imóvel, ao mesmo tempo que a popa se abria com a força do mar. Os soldados tencionavam matar os presos, por temerem que algum deles fugisse a nado. O centurião, porém, querendo salvar Paulo, impediu que o fizessem e ordenou que aqueles que pudessem nadar fossem os primeiros a lançar-se ao mar e alcançar a terra. Os demais, uns atingiram a terra em tábuas, outros em cima dos destroços do navio. Desse modo, todos conseguiram chegar à terra, sãos e salvos. Estando já salvos, então soubemos que a ilha se chamava Malta." At 27,37.41-44; 28,1
    Ele entrou com São Paulo em Roma: "Os irmãos de Roma foram informados de nossa chegada e vieram ao nosso encontro até o Foro de Ápio e as Três Tavernas. Ao vê-los, Paulo deu graças a Deus e sentiu-se animado." At 28,15
    E quando São Paulo se viu preso pela primeira vez, São Lucas era seu companheiro fiel: "Só Lucas está comigo." 2 Tm 4,11
    Na Carta aos Colossenses, São Paulo, pouco tempo antes de seu martírio, diz-nos a profissão de São Lucas, que agora o acompanhava em sua segunda prisão: "Saúdam-vos, enfim, Lucas, o querido médico..." Cl 4,14
    Podemos dizer que São Lucas é o Evangelista do Espírito Santo, pois vai mencioná-Lo mais que os outros evangelistas juntos: são 14 vezes. E nos Atos dos Apóstolos, início do tempo da Igreja, fica clara a importância que São Lucas Lhe confere: são 39 menções, quando com nitidez vemos que o Divino Espírito é Deus e francamente põe-Se à frente da Igreja. Aliás, como Jesus havia predito.
    Também podemos dizer que São Lucas é o Evangelista de Nossa Senhora. Por não ser judeu, e contemplar a tradição deles em mais abrangente perspectiva, ele refere-se à Santíssima Virgem por 12 vezes, ou seja, também mais que os outros evangelistas juntos. É possível que ele a tenha conhecido, e certamente conheceu gente que iniciava a venerar sua memória, de tantos detalhes que nos informa da Anunciação, da visita a Santa Isabel, de Seu Magnificat e da infância de Jesus. Além de ter anotado a expressiva formação religiosa da Mãe de Deus, como sua natural reação à aparição do Arcanjo Gabriel, registros dão conta de que ele mesmo pintou o quadro que deu origem ao ícone abaixo, de Nossa Senhor do Perpétuo Socorro. O original, infelizmente, perdeu-se.


    Um documento antigo, prólogo do Evangelho de São Lucas, muito provavelmente escrito no século II, dá-nos as seguintes informações: "Lucas é um sírio de Antioquia, sírio pela raça, médico de profissão. Tornou-se discípulo dos Apóstolos e mais tarde seguiu a Paulo até seu martírio. Tendo com perseverança servido ao Senhor, solteiro e sem filhos, cheio da Graça do Espírito Santo, morreu aos 84 anos de idade."
    São Jerônimo, Historiador e Doutor da Igreja, que é do século IV, disse a seu respeito: "Era discípulo e inseparável companheiro de São Paulo; nasceu em Antioquia, exercia a profissão de médico; ao mesmo tempo, cultivava as letras e chegou a ser muito versado em língua e literatura gregas. Seu gosto literário ressalta nessa preciosa História (Atos dos Apóstolos) que nos deixou da origem do cristianismo, mais completa em muitíssimos pontos que a dos demais evangelistas, melhor ordenada e de mais agradável leitura."
    São Lucas morreu na região da Bitínia, costa do Mar Negro, na atual Turquia, mas ainda em 357 suas relíquias foram levadas para Constantinopla pelo Imperador Constâncio, filho de Constantino, e depositadas na Igreja dos Santos Apóstolos, junto às relíquias de Santo André e São Timóteo. São Gregório Magno, um dos Padres Latinos e quarto Doutor da Igreja, levou-as a Itália ao fim de sua nunciatura, e depositou-as na Igreja do Mosteiro de Santo André, que ele havia fundado no Monte Célio, próximo a Roma.
    Atualmente encontram-se em Pádua, na Basílica de Santa Justina, onde recentemente tiveram a autenticidade reconhecida. Seu esqueleto está miraculosamente bem preservado.


    São Lucas, rogai por nós!

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Santo Inácio de Antioquia


    Eis uma alma cujos escritos e vida perpetuaram importantes capítulos da Teologia, da Sagrada Tradição e da História da Igreja. Ele não era judeu e deve ter visto São Barnabé, esse admirável discípulo de Jesus, chegar à sua cidade, pois muitos pagãos estavam convertendo-se. São Lucas assim narrou esse episódio: "A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da igreja de Jerusalém. Então enviaram Barnabé até Antioquia. Ao lá chegar, alegrou-se, vendo a Graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração, pois era um homem de bem, cheio do Espírito Santo e de . Assim uma grande multidão uniu-se ao Senhor." At 11,22-24
    Ele também deve ter presenciado São Barnabé apresentar São Paulo à sua comunidade, um sábio e fervoroso Apóstolo, recém-convertido, de quem nosso Santo se tornaria fiel seguidor. E certamente viu os 'nazarenos', como inicialmente eram chamados os seguidores de Cristo, passarem a ser chamados de 'cristãos', ainda segundo as letras de nosso Amado Médico: "Em seguida, partiu Barnabé para Tarso, à procura de Saulo. Achou-o e levou-o para Antioquia. Durante um ano inteiro, eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos." At 11,25-26
    O termo nazareno, contudo, não desapareceria definitivamente e ainda seria empregado décadas mais tarde, quando São Paulo foi preso em Jerusalém pela primeira vez. No julgamento realizado em Cesareia perante Felix, governador da Judeia entre 52 e 60, o Apóstolo dos Gentios foi assim acusado pelo advogado do sumo sacerdote: "Encontramos este homem, uma peste, um indivíduo que fomenta discórdia entre os judeus no mundo inteiro. É um dos líderes da seita dos nazarenos." At 24,5
    Santo Inácio deve ter acompanhado as primeiras grandes decisões da Igreja, como a questão sobre circuncidar ou não os cristãos vindos do paganismo, que motivou o primeiro Concílio, em Jerusalém. Talvez até tenha dele participado, na qualidade de 'irmão' como citou São Lucas: "Alguns homens, descendo da Judeia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: 'Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.' Originou-se, então, grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns irmãos, fossem tratar desta questão com os Apóstolos e os Anciãos em Jerusalém." At 15,1-2
    Também foi seguidor e sucessor do próprio São Pedro, logo após Evódio, no encargo de Bispo de Antioquia, precisamente do ano 68 até 107 da nossa era, quando foi martirizado. De fato, antes de ir a Roma pela primeira vez, foi em Antioquia que o Príncipe dos Apóstolos se refugiou ao ser libertado da cadeia por seu Anjo da Guarda, quando foi preso por Herodes. Por esses tempos a liderança da comunidade de Jerusalém já havia sido confiada a São Tiago Menor. Está no texto dos Atos dos Apóstolos: "Pedro continuava a bater. Afinal abriram a porta, viram-no e ficaram atônitos. Ele, acenando-lhes com a mão para que se calassem, contou como o Senhor o havia livrado da prisão, e disse: 'Comunicai-o a Tiago e aos irmãos.' Em seguida, saiu dali e retirou-se para outro lugar." At 12,17
    Mas acabou expulso de Roma com os judeus pelo Imperador Cláudio. São Lucas registrou esse fato, ao citar o encontro de São Paulo com judeus vindo de Roma: "Encontrou ali um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, e sua mulher Priscila. Pouco antes, eles haviam chegado da Itália, por Cláudio ter decretado que todos judeus saíssem de Roma. " At 18,2a
    E assim São Pedro retornou a Antioquia, retomando seu episcopado, pois era a cidade mais importante da região, da qual Jerusalém era apenas mais uma cidade satélite. São Paulo indica sua chegada na Carta aos Gálatas, na inoportuna resistência que lhe fez para apressar as decisões do Primeiro Concílio relativas aos incircuncisos: "Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, francamente resisti-lhe, porque era censurável. Pois antes de chegarem alguns homens da parte de Tiago, ele comia com os pagãos convertidos. Mas quando aqueles vieram, retraiu-se e separou-se destes, temendo os circuncidados." Gl 2,11-12
    Antioquia da Síria era uma das três grandes metrópoles do Império Romano, apenas menor que Roma e Alexandria. Lá já vivia uma grande comunidade de judeus desde os tempos da Diáspora, quando o povo de Israel dispersou-se pelo mundo, 600 anos antes da Vinda de Nosso Salvador. E para lá foram vários discípulos após o apedrejamento de Santo Estevão, fazendo com que se tornasse um grande e importante centro cristão: "Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão, chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a Palavra só aos judeus. Alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene, entrando em Antioquia, também se dirigiram aos gregos, anunciando-lhes o Evangelho do Senhor Jesus. A Mão do Senhor estava com eles, e grande foi o número dos que receberam a fé e converteram-se ao Senhor." At 11,19-22
    Aliás, da Antioquia, desde o início da vida pública de Jesus, já haviam saído grandes discípulos, como Nicolau, que, mesmo sem ser judeu de nascimento, fez parte do primeiro grupo de Diáconos. Ele foi o primeiro gentio a entrar na Igreja, seguido do eunuco da da rainha da Etiópia, batizado por São Filipe Diácono, que se anteciparam ao 'Pentecostes dos Gentios': "Este parecer agradou a toda assembleia. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia." At 6,5
    E como São João Evangelista foi o último a Apóstolo morrer, por volta do ano 100 da nossa era, Santo Inácio, em consideração ao primeiríssimo Colégio, por Jesus pessoalmente convocado, muito se valeu de sua companhia, sempre o procurando para esclarecer e resolver questões importantes relativa à Sã Doutrina.
    Desse tão próximo convívio com três fulgurantes Apóstolos, deixou-nos 7 preciosíssimas cartas. Para os mais sérios estudiosos, são consideradas tão importantes e reveladoras quanto as cartas de São Paulo. Foram escritas no longo caminho que ele fez até Roma, após ser preso e condenado a morrer, por não renegar a fé em Cristo, pela boca dos leões no Coliseu, como aconteceu a muitos cristãos até o início do século IV. De notória santidade, e sendo bispo em tão importante cidade, o imperador romano queria fazer de sua morte um espetáculo para dispersar os muitos fiéis que ele representava, aos quais com grande êxito divulgava o Nome de Jesus.
    Em suas cartas, vemos Santo Inácio enfrentar as heresias que surgiam para desencaminhar a Doutrina, demonstrando fervoroso empenho para manter a Unidade e Hierarquia da Igreja, ainda nascente. É ele, sem dúvida, um elo chave para compreendermos a Igreja confiada por Jesus aos Apóstolos. A Sagrada Tradição tem nele um especial capítulo. Por exemplo, ele foi o primeiro a chamar a Igreja de Católica, ou seja, Universal: "Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica." in Epístola aos Erminiotas
    Além de mencionar a incorporação dos Anciãos à Hierarquia da Igreja, que era uma tradição judaica e viriam a ser nossos Padres, um grau de ordenação entre bispos e diáconos, Santo Inácio apaixonadamente defendeu a autoridade dos bispos, únicos e legítimos sucessores dos Apóstolos: "É bom para vós em união proceder de acordo com o pensamento do Bispo, o que já fazeis. De fato, vosso colégio de Presbíteros, justamente famoso, digno de Deus, está assim harmoniosamente unido ao Bispo como as cordas à cítara. Por isso, em vossa concórdia e em vosso sinfônico amor Jesus Cristo é cantado. E assim vós, um por um, tornais-vos coro, para que na sinfonia da concórdia, depois de ter tomado o trono de Deus na Unidade, canteis a uma só voz." in Epístola aos Efésios
    Tal respeito devotado aos Bispos é essencial, pois o título de Apóstolo coube apenas àqueles que Jesus pessoalmente chamou: "Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e escolheu doze dentre Eles, que chamou de Apóstolos..." Lc 6,13
    Na lista dos Apóstolos, porém, inclui-se São Matias, pois ele acompanhou Nosso Senhor desde o princípio e testemunhou Sua Ressurreição, critério que São Pedro estabeleceu para substituir Judas Iscariotes: "'Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do Batismo de João até o dia em que de nosso meio foi arrebatado, um deles torne-se conosco testemunha de Sua Ressurreição.' Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos Onze Apóstolos." At 1,21-22.26
    E entre eles ainda devemos contar São Paulo, pois Jesus também pessoalmente o chamou, através de uma aparição: "Mas levanta-te e põe-te em pé, pois Eu apareci-te para fazer-te ministro e testemunha das coisas que viste, e de outras para as quais hei de manifestar-Me a ti." At 26,16
    Disso, São Paulo deu testemunho: "E, por último de todos, também apareceu a mim, como a um abortivo. Porque eu sou o menor dos Apóstolos, e não sou digno de ser chamado Apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus." I Cor 15,8-9
    Já àqueles tempos, Santo Inácio apontava o orgulho dos que não cultuavam a Cristo nas Santas Missas: "Se a oração de duas pessoas juntas tem tal força, quanto mais a do Bispo e de toda a Igreja! Aquele que não participa da reunião é orgulhoso e já está por si mesmo julgado, pois está escrito: 'Deus resiste aos orgulhosos.' Tenhamos cuidado, portanto, para não resistirmos ao Bispo, a fim de estarmos submetidos a Deus." in Epístola aos Efésios
    Ele registrou a adoção do Domingo pelos cristãos: "Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o Dia do Senhor, em que nossa vida se levantou por meio d'Ele e de Sua Morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse Mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, Nosso Único Mestre." in Epístola aos Erminiotas
    Igualmente registrou a já iniciada veneração aos Santos, ao prometer sua intercessão também dos Céus: "Meu espírito sacrifica-se por vós, não somente agora, mas também quando eu chegar a Deus. Eu ainda estou exposto ao perigo, mas o Pai é fiel, em Jesus Cristo, para atender minha oração e a vossa. Que n'Ele sem reprovação sejais encontrados." in Epístola aos Trálios
    Registrou a hierarquia da Igreja e a importância da Unidade da fé"Eu ofereço minha vida por aqueles que são submetidos ao Bispo, aos Presbíteros e aos Diáconos. Que com eles eu possa ter parte em Deus. Trabalhai juntos uns para os outros, lutai juntos, correi juntos, sofrei juntos, dormi e vigiai juntos como administradores de Deus, Seus assessores e servos. Procurai agradar Àquele pelo qual militais e do Qual recebeis os favores. Que nenhum de vós seja desertor. Vosso Batismo permaneça como um escudo, a como um elmo, a caridade como uma lança, a paciência como uma armadura." in Epístola a Policarpo
    Também registrou o nascimento da veneração à Virgem Maria, como tão grande mistério quanto a morte de Cristo: "E permaneceram ocultos ao príncipe desse mundo a virgindade de Maria e seu parto, bem como a morte do Senhor: três mistérios de clamor, realizados no silêncio de Deus." in Epístola aos Efésios
    Confiante, e para não desmerecer o Sacrifício de Cristo, não aceitou ser poupado da boca dos leões. Como bispo, deu exemplo aos demais cristãos que iriam ser sacrificados naquele dia, para que morressem na fé: "Deixai-me ser alimento das feras. Sou trigo de Deus. É necessário que eu seja moído pelos dentes dos leões para tornar-me um pão digno de Cristo."


    Profícuo escritor, e testemunhando o martírio dos Apóstolos, seu amor pela Igreja era patente:
    "Como filhos da Luz e da Verdade, evitai a divisão e as perversas doutrinas; para onde vai o Pastor, devem segui-Lo as ovelhas."
    "Todos que pertencem a Deus e a Jesus Cristo estão em Comunhão com o Bispo; e todos que se arrependem e voltam à unidade da Igreja também pertencerão a Deus, para viverem segundo Jesus Cristo."
    "Sujeitai-vos ao Bispo como a Jesus Cristo... É necessário, como já praticais, nada fazerdes sem o Bispo, pois quem é de Deus e de Jesus Cristo está com o Bispo."
    "Nada exista entre vós que possa dividir-vos; vossa união com o Bispo e os Presbíteros seja a antecipada imagem e sinal da Vida Eterna."
    "Deveis estar estreitamente unidos ao Bispo, como a Igreja o é com Cristo, e como Cristo o é com o Pai."
    "Procurai, portanto, participar na única Eucaristia, porque uma só é a Carne de Nosso Senhor Jesus Cristo; um só é o Cálice que nos une em Seu Sangue; um só é o altar e um só é o Bispo com o Presbitério e os Diáconos, meus colaboradores no ministério."
    "Parti um só Pão, que é remédio de imortalidade."
    "Procurai reunir-vos com mais frequência para celebrar a Ação de Graças e o louvor de Deus. Quando vos reunis com frequência, abatem-se as forças de Satanás e seu poder destruidor é aniquilado pela concórdia de vossa fé."
    "Que nada façam à Igreja sem o conhecimento do Bispo. Que a celebração da Eucaristia seja válida quando celebrada pelo Bispo ou por quem este designar. Onde estiver o Bispo, esteja o povo, assim como onde está Jesus Cristo, está a Igreja Católica. Não é permitido casar-se ou batizar sem a autorização do Bispo; mas tudo que ele aprovar agrada a Deus. Com isso, tudo que fizeres será valioso e uma prova contra o mal."
    "Quem faz o que quer que seja sem o Bispo, os Presbíteros e os Diáconos não tem pura a consciência."
    "Pelo fruto se conhece a árvore; do mesmo modo, os que professam ser de Cristo se reconhecem pelas suas obras."
    "Quem professa a fé, não peca; e quem possui a caridade, não odeia ninguém."
    "Onde reinam a divisão e a ira, aí não habita Deus."
    "Fugi das divisões como o principio de todos males."
    "Nada há mais precioso que a Paz, que desarma todo celeste ou terrestre inimigo."
    "Sustenta os outros como Deus te sustenta; suporta todos na caridade."
    "Sede indulgentes e afáveis uns com os outros, como Deus é convosco."
    "Nada vos faltará, se em Jesus Cristo tiverdes perfeita fé e caridade: a fé é o princípio da Vida, a caridade é o ápice. A união das duas é Deus mesmo; todas demais virtudes fazem cortejo a estas, para conduzir o homem à perfeição."
    "É como se houvesse duas moedas, uma de Deus e outra do mundo. Cada uma delas tem gravado seu próprio cunho. Os infiéis têm a imagem do mundo; os que permanecem fiéis na caridade, têm a imagem de Deus Pai, por intermédio de Jesus Cristo."
    "O que agora interessa não é apenas fazer profissão de fé, mas na prática da fé perseverar até ao fim."
    "Ao Senhor nada se esconde, até nossos mais íntimos segredos Lhe estão próximos. Façamos, então, todas as coisas em Sua presença, visto que somos Seus Templos."
    "Melhor é calar-se e ser, que falar e não ser."
    "É melhor ser cristão sem dizê-lo, que dizê-lo sem ser."
    "É bom ensinar, desde que se pratique o que se ensina."
    "Aquele que possui a Palavra de Jesus também é capaz de perceber Seu silêncio e chegar à perfeição, agindo segundo Sua Palavra e fazendo-se reconhecer por Seu silêncio."
    "Mostremo-nos aos outros que somos seus irmãos com nossa bondade; esforcemo-nos para imitar o Senhor. Quem mais que Ele sofreu a injustiça, a privação e o desprezo?"
    "Se não estamos dispostos a morrer para imitar a Paixão de Cristo, Sua Vida não está conosco."
    "O cristão não é patrão de si mesmo, mas está à disposição de Deus."
    "Mais me aproveita morrer em Cristo que imperar até os confins da terra."
    "Agora começo a ser discípulo. Nenhuma criatura visível ou invisível me atrai para si, até que eu esteja em Jesus Cristo. Fogo e Cruz, fileiras de feras, lacerações, esquartejamento, ruptura dos ossos, mutilação dos membros, trituração de todo corpo, todos cruéis tormentos do diabo caiam sobre mim, desde que eu chegue à posse de Jesus Cristo."
    "Deixai que eu me torne alimento para as feras, por meio das quais poderei chegar à posse de Deus."
    "Deixai-me partir para a pura Luz, quando ali tiver chegado, então verdadeiramente serei homem."
    "Toma e recebe, Senhor, toda minha inteligência e minha vontade. Quanto possuo, Tu deste-me: eu restituo-To. Tudo é para Ti: dispõe disso como Te agradar. Dá-me só Teu amor e Tua Graça: nada mais Te peço, ó Senhor."
    "Meu terreno desejo está crucificado, em mim não mais existe fogo de amor pela matéria. Uma Água Viva murmura em mim e diz-me lá dentro: 'Vem para o Pai!'"
    "É belo transpor o mundo e ressurgir em Deus."
    "Adeus! Sejam fortes até o fim no sofrer por Cristo."

    Suas restos mortais foram sepultados em Roma, no altar da antiquíssima Basílica de São Clemente, junto às relíquias deste Santo. Esse local havia sido um templo pagão, como se vê na cripta, mas foi convertido em Casa de Oração cristã ainda no século I.


    Santo Inácio de Antioquia, rogai por nós!