segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

A Encarnação do Cristo (I)


    São Paulo ensinou que o Cristo, enquanto Servo Sofredor, é uma transcendente promessa de Deus, e Sua Missão consiste em exortar-nos à que tudo suporta. Por isso, a Igreja anuncia-O "... conforme a revelação do mistério, durante séculos guardado em segredo. Mas agora manifestado por ordem do Eterno Deus e, por meio das proféticas Escrituras, dado a conhecer a todas nações, a fim de levá-las à obediência da fé." Rm 16,25-26
    A manifestação do Cristo, portanto, é um preciosíssimo bem que deve ser levado a conhecimento de todos, pessoa a pessoa pelo mundo afora, mesmo cientes de que nossas informações sobre Ele é, tão somente, "... o que se pode conhecer de Deus..." Rm 1,19
    Enquanto revelação do próprio Deus, Cristo está além da nossa capacidade de compreensão, e conseguir anunciá-Lo é uma Graça, ainda segundo São Paulo: "Orai também por nós. Pedi a Deus que dê livre curso à nossa palavra para que possamos anunciar o Mistério de Cristo." Cl 4,3
    Assim, por Graça do Espírito Santo, os esforços dos Apóstolos ultrapassaram em muito os limites meramente humanos. De fato, à exceção de São João Evangelista, todos eles foram martirizados, inclusive São Paulo, que dizia sobre aqueles a quem ainda não tinha pregado: "Tudo sofro para que seus corações sejam reconfortados e que, estreitamente unidos pela caridade, sejam enriquecidos de uma plenitude de inteligência para conhecerem o mistério de Deus, isto é, Cristo, no Qual estão escondidos todos tesouros da Sabedoria e da ciência." Cl 2,2-3
    O conjunto da Revelação, porém, que esclarece bem mais do que realmente precisamos saber, já havia sido previsto pelos Profetas do Antigo Testamento, ainda que só em Cristo tenha alcançado sua mais elevada dimensão e esplendor. Nem mesmo os anjos o conheciam na totalidade, como vemos nas palavras de São Pedro: "Esta Salvação tinha sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas, que proferiram oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e que profetizava Seus sofrimentos e Suas Glórias. Foi-lhes revelado que eram destinadas não para eles, senão para vós, estas revelações que agora vos tem sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas, que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,10-12
    Com efeito, mesmo para estas invisíveis criaturas muitas dessas revelações só seriam inteligíveis através da instituição da Igreja. São Paulo registrou: "Assim, de ora em diante, as celestes dominações e potestades podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da Divina Sabedoria..." Ef 3,10
    No entanto, apesar de todos vaticínios das Escrituras, muitos religiosos judeus não reconheceram Jesus como o Cristo: "... a inteligência deles permaneceu obscurecida. Ainda agora, quando leem o Antigo Testamento, esse mesmo véu permanece abaixado, porque é só em Cristo que ele deve ser levantado." 2 Cor 3,14
    E lamentou pelos incrédulos, em geral, "... que não percebem a Luz do Evangelho, onde resplandece a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus." 2 Cor 4,4
    Ele atesta a natureza humana de Jesus, mas também o poder do Espírito Santo, o grandioso feito da Ressurreição e que foi Ele Quem instituiu o Reino de Sacerdotes: "Jesus Cristo, Nosso Senhor, descendente de Davi quanto à carne, que, segundo o Espírito de santidade, no poder foi estabelecido Filho de Deus por Sua Ressurreição dos mortos, e de Quem temos recebido a Graça e o apostolado..." Rm 1,3-5
    E não deixou de ver n'Ele, para além da imagem, a própria plenitude de Deus: "Porque aprouve a Deus n'Ele fazer habitar toda plenitude..." Cl 1,19
    Com total fidelidade aos fatos, São João Evangelista também atestou Sua divindade, além da Graça que por ela é derramada sobre nós: "De Sua plenitude todos nós recebemos Graça sobre Graça." Jo 1,16
    São Paulo até admite haver tratado Jesus apenas como um ser humano. Porém retrata-se e diz que, depois de verdadeiramente conhecê-Lo, em toda humanidade vê Sua divina imagem: "Por isso, daqui em diante a ninguém nós conhecemos de humano modo. Muito embora tenhamos considerado Cristo dessa maneira, agora já não O julgamos assim. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho. Eis que tudo se fez novo!" 2 Cor 5,16-17
    Atestando a superioridade da Nova Aliança, ele coloca o Antigo Testamento em seu devido lugar por força da esplendorosa manifestação de Deus na Pessoa de Jesus, que claramente foi preservada para um tempo em que a humanidade melhor pudesse acolher Seus ensinamentos: "... as Escrituras limitam-se a dar o conhecimento do pecado. Mas agora... manifestou-se a justiça de Deus, predita pela Lei e pelos Profetas... a obra da Redenção. Deus destinou o Cristo para ser, pelo Seu Sangue, instrumento de expiação... deixando sem castigo os pecados anteriormente cometidos, no tempo de Sua tolerância." Rm 3,20-21.24-26
    Pois como revelam os seguidores de sua tradição, Deus tudo criou tomando o Cristo como medida, e Sua Palavra, fonte da Salvação, é o maior sinal de Seu poder: "Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos Profetas. Ultimamente falou-nos por Seu Filho, que constituiu herdeiro universal, por Quem criou todas as coisas. Esplendor da Glória de Deus e imagem do Seu ser, Ele sustenta o universo com o poder de Sua Palavra." Hb 1,1-4
    Todos esses acontecimentos, portanto, vieram a cumprir o que estava escrito sobre o Messias, e em muitos pontos até surpreenderam, em muito superando as expectativas. De fato, as profecias não são perfeitamente claras, como reconheceu São Paulo: "Nossa ciência é parcial, nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho, confusamente, mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte, mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido." 1 Cor 13,9-12
    No entanto, a mais profunda leitura, associada às necessárias revelações feitas por Jesus, mostra a precisão e a beleza desse divino projeto. Sem dúvida, mais que simplesmente libertar-nos, Ele convidou-nos à santidade: "Deus salvou-nos e chamou para a santidade, não em atenção às nossas obras, mas em virtude de Seu desígnio, da Graça que desde a eternidade nos destinou em Cristo Jesus, e agora manifestou-nos mediante a aparição de Nosso Salvador, que pelo Evangelho destruiu a morte e suscitou a Vida e a imortalidade..." 2 Tm 1,9-10
    Foi além: Ele veio convidar-nos a comungar de Sua própria natureza divina, como disse São Pedro: "... foram-nos concedidos os prometidos, os maiores e mais valiosos bens, a fim de que vós vos tornásseis participantes da natureza divina..." 2 Pd 1,4
    Assim pôs termo ao exagerado valor que se dá à vida terrena, pois através de Sua Paixão somos animados à Vida Eterna por Seu Santo Espírito. São Paulo escreve aos romanos: "Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o espírito vive pela justificação. Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, por Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,10-11
    E diz aos coríntios: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos, de todos homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19
    Sua Vinda, pois, é a inauguração do Reino dos Céus, a volta do ser humano à convivência com Deus, a vitória sobre a morte: "Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram!" 1 Cor 15,20
    Porque, para nossa total emancipação, foi vivendo na carne que Ele venceu o pecado: "Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,3b-4
    Esta é a razão pela qual São Paulo insistia em apresentá-Lo por Sua natureza humana, para ressaltar a Redenção que se deu por Seu Sacrifício na Cruz: "Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: um homem, Jesus Cristo, que Se entregou como resgate por todos. Esse é o testemunho dado nos tempos estabelecidos; e deste fato - digo a Verdade, não minto - fui constituído pregador, Apóstolo e doutor dos gentios, na fé e na Verdade." 1 Tm 2,5-7
    No mesmo sentido, em reconhecimento à Sua Igreja, São João Evangelista indicava uma das forças que a move: "Aceitamos o testemunho dos homens." 1 Jo 5,9a
    Ademais, numa referência aos que estão no Purgatório, São Paulo deu mais esta explicação para Sua condição carnal: "Para isso é que morreu Cristo e retomou a Vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos." Rm 14,9


A PACIÊNCIA DE CRISTO

    Nosso resgate, portanto, não foi um acontecimento qualquer. Segundo São Pedro, nossa teimosia acabou custando muito caro: "Porque vós sabeis que não é por perecíveis bens, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados de vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo..." 1 Pd 1,18
    Ele abertamente afirma o Sacrifício do Cristo, para que não seja menosprezado: "Eis a exortação que dirijo aos Anciãos que entre vós estão. Porque como eles sou Ancião, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo..." 1 Pd 5,1
    Pois em Seu sofrer, que era absolutamente humano, Jesus aprendeu e ensinou que aceitássemos com obediência os desígnios de Deus, em especial os mais difíceis: "Assim também Cristo não atribuiu a Si mesmo a Glória de ser pontífice. Esta Lhe foi dada por Aquele que Lhe disse: 'Tu és Meu Filho, hoje Te gerei (Sl 2,7).' Nos dias de Sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, Àquele que O podia salvar da morte, e foi atendido por Sua Misericórdia. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,5.7-8
    De fato, em profundidade Ele experimentou a condição humana, como visto na Cruz do Calvário: "E à hora nona Jesus bradou em alta voz: 'Elói, Elói, lammá sabactáni?', que quer dizer: 'Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste? (Sl 21,2)'" Mc 15,34
    Pregam, pois, os discípulos de São Paulo: "Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, Ele também participou a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio, e libertar aqueles que, pelo medo da morte, toda vida estavam sujeitos a uma verdadeira escravidão. Veio em socorro, não dos anjos, e sim da raça de Abraão, e por isso convinha que em tudo Se tornasse semelhante a Seus irmãos, para ser um Compassivo e Fiel Pontífice no serviço de Deus, capaz de expiar os pecados do povo. De fato, por ter Ele mesmo suportado tribulações, está em condição de vir em auxílio dos que são atribulados." Hb 2,14-18
    Os divinos desígnios acatados por Jesus, sem dúvida, são cabais demonstrações que nos ensinam a viver nossa condição em plenitude. Ele mesmo afirmou: "Eu vim para que as ovelhas tenham Vida, e para que a tenham em abundância." Jo 10,10b
    E disse do Mistério de Seu Sacrifício: "Em verdade, em verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53b
    Eis como reza São Paulo: "Que o Senhor dirija vossos corações para o amor de Deus e para a paciência de Cristo." 2 Ts 3,5
    Nestes termos explica a Santa Missa, ápice de nossas vidas: "Eu exorto-vos, pois, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em vivo, santo, agradável sacrifício a Deus: é este vosso culto espiritual." Rm 12,1
    Pois as divinas dádivas operam muito mais que uma simples melhora na vida terrena. É muito maior: "... o dom de Deus é a Vida Eterna em Cristo Jesus, Nosso Senhor." Rm 6,23
    Tudo isso, portanto, encerra-se no grande plano do Pai: "Em Seu amor, predestinou-nos a sermos adotados como filhos Seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua livre vontade..." Ef 1,5
    Tocado por tanta benevolência, e absolutamente convicto da nossa vitória pela Redenção oferecida por Jesus, São Paulo pergunta: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? ... nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, Nosso Senhor." Rm 8,35.39
    Não estamos, pois, nem sozinhos nem ao sabor de uma vida sem sentido. Cristo é uma grande prova do amor de Deus e de Seus cuidados para conosco, como diz este Apóstolo aos efésios: "Mas Deus, que é rico em Misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a Vida junto a Cristo. É por Graça que fostes salvos! Junto a Ele, ressuscitou-nos e fez-nos assentar nos Céus, com Cristo Jesus. Ele assim demonstrou pelos futuros séculos a imensidão das riquezas de Sua Graça, pela bondade que tem para conosco, em Jesus Cristo." Ef 2,4-7


A COMUNHÃO COM DEUS

    Enfim, Jesus veio conduzir-nos à Plena Comunhão com o Pai, ou seja, restituir-nos a divina semelhança. São Paulo exorta: "Vós despistes-vos do velho homem com seus vícios e revestistes-vos do novo, que constantemente vai restaurando-se à imagem d'Aquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento." Cl 3,9-10
    Porque, embora sigamos sendo imagem de Deus, havíamos perdido Sua semelhança por causa do pecado: "Disse então o Senhor: 'Meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne...'" Gn 6,3
    Jesus, portanto, traz-nos mais uma vez o Espírito de Deus, como a promessa feita através do Profeta Joel, que na plenitude dos tempos se materializou por Sua Vinda: "... acontecerá que derramarei Meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos e vossos jovens terão visões." Jl 3,1
    Ele confirmou essa promessa na sinagoga de Cafarnaum: "O Espírito é que dá a Vida..." Jo 6,63
    E assumiu a tarefa de enviá-Lo: "Eu mandar-vos-ei o Prometido de Meu Pai..." Lc 24,49
    Essa era a renovação esperada pelo salmista: "Se enviais, porém, Vosso Espírito, eles revivem e renovais a face da terra." Sl 103,30
    E exaltada por São Paulo. Era a graciosa e imprescindível Vinda do Espírito de Deus, que se deu no Pentecostes: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez!" Rm 8,2-3a
    Assim o Cristo é o modelo do novo ser humano, e por Ele a Igreja recebeu o ministério da nossa reconciliação com o Pai: "Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou Consigo, por Cristo, e confiou-nos o ministério desta reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em Nome de Cristo, rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!" 2 Cor 5,17-18.20
    Ora, um estudo mesmo que superficial da Revelação mostra que Jesus é o centro de todas as coisas; é a fonte de amor que dá sentido à vida e a toda Criação: "Deus manifestou-nos o misterioso desígnio de Sua vontade, que em Sua benevolência desde sempre formara, para realizá-lo na plenitude dos tempos: desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos Céus e as que estão na terra." Ef 1,9-10
    Em Jesus, pois, toda a humanidade volta a ser uma só: "Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos." Cl 3,11
    Há uma só Igreja, da qual Ele é a Cabeça e nós somos simples membros. É através dela que Deus Filho derrama Seu Espírito, e plenamente, como afirmou São João Batista: "Com efeito, Aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque Ele concede o Espírito sem medidas." Jo 3,34
    Afirmativamente, a Igreja é a destinatária e mensageira de Sua Boa Nova. Só Ela divulga Sua Doutrina, chamada por São Paulo de Precioso Depósito, que é a verdadeira fonte de e de poder. Pois Deus "... constituiu-O Supremo Chefe da Igreja, que é Seu Corpo, o receptáculo d'Aquele que sob todos aspectos preenche todas as coisas." Ef 1,22b-23
    Que esplendorosa Graça! A nós, tão errantes, é concedido viver a Unidade da Igreja, a Comunhão com Cristo, e assim com Seus Santos: "Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à Comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor. Rogo-vos, irmãos, em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que entre vós não haja divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo Espírito e no mesmo sentimento." 1 Cor 1,9-10
    É-nos concedida a perfeição da unidade de um só corpo: "... assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só Corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro." Rm 12,5
    Isso só é possível graças à Glória de Deus, dada por Cristo aos Apóstolos, que é a prova de Sua passagem entre nós e do amor do Pai: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e amaste-os, como amaste a Mim." Jo 17,22-23

    "Fazei de nós um só corpo e um só espírito!"

domingo, 16 de dezembro de 2018

Igreja: Pedaço do Céu


CASA DE DEUS, LOGO CASA DA VERDADE

    A Igreja é a Casa de Deus, é a depositária da Verdade, que por Ele mesmo foi revelada. São Paulo diz a São Timóteo: "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15
    Por especial bênção de Deus, é um diferenciado e privilegiado lugar, como a própria Terra Santa que Ele revelou a Moisés, e assim incomparável a todos os demais: "Vendo o Senhor que ele se aproximou para ver, chamou-o do meio da sarça: 'Moisés, Moisés!' 'Eis-me aqui!', respondeu ele. E Deus: 'Não te aproximes daqui. Tira as sandálias de teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma Terra Santa.'" Ex, 3,4-5 
    Ela é Católica, que quer dizer Universal, ou seja, de todo povo que quiser conhecer a Verdade. Deus disse ao Profeta Isaías: "... Minha Casa chamar-se-á Casa de Orações para todos povos..." Is 56,7
    E enquanto assembleia da Nova e Eterna Aliança, ela só se estabeleceu no mundo pela Pessoa de Jesus. É Ele que confere à Sua Casa, que é Seu Corpo, a divina condição. Os seguidores da tradição de São Paulo escreveram: "Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos vindouros bens. E através de um mais excelente e mais perfeito Tabernáculo, não construído por mãos humanas, isto é, não deste mundo..." Hb 9,11
    Isso estava previsto desde Isaías: "Naquele tempo, o Rebento de Jessé, que Se ergue como um sinal para os povos, será procurado pelas nações, e gloriosa será Sua Morada." Is 11,10
    Ora, como exemplo de reverência aos lugares sagrados, o próprio Jesus não abria mão do Templo de Jerusalém. Foi o que Ele disse a Nossa Senhora e São José quando ainda tinha 12 anos: "Jesus respondeu: 'Por que Me procuráveis? Não sabeis que devo estar na Casa de Meu Pai?'" Lc 2,49
    Pois é a Lei que declara o Templo como lugar de culto, como diz o salmista: "Ó Deus, nós meditamos Teu amor no interior de Vosso Templo." Sl 47,10
    Assim como determina o culto, num versículo na sequência dos 10 Mandamentos: "Prestarás culto ao Senhor Teu Deus, e então Eu abençoarei teu pão e tua água, e preservar-te-ei da enfermidade." Ex 23,25
    Esse amor pelo Tabernáculo foi bem expresso por Davi, que nele atestou a divina proteção: "Uma só coisa peço ao Senhor, e incessantemente peço-a: é habitar na Casa do Senhor todos dias de minha vida, para aí admirar a beleza do Senhor e contemplar Seu Santuário. Assim, no mau dia Ele esconder-me-á em Sua Tenda, ocultar-me-á no recôndito de Seu Tabernáculo, sobre um Rochedo erguer-me-á." Sl 26,4-5
    E quando Jesus expulsou os vendilhões do Templo, expressando esse mesmo amor, os Apóstolos lembraram um versículo dos Salmos: "Lembraram-se, então, Seus discípulos do que está escrito: 'O zelo de Tua Casa consome-Me (Sl 68,10).'" Jo 2,17
    Assim sabemos que Deus confirma os templos católicos, erguidos para Seu louvor, mas também é verdade que Ele mesmo não precisa de casa feita pelas mãos dos homens, como falou através de Isaías: "Eis o que diz o Senhor: 'O Céu é Meu trono, e a Terra o banquinho de Meus pés. Que casa poderíeis construir-Me, que lugar poderíeis indicar-Me para moradia?" Is 66,1
    Por isso, a vastidão da verdadeira Casa de Deus deixou admirado o Profeta Baruc: "Ó Israel, quão imensa é a Casa de Deus; como é vasta a extensão de Seus domínios!" Br 3,24
    Contudo, numa clara alusão ao Cristo, ao Templo e à Igreja, Deus mandou um recado através do Profeta Natã: "Vai e dize a Davi, Meu servo: Eis o que diz o Senhor: 'Não és tu que Me construirás a Casa em que habitarei. Quando teus dias se acabarem e tiveres ido juntar-te a teus pais, levantarei tua posteridade após ti, num de teus filhos, e firmarei Seu Reino. É Ele que Me construirá uma Casa, e firmarei Seu trono para sempre. Serei para Ele um Pai, e Ele será para Mim um Filho. E nunca d'Ele retirarei Meu favor, como retirei daquele que reinou antes de ti. Para sempre Eu estabelecer-Lo-ei em Minha Casa e em Meu Reino, e Seu trono será firme por todos séculos.'" 1 Cro 17,4.11.14
    E para construir Sua Igreja, Jesus tomou São Pedro como pedra fundamental, a primeira pedra humana de Seu Tabernáculo: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja." Mt 16,18
    Maria, portanto, enquanto Mãe de Deus, ou seja, o Primeiro Sacrário do Corpo e Sangue de Cristo, é a própria Arca da Aliança a ser venerada na Igreja. Foi o que revelou a visão que teve São João Evangelista: "Abriu-se o Templo de Deus no Céu e apareceu, em Seu Templo, a Arca do Seu Testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva. Em seguida, apareceu um grande sinal no Céu: uma Mulher revestida do sol, tendo a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas nações pagãs com cetro de ferro. Mas Seu Filho foi arrebatado para junto a Deus e Seu trono." Ap 11,19;12,1.5
    Pois enquanto se completam os tempos, a Igreja faz-se presente até mesmo nos Céus, representada pelos Santos e pelo Templo: "Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: 'Esses, que estão revestidos de brancas vestes, quem são e de onde vêm?' Respondi-lhe: 'Meu Senhor, tu o sabes.' E ele disse-me: 'Esses são os sobreviventes da grande tribulação. Lavaram suas vestes e alvejaram-nas no Sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do Trono de Deus e servem-nO, dia e noite, em Seu Templo. Aquele que está sentado no Trono os abrigará em Sua Tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do Trono, será Seu Pastor e levar-los-á às fontes das Águas Vivas. E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos.'" Ap 7,13-16
    E com o auxílio de Deus, o testemunho do Evangelho prevalecerá ante a Grande Tribulação: "Depois disso, no Céu vi abrir-se o Templo que encerra o Tabernáculo do Testemunho. Encheu-se o Templo de fumaça provinda da Glória de Deus e de Seu poder. E ninguém podia entrar, enquanto não se consumassem os sete flagelos dos sete Anjos." Ap 15,5-8
    A Santa Missa, aliás, é uma representação do ritual que acontece nos Céus, como foi revelado ao Amado Discípulo: "E cada vez que aqueles Seres rendiam Glória, honra e ação de graças Àquele que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro Anciãos profundamente inclinavam-se diante d'Aquele que estava no Trono... e depunham suas coroas diante do Trono, dizendo: 'Tu és digno Senhor, Nosso Deus, de receber a honra, a Glória e a majestade, porque criaste todas as coisas, e por Tua vontade é que existem e foram criadas.' E todos Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres, prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: 'Amém, louvor, Glória, Sabedoria, ação de graças, honra, poder e força a Nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém.'" Ap 4,9-11;7,11-12
    São Paulo, por sua vez, além de mencionar os Apóstolos, também se refere à parte da Igreja que deve ser construída por uma ostensiva, espiritual e física manifestação de nossas pessoas: "Aquele que desceu é também O que subiu acima de todos os Céus, para encher todas as coisas. A uns Ele constituiu Apóstolos; a outros, Profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo." Ef 4,11-13
    São João Evangelista, de fato, confirma a Revelação que Jesus confiou à Igreja: "Aceitamos o testemunho dos homens." 1 Jo 5,9a
    Revelação que já se completou, como assegura São Judas Tadeu: "... pelejar pela fé, de uma vez para sempre confiada aos santos." Jd 1,3b
    E Jesus mesmo garantiu o sucesso dos Apóstolos: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi e designei-vos para irdes, e para que produzais fruto e vosso fruto permaneça. Se guardaram Minha Palavra, hão de guardar também a vossa." Jo 15,16a.20b
    Deu aos Doze, porém, um especialíssimo instrumento, como uma indelével marca para que entre eles não houvesse divergências: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e amaste-os, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Dirigindo-se a nós, pois, São Pedro reforça essa Verdade, dizendo sobre o Antigo Testamento: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas, que proferiram oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Foi-lhes revelado que propunham não para si mesmos, senão para vós, estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu." 1 Pd 1,10.12
    Por isso, os seguidores da tradição de São Paulo questionam: "Como então escaparemos nós, se agora desprezarmos a mensagem da Salvação, tão sublime, anunciada primeiramente pelo Senhor e depois confirmada por aqueles que a ouviram?" Hb 2,3
    Eles asseguram que Jesus segue no comando da Igreja: "Guardai-vos, pois, de recusar ouvir Aquele que fala. Porque, se não escaparam do castigo aqueles que d'Ele se desviaram, quando lhes falava na terra, muito menos escaparemos nós se O repelirmos quando nos fala desde o Céu." Hb 12,25
    Ora, referindo-se ao Autor da Graça e às dioceses, o próprio Jesus repete sete vezes durante as aparições do Apocalipse: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas..." Ap 2,7
    Mas São Paulo não deixa de ressaltar que os Doze são os fundamentos: "Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os Apóstolos..." 1 Cor 12,28


O CORPO MÍSTICO DE CRISTO

    A Igreja é, portanto, o Corpo Místico de Cristo, que Ele instituiu para salvar a humanidade. Diz São Paulo: "... Cristo é o chefe da Igreja, que é Seu Corpo, da qual Ele é o Salvador." Ef 5,23
    E se alguém menospreza a Igreja, ele arremata: "Grande é este mistério, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja." Ef 5,32
    Jesus mesmo identificou Seu Corpo como o Templo de Jerusalém: "Perguntaram-Lhe os judeus: 'Que sinal nos apresentas Tu, para procederes deste modo?' Respondeu-lhes Jesus: 'Destruí vós este Templo, e Eu reerguer-Lo-ei em três dias.' Os judeus replicaram: 'Em quarenta e seis anos foi edificado este Templo, e Tu hás de levantá-lo em três dias?!' Mas Ele falava do Templo de Seu Corpo. Depois que ressurgiu dos mortos, Seus discípulos lembraram-se destas palavras, e creram na Escritura e na Palavra de Jesus." Jo 2,18-22
    Nosso dever, portanto, é ser parte d'Ele, e assim colaborarmos para a Salvação de nossos irmãos: "Ora, vós sois o Corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um de Seus membros." 1 Cor 12,27
    Pois movidos pelo verdadeiro amor a Deus e pelas boas inclinações da alma, nossos corpos carnais formam e dão visibilidade ao Templo do Altíssimo: "Não sabeis que sois o Templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" 1 Cor 3,16
    Sem dúvida, se amamos a Deus, somos verdadeiramente morada da Santíssima Trindade, como disse o próprio Jesus: "Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra e Meu Pai amar-lo-á. E a ele Nós viremos e nele faremos Nossa morada." Jo 14,23
    São Paulo explica como isso se dá, como somos convidados a ser Igreja: "Conseqüentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos Santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e dos Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É n'Ele que todo edifício, harmonicamente disposto, levanta-se até formar um santo Templo no Senhor. E vós também sois integrados nesta construção, pelo Espírito, para tornardes-vos morada de Deus." Ef 2,19-22
    Por isso, temos o dever de edificá-la: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    Sem esquecer, entretanto, que é Cristo a Cabeça da Igreja, e que é por Seu reinado que sem reservas ou medos devemos nos entregar. E isso se faz participando de Seu Sacrifício, como se enseja na própria Santa Missa: "Ele é a Cabeça do Corpo, da Igreja. Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo em minha carne, por Seu Corpo que é a Igreja." Cl 1,18.24
    Para tanto, é claro, contamos com Sua Luz e Seus divinos auxílios: "Ninguém jamais odiou sua própria carne. Pelo contrário, alimenta-a e a cerca de cuidado, como Cristo faz com a Igreja..." Ef 5,29
    Porque nossa oferta precisa estar em total conformidade com Seus planos: "A outro disse: 'Segue-Me.' Mas ele pediu: 'Senhor, primeiro permite-me ir enterrar meu pai.' Mas Jesus disse-lhe: 'Deixa que os mortos enterrem seus mortos. Tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus.'" Lc 9,59-60
    Isso explica porque Ele Se apresentou como a própria entrada de Seu Templo: "Eu sou a Porta. Se alguém entrar por Mim, será salvo..." Jo 10,9
    Essa foi, por tamanho poder, a reveladora sensação de Jacó, ao dar-se conta que estava num lugar santo: "Em verdade, o Senhor está neste lugar e eu não o sabia! Quão terrível é este lugar! É nada menos que a Casa de Deus. É aqui a Porta do Céu. Esta pedra da qual fiz uma estela será uma Casa de Deus..." Gn 28,16,17.22
    E ele também acertou ao chamar a esse lugar de 'terrível', pois realmente faz-se pesar por sua gravidade, que a todos enche de responsabilidade. De fato, é pela Casa de Deus que começará o Juízo Final, como afirmou São Pedro: "Porque vem o momento em que pela Casa de Deus se começará o Julgamento. Ora, se Ele começa por nós, qual será a sorte daqueles que são infiéis ao Evangelho de Deus?" 1 Pd 4,17


O CÉU

    Ao final dos tempos, porém, Deus será tudo em todos, como disse São Paulo aos coríntios. É quando se encerra a Missão do Cristo: "E quando tudo Lhe estiver sujeito, então o próprio Filho também renderá homenagem Àquele que Lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos." 1 Cor 15,28
    Porque primeiro é Cristo, por Sua Paixão atualizada no Santíssimo Sacramento, que em Si todos reconcilia: "Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos." Cl 3,11
    Referindo-se ao mundo como dividido entre judeus e pagãos, São Paulo diz: "Desse modo, dos dois povos Ele queria fazer em Si mesmo uma única e nova humanidade, pelo restabelecimento da Paz, e ambos reconciliá-los com Deus, reunidos num só Corpo pela virtude da Cruz, nela aniquilando a inimizade." Ef 2,15b-16
    Mas, mesmo nos Céus, Deus firmará tal Comunhão, definitivamente fixando Sua Casa entre nós, e aí habitará pela eternidade: "Porei Meu Tabernáculo no meio de vós, e Minha alma não vos rejeitará. Andarei entre vós: serei Vosso Deus e vós sereis Meu povo!" Lv 26,11-12
    Foi exatamente isso o que viu e ouviu São João Evangelista: "Eu vi descer do Céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o Esposo. Ao mesmo tempo, do Trono ouvi uma grande voz que dizia: 'Eis aqui o Tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão Seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos, e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.'" Ap 21,2-3
    Na Nova Jerusalém, contudo, já não haverá mais Templo, senão apenas um Tabernáculo, ou seja, uma Tenda, uma morada. Pois o Templo nada mais será senão a própria Casa de Deus, que se fará representar por Ele mesmo ou pelo Cordeiro: "Nela não vi, porém, Templo algum, porque o Senhor Deus Onipotente é Seu Templo, assim como o Cordeiro." Ap 21,22
    Com efeito, aludindo à Sua Ressurreição, como vimos, em Jerusalém apresentou-Se Jesus como o próprio Templo: "Respondeu-lhes Jesus: 'Destruí vós este Templo, e Eu reerguer-lo-ei em três dias.'" Jo 2,19
    E na Cidade Santa correrá um rio: "Mostrou-me então o anjo um rio de Água Viva resplandecente como cristal de rocha, saindo do Trono de Deus e do Cordeiro." Ap 22,1
    Ele simboliza o pleno cumprimento da promessa de Jesus, que, aliás, já se verifica na pessoa de Seus Santos, como sinal da presença do Divino Paráclito, ou melhor, da própria Santíssima Trindade: "No último dia, que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava: 'Se alguém tiver sede, venha a Mim e beba. Quem crê em Mim, como diz a Escritura: 'De seu interior manarão rios de Água Viva' (Zc 14,8; Is 58,11)'. Dizia isso, referindo-Se ao Espírito que haviam de receber aqueles que n'Ele cressem, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado." Jo 7,37-39
    Isso havia sido previsto pelo Profeta Zacarias, e efetivou-se com a passagem de Jesus entre nós: "Naquele dia jorrará uma fonte para a Casa de Deus e para os habitantes de Jerusalém, que apagará seus pecados e suas impurezas." Zc 13,1


A IGREJA HOJE

    O Papa São Paulo VI, na Constituição Apostólica 'Indulgentiarum Doctrina', disse: "A vida de cada um dos filhos de Deus acha-se unida, por um admirável laço, em Cristo e por Cristo, com a vida de todos outros irmãos cristãos na sobrenatural unidade do Corpo Místico de Cristo, como numa única pessoa mística."
    Por sua vez, a Constituição Dogmática 'Lumen Gentium' ensina: "A Igreja é 'Comunhão dos Santos': esta expressão designa as 'coisas santas' (sancta), mas antes de tudo a Eucaristia, pela qual 'é representada e realizada a unidade dos fiéis que, em Cristo, formam um só Corpo.'"
    A Igreja, portanto, está dividida em três grupos que comungam da Divina Graça: a Igreja Itinerante, que ainda caminha na Terra, a Igreja Santificante, que se purifica no Purgatório, e a Igreja Glorificante, que já se encontra no Céu. Está no Catecismo da Igreja:
    "Na Comunhão dos Santos, 'certamente existe entre os fiéis já admitidos na posse da celeste pátria, os que expiam as faltas no purgatório e os que ainda peregrinam na terra, um laço de caridade e um amplo intercâmbio de todos bens.' (São Paulo VI, Indulgentiarum Doctrina). Neste admirável intercâmbio, cada um se beneficia da santidade dos outros, para muito além do prejuízo que o pecado de um possa ter causado aos outros. Assim, o recurso à Comunhão dos Santos permite ao contrito pecador ser purificado, mais cedo e mais eficazmente, das penas do pecado.
    Esses bens espirituais da Comunhão dos Santos também são chamados o tesouro da Igreja, 'que não é uma soma de bens comparáveis às riquezas materiais acumuladas no decorrer dos séculos, mas é o infinito e inesgotável valor que junto a Deus têm as expiações e os méritos de Cristo, Nosso Senhor, oferecidos para que toda humanidade seja libertada do pecado e chegue à Comunhão com o Pai. É em Cristo, Nosso Redentor, que em abundância se encontram as satisfações e os méritos de Sua Redenção.'(Cf. Hb 9,11-28;7,23-25)" CIC 1475-1476

    "Lembrai-Vos, ó Pai, de Vossos filhos!"

sábado, 15 de dezembro de 2018

'Cristo vive em Mim'


    Logo no início de sua primeira carta, São João Evangelista diz qual a missão confiada por Jesus aos Apóstolos: "... o que vimos e ouvimos, nós anunciamo-vos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, nossa comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,3
    Essa comunhão é precisamente a promessa feita por Jesus: de Seu povo fazer Casa Sua e do Pai: "Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra e Meu Pai amá-lo-á. E Nós a ele viremos e nele faremos Nossa morada." Jo 14,23
    Foi o que revelou o Arcanjo Gabriel a Nossa Senhora, a quem Deus providencialmente Se antecipou, tomando-a como Sua morada: "Entrando, o anjo disse-lhe: 'Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo.'" Lc 1,28
    Isso significa estar em perfeita união com Deus, e ao mesmo tempo com Seus filhos, nossos irmãos, o que só é possível através da Reconciliação oferecida por Jesus. São Paulo ensina: "Todo aquele que está em Cristo é nova criatura. Passou o que era velho. Eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que por Cristo nos reconciliou Consigo, e confiou-nos o ministério desta reconciliação." 2 Cor 5,17-18
    De fato, rezando ao Pai, Jesus menciona a inequívoca marca do Reino de Deus, derramada sobre os Apóstolos para a perfeita união da Igreja: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um... para que sejam perfeitos na unidade..." Jo 17,22-23
    Ou seja, só em comunhão é possível viver a Verdade, e só através dela se ama verdadeiramente o próximo. É o que diz o Amado Discípulo: "Se dizemos ter comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos recíproca comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,9-7
    Para promover essa unidade, e mostrar-Se como ponto ao qual tudo deve convergir, Deus manifestou-Se na pessoa de Jesus, exemplo máximo de Seu amor, que é a essência do Reino dos Céus. São Paulo exortou os coríntios: "Ele há de confirmar-vos até o fim... Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor." 1 Cor 1,8a.9
    Pregou em Atenas: "Porque é n'Ele que temos a Vida, o movimento e o ser..." At 17,28a
    E atestou a plenitude dessa unidade: "... quem se une ao Senhor, com Ele torna-se um só Espírito." 1 Cor 6,17
    Afirmativamente, Cristo veio para conduzir-nos a essa comunhão, como O vemos pedir ao Pai na Oração da Unidade, pois não pedia só pelos Apóstolos: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em Mim. Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti. Para que também eles estejam em Nós..." Jo 17,20-21
    Ele menciona inclusive os não judeus, aos quais Sua manifestação de imediato não contemplava: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. Também devo conduzi-las. Ouvirão Minha voz, e haverá um só rebanho e um só Pastor." Jo 10,16
    E disse do Povo de Deus, em geral: "Minhas ovelhas ouvem Minha voz, Eu conheço-as e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a Vida Eterna. Elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de Minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai." Jo 10,27-29
    São Paulo, por Sabedoria, reclama essa unidade pela prática da Comunhão Eucarística, que é o Corpo de Cristo, o Santíssimo Sacramento, símbolo máximo desta comunhão espiritual até aqui mencionada: "O Cálice de bênção, que benzemos, não é a Comunhão do Sangue de Cristo? E o Pão, que partimos, não é a Comunhão do Corpo de Cristo? Uma vez que há um único Pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só Corpo, porque todos nós comungamos do mesmo Pão." 1 Cor 10,16-17
    Pois para que seja realmente efetiva, essa comunhão espiritual tem que fazer da Comunhão Eucarística seu alimento: "Disse-lhes então Jesus: 'Em verdade, em verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos.'" Jo 6,53
    Só assim alcançamos a Vida Eterna: "Como vive o Pai que Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, assim também viverá por Mim aquele que comer Minha Carne." Jo 6,57
    Foi expressamente claro sobre a materialidade do Santíssimo Sacramento: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue, tem a Vida Eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no Último Dia. Pois Minha Carne verdadeiramente é uma comida, e Meu Sangue, verdadeiramente uma bebida." Jo 6,54-55
    E disse ser o verdadeiro maná: "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão, viverá eternamente." Jo 6,51a
    Porque Ele é a Vida, tem o dom da Vida: "O Pai ama-Me porque dou Minha Vida para retomá-la. Ninguém a tira de Mim, mas dou-a de Mim Mesmo porque tenho poder para dá-la, como tenho poder para reassumi-la. Tal é a ordem que recebi de Meu Pai." Jo 10,17-18
    E anunciou a iminência da Ressurreição da carne, que se dá pelo poder de Sua voz: "Em verdade, em verdade, digo-vos: vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus. E aqueles que a ouvirem, viverão. Pois como o Pai tem a Vida em Si mesmo, assim também deu ao Filho ter a Vida em Si mesmo..." Jo 5,25-26
    Explicou como se daria Sua Paixão e Ressurreição: "Ainda um pouco de tempo, e o mundo já não Me verá. Vós, porém, tornareis a ver-Me, porque Eu vivo e vós vivereis." Jo 14,19
    Sentenciou: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6
    E nestes termos pôs Sua Comunhão com o Pai: "Com efeito, como o Pai ressuscita os mortos e dá-lhes Vida, assim também o Filho dá Vida a quem Ele quer." Jo 5,21
    Bem como Seus planos: "Esta é a vontade de Meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e n'Ele crê, tenha a Vida Eterna. E Eu ressuscitá-lo-ei no Último Dia." Jo 6,40
    Essa era Sua pregação em todas situações: "Levantou-se um doutor da Lei e, para pô-Lo à prova, perguntou: 'Mestre, que devo fazer para possuir a Vida Eterna?' Disse-lhe Jesus: 'Que está escrito na Lei? Como é que lês?' Respondeu ele: 'Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todas tuas forças e de todo teu entendimento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).' Falou-lhe Jesus: 'Respondeste bem. Faze isto e viverás.'" Lc 10,25-28
    Ora, é o mesmo que Deus havia determinado ao povo através de Moisés: "Observareis Meus preceitos e Minhas leis. O homem que os observar, por eles viverá!" Lv 18,5
    E também assim denunciava Jesus Sua rejeição pelos judeus: "E vós não quereis vir a Mim, para que tenhais a Vida..." Jo 5,40
    Essa ainda é a justificativa dada por São João para escrever seu Evangelho:"Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,30-31
    Ele iniciou sua narrativa com essas palavras: "N'Ele havia a Vida, e a Vida era a Luz dos homens." Jo 1,4
    Garante em sua primeira carta: "... porque a Vida se manifestou, e nós a temos visto..." 1 Jo 1,2a
    E foi terminativo: "E o testemunho é este: Deus deu-nos a Vida Eterna, e esta Vida está em Seu Filho. Quem possui o Filho possui a Vida, quem não tem o Filho de Deus não tem a Vida." 1 Jo 5,11-12
    O Último Apóstolo, ademais, assim se apresentava: "Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, para anunciar a promessa da Vida que está em Jesus Cristo..." 2 Tm 1,1
    Ele ensina aos coríntios: "Trazemos sempre em nosso corpo os traços da Morte de Jesus, para que também a Vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. Embora estando vivos, a toda hora somos entregues à morte por causa de Jesus, para que também a Vida de Jesus apareça em nossa carne mortal." 2 Cor 4,10-11
    E assim explica o Ministério do Espírito Santo aos romanos: "Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas vosso espírito vive pela justificação. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,10.13-14
    Em menção ao Evangelho, chama-O 'Espírito de Vida': "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,2
    Por isso, aponta a Igreja do Cristo como a mais bela construção da qual se pode participar, a verdadeira Casa de Deus: "Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos Santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e dos Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É n'Ele que todo edifício, harmonicamente disposto, levanta-se até formar um santo templo no Senhor. É n'Ele que também vós entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus." Ef 2,19-22
    É dever de todo cristão, portanto, crescer no amor salvífico, que é condição para que Deus habite em nós, como escreve ele aos efésios: "Que Cristo habite pela em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo conhecimento, e sejais cheios de toda plenitude de Deus." Ef 3,17-19


A MATURIDADE ESPIRITUAL

    Porque todo empenho de Deus é para que cheguemos a esse amadurecimento espiritual, 'à estatura de Cristo', através da única fé, tal como ensinada por Sua Igreja: " ... até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios." Ef 4,13-14
    Nessa missão empregou São Paulo sua vida, dispondo-se a tudo sofrer como escreveu aos gálatas: "... até que Cristo seja formado em vós..." Gl 4,19
    Ele explica: "... aprouve Àquele que me reservou desde o seio de minha mãe, e por Sua Graça chamou-me para revelar Seu Filho em minha pessoa, a fim de que eu O tornasse conhecido entre os gentios..." Gl 1,15-16a
    Para que nossa felicidade seja completa, pois, nada nos falta. Temos Jesus, segundo Suas próprias palavras: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo que lhe deu Seu único Filho, para que todo que n'Ele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna." Jo 3,16
    E mais importante que poderes, Ele prometeu-nos imediata comunhão com Deus: "Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos. Antes vos alegreis porque vossos nomes estejam escritos nos Céus." Lc 10,20
    São Paulo garante aos colossenses: "N'Ele tendes plenamente tudo... " Cl 2,10
    Sem dúvida, Jesus é a personificação de Deus: "Porque aprouve a Deus fazer n'Ele habitar toda plenitude..." Cl 1,19
    Ele é a própria corporificação do Altíssimo: "Pois n'Ele corporalmente habita toda plenitude da divindade." Cl 2,9
    Ora, o próprio Reino dos Céus será consolidado em "... Cristo, que será tudo em todos." Cl 3,11
    Essa é a razão das orações de São Paulo: que Cristo cresça em nós por Seu Espírito: "Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao Qual deve sua existência toda família no Céu e na Terra, para que vos conceda, segundo Seu glorioso tesouro, que sejais poderosamente robustecidos pelo Seu Espírito em vista do crescimento de vosso homem interior." Ef 3,14-16
    Com sua forte e costumeira flama, o Apóstolo dos Gentios questiona os coríntios: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
    Fazia com que refletissem: "Examinai a vós mesmos, se estais na fé. Provai-vos a vós mesmos. Acaso não reconheceis que Cristo Jesus está em vós?" 2 Cor 13,5a
    Apontava as inclinações da carne como a primeira causa da falta de comunhão com Deus: "Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se é que o Espírito de Deus realmente habita em vós." Rm 8,8-9
    E assim explicava a oposição que ela nos faz na inevitável luta contra o pecado: "Eu sei que em mim, isto é, em minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?... " Rm 7,18-20.24
    Mas bem sabia em Quem encontrar a Salvação: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,11
    Não se apegava aos valores desse mundo, que são meras ilusões, e aspirava o corpo incorruptível: "Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma eterna habitação no Céu." 2 Cor 5,1
    Vibrante, ele dizia: "Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto ao Senhor." 2 Cor 5,8
    E provocava: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos, de todos homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19
    Renegando totalmente a esse mundo, ele dizia aos filipenses: "Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas se o viver no corpo é útil para meu trabalho, não sei então o que devo preferir. Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo, o que seria imensamente melhor. Mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário por causa de vós..." Fl 1,21-24
    São Pedro também só via uma razão para estar nesse mundo: "Tenho por meu dever, enquanto estiver neste tabernáculo, manter-vos vigilantes com minhas admoestações. Porque sei que em breve terei que o deixar, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo me fez conhecer." 2 Pd 1,13-14
    Tal postura é resultado do que Jesus havia ensinado: "Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á. Mas aquele que perder sua vida por amor de Mim e do Evangelho, salvá-la-á." Mc 8,35
    Um dia, por fim e pela Graça, estaremos com Deus na eterna morada. Mas não precisamos viver em espera! Como prometido, assentindo em Seu amor e através da Comunhão Eucarística, hoje mesmo Ele pode vir morar em nós. Sim, Ele: Deus onisciente, onipresente e onipotente; Ele que tem todo Universo como Sua casa; Ele "... único Soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade e habita em inacessível luz..." 1 Tm 6,15-16
    Por experimentar vividamente a Comunhão, São Paulo deixou uma bela síntese do que se tornou sua vida terrena: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim." Gl 2,20
    De fato, Jesus prometeu sobre o Domingo da Ressurreição, quando pela primeira vez apareceria aos Apóstolos: "Naquele dia, conhecereis que estou em Meu Pai, vós em Mim e Eu em vós." Jo 14,20

    "Com Jesus oferecemos, ó Pai, nossa vida!"