segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

Todos os Finados


    No Evangelho Segundo São Lucas, depois do Domingo de Ramos e respondendo em Jerusalém a uma provocação dos saduceus, que não acreditavam na Ressurreição dos Mortos, Jesus disse: "Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. Porque para Ele todos vivem." Lc 20,38
    Com efeito, a alma é imortal, como Ele deu a entender no Evangelho Segundo São Mateus, dizendo que os condenados irão ao definitivo inferno depois da Ressurreição da Carne, ou seja, em corpo e alma (cf. Jo 5,29): "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Àquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28
    O Advento do Salvador, portanto, diz respeito a nossas almas, também conforme palavra Sua: "Tomai Meu jugo sobre vós, e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de Coração, e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29
    E como o sacerdote São Zacarias afirmou no dia do Nascimento de São João Batista, de quem era pai, a Missão de Jesus é resgatar almas, evitando que sejam levadas pelo Mal maior: "... graças à ternura e Misericórdia de Nosso Deus, que do alto vai trazer-nos a visita do Sol Nascente, que há de iluminar aqueles que jazem nas trevas e na sombra da morte, e dirigir nossos passos no caminho da Paz." Lc 1,79
    De fato, no Evangelho Segundo São João, Nosso Senhor publicamente anunciou no Templo de Jerusalém, quando os judeus já procuravam matá-Lo: "Eu sou a Luz do mundo. Aquele que Me segue não andará em trevas, mas terá a Luz da Vida." Jo 8,12
    E como prometeu aos Apóstolos momentos depois da Santa Ceia, Ele concede Sua Paz, que é espiritual, exclusivamente à Santa Igreja Católica (cf. Ef 5,26; At 1,8), ou seja, às almas de Seus fiéis: "Deixo-vos a Paz, dou-vos Minha Paz. A Paz que vos dou não é a paz que o mundo dá. Não se perturbe nem intimide vosso coração." Jo 14,27
    Assim, a Luz da Vida e Sua Paz são indeléveis sinais do Céus, da Vida Eterna, como Nosso Salvador pregou antes de uma Festa da Dedicação, na qual religiosos de Jerusalém combinaram Sua Morte (cf. Jo 10,50): "Eu vim para que todos tenham Vida, e a tenham em abundância." Jo 10,10
    E àqueles que guardam Sua Palavra e a fé, Ele havia garantido, por ocasião de outra festa na Cidade Santa, que sem sobressaltos passariam dessa vida para a eternidade: "... quem ouve Minha Palavra e crê n'Aquele que Me enviou, tem a Vida Eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a Vida." Jo 5,24
    Ainda mais claro o disse, quando acusou os líderes religiosos de terem o Demônio como pai (cf. Jo 8,44), e não Abraão, exatamente por não ouvirem a Deus: "Quem é de Deus, ouve as palavras de Deus, e se vós não as ouvis é porque não sois de Deus. Na Verdade, na Verdade vos digo: se alguém guardar Minha Palavra, jamais verá a morte." Jo 8,47.51
    A imortalidade da alma, e assim a Vida Eterna, já eram contempladas no Antigo Testamento, como vemos no Livro de Sabedoria: "Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os tocará. Aparentemente estão mortos, aos olhos dos insensatos. Seu desenlace é julgado como uma desgraça, e sua morte, como uma destruição, quando na Verdade estão na Paz! Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, sua esperança era portadora de imortalidade, e por terem sofrido um pouco, receberão grandes bens, porque Deus, que os provou, os achou dignos de Si. Ele provou-os como ouro na fornalha, e acolheu-os como holocausto." Sb 3,1-6
    Pois a verdadeira morte é a eterna condenação, o que não ocorrerá àqueles que obedecem a Deus, como Jesus assegurou nas revelações do Livro de Apocalipse de São João. E aí, dirigindo-Se a uma diocese, Ele pede, e repete a outras seis dioceses, que os fiéis ouçam seus Padres em suas paróquias, pelas quais o Divino Paráclito nos fala (cf. Ap 2,7.17.29;3,6.13.22): "Ao anjo da igreja de Esmirna, escreve: 'Eis o que o Primeiro e o Último diz, que foi morto e retomou a Vida. Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: 'O vencedor não sofrerá dano algum da segunda morte.'" Ap 2,8.11
    Ora, Ele avisou com todas letras, enquanto preparava todos seguidores para o maior dos testemunhos. Dizia da imortalidade da alma, como vimos, mas também da condenação de ressuscitados, porque a Ressurreição da Carne não será só aqueles que irão para a Vida Eterna (cf. Jo 5,29): "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Àquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28


A MORTE

    Como a Carta de São Paulo aos Romanos ensina sobre a Salvação, a morte entrou no mundo pelo pecado, mas através de Jesus veio infinitamente mais: a Divina Graça: "Por isso, como por um só homem, o pecado entrou no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo gênero humano, porque todos pecaram... Mas o dom da Graça não se compara com o pecado. Pois se a falta de um só causou a morte de todos, com muito mais razão o dom de Deus e o benefício da Graça, obtida por um só Homem, Jesus Cristo, foram copiosamente concedidos a todos. Assim como o pecado reinou para a morte, a Graça agora reina para a Vida Eterna, por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor." Rm 5,12.15.21
    Ora, em si mesmo o Sacramento do Batismo já significa a morte da carne. Ele segue: "Ou ignorais que todos que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados em Sua Morte? Fomos, pois, sepultados com Ele em Sua Morte pelo Batismo, para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela Glória do Pai, nós também vivamos uma nova vida." Rm 6,3-4
    Mas igualmente significa Ressurreição, como a Carta de São Paulo aos Colossenses explica: "Mortos Consigo no Batismo, Consigo também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos." Cl 1,12
    Pois pelo Batismo já recebemos o Espírito de Cristo. Discorrendo sobre a infinita bondade de Deus, a Carta de São Paulo a São Tito afirma: "... Ele salvou-nos mediante o Batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo que em profusão nos foi concedido por meio de Cristo, Nosso Salvador..." Tt 3,5b-6
    Com efeito, ele pregava aos católicos romanos: "... as aspirações da carne levam à morte, e as aspirações do espírito levam à Vida e à Paz. Pois se viverdes segundo a carne, morrereis. Mas se pelo espírito matardes as obras da carne, então vivereis." Rm 8,6.13
    Assim, para que sejamos herdeiros do Reino dos Céus e não decaiamos da Graça, o Apóstolo dos Gentios diz-lhes que humildemente devemos abraçar a obediência a Deus: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis. Quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a Justiça?" Rm 6,16
    E se a vida de um verdadeiro cristão parece muito cheia de restrições, a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios pondera: "De fato, a tristeza segundo Deus produz Arrependimento que leva à Salvação, do qual ninguém se lamentará, enquanto a tristeza do mundo produz a morte." 2 Cor 7,10
    Porque Jesus redime o mundo através da Santa Missa, por pecados veniais, e do Sacramento da Confissão, por pecados mais graves. Esse é o testemunho dado por São Pedro perante o sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém, após ser preso com os Onze, nos relatos do Livro de Atos dos Apóstolos. Aí ele fala de Israel como o Israel de Deus (cf. Gl 6,16), a Igreja Apostólica (cf. Jo 20,21): "Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o Arrependimento e a remissão dos pecados." At 5,31
    E só assim, através do Ministério da Igreja que Jesus fundou (cf. Jo 21,15), somos realmente libertos. Falando em terceira Pessoa, Ele alertava aos judeus que se vangloriavam pelo simples fato de serem descendentes de Abraão: "Na Verdade, na Verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Portanto, se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." Jo 8,34b.36
    O Sacramento do Arrependimento, pois, que se concretiza pelo cumprimento da penitência atribuída pelo Sacerdote durante a Confissão, é a primeira parte da Doutrina da Boa Nova anunciada por Cristo, precisamente as primeiras palavras de Seu Ministério: "Desde então Jesus começou a pregar: 'Arrependei-vos, pois o Reino dos Céus está próximo.'" Mt 4,17
    E como a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo afirma em linhas iniciais, foi pelo anúncio do Evangelho que Ele nos abriu o Caminho para o Céu: "... Nosso Salvador Jesus Cristo, que destruiu a morte e suscitou a Vida e a imortalidade pelo Evangelho..." 2 Tm 1,10
    Ora, enquanto Deus, Jesus anunciou aos fariseus em Jerusalém que não está sujeito à morte: "O Pai ama-Me porque dou Minha Vida para a retomar. Ninguém a tira de Mim, mas dou-a de Mim mesmo porque tenho poder para a dar, como tenho poder para a reassumir. Tal é a ordem que recebi de Meu Pai." Jo 10,17-18
    E se o medo da morte pode escravizar-nos, como encorajamento temos Seu exemplo enquanto Ser Humano, que venceu mesmo vivendo carnalmente, resistindo ao pecado (cf. Mt 4,1 ). Assim Ele destruiu a obra de Satanás, mostrando que também nós, com Seus divinos auxílios (cf. Jo 15,5), podemos vencer o pecado que leva à morte. Os seguidores da tradição de São Paulo disseram na Carta aos Hebreus: "Se os filhos participam da natureza da carne e do sangue, Ele também participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio, e libertar aqueles que, pelo medo da morte, estavam toda vida sujeitos a uma verdadeira escravidão." Hb 2,9.14-15
    A Paixão de Jesus, portanto, também foi um Sacrifício conforme a Antiga Aliança. E assim, de uma vez por todas perdoou os pecados da humanidade. Eles seguem: "Por isso, Ele é Mediador do Novo Testamento. Por Sua morte expiou os pecados cometidos no decorrer do Primeiro Testamento, para que os eleitos recebam a eterna herança que lhes foi prometida." Hb 9,15
    Foi o Holocausto dos holocaustos, a superabundância da Graça (cf. Rm 5,20): "Cristo ofereceu pelos pecados um Único Sacrifício, e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus... Por uma só Oblação, Ele realizou a definitiva perfeição daqueles que recebem a santificação." Hb 10,12.14
    E assim Ele nos revelou que o amor é o caminho da Vida Eterna. Na Primeira Carta de São João está essa simples frase, mas profundamente inspirada: "Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a Vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama, permanece na morte." 1 Jo 3,14
    De fato, ele também nos lembra dos mortais pecados, dos quais já devemos estar longe na hora de nossa passagem: "Há pecado que é para morte..." 1 Jo 5,16b
    Embora nem todo pecado nos condene diretamente ao inferno, ainda segundo o Amado Discípulo (cf. Jo 13,23): "... mas há pecado que não leva à morte." 1 Jo 5,17b
    O Apóstolo dos Gentios, pois, questionando a pregressa vida dos romanos e falando de incisivo modo, chega a os constranger: "Que frutos produzíeis, então? Frutos dos quais agora vos envergonhais! O fim desses frutos é a morte. Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a Vida Eterna em Cristo Jesus, Nosso Senhor." Rm 6,20-21.23
    E inspirado pelo Espírito Consolador, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios traz esta revelação: "O último inimigo a derrotar será a morte..." 1 Cor 15,26
    Disse Quem e como o faria: "Se o Espírito d'Aquele (Deus) que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, por Seu Espírito que em vós habita." Rm 8,11
    Mas antes mesmo do cumprimento dos tempos, ele compraz-se com a Vitória de Cristo, citando passagens do Livro do Profeta Isaías e do Livro do Profeta Oseias: "A morte foi tragada pela Vitória (Is 25,8). Onde está, ó morte, tua vitória? Onde está, ó morte, teu aguilhão (Os 13,14)?" 1 Cor 15,55
    Ora, nas revelações que fez ao então idoso São João Apóstolo, Jesus confirma o poder que Ele tem sobre a morte e o Purgatório: "Pois estive morto, e eis-Me de novo vivo pelos séculos dos séculos. Tenho as chaves da morte e da região dos mortos." Ap 1,18
    E que, por castigo, a morte não estará acessível àqueles que sofrerão a Grande Tribulação, como nosso Apóstolo anotou: "Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a conseguirão, desejarão morrer, e a morte fugirá deles." Ap 9,6
    Mas aqueles que morrem em perfeita amizade com Cristo têm suas almas imediatamente levadas aos Céus, onde podem interceder a Deus, embora lhes seja dito que os Martírios vão continuar. Também é de seus apontamentos: "Quando abriu o quinto selo, debaixo do altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer Justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da terra?' Então a cada um deles foi dada uma branca veste, e lhes foi dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que com eles estavam para serem mortos." Ap 6,9-11
    Estes não temem o Juízo Final, pois são Santos e já experimentam o Reino de Deus, o que se depreende das últimas revelações: "Feliz e Santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo: com Ele reinarão durante os mil anos." Ap 20,6
    A segunda morte, ou a geena de que Jesus fala, é o definitivo inferno, onde a ausência de Deus se fará sentir (cf. 2 Ts 1,9). Vem na sequência: "O mar restituiu os mortos que em si estavam. Do mesmo modo, a morte e a subterrânea morada. Cada um foi julgado segundo suas obras. A morte e a subterrânea morada foram lançadas no lago de fogo. A segunda morte é esta: o lago de fogo." Ap 20,13-14
    E ao fim de tudo, Deus recriará o Universo. É do início do penúltimo capítulo: "Vi, então, um novo Céu e uma nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra desapareceram, e o mar já não existia. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: 'Eis aqui o Tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão Seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.'" Ap 21,1.3-4


AS ALMAS DO PURGATÓRIO

    Todavia, por enquanto devemos rezar por nós mesmos, pelos irmãos e pelas almas do Purgatório, pois, como a Primeira Carta de São Pedro informa, há condenações que não levam ao onferno, e todos nós vamos prestar "... conta Àquele que está pronto para julgar os vivos e os mortos. Pois, para isto, o Evangelho também foi pregado aos mortos. Para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito." 1 Pd 4,5-6
    Porque toda obra será provada, e assim toda vida que não se mostrar plenamente tocada pelo amor de Deus terá que ser purificada pelo fogo logo após o Juízo Particular. São Paulo ensina: "... a obra de cada um aparecerá. O Dia do Julgamento demonstrá-lo-á, será descoberto pelo fogo. O fogo provará o que vale o trabalho de cada um: se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa, se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém de alguma maneira passando através do fogo." 1 Cor 3,11-15
    De fato, diferentemente do Juízo Final, o Particular dá-se imediatamente após a morte, como os discípulos de São Paulo revelaram: "Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o Juízo..." Hb 9,27
    E quando os fariseus Lhe acusaram de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, Jesus falou em duas oportunidades, dois Juízos para que se receba o perdão, ao referir-Se ao mortal pecado da blasfêmia, se não acompanhado da devida Confissão. Aí não haverá automática Redenção, aquela que é livremente dada pela Divina Misericórdia: "Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem, será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste nem no vindouro século." Mt 12,32
    Também afirmou que há maiores e menores punições, que se darão no Purgatório, pois no Céu não há punição alguma, e, no inferno, a punição é total: "Aquele servo que conheceu a vontade de Seu Senhor, mas não se preparou e não agiu conforme Sua vontade, será açoitado muitas vezes. Todavia, aquele que não a conheceu e tiver feito coisas dignas de chicotadas, será açoitado poucas vezes. Àquele a quem muito se deu, muito será pedido, e a quem muito se houver confiado, mais será reclamado." Lc 12,47-48
    Mesmo os mortos, portanto, se em Si crerem, lá onde estiverem viverão, pois Ele é a própria Ressurreição, o poder de dar a Vida, como afirmou instantes antes de ressuscitar São Lázaro: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá." Jo 11,25
    Nesse sentido, São Paulo diz: "Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto ao Senhor. É por isso que, vivos ou mortos, também nos esforçamos em Lhe agradar. Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo." 2 Cor 5,8-10
    Doutrinariamente, o rito de rezar pelos mortos já havia sido inspirado pelo Espírito Paráclito antes da Vinda de Cristo. O Segundo Livro de Macabeus, por flagrante incoerência rejeitado por alguns, registra esta piedosa obra de Judas Macabeus, líder de Israel em religiosa, política e militar revolta que resultou na expulsão final dos dominadores gregos: "Em seguida, fez uma coleta, enviando a Jerusalém cerca de dez mil dracmas, para que se oferecesse um sacrifício pelos pecados. Belo e santo modo de agir, decorrente de sua crença na Ressurreição, porque, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, por eles teria sido vão e supérfluo rezar." 2 Mc 12,44-45
    E a Igreja Católica Apostólica Romana (cf. Ap 1,6) celebra a Santa Missa pelas almas do Purgatório desde o século V. Santo Isidoro de Sevilha, presidente de dois Concílios da Igreja (cf. At 15,2), registrou este culto no século VII. E em 998, Santo Odilo, Abade beneditino, instituiu em todos conventos da Ordem o dia de 'Todas as Almas', sábia e espontaneamente já celebrado pelo povo no dia seguinte ao de 'Todos os Santos'.
    Em 1311, o Bispado de Roma incluiu no calendário litúrgico o 2 de novembro como dia de 'Todos os Finados', embora só em 1915 o Papa Bento XIV o tenha oficialmente decretado.

    "Concedei-lhes, ó Senhor, a Luz Eterna!"