sábado, 21 de fevereiro de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

Jesus e o Pai Nosso


    A oração ensinada por Jesus, e rezada em todo mundo, é um flagrante da intimidade do Divino Mestre com o Pai Celeste, sempre em nosso favor. Com mais detalhes que o Evangelho Segundo São Lucas, o Evangelho Segundo São Mateus narrou o que seria o melhor 'retrato' de Jesus, a mais importante oração da Santa Igreja Católica. Nosso Senhor disse: "Eis como deveis rezar:..." Mt 6,9

SETE PEDIDOS

    Ao recitar "Pai Nosso, que estais no Céus...", desde o início usando o plural 'nosso', Jesus instituiu uma prece que, apesar de perfeita para a piedade pessoal, pois sempre devemos interceder pelos demais (cf. Mt 5,44), preferencialmente deve ser rezada em coletivo, para nos levar à imprescindível Comunhão. Assim já afirmamos nosso semelhante como irmão, Deus como Pai e os Céus como morada, d'Ele e nossa, por sermos Seus filhos e pela certeza de que Ele jamais nos abandona (cf. 1 Sm 12,22).
    Em seguida, Ele faz recordar: "... santificado seja Vosso Nome..." Está ensinando que, mesmo quando rezamos, devemos santificar o Nome de Deus, pois o Segundo Mandamentos diz que não podemos usá-Lo em vão (cf. Êx 20,7). O Nome de Deus, porém, por Si já é santo. Portanto, urge que nós o santifiquemos no dia-a-dia por nosso comportamento, uma vez que ousamos invocá-Lo como Pai.
    "... venha a nós Vosso Reino...": aqui assentimos que Deus reina, que queremos fazer parte de Seu Reino, e que ele venha o quanto antes para todos nós, sem discriminação nem egoísmo, ostensiva e definitivamente determinando o fim desse frágil e conflitante estado em que se encontra a humanidade.
    "... seja feita Vossa vontade, assim na Terra como no Céu." Como verdadeiros filhos de Deus, voluntariamente aceitamos submeter-nos a Seus desígnios, e não Lhe impor os nossos, que no mínimo são imperfeitos. Para tanto, o principal exemplo é o próprio Jesus, que viveu a total submissão aos planos de Deus, mesmo que isto tenha significado a Cruz, e sob idênticas condições pedimos que Sua vontade imediatamente se cumpra aqui na Terra, como já acontece no Céu (cf. Ap 4,8-11).
    Após os celestes assuntos, Nosso Senhor passa a enfocar os terrenos. "O Pão Nosso de cada dia dai-nos hoje...": de Sua exemplar humildade, Ele insta-nos a pedir aquilo de que essencialmente precisamos, aqui simbolizado pelo alimento de cada dia, sem nenhuma gula nem ambição. Vale dizer: nada de ávido enriquecimento, ou seja, desmedida fartura, nem de falsa prudência, ou seja, abastado estoque, mas autêntica na Divina Providência. E como "Nem só de pão vive o homem (Dt 8,3)", nesse pedido também se expressa nossa diária carência do verdadeiro Pão da Vida, que é a Hóstia Consagrada, a Comunhão Eucarística, o Corpo e o Sangue de Cristo.
    No primeiro dos três últimos pedidos, Jesus segue pedindo não por Si mesmo, senão por nós, pois bem conhece nossas fraquezas. Ele ditou: "Perdoai nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..." Claramente exorta-nos a assumir que erramos e a pedir perdão. Aí deve ser lembrado o Sacramento da Confissão, também por Ele instituído (cf. Jo 20,23), que é uma obrigação, em casos de pecados mortais (cf. 1 Cor 11,27), para que se possa receber o Santíssimo Sacramento. Observe-se, ademais, que só podemos pedir um perdão proporcional ao que oferecemos a nossos irmãos! E se nada perdoamos, sequer podemos recitar esta oração: estaríamos mentindo ao rezar a Deus!
     No penúltimo pedido, Ele ensina-nos a solicitar ajuda contra as fraquezas da carne e da alma, pois devemos reconhecer-nos frequentemente expostos, por causa da concupiscência, ao assédio do Mal: "... e não nos deixeis cair em tentação..."
    Contudo, caso venhamos a cair em tentação, em último pedido Ele recomenda clamar para que o Pai nos livre da completa dominação do inimigo: "... mas, livrai-nos do Mal."
    Como Jesus viveu e ensinou, portanto, ousemos chamar Deus de Pai e aceitar que 'Assim seja!', quer dizer, o "Amém!"


DIVINA DIDÁTICA

    Estruturalmente, a primeira parte do Pai Nosso tem os seguintes substantivos:

CÉUS - NOME - REINO - VONTADE

    - Do prático reconhecimento de Seus domínios, através da referência material que se tem do CÉUS, sabemos que Ele tem NOME, REINO e VONTADE! Nessa ordem, em especial, pois assim conosco vai estreitando a relação que dá sentido a nossas vida!

    E a segunda parte tem:

PÃO - OFENSAS - TENTAÇÃO - MAL

    - Do prático conhecimento das coisas do mundo, através da referência material que se tem do PÃO, reconhecemos uma crescente do pecado, que vai de OFENSAS à TENTAÇÃO, e pode culminar na completa dominação pelo MAL.

    Como início e fim, portanto, a oração têm dois opostos domínios: o CÉUS e o MAL. E as duas partes têm dois materiais pontos de partida: CÉUS e PÃO.
    - Pela contemplação do CÉUS, coisas de cima, percebemos Sua VONTADE; e,
    - Pela contemplação do PÃO, enquanto coisas de baixo, percebemos o MAL.

    Comparando a segunda e a primeira parte, em oposição ao MAL está a VONTADE do Pai; à TENTAÇÃO, está o REINO; às OFENSAS, está o NOME do Pai. Mas PÃO (Eucaristia) e CÉUS são indivisos!

    "Em comunhão com toda a Igreja aqui estamos!"

Os Obstáculos à Oração


    A Santa Igreja Católica reconhece quatro grandes empecilhos ao bem rezar:

DISTRAÇÃO

    No Evangelho Segundo São Mateus, Jesus apontou dúbios interesses: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro." Mt 6,24a
    Apontou hesitação e vacilação, no Evangelho Segundo São Lucas: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus." Lc 9,62b
    E revelou como causas as mundanas ilusões: "O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que bem ouviu a Palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas sufocam-na e tornam-na infrutuosa." Mt 13,22
    Eis porque a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo pedia exclusividade: "Nenhum soldado pode implicar-se em negócios da vida civil, se quer agradar Àquele que o alistou." 2 Tm 2,4
    Deve-se reconquistar o coração, pois, em geral está tomado por uma vida desvirtuada. Nosso Senhor publicamente reclamou dos líderes judeus em Jerusalém, conforme o Evangelho Segundo São João: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44
    Alertou até Seu mais íntimos Apóstolos (cf. Mc 9,2), na leitura do Evangelho Segundo São Marcos, enquanto agonizava no Horto das Oliveiras: "Vigiai e rezai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca." Mc 14,38
    Por isso, a Primeira Carta de São Pedro pedia prontidão, 'arregaçar as mangas': "Cingi, portanto, os rins de vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na Graça que vos será dada no Dia em que Jesus Cristo aparecer." 1 Pd 1,13
    Na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo reclamavam amor a Deus de todo entendimento (cf. Mc 12,30): "Teríamos muita coisa a dizer sobre isso (o Sacerdócio de Jesus), e coisas bem difíceis de explicar, dada vossa lentidão em compreender... A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da Palavra de Deus. E tornaste-vos tais, que precisais de leite em vez de sólido alimento!" Hb 5,11-12
    Aliás, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios queixava-se de falta de espiritualidade: "A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu dei-vos leite a beber, e não alimento sólido pois não podíeis suportar. Nem agora o podeis, porque ainda sois carnais. Com efeito, enquanto houver entre vós ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um totalmente humano modo?" 1 Cor 3,1-3
    E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios advertia: "Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos suas maquinações." 2 Cor 2,11
    De fato, Jesus revelou o que acontece com aqueles que ficam "à beira do Caminho", não se esforçam: "Ouvi, pois, o sentido da parábola do Semeador: quando um homem ouve a Palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração." Mt 13,18-19
    Príncipe dos Apóstolos também pediu atenção: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar." 1 Pd 5,8
    Porque foi assim, com malícia e oportunismo, que o inimigo agiu para com Jesus, como vemos logo após as tentações no deserto: "Depois de tê-Lo assim tentado de todos modos, o Demônio apartou-se d'Ele até o oportuno momento." Lc 4,13
    Entretanto, a Carta de São Tiago assegura: "Mas aquele que com atenção procura meditar a Lei perfeita da liberdade e nela persevera, não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como fiel cumpridor do preceito, este será feliz em seu proceder." Tg 1,25

ARIDEZ

    São Tiago Menor também nos lembrou esse exemplo do Profeta Elias: "A fervorosa oração do justo tem grande poder. Elias era um homem como nós e rezou com insistência para que não chovesse sobre a terra, e por três anos e seis meses não choveu." Tg 5,16-17
    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses revelou seu próprio exemplo: "Noite e dia, com intenso, extremo fervor, rezamos para que nos seja dado ver novamente vossa face e completar o que ainda falta a vossa fé." 1 Ts 3,10
    Ora, Jesus estimulou os 72 discípulos e garantiu-lhes, quando eles expulsaram maus espíritos pela primeira vez: "... alegrai-vos porque vossos nomes estão escritos nos Céus." Lc 10,20
    Falta-nos, então, descobrir o sabor e a alegria de rezar, como Ele mostrou: "... Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e rezou: 'Pai, Senhor do Céu e da Terra, Eu dou-Te graças...'" Lc 10,21
    Era o que São Pedro pedia, citando o rei Davi no Livro de Salmos: "Como recém-nascidas crianças, com ardor desejai o leite espiritual que vos fará crescer para a Salvação, se é que tendes saboreado quão suave o Senhor é (Sl 33,9)." 1 Pd 2,2-3
    A Carta de São Paulo aos Romanos exorta contra o mesmismo e a má acomodação: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito." Rm 12,2
    Estimula, pedindo participação nas Santas Missas: "Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,11
    Já a Carta de São Paulo aos Gálatas questionou: "Onde está agora aquele vosso entusiasmo? Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na ." Gl 4,15a;6,9-10
    Ele denuncia o relaxamento da religiosidade que leva à negação da fé, e ao consequente embrutecimento, ambos motivados pela vaidade: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade. Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos." Rm 1,18.21-22
    A Carta de São Paulo a São Tito, pois, assim resume a Missão de Jesus: "Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às mundanas paixões, e neste mundo viver com toda sobriedade, Justiça e piedade, na expectativa de nossa feliz esperança, a Gloriosa Aparição de Nosso Grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que Se entregou por nós, a fim de resgatar-nos de toda iniquidade, purificar-nos e constituir-nos Seu povo de predileção, zeloso na prática do bem." Tt 2,12-14
    E pede que nos empenhemos na prática da caridade: "... Ele (Deus) salvou-nos, mediante o Batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo que em profusão nos foi concedido por meio de Cristo, Nosso Salvador... Certa é esta Doutrina e quero que com constância e firmeza a ensines, para que aqueles que abraçaram a fé em Deus se esforcem por aperfeiçoar-se na prática do bem. Isto é bom e útil aos homens." Tt 3,5b-6.8
    Seus discípulos, no mesmo sentido, fazem-nos recordar a própria Paixão de Cristo: "Atentamente considerai, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." Hb 12,3
    Porque é o que devemos fazer mesmo nas mais difíceis situações, como se lê na Carta de São Paulo aos Filipenses: "A maior parte dos irmãos, ante a notícia de minhas prisões, cobrou nova confiança no Senhor e maior entusiasmo em anunciar sem temor a Palavra de Deus." Fl 1,14

PREGUIÇA

    Contra esse mortal pecado, vale a mesma advertência de Jesus aos mais íntimos Apóstolos contra a distração: "Vigiai e rezai, para não cairdes em tentação!" Mc 14,38
    Já havia prometido: "Bem-aventurados os servos a quem o Senhor achar vigiando, quando vier!" Lc 12,37a
    Pois devemos resistir à negligência e ao pouco-caso: "Propôs-lhes Jesus uma parábola, para mostrar que sempre é necessário rezar sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1
    E tornar-nos diligentes em função das próprias exigências de Cristo, por conta de nossos pecados. Ele revelou no Livro de Apocalipse de São João: "Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Refaz teu zelo, pois, e arrepende-te." Ap 3,19
    Corrigiu Seus discípulos que iam a Emaús, numa das primeiras aparições após Sua Ressurreição: "Jesus disse-lhes: 'Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo que anunciaram os Profetas!'" Lc 24,25
    Já São Paulo pedia que tivéssemos de um dia-a-dia digno de um cristão: "Procurai viver com serenidade, ocupando-vos de vossas próprias coisas e trabalhando com vossas mãos, como temos recomendado. É assim que honrosamente vivereis em presença daqueles de fora, e a ninguém sereis pesados." 1 Ts 4,11-12
    E a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses apontava a si e a seus colaboradores como exemplos: "Não temos desregradamente vivido entre vós, nem temos comido de graça o pão de ninguém. Mas, com trabalho e fadiga, labutamos noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos direito para isso, mas foi para vos oferecer em nós mesmos um exemplo a imitar. Aliás, quando estávamos convosco, nós formalmente vos dizíamos: Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer." 2 Ts 7b-10
    Ele também foi contundente para com os cristãos da cidade de Corinto: "Despertai, como convém, e não pequeis! Porque alguns vivem na total ignorância de Deus. Para vossa vergonha digo-o." 1 Cor 15,34
    Falava de verdadeira dedicação: "Antes é preciso que o lavrador trabalhe com afinco, se quer boa colheita." 2 Tm 2,6
    Advertia das desgraças da apostasia: "Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Ele (Deus) entregou-os a depravados sentimentos, e daí seu indigno procedimento. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade. Cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes aos pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia." Rm 1,28-30
    A Carta de São Paulo aos Efésios pedia vigília e Sabedoria: "Vigiai, pois, com cuidado sobre vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que ciosamente aproveitam o tempo, pois os dias são maus." Ef 5,15-16
    Exortava à plena caridade espiritual: "Intensificai vossas invocações e súplicas. Rezai em toda circunstância, pelo Espírito, no Qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos cristãos." Ef 6,18
    Pedia santidade: "Renovai sem cessar o sentimento de vossa alma, e revesti-vos do novo homem, criado à imagem de Deus, em verdadeira Justiça e santidade." Ef 4,23-24
    A Segunda Carta de São Pedro insistia: "Caríssimos, esta é a segunda carta que vos escrevo. Tanto numa como noutra, apelo a vossas recordações para despertar em vós uma sã compreensão e para vos lembrar as predições dos Santos Profetas, bem como o Mandamento de Nosso Senhor e Salvador, ensinado por vossos Apóstolos." 2 Pd 3,1
    E alertava contra os inventores de heresias: "Vós, pois, caríssimos, advertidos de antemão, tomai cuidado para que não caiais de vossa firmeza, levados pelo erro destes homens ímpios. Mas crescei na Graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." 2 Pd 3,17-18a

POUCA FÉ

    Jesus já reclamava das multidões desde o Sermão da Montanha: "E por que vos inquietais com as vestes? Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé?" Mt 6,28a.30
    Reclamou dos próprios Apóstolos quando da tempestade que acoitava o barco no Mar de Galileia: "'Por que este medo, homens de pouca fé?' Então, levantando-Se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria." Mt 8,26b
    Ele ensinou logo depois do Domingo de Ramos: "Por isso, digo-vos: tudo que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e sê-vos-á dado." Mc 11,24
    Prometeu-nos, nesses dias, tudo que estivesse em Comunhão com os projetos do Pai: "Tudo que pedirdes com fé na oração, vós alcançá-lo-eis." Mt 21,22
    Na segunda Páscoa em Missão, apontando para Si mesmo, assim havia simplificado toda vontade de Deus, cuja essência é nossa Salvação: "A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou." Jo 6,29b
    Reclamava dos apenas curiosos: "Disse-lhe Jesus: 'Se não virdes milagres e prodígios, não credes...'" Jo 4,48
    Também reclamou de São Tomé, que duvidou de Sua Ressurreição: "Disse-lhe Jesus: 'Creste, porque Me viste. Felizes aqueles que creem sem ter visto!'" Jo 20,29
    E falando sobre realizações espirituais, disse: "Na Verdade, digo-vos: se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda..." Mt 17,20
    Na presunção, de fato, ou a pessoa julga-se santa ou acha que Deus a salvará exclusivamente por Sua Divina Misericórdia. Mas, além de um dom (cf. 1 Cor 12,9), a fé é uma conquista, e para tanto devemos pedi-la a Deus: "Os Apóstolos disseram ao Senhor: 'Aumentai-nos a fé!'" Lc 17,5
    Assim também pediu o pai do menino com um espírito surdo e mudo, que Jesus exorcizaria: "Disse-lhe Jesus: 'Se podeis alguma coisa? Tudo é possível àquele que crê.' 'Eu Creio! Ajudai à pobreza de minha fé!" Mc 9,23.24b
    Por isso, São Paulo sempre exortava à humildade, em detrimento de grandes expectativas: "Em virtude da Graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior que convém, mas um razoavelmente modesto conceito, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu." Rm 12,3
    Assim como exortava ao constante perseverar: "Contudo, seja qual for o grau a que chegamos, o que importa é decididamente prosseguir." Fl 3,16
    Com efeito, o Apóstolo dos Gentios pregava a virtude da fortaleza: "Vigiai! Sede firmes na fé! Sede homens! Sede fortes!" 1 Cor 16,13
    Aqueles de sua tradição fazem lembrar o exemplo dos Santos: "Desejamos, apenas, que ponhais todo empenho em guardar intata vossa esperança até o fim, e que, longe de tornarde-vos negligentes, sejais imitadores daqueles que pela fé e paciência tornam-se herdeiros das promessas." Hb 6,11-12
    E ensinam: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois, para se achegar a Ele, primeiro é necessário que se creia que Ele existe e que recompensa aqueles que O procuram." Hb 11,6
    A Primeira Carta de São João não vacila: "E esta é a vitória que vence o mundo: nossa fé." 1 Jo 5,4b
    São Tiago Menor provoca: "Se alguém de vós necessita de Sabedoria, peça-a a Deus, que a todos liberalmente dá, com simplicidade e sem recriminação, e sê-lhe-á dada. Mas peça-a com fé, sem nenhuma vacilação, porque o homem que vacila se assemelha à onda do mar, levantada pelo vento e agitada de um lado para o outro. Não pense tal homem, portanto, que alcançará alguma coisa do Senhor, pois é um irresoluto, inconstante em todo seu proceder." Tg 1,5-8

    Santo Agostinho dizia: "Reza-se como se vive, e vive-se como se reza."


PEDIR A DEUS

    Jesus ensinou-nos a rezar ao Pai com total confiança: "Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? E se lhe pedir um peixe, dá-lhe-á uma serpente? Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celeste dará boas coisas aos que Lhe pedirem." Mt 7,9-11
    Confiança que dever ser expressa por atitudes: "Respondeu-lhes Jesus: 'Na Verdade, declaro-vos que, se tiverdes fé e não hesitardes, não só fareis o que foi feito a esta figueira, mas ainda se disserdes a esta montanha: 'Levanta-te daí e atira-te ao mar', isso se fará..." Mt 21,21
    Claro, Ele fala de pedidos que estejam em conformidade com a Sã Doutrina, como disse após a Santa Ceia: "Se permanecerdes em Mim, e Minhas Palavras permanecerem em vós, pedireis tudo que quiserdes e sê-vos-á feito." Jo 15,7
    E até havia reclamado de Seus seguidores, ainda em Sua primeiras pregações: "Por que Me chamais: 'Senhor, Senhor...' e não fazeis o que Eu digo?" Lc 6,46
    São João Evangelista explicou: "A confiança que n'Ele (Deus) depositamos é esta: em tudo quanto Lhe pedirmos, se for conforme Sua vontade, Ele atendê-nos-á. E se sabemos que Ele nos atende em tudo quanto Lhe pedirmos, daí sabemos que já recebemos o que pedimos." 1 Jo 5,14-15
    Referia-se, portanto, a pedidos de quem está em dia com os Sacramentos: "Caríssimos, se nossa consciência nada nos censura, temos confiança diante de Deus, e tudo que Lhe pedirmos, receberemos d'Ele porque guardamos Seus Mandamentos e fazemos o que é agradável a Seus olhos." 1 Jo 3,21-22
     Aliás, ao discorrer sobre o Batismo, São Pedro diz o que realmente devemos pedir: "Esta Água prefigurava o Batismo de agora que também salva a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma boa consciência, pela Ressurreição de Jesus Cristo." 1 Pd 3,21
    Jesus contou uma parábola sobre perseverar nas orações: "'Em certa cidade, havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava pessoa alguma. Na mesma cidade vivia uma viúva que com frequência vinha a sua presença para lhe dizer: 'Faze-me justiça contra meu adversário.' Ele, porém, por muito tempo não o quis. Por fim, refletiu consigo: 'Eu não temo a Deus nem respeito os homens. Todavia, porque esta viúva me importuna, fá-lhe-ei justiça, senão ela não cessará de molestar-me.' Prosseguiu o Senhor: 'Ouvis o que este injusto juiz diz? Por acaso não fará Deus Justiça a Seus escolhidos, que dia e noite estão clamando por Ele? Porventura tardará em socorrê-los? Digo-vos que em breve lhes fará Justiça.'" Lc 18,2-8a
    Criticou, porém, quem pensa que será atendido apenas pela quantidade de orações, e não pelo que se pede ou pelo fervor com que se pede: "Em vossas orações, não useis de vãs repetições como fazem os pagãos, julgando que serão ouvidos por muito falarem. Não os imiteis, porque Vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós Lho peçais." Mt 6,7-8
    Isso nada tem a ver, é claro, com as justas, votivas e ardorosas repetições, das quais Ele mesmo usou no Horto das Oliveiras: "Deixou-os e foi rezar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras." Mt 26,44
    Sobre o que pedir, o Livro do Profeta Baruc já havia percebido uma grande dádiva de Deus, que mais que momentâneas benesses permite conhecer a Revelação: "É Ele Nosso Deus, a Ele nenhum outro se compara. Conhece a fundo os caminhos que conduzem à Sabedoria, galardoando com ela Jacó, Seu servo, e Israel, Seu favorecido. Foi então que ela apareceu sobre a Terra, onde permanece entre os homens." Br 3,36-38
    E a Carta de São Paulo aos Colossenses explicou a razão de ser desta Graça, que faz lembrar o Sacrifício da Cruz: "... não cessamos de rezar por vós e pedir a Deus, para que vos conceda pleno conhecimento de Sua vontade, perfeita Sabedoria e discernimento espiritual. Para que vos comporteis de maneira digna do Senhor, procurando agradar-Lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus. Para que, em tudo confortados por Seu glorioso poder, tenhais a paciência de tudo suportar com longanimidade." Cl 1,9b-11
    Porque nem tudo, mesmo que justo, será concedido. Isso dá-se em função dos mais elevados planos de Deus, que também preveem difíceis tempos, como o terceiro dos anjos que anunciam o Juízo recomenda: "Eis o momento para apelar para a paciência dos Santos, dos fiéis, aos Mandamentos de Deus e à fé em Jesus." Ap 14,12
    São Tiago Menor, ademais, duramente critica a insensatez da indolência e certos 'pedidos': "Não obtendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes vossas paixões." Tg 4,2b-33
    São Pedro também pediu aos maridos pelas esposas: "Tratai-as com todo respeito para que vossas orações não fiquem sem resposta." 1 Pd 3,7b
    Com efeito, São Mateus retratou semelhantes situações: "Os fariseus e os saduceus achegaram-se a Jesus para O submeter à prova e pediram-Lhe que lhes mostrasse um milagre do Céu. 'Essa perversa e adúltera geração pede um milagre! Mas não lhe será dado outro sinal senão o de Jonas!' Depois, deixando-os, partiu." Mt 16,1.4b
    

PEDIR A DEUS NA IGREJA DE DEUS

    Referindo-se a Deus Pai, São Paulo rende graças dizendo do que pedimos e onde devemos dar glórias: "Àquele que, pela virtude que em nós opera, pode fazer infinitamente mais que tudo quanto pedimos ou entendemos, a Ele seja dada glória na Igreja, e em Cristo Jesus, por todas gerações da eternidade. Amém." Ef 3,20-21
    Valorizando Seu principal instrumento de Salvação, Jesus confirma a Igreja Católica (cf. At 1,8) dizendo aos fiéis contra os quais o próprio irmão tiver pecado: "Se se recusa a ouvi-los, dize-o à Igreja. E se também se recusar a ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17
    Porque ela é Seu Reino de Sacerdotes, sejam eles Ordenados, sejam leigos, para promover a Comunhão: "Na Verdade, digo-vos: tudo que ligardes sobre a Terra será ligado no Céu, e tudo que desligardes sobre a Terra também será desligado no Céu." Mt 18,18
    Assim, quanto às orações, Ele garantiu a sua mínima representação: "Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem na Terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de Meu Pai que está nos Céus." Mt 18,19
    Em seguida, porém, deixou claro que os fiéis realmente devem estar unidos em Seu Nome, ou seja, cumprindo todos Seus Mandamentos (cf. Mt 28,20): "Porque onde dois ou três estão reunidos em Meu Nome, aí estou Eu em meio a eles." Mt 18,20
    Como essência do novo culto, Ele determinou, na última noite entre os Apóstolos, que celebrássemos o Sacrifício Pascal: "Tomou em seguida o pão, e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de Mim.' Do mesmo modo tomou o cálice, depois de cear, dizendo: 'Este cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue, que é derramado por vós.'" Lc 22,19-20
    A Santa Missa, portanto, já em seus quatro constitutivos, foi o que os Doze começaram a celebrar logo após o Pentecostes, no que eram seguidos pelos fiéis, conforme o Livro de Atos dos Apóstolos: "Eles perseveravam na Doutrina dos Apóstolos, na reunião em comum, na fração do Pão e nas orações." At 2,42
    E os celebrantes da Santa Eucaristia são o refúgio que São Paulo indica ao jovem São Timóteo: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a Justiça, a fé, a caridade, a Paz, em companhia daqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Pois só em Comunhão somos verdadeiramente purificados, como o Amado Discípulo diz: "Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,7
    Essa fortaleza já havia sido percebida no Livro de Eclesiástico: "Anda em companhia do povo santo, com aqueles que vivem e proclamam a Glória de Deus." Eclo 17,25
    Assim como pelos sagrados autores, que cantavam: "Ó Deus, relembremos Vossa Misericórdia no interior de Vosso Templo." Sl 47,10
    Por isso, conforme Davi, a Santa Igreja, embrionária na Tenda da Arca da Aliança, deve ser amada: "Senhor, amo a habitação de Vossa Casa, e o Tabernáculo onde Vossa Glória reside." Sl 25,8
    Ele apontava-a como a fonte de santidade: "Feliz aquele que Vós escolheis, e chamais para habitar em Vossos átrios. Possamos nós ser saciados dos bens de Vossa Casa, da santidade de Vosso Templo." Sl 64,5
    De perene santidade, conforme o consenso geral: "Vossas promessas são sempre dignas de fé, Senhor, e Vossa Casa é santa na duração dos séculos." Sl 92,5
    É lugar de agradecimento, de santificação das ofertas, segundo outro sagrado autor: "É, pois, com holocaustos que entrarei em Vossa Casa. Pagarei os votos que fiz para Convosco, votos proferidos por meus lábios quando me encontrava na tribulação." Sl 65,13-14
    E lugar de contrição, ainda segundo Davi: "Mas eu, graças a Vossa grande bondade, entrarei em Vossa Casa. Prostrar-me-ei em Vosso Santuário, com o respeito que Vos é devido, Senhor." Sl 5,8
    Pois Nosso Senhor prega a humildade como a verdadeira postura de um fiel: "Jesus ainda lhes disse esta parábola a respeito de alguns que se vangloriavam como se fossem justos, e desprezavam os outros: 'Subiram dois homens ao Templo para rezar. Um era fariseu, o outro, publicano. O fariseu, em pé, rezava em seu interior desta forma: 'Graças dou-Te, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros. Nem como o publicano que está ali. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos meus lucros.' O publicano, porém, mantendo-se à distância, sequer ousava levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: 'Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!' Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo aquele que se exaltar, será humilhado, e quem se humilhar será exaltado." Lc 18,9-14
    Condenou, por isso, quem faz orações pessoais em públicos lugares, ou mesmo sagrados, por exibicionismo: "Quando rezardes, não façais como os hipócritas que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Na Verdade, digo-vos: já receberam sua recompensa. Quando rezares, entra em teu quarto, fecha a porta e reza a Teu Pai em segredo. E Teu Pai, que vê no oculto, recompensá-te-á." Mt 6,5-6
    Ele pedia, desde o Sermão da Montanha, que nos antecipássemos em buscar a Paz com nossos irmãos, zelando por uma verdadeira Comunhão espiritual: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do altar e lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do altar e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão. Só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24
    E afirmou que é pela perseverança que recebemos o Espírito de Deus: "Eu digo-vos: pedi, e dar-se-vos-á. Buscai, e achareis. Batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe. Aquele que procura, acha. E àquele que bater, abrir-se-lhe-á. ... Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que LhO pedirem." Lc 11,9-10.13
    Essa, porém, mais uma vez, é uma Graça exclusivamente concedida à Igreja Católica: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17
    São Pedro atestou perante o conselho dos judeus em Jerusalém, após ter sido preso com os demais Apóstolos: "... o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32b
    Era de Deus mesmo, pois, que Jesus falava quando pela primeira vez prometeu Água Viva: "Chegou, pois, a uma localidade de Samaria, chamada Sicar, junto às terras que Jacó dera a seu filho José. Ali havia o poço de Jacó. E Jesus, fatigado da viagem, sentou-Se à beira do poço. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher de Samaria tirar água. Pediu-lhe Jesus: 'Dá-Me de beber.' Pois os discípulos tinham ido à cidade comprar mantimentos. Aquela samaritana disse-Lhe: 'Sendo Tu judeu, como pedes de beber a mim, que sou samaritana?' Pois os judeus não se comunicavam com os samaritanos. Respondeu-lhe Jesus: 'Se conhecesses o dom de Deus, e Quem é que te diz: Dá-Me de beber, certamente pedir-Lhe-ias tu mesma e Ele dá-te-ia uma Água Viva.'" Jo 4,5-10
    No episódio da Festa das Tendas, em mais uma visita a Cidade Santa, isso vai ficar ainda mais claro, pois citou uma passagem que tanto dizia do Livro do Profeta Zacarias como do Livro do Profeta Isaías: "No último dia, que é o principal dia de festa, Jesus estava de pé e clamava: 'Se alguém tiver sede, venha a Mim e beba. Quem crê em Mim, como a Escritura diz: De seu interior manarão rios de Água Viva (Zc 14,8; Is 58,11).' Dizia isso referindo-Se ao Espírito que haviam de receber aqueles que n'Ele cressem, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado." Jo 7,37-39
    E São Paulo apontou uma de Suas atribuições, exatamente através das orações: "Da mesma forma, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza. Porque não sabemos o que devemos pedir, nem rezar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,26
    Disse da intercessão de Nosso Senhor: "Cristo Jesus, que morreu, ou melhor, que ressuscitou, que está à mão direita de Deus, é Quem intercede por nós!" Rm 8,34b
    Porque, graças a Seu Sacrifício, por Ele temos a perfeita reconciliação com o Pai, alcançamos Sua Glória: "Ainda mais: nós gloriamo-nos em Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem desde agora temos recebido a reconciliação!" Rm 5,11
    De fato, para a perfeita Unidade da Igreja, ou seja, a Comunhão dos Santos, Jesus derramou Sua Glória sobre os Apóstolos, como rezou ao Pai. Ela está estampada na Unidade que a Igreja vive, e é prova da passagem de Jesus entre nós e do amor do Pai: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 1,22-23
    E é exclusivamente para a edificação da Igreja Católica que se empregam os dons do Espírito Santo. São Paulo ensina: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja. Por isso, quem fala em línguas, peça na oração o dom de as interpretar." 1 Cor 14,12-13
    Pois explicando as vocações, Jesus garantiu enquanto se despedia dos Apóstolos: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu Nome, Ele vos conceda." Jo 15,16
    E, sem dúvida, Deus é plenamente glorificado pela manifestação de Jesus: "E tudo que pedirdes ao Pai em Meu Nome, fá-vos-ei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que Me pedirdes em Meu Nome, fá-vos-ei." Jo 14,13-14
    Santa Marta já havia percebido tal eficácia, e declarou-a após a morte de São Lázaro: "Marta disse a Jesus: 'Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Mas também sei que tudo que agora pedires a Deus, Ele concedê-Te-á.'" Jo 11,21,22
    Para formar tal convicção, Nosso Senhor avisou que no Dia de Sua Ressurreição os Apóstolos perceberiam a Comunhão dos Santos, e que Ele e o Pai são Um: "Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai, vós em Mim e Eu em vós. Naquele dia não mais Me perguntareis coisa alguma. Na Verdade, na Verdade, digo-vos: o que pedirdes ao Pai em Meu Nome, Ele dá-vos-á. Até agora nada pedistes em Meu Nome. Pedi e recebereis, para que vossa alegria seja perfeita. Naquele dia pedireis em Meu Nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós. Pois o Pai mesmo vos ama, porque vós Me amastes e crestes que saí de Deus." Jo 14,20;16,23-24.26-27
    Por isso, São Pedro garante aos fiéis: "O divino poder deu-nos tudo que contribui para a Vida e a piedade, fazendo-nos conhecer Aquele que nos chamou por Sua Glória e Sua virtude. Por elas temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." 2 Pd 1,3-4

    "Confirmai na caridade Vosso povo!"