domingo, 24 de maio de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

O Pentecostes


    O Pentecostes, na tradição judaica, é a festa que comemora o dia em que Moisés recebeu de Deus as Tábuas da Lei, no monte Sinai, originalmente conhecido como monte Horeb (cf. Êx 3,1). Ela também é chamada Festa das Semanas, porque acontece sete semanas após a data da saída de Egito, e é comemorada no primeiro dia da oitava. São, pois, cinquenta dias, daí o nome grego "Pentecostes", que significa quinquagésimo. E por causa da estação do ano, pelos judeus ainda é chamada Festa da Colheita, da Sega ou da Primícia dos Frutos.
    Assim como as Tábuas da Lei, portanto, Deus prometeu uma nova e ainda maior revelação, e que didaticamente também se cumpriria num dia de Pentecostes: a Nova e Eterna Aliança, anunciada por Jesus e consumada pela Vinda do Espírito Santo. Está no Livro do Profeta Jeremias: "'Dias hão de vir,' Oráculo do Senhor, 'em que firmarei Nova Aliança com as casas de Israel e de Judá. Será diferente da que concluí com seus pais, no dia em que pela mão os tomei para os tirar de Egito, Aliança que violaram embora Eu fosse o Esposo deles. Eis a Aliança, então, que farei com a casa de Israel.' Oráculo do Senhor: 'Incutir-lhe-ei Minha Lei, gravá-la-ei em seu coração. Serei Seu Deus e Israel será Meu povo.'" Jr 31,31-33
    Era mesmo a Eterna Aliança, pois, no Livro do Profeta Jeremias, Deus já havia prometido a Religião Católica, isto é, Universal, para muito além das fronteiras de Israel, dizendo ao povo: "Prestai-Me atenção, e vinde a Mim. Escutai, e vossa alma viverá. Quero concluir convosco uma Eterna Aliança, outorgando-vos os favores prometidos a Davi. Farei de ti um testemunho para os povos, um condutor soberano das nações. Conclamarás povos que nunca conheceste, e nações que te ignoravam acorrerão a ti, por causa do Senhor Teu Deus, e do Santo de Israel que fará tua Glória." Is 55,3-5
    E Ele claramente falava do Espírito Santo: "Assim diz o Senhor, Aquele que te fez, que te modelou desde o ventre materno e te socorre: 'Não temas, Jacó, Meu servo, Jesurun, a quem escolhi. Porque derramarei Água sobre o solo sedento e correntes sobre a terra seca. Derramarei Meu Espírito sobre tua raça, e Minha bênção sobre teus descendentes. Eles brotarão por entre a erva como os salgueiros junto a correntes de água.'" Is 44,2-4
    Assim, se, por mais se falar, mais conhecemos a Deus Pai e a Deus Filho, também devemos especial atenção a Deus Espírito Santo, Cuja Vinda deu novo e esplendoroso significado ao Pentecostes dos judeus. 'Surpresa' guardada por Deus, assim como o próprio Jesus, para a plenitude dos tempos, Ele já aparecia, sempre sutilmente, no Livro de Gênesis, e desde as primeiríssimas linhas das Escrituras: "... o Espírito de Deus pairava sobre as águas." Gn 1,2
    Mas a humanidade caiu em pecado, como sabemos, e assim levou Deus a essa decisão, tomada ainda antes do dilúvio: "Meu Espírito não permanecerá para sempre no ser humano, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será de cento e vinte anos." Gn 6,3
    Entretanto, mesmo que de episódico modo, o Divino Paráclito notoriamente continuava agindo sobre aqueles que eram fiéis aos planos de Deus. É do Livro de Números: "Moisés saiu e referiu ao povo as palavras do Senhor. Reuniu setenta homens dos anciãos do povo e colocou-os em volta da Tenda. O Senhor desceu na Nuvem e falou a Moisés. Tomou uma parte do Espírito que o animava e pô-la sobre os setenta anciãos. Apenas repousara o Espírito sobre eles, começaram a profetizar, mas não continuaram." Nm 11,24-25
    Assim também se deu com Saul, primeiro rei de Israel, conforme o Primeiro Livro de Samuel, enquanto era preparado por este Profeta: "Samuel tomou um pequeno frasco de óleo e derramou-o na cabeça de Saul. Beijou-o e disse: 'O Senhor confere-te esta unção para que sejas chefe de Sua herança. À entrada da cidade encontrarás um grupo de Profetas descendo do alto lugar, precedidos de saltérios, de tímpanos, de flautas e de cítaras, profetizando. O Espírito do Senhor também virá sobre ti, profetizarás com eles e tornar-te-ás um outro homem.'" 1 Sm 10,1.5b-6
    E falando sobre a teimosia do povo de Israel, no Livro de Neemias vemos essa reflexão sua perante Deus: "Vossa paciência para com eles durou muitos anos. Vós fazíei-lhes admoestações pela inspiração de Vosso Espírito, que animava Vossos Profetas." Ne 9,30a
    Mesmo estrangeiros já haviam percebido Sua ação, como foi o caso do faraó dirigindo-se à nobreza de Egito, dizendo de São José de Egito, filho de Jacó, que Deus renomeou Israel: "'Poderíamos', disse-lhes ele, 'encontrar um homem que tenha, tanto quanto este, o Espírito de Deus?'" Gn 41,38
    E no Livro de Sabedoria, o sagrado autor bem demonstra saber como e a Quem recorrer: "Que homem, pois, pode conhecer os desígnios de Deus, e penetrar nas determinações do Senhor? E quem conhece Vossas intenções, se Vós não lhe dais a Sabedoria, e se do mais alto dos Céus Vós não lhe enviais Vosso Espírito Santo?" Sb 9,13.17
    Até descrevia Seu agir: "A Sabedoria não entrará na perversa alma, nem habitará no corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á de insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,4-5
    Passados alguns séculos, contudo, Deus, no Livro do Profeta Ezequiel, prometeu reunir Seu povo. Era a Unidade da Igreja, que só o Espírito Santo poderia realizar através da Comunhão: "... Eu dá-lhes-ei um só coração e animá-los-ei com um Novo Espírito. De seu corpo extrairei o coração de pedra para o substituir por um coração de carne, a fim de que observem Minhas leis, guardem e pratiquem Meus Mandamentos, sejam Meu povo e Eu, Seu Deus." Ez 11,19-20
    Isso dar-se-ia pela imprescindível Graça dos Sacramentos do Batismo e da Crisma, sem os quais não se vence o pecado: "Aspergirei Água sobre vós e ficareis puros. Sim, purificá-vos-ei de todas vossas imundícies e de todos vossos imundos ídolos. Porei em vosso íntimo Meu Espírito e farei com que andeis de acordo com Meus estatutos, e guardeis Minhas normas e as pratiqueis." Ez 36,25.27
    Assim prometia que, em mais notória revelação, daria Nova Vida a Seus fieis: "... quando Eu derramar em vós Meu Espírito para vos fazer voltar à Vida..." Ez 37,14a
    E que, pela Nova e Eterna Aliança firmada por Jesus, o Santo Paráclito definitivamente permaneceria entre nós, como Deus disse através de Isaías: "Assim, desde o ocidente temer-se-á o Nome do Senhor, e desde o oriente, Sua Glória. Pois Ele virá como uma impetuosa torrente, conduzido pelo Espírito do Senhor. 'Mas virá como Redentor a Sião e aos arrependidos filhos de Jacó,' Oráculo do Senhor. 'Eis Minha Aliança com eles', diz o Senhor: 'Meu Espírito, que sobre ti repousa, e Minhas Palavras, que coloquei em tua boca, não deixarão teus lábios nem os de teus filhos, nem os de seus descendentes', diz o Senhor, 'desde agora e para sempre.'" Is 59,19-21
    Com efeito, no Evangelho Segundo São João, Nosso Senhor garantiu Sua permanente presença aos Apóstolos, e assim à Santa Igreja Católica: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16
    Mas, como visto, já era por inspiração do Espírito de Deus que Profetas e homens Santos escreviam o Antigo Testamento. A Primeira Carta de São Pedro afirma: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas, que proferiram Oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e que profetizava os sofrimentos do mesmo Cristo, e as Glórias que deviam segui-los." 1 Pd 1,10-11
    Assim também foi durante a própria passagem de Jesus entre os Apóstolos, como São Lucas registrou no Livro de Atos dos Apóstolos: "... contei toda sequência das ações e dos ensinamentos de Jesus, desde o princípio até o dia em que foi arrebatado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, Suas instruções aos Apóstolos que escolhera." At 1,1a-2
    E assim tem sido desde então. A Carta de São Paulo aos Efésios atesta: "Lendo-me, podereis entender a noção que me foi concedida do Mistério de Cristo, que em outras gerações não foi manifestado aos homens da maneira como agora tem sido revelado pelo Espírito, a Seus Santos Apóstolos e profetas." Ef 3,4-5
    Alegando o Sacramento da Crisma, portanto, a Primeira Carta de São João garante a Sagrada Tradição, também chamada de Tradição Oral: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas coisas. Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se em vós permanecer o que ouvistes desde o princípio, vós também permanecereis no Filho e no Pai. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine. Mas, como Sua Unção vos ensina todas coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei n'Ele, como ela vos ensinou." 1 Jo 2,20.24.27b


O SALVADOR ANUNCIA O ESPÍRITO DA PROMESSA

    Cumpriram-se, então, os tempos, e São João Batista veio preparar o povo para a Vinda do Salvador. No Evangelho Segundo São Lucas, ao anunciar seu nascimento ao sacerdote São Zacarias, seu pai, o Arcanjo São Gabriel deixou informado Quem moveria este arauto: "... e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo..." Lc 1,15
    Tal Unção deu-se através de Nossa Mãe Celeste, a Esposa do Divino Paráclito: "Naqueles dias, Maria levantou-se e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas ouviu Isabel a saudação de Maria, a criança estremeceu-se em seu seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo." Lc 1,39-41
    E ao receber a Anunciação, Nossa Senhora tinha ouvido de São Gabriel como se daria a Encarnação do Salvador: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolver-te-á com Sua sombra. Por isso, o Santo Ente que de ti nascer será chamado Filho de Deus." Lc 1,35
    Sempre assim, quando São João batizou Jesus, lá estava o Santo Paráclito completando a primeira manifestação pública da Santíssima Trindade: o Pai falando do Céu, o Filho Encarnado e o Espírito como uma Pomba. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Depois que Jesus foi batizado, logo saiu da água. Eis que os Céus se abriram e se viu descer sobre Ele, em forma de Pomba, o Espírito de Deus. E do Céu ouviu-se uma voz: 'Eis Meu Amado Filho, em Quem ponho Minha afeição.'" Mt 3,16-17
    Ora, isso também já tinha sido profetizado havia 700 anos, quando o Deus Pai disse de Cristo: "Eis Meu Servo que Eu sustenho, Meu Eleito, em quem tenho prazer. Pus sobre Ele Meu Espírito, Ele trará o Julgamento às nações." Is 42,1
    Com efeito, ao iniciar Sua vida pública, pois, na sinagoga Jesus leu uma profecia de Isaías, que na verdade era o discurso inaugural de Sua Missão, também antecipado pelas Escrituras: "O Espírito do Senhor repousa sobre Mim, porque o Senhor Me consagrou pela Unção. Enviou-Me a levar a Boa Nova aos pobres, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção e aos prisioneiros a liberdade, para  proclamar o Ano da Graça do Senhor e um dia de vingança de Nosso Deus, para consolar todos aflitos..." Is 61,1-2
    Porém, na noite do início de Sua Paixão, avisou que nem todas revelações seriam feitas por Ele mesmo, mas que o Divino Paráclito as arremataria, o que inclui as novas instruções através dos séculos: "Muitas coisas ainda tenho a vos dizer, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensiná-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13
    Com razão, eram pouco mais de três anos que Jesus estava na companhia dos Apóstolos, e eles já tinham esquecido alguns ensinamentos e ainda precisavam entender outros. Mas Ele garantia que tudo seria recordado, e todos esclarecimentos seriam feitos pelo Espírito de Deus: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26
    Até ajudaria os Apóstolos a O testemunhar nos mais difíceis momentos: "Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de Vosso Pai que falará em vós." Mt 10,20
    Sua Paixão, aliás, era condição para a Vinda do Divino Espírito: "Entretanto, digo-vos a Verdade: a vós convém que Eu vá! Porque se Eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se Eu for, enviá-vo-Lo-ei." Jo 16,7
    Todavia, por causa dos pecados sem o devido arrependimento, Ele não é derramado sobre todos, mas apenas sobre Sua Igreja. Jesus disse: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17
     Por isso, a mera leitura da Palavra de Deus sem os auxílios do Santo Espírito, ou seja, a tentativa de compreensão das Escrituras sem a assistência da Santa Igreja, leva tão somente ao erro e à morte. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz do Ministério do Divino Paráclito, que ó o próprio Ministério da Igreja Católica, exclusivamente dado por Jesus: "Ele é que nos fez aptos para ser Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,6
    E a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses reclamou o devido respeito à Sagrada Tradição e aos Sacerdotes da Igreja Apostólica: "Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos infundiu Seu Espírito Santo." 1 Ts 4,8
    De fato, a Segunda Carta de São Pedro, com toda sua autoridade vetou qualquer pessoal entendimento das Escrituras. Ou seja, só a interpretação dada pelo próprio Espírito da Verdade, Aquele que inspirou os sagrados Livros e desde sempre tem acompanhado a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, deve prevalecer: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de pessoal interpretação. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de humana vontade. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20-21
    E assim a verdadeira Palavra de Deus vem sendo anunciada. Falando sobre os Profetas, o Príncipe dos Apóstolos diz aos cristãos: "Foi-lhes revelado que propunham não para si mesmos, senão para vós, estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas, que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,12
    Ora, o Espírito Santo é o próprio Deus, e só Ele pode iluminar-nos para a Verdade que liberta. São Paulo diz: "... o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." 2 Cor 3,17
    Verdade essa que é o próprio Jesus, o Verbo Encarnado, o Único que nos leva a Deus Pai, como disse aos Apóstolos após a Santa Ceia: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6b
    E é fazendo-nos compreender Sua Palavra, isto é, mediante nossa prévia obediência, que Ele nos liberta: "Portanto, se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres." Jo 8,38
    Sem dúvida, Santo Estevão, ao condenar o Sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém, diz que aqueles que não acolhem a Igreja Una estão em franca oposição ao Espírito de Deus: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo." At 7,51
    Pois só Ele, que age através da Igreja Viva, pode propriamente revelar as coisas de Deus, como a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios diz: "Assim também as coisas de Deus: ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as Graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais. Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem pode compreendê-las, porque é pelo Espírito que devem ponderá-las." 1 Cor 2,11-14
    É por Ele que todas Graças nos são derramadas, segundo os seguidores de sua tradição, na Carta aos Hebreus: "... o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29
    É por Ele que se alcança a santidade, cuja finalidade São Pedro expressamente diz aos fiéis: "... eleitos segundo a presciência de Deus Pai e santificados pelo Espírito para obedecer a Jesus Cristo..." 1 Pd 2a
    Jesus foi bem explícito ao dizer como o Santo Paráclito cumpriria Sua missão, abrindo-nos os olhos à Verdade, como Espírito da Verdade que é (cf. Jo 16,13): "E, quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da Justiça e do Juízo." Jo 16,8
    E depois de ressuscitado, em Sua última aparição ao Colégio dos Apóstolos, Ele preparou-os: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei em Jerusalém até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49
    Por isso, falando sobre o Pentecostes que acabara de acontecer, São Pedro assegurou aos peregrinos e moradores de Jerusalém: "... Jesus recebeu do Pai o Espírito Prometido e derramou-O, como estais vendo e ouvindo." At 2,33
    O Paráclito, pois, é a própria garantia da Salvação, como o Apóstolo dos Gentios afirma e igualmente defende a Tradição Oral: "N'Ele (Cristo) vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, também fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,13-14
    Carta de São Paulo aos Romanos, atestando a libertação prometida por Nosso Senhor, assim explica o que o Pentecostes representou: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo... O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na Carne, a fim de que a Justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o espírito, se é que o Espírito de Deus realmente habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas, se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,2a.3-4.9.13-14
    O cumprimento dessa promessa, portanto, marcaria um novo tempo, o tempo do Espírito Santo, o tempo da Igreja, o tempo dos Sacramentos. De fato, em Suas últimas palavras, ou seja, pouco antes de Sua Ascensão aos Céus, Jesus vai dizer: "... descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força. E sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins do mundo." At 1,8
    Aliás, na Festa das Tendas, Ele já havia prometido esse indizível dom, fazendo uma menção comum ao Livro do Profeta Zacarias e ao do Profeta Isaías: "No último dia, que é o principal dia de Festa, estava Jesus de pé e clamava: 'Se alguém tiver sede, venha a Mim e beba. Quem crê em Mim, como a Escritura diz: De seu interior jorrarão rios de Água Viva (Zc 14,8; Is 58,11).' Dizia isso referindo-Se ao Espírito que haviam de receber aqueles que n'Ele cressem, pois o Espírito ainda não fora dado, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado." Jo 7,37-39

O NASCIMENTO DA SANTA IGREJA CATÓLICA

    Amado Médico deu mais detalhes da última aparição de Jesus aos Onze, antes de iniciar a caminhada final até Betânia, onde ocorreria a Ascensão: "E a eles manifestou-Se vivo depois de Sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de Seu Pai, 'que ouvistes', disse Ele, 'de Minha boca. Porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias.'" At 1,3-5
    Por fim, cinquenta dias após a Páscoa, quando se deu a Ressurreição do Senhor, chegou o grande momento. A confusão de línguas da Torre de Babel seria desfeita, a Igreja já nasceria Católica, quer dizer, Universal, falando ao mundo inteiro, a todas nações, pois através dela o Espírito de Deus Se manifestou por completo, e em profusão a humanidade voltou a experimentar a natureza divina: "Todos eles (Apóstolos) unanimemente perseveravam na oração, e com eles as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele. Quando chegou o dia de Pentecostes, todos eles estavam reunidos no mesmo lugar. De repente, do céu veio um barulho como o sopro de um forte vendaval, e encheu a casa onde eles se encontravam. Apareceram, então, umas como línguas de fogo, que se espalharam e foram pousar sobre cada um deles. Todos ficaram repletos do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem." At 1,14;2,1-4


    E como São Pedro iria invocar em pregação aos judeus que ali acorreram, deu-se o cumprimento ao que estava prescrito por Deus no Livro do Profeta Joel: "Depois disso, derramarei Meu Espírito sobre todos viventes, e vossos filhos e as filhas tornar-se-ão profetas. Entre vós, os velhos terão sonhos e os jovens terão visões! Nesses dias, até sobre escravos e escravas derramarei Meu Espírito!" Jl 3,1-2
    Assim, movida por tão poderosa Graça, a força da Santa Igreja tornava-se irresistível. Muitos religiosos judeus eram tocados: "Grande número de sacerdotes também aderia à ." At 6,7
    E como previsto por Jesus, que disse que o testemunho dos Apóstolos se daria em Judeia, Samaria e nos confins da Terra, veio em seguida o 'Pentecostes dos Samaritanos', mais propriamente o Sacramento da Crisma: "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que ainda não havia descido sobre nenhum deles, mas somente tinham sido batizados em Nome do Senhor Jesus. Então os dois Apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo." At 8,14-17
    Assim, pelos auxílios do Santo Paráclito, o Reino de Sacerdotes de Cristo arrebatava sempre mais almas: "A Igreja então gozava de Paz por toda Judeia, Galileia e Samaria. Ela estabelecia-se caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo fazia-a crescer em número." At 9,31
    Porque sempre sobre a guia do Espírito de Deus e mais uma vez através da pregação de São Pedro, em breve os não judeus, ou seja, os povos dos 'confins da Terra' também participariam da Comunhão Espiritual: "Enquanto Pedro refletia sobre a visão, disse-lhe o Espírito: 'Eis aí três homens que te procuram. Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque sou Eu Quem os enviou.'" At 10,19-20
    Era o "Pentecostes dos Gentios", que se deu na casa de Cornélio, um centurião romano, sobre pessoas que nem tinham sido batizadas: "Ainda estando Pedro a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos que ouviam a Santa Palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram vendo que o dom do Espírito Santo também era derramado sobre os pagãos, pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. Pedro então tomou a palavra: 'Porventura pode-se negar a Água do Batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós?'" At 10,44-47
    Sim, porque a pregação dos Apóstolos não eram só palavras, como São Paulo atestou: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção." 1 Ts 1,5
    Ele é a força que auxiliava os Apóstolos no testemunho da Ressurreição de Jesus, como visto perante o Sinédrio, porque a obediência a Deus é inalienável condição para O receber: "Pedro e os Apóstolos replicaram: 'Antes importa obedecer a Deus que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-O num madeiro. Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Destes fatos, nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem.'" At 5,29-32
    Desde o nascimento da Igreja, portanto, os caminhos são decididos por Ele: "Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.' Então, jejuando e rezando, impuseram-lhes as mãos e despediram-nos." At 13,2-3
    Pelo sim e pelo não: "Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,7
    Principalmente nos assuntos de alta relevância, como aconteceu no Concílio de Jerusalém, o Primeiro Concílio da Igreja Católica Apostólica Romana. Após o decisivo voto de São Pedro (cf. At 15,7s), São Tiago Menor vai concluir, ditando uma carta de resoluções à igreja de Antioquia: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
    Ele é que constitui os diferentes graus dos sacerdócios, como São Paulo disse aos anciãos de Éfeso, chamando Jesus de Deus: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28
    Ele é Deus de amor manifestando-Se em Sua plenitude: "Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5
    É Ele que nos concede a Comunhão Espiritual, como ouvimos na saudação inicial do sacerdote na Santa Missa: "A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13
    O Amado Discípulo assegura: "Se mutuamente nos amarmos, Deus permanece em nós e Seu amor é perfeito em nós. Nisto é que conhecemos que estamos n'Ele e Ele em nós, por Ele ter-nos dado Seu Espírito." 1 Jo 4,12b-13
    Essa Comunhão, porém, só é possível através do perdão dos pecados exclusivamente concedido aos fiéis pela Igreja Católica, que o ministra por ação do Santo Paráclito, soprado por Jesus mesmo sobre Seus escolhidos para este fim (cf. Jo 15,16). Como o sopro nas narinas de Adão (cf. Gn 2,7), o "vento que sopra onde quer (cf. Jo 3,8)" e o vento que sopraria no cenáculo (cf. At 2,2), a palavra hebraica 'ruah' tanto se traduz 'sopro' como 'espírito', e é assim que Nosso Senhor vai dar aos Sacerdotes da Igreja, logo no Domingo da Ressurreição, o divino poder da absolvição de toda culpa (cf. Mc 2,7): "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se em meio a eles. Disse-lhes Ele: 'A Paz esteja convosco!' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,19.22-23
    Por isso, ainda no dia do Pentecostes, nosso Primeiro Papa exigia a devida penitência: "Pedro respondeu-lhes: 'Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.'" At 2,38
    Ora, a própria Sabedoria, referindo-se ao tempo do Antigo Testamento, com contundência falou por Deus aos infiéis no Livro de Provérbios: "Até quando, ingênuos, amareis a ingenuidade, e vós zombadores, vos empenhareis na zombaria, e vós, insensatos, odiareis o conhecimento? Convertei-vos a Minha exortação: eis que vos derramarei Meu Espírito e vos comunicarei Minhas palavras. Porque vos chamei e recusastes, estendi a mão e não fizestes caso, recusastes Meus conselhos e não aceitastes Minha exortação." Pr 1,22-25
    Dos já convertidos, São Paulo exigia a obrigatória reverência: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que em vós habita, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
    Diz que Ele é nossa via de acesso à Igreja Apostólica: "É n'Ele (Cristo) que vós também entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus." Ef 2,22
    Lembrando a garantia que Ele representa, pedia o banimento de todo pecado mesmo os pecados veniais: "Não contristeis o Santo Espírito de Deus, com o Qual estais selados para o Dia da Redenção." Ef 4,30
    Referindo-se aos ensinamentos de Jesus, São João Apóstolo afirma que Ele é a marca de todo católico: "Quem observa Seus Mandamentos, permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24
    E também menciona a obediência à Santa Madre Igreja (cf. 2 Jo 1,1): "Quem conhece a Deus, ouve-nos. Quem não é de Deus, não nos ouve. É nisto que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro." 1 Jo 4,6b
    É o Paráclito, enfim, que, além da Comunhão Eucarística, distribui os dons de Deus: "Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,11
    E todos eles são-nos concedidos especificamente para a construção da Igreja, que é uma só. Ou seja, não há dons Santo Paráclito fora da Santa Igreja Católica ou para a atacar: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    Por isso, como vimos, São Paulo diz: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9
    Ora, ele avisou que sem os auxílios do Divino Paráclito sequer podemos reconhecer que Jesus é Deus: "... ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3
    De fato, como o Livro do Profeta Zacarias previu e Nosso Senhor invocou, é Ele que nos faz olhar com outros olhos para o Crucificado. São palavras de Deus Pai: "Derramarei um Espírito de Graça e oração sobre a casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim. Quanto Àquele que transpassaram, chorarão por Ele como se chora pelo único filho. Amargamente vão chorá-Lo, como se chora por um primogênito." Zc 12,10
    Esse 'Batismo' do Pentecostes também havia sido previsto por São João Batista, que disse a seus discípulos: "Eu batizo-vos com água, em sinal de penitência, mas Aquele que virá depois de mim é mais poderoso que eu, e nem sou digno de carregar Seus calçados. Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e em fogo." Mt 3,11
    E as línguas de fogo sobre as cabeças dos membros da nascente Igreja foram previamente mencionadas por Jesus: "Vim trazer fogo à Terra, e quanto desejaria que já estivesse aceso!" Lc 12,49
    Fogo esse que inicialmente nos vem por Sua Palavra, com o poder de Seu Espírito, como foi aceso no coração dos discípulos que partiram para Emaús no Domingo da Ressurreição. Eles disseram depois que perceberam que era Jesus que tinha estado com eles: "Não se nos abrasava o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e explicava as Escrituras?" Lc 24,32
    A Carta de São Judas, pois, recomenda-nos como rezar: "Rezai no Espírito Santo." Jd 20
    E São Paulo explica: "Assim, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir nem rezar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos." Rm 8,26
    Zelosamente cuidando da missão da Igreja, ele trata de nos exortar desse perigosíssimo poder que temos de O afastar de nós: "Não extingais o Espírito." 1 Ts 5,19
    Porque se o ministério de Moisés foi grandioso graças às Tábuas da Lei, ele compara: "... quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,14
    Sem o Espírito de Deus, portanto, não temos Vida. E, olhando para o mundo, vê-se o quanto falta ser insuflada uma verdadeira renovação. Cantemos a Deus, pois, com o sagrado autor no Livro de Salmos: "Todos esses seres esperam de Vós que lhes deis de comer em seu tempo. Vós dai-lhes e eles recolhem-no, abris a mão, e fartam-se de bens. Se desviais o rosto, eles perturbam-se. Se lhes retirai o sopro, expiram e voltam ao pó de onde saíram. Se enviais, porém, Vosso Espírito, eles revivem e renovais a face da Terra." Sl 103,27-30

    "Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de Vossos fiéis e acendei neles o fogo de Vosso amor! Enviai, Senhor, Vosso Espírito, e tudo será recriado. E renovareis a face da Terra!"

A Santa Missa


REVIVER  E ATUALIZAR O SACRIFÍCIO PASCAL

    "Fazei isto em memória de Mim." Lc 22,19b
    Foi pedido de Cristo, apontado no Evangelhos Segundo São Lucas, que celebremos a Eucaristia, palavra grega que significa ação de graças. Na Santa Missa, portanto, nós agradecemos a Deus pela obra da Salvação, especificamente pelo Sacrifício de Cristo, que fez superabundar a Graça no mundo (cf. Rm 5,15.20).
    É esse belo e importantíssimo episódio da Bíblia que se revive e se atualiza na celebração do Dia do Senhor, em latim 'dies Dominucus', que chamamos Domingo (cf. Ap 1,10). Foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo quando ofereceu o Pão, que é Sua Carne, e expressamente pediu que O celebrássemos: "Tomou em seguida o pão e, depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado em favor de vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19
    Depois ofereceu o Vinho, que é Seu Sangue derramado na Santa Cruz para o perdão dos pecados, conforme o Evangelho Segundo São Mateus: "Tomou depois o Cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos para remissão dos pecados.'" Mt 26,27-28
    E isso nada tem simbolismo, porque Ele afirmou a materialidade das Duas Espécies Eucarísticas no Evangelho Segundo São João, o que sabemos que acontece pela Transubstanciação: "Pois Minha Carne verdadeiramente é uma comida e Meu Sangue verdadeiramente é uma bebida." Jo 6,55
    Assim, são alimentos para eternidade na Glória, como Ele prometeu: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue, tem a Vida Eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no Último Dia." Jo 6,54
    Falava mesmo da verdadeira Vida: "Assim como o Pai, que Me enviou, vive, e Eu vivo pelo Pai, aquele que comer Minha Carne também viverá por Mim." Jo 6,57
    Em complemento, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios cunhou uma sentença que a Santa Igreja Católica parafraseou para que os fiéis recitem em resposta na Oração Eucarística, durante a Santa Missa: "Assim, todas vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice, anunciais a Morte do Senhor até que Ele venha." 1 Cor 11,26
    E também como resposta dos fiéis, o Rito da Comunhão traz uma adaptação da frase do centurião romano, cuja fé, que Jesus disse jamais ter visto em Israel, levou-O a declarar pela primeira vez que o Reino dos Céus seria tirado de Seu povo: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada. Mas dizei uma só Palavra e meu servo será curado." Mt 8,8b
    Esse tem sido o ritual que os cristãos praticam desde os dias que se seguiram ao Pentecostes. O Livro de Atos dos Apóstolos, dizendo dos fiéis, apontou os quatro constitutivos da Santa Missa: "Eles perseveravam na Doutrina dos Apóstolos, na fraterna Comunhão, na fração do Pão e nas orações." At 2,42
    É só assim que podemos estar em Comunhão com Deus, pois Nosso Senhor disse: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue, permanece em Mim e Eu nele." Jo 6,56
    Comungar, pois, é aceitar o Sacrifício de Jesus como verdadeiro e necessário, e como a realidade maior que vivemos enquanto membros da verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Contrapondo aos ritos do Antigo Testamento, a Carta de São Paulo aos Colossenses leciona: "Ele perdoou-nos todos pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Definitivamente o aboliu, ao encravá-lo na Cruz. Ninguém, pois, vos critique por causa de comida ou bebida, ou espécies de festas ou de luas novas ou de sábados. Tudo isto não é mais que sombra do que devia vir. A realidade é o Corpo de Cristo." Cl 2,13b-14,16-17
    Porque durante a Santa Missa todos participantes também se oferecem em sacrifício, como a Carta de São Paulo aos Romanos prega: "Eu exorto-vos, portanto, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em vivo, santo e agradável sacrifício a Deus: é este vosso culto espiritual. Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,1.11
    Ele mesmo dava exemplo, e não só na Santa Missa: "O que falta às tribulações de Cristo, completo em minha carne, por Seu Corpo que é a Igreja." Cl 1,24
    E isso não era nenhuma metáfora, mas o verdadeiro sentido da palavra testemunho. Ele afirmou em Cesareia, na casa de São Filipe diácono: "Pois eu estou pronto não só a ser preso, mas também a morrer em Jerusalém pelo Nome do Senhor Jesus." At 21,13b
    O Livro de Apocalipse de São João disse dos Santos que viu no Céu: "Quando abriu o quinto selo, debaixo do Altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho de que eram depositários." Ap 6,9
    E a Primeira Carta de São João mostra que ele bem entendeu: "Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida por nossos irmãos." 1 Jo 3,16
    Por isso, a Carta de São Paulo aos Efésios pede: "Como amados filhos, pois, sede imitadores de Deus. Progredi no amor segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós Se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor." Ef 5,1-2
    A Carta de São Paulo aos Filipenses, no mesmo sentido, explica: "... porque a vós é dado não somente crer em Cristo, mas também por Ele sofrer." Fl 1,29
    De fato, a Primeira Carta de São Pedro diz que essa é a razão de ser da Igreja Apostólica: "... vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um santo sacerdócio, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo." 1 Pd 2,5
    E o Apóstolo dos Gentios detalha: "Pois com Ele fomos sepultados em Sua Morte pelo Batismo, para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela Glória do Pai, assim nós também vivamos uma Nova Vida. Sabemos que nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja reduzido à impotência o corpo outrora subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado." Rm 6,4.6
    Desde o princípio, essa era a própria tradição dos judeus, rudimento de nossa Santa Missa, ainda que apenas anual, pois Deus determinou a Moisés o Dia das Expiações. É do Livro de Levítico: "Tereis uma santa assembleia: humilhareis vossas almas e oferecereis ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo." Lv 23,27b
    Haveria, afinal, outra forma de ser cristão? A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios assevera: "Sempre trazemos em nosso corpo os traços da Morte de Jesus, para que a Vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo. Embora estando vivos, a toda hora somos entregues à morte por causa de Jesus, para que a Vida de Jesus também apareça em nossa carne mortal." 2 Cor 4,10-11
    Em que consistiria ser cristão, ou seja, conhecer, representar e anunciar Cristo, senão participando de Seu Sacrifício? Este Apóstolo diz: "Anseio pelo conhecimento, de Cristo e do poder de Sua Ressurreição, pela participação em Seus sofrimentos tornando-me semelhante a Ele na morte, com a esperança de conseguir a Ressurreição dentre os mortos." Fl 3,10-11
    E se ainda não o entendemos, é porque não nos convertemos de fato. Então fica a pergunta: estamos realmente fazendo a vontade de Deus? Parafraseando Jesus (cf. Mt 6,33), ele esclarece: "Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da Terra. Pois vós morrestes, e vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus." Cl 3,1-3
    Recomenda, por isso, o elementar a todo cristão: "Mortificai vossos membros, pois, naquilo que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria." Cl 3,5
    E assim explica nossa Adoção pelo Espírito Santo: "Portanto, irmãos, não somos devedores da carne para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção pelo Qual clamamos: Aba! Pai!" Rm 8,12-15
    Conforme a Carta de São Paulo aos Gálatas, isso realiza-se quando conhecemos e começamos a vencer as tentações, oferecendo-nos em sacrifício por nós mesmos e por nossos semelhantes: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para carnais prazeres. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a Lei se encerra num só preceito: 'Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).' Pois aqueles que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as más paixões e concupiscências." Gl 5,13-14.24
    De fato, são palavras do próprio Jesus, no Evangelho Segundo São Marcos: "Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á. Mas aquele que perder sua vida por amor a Mim e ao Evangelho, salvá-la-á." Mc 8,35
    Os seguidores da tradição de São Paulo também exortam na Carta aos Hebreus, mencionando o Livro do Profeta Oseias: "Por Jesus ofereçamos a Deus, sem cessar, sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram Seu Nome (Os 14,2)." Hb 13,15
    E assim se referiam à própria caridade: "Não negligencieis a beneficência e a liberalidade. Estes são sacrifícios que agradam a Deus!" Hb 13,16
    Pois só o ritual de Seu Sacrifício pode conduzir-nos à necessária santidade (cf. Hb 12,14): "Foi em virtude desta vontade de Deus que de uma vez para sempre temos sido santificados, pela oblação do Corpo de Jesus Cristo." Hb 10,10
    Ora, a Santa Missa já estava prescrita por Deus desde o Livro do Profeta Malaquias, para acontecer em toda Terra: "'Porque, do nascente ao poente, Meu Nome será grande entre as nações, e em todo lugar será oferecido a Meu Nome um sacrifício de incenso e uma oferenda pura. Sim, grande é Meu Nome entre os povos', diz o Senhor dos Exércitos." Ml 1,11


A VERDADEIRA COMUNHÃO

    Assim, morrer para o mundo é o único caminho para o cristão, como São Paulo diz aos católicos romanos: "... com Ele fomos feitos o mesmo ser, por uma morte semelhante à Sua..." Rm 6,5
    Ele pergunta o que fazemos de nossa vida: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que em vós habita, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
    É através de nossos corpos, portanto, que devemos dar Glórias: "Glorificai a Deus, pois, em vosso corpo." 1 Cor 6,20
    Ou seja, as restrições 'espirituais', que não impliquem verdadeira e total entrega, são puras fantasias, falsos desencargos de consciência, como ele via os próprios judaicos ritos: "... proibições estas que se tornam perniciosas pelo uso que delas se faz, e que não passam de humanas normas e doutrinas. Elas podem, sem dúvida, dar a impressão de Sabedoria, enquanto exibem voluntário culto, de humildade e austeridade corporal. Mas não têm real valor, e só servem para satisfazer a carne." Cl 2,22-23
    Desabona até a tradição da circuncisão, e exalta a Unção do Santo Paráclito, o prometido do Pai, pelo Qual nos é concedido celebrar a Santa Eucaristia: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne." Fl 3,3
    Ora, recitando uma antiga queixa de Deus, o próprio Jesus condenou vazios ritos e religiões inventadas: "Assim, por causa de vossa tradição anulais a Palavra de Deus. Hipócritas! É bem de vós que fala o Profeta Isaías: 'Este povo honra-Me com os lábios, mas seu coração está longe de Mim. Vão é o culto que Me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13).'" Mt 15,6-9
    E ensinou, destacando a interiorização da fé e a Revelação: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai no espírito e na Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja." Jo 4,23
    Por crescente acomodação, de fato, a humanidade é sintomaticamente avessa às penitências. Busca apenas prazeres, muitos deles insanos, e assim se torna insensível aos alheios sofrimentos. Para com Cristo, não foi diferente. Deus já Lhe havia prescrito através do Livro do Profeta Ezequiel: "Filho do Homem, Eu envio-Te... É a esses filhos de dura cabeça e de insensível coração que Te envio... Quer Te escutem, quer não, pois são um bando de rebeldes, saberão que houve um Profeta entre eles." Ez 2,3-5
    E comungar é admitir que Seu Sacrifício foi cometido não apenas por romanos e judeus, mas por todos nós, e continua sendo cometido todos dias enquanto não buscamos a verdadeira conversão. Nosso Senhor adverte: "Nem todo aquele que Me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no  Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus." Mt 7,21
    Ou quando não ajudamos nem mesmo aqueles que sofrem carências materiais, como sentenciou colocando-Se em lugar deles: "Porque tive fome e não Me destes de comer, tive sede e não Me destes de beber, era peregrino e não Me acolhestes, nu e não Me vestistes, enfermo e na prisão e não Me visitastes." Mt 25,42-43
    Enfim, aceitar a Comunhão é acreditar que Deus Encarnou, que Deus Se fez ser humano. São João registrou nas primeiras linhas de seu Evangelho : "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós, e vimos Sua Glória..." Jo 1,14
    É acreditar que Ele desceu do Céu para conosco partilhar as divinas benesses. A Segunda Carta de São Pedro afirma: "Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de vos tornar, por este meio, participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." 2 Pd 1,4
    É acreditar que podemos sentar-nos à mesa com Ele: "Ao declinar da tarde, pôs-Se Jesus à mesa com os Doze discípulos." Mt 26,20
    É acreditar que Ele quer estar entre nós através de Sua Igreja, quer dizer, fazendo tudo que Ele mandou (cf. Mt 28,20), pois disse: "Porque onde dois ou três estão reunidos em Meu Nome, aí estou Eu no meio deles." Mt 18,20
    A Comunhão Eucarística, portanto, é o maior dos Sacramentos, ao qual todos demais estão ordenados, como Ele mesmo asseverou: "... se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53


IGREJA CATÓLICA, A CASA DE DEUS

    A conclusão é clara: devemos unir-nos para agradecer a Deus por tantas Graças! Jesus afirmou que esse é o sinal a ser dado ao mundo: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
    E tal Comunhão deve realizar-se na Igreja instituída nas pessoas dos Apóstolos, e por estrito intermédio de Seus obedientes Sacerdotes, como São Paulo ensina: "... podereis exercer toda espécie de generosidade que, por nosso intermédio, será ocasião de agradecer a Deus. ... que se multipliquem as ações de graças a Deus. ... pela obediência que professais ao Evangelho de Cristo..." 2 Cor 9,11-13
    'Amar a Deus' só em casa ou nas tarefas do dia-a-dia é um grave erro. Temos que Lhe prestar culto em digno e apropriado lugar, e assim dar testemunho de nossa a toda gente. Os discípulos de São Paulo exortam: "Não abandonemos nossa assembleia, como é costume de alguns, mas mutuamente nos animemos..." Hb 10,25a
    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo recomenda-lhe a constante presença entre os verdadeiros membros da Santa Igreja, que frequentam a Santa Missa: "Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a Justiça, a fé, a caridade e a Paz, em companhia daqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    E advertiu: "Não vos deixeis enganar: más companhias corrompem bons costumes. Despertai, como convém, e não pequeis! Porque alguns vivem na total ignorância de Deus. Para vergonha vossa, digo-o." 1 Cor 15,33-34
    O Livro de Eclesiástico já ensinava: "Anda na companhia do povo santo, com aqueles que vivem e proclamam a Glória de Deus." Eclo 17,25
    Sem dúvida, é exatamente isso que diz um versículo na sequência dos 10 Mandamentos, que constam do Livro de Êxodo, quando Deus nos promete vital proteção: "Prestarás culto ao Senhor Teu Deus, e então Eu abençoarei teu pão e tua água, e preservá-te-ei da enfermidade." Êx 23,25
    São Paulo também adverte do perigo da irreligiosidade, e assim da omissão de testemunho, e denuncia aqueles que se entregam a heresias e até a religiões animistas: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade. Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos. Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis." Rm 1,21-23
    Ora, a ação de graça era a prática dos Apóstolos aonde eles iam desde os primeiros anos da Igreja, como vemos no início dos Ministérios de São Barnabé e São Paulo: "Durante um ano inteiro, eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos." At 11,26
    E nesses primitivos cultos, que convergiram para a Santa Missa, o Espírito Santo instruía-lhes: "Então havia na igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, amigo de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. Enquanto celebravam o Culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.' Então, jejuando e rezando, lhes impuseram as mãos e os despediram." At 13,1-3
    Tal celebração era feita no Domingo, para reverenciar o dia da Ressurreição do Senhor, como dissemos e São Lucas registrou: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o Pão, Paulo, que havia de viajar no seguinte dia, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite." At 20,7
    Ele já era largamente chamado de Dia do Senhor ao tempo das revelações em Apocalipse, quando Jesus apareceu a São João Apóstolo: "No Dia do Senhor, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta, que dizia: 'O que vês, escreve-o num Livro e manda-o às sete igrejas...' " Ap 1,10,11a
    Até o cego de nascença, curado por Jesus, sabia a importância de prestar culto a Deus: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31
    Pois a ação de graças, cuja maior e mais importante delas é a Santa Eucaristia, é uma questão de reconhecimento a Deus pela dádiva que é a invencível Igreja: "Sim, possuindo nós um Inabalável Reino, dediquemos a Deus um reconhecimento que Lhe torne agradável nosso culto..." Hb 12,28a
    E o sacerdote São Zacarias, pai de São João Batista, havia profetizado que a Vinda de Jesus nos possibilitaria celebrar a Santa Missa: "... de nos conceder que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e Justiça, em Sua presença, todos dias de nossa vida." Lc 1,73b-75
    Pois assim era o projeto do Pai, nas palavras de São Paulo: "N'Ele (Cristo) é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio d'Aquele que tudo realiza por um deliberado ato de Sua vontade, para servirmos à celebração de Sua Glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo." Ef 1,11-12
    Os seguidores de São Paulo até explicam como isso foi feito, pela incomensurável Graça que se derramou pela Paixão de Nosso Senhor: “... o Sangue de Cristo, que pelo Eterno Espírito Se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará nossa consciência das obras mortas para que prestemos culto ao Deus Vivo..." Hb 9,14
    Havia muito tempo, porém, que o Eclesiástico já notava a relutância de alguns: "Mas o culto de Deus é abominado pelo pecador." Eclo 1,32
    Vale lembrar, porém, que, mesmo estando o Templo de Jerusalém tomado por estelionatários, Jesus não desistiu dele. E até citou o Livro do Profeta Isaías e o Livro do Profeta Jeremias, que havia séculos já denunciavam essa situação: "Jesus entrou no Templo e dali expulsou todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas, e disse-lhes: 'Está escrito: Minha Casa é Casa de Oração (Is 56,7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11)!'" Mt 21,12-13
    E em resposta à Maria Santíssima e a São José, Cristo, desde os doze anos, quando ficou em Jerusalém após a Páscoa, já tinha declarado Seu indefectível vínculo com este sagrado lugar: "Jesus respondeu: 'Por que Me procuráveis? Não sabeis que devo estar na Casa de Meu Pai?'" Lc 2,49
    Esse amor foi antecipadamente cantado pelo rei Davi, no Livro de Salmos: "É que o zelo de Vossa Casa Me consumiu..." Sl 68,10
    Outra vez aqui: "Que alegria quando vieram dizer-me: 'Vamos subir à Casa do Senhor...'" Sl 121,1
    Com efeito, era o que ele dizia sobre o apropriado lugar para a anunciação da Palavra do Senhor: "Anunciarei Teu Nome a meus irmãos, em meio à assembleia cantarei Teus louvores." Sl 21,23
    Outro sagrado autor cantou mais: "Cumprirei meus votos para com o Senhor em presença de todo Seu povo, nos átrios da Casa do Senhor..." Sl 116,8-9a
    E ainda: "Aleluia! Louvai o Senhor em Seu Santuário..." Sl 150,1a
    Porque a promessa da Vinda do Divino Paráclito, que se vinculava ao Sacrifício Pascal, tinha lugar específico para se cumprir. Deus disse no Livro do Profeta Zacarias: "Derramarei um Espírito de Graça e oração sobre a Casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim. Quanto Àquele que transpassaram, chorarão por Ele como se chora pelo filho único. Amargamente vão chorá-Lo, como se chora por um primogênito." Zc 12,10
    Note-se, ademais, o que São Paulo diz sobre a estrita finalidade dos dons espirituais: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    Pois assim age o Santo Paráclito, e a Salvação através da Igreja Una é a vontade de Deus. Ele repete: "A cada um é dada a manifestação do Espírito para comum proveito." 1 Cor 12,7
    E se nos achamos tão religiosos em nossa fé e piedade, e até mais que aqueles que frequentam a Santa Missa, o Príncipe dos Apóstolos recomenda: "Como bons dispensadores das diversas Graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu..." 1 Pd 4,10
    São Paulo completa, sempre pedindo pelo serviço ao Senhor, cujo principal é nossa Santa Missa: "Temos diferentes dons, conforme a Graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom da profecia, exerça-o conforme a fé. Aquele que é chamado ao Ministério, dedique-se ao Ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine, o dom de exortar, que exorte. Aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade, aquele que preside, presida com zelo, aquele que exerce a Misericórdia, que o faça com afabilidade. Que vossa caridade não seja fingida. Aborrecei o mal, solidamente vos apegai ao bem. Mutuamente vos amai com terna e fraternal afeição. Adiantai-vos em honrar uns aos outros. Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,6-11
    E ele sempre tinha em foco, trabalhando na obra da Salvação, o que é mais importante: "... para que a assembleia receba edificação." 1 Cor 14,5
    Por isso, em detrimento do dom de línguas, exaltava o dom da profecia, que hoje equivale a exortação feita pelo Padre durante a homilia: "Empenhai-vos em procurar a caridade. Igualmente aspirais aos dons espirituais, mas sobretudo ao da profecia. Aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala misteriosas coisas, sob a ação do Espírito. Aquele, porém, que profetiza fala aos homens, para os edificar, os exortar e os consolar. Aquele que fala em línguas edifica a si mesmo, mas o que profetiza, edifica a assembleia." 1 Cor 14,1-4
    Ele estabeleceu claras regras para a manifestação desse dom: "Por isso, quem fala em línguas, peça em oração o dom de as interpretar. Se há quem fala em línguas, não falem senão dois ou três, quando muito, e cada um por sua vez. E haja alguém que interprete. Se não houver intérprete, fiquem calados na reunião, e falem consigo mesmos e com Deus." 1 Cor 14,13,27-28
    Na verdade, todos dons eram acolhidos, mas a finalidade era sempre a mesma: "Em suma, que dizer, irmãos? Quando vos reunis, quem dentre vós tem um cântico, um ensinamento, uma revelação, um discurso em línguas, uma interpretação a fazer... Que isto se faça de modo a edificar." 1 Cor 14,26
    Zelava por um verdadeiro culto a Deus e à Revelação, que é o amor à Verdade: "Se, porém, todos profetizarem, e aí entrar um infiel ou um simples homem, por todos ele é convencido, por todos ele é julgado. Os segredos de seu coração tornam-se manifestos. Então, prostrado com a face em terra, adorará a Deus e proclamará que Deus realmente está entre vós." 1 Cor 14,24-25
    E em nome desse objetivo maior, fazia restrições ao número de pregadores, quando as assembleias frequentemente eram concelebradas: "Quanto aos profetas, falem dois ou três, e os outros julguem. Se for feita uma revelação a algum dos assistentes, cale-se o primeiro. Todos, um após outro, podeis profetizar, para todos aprenderem e serem todos exortados." 1 Cor 14,29-31
    Além, claro, das restrições visando fidelidade ao Evangelho, sem transes, arrebatamentos ou supostas inspirações: "O espírito dos profetas deve estar-lhes submisso, porquanto Deus não é Deus de confusão, mas de Paz." 1 Cor 14,33
    Nosso Santo ainda tinha outras recomendações, mas nem tudo se fez por escrito: "As demais coisas, eu determinarei quando for ter convosco." 1 Cor 11,34b


GRANDE MISTÉRIO

    E a ação de graças sempre deve ser feita, a despeito da situação que vivamos, como o Apóstolo dos Gentios estimulava: "Não vos inquieteis com nada! Em todas circunstâncias apresentai a Deus vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças." Fl 4,6
    Instantemente o dizia: "Sede perseverantes, sede vigilantes na oração, acompanhada de ações de graças." Cl 4,2
    Aliás, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo pedia-a por todo ser humano, em específico pelas autoridades, porque é muito proveitoso para nossa religiosidade: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas e ações de graças por todos homens, pelos reis e por todos que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma calma e tranquila vida, com toda piedade e honestidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador, o Qual deseja que todos homens se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade." 1 Tm 2,1-4
    Se realmente amamos a Deus, pois, desde sempre devemos evitar os preconceitos e as diferenças entre nós, como ele corrigia os coríntios: "Em primeiro lugar, ouço dizer que, quando vossa assembleia se reúne, há desarmonias entre vós." 1 Cor 11,18
    Ora, Jesus pediu que nos adiantássemos em desfazer as intrigas, principalmente durante as celebrações: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do altar, e te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do altar e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão. Só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24
    E mais ainda devemos estar em Paz com Deus, ou seja, em reais condições de comungar, com os pecados devidamente confessados, perdoados e penitenciados. São Paulo diz: "Portanto, todo aquele que indignamente comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor, será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que O come e O bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação. Esta é a razão porque entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos. Se examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados." 1 Cor 11,27-31
    Ele reclama de falsas eucaristias: "E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber, ao mesmo tempo, o Cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar, ao mesmo tempo, da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios." 1 Cor 10,20b-21
    Porque só há uma única e verdadeira Santa Eucaristia, que é a celebrada pela Santa Igreja Católica, que é o Corpo Místico de Cristo: "Uma vez que há um único Pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só Corpo, porque todos nós comungamos do mesmo Pão." 1 Cor 10,17
    Ele, portanto, exorta: "Purificai-vos do velho fermento para que sejais nova massa, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, Nossa Páscoa, foi imolado. Celebremos, pois, a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães não fermentados, de pureza e de Verdade." 1 Cor 5,7-8
    E a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses explicita: "Esta é a vontade de Deus: vossa santificação! Que eviteis a impureza. Que cada um de vós saiba santa e honestamente possuir seu corpo, sem se deixar levar por desregradas paixões como os pagãos que não conhecem a Deus. E que, nesta matéria, ninguém oprima nem defraude a seu irmão, porque o Senhor faz Justiça de todas estas coisas, como já vos temos dito e asseverado." 1 Ts 4,3-6
    Falando sobre o monte Moriá, onde ficava a Tenda com a Arca da Aliança e seria construído o Templo de Jerusalém, Davi já versava: "Quem será digno de subir ao monte do Senhor? Ou de permanecer em Seu santo lugar? Aquele que tem limpas mãos e puro coração, cujo espírito não busca as vaidades nem perjura para enganar seu próximo. Este terá a bênção do Senhor, e a recompensa de Deus, Seu Salvador. Tal é a geração daqueles que O procuram, daqueles que buscam a face do Deus de Jacó." Sl 23,3-6
    Ora, essa era uma prática de purificação dos judeus ao tempo de Jesus, vista nos atos de seus principais quando Ele foi julgado por Pilatos: "Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa." Jo 18,28b
    Assim como nos atos de todo povo: "Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muita gente de todo país subia a Jerusalém antes da Páscoa para se purificar." Jo 11,55
    E São João Apóstolo indica a verdadeira Comunhão, que é a Comunhão dos Santos, e a verdadeira purificação: "A Boa Nova que d'Ele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Deus é Luz e n'Ele não há treva alguma. Se dizemos ter Comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos Comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,5-7
    Pois como São Paulo revelou, até mesmo altas ordens de anjos precisam contemplar o que acontece na Igreja Católica Apostólica Romana para entender a Divina Sabedoria que se manifesta no mundo: "Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, por meio da Igreja, a multiforme Sabedoria de Deus..." Ef 3,10
    Por isso, não tem dúvida quanto ao lugar onde devemos agradecer a Deus: "... a Ele seja dada Glória na Igreja..." Ef 3,21
    Porque foi para a Santa Missa que Deus nos reuniu em Cristo: "N'Ele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio d'Aquele que tudo realiza por um deliberado ato de Sua vontade, para servirmos à celebração de Sua Glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo." Ef 1,11-12
    E não poderia ser de outra forma, como se depreende do que este Santo frequentemente pregou, dizendo de tudo que Jesus fez, faz e sempre continuará fazendo pela Santa Igreja Católica: "... Cristo é a Cabeça da Igreja, que é Seu Corpo, da qual Ele é o Salvador. ... a Igreja é submissa a Cristo... Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela... Certamente, ninguém jamais aborreceu sua própria carne. Ao contrário, cada qual alimenta-a e trata-a, como Cristo faz a Sua Igreja... Grande mistério é este, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja." Ef 5,23-25.29.32
    Nosso comportamento dentro dela, portanto, assim como fazem os anjos, deve mesmo ser de perfeita contrição e adoração. É nela que encontramos e conhecemos a Verdade, que é o próprio Jesus (cf. Jo 14,6). São Paulo admoestava a São Timóteo: "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15
    Aí também está a importância do Padre, que representa Cristo. A Carta de São Tiago é taxativa quanto a quem devemos recorrer: "Chame os Sacerdotes da Igreja..." Tg 5,14
    São Paulo, de fato, reclamou de certas consultas: "No entanto, quando tendes contendas desse gênero, para juízes escolheis pessoas cuja opinião é tida como nada pela Igreja." 1 Cor 6,4
    Sem dúvida, dirigindo-Se às sete dioceses da Ásia, a cada uma delas Jesus vai repetir a mesma fórmula, deixando claro Quem fala em nossas paróquias: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." Ap 2,7.11.17.29;3,6.13.22
    Isso confirma Seu próprio dito, enquanto ensinava aos Apóstolos: "... se também se recusar a ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17
    Porque lhes havia garantido: "Quem vos ouve, a Mim ouve, e quem vos rejeita, a Mim rejeita. E quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou."Lc 10,16
    Falava mesmo da Eterna e Sã Doutrina, por Ele mesmo iniciada: "Se guardaram Minha Palavra, também hão de guardar a vossa." Jo 15,20b
    Desprezar a Santa Igreja, portanto, é no mínimo uma grande insensatez. São Paulo defende os ensinamentos de Jesus e os Sacerdotes de Deus: "Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos deu Seu Espírito Santo." 1 Ts 4,8
    Já vimos: "... Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela..." Ef 5,25
    Ora, a Igreja é de Jesus! É Ele Quem a edifica, como disse: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja." Mt 16,18a
    E Ele mesmo afirmou que ela é indefectível: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18b
    Quanto às doutrinas inventadas pelo ser humano, vai dizer: "Toda planta que Meu Pai celeste não plantou, será arrancada pela raiz." Mt 15,13
    O Catecismo da Igreja Católica limpidamente ensina: "Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorar, dia a dia, a graça de Deus." CIC § 1651
    Com efeito, é o primeiro Mandamento da Igreja: "Participar da Missa inteira nos domingos e outras festas de guarda, e abster-se de ocupações de trabalho." CIC § 2042
    A Santa Missa, por fim, é uma representação do ritual que acontece no Céu, revelado em Apocalipse e realizado por todas ordens de anjos, duas das mais altas delas em figuras de seres e anciãos. Isso terminantemente explica porque nosso culto deve ser solene e sério: "Estes seres tinham cada um seis asas cobertas de olhos por dentro e por fora. Não cessavam de clamar dia e noite: 'Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Dominador, Aquele-que-é, Aquele-que-era e Aquele-que-vem.' E cada vez que aqueles seres rendiam glória, honra e ação de graças Àquele que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro anciãos reverentemente se inclinavam diante d'Aquele que estava no trono... e depunham suas coroas diante do trono, dizendo: 'Tu és digno Senhor, Nosso Deus, de receber a honra, a glória e a majestade, porque criaste todas coisas, e por Tua vontade é que existem e foram criadas.' E todos anjos estavam ao redor do trono, dos anciãos e dos quatro seres. Prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: 'Amém, louvor, Glória, Sabedoria, ação de graças, honra, poder e força a Nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém.'" Ap 4,8-11;7,11-12
    O termo 'Missa' vem da exortação feita por Jesus antes de ascender aos Céus, quando disse: "Ide por todo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura." Mc 16,15
    Por isso, ao final das celebrações em latim, há séculos é feita uma análoga exortação: "Ite, missa est."
    Em Brasil, essa expressão foi adaptada para nossa já tradicional: "Ide em Paz e o Senhor vos acompanhe."
    O termo 'missa' do latim, portanto, representa o envio feito por Jesus. É o mesmo radical da palavra 'missio', que deu origem ao termo 'missão'. Assim, a literal tradução das palavras finais da Santa Missa em latim é: "Ide (anunciar), é missão."

    "Fazei de nós um sacrifício de louvor!"
    "Fazei de nós uma perfeita oferenda!"
    "Com Jesus oferecemos, ó Pai, nossa vida!"