sábado, 7 de novembro de 2026

Comunhão Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados

     O primeiro sábado de cada mês é dia de comungar em desagravo às ofensas feitas ao Imaculado Coração de Maria, como o próprio Jesus revelou à Beata Lúcia de Fátima e Nossa Senhora lhe pediu por ocasião da Promessa de Fátima.

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

A Comunhão dos Santos


    A Comunhão Eucarística, isto é, a participação no Sacramento da Eucaristia, Pão e Vinho que verdadeiramente são Corpo e Sangue de Cristo (cf. Jo 6,55), simboliza e realiza, além de nossa perfeita união com Deus, nossa vida em plena união com nossos irmãos em Cristo. Assim formamos a Santa Igreja Católica (cf. Ef 5,26; At 1,8), que se divide em três estratos: a Igreja Itinerante, os fiéis na Terra; a Igreja Santificante, as almas dos mortos no Purgatório; e a Igreja Glorificante, as almas daqueles que já estão nos Céus, contemplando a face de Deus junto a Seus anjos. No Evangelho Segundo São João, referindo-Se a essa Comunhão, Jesus anunciou o Santíssimo Sacramento na sinagoga de Cafarnaum, dia depois de multiplicar pães e peixes pela primeira vez: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue, permanece em Mim e Eu em si. Assim como o Pai, que Me enviou, vive, e Eu vivo pelo Pai, aquele que comer Minha Carne também viverá por Mim." Jo 6,56-57
    Pois foi pela Igreja Apostólica (cf. Jo 20,21) que Ele Se ofereceu em Sacrifício, para que pudéssemos comungar dos atributos de Deus: santidade, eternidade e divindade. Está na Carta de São Paulo aos Efésios: "Maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para a santificar, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a apresentar a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25-27
    E é isso que a Santa Madre Igreja (cf. Gl 4,26) é: a Comunhão dos Santos, que Nosso Senhor, essencial a todo ser humano e a toda boa obra, explicou como se dá: "Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na Videira. Assim vós tampouco podeis dar fruto se não permanecerdes em Mim. Eu sou a Videira, vós, os ramos. Quem permanecer em Mim e Eu em si, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em Mim, será lançado fora, como o ramo. Ele secará, e hão de o juntar e o lançar ao fogo, e queimar-se-á. Se permanecerdes em Mim, e Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo que quiserdes e vos será feito." Jo 15,4-7
    Por isso, a Primeira Carta de São João anunciava e pregava esta Unidade dos fiéis com os Apóstolos, Bispos, Presbíteros e Diáconos: "... o que vimos e ouvimos, nós anunciamo-vos, para que vós também tenhais Comunhão conosco. Ora, nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,3
    Para tanto, ele defende Sã Doutrina, acima por Jesus chamada de "Minhas palavras", que o Magistério da Igreja Católica transmite oralmente, pela Sagrada Tradição: "Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se permanecer em vós o que ouvistes desde o princípio, vós também permanecereis no Filho e no Pai." 1 Jo 2,24
    A Segunda Carta de São João reafirma-o: "Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na Doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na Doutrina, este possui o Pai e o Filho." 2 Jo 1,9
    Ele havia dito que essa Comunhão se nota pela obediência, que necessariamente se faz de humildade e submissão: "Quem observa Seus Mandamentos, permanece em Deus e Deus em si. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24
    Repetia-se em dizer a importância da Comunhão dos Santos, ou seja, entre todos fiéis, pelo Santíssimo Sacramento que nos redime (cf. Mt 26,28): "Se, porém, andamos na Luz como Ele (Deus) mesmo está na Luz, temos recíproca Comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,7
    Garantia, enfim, a santidade: "Todo aquele que em Si permanece, não peca..." 1 Jo 3,6a
    E Santos são os verdadeiros católicos, todos eles, não apenas os canonizados, isto é, aqueles que a Igreja Una (cf. Jo 17,23) com certeza afirma que já estão nos Céus. E sem dúvida, são muitos. Os seguidores da tradição de São Paulo exortam na Carta aos Hebreus: "Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Com perseverança corramos ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé, Jesus." Hb 12,1
    Assim também é o apontamento do Livro de Apocalipse de São João: "Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua. Conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de brancas vestes e palmas na mão, e bradavam em alta voz: 'A Salvação é obra de Nosso Deus, que está sentado no trono, e do Cordeiro.'" Ap 7,9-10
    Em suas últimas visões, de fato, ele não fala apenas de Mártires, mas de todos aqueles que resistem ao maligno império, entre tantos que houve e há, quando também menciona aqueles que estão no Purgatório, que para a perfeita purificação cumprem um perfeito período: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a besta ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma Nova Vida e com Cristo reinaram por mil anos. Os outros mortos não tornaram à vida até que se completassem os mil anos." Ap 20,4-5a
    É a eles, portanto, que enquanto Igreja de Deus (cf. 1 Cor 11,22) nós nos juntamos, como os discípulos de São Paulo revelaram: "Mas vós aproximaste-vos da montanha de Sião, da cidade do Deus Vivo, da Jerusalém Celestial, das miríades de anjos, da festiva assembleia dos primeiros inscritos no Livro dos Céus, e de Deus, Universal Juiz, e das almas dos justos que chegaram à perfeição, enfim, de Jesus, o Mediador da Nova Aliança, e do Sangue da aspersão, que fala com mais eloquência que o sangue de Abel." Hb 12,22-24
    Ora, falando à multidão em Jerusalém depois do Domingo de Ramos, Jesus disse de Sua Paixão e da universalidade de Sua Missão: "E quando Eu for levantado da terra, a Mim atrairei todos homens." Jo 12,32
    E depois da Santa Ceia, dizendo de Sua Ressurreição, Ele prometeu aos Apóstolos a percepção desta Comunhão: "Naquele dia, conhecereis que estou em Meu Pai, vós em Mim e Eu em vós." Jo 14,20
    Nesse sentido, a tradição paulina ensina, discorrendo sobre Deus e Jesus: "Aquele para Quem e por Quem todas coisas existem, desejando conduzir à Glória numerosos filhos, deliberou elevar à perfeição, pelo sofrimento, o Autor da Salvação deles, para que Santificador e santificados formem um só todo. Por isso, Jesus não hesita em os chamar de Seus irmãos..." Hb 2,10-11
    Como a própria representação da Unidade entre os cristãos, a verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt 16,18) sempre respirou a Comunhão. Com os Apóstolos, enquanto ainda era um pequeno grupo, todos fiéis reuniam-se num mesmo lugar para comungar dos Sacramentos, pois àquele tempo eram celebrados conjuntamente o Arrependimento, ou Confissão, o Batismo, a Unção dos Enfermos e a Ação de Graças através da Comunhão Eucarística. O Livro de Atos dos Apóstolos registrou, desde os dias subsequentes ao Pentecostes, o comportamento dos primeiros convertidos e os quatro constitutivos da Santa Missa, onde a Comunhão dos Santos não pode faltar: "Perseveravam eles na Doutrina dos Apóstolos, na fraterna Comunhão, na fração do Pão e nas orações." At 2,42
    Por isso, o Apóstolo dos Gentios (cf. Rm 11,13) frequentemente exorta à Comunhão da fé, pois não há como nos tornarmos Santa Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo (cf. Ef 1,22s), sem que vivamos essa Unidade: "A uns Ele constituiu Apóstolos, a outros, profetas, a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos santos em vista do Ministério, para a edificação do Corpo de Cristo, até que todos alcancemos a Unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Perfeito Homem, a estatura da plenitude de Cristo." Ef 4,11-13
    Os carismas, portanto, são dádivas para que claramente sirvamos à comunidade de fé, como lemos na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. A cada um é dada a manifestação do Espírito para comum proveito." 1 Cor 12,7
    E a finalidade última de nossas vocações é colaborar para a obra da Barca de São Pedro (cf. Lc 5,3; Jo 21,3), que, depois da Hóstia Consagrada, é a segunda representação do Corpo Místico de Cristo. Nestas suas palavras, portanto, vê-se que a ninguém foi dado dom do Espírito Santo algum para a atacar: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    Ele argumenta: "Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só Corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres. E todos fomos impregnados do mesmo Espírito." 1 Cor 12,12-13
    E a Carta de São Paulo aos Colossenses, falando de Jesus, denuncia aqueles que se rebelam e não percebem o Autor desta obra: o próprio Deus! "Ele é a Cabeça do Corpo, da Igreja. Desencaminham-se estas pessoas em suas próprias visões e, cheias do vão orgulho de seu materialista espírito, não se mantêm unidas à Cabeça, da qual todo o Corpo, pela união das junturas e articulações, se alimenta e cresce conforme um crescimento disposto por Deus." Cl 1,18;2,18b-19
    Assim, pela Pessoa de Jesus e pela ação do Santo Paráclito, a Igreja de Deus Vivo (cf. 1 Tm 3,15) é edificada, como ele disse aos cristãos da cidade de Éfeso: "Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos Santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e Profetas, tendo por Pedra Angular o próprio Cristo Jesus. É em Si que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um Templo Santo no Senhor. É em Si que vós também entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus." Ef 2,19-22
    Porque através do Sacramento do Batismo se inicia nossa nova vida espiritual, caminho a ser percorrido até o Dia da Ressurreição da Carne. Diz a Carta de São Paulo aos Filipenses: "Nós, porém, somos cidadãos dos Céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante a Seu Corpo Glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a Si toda criatura." Fl 3,20-21
    Quanto à caridade, que tem na comunhão espiritual sua primeira expressão, ser parte da Igreja fundada por Jesus (cf. Jo 21,15) é a realização maior do 'Amai-vos uns aos outros', que Ele estabeleceu como Seu Mandamento (cf. Jo 15,12). A Carta de São Paulo os Romanos assim explica essa Unidade que formamos em Cristo: "Nenhum de nós vive para si, e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor. Se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos quer morramos, pertencemos ao Senhor." Rm 14,7-8
    Com absoluta pertinência, este Apóstolo via-nos como partes uns dos outros: "... para que não haja dissensões no Corpo, e que os membros tenham o mesmo cuidado uns para com os outros. Se um membro sofre, consigo padecem todos membros, e se um membro é tratado com carinho, por ele se congratulam todos outros. Ora, vós sois o Corpo de Cristo, e cada um, de sua parte, é um de seus membros." 1 Cor 12,25-27
    E assim, desde os primeiros anos, até as propriedades eram partilhadas entre os fiéis. Era a comunhão de bens, que mais tarde foi adotada pelas leis civis que regulam o que para nós é o Sacramento do Matrimônio. São Lucas anotou: "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo era comum entre eles." At 4,32
    Os próprios Apóstolos, portanto, viviam em profunda Comunhão entre si, e davam exemplo, como a Carta de São Paulo aos Gálatas atesta: "Reconhecendo a Graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, considerados as colunas da Igreja, deram-nos a mão, a mim e a Barnabé, como sinal de nossa recíproca Comunhão. Assim ficou confirmado que nós iríamos aos pagãos, e eles, aos judeus." Gl 2,9
    Ora, São Paulo combatia dissensões dentro da Igreja Católica, como vemos nas palavras que endereçou aos cristãos da cidade de Corinto: "Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à Comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor. Rogo-vos, irmãos, em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que entre vós não haja divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo Espírito e no mesmo sentimento." 1 Cor 1,9-10
    Bem claro tinha qual é o projeto do Pai, dizendo da Igreja Glorificante e da Igreja Itinerante: "Ele manifestou-nos o misterioso desígnio de Sua vontade, que em Sua benevolência desde sempre formara, para o realizar na plenitude dos tempos, desígnio de em Cristo reunir todas coisas: as que estão nos Céus e as que estão na Terra." Ef 1,9-10
    Particularmente pedia pela fiel e total observância da Palavra de Deus (cf. Mt 28,20) para dirimir diferenças, como escreve a igreja da cidade de Colossos: "A Palavra de Cristo permaneça entre vós em toda sua riqueza, de sorte que possais mutuamente vos instruir e vos exortar com toda Sabedoria." Cl 3,16a
    E São João Apóstolo pede perseverança, garantindo a remissão dos pecados pela Paixão de Cristo (cf. Mt 26,28): "Quanto a vós, a Unção que de Si recebestes permanece em vós. E agora, filhinhos, permanecei em Si, para que, quando Ele aparecer, tenhamos confiança e não sejamos confundidos por estarmos longe de Si, em Sua Vinda." 1 Jo 2,27a.28
    Diz da permanência do próprio Deus em nós, que possibilita a Comunhão dos Santos, pois Ele é sua essência: "Quem conhece a Deus, ouve-nos. Quem não é de Deus, não nos ouve. É nisto que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro. Se mutuamente nos amarmos, Deus permanece em nós e Seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos em Si e Ele em nós: por Ele nos ter dado Seu Espírito." 1 Jo 4,6.12b-13
    Por isso, afirma: "Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus em si." 1 Jo 4,16
    De fato, essa foi a promessa de Jesus nos últimos diálogos com os Apóstolos: "Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra e Meu Pai amá-lo-á. E Nós viremos a si e em si faremos Nossa morada." Jo 14,23
    O Apóstolo dos Gentios, pois, atestou o cumprimento desta promessa: "... é Cristo que vive em mim." Gl 2,20b
    São João Evangelista até ia mais longe, estabelecendo uma prova: "É assim que conhecemos se estamos em Si: aquele que em Si afirma permanecer, também deve viver como Ele viveu." 1 Jo 2,5a-6
    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo também defendia essa impreterível união através da Santa Missa: "... com empenho busca a Justiça, a fé, o amor, a Paz, em companhia daqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22b
    E lembrando a iminência seja do Juízo Particular, seja do Final, seus discípulos defendiam nosso culto dominical (cf. At 20,7) e não viam perdão para os inveterados dissidentes: "Não abandonemos nossa assembleia, como é costume de alguns, mas mutuamente nos admoestemos, e tanto mais quando vedes aproximar-se o Grande Dia. Depois de termos recebido e conhecido a Verdade, se voluntariamente a abandonarmos, já não haverá sacrifício para expiar este pecado. Só teremos que esperar um tremendo Juízo e o ardente fogo, que há de devorar os rebeldes." Hb 10,25-27
    O próprio São Paulo, em condenação a todo dissenso, pede constante renovação e santidade: "Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas frívolas ideias. Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-nos afastados da Vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à apaixonada prática de toda espécie de impureza. Renovai sem cessar o sentimento de vossa alma, e revesti-vos do novo homem, criado à imagem de Deus, na verdadeira Justiça e santidade." Ef 4,17-19.23-24
    Sobre os irmãos fiéis, ele recomenda: "Nós, que somos os fortes, devemos suportar as fraquezas daqueles que são fracos, e não agir a nosso modo. Cada um de vós procure contentar o próximo, para seu bem e sua edificação." Rm 15,1-2
    De fato, essa é a marca da Igreja Viva, como Jesus mesmo afirmou depois de anunciar Seu Mandamento, de nos amar uns aos outros: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
    E assim prometeu aos Apóstolos, bem como aos Bispos que os sucedem, ser o Elo desta união, desde que realmente estejam reunidos em Seu Nome, quer dizer, cumprindo tudo que Ele ordenou (cf. Mt 28,20). Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Ainda vos digo isto: se dois de vós se unirem sobre a Terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de Meu Pai que está nos Céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em Meu Nome, aí estou Eu em meio a eles." Mt 18,19-20
    Ora, a Carta de São Tiago, ao falar do Sacramento da Unção dos Enfermos, não por acaso recomenda que apenas os Sacerdotes da Igreja sejam chamados para o ministrar: "Está alguém enfermo? Chame os Sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em Nome do Senhor." Tg 5,14
    No mesmo sentido, São Paulo veementemente repudia que os membros da Igreja Apostólica se deixem instruir por pessoas estranhas: "No entanto, quando tendes contendas desse gênero, escolheis para juízes pessoas cuja opinião é tida em nada pela Igreja." 1 Cor 6,4
    Ele sabia que essa Unidade é obra do Espírito de Deus, e por isso cunhou a frase que nossos Sacerdotes repetem no início da Santa Missa. É da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13
    E que Cristo, Autor da fé (cf. Hb 12,1), jamais abandona Sua Igreja, Ele mesmo garantiu pouco antes de Sua Ascensão: "Eis que convosco estou todos dias, até o consumação dos séculos.'" Mt 28,20b
    São Paulo testemunhou como e porquê Ele Se faz presente: "Certamente, ninguém jamais aborreceu sua própria carne. Ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz a Sua Igreja, porque somos membros de Seu Corpo. Ef 5,29-30
    Assim também o Espírito Santo e igualmente por promessa de Jesus, quando começou a Se despedir dos Apóstolos: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16
    É na Comunhão do Espírito Santo, portanto, que intercedemos uns pelos outros. A Igreja Glorificante, que já vê Deus face a face, não mais precisa de intercessão. Mas nós, que ainda estamos aqui, e as almas que estão purificando-se no Purgatório, precisamos da intercessão uns dos outros e da dos Santos, os canonizados e os que já se purificaram e chegaram aos Céus. Por isso, São Paulo rezava apontando os diferentes estágios da família de Deus: "Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao Qual deve sua existência toda família no Céu e na Terra..." Ef 3,14-15
    E a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo recomendava essa atitude como larga e abrangente prática de piedade: "Antes de tudo, peço que se façam súplicas, orações, intercessões, ação de graças, por todas pessoas..." 1 Tm 2,1
    De forma especial, porém, havia pedido pelos irmãos em Cristo: "Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos homens, mas particularmente aos irmãos na fé." Gl 6,10


IGREJA ITINERANTE, SANTIFICANTE E GLORIFICANTE

    Aliás, com frequência ele se referia à Igreja Itinerante como os 'santos', termo hoje restrito ao Papa e aos canonizados: "Com toda sorte de preces e súplicas, constantemente rezai no Espírito. Prestai vigilante atenção neste ponto, intercedendo por todos santos." Ef 6,18
    Sabia que grandes Graças são alcançadas pelas intercessões: "... com a ajuda de vossas preces em nossa intenção. Assim, a Graça que alcançarmos pela intercessão de tantas pessoas será, para essas pessoas, motivo de ação de graças a nosso respeito." 2 Cor 1,11
    Porque está é nossa condição enquanto verdadeira Igreja de Cristo: trabalhar na obra da Salvação das almas, estando neste mundo ou estando no Purgatório: "Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto ao Senhor. É também por isso que, vivos ou mortos, nos esforçamos por Lhe agradar." 2 Cor 8-9
    E assim, fica a bela e reconfortante lembrança da Oração da Unidade feita por Jesus momentos antes do início de Sua Paixão, pedindo ao Pai que a Igreja Católica sempre esteja onde Ele estiver. É lá, junto a Ele, que estão os Santos canonizados, mas também os não canonizados, cuja história só Deus e mais próximas pessoas conheceram, assim como aqueles que já foram purificados no Purgatório. Eles 'não cessam de interceder por nós': "Pai, aqueles que Tu Me deste, quero que estejam Comigo, onde Eu estiver, para que contemplem a Glória que Me deste, pois Me amaste antes da criação do mundo." Jo 17,24
    Nós podemos confirmar o sucesso dessa oração de Jesus, bem como o reinado dos Santos, todos eles membros da Igreja Católica Apostólica Romana (cf. Ap 1,6), por causa da visão do cântico dos quatro seres e dos vinte e quatro anciãos (todos anjos das mais altas ordens!) ao Cordeiro de Deus, ou seja, a Nosso Senhor Jesus Cristo, anotada pelo Amado Discípulo (cf. Jo 13,23) em Apocalipse: "Tu és digno de receber o Livro e de lhe abrir os selos, porque foste imolado, e com Teu Sangue adquiriste para Deus gente de toda tribo, língua, povo e nação. Deles fizeste para Nosso Deus um Reino de Sacerdotes. E eles reinarão sobre a Terra." Ap 5,9-10
    Ou seja, os Santos já estão reinando sobre este mundo pelo trono e pelo poder de julgar que recebeeram, como vimos, pois nos Céus não haverá pagãos, e Jesus havia prometido nas primeiras destas revelações: "Então ao vencedor, àquele que praticar Minhas obras até o fim, lhe darei poder sobre as pagãs nações. Ele regê-las-á com cetro de ferro, como se quebra um vaso de argila, assim como Eu mesmo recebi o poder de Meu Pai." Ap 2,26-28a
    Citando a Comunhão da Santíssima Trindade, Ele mesmo disse, ainda durante a despedida dos Apóstolos, como acontecia a intercessão feita pelos Santos, quando começou a Se despedir dos Apóstolos após a Santa Ceia. Seus pedidos são feitos ao Pai, em Seu Nome, e pelo próprio Pai são atendidos: "Nesse dia, pedireis em Meu Nome e já não digo que rogarei ao Pai por vós. Pois o próprio Pai vos ama, porque vós Me amastes e crestes que saí de Deus." Jo 16,26-27
    E como Aquele que veio reunir até as ovelhas perdidas (cf. Lc 15,4), não se pode duvidar do sucesso de Sua Missão. Referindo-Se aos pagãos estavam para ser convertidos por Seus Sacerdotes para serem a Igreja Católica, uma só em toda Terra, Ele abertamente disse aos fariseus na Cidade Santa: "Eu sou o Bom Pastor. Conheço Minhas ovelhas e Minhas ovelhas conhecem a Mim, como Meu Pai Me conhece e Eu conheço o Pai. Dou Minha Vida por Minhas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. Também preciso conduzi-las. Ouvirão Minha voz, e haverá um só rebanho e um só Pastor." Jo 10,14-16
    Porque, para que se realize a Comunhão dos Santos, como grande sinal Ele derramou Sua Glória sobre a Igreja Una, que é prova de Sua passagem entre nós e do amor que o Pai nos tem. É parte de Sua Oração da Unidade: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade, e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23


    O Catecismo da Igreja Católica ensina:
    "Na Comunhão dos Santos, 'entre os fiéis já admitidos na posse da celeste pátria, aqueles que expiam as faltas no Purgatório e aqueles que ainda peregrinam na Terra, certamente existe um laço de caridade e um amplo intercâmbio de todos bens (São Paulo VI, Indulgentiarum Doctrina).' Neste admirável intercâmbio, cada um beneficia-se da santidade dos outros, para muito além do prejuízo que o pecado de um possa ter causado aos outros. Assim, o recurso à Comunhão dos Santos permite ao contrito pecador ser purificado, mais cedo e mais eficazmente, das penas do pecado (Cf. 1 Jo 1,7).
    Esses bens espirituais da Comunhão dos Santos também são chamados o tesouro da Igreja, 'que não é uma soma de bens, comparáveis às materiais riquezas acumuladas no decorrer dos séculos, mas é o infinito e inesgotável valor que junto a Deus têm as expiações e os méritos de Cristo, Nosso Senhor, oferecidos para que toda humanidade seja libertada do pecado e chegue à Comunhão com o Pai. É em Cristo, Nosso Redentor, que em abundância se encontram as satisfações e os méritos de Sua Redenção (Cf. Hb 9,11-28;7,23-25).'" CIC § 1475-1476

    E durante a Santa Missa ou em oração, nós rezamos na segunda parte do Credo:
    "Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na Ressurreição da Carne, na Vida Eterna, Amém."

    "A todos saciai com Vossa Glória!"