sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

Jesus: Repouso de Nossas Almas


    Descrente que o mundo está da vida espiritual, até religiosos se esquecem que Jesus não nos prometeu conforto material nessa vida, mas consolação espiritual. Ele propôs à multidão, no Evangelho Segundo São Mateus: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração, e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29
    É a mesma obra de Deus Pai, como se vê na saudação da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das Misericórdias, Deus de toda consolação..." 2 Cor 1,3
    E Ele tem uma evidente preferência: "Deus, porém, que consola os humildes..." 2 Cor 7,6
    Essa também é uma das principais funções de Sua Palavra, que nos proporciona uma das três teologais virtudes, nos termos da Carta de São Paulo aos Romanos: "... e pela consolação que dão as Escrituras, tenhamos esperança." Rm 15,4
    Mas, claro, não se trata de uma simples consolação. Ela é sobrenatural, começa neste mundo e valerá para a eternidade, conforme a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, Nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação..." 2 Ts 2,16
    Como prefigura de nosso repouso em Cristo, a Terra Santa, prometida a Abraão, foi citada por Deus como "Seu descanso" durante o Êxodo, quando Moisés guiava o povo pelo deserto. Os seguidores da tradição de São Paulo argumentam, na Carta aos Hebreus, desde então defendendo a Sã Doutrina, recitando o sagrado autor no Livro de Salmos: "Porque nos tornamos companheiros de Cristo, mas sob a condição de, até o fim, firme conservarmos nossa fé dos primeiros dias, enquanto se nos diz: 'Hoje, se ouvirdes Sua voz, não endureçais vossos corações como aconteceu no tempo da provação. (Sl 94,7)' E quais foram aqueles que se revoltaram contra o Senhor depois de terem ouvido Sua voz? E a quem jurou o Senhor que não entrariam em Seu descanso, senão a estes rebeldes?" Hb 3,14-16a.18
    Esse repouso, portanto, é parte da Nova e Eterna Aliança (cf. Mt 26,28), já oferecida aos israelitas ao tempo de Moisés: "A Boa Nova foi trazida a nós como foi a eles. ... Deus, após muitos anos, por meio de Davi estabelece um novo dia, um hoje, ao pronunciar as  mencionadas palavras: 'Hoje, se ouvirdes Sua voz, não endureçais vossos corações...' Por isso, resta um sabático repouso para o povo de Deus. E quem entrar nesse repouso descansará de suas obras, assim como Deus descansou das Suas. Apressemo-nos, pois, a entrar neste descanso para não cairmos, por nossa vez, na mesma incredulidade." Hb 4,1-2a.7.9-11
    Ele foi previsto no Livro do Profeta Sofonias como dádiva à Santa Igreja Católica (cf. At 1,8), ou seja, àqueles que praticam tudo que Nosso Salvador ordenou (cf. Mt 28,20): "Aqueles que restarem de Israel, abster-se-ão do Mal e não proferirão a mentira. Em sua boca não mais se achará enganosa língua, porque serão apascentados e repousarão sem haver quem os inquiete." Sf 3,13
    Pois Deus mesmo, falando no Livro do Profeta Ezequiel, prometeu o que cumpriria na Pessoa de Cristo Jesus: “Sou Eu que apascentarei Minhas ovelhas, sou Eu que as farei repousar." Ez 34,15a
    O Livro de Eclesiástico, de fato, já apontava esse grande dom, em comparação à própria caridade: "Filho, realiza teus trabalhos com mansidão, e serás mais amado que um generoso homem." Eclo 3,19
    No Sermão da Montanha, ademais, Nosso Senhor revelou a grande benesse de quem preserva essa Graça, dizendo da nova Terra (cf. 2 Pd 3,13): "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra!" Mt 5,5
    E como era Sua Missão, garantiu consolação: "Bem-aventurados aqueles que choram, porque serão consolados!" Mt 5,4
    Foi isso que Ele determinou a São Pedro depois de ressuscitar, confiando-lhe de cordeiros a ovelhas, isto é, de fiéis a Sacerdotes, todo Seu rebanho, que é a Igreja Una (Jo 17,23), em distintas designações no Evangelho Segundo São João: "Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,15b.17b
    Ora, como Sofonias havia percebido, só os humildes realmente buscam o Pai: "Procurai o Senhor, todos pobres da Terra. Vós que obedeceis a Seus Mandamentos, procurai a Justiça, procurai a pobreza. Talvez assim acheis refúgio no Dia da ira do Senhor." Sf 2,3
    Pois o Divino Espírito, que por Adoção nos faz filhos de Deus (cf. Rm 8,15), nos retira a Comunhão quando escolhemos o pecado, como o Livro de Sabedoria ensina: "... o Espírito Santo Educador das almas fugirá da infidelidade, afastar-Se-á dos insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,5
    De fato, Sua função é exatamente inversa. Ele é o "... Espírito de Santidade... " Rm 1,4
    Porque a verdade é que a vida está em nossas almas, não em nossa carne. Foi o que Jesus disse, referindo-Se ao Sopro da Vida (cf. Gn 2,7), que é o próprio Santo Paráclito, após oferecer Seu Corpo e Seu Sangue como alimentos da Vida eterna: "O Espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que Eu vos disse são Espírito e Vida." Jo 6,63
    Assim foi que São Paulo atestou a Ressurreição, por ele mesmo realizada, de um cristão de Trôade que havia caído do terceiro andar durante sua pregação. É do Livro de Atos dos Apóstolos: "Paulo desceu, debruçou-se sobre ele, tomou-o nos braços e disse: 'Não vos perturbeis, porque sua alma está em si.'" At 20,10
    Episódio idêntico à ressurreição do filho da viúva de Sarepta de Sidon, realizado pelo Profeta Elias. O Primeiro Livro de Reis registrou: "Estendeu-se, em seguida, sobre o menino por três vezes, de novo invocando o Senhor: 'Senhor, Meu Deus, rogo-vos que a alma deste menino volte a si.' O Senhor ouviu a oração de Elias: a alma do menino voltou a si, e ele recuperou a vida." 1 Rs 17,21-22
    Por isso, Jesus afirma a imortalidade da alma, a existência além da carne ao convocar os Apóstolos, preparando-os para verdadeiros martírios, como viria a acontecer. Aí igualmente aprendemos que os condenados ao inferno também ressuscitarão: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28
    Nesse sentido, os discípulos de São Paulo usam um expressivo título de Deus: "Aliás, na Terra temos nossos pais que nos corrigem e, no entanto, os olhamos com respeito. Com quanto mais razão havemos de nos submeter ao Pai de nossas almas, o Qual nos dará a Vida?" Hb 12,9
    Assim foi que Nossa Senhora louvou a Deus em seu canto, o Magnificat, apontado no Evangelho Segundo São Lucas: "E Maria disse: 'Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, Meu Salvador, porque olhou para Sua pobre serva. Por isto, desde agora, todas gerações proclamá-me-ão bem-aventurada, porque em meu favor realizou maravilhas Aquele que é poderoso, e Cujo Nome é Santo.'" Lc 1,46-49
    E ao falar sobre Salvação, a Carta de São Tiago exclusivamente se refere às almas: "Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia, e recebei com mansidão a Palavra em vós semeada, que pode salvar vossas almas." Tg 1,21
    A Primeira Carta de São Pedro diz o mesmo: "Este Jesus, vós amai-Lo sem O terdes visto. Em Si credes ainda sem O verdes, e isto é para vós a fonte de uma inefável e gloriosa alegria. Porque vós estais certos de obter, ao preço de vossa fé, a Salvação de vossas almas." 1 Pd 1,8-9
    Em extremo caso, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, chega a recomendar a excomunhão de um incestuoso cristão, para que padeça sob o poder do inimigo, e justamente em tentativa de lhe salvar a alma: "... seja esse homem entregue a Satanás para mortificação de seu corpo, a fim de que sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,5
    Afinal, Jesus é Nosso Pastor, mas principalmente Pastor das necessidades de nossas almas, como nosso Primeiro Papa (cf. Jo 21,15s) diz àqueles que eram criados, recomendando-lhes obediência a seus senhores, bons ou maus: "Porque éreis como desgarradas ovelhas, mas agora retornastes ao Pastor e Guarda de vossas almas." 1 Pd 2,25
    Um salmista já dizia que Deus cuida dos espirituais anseios de quem Lhe é submisso: "O Senhor ama aqueles que detestam o mal, vela pelas almas de Seus servos, e livra-os das mãos dos ímpios." Sl 96,10
    E, a bem da verdade, devemos estar atentos à suposta prosperidade de algumas pessoas, pois não é Deus que promove sucesso meramente material, nem corresponde às ambições dos ímpios, como o levita e Profeta Asaf percebeu, depois de se contrariar: "... vendo o bem-estar dos maus: não existe sofrimento para eles, seus corpos são robustos e sadios. Dos sofrimentos dos mortais não participam, não são atormentados como os outros homens. Eles adornam-se com um colar de orgulho, e cobrem-se com um manto de arrogância. Da gordura que os incha, sai a iniquidade, e transborda a temeridade. Zombam e falam com malícia, altivamente discursam em tom ameaçador. Com seus propósitos afrontam o Céu, e suas línguas ferem toda Terra. Reflito para compreender este problema, muito penosa pareceu-me esta tarefa, até o momento em que entrei em Vosso Santuário e me dei conta da sorte que os espera. Sim, vós colocai-los num escorregadio terreno, à ruína Vós conduzi-los." Sl 72,3b-9.16-18
    Com efeito, assim foi o testemunho dado pelo cego de nascença curado por Jesus em Jerusalém: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto, e faz Sua vontade." Jo 9,31
    Por isso, devemos conhecer a Tradição Oral, conhecida como a Sagrada Tradição, que é a verdadeira Doutrina de Cristo, e afastar-nos dos falsos mestres e dos amantes do dinheiro. A Carta de São Paulo a São Tito prescreveu a conduta de nossos Sacerdotes, e especificamente dos Bispos: "Ao contrário, seja hospitaleiro, amigo do bem, prudente, justo, piedoso, continente, firmemente apegado à Doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a Sã Doutrina e rebater aqueles que a contradizem. Com efeito, há muitos insubmissos, charlatães e sedutores, principalmente entre aqueles da circuncisão. É necessário tapar-lhes a boca, porque transtornam inteiras famílias ensinando o que não convém, e isso por vil espírito de lucro." Tt 1,8,11


A SANTIFICAÇÃO DA ALMA

    Antiga revelação, como um amigo no Livro de Jó alertava, Deus sempre Se faz presente para nos salvar primeiro a alma, e para tanto, ocasionalmente, também a vida terrena: "Pois Deus fala de uma maneira e de outra, e não prestas atenção. Por meio dos sonhos, de noturnas visões, quando um profundo sono pesa sobre os humanos, enquanto o homem está adormecido em seu leito, então abre seu ouvido e o assusta com Suas aparições, a fim de o desviar do pecado e o preservar do orgulho, para lhe salvar a alma do fosso, e sua vida, da mortífera seta." Jó 33,14-18
    De fato, bem antes do Advento do Salvador já éramos informados de que Deus nos afasta das verdadeiras tribulações: as espirituais. O que é muito pertinente, pois é em nossas almas que padecemos os maiores tormentos, como o sagrado autor cantou as reações dos israelitas diante de aparentes desastres naturais: "... suas almas definhavam em angústias." Sl 106,26
    E falando pelo próprio Cristo, que Se dirigia ao Pai, bem como de Seu projeto, o rei Davi versou: "Por isso, Meu Coração alegra-se e Minha Alma exulta. Até Meu Corpo descansará seguro, porque Vós não abandonareis Minha Alma na habitação dos mortos, nem permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção. Vós ensiná-Me-eis o Caminho da Vida, há abundância de alegria junto a Vós, e eternas delícias a Vossa direita." Sl 15,9-11
    Mas é claro que a santificação da alma passa pela santificação do corpo, como a a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses exortou: "Esta é a vontade de Deus: vossa santificação! Que eviteis a impureza. Que cada um de vós saiba santa e honestamente possuir seu corpo, sem se deixar levar por desregradas paixões como os pagãos que não conhecem a Deus..." 1 Ts 4,3-5
    Ele rezou pensando na Parusia: "O Deus da Paz conceda-vos perfeita santidade. Que todo vosso ser, a saber, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo!" 1 Ts 5,23
    Disse algo parecido aos coríntios: "Depositários de tais promessas, caríssimos, purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, plenamente realizando nossa santificação no temor a Deus." 2 Cor 7,1
    Ordenou aos católicos romanos: "... como pusestes, pois, vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniquidade, agora ponde vossos membros a serviço da Justiça para chegar à santidade." Rm 6,19b
    E o Eclesiástico havia ensinado e recomendado: "A saúde da alma na santidade e na Justiça vale mais que o ouro e a prata. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus e sê firme. Concentra teu coração na santidade..." Eclo 30,15a.24a
    Sem dúvida, essa foi a razão da Paixão de Cristo. Os seguidores do Apóstolo dos Gentios atestaram: "Por uma só Oblação, Ele realizou a definitiva perfeição daqueles que recebem a santificação." Hb 7,10,14
    Porque a santificação é mais um dom de Deus, como se lê na Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo: "Deus salvou-nos e chamou-nos para a santidade, não em atenção a nossas obras, mas em virtude de Seu desígnio, da Graça que desde a eternidade nos destinou em Cristo Jesus... " 2 Tm 1,9
    Assim, para os verdaeiros cristãos, os sofrimentos causados por mundanas forças não devem ser razão de grande tristeza. Ao contrário, são motivos da verdadeira alegria, sinal de que estamos no caminho certo, como aconteceu com os Doze ao serem presos pelos líderes judeus em Jerusalém, depois do Pentecostes: "Chamaram os Apóstolos e mandaram açoitá-los. Ordenaram-lhes, então, que não mais pregassem em Nome de Jesus, e soltaram-nos. Eles saíram da sala do sinédrio cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo Nome de Jesus." At 5,40-41
    Por isso, São Pedro recomenda que confiantemente entreguemos nossas almas nas mãos de Deus: "Assim aqueles que sofrem segundo a vontade de Deus, também encomendem suas almas ao Fiel Criador, praticando o bem." 1 Pd 4,19
    Esse, de fato, é o Caminho da Salvação, pelo qual São Paulo, junto a Todos os Santos, foram ainda mais além: tal qual Jesus, entregou-se por completo em sacrifício pelas almas de seus semelhantes. Ele escreveu aos cristãos da cidade de Corinto: "De muito boa vontade darei o que é meu, e dar-me-ei a mim mesmo por vossas almas, ainda que, mais vos amando, menos seja amado por vós." 2 Cor 12,15
    A Primeira Carta de São João pregava-o: "Nisto temos conhecido o amor: Ele (Jesus) deu Sua vida por nós. Nós também devemos dar nossa vida por nossos irmãos." 1 Jo 3,16
    E aproximar-se de Deus também é aproximar-se das santas almas, é entrar na Comunhão dos Santos. Dizendo da concretização da Igreja Apostólica nos Céus, os discípulos de São Paulo ensinam: "Vós, ao contrário, aproximaste-vos da montanha de Sião, da cidade do Deus Vivo, da Celestial Jerusalém, das miríades de anjos, da festiva assembleia dos primeiros inscritos no Livro dos Céus, e de Deus, Universal Juiz, e das almas dos justos que chegaram à perfeição, enfim, de Jesus, o Mediador da Nova Aliança, e do Sangue da aspersão, que com mais eloquência fala que o sangue de Abel." Hb 12, 22-24
    Ora, as almas dos Santos já estão diante de Deus e a Si intercedem, obviamente também por nós, como o Livro de Apocalipse de São João apontou: "... debaixo do altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer Justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?'" Ap 6,9b-10
    Portanto, os Santos, colunas da Igreja Católica Apostólica Romana (cf. Ap 1,6), já estão nos Céus, embora ainda não em corpo, e evidentemente reinando e julgando: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus..." Ap 20,4
    Poderes esses que estão em vigor já neste mundo, como Nosso Senhor mesmo prometeu, porque após o Juízo Final não haverá pagãs nações: "Então, ao vencedor, àquele que praticar Minhas obras até o fim, dá-lhe-ei poder sobre as pagãs nações. Ele regê-las-á com cetro de ferro, como se quebra um vaso de argila..." Ap 2,26-27
    Por tão grande responsabilidade, os Sacerdotes da Igreja de Deus Vivo (cf. 1 Tm 3,15), além de nossa confiança, merecem nosso mais profundo respeito e gratidão, conforme os seguidores de São Paulo: "Sede submissos e obedecei àqueles que vos guiam, pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta." Hb 13,17
    Ora, o próprio São Paulo havia pedido bem mais: "Suplicamo-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para vos dirigir no Senhor e vos admoestar. Tende para com eles singular amor, em vista do encargo que exercem. Conservai a Paz entre vós." 1 Ts 5,12-13
    Afirmativamente, nossos Bispos, Padres e Diáconos são representantes de Deus, que de Si recebem e nos comunicam a Divina Sabedoria: "Ela derrama-se de geração em geração nas santas almas e forma os amigos e os intérpretes de Deus, porque Deus só ama quem vive com a Sabedoria!" Sb 7,27-28
    Com efeito, após o Sacramento da Ordenação, os dons e o Ministério que eles recebem não podem ser maculados por próprias suas condutas, e assim os Sacramentos que ministram valem para a eternidade, pois São Paulo revelou: "Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis." Rm 11,29
    O próprio Jesus, em diálogo com os Apóstolos após a Santa Ceia, garantiu que suas obras, das quais as principais são os Sacramentos, são perpétuas: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a
    E Ele continua escolhendo Seus Sacerdotes através da Santa Madre Igreja (cf. Gl 4,26), que age em colegiado e em Seu Nome, como prometeu aos Apóstolos, e não a qualquer um: "Na Verdade, digo-vos: tudo que ligardes n Terra será ligado no Céu, e tudo que desligardes na Terra também será desligado no Céu. Ainda vos digo isto: se dois de vós se unirem na Terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de Meu Pai que está nos Céus. Porque onde dois ou três estiverem reunidos em Meu Nome, aí estou Eu em meio a eles." Mt 18,18-20
    Com efeito, Deus já havia prometido Sua Paz ainda no Livro do Profeta Jeremias, dizendo de Suas ovelhas, de Seus Sacerdotes e de Cristo: "'Escolherei para elas pastores que as apascentarão, de sorte que não tenham receios nem temores, e já nenhuma delas se extravie', Oráculo do Senhor. 'Dias virão', Oráculo do Senhor, 'em que farei brotar de Davi um Justo Rebento, que será Rei e governará com Sabedoria, e exercerá na Terra o direito e a equidade." Jr 23,4-5
    Por isso, São Paulo até questiona: "Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus Quem os justifica." Rm 8,33
    Devemos, portanto, acolher o Magistério da Igreja Católica e confiar. E por mais difícil que seja de entender, em hipótese alguma podemos entregar-nos ao pecado. A sagrada Sabedoria já rexonhecia: "Na Verdade, grandes e impenetráveis são Vossos juízos, Senhor! Por isso, grosseiras almas caíram no erro." Sb 17,1
    Jamais podemos perder-nos pelos caminhos dos insensatos: "... eles desconhecem os segredos de Deus, não esperam que a santidade seja recompensada, e não acreditam na glorificação das puras almas." Sb 2,22
    Porque é exatamente isso que pedimos no Pai Nosso: "... e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do Mal." Mt 6,13
    Perfeitamente ciente dos perigos da manifestação do Maligno, a Carta de São Paulo aos Gálatas deixou-nos essa advertência: "Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que também não caias em tentação!" Gl 6,1
    Devemos buscar, pelas virtudes que o Espírito de Deus nos concede, a Divina Luz. Pois, segundo o Eclesiástico é, "... essa Sabedoria, impenetrável às fracas almas." Eclo 24,38
    Porque muitos se encontram ao sabor de leviandades, como consta na Segunda Carta de São Pedro, e acabam sendo arrastados por más companhias dentro da própria Igreja fundada por Jesus (cf. Jo 21,15): "Mas estes, quais brutos pela lei natural destinados a presa e à perdição, injuriam o que ignoram, e assim da mesma forma perecerão. Este será o salário de sua iniquidade. Encontram suas delícias em se entregar em pleno dia a suas libertinagens. Pervertidos e imundos homens, sentem prazer em enganar enquanto se banqueteiam convosco. Têm os olhos cheios de adultério, e são insaciáveis no pecar. Seduzem por seus atrativos as inconstantes almas, têm o coração acostumado à cobiça, são seres malditos." 2 Pd 2,14
    São Paulo também alerta: "Não vos deixeis enganar: más companhias corrompem bons costumes. Despertai como convém, e não pequeis! Porque alguns vivem na total ignorância de Deus. Para vossa vergonha, digo-o." 1 Cor 15,33-34
    E a São Timóteo, ele expressamente recomenda para que esteja com aqueles que participam de nossa Santa Missa, exclusivamente celebrada pela verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a Justiça, a fé, a caridade, a Paz, em companhia daqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Para com aqueles que estão fora da Igreja Viva, aconselha-lhe: "Rejeita as tolas e absurdas discussões, visto que geram contendas. Não convém a um servo do Senhor altercar. Bem ao contrário, seja ele condescendente com todos, capaz de ensinar, paciente em suportar os males. É com brandura que deve corrigir os adversários, na esperança de que Deus lhes conceda o Arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do Demônio, que os mantém cativos e submetidos a seus caprichos." 2 Tm 2,23-26
    Se olharmos para o mundo com Sabedoria, portanto, invariavelmente vamos concluir o mesmo que o sagrado autor: "Tudo está em completa confusão: sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade dos casamentos, adultérios e impudicícias..." Sb 14,25-26
    E estimulados pelo Diabo, os pecados que só têm poder sobre quem lhe dá espaço, pois ele quer e pode arrastar a alma para o inferno: "Foge do pecado como se foge de uma serpente, porque, se dela te aproximares, ela mordê-te-á. Seus dentes são dentes de leão, que matam as almas dos homens." Eclo 21,2-3
    O Juízo Final, pois, será o dia da Verdade para as almas. Com efeito, como justo pagamento, cada um receberá "... seu fruto, no Dia da retribuição das almas." Sb 3,13

    "Salvador do mundo, salvai-nos. Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição!"