domingo, 9 de agosto de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

Santa Edith Stein


    Nasceu a 12 de outubro de 1891 em Breslávia, então cidade alemã, atualmente no sudeste de Polônia. De rica família de judeus, era a última de onze filhos e ainda aos 2 anos ficou órfã do pai, Siegrified Stein, morto de insolação. Sua mãe Auguste Courant bravamente assumiu a empresa de madeira, e assim mereceu grande amor dos filhos, especialmente Edith, que a tinha como incansável e de forte caráter. Portanto educada na religião judaica, desde criança nossa Santa revelou incomum inteligência. Sua própria irmã, Erna, descreveu-a como 'extraordinariamente perspicaz'. E envolta em suas primeiras reflexões entrou na adolescência dizendo-se ateia, o que sustentava ainda aos 21 anos, embora sempre acompanhasse sua mãe à sinagoga.


    De extrema racionalidade, e preferindo ler livros sobre literatura antiga e moderna, além de Filosofia, chegou a abandonar a escola para morar na casa da mais velha irmã, Elsa, em Hamburgo, Alemanha, mas voltou a Breslávia para estudar, e anos mais tarde vai ser a primeira mulher a defender tese de Filosofia em Alemanha, na Universidade de Friburgo. Foi seguidora e assistente de Edmund Husserl, fundador da Fenomenologia, matéria em que se tornou doutora. Tinha profundas reflexões sobre as relações humanas, e deixou importantes notações na obra "Sobre o Problema da Empatia". Antes, porém, foi professora substituta de línguas clássicas em Breslávia.
    Na Primeira Guerra Mundial, trabalhou pela Cruz Vermelha como voluntária, ou seja, no atendimento de soldados feridos. Também ajudou muito numa assolação de tifo na região dos montes Cárpatos, centro e oriente de Europa. Por seu prestimoso trabalho, recebeu medalha de honra.


    Em 1921, de férias em Baviera, sul de Alemanha, conheceu os escritos de Santa Teresa d'Ávila, no livro de sua autobiografia. Profundamente impressionada, leu-o todo numa noite e no dia seguinte adquiriu o Catecismo da Igreja Católica e um Missal, para continuar conhecendo a Verdade e saciar sua sede de Deus. Converteu-se ao Catolicismo, preparou-se mesmo sozinha, e em Bad Bergzabern, cidade do estado da Renânia-Palatinado, sudoeste de Alemanha, recebeu o Sacramento do Batismo a 1 de janeiro de 1922, e em fevereiro, o Sacramento da Crisma, ainda que contra a vontade de sua mãe e seus irmãos.


    Passou a dar aulas numa escola dominicana, participou de várias conferências de instituições católicas e tornou-se catedrática em Filosofia na Universidade de Friburgo, mas de Suíça. Fervorosamente abraçou a Filosofia de Santo Tomás de Aquino, e traduziu para o alemão as "Quaestiones disputatae de veritate". Também foi professora no renomado Instituto de Pedagogia Científica de Münster, Alemanha.


    Em 1933, porém, Hitler trazia o satânico nazismo ao poder em Alemanha, e todos professores que não concordavam com o arianismo passaram a ser perseguidos e deportados. Foi quando, aos 42 anos, Edith Stein resolveu entrar para o convento das carmelitas descalças como noviça, na cidade de Colônia, Alemanha, e já em 1934 vestiu o hábito e adotou o nome de Teresa Benedita da Cruz, em homenagem a Santa Tersa d'Ávila, sua primeira e grande inspiração, e a São João da Cruz, grande Santo carmelita que também muito a impressionou. Ou seja, seu nome também trazia uma declarada inclinação para o sacrifício, evocando a Santa Cruz do monte Calvário. Ainda aí, escreveu um livro metafísico, "Ser Finito e Eterno", no qual tenta conciliar as filosofias de Santo Tomás de Aquino e Husserl.
    Em 1938 professou votos perpétuos, mas sua família não compareceu à celebração. Desde que se havia convertido, apenas por uma vez, e com um simples bilhete, sua mãe respondeu a suas frequentes cartas. Só sua irmã Rosa lhe dedicava verdadeira atenção. Ela também se converteu ao Catolicismo no ano de 1939, ou seja, após a morte da mãe, dada em 1934.
    Ao intensificarem-se as perseguições aos judeus, em 1940 Santa Edith havia sido transferida para o convento carmelita de Echt, em Holanda, onde escreveu "A Ciência da Cruz. Um Estudo sobre João da Cruz", e um ano depois recebeu sua irmã, que também queria abraçar a vida religiosa, mas, pelas convulsões da época, apenas prestou serviços como uma irmã leiga, membro da Ordem Terceira do Carmo. Isso perdurou até quando Holanda foi invadida e anexada a Alemanha nazista, e os superiores de seu convento tentaram transferi-las para Suíça. Contudo, eram realmente muito difíceis tempos para os judeus e seus descendentes.
    Em 20 de julho de 1942, a Conferência Episcopal Holandesa escreveu um corajoso manifesto, que foi lido em todas igrejas do país, denunciando a perseguição nazista aos judeus, mas tudo que conseguiram foi aumentar a sanha do possesso Hitler contra o judeus e a Igreja Católica Apostólica Romana. Mostrando Sabedoria, o Santo Padre Pio XII por vida evitou esse confronto direto, e veladamente pôde fazer muito mais pelo bem, pela paz e pela vida de todos.
    Edith e sua irmã Rosa, pois, por expressa ordem de Hitler em 26 de julho, entre tantos outros judeus, mesmo os convertidos, foram levadas para o campo de concentração de Westerbork, no norte de Holanda, onde nossa Santa foi descrita pelos que sobreviveriam como a 'freira alemã', dedicada consoladora dos aflitos e atenciosa cuidadora das crianças.
    De alguma forma, porém, ela já se mostrava preparada para tudo isso. Em seu testamento de 9 de junho de 1939, Santa Teresa Benedita da Cruz havia escrito: "Aceito agora com alegria a morte que Deus planejou para mim, em completa submissão a Sua santíssima vontade. Peço ao Senhor que aceite minha vida e minha morte para Sua honra e glorificação, por todas intenções dos Sagrados Corações de Jesus e Maria e da Santa Igreja, especialmente pela preservação, santificação e aperfeiçoamento de nossa Santa Ordem, especialmente (os mosteiros) a Colônia e o Verdadeiro Carmelo, em expiação pela incredulidade do povo judeu, para que o Senhor seja recebido por Seu povo, e Seu Reino venha em Glória, para a Salvação de Alemanha e para a Paz do mundo, e finalmente por meus parentes, vivos e mortos, e por todos aqueles que Deus me deu: para que nenhum deles se perca."

    Deixou-nos frases de grande entendimento e inspiração:

    "Não aceites como Verdade nada que carece de amor, nem aceites como amor nada que carece de Verdade. Um sem o outro é uma destrutiva mentira."
    "A  está mais próxima da Divina Sabedoria que toda ciência filosófica, e mesmo a teológica. Porém, visto que andar no escuro torna-se difícil, em 'nossa noite', enquanto impedimento à futura clarezacada raio de Luz que cai é de inestimável ajuda para não errarmos nosso caminho."
    "Quanto mais escuridão se faz a nosso redor, mais devemos abrir o coração à Luz que vem do alto."
    "Tudo aceitar exatamente como é, colocar nas mãos de Deus e entregá-Lo. Assim n'Ele se poderá repousar, descansar de verdade e começar o novo dia como uma nova vida."
    "Não podemos separar o amor a Deus do amor ao homem. A Deus, nós facilmente reconhecemos, mas, e nosso irmão? Aqueles com os quais não identificamos formação, educação, raça, aparência? Nós não poderíamos ter imaginado que o amor a Deus poderia ser tão difícil."
    "Uma coisa é certa: que vivamos no momento e no lugar presentes para alcançar nossa Salvação e a daqueles que nos foram confiados."
    "Toda mulher que vive à luz da eternidade pode cumprir sua vocação, não importa se é em casamento, em ordem religiosa ou em secular profissão."
    "Somente a pessoa cega pela paixão da controvérsia poderia negar que a mulher, em alma e corpo, é criada para um propósito particular… a mulher é destinada a ser esposa e mãe. Tanto física quanto espiritualmente, ela é dotada para esse propósito."
    "Seu corpo e alma (da mulher) são feitos menos para lutar e conquistar que para cuidar, guardar e preservar."
    "A alma de uma mulher é moldada para ser um abrigo no qual outras almas podem desenvolver-se."
    "O lugar de cada um de nós depende unicamente de nossa vocação. A vocação não se encontra simplesmente depois de ter refletido e examinado os vários caminhos: é uma resposta que se obtém com a oração."
    "Deus dirige cada um de nós em Seus próprios caminhos: um chega mais fácil e mais rápido à meta que outro. Na realidade, é pouco o que podemos fazer em relação àquilo que se dá em nós. Mas mesmo esse pouco devemos fazer. Antes de tudo, isto representa: perseverar na oração pelo reto caminho sob o impulso da Graça..."
    "Aqueles que se juntam à Ordem Carmelitana não estão perdidos para seus próximos e queridos entes, mas foram conquistados por eles, porque é nossa vocação por todos interceder junto a Deus."
    "Existe uma vocação para o sofrimento de Cristo e, por isso, para a colaboração com Sua redentora obra. Quando estamos unidos ao Senhor, assim somos membros do Corpo Místico de Cristo: Cristo continua vivo em Seus membros e neles continua Seu sofrimento. E o sofrimento que se suporta em união ao Senhor é Seu sofrimento, colocado na grande obra de Redenção e nela colhe-se Seu fruto. Esse é o pensamento fundamental de toda vida religiosa, mas principalmente da vida do Carmelo: colaborar na Salvação da humanidade pelo voluntário e alegre sofrimento em prol dos pecadores."
    "Os muros de nossos mosteiros encerram um estreito espaço. Para erigir a estrutura da santidade, é preciso cavar fundo e construir alto, deve descer às profundezas da escura noite de teu próprio nada, a fim de que sejas elevado à Luz do divino amor e da compaixão."
    "Nos últimos meses, muitas vezes ouvimos a queixa de que as muitas orações pela paz ainda estão sem efeito. Que direito temos de ser ouvidos? Nosso desejo de paz é, sem dúvida, genuíno e sincero. Mas vem de um coração plenamente purificado?"
    "Quanto mais elevado é o grau da amorosa união ao qual Deus destina a alma, tanto mais profunda e persistente deverá ser sua purificação."
    "Nenhuma obra espiritual vem ao mundo sem grandes sofrimentos. Ela sempre desafia o homem inteiro."
    "Penso, de qualquer modo, estarmos seguindo muito seguro caminho, e cada uma fazemos tudo possível para nos tornar vazias de nós mesmas, a fim de nos deixar preencher pela Divina Graça."
    "Tudo de que preciso é um sossegado lugar, onde todo dia eu possa conversar com Deus como se não houvesse mais nada a fazer. Eu tento fazer-me uma ferramenta para Deus. Não para mim mesma, mas apenas para Ele."
    "Efetivamente, hoje conheço muito melhor o que significa ser a esposa do Senhor no sinal da Cruz. Mas, dado que se trata de um mistério, isto jamais poderá ser compreendido somente com a razão."
    "Devo sempre pensar na rainha Ester, que foi tirada de seu povo precisamente por essa razão: para ficar diante do Rei em seu nome. Sou uma pequena Ester, muito pobre e impotente, mas o Rei que me escolheu é infinitamente grande e misericordioso."
    "Aprende com Santa Teresa a só depender de Deus e servi-Lo com totalmente puro e desapegado coração. Então, como ela, tu poderás dizer: 'Não me arrependo de me ter entregado ao amor.'"
    "Como Maria é o protótipo da pura feminilidade, a imitação de Maria deve ser o objetivo da educação das meninas."
    "Geralmente, recebemos uma cruz ainda mais pesada quando desejamos nos livrar daquela que carregamos."
    "A mais íntima essência do amor é a entrega de si mesmo. A porta de entrada para todas coisas é a Cruz."
    "Não se pode desejar ser livre da Cruz, quando se é especialmente escolhido para a Cruz."
    "A Cruz é mais eficiente que a mortificação que se adota por livre e própria escolha. Sim, a Cruz enviada por Deus, exterior e interior."
    "Debaixo da Cruz, compreendi a sorte do povo de Deus..."
    "Quem pertence a Cristo, deve viver a vida inteira de Cristo, deve atingir a maturidade de Cristo, e deve, finalmente, abraçar a Cruz, encaminhando-se para o Getsêmani e para o Gólgota."
    "A Igreja é inabalável justamente porque une a absoluta defesa da Eterna Verdade a uma inigualável elasticidade em se adaptar às situações e exigências de cada tempo."
    "Para mim, é muito irreal pensar que a Divina Misericórdia se atenha aos limites da Igreja visível. Deus é Verdade. Quem procura a Verdade está à busca de Deus, queira ou não queira."
    "A ilimitada e amorosa devoção a Deus, e a dádiva que Deus faz de Si mesmo a ti, são a mais alta elevação de que o coração é capaz, é o mais alto grau de oração. As almas que a este ponto chegaram, verdadeiramente são o coração da Igreja."
    "O próprio Deus ensina-nos a seguir em frente, tomando nossa mão na d'Ele por meio da Liturgia da Igreja."
    "Toda verdadeira oração é uma oração da Igreja. Por meio dessa oração, a Igreja ora, pois é o Espírito Santo que vive na Igreja (Jo 14,16), que em cada alma 'por nós intercede com inexprimíveis gemidos (Rm 8,26).'"
    "O Senhor está presente no Tabernáculo com divindade e humanidade. Ele está ali não para Si mesmo, mas para nós, porque Sua alegria consiste em estar com os homens. E porque sabe que nós, como somos, temos necessidade de Sua proximidade pessoal. A consequência, para quantos pensam e sentem normalmente, é sentirem-se atraídos e de ali vez em quando pararem, na medida em que lhes for possível."
    "Pois Deus, a inteira Santíssima Trindade está em nós. Quando conseguimos construir em nosso interior uma bem fechada morada, e retirar-nos para dentro o maior número de vezes possível, então nada mais poderá faltar-nos em nenhum lugar do mundo."
    "A atividade humana não nos pode ajudar, mas unicamente a Paixão de Cristo. Meu desejo é dela participar."

    Em 7 agosto de 1942, foi levada com a irmã para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, no sul de Polônia, onde mais de 1 milhão de judeus seriam mortos. E apenas dois dias depois foram mortas na câmara de gás. Seus corpos foram incinerados.
    Martirizada entre seu povo, ofereceu sua vida pela conversão dos judeus ao Catolicismo. Foi canonizada por São João Paulo II como Padroeira de Europa, junto a Santa Brígida e Santa Catarina Sena. É invocada como Padroeira pelos 'judeus convertidos', mais corretamente hebreus católicos. Também é venerada como Santa pela igreja luterana.


    Santa Teresa Benedita da Cruz, rogai por nós!