terça-feira, 10 de março de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

A Preguiça


    O Catecismo da Igreja Católica ensina que a preguiça se instala no coração por falta de humildade e de práticas de fé: "Outra tentação, cuja porta é aberta pela presunção, é a acídia (também chamada 'preguiça'). Os Padres Espirituais entendem esta palavra como uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, à diminuição da vigilância, à negligência do coração... O doloroso desânimo é o inverso da presunção. Quem é humilde não se surpreende com sua miséria. Então passa a ter mais confiança, a perseverar na constância." CIC § 2733
    Também dá o conceito de presunção, que sempre atenta contra a religiosidade: "Há duas espécies de presunção: ou o homem presume de suas capacidades (esperando poder salvar-se sem a ajuda do alto), ou então presume da onipotência ou da Misericórdia de Deus (esperando obter Seu perdão sem conversão, e a Glória sem mérito)." CIC § 2092
    Conforme o Livro de Provérbios, esse pecado capital é uma forma de entorpecimento: "A preguiça cai no torpor. A indolente alma terá fome." Pr 19,15
    Em seguida, o sagrado autor torna a apontá-la como razão da pobreza material: "Não sejas amigo do sono, para que não te tornes pobre. Abre os olhos e terás pão à vontade." Pr 20,13
    Idem: "... o beberrão e o comilão empobrecem, e o dorminhoco veste-se com trapos." Pr 23,21
    Em sentido contrário, a virtuosa mulher é aquela que: "... procura lã e linho e trabalha com alegre mão. Levanta-se ainda de noite, distribui a comida a sua casa e a tarefa a suas servas. Estende os braços ao infeliz e abre a mão ao indigente. Ela não teme a neve em sua casa, porque toda sua família tem duplas vestes. Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade." Pr 31,13.15.20.21.27
    O Livro de Eclesiástico, por sua vez, denuncia os pecados que a preguiça traz: "... a ociosidade ensina muita malícia." Eclo 33,29
    Para ele, o beberrão está em seus braços: "Não é um pouco de vinho suficiente para um bem-educado homem? Assim não terás pesado sono, e não sentirás dor." Eclo 31,22
    E o preguiçoso, como era de se esperar, sonega caridade espiritual: "Não tenhas preguiça de visitar um doente, pois é assim que te firmarás na caridade." Eclo 7,39
    Mas a lista da Carta de São Paulo aos Romanos, que trata da acídia, a preguiça espiritual, é bem mais longa: "Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Ele entregou-os a depravados sentimentos, e daí seu indigno procedimento. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade. Cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus, que considera dignos de morte aqueles que tais coisas fazem, não somente as praticam como também aplaudem aqueles que as cometem." Rm 1,28-32
    E como ele havia dito, o abandono da religiosidade, chamado de apostasia, é um sério problema. Traz graves riscos e pode levar a grandes abominações, como se vê nas religiões animistas: "Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos. Mudaram a Majestade de Deus Incorruptível em representações e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou-os aos desejos de seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. Trocaram a Verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém! Por isso, Deus entregou-os a vergonhosas paixões, suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo, os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a devida paga a seu desvario." 1 Rm 1,21-22.25-27
    No Livro do Profeta Ezequiel, vale notar, Deus diz que os pecados de Sodoma não eram os escândalos sexuais. Estes eram consequências de outros graves erros, como Ele acusou Jerusalém: "Eis em quem consistia a iniquidade de tua irmã Sodoma: opulência, glutoneria, indolência, ociosidade..." Ez 16,49
    Jesus, portanto, exorta a que sejamos pessoas de atitude, avessos a falatório, lisonja e vazias promessas. Está no Evangelho Segundo São Mateus: "Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: 'Meu filho, vai trabalhar hoje na vinha.' Respondeu ele: 'Não quero.' Mas, em seguida, tocado de arrependimento, foi. Dirigindo-se depois ao outro, disse-lhe a mesma coisa. O filho respondeu: 'Sim, pai!' Mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?" Mt 21,28-31
    Tomando como referência o ativo agir do Pai na obra da Salvação (cf. Jo 15,1-2), Nosso Salvador sentencia aquele que não faz uso de seus talentos para a construção do Reino dos Céus, numa parábola que contou: "Mau e preguiçoso servo! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei." Mt 25,26
    E no Evangelho Segundo São Lucas, reclamou daqueles cujas consciências demoram em reconhecer a Verdade, como dois de Seus discípulos que partiram para Emaús no Domingo da Ressurreição, sem acreditar nos relatos daqueles que O tinham visto ressuscitado: "Jesus disse-lhes: 'Ó gente sem inteligência! Como sois tardos de coração para crerdes em tudo que os Profetas anunciaram!'" Lc 24,25
    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios também vai reclamar: "A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu dei-vos leite a beber, e não sólido alimento, que ainda não podíeis suportar. Nem agora o podeis, porque ainda sois carnais. Com efeito, enquanto entre vós houver ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um totalmente humano modo?" 1 Cor 3,1-3
    Os seguidores de sua tradição, na Carta aos Hebreus, da mesma forma farão duras críticas a essa postura de quase indiferença perante as coisas de Deus: "Teríamos muita coisa a dizer sobre isso, e coisas bem difíceis de explicar, dada vossa lentidão em compreender... A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da Palavra de Deus. E tornaste-vos tais que precisais de leite em vez de sólido alimento!" Hb 5,11-12
    Baseando-se no exemplo dos Santos, eles vão exortar: "Desejamos, apenas, que ponhais todo empenho em guardar intacta vossa esperança até o fim, e que, longe de tornardes lentos na compreensão, sejais imitadores daqueles que pela e paciência tornam-se herdeiros das promessas." Hb 6,11-12
    Invocam, por fim, a multidão que compunha a Santa Igreja já àquele tempo e o próprio exemplo do Salvador: "Desse modo, cercados como estamos de tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das correntes do pecado. Com perseverança corramos ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé: Jesus. Em vez do gozo que se Lhe oferecera, Ele suportou a Cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Atentamente considerai, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." Hb 12,1-3
    A Carta de São Tiago, como Jesus acima, falou da importância do testemunho através da forma de agir. Ele expressamente diz que devemos ser ativos cumpridores dos bíblicos preceitos, em específico os do Evangelho: "Mas aquele que com atenção procura meditar a perfeita Lei da liberdade e nela persevera, não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como fiel cumpridor do preceito, este será feliz em seu proceder." Tg 1,25
    E a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, pedindo que os fiéis se afastassem dos preguiçosos e dos hereges, invoca o exemplo que ele mesmo e seus colaboradores davam de disposição para todos trabalhos: "Irmãos, em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo ordenamos: afastai-vos de todo irmão que vive sem nada fazer e não segue a Tradição que de nós recebeu. Vós sabeis como deveis imitar-nos: nós não ficamos ociosos quando estivemos entre vós, nem pedimos a ninguém o pão que comemos. Ao contrário, trabalhamos com fadiga e esforço, noite e dia, para não sermos pesados para nenhum de vós. Não porque não tivéssemos direito a isso, mas porque quisemos ser um exemplo a imitar. De fato, quando estávamos entre vós, demos esta norma: quem não quer trabalhar, também não coma." 2 Ts 3,6-10
    Porque a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses lembrava nossa condição de representantes de Cristo também para aqueles que não são de Sua Igreja: "Procurai viver com serenidade, ocupando-vos de vossas próprias coisas e trabalhando com vossas mãos, como vos temos recomendado. É assim que honrosamente vivereis em presença dos de fora, e a ninguém sereis pesados." 1 Ts 4,11-12
    Já a Carta de São Paulo aos Filipenses menciona nossa missão de luz do mundo, que Jesus determinou (cf. Mt 5,14): "Fazei todas coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, íntegros filhos de Deus em meio a uma depravada e maliciosa sociedade, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a Palavra da Vida." Fl 2,14-15
    Com efeito, seus exemplos não foram poucos. Como Ministro da Santa Igreja Católica, suas responsabilidades levaram-no a difíceis momentos, dos quais ele não se arrependia. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios atesta: "Mas em todas coisas apresentamo-nos como Ministros de Deus, por uma grande constância nas tribulações, nas misérias, nas angústias, nos açoites, nos cárceres, nos tumultos populares, nos trabalhos, nas vigílias, nas privações..." 2 Cor 6,4-5
    E advertindo os católicos (cf. At 1,8) das obras das trevas, a Carta de São Paulo aos Efésios recomenda: "Vigiai com cuidado, pois, sobre vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que ciosamente aproveitam o tempo, porque os dias são maus." Ef 5,15-16


VIGÍLIA, ORAÇÃO E SANTA MISSA

    Chamando a atenção para o momento em que prestaremos contas a Deus, Jesus, em Sua últimas pregações, insiste que abandonemos os hábitos que nos levam à omissão. Foi na parábola das virgens que, por imprudência, ficaram sem óleo: "Vigiai, portanto, porque não sabeis nem o dia nem a hora." Mt 25,13
    Tônica de Suas últimas exortações, já havia dito a Apóstolos, discípulos e seguidores, falando do Juízo, seja o Particular, seja o Final: "Vigiai, porque não sabeis a hora em que Vosso Senhor virá." Mt 24,42
    Mesmo confirmando a virtude da fortaleza que temos por Sua Graça, recomendou constância nas vigílias e orações, como no Horto das Oliveiras, na angústia do início de Sua Paixão: "Vigiai e rezai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." Mt 26,41
    E no Evangelho Segundo São Marcos, pregando aos Apóstolos antes de subir a Jerusalém pela última vez, deixou claro que esse recado não era só para os Doze ou líderes da Igreja: "O que vos digo, digo a todos: vigiai!" Mc 13,37
    Pois só os puros de coração e de alma escaparão dos tormentos da Grande Tribulação, e estarão de prontidão no Grandioso Dia de Sua Volta. Ele pregou à multidão em Jerusalém, após o Domingo de Ramos: "Vigiai em todo tempo e rezai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e apresentar-vos de pé diante do Filho do Homem." Lc 21,36
    Ele havia afirmado que só a perseverança nos valores de que se constituem as Escrituras, exatamente o contrário da preguiça espiritual, pode fazer-nos dar frutos para o Reino de Deus: "A (semente) que caiu na boa terra são aqueles que ouvem a Palavra com reto e bom coração, retêm-na e pela perseverança dão fruto." Lc 8,15
    Pois acolher as Escrituras é permanecer em Comunhão com Ele, que é essencial, portanto Deus, e essa é única condição de sermos úteis. No Evangelho Segundo São João, disse na noite em que ia ser entregue: "Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, sem permanecer na videira. Assim vós: tampouco podeis dar fruto se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,4-5
    Ora, Ele já havia garantido a recompensa àqueles que se mantêm empenhados: "O que ceifa já recebe seu salário, e junta frutos para a Vida Eterna." Jo 4,36a
    E mais que qualquer coisa, em últimas palavras, pediu constância na perfeita caridade: "Como o Pai Me ama, Eu também vos amo. Perseverai em Meu amor." Jo 15,9
    Ele mesmo dava exemplo, e por isso pediu após a Santa Ceia: "O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou." Jo 14,31a
    Ademais, referindo-Se ao Santíssimo SacramentoEle já havia determinado um especial esforço a todos, um dia após multiplicar pães e peixes: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele Deus Pai imprimiu Seu sinal." Jo 6,27
    Porque a razão de Seu Sacrifício é nossa Salvação, como Ele vai declarar, e para tanto mandou que comêssemos de Sua Carne e bebêssemos de Seu Sangue: "Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Tomai, isto é Meu Corpo.' Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lhO, e todos dele beberam. E disse-lhes: 'Isto é Meu Sangue, o Sangue da Aliança, que é derramado por muitos.'" Mc 14,22-24
    Enfim, expressamente pediu que O celebrássemos na Santa Missa (cf. At 2,42): "Fazei isto em memória de Mim." Lc 22,19b
    Movido pela certeza da Divina Providência, o Eclesiástico já se perguntava: "Pois quem foi abandonado após ter perseverado em Seus Mandamentos? Quem é aquele cuja oração foi desprezada?" Eclo 2,12
    Nosso Senhor mesmo revelou, quando contou a parábola do iníquo juiz: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário rezar sempre, sem jamais esmorecer. 'Por acaso não fará Deus Justiça a Seus escolhidos, que por Ele estão clamando dia e noite?'" Lc 18,1.7
    Não por acaso, a Santíssima Virgem sempre dava grande exemplo de fé à nascente Igreja, como em plena vigília de oração aguardando, junto aos Apóstolos, a Vinda do Espírito Santo prometida por Nosso Senhor (cf. Jo 15,26). O Livro de Atos dos Apóstolos relata: "Todos eles (os Doze) unanimemente perseveravam na oração, e junto a eles as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele." At 1,14


PERSEVERANÇA

    Com efeito, a virtude que se opõe à preguiça é a perseverança. O próprio Jesus, ao pronunciar uma triste profecia para o fim dos tempos, vai revelar: "E ante o crescente progresso da iniquidade, o amor de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo." Mt 24,12-13
    Como São Paulo e São Barnabé pregavam, a perseverança na fé é de total importância porque as tribulações são uma certeza na vida do cristão, justamente porque contraria com atitudes o mundo imerso no pecado: "Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações." At 14,22
    O próprio Jesus havia dito a todos Seus seguidores na noite antes de partir para o Getsêmani, onde seria preso: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem!" Jo 16,33
    São Paulo, como incentivo, firmou três emblemáticas metas para o cristão: "Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração." Rm 12,12
    E lembrando as aflições que ele mesmo passou, garante que seus esforços, por todas dioceses de então, não foram pequenos: "Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez! Além de outras coisas, minha cotidiana preocupação, a solicitude por todas igrejas!" 2 Cor 11,27-28
    Por isso, tem total autoridade para nos conclamar contra a grande indolência da atualidade, que é uma forma de preguiça espiritual e ameaça à Unidade da Igreja, que só é possível através da obediência ao Espírito Santo: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz." Ef 4,3
    A Carta de São Paulo a São Tito faz lembrar o Sacramento do Batismo e o inarredável compromisso com a caridade: "... Ele (Deus) salvou-nos, mediante o Batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo que nos foi concedido em profusão por meio de Cristo, Nosso Salvador... Certa é esta Doutrina e quero que a ensines com constância e firmeza, para que aqueles que abraçaram a fé em Deus se esforcem por aperfeiçoarem-se na prática do bem. Isto é bom e útil aos homens." Tt 3,5b-6.8
    Como perfeito remédio contra o pecado da preguiça, portanto, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo expressamente recomenda a religiosidade: "Exercita-te na piedade. Se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da presente e da futura Vida. Eis uma verdade absolutamente certa e digna de fé: se nos afadigamos e sofremos ultrajes, é porque pusemos nossa esperança em Deus Vivo, que é o Salvador de todos homens, sobretudo dos fiéis. Seja este o objeto de tuas prescrições e de teus ensinamentos. Ninguém te despreze por seres jovem. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis, no modo de falar e de viver, na caridade, na fé, na castidade. Enquanto eu não chegar, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia, quando a assembleia dos anciãos te impôs as mãos. Nisto põe toda diligência e empenho, de tal modo que a todos se torne manifesto teu aproveitamento. Olha por ti e pela instrução dos outros. E persevera nestas coisas. Se isto fizeres, salvar-te-ás a ti mesmo e àqueles que te ouvirem." 1 Tm 4,8-16
    Pois a Carta de São Paulo aos Gálatas lembra que o tempo é curto, o Juízo se aproxima e devemos servir à Igreja Apostólica, que é o principal instrumento de Deus para a Salvação das almas: "Onde está agora aquele vosso entusiasmo? Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos homens, mas particularmente aos irmãos na fé." Gl 4,15a;6,9-10
    Ele especificamente dizia, pedindo pela Santa Missa: "Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,11
    Nosso Santo distingue os não católicos exatamente pela indolência, ou pela malícia do crime: "Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas frívolas ideias. Eles têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-nos afastados da Vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à apaixonada prática de toda espécie de impureza. Vós, porém, não foi para isto que vos tornastes discípulos de Cristo, se é que O ouvistes e d'Ele aprendestes, como convém à Verdade em Jesus. Renunciai à vida passada, despojai-vos do velho homem, corrompido por enganadoras concupiscências. Renovai sem cessar o sentimento de vossa alma, e revesti-vos do novo homem, criado à imagem de Deus, em verdadeira Justiça e santidade. Por isso, renunciai à mentira. Não deis lugar ao Demônio. Quem era ladrão não torne a roubar, antes seriamente trabalhe por realizar o bem com suas próprias mãos, para ter com que socorrer os necessitados." Ef 4,17-25a.27-28
    E nos momentos de dificuldade, longe de arrefecer nas orações e nas vigílias, ele exorta-nos a aumentá-las: "Intensificai vossas invocações e súplicas. Rezai em toda circunstância, pelo Espírito, no Qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos cristãos." Ef 6,18
    A Carta de São Paulo aos Colossenses pede frequentes ações de graças, das quais a principal é a Santa Eucaristia, ápice de nossas Santas Missas: "Sede perseverantes, sede vigilantes na oração, acompanhada de ações de graças." Cl 4,2
    Por desejar-nos a perfeição da santidade, abertamente conclamava: "Rezai sem cessar." 1 Ts 5,17
    Pois a persistência na fé é a única maneira de permanecermos ao lado de Cristo, que reclamou de São Pedro no Horto das Oliveiras, momentos antes de ser preso: "Em seguida, foi ter com Seus discípulos e achou-os dormindo. Disse a Pedro: 'Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora?'" Mc 14,37
    Nesse sentido, a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo afirma, falando sobre Jesus: "Antes é preciso que o lavrador trabalhe com afinco, se quer boa colheita. Se soubermos perseverar, com Ele reinaremos." 2 Tm 2,6.12
    Pede-lhe que o faça junto àqueles que frequentam a Santa Missa: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a Justiça, a fé, a caridade, a Paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Já o havia alertado contra qualquer desvio de função: "Nenhum soldado pode implicar-se em negócios da vida civil, se quer agradar Àquele que o alistou." 2 Tm 2,4
    Era exatamente a condição que Jesus havia firmado: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus." Lc 9,62b
    O Apóstolo dos Gentios garantiu: "Por consequência, meus amados irmãos, sede firmes e inabaláveis, aplicando-vos cada vez mais à obra do Senhor. Sabeis que vosso trabalho no Senhor não é em vão." 1 Cor 15,58
    E assim nos estimula: "... estejam prontos para qualquer boa obra..." Tt 3,1
    A Segunda Carta de São Pedro, falando do novo céu e da nova Terra, também exortava à santidade: "Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por Ele achados sem mácula e irrepreensíveis na Paz." 2 Pd 3,14
    São Tiago Menor, para tanto, conclama-nos a vencer todas fraquezas, entre as quais a preguiça é uma das maiores: "Mas é preciso que a paciência efetue sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma." Tg 1,4
    E no Livro de Apocalipse de São João, Jesus dá essa advertência à igreja de Éfeso, que vale para todos nós: "Mas contra ti tenho que arrefeceste teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste. Arrepende-te e retorna a tuas primeiras obras. Senão virei a ti e removerei teu candelabro de seu lugar, caso não te arrependas." Ap 2,4-5
    O Catecismo da Igreja Católica ainda diz: "... Esse incansável ardor só pode provir do amor. Contra nossa pesada lentidão e preguiça, o combate da oração é o do humilde, confiante e perseverante amor. Esse amor abre nossos corações para três evidências de fé, luminosas e vivificantes:
    Rezar sempre é possível...
    Rezar é uma vital necessidade...
    Oração e vida cristã são inseparáveis... " CIC § 2742, 2743, 2744, 2745
    Referindo-se às ofensas ao amor de Deus, nosso Catecismo registra: "... A tibieza é uma hesitação ou uma negligência em responder ao divino amor, podendo implicar a recusa de se entregar ao dinamismo da caridade. A acídia ou preguiça espiritual chega a recusar até a alegria que vem de Deus e a ter horror ao divino bem..." CIC § 2094
    E falando sobre muito corriqueira prática mundo afora, de pessoas que admitem a existência de Deus mas não buscam encontrar-se com Ele, o Catecismo aponta as faltas de uma preguiçosa ou mesmo atrofiada consciência moral: "O agnosticismo pode, às vezes, conter certa busca de Deus, mas igualmente pode representar um indiferentismo, uma fuga da pergunta última sobre a existência e uma preguiça da consciência moral. Com muita frequência, o agnosticismo equivale a um ateísmo prático." CIC § 2128

    "Tornai viva nossa fé, nossa esperança!"