sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

O 'Evangelho' do Espírito Santo


    Juntos, o Evangelho Segundo São Lucas e o Livro de Atos dos Apóstolos, também deste autor, podem ser chamados de 'Evangelho' do Espírito Santo, tão oportunas e frequentes são as citações que nosso Amado Médico (cf. Cl 4,14) Lhe faz. Os Atos dos Apóstolos, por excelência, já o seria simplesmente por representar o 'Tempo da Igreja', ou o 'Tempo dos Sacramentos', ou, bem mais especificamente, o 'Tempo do Espírito Santo', que veio 'suceder' o 'Tempo de Jesus', 'manifesto' após o 'Tempo do Pai'.
    De fato, São Lucas é conhecido como o evangelista do Espírito Santo, pois muito bem e detalhadamente relata a Pessoal atividade do Divino Paráclito entre nós. Por sua narrativa, foi-nos permitido perceber de mais preciso modo Sua condução e pedagogia na instrução do povo de Deus, reunido em Sua Santa Igreja Católica. Claro, esse 'Evangelho' encontra-se em perfeita Comunhão com a Revelação, mas reconhecidamente tem especiais informações e detalhes, e é muito importante contemplá-los para a devida compreensão da manifestação da Santíssima Trindade.

NO EVANGELHO SEGUNDO SÃO LUCAS

    Aí se observa a ação do Espírito de Deus desde a promessa do nascimento de São João Batista. Ele será a principal força a o mover por toda vida, como São Gabriel Arcanjo anunciou ao sacerdote São Zacarias, seu pai : "... porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo..." Lc 1,15
    Em seguida, embora cronologicamente seis meses depois, vemos este Arcanjo declarar a Nossa Senhora como se dará a Concepção de Jesus em seu ventre: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolvê-te-á com Sua sombra. Por isso, o Ente Santo que de ti nascer será chamado Filho de Deus." Lc 1,35
    E logo após o início desta gestação, a voz da Santíssima Virgem vai realizar a promessa de Deus anunciada por São Gabriel: fez com que Ele descesse sobre São João Batista e sua mãe, Santa Isabel: "Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu em seu seio. E Isabel ficou cheia do Espírito Santo." Lc 1,41
    Quando São João Batista nasceu, o Divino Paráclito vai inspirar o idoso (cf. Lc 1,7) sacerdote do Templo de Jerusalém a profetizar a Verdadeira Liberdade que nos permite dignamente celebrar a Santa Missa, assim como vai revelar o papel de seu filho na obra da Salvação, pelo Sacramento da Confissão: "Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou nestes termos: 'Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou Seu povo, e nos suscitou um poderoso Salvador, na casa de Davi, Seu servo... libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e Justiça, em Sua presença, todos dias de nossa vida. E tu, menino, serás chamado Profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e Lhe prepararás o caminho, para dar a conhecer a Salvação a Seu povo, pelo perdão dos pecados.'" Lc 1,67-69.74-77
    E em perfeito cuidado para com tudo na Casa de Deus até então, Ele também estava no religioso Simeão, que assistiu a Apresentação do Menino Jesus no Templo: "Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a Consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao Templo. E tendo os pais apresentado o Menino Jesus, para a respeito de Si cumprirem os preceitos da Lei, tomou-O em seus braços e louvou a Deus, dizendo: 'Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação que preparastes diante de todos povos, como Luz para iluminar as nações, e para a Glória de Vosso povo de Israel.' Seu pai e Sua mãe estavam admirados das coisas que de Si se diziam." Lc 2,25-33
    Ao iniciar sua vida pública, portanto, o Batista logo tratou de diferenciar seu batismo do de Jesus: "Eu batizo-vos com água, mas eis que vem Outro mais poderoso que eu, de Quem não sou digno de Lhe desatar a correia das sandálias. Ele batizá-vos-á no Espírito Santo e no fogo." Lc 3,16
    E quando Jesus foi batizado, que é um dos três momentos da Epifania do Senhor, foi vista uma das físicas manifestações do Espírito de Deus, assim como do próprio Deus Pai, ou seja, de toda Santíssima Trindade: "... e o Espírito Santo desceu sobre Si em corpórea forma, como uma Pomba. E do Céu veio uma voz: 'Tu és Meu amado Filho. Em Ti ponho Minha afeição.'" Lc 3,22
    Foi Ele, como este evangelista apontou, que guiou Jesus para jejuar quarentas dias no deserto: "Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto..." Lc 4,1
    Nosso Senhor, portanto, no discurso inaugural de Sua Missão que foi antecipado no Livro do Profeta Isaías, anuncia a presença d'Ele sobre Si mesmo: "O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu. E enviou-Me para anunciar a Boa Nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, anunciar aos cativos a redenção e aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos e publicar o ano da Graça do Senhor (Is 61,1-2a)." Lc 4,18-19
    É n'Ele que Nosso Salvador expressa Sua alegria, ao constatar o sucesso da missão dos setenta e dois discípulos, que triunfaram contra Satanás: "Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: 'Pai, Senhor do Céu e da Terra, Eu dou-Te graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos.'" Lc 10,21
    E afirma que Ele é o maior presente que o Criador quer oferecer-nos: "Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que LhO pedirem." Lc 11,13
    É Ele, de fato, que fala por nós nos mais difíceis momentos de nosso testemunho, como Jesus prometeu: "Porém, quando vos levarem às sinagogas, perante os magistrados e as autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de falar em vossa defesa, porque naquela hora o Espírito Santo vos inspirará o que deveis dizer." Lc 12,11-12
    Contudo, atestando o Mistério de Sua Encarnação, disse que não reconhecer o agir do Santíssimo Paráclito e chegar à abominação de O maldizer, é certamente um pecado mortal. Ou seja, carece de Confissão, pois não poderá contar apenas com a Divina Misericórdia: "Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem, obterá perdão, mas aquele que tiver blasfemado contra o Espírito Santo não alcançará perdão." Lc 12,10
    E pouco antes de Sua Ascensão aos Céus, Jesus pediu aos Apóstolos que ficassem em Jerusalém, para que, com o auxílio do Divino Paráclito, eles continuassem Seu Salvífico Projeto: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49


NO LIVRO DE ATOS DOS APÓSTOLOS

    Ora, era através do Espírito Santo que Nosso Senhor instruía os Doze. Nosso Santo Médico revelou: "... contei toda sequência das ações e dos ensinamentos de Jesus, desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo Suas instruções aos Apóstolos que havia escolhido, foi arrebatado ao Céu." At 1,2
    E assim Jesus os preparou para Sua Vinda no dia de Pentecostes, data do nascimento da Igreja Apostólica: "... porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias." At 1,5
    O Santo Paráclito dá-lhes-ia os necessários dons para evangelizar, instaurando uma só Igreja em todo mundo, ou seja, Una e Católica: "... mas sobre vós descerá o Espírito Santo e dá-vos-á força. E sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria e até os confins do mundo." At 1,8
    Assim, inspirado por Ele, São Pedro vai dirigir a indicação de São Matias para a vaga deixada por Judas Iscariotes, que traiu Nosso Senhor: "Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na Escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus. Pois está escrito no Livro de Salmos: 'Fique deserta sua habitação, e não haja quem nela habite;' e ainda mais: 'Que outro receba seu cargo (Sl 68,26; 108,8).'" At 1,16.20
    E recomposto o Colégio dos Doze, finalmente veio o grande dia, no qual a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo já nasceu Católica, quer dizer, universal, falando para o mundo: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, do céu veio um ruído, como se soprasse um impetuoso vento, e encheu toda casa onde estavam sentados. Então lhes apareceu uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,1-4
    São Pedro, então, em sua primeira pregação ao mundo dá testemunho da Ressurreição de Cristo, da Unção do Santo Paráclito sobre Si, e por Si sobre os fiéis, e exorta aos Sacramentos do Arrependimento e do Batismo, exatamente para que se possa receber o Espírito de Deus: "A Este Jesus, Deus ressuscitou-O: do que todos nós somos testemunhas. Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-O como vós vedes e ouvis. Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo." At 2,32-33.38
    Em seguida, quando ele curou um coxo de nascença (cf. At 3,7), e assim provocou grande agitação entre o povo de Jerusalém, foi preso com São João Evangelista para prestar esclarecimentos aos líderes dos judeus das pregações faziam. E São Lucas declara Quem compelia nosso Primeiro Papa (cf. Jo 21,15s) a anunciar Jesus: "Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: 'Chefes do povo e anciãos, ouvi-me. Se hoje somos interrogados a respeito do benefício feito a um enfermo, e em que Nome foi ele curado, sabei todos vós e todo povo de Israel: foi em Nome de Jesus Cristo Nazareno, que vós crucificastes, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Por Si é que esse homem se acha são, em pé, diante de vós." At 4,8-10
    E quando foram postos em liberdade, por força da inspiração com que São Pedro falou, os Apóstolos voltaram a se reunir com a comunidade e mais um sinal de Deus assinalou essa vitória, revitalizando a Comunhão dos Santos: "Mal acabavam de rezar, o lugar onde estavam reunidos tremeu. E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e com intrepidez anunciaram a Palavra de Deus. A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma." At 4,31-32a
    À frente da Igreja de Deus Vivo (cf. 1 Tm 3,15), o Príncipe dos Apóstolos (cf. Mt 10,2) revelou, ao repreender a falsidade de um fiel, que mentir aos Sacerdotes da Igreja é mentir ao Espírito Santo, ou seja, é mentir a Deus, assim indicando a Divindade do Santo Paráclito: "Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus." At 5,3-4
    E em mais um testemunho que dá de Jesus diante do conselho dos judeus de Jerusalém, na ocasião em que os Doze foram presos, São Pedro, sempre falando pelos Apóstolos, reafirma a necessidade do Sacramento da Confissão e da obediência a Deus para que se possa viver sob a Graça do Espírito Santo, que é testemunha e conduz a obra da Igreja fundada por Jesus: "O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-O num madeiro. Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o Arrependimento e a remissão dos pecados. Destes fatos, nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,31-33
    O surgimento do Diaconato, importante instituição da Igreja Viva, igualmente presidido por São Pedro, também veio sob a Unção do Espírito Santo: "Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de Sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício." At 6,3
    Santo Estevão, um desses sete Diáconos, por vezes assumia a função dos próprios Apóstolos, tão inspirada era sua palavra. Em vão alguns judeus que moravam fora de Israel tentaram debater consigo: "Não podiam, porém, resistir à Sabedoria e ao Espírito que o inspirava." At 6,10
    Esse iluminado Diácono acabou sendo preso, mas, quando foi levado diante dos sacerdotes judeus, fez um belo sermão que concluiu fazendo-lhes dura repreensão, o que lhe custou a vida, tirada pela brutalidade do apedrejamento. Ele deixou claro, porém, que resistir à Igreja Apostólica era resistir ao Espírito de Deus: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam vossos pais, assim também procedeis vós!" At 7,51
    Pelo fervor de sua fé, porém, Deus concedeu-lhe uma visão do Céu. E sob essa Graça, Santo Estevão vai imitar a compaixão de Jesus por Seus algozes, no momento de Sua Morte: "Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o Céu e viu a Glória de Deus, e Jesus de pé à direita de Deus. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: 'Senhor, não lhes leves em conta este pecado. 'A estas palavras, expirou." At 7,55.60
    Pouco tempo depois, quando a Samaria começou a acolher o Evangelho pela pregação de Filipe, outro iluminado Diácono, São Pedro e São João Apóstolo foram enviados para lhes ministrar o Sacramento da Crisma, o que a passagem mostra ser totalmente diferente de batizar. Foi o chamado 'Pentecostes dos Samaritanos': "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis a fim de receberem o Espírito Santo, visto que ainda não havia descido sobre nenhum deles, mas apenas tinham sido batizados em Nome do Senhor Jesus. Então os dois Apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo." At 8,14-17
    O Divino Paráclito, pois, agia sobre Filipe, e indicou-lhe o eunuco da rainha de Etiópia para que a ele fosse anunciado Jesus: "O Espírito disse a Filipe: 'Aproxima-te para bem perto deste carro.'" At 8,29
    Ao sentir-se catequizado, o eunuco pediu para ser batizado, e logo em seguida, também pelo Divino Espírito, Filipe foi levado pelos céus a outra localidade: "Mal saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe dos olhares do eunuco, que, cheio de alegria, continuou seu caminho." At 8,39
    A Conversão de São Paulo, assim como a cura de sua cegueira, causada pela luminosa visão que teve de Cristo, também foram operadas pelo Espírito de Deus, através de um discípulo que morava em Damasco: "Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: 'Saulo, meu irmão, o Senhor, Esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.'" At 9,17
    Era graças à moção do Espírito Divino, portanto, que a Santa Igreja Católica crescia em seus primeiros anos, e assim ainda hoje: "A Igreja então gozava de Paz por toda Judeia, Galileia e Samaria. Estabelecia-se caminhando no temor ao Senhor, e a assistência do Espírito Santo fazia-a crescer em número." At 9,31
    A conversão dos primeiros não-judeus pelas mãos de São Pedro também teve, desde o início, a condução do Espírito de Cristo, como São Paulo (cf. Rm 8,9) e São Pedro (cf. 1 Pd 1,11) O chamariam: "Enquanto Pedro refletia sobre a visão, disse o Espírito: 'Eis aí três homens que te procuram.'" At 10,19
    Na casa de Cornélio, então, São Pedro ainda estava pregando quando se deu a Unção que foi chamada de o 'Pentecostes dos Gentios', ou seja, dos não judeus: "'Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como Ele andou fazendo o bem e curando todos oprimidos do Demônio, porque Deus estava Consigo.' Ainda estando Pedro a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos que ouviam a Santa Palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo também era derramado sobre os pagãos... Então Pedro tomou a Palavra: 'Porventura se pode negar a Água do Batismo a estes que como nós receberam o Espírito Santo?'" At 10,38-45.47
    Em seguida, Antioquia, a terceira maior cidade do Império Romano, menor apenas que Roma e Alexandria, também acolheria a Boa Nova de Jesus, e São Barnabé, por seus notórios dons, vai ser o enviado da igreja sede, então em Jerusalém: "Ao lá chegar, alegrou-se, vendo a Graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração, pois era um homem de bem, cheio do Espírito Santo e de fé. Assim uma grande multidão se uniu ao Senhor." At 11,23-24
    E quando se deu uma grande seca, foi o Santo Espírito Quem a anunciou através de Ágabo, um profeta de Jerusalém, para que se fizesse uma coleta de ajuda à comunidade-mãe, à igreja da Cidade Santa, representada por aqueles que chamaríamos de Padres, em grego Presbíteros. A esse tempo, São Paulo ainda era chamado de Saulo: "Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e pelo Espirito deu a entender que haveria uma grande fome em toda Terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio. Os discípulos resolveram, cada um conforme suas posses, enviar socorro aos irmãos de Judeia. Assim o fizeram, e enviaram-no aos Anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo." At 11,28-30
    Em seguida, São Barnabé e São Paulo, que já trabalhavam em parceria na cidade de Antioquia (cf. At 11,25), tornam-se especiais mensageiros do Evangelho, escolhidos pelo próprio Espírito de Deus durante a Ação de Graças ordenada por Jesus (cf. Lc 22,19), que chamaríamos de Santa Missa: "Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.' Assim enviados pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre. " At 13,2.4
    No Primeiro Concílio da Igreja Católica, que se deu em Jerusalém, São Pedro, perfeitamente inspirado, posicionou-se contra a circuncisão dos não-judeus convertidos. E explicou-se, valendo-se da ação do Divino Paráclito sobre eles, que havai presidido no 'Pentecostes dos Gentios': "Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo da mesma forma que a nós." At 15,8
    E São Tiago Menor, então Bispo de Jerusalém (cf. At 12,17), ao pronunciar-se sobre o decisivo voto de São Pedro (cf. At 15,7), anunciou em carta à igreja de Antioquia a decisão do Concílio, que rejeitou o rito da circuncisão que ex-judeus exigiam dos pagãos convertidos. Mas claramente mencionou Quem a havia inspirado: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
    Também era Ele Quem definia os lugares onde o Evangelho deveria ser anunciado, como por duas vezes se viram desautorizados São Paulo e São Timóteo, após iniciarem muito frutuosa parceria (cf. At 16,3): "Em seguida, atravessando Frígia e a província de Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra de Deus na província de Ásia. Ao chegarem aos confins de Mísia, tencionavam seguir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,6-7
    A Igreja Una muito rapidamente crescia, mas os recém-convertidos de Éfeso, por exemplo, ainda não conheciam o Espírito Santo. É São Paulo que vai crismá-los, quando mais uma vez fica claro que o Sacramento da Crisma é diferente do de Batismo: "'Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?' Responderam-lhe: 'Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!' 'Então em que batismo fostes batizados?', perguntou Paulo. Disseram: 'No batismo de João.' Então Paulo replicou: 'João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse n'Aquele que havia de vir depois de si, isto é, em Jesus.' Ouvindo isso, foram batizados em Nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em estranhas línguas e profetizavam." At 19,2-6
    E também foi por revelação do Divino Espírito que São Paulo anunciou o início de seu martírio: "Agora, constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém, ignorando o que ali me espera. Só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me assegura que em Jerusalém me esperam cadeias e perseguições. Agora sei que não tornareis a ver minha face, todos vós, por entre os quais andei pregando o Reino de Deus." At 20,22-23.25
    Mas ele, chamando Jesus de Deus, fez questão de lembrar aos Anciãos de Éfeso de Quem eles haviam recebido o Sacramento da Ordenação, tratando de manter a Unidade da Igreja em reação às heresias que seriam divulgadas por falsos mestres, inclusive dentro da própria Igreja: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue. Sei que depois de minha partida se introduzirão entre vós cruéis lobos, que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir perversas doutrinas, com o intento de arrebatarem os discípulos após si." At 20,28-30
    Tal qual Jesus, que aceitou ser martirizado em Jerusalém (cf. Lc 13,33), São Paulo também escolheu seguir para a Cidade Santa, pois lhe foi dado escolher entre o martírio e a fuga. A primeira vez foi quando ele estava na cidade de Tiro, em terras de atual Líbano, em companhia de vários de seus colaboradores, entre eles o próprio São Lucas: "Como achássemos uns discípulos, detivemo-nos com eles por sete dias. Eles, sob a inspiração do Espírito, aconselhavam a Paulo que não subisse a Jerusalém." At 21,4
    E pela segunda vez na cidade de Cesareia, em casa de São Filipe Diácono, quando o conhecido profeta de Jerusalém (cf. At 11,27) veio informar-lhe de sua iminente prisão. São Lucas também estava presente: "Já estávamos aí fazia alguns dias, quando de Judeia chegou um profeta, chamado Ágabo. Veio ter conosco, tomou o cinto de Paulo e, amarrando-se com ele pés e mãos, disse: 'Isto o Espírito Santo diz: assim os judeus em Jerusalém ligarão o homem a quem este cinto pertence, e entregá-lo-ão às mãos dos pagãos.' A estas palavras, nós e os fiéis que eram daquele lugar, rogamos-lhe que não subisse a Jerusalém. Paulo, porém, respondeu: 'Por que chorais e me magoais o coração? Pois eu estou pronto não só a ser preso, mas também a morrer em Jerusalém pelo Nome do Senhor Jesus.'" At 21,11-13
    Por fim, já preso e em Roma, onde tempos depois, após segunda prisão, viria a ser executado, enquanto gozava de alguma liberdade São Paulo convocou os judeus de lá para lhes anunciar Cristo, mas sua palavra não foi acolhida. E ele vê nesse fato o cumprimento de uma profecia: "Não estando concordes entre si, retiraram-se, enquanto Paulo lhes fazia esta reflexão: 'Bem falou o Espírito Santo pelo Profeta Isaías a vossos pais, dizendo: 'Vai a este povo e dize-lhes: Com vossos ouvidos ouvireis, sem compreender. Com vossos olhos olhareis, sem enxergar.' Ficai, pois, sabendo que aos não-judeus é enviada agora esta Salvação de Deus. E eles ouvi-la-ão." At 28,25-28


INSPIRADOR E INTÉRPRETE DA PALAVRA, AUTOR DA GRAÇA E DA UNIDADE

    Temos nessas passagens, portanto, o Santo Espírito sempre, note-se bem, sempre a conduzir a Igreja Católica, que é exatamente a eterna Comunhão com Deus prometida por Jesus no Evangelho Segundo São João: "Se vós Me amais, guardareis Meus Mandamentos. E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Consolador, para que eternamente fique convosco." Jo 14,15-16
    Ora, conforme a Primeira Carta de São Pedro, atestando o 'Tempo do Espírito Santo', é Ele mesmo que tem ofertado a Boa Nova pelo Magistério da Igreja Católica: "... revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,12b
    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, de fato, faz-los relembrar: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo..." 1 Ts 1,5a
    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios também o faz: "Minha palavra e minha pregação longe estavam da persuasiva eloquência da Sabedoria. Eram, antes, uma demonstração do Espírito e do divino poder, para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." 1 Cor 2,4-5
    É Ele, pois, que desde o Pentecostes tem dado Vida e mantém a Igreja Viva, continuamente sob Sua inspiração, e não uma igreja de fragmentos, congelada no passado, escrava de literais ou pessoais interpretações das Escrituras. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios afirma: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso Ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações. Não que sejamos capazes por nós mesmos de ter algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus. Ele é que nos fez aptos para ser Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica. Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,3.5-8
    Aliás, condenando as pessoais interpretações, que são verdadeiras heresias, pois significam escolhas dentre o que foi revelado, a Segunda Carta de São Pedro já nos alertava que só há uma interpretação correta: aquela revelada pelo próprio Espírito Santo desde o início, pois as próprias Escrituras foram inspiradas por Si: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de pessoal interpretação. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20-21
    Ora, foi o próprio Deus que enviou Seu Espírito, após a Ascensão do Senhor, para nos lembrar e ensinar a Verdade em cada nova situação, como se viu pelos séculos, até o Dia do Juízo. Jesus disse na noite em que ia ser entregue: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito. Quando o Espírito da Verdade vier, ensiná-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 14,26;16,13
    Assim, apesar de serem muitos os dons de Deus, todos são distribuídos pelo Santo Paráclito. São Paulo revelou: "Há diversidade de dons... Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,4a.11
    E todos eles sempre estão, e sempre estarão, voltados para edificar a Igreja, a Barca de São Pedro (cf. Lc 5,3), o Corpo Místico de Cristo (cf. Ef 1,22s). Ou seja, o Espírito de Deus jamais deu de Seus dons a quem quer que seja para a atacar: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    Pois o próprio Jesus é Nosso Modelo, e seguindo o ensinamento dos Apóstolos impreterivelmente devemos buscar a Unidade da fé, como a Carta de São Paulo aos Efésios explica: "A uns Ele constituiu Apóstolos, a outros, profetas, a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos santos em vista do Ministério, para a edificação do Corpo de Cristo, até que todos alcancemos a Unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Perfeito Homem, a estatura da plenitude de Cristo." Ef 4,11-13
    Por este esforço, a Carta de São Paulo aos Romanos promete a vitória da Cruz, e a gloriosa divina filiação: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, por Seu Espírito que em vós habita. Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,11-14
    Com efeito, pois é por Sua ação que somos adotados como filhos por Deus Pai: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para ainda viverdes no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção pelo Qual clamamos: Aba! Pai!" Rm 8,15
    Foi isso que se efetivou pela Graça em Cristo Senhor: "Em Seu amor, Ele (Deus Pai) predestinou-nos para sermos Seus filhos adotivos por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de Sua vontade." Ef 1,5
    Por isso, o Apóstolo dos Gentios também advertia: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b
    Ora, ele afirma que sequer podemos saber se Jesus é Deus sem a ajuda do Santo Paráclito: "... e ninguém pode dizer: 'Jesus é o Senhor', senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3b
    E assim pede pela Única e Verdadeira União, só existente na Igreja Una, o Corpo que tem Cristo como a Cabeça (cf. Cl 1,18). Comunhão que nos é facultada pelo próprio Espírito Santo: "Exorto-vos, pois, prisioneiro que sou pela causa do Senhor, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda humildade e amabilidade, com grandeza de alma, mutuamente vos suportando com amor. Sede solícitos em conservar a Unidade do Espírito no vínculo da Paz." Ef 4,1-3
    Pois só pelo Divino Espírito podemos ser Igreja: "É em Si (Cristo) que todo o Edifício, harmonicamente disposto, se levanta até se tormar Santo Templo, no Senhor. É em Si que vós também entrais, pelo Espírito, na estrutura do Edifício que se torna a Habitação de Deus." Ef 2,21-22
    Só através de Si podemos chegar a Comunhão com Deus e com nossos irmãos, numa oração que é dita como acolhida em toda Santa Missa: "A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" Cor 13,13
    E só através d'Ele, que o mundo não pode receber (cf. Jo 14,17), a Igreja Católica Apostólica Romana tem as Graças de Deus, como os seguidores da tradição de São Paulo afirmam na Carta aos Hebreus: "... o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29

    "Santificai-nos pelo dom de Vosso Espírito!"