sábado, 7 de março de 2026

Comunhão Reparadora dos Cinco Primeiros Sábados

     O primeiro sábado de cada mês é dia de comungar em desagravo às ofensas feitas ao Imaculado Coração de Maria, como o próprio Jesus revelou à Beata Lúcia de Fátima e Nossa Senhora lhe pediu por ocasião da Promessa de Fátima.

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

A Caridade


    A palavra 'caritas', em latim, de onde nos vem a palavra 'caridade', é mais propriamente traduzida como 'amor'. Mas pelo largo e atual uso, criou-se uma distinção entre elas, e caridade passou a designar atitudes, gestos concretos do amor que se sente, quando verdadeiramente altruístico. Nos assuntos da Santa Igreja Católica, ela tem duas nuances: a caridade espiritual, no ato de rezar por alguém ou na consagração à vida religiosa, como exemplos, e a caridade material, na tradicional forma de dízimo, oferta, óbulo, doações, donativos, esmolas, assistência, trabalho voluntário etc.
    Ser 'caro' para com o semelhante, portanto, significa tornar-se de maior valor pela distinta Graça com que se dedica, ou por algum bem material que se oferece.
    Já no sentido teológico, o termo mais propriamente significa encarnar o salvífico amor, o amor de Salvação, isto é, por notória intervenção de Deus, em nossa humanidade viver o divino amor. Esse é o Mandamento de Jesus, dado aos Apóstolos na noite que ia ser entregue, na leitura do Evangelho Segundo São João. Ele coloca Seu amor como parâmetro para o nosso: "Dou-vos um novo Mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como Eu vos tenho amado, vós também deveis amar-vos uns aos outros." Jo 13,34
    Porém, num mundo de tantas e tão flagrantes injustiças, sejam pessoais ou sociais, o amado Papa Bento XVI deixou uma reflexão. Convocando a um engajamento de católicos em defesa dos mais pobres, em sua Encíclica 'Caritas in Veritate', traduzida como 'Caridade na Verdade', onde discorre sobre a verdadeira caridade, fez menção de um pensamento de São Gregório Magno: "Não posso ‘dar’ ao outro do que é meu, sem antes lhe ter dado aquilo que já lhe pertence por Justiça."
    Grande teólogo, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios com frequência falou da caridade. Seja para a distinguir, ao denunciar o racionalismo de certas 'economias': "Porém, a ciência incha, a caridade constrói." 1 Cor 8,1
    Seja para pontualmente a conceituar, como também se usa para conceituar o próprio amor: "A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não e orgulhosa. Não é arrogante.´Não é escandalosa. Não cuida de seus interesses, não se irrita, não guarda rancor, não suspeita mal. Não se alegra com a injustiça, mas com a Verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." 1 Cor 13,4-7
    Ou para prever a efetividade de sua prática, que sem dúvida é eterna: "A caridade jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará." 1 Cor 13,8
    Ele destaca-a entre as outras virtudes teologais, mais largamente divulgada como o 'amor': "Por ora subsistem a , a esperança e a caridade, as três. Porém, a maior delas é a caridade." 1 Cor 13,13
    E indica-a como imperativo em toda obra de um autêntico cristão: "Tudo que fazeis, fazei na caridade." 1 Cor 16,14
    Ou, na Carta de São Paulo aos Gálatas, como essencial instrumento da fé: "Estar circuncidado ou incircunciso de nada vale em Cristo Jesus, mas sim a fé que opera pela caridade." Gl 5,6
    Ou ainda como razão de servir: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para servir à carne. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade..." Gl 5,13
    Foi este Santo que estabeleceu a autêntica meta de todo cristão, na Carta de São Paulo os Efésios, que mais amplamente se entende como o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo: "... conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo entendimento, para que sejais cheios de toda plenitude de Deus." Ef 3,19
    E ele assim refuta toda heresia, pedindo pela Unidade da Igreja, pelo exercício do mais abrangente amor: "Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios. Mas, pela sincera prática da caridade, cresçamos em todos sentidos, n'Aquele que é a Cabeça, Cristo. É por Ele que todo o Corpo, coordenado e unido por conexões que estão a Seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria, efetua esse crescimento, visando sua plena edificação na caridade." Ef 4,14-16
    Recomendava mesmo que cuidássemos primeiro da Igreja Católica, em manutenção à obra da Salvação: "Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos homens, mas particularmente aos irmãos na fé." Gl 6,10
    Aludindo a seus sofrimentos no esforço da evangelização, propriamente uma prisão, o Apóstolo dos Gentios pedia mútua compreensão: "Exorto-vos, pois, prisioneiro que sou pela causa do Senhor, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda humildade e amabilidade, com grandeza de alma, mutuamente suportando-vos com caridade. Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados por vossa vocação a uma só esperança." Ef 4,1-4
    Porque somos conhecedores do mais perfeito exemplo a ser seguido: "Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós Se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável perfume." Ef 5,2
    Pois só a prática do mais profundo amor nos permite verdadeiramente alcançar o dom do discernimento, sempre de grande importância para o ser humano, como será atestado no Dia do Juízo. A Carta de São Paulo aos Filipenses diz: "Peço, em minha oração, que vossa caridade se enriqueça cada vez mais de compreensão e critério, com que possais discernir o que é mais perfeito e vos torneis puros e irrepreensíveis para o Dia de Cristo..." Fl 1,9-10
    Jesus, de fato, prometeu no Sermão da montanha, que o Evangelho Segundo São Mateus registrou: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus!" Mt 5,8
    A Carta de São Paulo aos Colossenses ainda a apresenta como o caminho da excelência: "Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição." Cl 3,14
    Assim como imprescindível qualidade para os Sacerdotes da Igreja Apostólica, sejam ordenados ou leigos, como a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo recomendou-lhe: "... torna-te modelo para os fiéis, no modo de falar e de viver, na caridade, na fé, na castidade." 1 Tm 4,12
    Já a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo lhe pede a companhia daqueles que frequentam a Santa Missa, e dá instruções para os caridosos procedimentos de um Sacerdote: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a Justiça, a fé, a caridade, a Paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração. Rejeita as tolas e absurdas discussões, visto que geram contendas. A um servo do Senhor não convém altercar. Bem ao contrário, seja ele condescendente com todos, capaz de ensinar, paciente em suportar os males. É com brandura que deve corrigir os adversários, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do Demônio, que a seus caprichos os mantém cativos e submetidos." 2 Tm 2,22-26
    Na Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, vemos que ele sabe que só Deus pode fazer com que evoluamos nesse dom, como acontece com os que alcançam a santidade: "Que o Senhor vos faça crescer e avantajar em mútua caridade e para com todos homens, como é nosso amor para convosco. Que Ele confirme vossos corações e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, Nosso Pai, por ocasião da Vinda de Nosso Senhor Jesus com todos Seus Santos!" 1 Ts 3,12-13
    Citando o Livro de Provérbios, a Primeira Carta de São Pedro aponta-a como a maior das indulgências, também mais frequentemente traduzida como amor: "Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre uma multidão de pecados (Pr 10,12)." 1 Pd 4,8
    Porque São Rafael Arcanjo, exaltando a Comunhão com os pobres, ensinou no Livro de Tobias, a ele e a seu pai Tobit, sobre a caridade material: "... a esmola é preferível aos escondidos tesouros de ouro. Porque a esmola livra da morte: ela apaga os pecados e faz encontrar a Misericórdia e a Vida Eterna..." Tb 12,8b-9
    Mas o próprio Tobit, julgando estar em seu leito de morte, já havia repassado, entre outros, esses importantes conselhos a Tobias: "Dá esmola de teus bens, e não te desvies de nenhum pobre, pois, assim fazendo, tampouco Se Deus desviará de ti. Sê misericordioso segundo tuas posses: se tiveres muito, abundantemente dá. Se tiveres pouco, dá desse pouco de bom coração. Assim acumularás uma boa recompensa para o dia da necessidade, porque a esmola livra do pecado e da morte, e preserva a alma de cair nas trevas. Para todos que a praticam, a esmola será um motivo de grande confiança diante do Deus Altíssimo." Tb 4,7-12
    Contudo, o sagrado autor de Provérbios antes ressalta, com toda propriedade, a suma importância da Comunhão com Deus: "Há muitos planos no coração do homem, mas é a vontade do Senhor que se realiza." Pr 19,21
    E vinculando a intenção ao amor, cravou essa luminosa máxima: "O encanto de um homem é sua caridade: mais vale o pobre que o mentiroso." Pr 19,22a
    O Livro de Eclesiástico também reconheceu: "... homens de Misericórdia. As obras de sua caridade nunca foram esquecidas. Os filhos de seus filhos são uma santa linhagem, e seus descendentes mantêm-se fiéis às Alianças. Por causa deles, seus filhos permanecem para sempre, e sua posteridade, assim como sua glória, não terá fim. Seus corpos foram sepultados em Paz, seu nome vive de século em século. Proclamem os povos sua Sabedoria, e cante a assembléia seus louvores!" Eclo 44,10b.12-15
    Pregou a generosidade para com todos em carência, para nossa melhor relação com Deus: "Estende a mão ao pobre, a fim de que sejam perfeitos teu sacrifício e tua oferenda. Dá de boa vontade a todos os vivos, e não recuses esse benefício a um morto. Não deixes de consolar aqueles que choram, aproxima-te daqueles que estão aflitos. Não tenhas preguiça de visitar um doente, pois é assim que te firmarás na caridade." Eclo 7,36-39
    E pela caridade para com os pais na velhice, ele garante a Divina Misericórdia: "Meu filho, ajuda a velhice de teu pai, não o desgostes durante sua vida. Se seu espírito desfalecer, sê indulgente. Não o desprezes porque te sentes forte, pois tua caridade para com teu pai não será esquecida e, por teres suportado os defeitos de tua mãe, sê-te-á dada uma recompensa: tua casa tornar-se-á próspera na Justiça. Lembrar-se-ão de ti no dia da aflição, e teus pecados dissolver-se-ão como o gelo ao forte sol." Eclo 3,14-17 
    Ele observa, enfim, que a Paz frequentemente transmitida é maior caridade que a material: "Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás mais amado que um generoso homem." Eclo 3,19
    Ademais, com o Advento de Cristo, a mera e indiscriminada violência, que é o extremo oposto da caridade, deve ser sistematicamente banida de nossas vidas, pois elevando as prescrições do Antigo Testamento à perfeição (cf. Mt 5,17), Ele ensinou sobre pessoais e menores agressões ainda no Sermão da Montanha: "Tendes ouvido o que foi dito: 'Olho por olho, dente por dente.' Eu, porém, digo-vos: não resistais ao mau homem. Se alguém te ferir a face direita, também lhe oferece a outra." Mt 5,38-39
    Porque para verdadeiramente O seguir e a todos franquear a Salvação, devemos amar até mesmo nossos inimigos, e por eles rezar, como Ele exortou nessa mesma ocasião: "Tendes ouvido o que foi dito: 'Amarás teu próximo e poderás odiar teu inimigo.' Eu, porém, digo-vos: amai vossos inimigos, fazei o bem àqueles que vos odeiam, rezai por aqueles que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de Vosso Pai do Céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e os injustos." Mt 5,43-45
    Pregou que os bens desses mundo, principalmente os amealhados na injustiça, sejam usados para edificar verdadeiras amizades, como está no Evangelho Segundo São Lucas: "Eu digo-vos: fazei amigos com a injusta riqueza, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos eternos tabernáculos." Lc 16,9
    E a todos deu esta advertência sobre o pecado mortal da avareza: "E disse então ao povo: 'Escrupulosamente guardai-vos de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas.'" Lc 12,15


    No episódio da mulher flagrada em adultério, ato abominável para os antigos, Nosso Salvador, invocando a santidade, simplesmente tornou inaplicável a lei que previa o apedrejamento. E, como grande sinal, determinou-o no próprio Templo de Jerusalém: "Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra." Jo 8,7
    Explicou a importância de oferecer o perdão para fomentar o amor: "Jesus então lhe disse: 'Simão, tenho uma coisa a te dizer.' 'Fala, Mestre', disse ele. 'Um credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro, cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos suas dívidas. Qual deles o amará mais?' Simão respondeu: 'A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou.' Jesus replicou-lhe: 'Julgaste bem.' E voltando-Se para a mulher, disse a Simão: 'Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não Me deste água para lavar os pés. Mas esta, com suas lágrimas regou-Me os pés e enxugou-os com seus cabelos. Não Me deste o ósculo, mas esta, desde que entrou, não cessou de Me beijar os pés. Não Me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com perfume, ungiu-Me os pés. Por isso, digo-te: seus numerosos pecados foram-lhe perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas àquele que pouco se perdoa, pouco ama." Lc 7,40-47
    E numa parábola na qual exaltou quase que apenas seu aspecto material, Ele cita apenas a caridade como critério no Dia do Juízo: "Então o Rei dirá aos que estão à direita: 'Vinde, benditos de Meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a Criação do mundo. Porque tive fome e Me deste de comer, tive sede e Me deste de beber, era peregrino e Me acolheste, nu e Me vestiste, enfermo e Me visitaste, estava na prisão e viestes a Mim.' Perguntá-Lhe-ão os justos: 'Senhor, quando foi que Te vimos com fome e Te demos de comer, com sede e Te demos de beber? Quando foi que Te vimos peregrino e Te acolhemos, nu e Te vestimos? Quando foi que Te vimos enfermo ou na prisão e fomos visitar-Te?' Responderá o Rei: 'Na Verdade, Eu declaro-vos: todas vezes que fizestes isto a um destes Meus pequeninos irmãos, foi a Mim mesmo que o fizestes." Mt 25,34-40
    De fato, Ele garantiu que cada gesto de generosidade em nome do Reino de Deus seria lembrado: "Todo aquele que der ainda que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é Meu discípulo, na Verdade, Eu digo-vos: não perderá sua recompensa." Mt 10,42
    Especialmente os maiores gestos, de mais consciência das obras de Deus: "Aquele que recebe um Profeta, na qualidade de Profeta, receberá uma recompensa de Profeta. Aquele que recebe um justo, na qualidade de justo, receberá uma recompensa de justo." Mt 10,41
    Ora, no Evangelho Segundo São Marcos, Ele garantiu muito mais a quem socorre crianças pelo amor de Deus: a própria Comunhão com Deus: "Todo aquele que recebe uma destas crianças por causa de Meu Nome, a Mim é que recebe. E todo aquele que recebe a Mim, não Me recebe, mas Aquele que Me enviou." Mc 9,37
    E para deixar bem claro a importância do Novo Mandamento que nos deu, como vimos, expressamente disse que este é Seu Mandamento: "Este é Meu Mandamento: amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo." Jo 15,12
    A despeito de todas adversidades, por fim, Ele pedia santa e tenaz persistência no amor. Foi igualmente na noite em que se iniciaria Sua Paixão: "Como o Pai Me ama, Eu também vos amo. Perseverai em Meu amor. Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,9-10
    Expressou com todas letras, depois da Santa Ceia, como verdadeiramente podemos amá-Lo: "Aquele que tem Meus Mandamentos e os guarda, esse é que Me ama. E aquele que Me ama será amado por Meu Pai, e Eu amá-lo-ei e manifestar-Me-ei a ele." Jo 14,21
    Havia relembrado em pregação em Jerusalém, depois do Domingo de Ramos, o primeiríssimo Mandamento, elementar ponto da Sã Doutrina que o mundo acintosamente ignora, como essência de toda e qualquer caridade espiritual: "Achegou-se a Ele um dos escribas que os ouvira discutir e, vendo que lhes respondera bem, d'Ele indagou: 'Qual é o primeiro de todos Mandamentos?' Jesus respondeu-lhe: 'O primeiro de todos Mandamentos é este: 'Ouve, Israel: o Senhor Nosso Deus é o único Senhor! Amarás ao Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todo teu entendimento e de todas tuas forças." Mc 12,28-30
    De fato, São Paulo mesmo vai dizer das maiores de todas caridades, materiais e espirituais: "Ainda que distribuísse todos meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada valeria!" 1 Cor 13,3
    E assim Cristo havia explicado o amor do Pai pela humanidade, em primeira visita à Cidade Santa em Sua Missão: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo que lhe deu Seu único Filho, para que todo aquele que n'Ele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna." Jo 3,16
    A Primeira Carta de São João, nesse sentido, inspiradamente aponta Deus como fonte de todo amor: "Mas amamos, porque primeiro Deus nos amou." 1 Jo 4,19
    A Carta de São Paulo ao Romanos já havia percebido: "Mas eis aqui uma brilhante prova de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós." Rm 5,8
    Cheio de confiança, o Amado Discípulo diz: "Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele. Nisto é perfeito em nós o amor: que tenhamos confiança no Dia do Julgamento, pois, como Ele é, nós também somos neste mundo." 1 Jo 4,16-17
    E por isso, no Livro de Apocalipse de São João, Ele exigia daqueles cuja conversão foi esquecida, ou que caiu em árida rotina, ameaçando tirar-lhes Sua Luz: "Mas tenho contra ti que arrefeceste teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste. Arrepende-te e retorna a tuas primeiras obras. Senão, virei a ti e removerei teu candelabro de seu lugar, caso não te arrependas." Ap 2,4-5
    A mais pura caridade, portanto, é a condição que Jesus fixou em despedida de Apóstolos, discípulos e seguidores, para que, através da verdadeira Comunhão entre nós, sejamos Sua Igreja: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
    Essa é a marca da Santa Cruz, como disse nessa mesma noite: "Ninguém tem maior amor que Aquele que dá sua vida por Seus amigos." Jo 15,13
    Entretanto, ainda enquanto pregava em Jerusalém na Páscoa em que seria sacrificado, Ele profetizou a respeito dos últimos tempos: "E ante o crescente progresso da iniquidade, a caridade de muitos esfriará." Mt 24,12
    Também profetizou nestes dias, em passagem por Betânia, a fatal derrocada de nossas pretensas organizações sociais e assistências públicas: "Na Verdade, vós sempre tereis os pobres convosco, e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes o bem. Mas a Mim nem sempre tereis." Mc 14,7
    Ele reafirmava a própria Palavra de Deus havia muito dita através de Moisés, que, no Livro de Deuteronômio, anunciou estatutos e normas aos israelitas, a serem postos em prática na Terra Santa: "Nunca faltarão pobres na Terra, e por isso dou-te esta ordem: abre tua mão a teu necessitado ou pobre irmão que vive em tua Terra." Dt 15,11
    Entretanto, um recorrente erro do entendimento sobre a caridade é achar que só a devemos aos pobres. Como exemplo, São Paulo pediu essa caridade espiritual a São Timóteo: "Exorta os ricos deste mundo a que não sejam orgulhosos nem ponham sua esperança nas volúveis riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas coisas para delas fruirmos. Que pratiquem o bem, se enriqueçam de boas obras, sejam generosos, comunicativos, ajuntem um sólido e excelente tesouro para seu futuro, a fim de conquistarem a verdadeira Vida." 1 Tm 6,17-19
    Também pede rezemos pelas autoridades não religiosas: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos homens, pelos reis e por todos que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma calma e tranquila vida, com toda piedade e honestidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador, o Qual deseja que todos homens se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade." 1 Tm 2,2-3

    "Confirmai na caridade Vosso povo!"