quinta-feira, 30 de abril de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

Deus Católico: Mais Amor!


    Nos termos do Catolicismo, Deus é mais atencioso e mais amoroso Pai. Para começar, Ele deu-nos mais que especial Mãe, que constantemente vela por nós e nominalmente é a primeira pessoa a receber uma Coroa nos Céus, pois Satanás não conseguiu vencê-la. O Livro de Apocalipse de São João apontou: "O Dragão, vendo que fora precipitado na Terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para a fazer submergir. A Terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara. Cheio de raiva por causa da Mulher, o Dragão então começou a atacar o resto de seus filhos, aqueles que obedecem aos Mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus." Ap 12,13-17


PAPA E PADRES

    Deus 'católico' também nos deu pais espirituais: nossos Sacerdotes são, por e amor, chamados de Padres, e o Sumo Pontífice de Papa, pois, independentemente de seus erros, plenamente representam o Pai do Céu, como a Carta de São Paulo aos Romanos afirmou: "Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis." Rm 11,29
    Eles todos são escolhidos por Deus, na Pessoa do Espírito Santo que guia a Santa Igreja Católica (cf. Jo 16,13). No Evangelho Segundo São João, Jesus revelou e garantiu o resultado de seus ofícios para a eternidade: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí a fim de que, tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu Nome, Ele vos conceda." Jo 15,16
    Por isso, o Apóstolo dos Gentios sai em defesa dos Sacerdotes da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, e assegura: "Quem poderia acusar os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica." Rm 8,33
    Ora, referindo-se ao próprio Jesus, São João Batista testemunhou a plena presença do Espírito Santo em Seus escolhidos: "Com efeito, Aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque Ele concede o Espírito sem medidas." Jo 3,34
    Citando uma profecia do Livro de Salmos, os seguidores da tradição de São Paulo também disseram na Carta aos Hebreus: "Ninguém se apropria desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão. Assim Cristo também não atribuiu a Si mesmo a Glória de ser Pontífice. Esta foi-Lhe dada por Aquele que Lhe disse: 'Tu és Meu Filho, hoje Eu Te gerei (Sl 2,7),'" Hb 5,4-5
    E a Carta de São Paulo aos Gálatas diz como Ele opera em Seus enviados: "Eu vivo, mas já não sou eu. É Cristo que vive em mim." Gl 2,20
    Sem dúvida, a Carta de São Paulo aos Colossenses atesta que é Jesus Quem age por Seus verdadeiros Ministros: "A Ele (Cristo) é que anunciamos, admoestando todos homens e instruindo-os em toda Sabedoria, para tornar todo homem perfeito em Cristo. Eis a finalidade de meu trabalho, a razão porque luto, auxiliado por Sua força que poderosamente atua em mim." Cl 1,28-29
    Este Apóstolo diz do Sacramento da Confissão, o dom de fazer o ser humano renascer, na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: "Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho, eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que, por Cristo, Consigo nos reconciliou e nos confiou o Ministério desta Reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em Nome de Cristo, rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!" 2 Cor 5,17-18.20
    Afirma o poder do Santo Paráclito em sua obra: "Tenho motivo de me gloriar em Jesus Cristo, no que diz respeito ao serviço de Deus. Porque não ousaria mencionar ação alguma que Cristo não houvesse realizado por meu Ministério, para levar os pagãos a aceitar o Evangelho, pela Palavra e pela ação, pelo poder dos milagres e prodígios, pela virtude do Espírito." Rm 15,17-19a
    Chama-o de Ministério do Espírito Santo, que é o próprio Ministério da Igreja Católica: "Ele (Deus) é que nos fez aptos para sermos Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica. Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória... quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,6-7a.8
    E para tanto a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios rezava: "Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus." 1 Cor 4,1
    Quanto à paternidade espiritual, o próprio Jesus chamava os Apóstolos de filhos: "Filhinhos Meus, apenas por um pouco ainda estou convosco. Vós haveis de Me procurar, mas, como disse aos judeus, agora também digo a vós: para onde Eu vou, vós não podeis ir." Jo 13,33
    E assumindo a sua, São Paulo também vai reclamar aos coríntios: "Com efeito, ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes muitos pais. Ora, fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho." 1 Cor 4,15
    Já havia dito: "Não vos escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas admoesto-vos como meus muito amados filhos." 1 Cor 4,14
    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses também dizia: "E sabeis que com cada um de vós procedemos como um pai para com seus filhos: nós temo-vos exortado, estimulado, conjurado a comportardes de maneira digna de Deus, que vos chama a Seu Reino e a Sua Glória." 1 Ts 2,11-12
    Nossos Sacerdotes, ademais, vivem a evangélica pobreza (cf. Mt 5,3). No Evangelho Segundo São Lucas, desde o chamado dos Apóstolos, Jesus pediu discípulo "... que tenha abandonado, por amor ao Reino de Deus, sua casa, sua mulher, seus irmãos, seus pais ou seus filhos..." Lc 18,29
    Ele já havia sentenciado: "Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo que possui, não pode ser Meu discípulo." Lc 14,33
    Pois quem realmente encontrou a Deus, não precisa de mais nada, segundo Suas palavras: "Quem vem a Mim não terá mais fome, e quem crê em Mim nunca mais terá sede." Jo 6,35b
    Atualmente, nossos Sacerdotes estudam em média por oito anos,e recebem o Sacramento da Ordenação por Bispos que seguem a mesma e fiel sucessão desde os Apóstolos até os dias de hoje, como a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo lhe determinou, exaltando a Sagrada Tradição, a Tradição Oral: "O que de mim ouviste em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis que, por sua vez, sejam capazes de instruir a outros." 2 Tm 2,2
    Na Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo, ele menciona esse ritual: "Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia, quando a assembleia dos anciãos te impôs as mãos." 1 Tm 4,14
    Na Carta de São Paulo a São Tito também: "Eu deixei-te em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres anciãos em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei." Tt 1,5
    Desde o Pentecostes, portanto, o próprio Espírito de Deus tem-se encarregado de ungir nossos Sacerdotes, como o Apóstolo dos Gentios afirma aos anciãos da cidade de Éfeso, no Livro de Atos dos Apóstolos, numa das vezes que chama Jesus de Deus: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28
    Enfim, nossos Padres não casam para que possam levar uma vida plenamente espiritual, e assim dedicar integral atenção à Igreja Apostólica. No Evangelho Segundo São Mateus, o próprio Jesus havia ensinado: "... há eunucos que a si mesmos fizeram eunucos por amor ao Reino dos Céus." Mt 19,12b
    São Paulo, que era convicto celibatário, justificava tal disciplina nestes termos: "Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar a sua esposa." 1 Cor 7,8.32-33
    Pois o Sacramento do Matrimônio, que é exclusivo entre homem e mulher!, é indissolúvel. Assim Jesus, renegando o divórcio acolhido na Lei de Moisés (cf. Dt 24,3), apresentou esse projeto de Deus como era desde a Criação, mencionando o Livro de Gênesis. Está no Evangelho Segundo São Marcos: "Mas, no princípio da Criação, Deus fê-los homem e mulher: 'Por isso, deixará o homem pai e mãe e unir-se-á a sua mulher, e os dois não serão senão uma só carne (Gn 2,24).' Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe o homem, pois, o que Deus uniu." Mc 10,6-9
    E além de trazer a Paz de Cristo ao casal, essa também é uma garantia para que as crianças tenham pai e mãe sempre presentes, como a profecia de Malaquias dizia sobre São João Batista, ferrenho defensor do Matrimônio (cf. Mc 6,18), que foi mencionada pelo Arcanjo São Gabriel a São Zacarias, pai do Batista, quando anunciou seu Nascimento: "... e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos..." Lc 1,17a


A IGREJA UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA

    Somos, portanto, uma só Igreja em todo mundo, o que é uma grande prova do poder e da presença do Filho de Deus entre nós, para além de Sua Onipresença. Ora, quem, senão o inimigo e seus enviados, vai atacar a Santa Igreja onde Jesus está? A instantes de Sua Ascensão aos Céus, Ele afirmou: "Toda autoridade foi-Me dada no Céu e na Terra. Eis que convosco estou todos dias, até a consumação dos séculos." Mt 28,18b.20b
    E se Nosso Senhor está com ela para até o Juízo Final, quando se transformará no próprio Céu, como não iria cuidar dela? A Carta de São Paulo aos Efésios ensina: "Porque ninguém jamais quis mal a sua própria carne. Antes a alimenta e a cuida, como Cristo faz com Sua Igreja, porque somos membros de Seu Corpo." Ef 5,29-30
    Ele também garantiu a constante e eterna presença do Espírito Santo, que é outro Consolador, entre os membros da Igreja, como tem sido pelos séculos: "E Eu rogarei ao Pai e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16
    Ela é a Verdadeira Igreja exatamente porque só a ela Jesus enviou o Espírito da Verdade, que é a Terceira Pessoa de Deus e que jamais a abandonou, do Qual o mundo não é digno: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17
    Essa Unidade da Igreja só é possível graças à própria Glória de Deus, e é a prova da passagem do Salvador entre nós e do amor do Pai pelos Seus. Jesus rezou a Ele: "Eu dei-lhes a Glória que Tu Me deste, para que eles sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Tu Me enviaste e que os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Ela é pura e Santa porque Nosso Senhor assim a quer, como São Paulo testifica: "... como Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela, para a santificar, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a apresentar a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25b-27
    Ele reza: "Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do Céu nos abençoou com toda bênção espiritual em Cristo, e n'Ele nos escolheu antes da criação do mundo, para sermos Santos e irrepreensíveis diante de Seus olhos." Ef 1,3-4
    Garantiu-nos todos dons: "Assim, enquanto aguardais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo, não vos falta dom algum. Ele há de vos confirmar até o fim, para que sejais irrepreensíveis no Dia de Nosso Senhor Jesus Cristo." 1 Cor 1,7-8
    Também rezou para "Que Ele (Jesus) confirme vossos corações e os torne irrepreensíveis e Santos na presença de Deus, Nosso Pai, por ocasião da Vinda de Nosso Senhor Jesus com todos Seus Santos!" 1 Ts 3,13
    E assegurou aos católicos romanos: "... pois todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus." Rm 8,14
    A palavra 'católica', vinda do grego, quer dizer universal, pois Jesus fundou uma só Igreja para o mundo todo (cf. At 1,8). E ela já nasceu Católica, ou seja, falando a todas nações, desde o Pentecostes: "Ficaram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em línguas conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se em Jerusalém, então, piedosos judeus de todas nações que há debaixo do céu. Profundamente impressionados, manifestavam sua admiração: 'Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Mas como todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?'" At 2,4-5.7-8
    Jesus mesmo já havia dito que ela seria Católica, pouco antes de Sua Ascensão, quando determinou algo que flagrantemente é desrespeitado por muitos que se dizem cristãos: a divulgação do Evangelho em sua integridade: "Ide, pois, e fazei que todas nações se tornem discípulos, batizando-as em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo que vos ordenei." Mt 28,19-20a
    A Igreja é Apostólica porque Jesus quis que ela fosse conduzida por seres humanos, a começar pelos Apóstolos, aqueles que Ele escolheu e que Consigo estiveram desde o início, passando por Sua Ressurreição e até Sua Ascensão aos Céus (cf. At 1,21s): "... sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria e até os confins do mundo." At 1,8
    Quando apareceu ressuscitado aos Apóstolos, Ele explicou as Escrituras e Sua Paixão nestes termos: "Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. E que em Seu Nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso." Lc 24,46-48
    E assim ela se estabeleceu, claramente guiada por homens, celebrando a Santa Missa, quando vemos seus quatro constitutivos: "Perseveravam eles (os fiéis) na Doutrina dos Apóstolos, na fraterna Comunhão, na fração do Pão e nas orações." At 2,42
    Sobre todas estas revelações, pois, a Primeira Carta de São João confirma essa ação humana, segundo o projeto de Deus: "Aceitamos o testemunho dos homens." 1 Jo 5,9a
    Por isso, a Igreja Una leva ao mundo o Nome de Deus porque só ela tem a guarda, e assim a presença, do Verbo Encarnado. Referindo-Se aos Apóstolos, Jesus rezou ao Pai: "Manifestei Teu Nome aos homens que do mundo Me deste. Eram Teus e deste-mos, e guardaram Tua Palavra." Jo 17,6
    Ele constantemente a tem purificado por ação de Sua Palavra, como disse aos Apóstolos quando usou a imagem da videira e dos ramos: "Vós já estais puros pela Palavra que vos tenho anunciado." Jo 15,3
    E também a santifica, como Ele pediu ao Pai: "Santifica-os pela Verdade. Tua Palavra é a Verdade." Jo 17,17
    Assim a Santa Palavra tem sido preservada desde então, como São Paulo exortou a São Timóteo, invocando a Graça do Divino Paráclito: "Guarda o Precioso Depósito, pela virtude do Espírito Santo que em nós habita." 2 Tm 1,14
    Pois só a Santa Igreja Católica, através do Espírito da Verdade, é depositária da Verdade, como este Apóstolo havia dito: "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15
    E a Revelação já está concluída, conforme a afirmação da Carta de São Judas: "... pela , de uma vez para sempre confiada aos Santos." Jd 3b
    Aliás, o próprio Jesus tratou-a como conclusa, ao mandar mensagem à igreja de Filadélfia em Apocalipse: "... guardaste Minha Palavra, e não renegaste Meu Nome." Ap 3,8b
    Assim os Sacerdotes de Sua Igreja podem reconciliar-nos com Deus, absolvendo nossos pecados, purificando-nos, porque Jesus também lhes deu este poder: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23
    Eles têm poder para estabelecer a penitência, para que o Sacramento da Confissão se complete: "Então chamou os Doze e começou a os enviar, dois a dois, e deu-lhes poder sobre os imundos espíritos. Eles partiram e pregaram a penitência. Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e curavam-nos." Mc 6,7.12-13
    Podem celebrar a memória de Sua Paixão, por Ele mesmo instituída, que nos redime e nos leva à Vida Eterna: "Em seguida tomou o pão, e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-Lho, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado em favor de vós. Fazei isto em memória de Mim.' Do mesmo modo tomou o cálice depois de cear, dizendo: 'Este cálice é a Nova Aliança em Meu sangue, que é derramado em favor de vós...'" Lc 22,19-20
    Podem ministrar o Sacramento da Crisma, o que evidentemente é diferente de batizar: "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que ainda não havia descido sobre nenhum deles, mas apenas tinham sido batizados em Nome do Senhor Jesus. Então os dois Apóstolos lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." At 8,14-17
    Podem ministrar, e só eles, a Unção dos Enfermos, como a Carta de São Tiago pregou: "Está alguém enfermo? Chame os Sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com Óleo em Nome do Senhor." Tg 5,14
    Rejeitar a Igreja, portanto, é rejeitar o próprio Deus, conforme Jesus: "Quem vos ouve, a Mim ouve, e quem vos rejeita, a Mim rejeita. E quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou." Lc 10,16
    E após uma advertência de difíceis tempos, Ele garantiu a perfeita transmissão do testemunho dos Apóstolos: "Lembrai-vos da Palavra que vos disse: O servo não é maior que Seu Senhor. Se Me perseguiram, também hão de vos perseguir. Se guardaram Minha Palavra, também hão de guardar a vossa." Jo 15,20
    Pois Quem constrói a Igreja Católica Apostólica Romana, ou seja, Quem escolhe as 'pedras humanas', nossos Sacerdotes, é o próprio Jesus, que o faz pessoalmente, como desde a pessoa de São Pedro: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja." Mt 16,18a
    Ora, a Santa Madre Igreja, mesmo com todos seus erros, lembremos o próprio Judas que foi escolhido por Jesus, pertence a Ele mesmo, Nosso Salvador, que a chamou de 'Minha': "... edificarei Minha Igreja..." Idem
    Ele também demonstrou, como se precisasse, ter total controle sobre o que acontece nela, como disse das dioceses de Ásia: "Eis o simbolismo das sete estrelas que viste em Minha mão direita e dos sete candelabros de ouro: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros, as sete igrejas." Ap 1,20
    Expressamente disse Quem fala por Suas dioceses: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas..." Ap 2,7.11.17.29;3,6.13.22
    Portanto, se ela tem as constantes presenças de Jesus (cf. Mt 28,20) e do Divino Paráclito (cf. Jo 14,16), não tem como ser vencida por Satanás, pois Nosso Senhor mesmo garantiu: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18b
    E que quem realmente ouve Jesus (cf. Mt 28,20), tem Sua inteira proteção: "Minhas ovelhas ouvem Minha voz, Eu conheço-as e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a Vida Eterna. Elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de Minha mão." Jo 10,27-28
    Ele assegura: "Pois desci do Céu não para fazer Minha vontade, mas a vontade d'Aquele que Me enviou. Ora, esta é a vontade d'Aquele que Me enviou: que Eu não deixe perecer nenhum daqueles que Me deu, mas que os ressuscite no Último Dia." Jo 6,38-39
    E a Primeira Carta de São Pedro igualmente garante, dizendo o motivo: "... vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa de vossa fé..." 1 Pd 1,5a


AMOR À SALVAÇÃO DAS ALMAS

    Deus 'católico' tem mais amor por Seus filhos e dá-lhes mais oportunidades. Mesmo após a morte, por exemplo, Ele concede mais uma chance para expiar os pecados. As almas realmente más vão para o inferno logo após a morte, aquelas realmente santas vão para o Céu, também de imediato, mas a imensa maioria delas, feita de inconfessos ou indecisos pecadores, precisa depurar seus pecados para que possam subir aos Céus, e para isso existe o Purgatório.
    Isso é evidente porque no Céu não haverá castigo, e no inferno o castigo é total. Onde aconteceriam, então, os castigos intermediários mencionados por Jesus, de numerosos ou poucos golpes? "O servo que, apesar de conhecer a vontade de Seu Senhor, nada preparou e Lhe desobedeceu, será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de Seu Senhor, fizer repreensíveis coisas, será açoitado com poucos golpes." Lc 12, 47-48a
    Ele também falou em duas ocasiões para o perdão, quando mencionou um pecado para o qual a Confissão é essencial, pois nesse caso não haverá espontâneo perdão por parte da Divina Misericórdia: "Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste nem no vindouro século." Mt 12,32b
    E disse desta prisão da qual se sai: "... dali não sairás antes de teres pago o último centavo." Mt 5,26
    É do Purgatório que o líder Judas Macabeu ensina, no Segundo Livro de Macabeus, pois essa já era uma revelação feita mesmo antes do Advento, da Vinda de Nosso Senhor: "... se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles." 2 Mb 12,44
    Assim, quer dos Céus quer do Purgatório, Deus 'católico' permite que rezemos e intercedamos uns pelos outros, pois a morte não nos congela no tempo à espera do Juízo Final, como Jesus mesmo ensinou: "Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, porque para Ele todos vivem." Lc 20,38
    Sem dúvida, pelo Juízo Particular, nossas almas são julgadas imediatamente após a morte, conforme os discípulos de São Paulo anotaram: "Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o Juízo." Hb 9,27
    E em Apocalipse, temos um registro dos Santos em pleno exercício de suas atividades celestiais: "Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua. Conservavam-se em pé diante do Trono e diante do Cordeiro, de brancas vestes e palmas na mão, e bradavam em alta voz: 'A Salvação é obra de Nosso Deus, que está sentado no Trono, e do Cordeiro.' Por isso, estão diante do Trono de Deus e em Seu Templo servem-nO dia e noite." Ap 7,15
    Eles intercedem por Justiça, embora sempre prevaleça, claro, a vontade de Deus, a qual muitas vezes requer paciência perante o mistério do Mal: "Quando abriu o quinto selo, debaixo do Altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus, e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer Justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?' Então foi dada a cada um deles uma branca veste, e lhes foi dito que ainda aguardassem um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que com eles estavam para serem mortos." Ap 6,9-11
    Sim, Deus 'católico' deu-nos os Santos, pessoas que estão em perfeita Comunhão Consigo, sentadas em tronos, julgando e reinando com Ele, o que significa que têm poder. Eles são a maior prova de Seu amor, explicitando que Seu caminho é perfeito e que é possível servi-Lo com perfeição. Com efeito, a Coroa da Vida e o Céu são honrosos reconhecimentos para quem viveu e morreu pela Salvação das almas: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a Besta ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma Nova Vida e com Cristo reinaram por mil anos." Ap 20,4
    Ou seja, eles têm poderes que já estão em vigor sobre este mundo, pois nos Céus nem nos Novos céus e na Nova Terra não haverá pagãos. O próprio Jesus prometeu: "Então ao vencedor, ao que praticar Minhas obras até o fim, lhe darei poder sobre as pagãs nações." Ap 2,26
    Se um fiel for exemplo de santidade, portanto, a Igreja de Cristo dá-lhe-á um especial lugar entre seu povo aqui na Terra, como foi dado aos Apóstolos (cf. Gl 2,9). Não há desprezo nem esquecimento. É Palavra de Jesus: "O vencedor assim será revestido de brancas vestes. Jamais apagarei seu nome do Livro da Vida, e proclamá-lo-ei diante de Meu Pai e de Seus anjos. Do vencedor farei uma coluna no Templo de Meu Deus, de onde jamais sairá." Ap 3,5.12a
    Ora, por Seu imenso amor, Ele promete-nos o inimaginável: "Ao vencedor concederei sentar-se Comigo em Meu Trono, assim como Eu venci e Me sentei com Meu Pai em Seu Trono." Ap 3,21
    Por fim, cada um de nós tem de Deus 'católico' a proteção de um Anjo da Guarda, como foi dito de São Pedro quando foi preso e miraculosamente solto: "Então é seu anjo." At 12,15b
    Eles estão conosco desde nosso nascimento e especificamente nos acompanha durante a infância, conforme palavras de Jesus: "Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque Eu vos digo que seus anjos contemplam sem cessar a face de Meu Pai que está nos Céus." Mt 18,10
    São eles que apresentam nossas orações ao Senhor, como o Arcanjo São Rafael disse no Livro de Tobias, a seu pai Tobit: "Quando tu rezavas com lágrimas e enterravas os mortos, quando deixavas tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para os sepultar quando viesse a noite, eu apresentava tuas orações ao Senhor." Tb 12,11-12
    E levam-nos aos Céus após a morte, como Nosso Senhor contou na parábola de Lázaro e do rico: "Ora, aconteceu morrer o mendigo, e pelos anjos ser levado ao seio de Abraão." Lc 16,22a

    "Santificai e reuni Vosso povo!"

A Inquisição


    Questionamentos e difamações dirigidas à Igreja Católica são simplesmente uma constante através dos séculos, e entre eles a Inquisição tornou-se peça de retórica, através da qual os mais raivosos, mentirosos e absurdos comentários são tagarelados como 'verdades históricas'. Não por acaso, esses ataques sempre partiram e ainda partem de pessoas que, de alguma forma, se sentiram contrariadas, ou mesmo acusadas pelos ensinamentos do Catolicismo. O que há, de fato, são fartos e consistentes registros, associados a meras e racionais deduções, que de modo cabal desmentem essas falácias.
    Para começar, a Santa Igreja, à época, era sim uma poderosa instituição, especificamente sob os aspectos espiritual e moral, e, em alguns momentos, mentora de campanhas militares, como as Cruzadas. Não por outra razão, porém, senão porque não havia em Europa, nem em nenhum lugar do mundo, uma organização tão vastamente conhecida e respeitada, pois era mesmo a legítima representante de pensamentos, comportamentos e valores de uma imensa maioria de pessoas. E, diga-se de passagem, por mera questão de , pois o maioria do povo era católico praticante. Nenhuma religião, ou mesmo ideologia político-social, jamais havia cativado tão grande percentual da população. Como comparação, as igrejas ditas ortodoxas alcançavam cifras meramente residuais, e as diretrizes do islamismo nunca foram uniformes, centralizadas ou minimamente coordenadas em unanimidade. Aliás, desde os primeiros anos já se fazia evidente a radical e abrupta divisão entre sunitas e xiitas.


    No fim século XII, diante das ruidosas e turbulentas heresias dos cátaros e valdenses que convulsionavam França, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo viu-se obrigada a instituir o Tribunal do Santo Ofício, correspondente da atual Congregação para a Doutrina da Fé, como meio de atestar o que realmente se tratava de heresia ou não, e assim oferecer justos julgamentos a supostos sectários, pois até então findavam caindo ou nas mãos do povo, em revolta, ou eram julgados por seculares tribunais de exceção, nos quais não havia nem procedimentos preestabelecidos nem direito de defesa. A Igreja Apostólica, portanto, tão somente seguia com sua missão de salvar almas, de toda forma tentando convencer os acusados de seus pecados, quando os tinham, e estimulá-los à conversão.
    Vale dizer, a Igreja Una cuidava de questões internas, que diziam respeito à cristandade, e quase nada interferia em assuntos de outras confissões, como judaísmo e islamismo, embora séculos mais tarde, especificamente em Espanha e Portugal, viesse a banir estas religiões e inquerir ditos convertidos por continuarem em oculta prática de sua fé de origem, enquanto tentavam perverter pessoas a sua volta, conspirando contra a Igreja e o Estado, pois à fé misturavam aspirações políticas.
    Ademais, há elementares informações que nunca são veiculadas com o devido amor à verdade, ou sequer divulgadas. Em Itália, como referência, a Inquisição Romana, que durando de 1542 a 1965 foi a mais longeva, só se debruçou sobre assuntos morais, como o incesto e abuso sexual de menores, entre outros que diziam respeito à família. Em Espanha, onde vigorou de 1478 a 1834, iniciou como parte da Reconquista da Península Ibérica, que parcialmente estava nas mãos dos muçulmanos, e majoritariamente tratou de assuntos políticos, refreando líderes que se insurgiam contra o Estado e evitando verdadeiros banhos de sangue como aqueles que se deram em nome da 'Reforma' Protestante em França, Alemanha, Inglaterra e em vários outros países de Europa. Aliás, nesses últimos dois países, além de tantos outros que se tornaram avessos ao Catolicismo, também houve a 'Inquisição Protestante', responsável por numerosos e abjetos assassinatos em 'processos' para além de suspeitos, mas desta, por muitos e inconfessos motivos, pouco se fala.
    Tampouco se fala da abjeta Guerra Civil Espanhola, uma retardada onda do mesmo movimento da 'Reforma' Protestante, certamente muito mais diabólica, que de 1936 a 1939 só entre religiosos matou 6832, fossem Bispos, Padres, Frades ou Freiras, e destruiu cerca de 20.000 igrejas. Movida por ateístas, anarquistas e comunistas, jamais se verificou, exceto em países totalmente dominados pelo comunismo, tamanho ódio à Santa Madre Igreja. Em comparação, a Inquisição Espanhola, considerada a mais cruel e violenta das inquisições, instalada pelo rei Fernando II e contra a vontade do Papa Sixto IV, condenou à morte pouco mais de 2 mil pessoas em 356 anos. E dos processos inquisitoriais, que eram individuais e detalhadamente registrados, quase 80% daqueles que terminaram em punição apenas determinavam penitência por vergonha pública, como vestir trapos. Contra os judeus, alegadamente os grandes vitimados, por todo período resultaram em 464 autos-de-fé, dados entre 1481 e 1826, enquanto mais de 13 mil dos chamados 'conversos', judeus e muçulmanos suspeitos de se camuflarem, foram julgados entre 1480 e 1492. Ou seja, só houve punição em 3,5% dos casos.
    Maliciosamente ocultada, sob estes aspectos, também é a tão celebrada, mas igualmente demoníaca, 'Revolução Francesa', que criou o próprio Terrorismo, recentemente foi chamado de "Terrorismo de Estado', e tentou substituir as religiões pela 'religião de Estado', a 'Igreja Constitucional', a 'Igreja laica', onde 'Deus' seria a lei. A Igreja Católica Apostólica Romana, que sim detinha alguns privilégios, e até extravagâncias, seria a grande culpada pelo caos econômico e social, pois sempre estaria ao lado do rei, ajudando a 'manipular o povo'. Nossos Sacerdotes foram forçados a jurar fidelidade às normas estatais e a desobedecer a seu Bispo e ao Papa Pio VI. Quase a totalidade dos Bispos franceses resistiram, só quatro cederam, mas muitos Padres da região central do país aderiram, tornando-se 'comissários políticos'. Resultado: cerca de 40 mil mortos na guilhotina em apenas 1 anos. Era o 'iluminismo' dos 'intelectuais', espécie de reedição do 'humanismo', junto ao 'liberalismo' da alta burguesia, em sanguinária rebelião contra o rei, a nobreza, os clérigos e os fiéis. Só na região de Bretanha, onde se viu a maior resistência por parte dos Sacerdotes, 120 mil católicos foram assassinados ao longo da 'Revolução', ou seja, mais de 15% da população.
    O surgimento da igreja anglicana, pelas mãos de Henrique VIII, também foi um banho de sangue: mais de 70 mil civis foram assassinados como traidores, justamente por rejeitar essa nova religião da qual o rei se dizia o próprio Papa. Mas, diferentemente da confusão doutrinária atual sob essa 'denominação', aí à época, e ainda hoje entre os religiosos que realmente estudam, nenhum ponto da Doutrina Católica foi alterado, exceto esse: o Papa seria o próprio rei. Sim, o rei Charles III é o atual Papa desta igreja.
    Semelhantemente cabe saber que a dita reforma de Lutero, além de teologicamente já insuflada por judeus e islâmicos sob o pretexto de combater a veneração às imagens, contrária a seus credos, só prosperou por políticos interesses da nascente burguesia capitalista, declaradamente usurária, e de ambiciosos ex-senhores feudais, governantes, príncipes e reis. Como os países ainda estavam em formação, enquanto povo, território e unidade política, esses grandes proprietários de terra tentavam sobressair-se para conquistar o poder sobre toda nação. Era o surgimento das monarquias nacionais, e o mais fácil modo de atingir esse objetivo era tomando terras, bens e autoridade da Santa Igreja, para aumentar suas posses e influências. Foi assim que o protestantismo, já ensaiado por vários 'religiosos' católicos séculos antes, encontrou forte apoio político e eclodiu. Todo sério historiador alemão reconhece esse fato, e o próprio governo alemão divulga-o em manuais que resumem a história do pais para turistas e estrangeiros.
    A Igreja Católica era sim dona de muitas terras, mas não por dominação militar ou política, senão por doações de devotos, muitos deles reis e nobres, a seus Santos de estima, e por legítimos interesses de divulgação da fé entre o povo, evitando fragmentação social, estagnação cultural e propagação de heresias. A dita 'Reforma' Protestante, portanto, nada mais foi que a implementação dos ideais religiosos de 'humanistas', dos quais se apossaram Lutero e outros, e foram adotados como bandeira por burgueses, ex-senhores feudais, nobres, autoridades, príncipes e reis, cujos verdadeiros interesses eram políticos e financeiros, nada espirituais, e que só foram alcançados à custa de ferro e fogo, diga-se assassinatos, pois, verdadeiramente católica, boa parte da população com brio e valor resistiu a essas 'novidades'.


    Muita gente morreu em batalha ou em sacrifício por ser obrigada a aceitar uma 'religião' herética, estranha, sectária e incipiente. Era a mesma gente que, ao contrário do que muitos tentam divulgar, largamente apoiava a Igreja durante a Inquisição e tinha verdadeira aversão às bruxas e ciganos, bem como a segmentos de judeus e muçulmanos que chegavam ou já dominavam alguns lugares de Europa, rapidamente se apossando de áreas vitais do dia-a-dia urbano, como serviços de banco, comércio, transporte, e produções têxteis, de artesanato, metalurgia, medicina, distribuição de alimentos etc.
    Claro, essas autoridades foram apoiadas ou mesmo cooptadas pela nascente burguesia, cujos interesses não eram nada humanitários, muito menos espirituais, mas apenas afastar a influência da Igreja. Despontava o comércio interurbano, sustentado pelo intercontinental, bem como o mercado financeiro com grandes lucros sobre empréstimo a juros, a usura que a Igreja proibia. Junto ao natural surgimento do capitalismo, para financiar grandes obras sem o trabalho escravo, que em toda Europa foi abolido por força moral da prática do Catolicismo, com vigor eclodia sua mais perniciosa vertente: o dito 'capitalismo selvagem'. E nesses tempos de corrida pela acumulação de moeda e metais preciosos, o chamado bulionismo, muitos condenaram a Igreja Católica por usar da prática de indulgências, isto é, concessão de perdão dos pecados, também em contrapartida de ofertas em dinheiro. Na lógica destes, só a Igreja não podia usá-lo.
    Ela arrecadava impostos, é verdade, pois sua estrutura se espalhava por todos países de Europa, entretanto prestava grandes serviços à população carente, à civilidade e à ordem pública. Ela realmente era rica, dado sua dimensão, mas sempre foi uma instituição, nunca uma propriedade particular ou familiar, em nome de alguma pessoa ou pessoas. E nem todos membros do clero, resta evidente, principalmente naqueles anos de fartura e desenvolvimento social, adotavam uma vida de humildade. A Igreja de Cristo teve e ainda tem membros que pecaminosamente vivem como abastados. Contudo, em sentido oposto, seus princípios e estrutura sempre serviram aos interesses da fé e da mais necessitada gente, e ainda hoje é de muito longe a instituição que mais faz caridade em todo mundo.
    As acusações de tortura à época, que em geral são exclusivamente atribuídas à Igreja, eram práticas disseminadas em muitos feudos e reinos europeus, e por quase todo mundo de então, como forma de manutenção da ordem social e da submissão às autoridades. E o clero, em sua maioria, ao longo dos séculos sempre se opôs a esses procedimentos. As cidades voltavam a atingir proporções de metrópoles, e questões de justiça civil e criminal começavam a ser um complexo problema. Aliás, raríssimas vezes a tortura foi empregada pelo Tribunal do Santo Ofício, o que notadamente se dava por abuso de autoridade, não ratificada pela Igreja, pois as punições, em caso de resistência à conversão e à expulsão do país, não era levadas a cabo pelo clero, mas pelo poder secular, em autos-de-fé realizados uma vez por ano. E note-se, na quase totalidade dos governos dos países europeus, só nos anos de 1800 a tortura foi definitivamente proibida por lei civil. No Brasil durou até 1900. Mas todo instrumento de tortura que se vê nos museus ainda são estúpida e levianamente identificados como exclusivos pertences da Igreja.
    Assim como na atualidade, até parece que os verdadeiros Santos de então, ou, que seja, os arautos da caridade, da compaixão e da moral, eram os monarcas, a nobreza, a burguesia, os artistas e os políticos e intelectuais. A verdade é que os exércitos europeus eram compostos por violentos mercenários para defender os domínios dos poderosos, que em nada eram obrigados, senão pela moral cristã, a oferecer escola, hospital ou segurança a seus dominados.
    A própria escravidão, como dito, havia sido abolida em terras de Europa pela efetivação da prática da Comunhão, união de comuns, cultuada pela Igreja durante a Santa Missa. E na maioria dos casos, os interesses destes 'humanistas' eram essencialmente financeiros e administrativos, diga-se de poder, ou, em melhor hipótese, ideológicos, enquanto a Igreja havia muito já possuía orfanatos, escolas, universidades, hospitais e asilos absolutamente caritativos. A ideia da obrigação do Estado oferecer serviços públicos gratuitos, por sinal, veio exatamente da atividade de Santos católicos e de suas ordens religiosas, que já os punham em prática desde os primeiros séculos e em exclusivo movidos pela caridade e pela fé. Para ilustrar, quase não se diz que a escola que veio a tornar-se a grande Universidade de Sorbonne, entre tantas outras, foi inicialmente uma instituição católica, criada para atender alunos pobres, e mais tarde 'assumida' pelos reis da França.
    Ora, muitos dos gênios da humanidade na idade média estudaram em escolas ou universidades católicas. E suas teorias não teriam sido possíveis sem o conhecimento organizado e sistematizado ao longo dos séculos por estudiosos Padres e Frades, verdadeiros investigadores de boa parte das matérias que mais tarde foram consideradas suas descobertas. A lista de religiosos católicos que contribuíram para a ciência com suas pesquisas e estudos é imensa. Na verdade, apesar da corriqueira difamação de que combatia o conhecimento científico para alienar as pessoas, a Igreja é, muito mais que qualquer outra, a instituição mundial que mais colaborou para que se alcançasse o estágio científico e tecnológico do início do século passado.


    O tão comentado julgamento de Galileu, como exemplo, não se deu apenas por causa de sua Teoria do Heliocentrismo, na qual defendia o sol com centro do Universo e não a Terra, como se pensava à época e a Igreja também acreditava. Galileu tinha mais de trinta teses, a maioria delas versando sobre assuntos estritamente religiosos e de privativa disposição do clero. Eram teses que tratavam senão de Teologia, para as quais não lhe era dado o direito de especular ou divulgar, posto que simplesmente não tinha conhecimento de causa. Católico praticante, Galileu pretendia fazer uma imensa 'reforma' na Igreja, em vários pontos muito parecida com a grande confusão, e de rasteiras teses, propalada por Lutero.
    Mais um importante detalhe: os processos inquisitórios, hoje ditos judiciais, conduzidos pela Santa Igreja, eram incomparavelmente os mais justos que se faziam àqueles tempos, a todos garantindo direito de defesa ou mesmo de absolvição em caso de admissão de culpa e conversão. Sim, fora a Igreja não havia nenhuma forma de poder a não ser senhores feudais, príncipes, reis e imperadores, os quais não usavam nem de constituição nem de processos legais previamente estabelecidos em seus 'tribunais', isto é, até havia leis, mas não claros procedimentos, leia-se isenção, para as aplicar.
    Com isso, os julgamentos levados a termo pela Igreja eram bem mais humanos e justos que qualquer outro. Por fim, e apesar do estardalhaço que se faz do tema, ao todo menos de 2% de seus processos resultaram em punição. E, vale repetir, a execução da pena, como a fogueira, estritamente usada em caso de resistência de 'cristãos' em renegar os pecados ou à devida conversão, não era levada a cabo pela Igreja, mas pelos poderes seculares.
    É certo dizer, portanto, que o atual Direito 'caiu do Céu', pois todos ordenamentos jurídicos dos países modernos tem a maior e mais importante parte de suas leis baseada no Direito Canônico. Sem dúvida, a Igreja adotou um extenso material que foi produzido na Roma Imperial, mas seu trabalho de rebuscar, compilar, organizar, sistematizar, complementar, ampliar e aperfeiçoar esses institutos é vastamente reconhecido em todo mundo inteligente. Quer dizer, os hoje mal-falados julgamentos da Inquisição são a base, a estrutura e até a semelhança de muitos processos que acontecem nas mais justas nações da atualidade, onde os direitos realmente são respeitados.

    Reza a segunda parte do Credo: "Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na Ressurreição da Carne, na Vida Eterna. Amém."