sexta-feira, 17 de julho de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

7 Milagres em São João Evangelista

    Para mais claramente demonstrar que Jesus é o Salvador, o Messias, portanto, Deus, o Evangelho Segundo São João relata apenas 7 milagres, que distintivamente chama de sinais. São 3 curas: de enfermidade mortal, não especificada, de paralisia e de cegueira de nascença; 3 manipulações da matéria: transforma água em vinho, multiplica pães e peixes e anda sobre as águas; e 1 Ressurreição, que envolve de uma só vez a eliminação da letal enfermidade, a recomposição física do corpo e a restituição da vida.
    Esses sinais são extremamente significativos para que se tenha alguma noção da Onipotência de Deus. Pela Graça, neles veremos algumas luzes. Contudo, vale dizer, mesmo após toda e qualquer reflexão, esses milagres continuarão sendo puro mistério. Durante a vida terrena, jamais iremos compreendê-los por completo.
    Não convém, portanto, debater-se com as palavras dos Evangelhos, nelas tentando encontrar reveladores detalhes para entender como esses milagres se deram. As palavras de São João, ou dos demais evangelistas, assim como quaisquer outras, não são capazes de traduzir integralmente esses fenômenos, mesmo tendo sido ele, junto a São Mateus, testemunhas oculares, como a Primeira Carta de São João registrou: "... o que vimos e ouvimos, nós anunciamo-vos..." 1 Jo 1,3


1 - A TRANSFORMAÇÃO DA ÁGUA EM VINHO

    "Três dias depois, celebravam-se Bodas em Caná de Galileia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e Seus discípulos.
    Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-Lhe:
    - Eles já não têm vinho.
    Respondeu-lhe Jesus:
    - Mulher, que há entre Mim e ti? Minha hora ainda não chegou.
    Disse, então, Sua mãe aos serventes:
    - Fazei o que Ele vos disser.
    Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas.
    Jesus ordenou-lhes:
    - Enchei as talhas de água.
    Eles encheram-nas até a borda.
    - Agora tirai, disse-lhes Jesus, e levai ao chefe dos serventes.
    E levaram.
    Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era, se bem que os serventes o soubessem, pois tinham tirado a água, chamou o noivo e disse-lhe:
    - É costume servir primeiro o bom vinho e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o melhor vinho até agora.
    Este foi o primeiro milagre de Jesus. Realizou-o em Caná de Galileia. Manifestou Sua Glória, e Seus discípulos creram n'Ele."
                                                   Jo 2,1-11

    Vendo o fim de uma das mais tradicionais festas dos judeus, talvez a de maior alegria, a Santíssima Virgem percebe o grande constrangimento das famílias dos noivos, que lhe eram próximas há décadas. E vai a Seu Filho, o único que realmente poderia resolver o problema. Enquanto Deus, Jesus soube-o primeiro, mas demonstra comedimento, alegando esperar a hora de manifestar Sua Glória. Seu Sagrado Coração, porém, não se permitiu demorar, pois, além do vexame para as famílias, era um pedido de Sua mãe.
    Confirmando os ensinamentos de São João Batista (cf. Mc 6,18), Jesus não admite a dissolução do Matrimônio. E por maior amizade que tivessem às famílias dos noivos, não foi por acaso que Ele estava nessa celebração com Sua mãe e Seus Apóstolos, nem o fato de realizar justamente aí Seu primeiro grande milagre em público. Sobre o Sacramento do Matrimônio, invocando o Livro de Gênesis, Ele disse no Evangelho Segundo São Marcos: "Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á a sua mulher, e os dois não serão senão uma só carne (Gn 2,24). Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe." Mc 10,7-9
    E o vinho é Seu Preciosíssimo Sangue, que purifica nossos pecados (cf. 1 Jo 1,7), se tornou nossa Comunhão Consigo (cf. Jo 6,56) e nos concede a Vida Eterna (cf. Jo 6,54). No Evangelho Segundo São Mateus, Ele afirmou durante a Santa Ceia: "Depois tomou o Cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos homens para a remissão dos pecados.'" Mt 26,28
    Assim Nosso Senhor sacramentou com Seu Sangue o Matrimônio, e trouxe-o para a Nova e Eterna Aliança, onde não mais vale a carta de divórcio de Moisés (cf. Mc 10,5-6). Esse Sacramento, portanto, à exceção de específicos casos (cf. Mt 19,9), não pode ser desfeito e refeito como se vê em muitas 'igrejas', inclusive pelos próprios 'pastores' de segunda e terceira união conjugal. Jesus abertamente chamou esses atos de adultério (cf. Mc 10,11s). Seu rito também não pode ser usado como simples festa ou cerimônia social, como é a corriqueira prática de, na verdade, ateus. São casos de total desrespeito à Graça Sacramental, e assim a Deus.
    Quanto a Seu divino poder, Ele objetivamente demonstrou ser capaz de transubstanciar a matéria: água em vinho. Aliás, como acontece com o pão e o vinho na Santa Missa, quando são consagrados pelo Sacerdote da Santa Igreja Católica. E notemos, Ele transubstanciou a água em generosas proporções: por tradicionais medidas das talhas, foi algo entre 480 e 720 litros, pois as Bodas duravam dias.
    Entretanto, mais que vinho de excelente qualidade, neste Sacramento Ele oferece Sua Graça à vida orientada para a purificação da alma, visando o bem infinitamente maior que é a Salvação. O que era uma simples união conjugal, por Sua unção tornou-se Comunhão de santidade, poder gerador da vida e fonte de eterna alegria: uma inextinguível centelha do Reino de Deus, porque essa é a missão da família católica.


2 - A CURA DO FILHO DE UM OFICIAL DO EXÉRCITO ROMANO

    "Então havia em Cafarnaum um oficial do rei, cujo filho estava doente.
    Ao ouvir que Jesus vinha de Judeia a Galileia, foi a Ele e rogou-Lhe que descesse e curasse seu filho, que estava prestes a morrer.
    Disse-lhes Jesus:
    - Se não virdes milagres e prodígios, não crereis.
    Pediu-Lhe o oficial:
    - Senhor, desce antes que meu filho morra!
    - Vai - disse-lhe Jesus -, teu filho vive!
    O homem acreditou na Palavra de Jesus e partiu.
    Enquanto ia descendo, os criados vieram-lhe ao encontro e disseram-lhe:
    - Teu filho está passando bem.
    Indagou deles, então, a hora em que se sentira melhor. Responderam-lhe:
    - Ontem, à sétima hora, a febre deixou-o.
    Reconheceu o pai ser a mesma hora em que Jesus dissera: 'Teu filho está passando bem.' E creu, tanto ele como toda sua casa.
    Esse foi o segundo milagre que Jesus fez, depois de voltar de Judeia a Galileia."
                                                  Jo 4,46-54

    Sob o aspecto meramente Humano, Jesus não estava diante do enfermo nem sequer o conhecia. Apenas dialogava com seu pai e, de forma aparentemente inoportuna, chegou a questionar sua e a de todos em volta. Porque Ele verificava, a cada nova abordagem, um suspense que se criava entre a multidão, como se, colocado à prova, constantemente precisasse demonstrar Seu poder: "Se não virdes milagres e prodígios, não credes..." Jo 4,48
    Ele esperava mais de Seu povo. Pelo milagre que já havia realizado em Caná, assim como Sua passagem por Jerusalém e Samaria, tanto o pai como todos ali, que por isso mesmo ansiosamente O assediavam, não mais podiam ter dúvidas. Ora, embora São João Evangelista não tenha dado detalhes, Sua primeira Páscoa em vida pública foi um grande acontecimento: "Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram em Seu Nome, à vista dos sinais que fazia." Jo 2,23
    Eles, no entanto, claramente permaneciam na incerteza, em específico quanto a Sua manifestação como o Messias. Contudo, também nessa situação, Seu Coração não Se permitiu demorar, dado que diante de Si tinha um pai exasperado pela vida do filho. Ademais, a fé que ele tinha em Seus poderes era verdadeira, apenas desconhecia o real significado do Advento do Salvador, e ainda vacilava, como os demais e mesmo muitos de nós, diante da sombra da morte.
    Outro ponto a ser considerado nesse episódio é que se tratava de um oficial romano, isto é, além de estrangeiro, era gente importante. Mas Jesus não discriminava pessoas, mesmo sabendo que esse milagre teria grande repercussão. Aliás, essa cidade vai ser cobrada por vários milagres como este e, mais tarde, sumariamente punida por uma de Suas profecias, quando disse: "E tu, Cafarnaum, serás elevada ao Céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro de teus muros, subsistiria até este dia. Por isso, digo-te: no Dia do Juízo, haverá menor rigor para Sodoma que para ti!" Mt 11,23-24
    Nessa cura, em detalhe, o poder de Deus põe imediato fim a uma grave doença, mortal mesmo, sem nenhum contato físico com o enfermo e a despeito da distância a que se encontrava. Bastou a fé daquele pai em Jesus e seu amor pelo filho. Assim Nosso Salvador demonstra Sua imensa Misericórdia por nós num momento reconhecidamente difícil: a sensação de impotência ao ver alguém à beira da morte. E ainda mais aflitiva: um pai angustiadamente querendo salvar a vida de seu filho.


3 - A CURA DE UM PARALÍTICO

    "Há em Jerusalém, junto à porta das Ovelhas, um tanque, em hebraico chamado Betesda, que tem cinco pórticos. Nestes pórticos jazia um grande número de enfermos, cegos, coxos e paralíticos, que esperavam o movimento da água. Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque e a água se punha em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse.
    Estava ali um homem, enfermo havia trinta e oito anos. Vendo-o deitado e sabendo que já havia muito tempo que estava enfermo, perguntou-lhe Jesus:
    - Queres ficar curado?
    O enfermo respondeu-Lhe:
    - Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque quando a água é agitada. Enquanto vou, outro já desceu antes de mim.
    Ordenou-lhe Jesus:
    - Levanta-te, toma teu leito e anda.
    No mesmo instante, aquele homem ficou curado, tomou seu leito e foi andando. Ora, aquele dia era sábado. Mais tarde, Jesus achou-o no Templo e disse-lhe:
    - Eis que ficaste são. Já não peques, para não te acontecer coisa pior!"
                                                 Jo 5,2-9.14

    Este milagre também é de restituição da saúde física, mas de um corpo deformado, com atrofias e lesões havia trinta e oito anos. Como sempre, Nosso Senhor realiza uma imediata, total e irreversível cura, que recapacita todas atividades corporais. Era um homem praticamente imobilizado, ou seja, mais uma grande sensação de impotência: dele e de quem o via. Estava impedido de fazer muitos dos mais simples movimentos, e por período de quase uma vida inteira.
    Num gesto que valoriza os santuários, Jesus está visitando um sagrado lugar, conhecido pelos milagres que ali aconteciam. Esse padecido homem já não tem sequer quem lhe ajude: está paralítico e só. Trinta e oito anos de sofrimento é tempo demais. Estar ali era uma prova de fé, mas Cristo vai perguntar-lhe se realmente acredita e deseja a cura, quer ouvir sua voz. E após o curar, informa de sua nova condição e de seu compromisso com o testemunho do que é sagrado, lembrando seus pecados passados e que, depois daquela Graça alcançada, eles se agravariam em caso de reincidência.
    O poder de Deus, também nesse caso, manifesta-se pela simples Palavra de Jesus. Ela fez a vez do fenômeno que acontecia naquele santuário, do anjo santo que agitava a água e da própria milagrosa água. Ossos, cartilagens, nervos e músculos instantaneamente recuperaram suas condições de perfeita saúde. Jesus liberta nosso corpo da paralisia para nos fazer agir conforme a santidade. E com esse milagre, Ele também rompe com o legalismo religioso ainda hoje tão frequentemente observado: "Por esse motivo, os judeus perseguiam Jesus, porque fazia esses milagres no dia de sábado. Mas Ele disse-lhes: 'Meu Pai continua trabalhando até agora, e Eu também trabalho.'" Jo 5,16-17
    Já havia sido ainda mais preciso, quando, no dia sagrado para os judeus, os Apóstolos arrancaram espigas num campo enquanto caminhavam e os fariseus Lhe inqueriram. Ele respondeu: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado..." Mc 2,27
    Dirá de sua própria divindade: "Porque o Filho do Homem também é senhor do sábado." Mt 12,8
    E mesmo após essa assombrosa cura, decepcionado com as paralisantes restrições inventadas em Nome de Deus, Jesus promete-lhes que o Pai tem muito mais por realizar: "... maiores obras que esta lhes mostrará, para que fiqueis admirados." Jo 5,20


4 - A MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES E DOS PEIXES

    "Aproximava-se a Páscoa, festa dos judeus. Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão que vinha ter com Ele e disse a Filipe:
    - Onde compraremos pão para que todos eles tenham o que comer?
    Um de Seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disse-Lhe:
    - Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isto para tanta gente?
    Disse Jesus:
    - Fazei-os sentar.
    Ora, havia naquele lugar muita relva. Sentaram-se aqueles homens, em número de uns cinco mil.
    Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu-os às pessoas que estavam sentadas, e igualmente lhes deu dos peixes o quanto queriam.
    Estando eles saciados, disse aos discípulos:
    - Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca."
                                               Jo 6,4-5.8-13

    Aqui Jesus faz com que, a partir de uns poucos pães e peixes, milhares se materializem. É o poder de replicar, de multiplicar algo pré-existente, e Ele escolhe multiplicar alimento. Mas primeiro era necessário que os Apóstolos se dispusessem a partilhar dos pães e dos peixes que possuíam, mesmo que fossem poucos.
    O real objetivo do Senhor, porém, era sinalizar para o Pão da Vida Eterna, que só se faz presente pelo Amor de Deus e é partilhado pela Igreja Apostólica. No dia seguinte, Ele vai dizer a essa mesma gente a sinagoga de Cafarnaum: "Trabalhai não pela comida que perece, mas por aquela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará." Jo 6,27
    Em seguida, Ele afirmaria: "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente." Jo 6,51
    E na Santa Ceia, narrada no Evangelho Segundo São Lucas, Ele iria instituir este Sacramento: "Em seguida, tomou o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19
    Jesus é nossa verdadeira e definitiva Páscoa. Não se trata 'apenas' de miraculosamente cruzar o Mar Vermelho, nem Ele simplesmente veio saciar nossa fome do dia-a-dia, mas libertar-nos do inimigo e satisfazer todas nossas reais necessidades. É passar da condição de mortal para a condição de filho de Deus, para a Vida Eterna.
    Se Ele já havia transformado água em vinho, agora multiplicou pães pela primeiras vez. Em São João, a manipulação da matéria acontece de modo a nos proporcionar Comunhão com Deus, que significa participar de Sua eternidade (cf. Jo 14,16), santidade (cf. Hb 12,10) e divindade (cf. 2 Pd 1,4). Seja entre aqueles que festejam a 'recriação do mundo' em um novo casal, pelo Sacramento do Matrimônio, seja entre aqueles que estão famintos, à beira de desfalecer, pelo Pão do Céu, pelo Santíssimo Sacramento.
    Mas aprendamos, como essa passagem bem mostra, que Jesus não permite que nenhum pedaço do Pão da Vida seja desperdiçado. Não se pode fazer pouco do Corpo e Sangue de Cristo. É Deus mesmo que temos Santa Eucaristia: "Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca." Jo 6,13


5 - JESUS ANDA SOBRE AS ÁGUAS

    "Chegada a tarde, Seus discípulos desceram à margem do mar. Subindo a uma barca, atravessaram o mar rumo a Cafarnaum.
    Já era escuro, e Jesus ainda não Se tinha reunido a eles.
    O mar, entretanto, agitava-se, porque soprava um rijo vento. Tendo eles remado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram Jesus que Se aproximava da barca, andando sobre as águas, e ficaram atemorizados.
    Mas Ele disse-lhes:
    - Sou Eu, não temais.
    Quiseram recebê-Lo na barca, mas pouco depois a barca chegou a seu destino."
                                                  Jo 6,16-21

    Nesse sinal, outra vez Jesus demonstra Sua divina condição, muito além das propriedades da matéria como nós a conhecemos. Em nossa incipiente especulação, apenas podemos imaginar: ou manipulou o estado físico da água, tornando-a sólida onde pisava, ou alterou as condições da gravidade sobre Si mesmo, anulando o peso de Seu Corpo, ou, ainda, alterou as condições físicas de Seu Corpo, como na Transfiguração do Monte Tabor, quando O fez reluzir.
    Mas o recado é: não temos o que duvidar. Temos Deus. Jesus está conosco (cf. Mt 28,20). É Ele mesmo que quer estar entre nós. Aliás, como já expressa Seu Nome, profetizado no Livro do Profeta Isaías e mencionado por São Mateus: "Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo Profeta: 'Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que Se chamará Emanuel (Is 7,14), que significa: Deus conosco.'" Mt 1,22-23
    E, claro, não somos nós que O conduzimos em nossa barca, mas Ele que nos conduz ao Céu na Nova Arca de Noé, ou seja, na Barca de São Pedro (cf. Lc 5,3), que é a Igreja de Deus Vivo.
    Quanto a Seus poderes, Jesus havia-nos avisado: Ele é Onipotente. Nós é que resistimos em aceitar Sua divindade: "Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível." Mt 19,26


6 - A CURA DE UM CEGO DE NASCENÇA

    "Caminhando, viu Jesus um cego de nascença.
    Seus discípulos indagaram d'Ele:
    - Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?
    Jesus respondeu:
     - Nem pecou este nem seus pais, mas é necessário que as obras de Deus se manifestem nele. 
    Enquanto for dia, cumpre-Me terminar as obras d'Aquele que Me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar.
    Dito isso, cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e com ele ungiu os olhos do cego.
    Depois, disse-lhe:
    - Vai, lava-te na piscina de Siloé.
    Esta palavra significa Enviado.
    O cego foi, lavou-se e voltou vendo.
    Então os vizinhos, e aqueles que antes o tinham visto mendigar, perguntavam:
    - Não é este aquele que, sentado, mendigava?"
                                                Jo 9,1-4.6-8

    Mais um milagre de cura, e mais uma situação em que as limitações humanas predominam. Todos nós temos limites de percepção que só Deus pode expandir. Perceber as obras de Deus, portanto, também é um dom. E a fé é uma dessas grandes dádivas (cf. 1 Cor 12,9), mas precisa ser sinceramente desejada, como quem dela precisa para viver.
    Há na vida de todos nós uma história de redenção que Deus quer realizar. E isso não significa que alguns, por vontade de Deus, carreguem previamente alguma punição. Nossas dificuldades, como Jesus demonstrou, são oportunidades para que as obras de Deus se manifestem. Apenas devemos reconhecer que é Ele Quem detém todo poder, todo controle. E é Ele Quem decide quando e como vai ajudar-nos (cf. Fl 2,13). Qual é mesmo nosso estado de espírito? Vivemos de presunção, de que merecemos um milagre, ou do ânimo de um coração aberto, de quem se entrega à vontade de Deus? Jesus avisou: "Vim a este mundo para fazer uma discriminação: aqueles que não vêem, vejam, e aqueles que vêem, tornem-se cegos." Jo 9,39
    Curar um cego de nascença é um sinal que remete à formação do corpo humano durante a gestação. É um ainda maior milagre, diferente de restituir a visão a quem já havia enxergado antes. É dar algo que alguém jamais possuiu. Jesus acena para o poder de Deus sobre as sutilezas de nossos mais ínfimos e admiráveis órgãos, em microscópicas dimensões, mesmo que assim eles não tenham sido gerados. E aqui não há como fugir à imagem do Criador e a criatura: quando Nosso Senhor manipula o lodo refazendo a visão do cego, lembramos do barro, vemos Deus 'refazendo' Sua Criação (cf. Gn 2,7).
    Mas, a esse respeito, Jesus disse algo ainda mais grandioso, que faz pensar na própria Criação do Universo, na luz e nas cósmicas dimensões: "Eu sou a Luz do mundo. Aquele que Me segue não andará em trevas, mas terá a Luz da Vida." Jo 8,12


7 - A RESSURREIÇÃO DE SÃO LÁZARO

    "Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e O viu, lançou-se a Seus pés e disse-Lhe:
    - Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!
    Ao vê-la chorar assim, como também todos judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito.
    E sob o impulso de profunda emoção, perguntou:
    - Onde o pusestes?
    Responderam-Lhe:
    - Senhor, vinde ver.
    Jesus chorou.
    Tomado, novamente, de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra.
    Jesus ordenou:
    - Tirai a pedra.
    Disse-Lhe Marta, irmã do morto:
    - Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...
    Levantando Jesus os olhos ao alto, disse:
    - Pai, rendo-Te graças, porque Me ouviste.
    Depois destas palavras, exclamou em alta voz:
    - Lázaro, vem para fora!
    E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário.
    Ordenou então Jesus:
    - Desligai-o, e deixai-o livre."
                                  Jo 11,32-35.38-39.41.43-44

    Agora temos nosso medo e, outra vez, nossa impotência, mas diante de seus máximos limites: a morte. E já não se trata apenas de sua proximidade, anunciada por uma grave enfermidade. Temos um corpo em decomposição, e resta sofrer a dor da ausência de um ente querido por indefinido tempo!
    Ao mesmo instante, porém, temos o amor de Deus, que se expressa em lágrimas. E aí se vê a reafirmação do poder da Criação, o poder de insuflar a vida 'pelas narinas (cf. Gn 2,7)'. É o que Jesus quer dizer na frase que disse a Santa Marta, nessa ocasião, que não se restringe à Ressurreição do Último Dia: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá." Jo 11,25
    Nesse sinal, inegavelmente o mais grandioso e mais impressionante dos 7, somos confrontados pelo poder de curar, de reconstituir o corpo e de restituir a vida. Todos a um só tempo. Deus claramente Se sobrepondo a biológicos etapas e processos.
    Se curou o filho do oficial à distância, agora Jesus faz questão de vir ao sepulcro de um amigo mesmo que isso pusesse em risco Sua vida, pela perseguição que sofria dos líderes religiosos (cf. Jo 11,8.16), e opera uma Ressurreição ainda que o último suspiro se tenha dado havia um grande lapso de tempo: 4 dias. Quis mostrar que o temor à morte, que era bem real, não poderia ser nenhum empecilho a Sua Missão, e assim a Suas demonstrações de amor. Foi até Betânia em Sua Humana condição, caminhando pelas estradas de judeia na companhia dos Apóstolos, mas revelou-Se Deus ao presenciar o luto e a saudade dos Seus.
    Não esqueçamos, porém, que tempos mais tarde São Lázaro tornaria a morrer. A Ressurreição e a Ascensão do Senhor, sim, são os maiores feitos de Deus perante os olhos humanos. Nunca se viu nem se ouviu nada igual: Seu Corpo Glorioso aparecia e desaparecia; mostrava-se reconhecível ou não; era tocável ou não, dependendo do momento; atravessava paredes; comia e bebia; tinha marcas da crucificação, mas não da flagelação, e, ainda mais espetacular, por Si mesmo subiu aos Céus.

O TESTEMUNHO

    É evidentemente claro, porém, que Jesus fez muito mais milagres que esses, como o próprio São João Evangelista mencionou na primeira Páscoa em Jerusalém, acima apontada (cf. Jo 2,23). Aliás, ele mesmo registrou, ainda em seu Evangelho, a segunda miraculosa pesca (cf. Jo 21,1-11), que se deu após a Ressurreição do Senhor, embora não a tenha contado como um sinal.
    Pois como que concluindo sua exposição, expressamente havia testificado no segundo versículo antes de iniciar este relato: "Fez Jesus, na presença de Seus discípulos, ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste Livro." Jo 20,30
    E indiretamente, já o havia dito antes de começar a narrar a Semana Santa, referindo-se aos líderes judeus e citando Isaías: "Embora tivesse feito tantos sinais na presença deles, não acreditavam n'Ele. Assim se cumpria o Oráculo do Profeta Isaías: 'Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor (Is 53,1)?'" Jo 12,37-38
    Contudo, foi para nos comunicar todas essas estrondosas verdades, e assim nos levar à fé no Redentor, que ele as registrou, como declarou quase ao fim de seu Evangelho: "Estes sinais foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,31
    Ora, era uma das promessas de Deus, feitas através do Profeta Isaías, que menciona o pai do rei Davi, de quem Nosso Senhor é descendente segundo a Carne (cf. Rm 1,3), e a Glória da Igreja Católica Apostólica Romana (cf. Jo 17,22): "Naquele tempo, o Rebento de Jessé, que Se ergue como um sinal para os povos, será procurado pelas nações e gloriosa será Sua Morada." Is 11,10
    Sinal que se verifica ainda hoje por Seus mais legítimos representantes, nossos Santos, verdadeiros anunciadores do Evangelho como São Marcos registrou logo após Sua Ascensão: "Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles, e confirmava Sua Palavra com os milagres que a acompanhavam." Mc 16,20

    "A todos saciai com Vossa Glória!"

GRANDES SINAIS DE DEUS


As Sagradas Escrituras, que remontam mais de 3 milênios


A Sagrada Casa de Nazaré, anterior ao século I, onde São José, Maria Santíssima e Jesus viveram, e que os anjos levaram pelos ares a Itália em 1294


Túnica de Argenteuil, tecida em seda por Nossa Mãe Celeste para o Nascimento de Jesus, e usada por Ele durante a crucificação, do último ano antes do século I


Santo Síndone, conhecido como Santo Sudário, tecido de linho datado do ano 30 de nossa era, que envolveu o Corpo de Cristo após a Crucificação


Sangue de São Januário, que por inúmeras vezes voltou ao estado líquido no dia de sua festa, desde o ano de 305


Hóstia Consagrada que se tornou Carne de Coração na cidade de Lanciano, Itália, no ano de 700


A Tilma de Guadalupe, tecido de agave no qual foi impressa a imagem de Maria Santíssima em 1531


Corpo Incorrupto de Santa Bernardette Soubirous, vidente de Lourdes, falecida em 1879




Estigmas de São Padre Pio, de 1918 até 1968


Estigmas, inédia e visões da Serva de Deus Theresa Neumann, de 1926 até 1962


Santa Igreja Católica, quase 2000 anos


    "Ele está no meio de nós."