terça-feira, 28 de julho de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

As Virtudes


    O Catecismo da Igreja Católica dá uma luminosa explanação sobre as virtudes, que nos orientam para o Sumo Bem, que é Deus: "As humanas virtudes são firmes atitudes, estáveis disposições, habituais perfeições da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Virtuosa pessoa é aquela que livremente pratica o bem." CIC § 1804
    A Carta de São Paulo aos Filipenses, não por acaso, recomendava: "Além disso, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é nobre, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, tudo que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos." Fl 4,8
    E São Gregório de Nissa, um dos Padres Capadócios e grande místico, dizia com absoluta propriedade: "O objetivo da virtuosa vida é tornar-se semelhante a Deus."
    O Livro de Sabedoria aponta quatro CARDEAIS VIRTUDES, aquelas que servem de base para todas outras: "E se alguém ama a Justiça, seus trabalhos são virtudes. A Sabedoria ensina a temperança e a prudência, a Justiça e a fortaleza. Não há nenhum bem que seja mais útil aos homens na vida." Sb 8,7

TEMPERANÇA

    Também chamada de moderação ou sobriedade: virtude que garante o domínio de si e coloca a vontade acima dos instintos.
    Ela é citada nas Carta de São Paulo aos Gálatas como um dos frutos do Espírito Santo: "... o fruto do Espírito é caridade, alegria, Paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança." Gl 5,22-23
    É igualmente um ensinamento de Cristo, que em plenitude nos manifestou a Graça de Deus (cf. Jo 1,16). A Carta de São Paulo a São Tito diz de Nosso Salvador: "Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às mundanas paixões, e a viver neste mundo com toda sobriedade, Justiça e piedade..." Tt 2,12
    Ela aparece, da mesma forma, numa proposta de ascese da Segunda Carta de São Pedro, como uma das etapas do amadurecimento espiritual: "Por estes motivos, esforçai-vos quanto possível por unir a vossa a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o fraterno amor, e ao fraterno amor a caridade. Se estas virtudes abundantemente se acharem em vós, não vos deixarão inativos nem infrutuosos no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Pd 1,5-8
    Já a Primeira Carta de São Pedro afirma que, sem essa virtude, não se chega aos frutos da oração: "Sede, portanto, moderados e sóbrios, para vos dedicardes à oração." 1 Pd 4,7
    Enquanto a Carta de São Tiago fala da importantíssima moderação nas palavras: "Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia sua língua e engana seu coração, então é vã sua religião. Considerai como uma pequena chama pode incendiar uma grande floresta! A língua também é um fogo, um mundo de iniquidade. A língua está entre nossos membros e contamina todo corpo, e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso de nossa vida." Tg 1,26;3,5a-6
    O Príncipe dos Apóstolos vai no mesmo sentido: "Com efeito, quem quiser amar a vida e ver felizes dias, refreie sua língua do mal e seus lábios de enganadoras palavras, aparte-se do mal e faça o bem, busque a Paz e siga-a." 1 Pd 3,10-11
    O Livro de Provérbios, vinculando a língua ao coração, ponderava: "Não pode faltar o pecado num caudal de palavras. Quem modera os lábios, é um sensato homem. A língua do justo é finíssima prata. O coração dos maus, porém, para nada serve. Os lábios dos justos nutrem a muitos, mas os néscios perecem por falta de inteligência." Pr 10,19-21
    E o Livro de Eclesiástico visa a aquisição dessa virtude, recomendando a prática de comedimento: "Não sigas tuas paixões. Refreia teus desejos." Eclo 18,30
    Diz, enfim, dos pecados mortais da inveja e da gula: "Quando um homem olha para a mesa de outro, sua vida não é realmente vida, na obsessão do alimento, porque se nutre dos víveres de outrem. Mas o moderado e educado homem acautela-se contra isso." Eclo 40,30-31

PRUDÊNCIA

    É a virtude da reflexão, da ordem, do bom senso e do discernimento. No Evangelho Segundo São Mateus, Jesus mesmo apontou: "Aquele, pois, que ouve estas Minhas palavras e as põe em prática, é semelhante a um prudente homem que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa. Ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha." Mt 7,24-25
    Questionava nossas atitudes, em geral, no Evangelho Segundo São Lucas: "Quem de vós, querendo fazer uma construção, antes não se senta para calcular os gastos que são necessários, a fim de ver se tem com que a acabar?" Lc 14,28
    Numa exortação à Lei de Deus, o sagrado autor no Livro de Salmos canta: "Sobre Vossos preceitos meditarei, e considerarei Vossos caminhos." Sl 118,15
    E exulta, dizendo do culto a Deus que viria a ser nossa Santa Missa: "Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores nem se senta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor, e dia e noite medita Sua Lei." Sl 1,1-2
    Com total pertinência, os Provérbios registram essa reflexão sobre as circunstâncias: "Sabedoria do prudente é discernir seu próprio caminho. A imprudência dos insensatos resvala no erro." Pr 14,8
    E também: "Quem adquire bom senso, quer bem a si mesmo, e quem conserva o discernimento, será feliz." Pr 19,8
    Ainda em Provérbios, temos uma advertência quanto ao destino dos insensatos: "O homem que se desvia do caminho da prudência, na assembleia das sombras repousará." Pr 21,16
    O Eclesiástico igualmente versa sobre a insensatez: "O hábito de praticar o mal não é Sabedoria. O modo de agir dos pecadores não é prudência." Eclo 19,19
    Denuncia a agressividade do arrogante: "Há uma falsa correção na cólera de um insolente. Há um modo de julgar que muitas vezes não é justo, e aquele que se cala, dá prova de prudência." Eclo 19,28
    E elogia quem espera o momento, o modo e a quem se manifestar: "O homem de bom senso guarda suas palavras. Muitos falarão, em alta voz, de sua prudência." Eclo 1,30
    Pois ela é sinal de frutífero aprendizado ao longo da vida: "Aquele que não tem experiência, pouca coisa sabe. Mas aquele que passou por muitas dificuldades, desenvolve a prudência." Eclo 34,10
    São Tiago Menor deixou-nos essa realística ponderação: "Mas aquele que com atenção procura meditar a Lei perfeita da liberdade, e nela persevera, não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como fiel cumpridor do preceito, este será feliz em seu proceder." Tg 1,25

JUSTIÇA

    É a virtude do compromisso moral com a Verdade, com a equidade, com a correção.
    Até os fariseus, ferrenhos opositores de Nosso Senhor, maliciosamente invocaram esse valor, fingindo reconhecê-lo entre Suas qualidades: "Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus segundo a Verdade. Não Te deixas influenciar por ninguém, pois não olhas a aparência das pessoas." Mt 22,16
    Em inverso sentido, numa atitude que bem atestava Sua humildade, Jesus deixou-Se batizar por São João Batista, demonstrando obediência à Lei e Sua igualdade de condição para com todos nós: "Por ora, deixa, é assim que devemos cumprir toda Justiça!" Mt 3,15
    Maria Santíssima também não tinha de que se purificar, mas cumpriu os preceitos do Antigo Testamento antes de Apresentar o Menino Jesus no Templo de Jerusalém: "Concluídos os dias de sua purificação segundo a Lei de Moisés..." Lc 2,22a
    E no Sermão da Montanha, Nosso Senhor garantiu que os justos serão plenamente correspondidos pelo Pai: "Felizes aqueles que têm fome e sede da Justiça, porque serão saciados." Mt 5,6
    Fez dela um preceito: "Antes buscai o Reino de Deus e Sua Justiça..." Mt 6,33a
    Enfim, entre as advertências do "Ai de vós", apontou-a entre os três principais prescrições de Deus. À frente até da obrigação de colaborar na manutenção da Casa de Deus: "Ai de vós, hipócritas escribas e fariseus! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e desprezais os mais importantes preceitos da Lei: a Justiça, a Misericórdia, a fidelidade." Mt 23,23a
    Assim como no exemplo de humildade dado pelo Mestre, a Carta de São Paulo aos Romanos afirma que só pela obediência a Deus se chega a Sua Justiça: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a Justiça?" Rm 6,16
    Ora, a Justiça, que Jesus veio ajudar-nos a cumprir, está estampada nos Mandamentos de Deus. O Apóstolo dos Gentios vai dizer: "Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na Carne, a fim de que a Justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito." Rm 8,3b-4
    Já a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses deixa claro o Caminho que nos traz a Salvação, falando daqueles "... que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que teria podido salvá-los." 2 Ts 2,10
    O próprio Jesus vai dizer no Evangelho Segundo São João: "Aquele que não Me ama, não guarda Minhas palavras." Jo 14,24a
    E a Segunda Carta de São João sintetiza: "Nisto consiste o amor: que vivamos segundo Seus (de Deus) Mandamentos." 2 Jo 1,6

FORTALEZA

    É a virtude da firmeza e da perseverança, contra todas dificuldades. É por ela que se resiste ao medo, às injustiças e às tentações. Ela confere destemor perante a própria morte, como os mártires da Igreja Apostólica demonstram.
    Foi a essa virtude que Jesus estimulou, afirmando a imortalidade da alma: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28
    E prometeu-nos Sua Paz como refúgio: "Referi-vos essas coisas para que em Mim tenhais a Paz. No mundo haveis de ter tribulações. Mas tende coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    Na parábola do Semeador, que é Ele mesmo (cf. Mt 13,37), falando sobre sementes para Se referir à Palavra da Salvação, aponta como é possível evoluir na Graça de Deus: "Aquela que caiu na boa terra são aqueles que ouvem a Palavra com reto e bom coração, retêm-na e dão fruto pela perseverança." Lc 8,15
    Ela é um dos dons dos Santos, como São Lucas registrou no Livro de Atos dos Apóstolos, dizendo do mais notável dos sete primeiros diáconos da Igreja fundada por Jesus, nosso primeiro mártir em suas primeiras obras: "Estêvão, cheio de Graça e fortaleza..." At 6,8
    O rei Davi, por sinal, muito bem sabia de onde vinha sua força. Lê-se palavras suas no Segundo Livro de Samuel: "O Senhor é Meu rochedo, Minha fortaleza..." 2 Sm 22,2
    São Paulo reafirma: "Mas o Senhor é fiel, e Ele há de vos dar forças e vos preservar do Mal." 2 Ts 3,3
    E a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo assegurou: "Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza..." 2 Tm 1,7
    Diz mais: "Tu, pois, meu filho, fortifica-te na Graça que está em Jesus Cristo." 2 Tm 2,1
    Indicava-lhe o Evangelho como seguríssimo Caminho, referindo-se a si mesmo como retransmissor da Sagrada Tradição (cf. 1 Cor 15,3): "Tu, porém, permanece firme naquilo que aprendeste e creste. Sabes de quem aprendeste." 2 Tm 3,14
    Porque igualmente era exemplar no comportamento: "Não é minha penúria que me faz falar. Aprendi a me contentar com o que tenho. Sei viver na penúria, e também sei viver na abundância. Estou acostumado a todas vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso n'Aquele que me fortalece." Fl 4,11-13
    Por isso, a Carta de São Paulo aos Efésios vai apregoar: "Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, por Seu soberano poder." Ef 6,10
    E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios havia demonstrado saber do que falava, invocando a queda da muralha de Jericó (cf. Js 6,20): "Porque, ainda que vivamos na carne, não militamos segundo a carne. Não são carnais as armas com as quais lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações." 2 Cor 10,3-4
    Já conforme os seguidores de sua tradição, na Carta aos Hebreus, a fortaleza é uma inafastável condição para sermos a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Corpo Místico de Cristo: "Porque somos incorporados a Cristo, mas sob a condição de até o fim conservarmos firme nossa fé dos primeiros dias..." Hb 3,14


    Há, no entanto, as TEOLOGAIS VIRTUDES, que são dons de Deus para nos levar ao profundo conhecimento de Si e à plena Comunhão com Ele.
    Diz o Catecismo da Igreja Católica: "As humanas virtudes fundam-se nas teologais virtudes, que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina. Pois as teologais virtudes diretamente se referem a Deus. Dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade, e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto.
    As teologais virtudes fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas morais virtudes. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de agir como Seus filhos e merecer a Vida Eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. Há três teologais virtudes: a , a esperança e a amor." CIC §§ 1812-1813
    Elas foram reveladas na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor." 1 Cor 13,13
    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, a mais antiga delas, já velava pelas três: "Com efeito, diante de Deus, Nosso Pai, continuamente pensamos nas obras de vossa fé, nos sacrifícios de vosso amor e na firmeza de vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, sob o olhar de Deus, Nosso Pai." 1 Ts 1,3
    E falando da vigília à espera Dia do Senhor, ele vai citá-las como armas de guarda: "Nós, ao contrário, que somos do dia, sejamos sóbrios. Tomemos por couraça a fé e o amor, e por capacete a esperança da Salvação." 1 Ts 5,8
    Diferente das MORAIS VIRTUDES, as teologais, como visto, são infusas dádivas, isto é, só são concedidas por Deus. Elas são o selo do Espírito Santo nos católicos.



    Como Jesus disse, vir a acreditar n'Ele é um trabalho realizado pelo Pai: "A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou." Jo 6,29
    Ele expressou essa mesma realidade noutros termos: "Ninguém pode vir a Mim se o Pai, que Me enviou, não o atrair." Jo 6,44a
    Mas também ensinou que devemos afastar-nos das ilusões: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44
    Ora, Ele falava de uma realidade muito além da natural: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: quem ouve Minha Palavra e crê n'Aquele que Me enviou, tem a Vida Eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a Vida." Jo 5,24
    Por isso, São Paulo afirma: "Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17
    Ele recomenda a São Timóteo a companhia dos verdadeiros cristãos, que realmente cultuam a piedade na celebração da Santa Missa: "Foge das paixões da mocidade, busca a Justiça, a fé, a caridade, a Paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Porque através de Sua esplendorosa manifestação, Jesus revelou a infinita grandeza do Pai. A Primeira Carta de São João testemunhou: "Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro." 1 Jo 5,20
    E ele diz de Cristo em seu Evangelho: "Aquele que recebe Seu testemunho, confirma que Deus é verdadeiro." Jo 3,33
    Testemunhar foi o que Nosso Senhor fez por Sua Paixão e Ressurreição, como São Pedro diz: "Por Ele tendes fé em Deus, que O ressuscitou dos mortos e glorificou, a fim de que vossa fé e vossa esperança se fixem n'Ele." 1 Pd 1,21
    Assim como fez pela fundação da Igreja Católica, na qual brilha Sua Glória pela indestrutível Unidade, que é prova de Seu Advento e do amor do Pai. Falando dos Apóstolos, Ele rezou ao Pai: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Os Doze, com efeito, desde o início já sabiam Quem podia fazê-los crer: "... disseram ao Senhor: 'Aumenta-nos a fé!'" Lc 17,5b
    E São João Apóstolo garantiu "Eis o amor a Deus: que guardemos Seus Mandamentos. E Seus Mandamentos não são penosos, porque todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: nossa fé." 1 Jo 5,3-4
    Pois crer é um mistério, segundo os discípulos de São Paulo: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito daquilo que não se vê." Hb 11,1
    Assim, nossa busca pela Verdade não pode ser nem negligente nem presunçosa: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus..." Hb 11,6
    E evocando tantos testemunhos que recebemos de tantos Santos, eles voltam a afirmar a obra da Salvação realizada por Cristo: "Desse modo, cercados como estamos de tal Nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Com perseverança corramos ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé, Jesus." Hb 12,1
    Contudo, reafirmando esse dom como de Deus, e em diversos graus, São Paulo pede humildade: "Em virtude da Graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior que convém, mas um razoavelmente modesto conceito, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu." Rm 12,3
    Disse-a como divina dádiva de novo aqui, especificamente apontando o Santo Paráclito como Seu doador: "A um é dada pelo Espírito uma palavra de Sabedoria. A outro, uma palavra de ciência por esse mesmo Espírito. A outro, a fé, pelo mesmo Espírito..." 1 Cor 12,8-9a
    Porque a Sã Doutrina só pode ser assimilada e preservada por ação do Santo Espírito, a Terceira Pessoa de Deus. É o que vemos na recomendação que este Apóstolo dá a São Timóteo: "Guarda o Precioso Depósito, pela virtude do Espírito Santo que em nós habita." 2 Tm 1,14
    Nesse sentido, Jesus exortou-nos: "E Eu digo-vos: pedi, e dar-se-vos-á. Buscai, e achareis. Batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe. Aquele que procura, acha. E àquele que bater, abrir-se-lhe-á. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que LhO pedirem." Lc 11,9-10.13


ESPERANÇA

    Uma vez que nos submetemos a Seus desígnios, é o próprio Deus que nos anima para a Vida Plena, como o Apóstolo dos Gentios escreveu: "O Deus da esperança encha-vos de toda alegria e de toda Paz em vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança!" Rm 15,13
    Essa obra, ainda segundo ele, Deus realiza em nós através do amor que Jesus manifestou em Seus ensinamentos e obras, ao anunciar o Reino dos Céus, mas principalmente pela superabundante Graça que nos deu Sua Paixão (cf. Rm 5,20): "Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, Nosso Pai, que nos amou e que nos deu eterna consolação e boa esperança por Sua Graça, animem vossos corações e confirmem-nos para toda boa obra e palavra!" 2 Ts 2,16
    Pois Cristo é a própria esperança, como na Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo ele se apresentava: "Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por ordem de Deus, Nosso Salvador, e de Jesus Cristo, nossa esperança..." 1 Tm 1,1
    Ele é o Verbo que Se fez Carne (cf. Jo 1,14), a Boa Nova, a própria Verdade (cf. Jo 14,6). A Carta de São Paulo aos Colossenses reafirma: "Esperança que vos foi transmitida pela pregação da Verdade do Evangelho..." Cl 1,5
    E de fato, as Escrituras são um franco convite à esperança. Este Apóstolo atesta: "Ora, tudo quanto outrora foi escrito, para nossa instrução foi escrito, a fim de que, pela perseverança e pela consolação que as Escrituras dão, tenhamos esperança." Rm 15,4
    Porque a esperança, como dom de Deus, também é um mistério: "Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança. Porque o que alguém vê, como é que ainda o espera?" Rm 8,24
    Ele citou o exemplo do grande patriarca: "Esperando contra toda esperança, Abraão teve fé e tornou-se pai de muitas nações..." Rm 4,18a
    E prega que devemos olhar para muito além da vida terrena: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos, de todos homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19
    Pois só a Luz de Deus, fruto da íntima relação com Ele, pode fazer-nos compreender a grandeza de Seus projetos. Ele rezou por nós: "Rogo ao Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, que vos dê um Espírito de Sabedoria, que vos revele o conhecimento d'Ele, que ilumine os olhos de vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados..." Ef 1,17-18
    Não perdê-la, porém, depende de nós, de nossa perseverança em função da promessa, pelo exemplo e boa companhia dos Santos, conforme seus discípulos: "Desejamos, apenas, que ponhais todo empenho em até o fim guardar intacta vossa esperança, e que, longe de vos tornardes lentos na compreensão, sejais imitadores daqueles que pela fé e paciência se tornam herdeiros das promessas. Esperança esta que seguramos qual âncora de nossa alma, firme e sólida, que penetra além do véu do Santuário, onde Jesus entrou por nós como precursor, feito Sumo Sacerdote para a eternidade, segundo a Ordem de Melquisedeque." Hb 6,11-12.19
    E assim tudo devemos suportar, como o próprio São Paulo ensina: "Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana." Rm 5,3b-5a
    Ele explica: "Eis uma verdade absolutamente certa e digna de fé: se nos afadigamos e sofremos ultrajes, é porque pusemos nossa esperança em Deus Vivo, que é o Salvador de todos homens, sobretudo dos fiéis." 1 Tm 4,9-10
    Disse ao sinédrio, conselho dos judeus em Jerusalém, quando aí foi preso: "Por causa de minha esperança na Ressurreição dos Mortos é que sou julgado." At 23,6b
    E em belíssima fórmula de seu cunho, pede-nos: "Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração." Rm 12,12
    Pois para ela nós renascemos, segundo nosso Primeiro Papa: "Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo! Em Sua grande Misericórdia, ele fez-nos renascer pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança..." 1 Pd 1,3
    Para tanto, ele recomenda que, em espírito de mansidão, guardemos bem meditada a Sã Doutrina, dizendo daqueles que se levantam contra os cristãos: "Portanto, não temais suas ameaças e não vos perturbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder, para vossa defesa, a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito." 1 Pd 3,15
    Com efeito, segundo o Amado Discípulo, ela representa nossa chance de recuperar a semelhança divina: "E todo aquele que n'Ele tem esta esperança, torna-se puro, como Ele é puro." 1 Jo 3,3

AMOR

    É Jesus, pois, que nos infunde o amor ao Pai, pela absoluta fidelidade com que exerceu Sua Missão. Mencionando a Palavra que transmitiu aos Apóstolos, assim rezou ao Pai na oração pela Unidade da Igreja: "Manifestei-lhes Teu Nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que Me amaste esteja neles..." Jo 17,26
    E com o Pentecostes, quando se deu o nascimento da Santa Madre Igreja, o Espírito Paráclito tem consumado essa Graça. São Paulo diz: "Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5b
    Pois é Ele, o Autor da Graça (cf. Hb 10,29), que nos conduz à Vida Eterna (cf. Rm 8,14). Este Apóstolo fala de um de seus colaboradores: "Foi Epafras que nos informou do amor com que o Espírito vos anima." Cl 1,8
    É Ele Quem conduz a Igreja Una, ainda segundo ele: "... pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus." Rm 8,14
    É nesse amor, divinamente demonstrado por Jesus em Sua Paixão, como dissemos, que devemos perseverar. Ele mesmo recomendou: "Como o Pai Me ama, assim Eu também vos amo. Perseverai em Meu amor." Jo 15,9
    E indicou como o fazer: através da obediência: "Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor..." Jo 15,10
    Por isso, dando exemplo, pontualmente recomendou que Sua Igreja ensinasse: "O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou." Jo 14,31a
    Essa grande obra, enfim, é imensamente compensada pela Graça, como São Paulo reza: "A Graça esteja com todos que, com inalterável e eterno amor, amam Nosso Senhor Jesus Cristo." Ef 6,24
    Inebriado por esse amor, ele perguntava: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?" Rm 8,35
    Persistente, ele convida-nos a essa grande virtude: "Tendei à perfeição, animai-vos, tende um só coração, vivei em Paz, e o Deus de amor e Paz estará convosco." 2 Cor 13,11
    No mesmo sentido, São João Evangelista garante: "Aquele, porém, que guarda Sua Palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito." 1 Jo 2,5
    Explica: "Aquele que não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor." 1 Jo 4,8
    Revela a fonte: "Mas amamos, porque Deus nos amou primeiro." 1 Jo 4,19
    E aponta-o como a verdadeira fortaleza, a absoluta serenidade: "No amor não há temor." 1 Jo 4,18

    "Santificai-nos pelo dom de Vosso Espírito!"