quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

São Judas Tadeu, Apóstolo


    Foi um dos mais reservados Apóstolos, de quem poucos registros ficaram, mas por isso não se pode deduzir que tenha sido menos ativo. As várias regiões que visitou depois da Ascensão do Senhor e do Pentecostes, assim como suas frequentes viagens, desfazem a impressão de mero contemplativo, que alguns inferem tão somente pelas poucas citações de seu nome na Bíblia.
    De fato, não é muito mencionado. E aparece nas listas dos Apóstolos sempre entre os últimos dos Doze, como nos Evangelhos Segundo São Mateus, Segundo São Marcos e Segundo São Lucas. O Amado Médico, aliás, não o chama de Tadeu, mas de Judas, seu primeiro nome, claramente diz que ele é irmão de São Taigo Menor, e só o menciona à frente de Judas Iscariotes:
    - "Eis os nomes dos Doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor." Mt 10,2-4
    - "Escolheu estes Doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão. Ele também escolheu André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu. Tadeu, Simão, o zelota, e Judas Iscariotes, que O entregou." Mc 3,16-19
    - "Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e dentre eles escolheu Doze, que chamou de Apóstolos: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro. André, seu irmão. Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu. Simão, chamado Zelota, Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor." Lc 6,13-16
    Parente de Jesus, ele é citado como um de 'Seus irmãos' nos Evangelhos de São Mateus e São Marcos:
    - "Não é este o Filho do carpinteiro? Não é Maria Sua mãe? Não são Seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?" Mt 13,55
    - "Não é Ele o carpinteiro, o Filho de Maria, o irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão?" Mc 6,3
    É São Judas que questiona Jesus, no Evangelho Segundo São João, quanto a Seu modo de Se manifestar pessoa a pessoa, pois gostaria de O ver manifestando-Se o quanto antes ao mundo todo, de glorioso modo e em definitivo. Nessa passagem, fica evidente o respeito com que ele trata Jesus, chamando-O de Senhor, detalhe que também desmistifica a ideia de que seria Seu irmão, como hereges pretendem, e assim simplesmente pela absoluta falta de intimidade: "Pergunta-Lhe Judas, não o Iscariotes: 'Senhor, por que razão hás de Te manifestar a nós e não ao mundo?' Respondeu-lhe Jesus: 'Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra e Meu Pai amá-lo-á. E Nós viremos a si, e em si faremos Nossa morada.'" Jo 14,22-23


    Ele ainda tem seu nome nas listas dos Onze presentes no Cenáculo, antes da ostensiva vinda do Espírito Santo no Pentecostes, conforme o Livro de Atos dos Apóstolos, quando São Lucas nova e exclusivamente o indica como irmão de São Tiago Menor, ou seja, não de Jesus, e agora como o último deles, atrás até mesmo de São Simão Zelota, que dos Doze é o menos citado. Ademais, nosso evangelista aponta a presença da Santíssima Virgem, Mãe da Igreja fundada por Jesus (cf. Jo 21,15): "Tendo entrado no Cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelota, e Judas, irmão de Tiago. Todos eles unanimemente perseveravam em oração, juntamente às mulheres, entre elas Maria, Mãe de Jesus, e Seus irmãos." At 1,13-14
    Por fim, ele assina sua própria epístola providencialmente se identificando como irmão de São Tiago Menor, assim como São Lucas, de expresso modo, o identificou por duas vezes. Essa passagem deixa ainda mais claro que ele não era irmão de Jesus, nem filho de Nossa Senhora ou sequer de São José, como ainda mais delirantes hereges divulgam. Ora, São de Tiago Menor era filho de Maria esposa de Cleófas, ou Alfeu (cf. Mc 3,18), seu equivalente hebraico, e parenta de Maria Santíssima. Ele não se identifica como irmão de Jesus, como seguramente faria se o fosse, mas como Seu servo: "Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago..." Jd 1
    Os chamados 'irmãos de Jesus', na verdade apenas parentes, e assim designados pela inexistência da palavra 'primo' na língua aramaica, aparecem ainda mais evidentemente como filhos de Santa Maria de Cleófas por ocasião da Crucificação do Senhor, do Sepultamento e do Domingo da Ressurreição, e em nada menos que em três Evangelhos: São Mateus, São Marcos e São Lucas:
    - "Ali estavam muitas mulheres que de longe olhavam. Haviam seguido Jesus desde Galiléia para O servir. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu." Mt 27,55-56
    - "Ali também estavam algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de Joset, e Salomé." Mc 15,40
    - "Maria Madalena e Maria, mãe de Joset, observavam onde Ele era colocado." Mc 15,47
    - "Passado o sábado, Maria Madalena e Maria, a mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para embalsamar o Corpo de Jesus." Mc 16,1
    - "Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago." Lc 24,10
    Sabemos que essa Maria era a esposa de São Cleófas, e parenta de Nossa Senhora, porque São João Evangelista, que também descreveu a Crucificação e o Sepultamento de Jesus, deixou-nos o nome de seu esposo: "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua mãe e a irmã de Sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena." Jo 19,25
    A Carta de São Judas também não é extensa. Ele justifica-a apenas para confirmar o que 'os Apóstolos' ensinavam, como se não fosse um deles, para deixar seu testemunho sobre Cristo e alertar para as correntes heresias já existentes, exortando os fiéis a não desanimarem com o zombaria que sofriam. E dá um importante registro de que a Revelação já estava encerrada, portanto só cabe ser explicitada, chamando-a de 'fé': "Caríssimos, estando eu muito preocupado em vos escrever a respeito de nossa comum Salvação, senti a necessidade de vos dirigir esta carta para vos exortar a pelejar pela fé, de uma vez para sempre confiada aos Santos. Pois certos ímpios furtivamente se introduziram entre nós, os quais desde muito tempo estão destinados para este Julgamento. Eles transformam em dissolução a Graça de Nosso Deus, e negam Jesus Cristo, Nosso Único Mestre e Senhor. Mas vós, caríssimos, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos Apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam: 'No fim dos tempos virão impostores, que viverão segundo suas ímpias paixões. Homens que semeiam a discórdia, homens sensuais que não têm o Espírito Santo.'" Jd 3-4.17-19
    Demonstrando o mesmo respeito que se viu no Evangelho Segundo São João, por seis vezes ele menciona o Nome de Jesus, e em todas O chama de Cristo. Aliás, como visto, também O chamou de 'Nosso Único Mestre e Senhor', ou seja, nenhum resquício de familiar intimidade, muito menos de sanguínea irmandade.
    Realmente bem instruído, como sua carta mostra, atestava assim a preparação que ele e seus irmãos tiveram apesar de viverem no longe e pobre distrito de Galileia (cf. At 4,13). Aliás, como o próprio Jesus, os filhos de Zebedeu e outros Apóstolos de intelecto como São Filipe, São Bartolomeu, São Tomé e São Mateus tiveram. E se quase nada sabemos sobre seu irmão José, São Tiago Menor vai ser o escolhido por Jesus (cf. 1 Cor 15,7) para suceder São Pedro como Bispo de Jerusalém (cf. At 12,17), e assim também seu irmão São Simão de Jerusalém, que sucederia São Tiago Menor, após seu Martírio, neste mesmo bispado até a destruição da Cidade Santa pelos romanos no ano de 70 de nossa era. Com efeito, os cristãos daí, a grande maioria vindo do judaísmo, primavam pelo fato de serem representados por judeus de origem, com consanguinidade reconhecida, como era os casos dos irmãos de São Judas Tadeu.
    A confusão com Judas Iscariotes em muito dificultou a divulgação de seu nome e sua história, e assim a devoção e veneração que inquestionavelmente lhe são devida. Isso explica porque, desde o início, São Marcos e São Mateus já o apresentavam com o nome de Tadeu, um íntimo apelido, com a clara intenção de o diferenciar do infame traidor.


    Ele começou a evangelizar em sua própria terra, Galileia, para onde foram alguns Apóstolos bem depois da perseguição iniciada com o apedrejamento de Santo Estevão (cf. At 8,1). Em seguida, esteve por algum tempo em Samaria, de onde partiu para Síria, Idumeia (atual Jordânia), Líbia Antiga, Armênia e Pérsia, e aí a seu encontro veio São Simão Apóstolo, o zelota.
    Em sua companhia, percorreram as 12 províncias que compunham o antigo Império Persa, fazendo muitos milagres e convertendo muita gente (cf. Mc 16,20), mas, por despertarem ciúmes de influentes sacerdotes, foram brutalmente assassinados no mesmo dia. Conforme a Sagrada Tradição e apócrifos, São Judas Tadeu foi morto a golpes de machado na cabeça, e São Simão, serrado ao meio.
    Após séculos de isolamento, que foi agravado pelo violento surgimento do Islamismo, a devoção a si só voltou a crescer, e dessa vez a partir da Europa, graças à aparição de Jesus a Santa Gertrudes, no século XIII, recomendando os socorros de São Judas para as impossíveis causas, como ela deixou escrito em sua biografia. É a partir desses tempos que se passou a o invocar como São Judas Tadeu, juntando os nomes a si atribuídos em diferentes Evangelhos, e também para de uma vez por todas o diferenciar de Judas Iscariotes.
    Nosso Santo também é considerado aquele que levou o Cristianismo a Armênia, então província romana, quando ainda viajava em companhia de São Bartolomeu. De fato, atendendo ao chamado do rei, levou-lhe a famosa 'Imagem de Edessa', a mais antiga pintura de Cristo de que se tem notícia. Relatos dão conta que esse rei teria enviado uma carta a Jesus, nos tempos de Sua vida pública, convidando-O a sua corte, mas Ele apenas oralmente respondeu aos enviados, dizendo que no futuro um de Seus Apóstolos iria ter consigo.


    Ainda hoje estes Mártires da fé são cultuados como Santos Padroeiros da igreja apostólica armênia, pois a São Judas Tadeu foi dedicado um mosteiro no norte de Irã, e outro a São Bartolomeu no sul de Turquia, quando essas duas regiões ainda formavam aquela antiga província do Império Romano.
    Há notícias de que ele esteve no Primeiro Concílio, de Jerusalém (cf. At 15,2), e também exerceu sua missão em Beirute e ainda em Edessa, no norte de Mesopotâmia, hoje terras de Turquia, onde ele mesmo teria pintado a Imagem que levou ao rei de Armênia.
    Seus restos mortais foram guardados no Oriente Médio por vários séculos, depois foram levados a França e posteriormente a Roma, onde foram sepultados sob o Altar de São José, na Basílica de São Pedro.


    São Judas Tadeu, rogai por nós!

São Simão Zelota, Apóstolo


    Certamente, o menos conhecido dos Apóstolos originários. Nas listas, sempre é citado entre os últimos pelos evangelistas, duas das três vezes à frente apenas de Judas Iscariotes, e no Evangelho Segundo São Mateus é chamado de 'cananeu', por seu engajamento no movimento nacionalista de então: "Eis os nomes dos Doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor." Mt 10,2-4
    Assim como o Evangelho Segundo São Marcos (cf. Mc 3,18), que serviu de texto base para os demais, o Evangelho Segundo São Lucas aponta o apelido de zelota, em referência ao apaixonado zelo que seu grupo religioso tinha pelas Escrituras, desejoso de as ver plenamente respeitadas: "Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e escolheu Doze dentre eles, que chamou de Apóstolos: Simão, a quem impôs o nome de Pedro. André, seu irmão. Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado zelota. Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor." Lc 6,13-16
    Após esta citação, São Simão só mais uma vez será nominalmente citado, seja nos Evangelhos ou nos demais Livros do Novo Testamento: na lista dos Onze, já sem Judas Iscariotes, do Livro de Atos dos Apóstolos, logo após a Ascensão de Jesus e pouco antes do Pentecostes, quando o Amado Médico de novo o coloca, por algum motivo, à frente de ninguém menos que São Judas Tadeu, um dos chamados 'irmãos' de Nosso Salvador, quando também registra a essencial presença da Santíssima Virgem para a constituição da Santa Igreja Católica (cf. Ef 5,26; At 1,8), que em seguida nasceria: "Tendo entrado no cidade, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelota, e Judas, irmão de Tiago. Todos eles unanimemente perseveravam em oração, juntamente às mulheres, entre elas Maria, Mãe de Jesus, e Seus irmãos." At 1,13-14


    Mas como zelota, e por isso íntimo de São Pedro, era ele que possuía uma das espadas que os Apóstolos levavam, como vemos momentos antes de partirem para o horto das Oliveiras, onde Jesus ia ser entregue. Pouco antes de deixarem o lugar da Santa Ceia, o Divino Mestre havia ordenado: "'Quando vos mandei sem bolsa, sem mochila e sem calçado, faltou-vos porventura alguma coisa?' Eles responderam: 'Nada.' 'Mas agora', disse-lhes Ele, 'aquele que tem uma bolsa, tome-a. Aquele que tem uma mochila, igualmente a tome. E aquele que não tiver uma espada, venda sua capa para comprar uma.' Eles replicaram: 'Senhor, eis aqui duas espadas!' 'Basta!', respondeu Ele." Lc 22,35b-36.38
    A outra espada era levada por aquele que viria a ser o Primeiro Papa (cf. Jo 21,15s), como vemos no Evangelho Segundo São João, quando Nosso Senhor foi preso pelos guardas dos líderes religiosos judeus de Jerusalém: "Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. O servo chamava-se Malco. Mas Jesus disse a Pedro: 'Enfia tua espada na bainha! Não hei de beber o Cálice que o Pai Me deu?'" Jo 18,10-11
    Voluntarioso como São Pedro a esses tempos, mas não deixando de o reverenciar como líder natural e o escolhido pelo Senhor, nosso Santo foi o primeiro a o apoiar quando prometeu seguir Jesus até a morte, quando Ele anunciou que todos O abandonariam e o Primeiro Apóstolo O negaria por três vezes: "Mas Pedro repetia com maior ardor: 'Ainda que seja preciso morrer Convosco, não Vos renegarei.' E todos disseram o mesmo." Mc 14,31
    Para a maioria dos estudiosos, a palavra 'cananeu', usada por São Mateus, e zelota, usada por São Marcos e São Lucas, teriam o mesmo significado. Além de fundamentalistas religiosos, esses nomes designariam nacionalistas inspirados no levante de Judas Macabeus, que expulsou os gregos da Terra Santa havia uns 200 anos (cf. 2 Mc 2,19-20), e por isso defendiam a libertação dos romanos pela luta armada.
    A esse grupo pertenceu, além, muito provavelmente, de Judas Iscariotes, o próprio São Pedro, como denuncia a destreza de seu golpe que, em claro sinal advertência, para intimidar os demais, amputou a orelha do servo do sumo sacerdote. Tal habilidade semelhantemente foi testemunhada por São Mateus, que não quis mencionar o nome de São Pedro: "Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada, e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. Jesus, no entanto, disse-lhe: 'Embainha tua espada, pois todos que da espada usarem, pela espada morrerão.'" Mt 26,51-52
    São Lucas também a registrou, igualmente omitindo São Pedro, assim como mais um milagre de Cristo no desfecho desta cena: "Aqueles que estavam ao redor de Si, vendo o que ia acontecer, perguntaram: 'Senhor, devemos atacá-los à espada?' E um deles feriu o servo do príncipe dos sacerdotes, decepando-lhe a orelha direita. Mas Jesus interveio: 'Deixai! Basta!' E tocando na orelha daquele homem, curou-o." Lc 22,49-51
    Esse grupo também era chamado de sicários, por usarem curtas, grossas e curvas facas chamadas de sica, realmente perigosas, e fáceis de esconder nas vestes. São eles que incitarão a revolta do ano de 70 de nossa era, quando Jerusalém será destruída por ordem do imperador Vespasiano, como Nosso Senhor profetizou: "Aproximando-Se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela, dizendo: 'Oh! Se tu, ao menos neste dia que te é dado, também conhecesses Aquele que pode trazer-te a Paz! Mas não. Isso está oculto a teus olhos. Sobre ti virão dias em que teus inimigos te cercarão de trincheiras, te sitiarão e te apertarão por todo lado. Destruí-te-ão a ti e a teus filhos que estiverem dentro de ti, e em ti não deixarão pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo em que foste visitada.'" Lc 19,41-44
    Outros estudiosos, porém, julgam que 'cananeu' é apenas a indicação de sua origem, Canaã, a Terra Prometida, ou ainda a própria Caná de Galileia, onde Jesus transformou água em vinho durante as Bodas de familiares amigos de Nossa Senhora (cf. Jo 2,1).
    Assim como São Tiago Menor e São Judas Tadeu, que eram parentes próximos de Jesus (cf, Mc 15,40 e Jd 1), e ainda São Tomé e Judas Iscariotes, de São Simão Zelota não ficou registrado em que momento ele passou a acompanhar o Senhor, diferente do que aconteceu com os demais Apóstolos.
    Mas baseando-se no Evangelho de São João, é muito provável que ele também tenha sido convidado para as Bodas de Caná, talvez pelo próprio São Pedro, e assim presenciado o milagre da transformação da água em vinho. Com efeito, nesta ocasião e pelo local, o Amado Discípulo (cf. Jo 13,23), como ocular testemunha e de tão pontuais e cronológicos registros, dá a entender que o grupo dos Apóstolos já estava formado, exceto pela ausência de São Mateus, que só seria chamado em Cafarnaum (cf. Mc 2,14), onde Jesus foi morar após deixar Nazaré (cf. Mt 4,13): "Este foi o princípio dos sinais. Jesus realizou-o em Caná de Galileia. Manifestou Sua Glória, e Seus discípulos creram em Si." Jo 2,11


    Todos esses detalhes descrevem um simples e verdadeiro homem, como o próprio Príncipe dos Apóstolos era, o que permite dizer que nosso Santo experimentou uma profunda conversão, passando do ativismo revolucionário para a contemplação essencialmente espiritual. As palavras que ouviu e os fatos que presenciou foram decisivos: marcaram-no para o resto da vida, e ele, demonstrando Sabedoria, humildemente e rendeu. Abdicou de anseios de violência e fervorosamente abraçou a vida de testemunha da Ressurreição e dos ensinamentos de Cristo.
    Sabe-se que São Simão evangelizou em Egito, talvez a convite de São Marcos, quando este evangelista foi enviado por São Pedro a Alexandria, que era a segunda mais importante cidade do Império Romano, menor apenas que Roma.
    Também se sabe que, antes de acompanhar São Marcos, por um bom tempo ele esteve com São Filipe Apóstolo, evangelizando em Síria, pois era comum que eles trabalhassem em dupla, como Jesus determinou no início (cf. Mc 6,7) e eles continuaram enquanto puderam. A parceira de São Pedro e São João, por exemplo, durou quase duas décadas (cf. Gl 2,9).
    Mais tarde, vamos encontrá-lo em Pérsia junto a São Judas Tadeu, ou porque Jerusalém já estaria reduzida a cinzas, portanto depois do ano de 70 de nossa era, ou a chamado deste Apóstolo, que era muito ativo. Aí os trabalhos eram muitos, dado o expressivo número de convertidos, e São Simão seria de grande valia pois se tornara profícuo leitor das Escrituras. Ventila-se, da mesma forma, que São Judas Tadeu já percebia os riscos de contrariar os interesses de sacerdotes persas, e por isso solicitou sua companhia para lhes demonstrar que não faltariam seguidores que testemunhassem Jesus.


    Formando com São Judas Tadeu uma frutuosa parceira de conhecedores do Mistério de Cristo (cf. Cl 4,3), e assim instruindo e instituindo vários Bispos (cf. Tt 1,7), pois era um centro populacional e cultural verdadeiramente pulsante, aí realizaram numerosos milagres (cf. Mc 16,17) e converteram muitas almas, o que ainda mais atiçou a fúria dos sacerdotes do zoroastrismo. E uma vez denunciados às autoridades locais como agitadores, ao recusarem-se a abandonar tão grande rebanho, acabaram optando pela prova do amor maior (cf. Jo 15,13), o testemunho dos testemunhos: entregar a vida por Cristo (cf. Mc 8,35). E foram barbaramente martirizados.
    Talvez por seu avantajado porte físico, os assassinos de São Simão só se deram por satisfeitos quando o serraram ao meio, após matarem São Judas Tadeu, momentos antes, a golpes de machado desferidos contra a cabeça. Esses relatos chegaram-nos por muito antigo livro, de desconhecida autoria, chamado 'Atos de Simão e de Judas', que atribui a eles, principalmente pela franca disposição para o Martírio, pois foram várias vezes advertidos, o profundo conhecimento do Cristianismo que se verificou nessa região.
    Mas, no caso de São Simão, esta informação foi mencionada pelos seguidores da tradição de São Paulo, que registraram sobre a então já extensa lista de Mártires, na Carta aos Hebreus: "Foram apedrejados, massacrados, serrados ao meio..." Hb 11,37a
    Há outros registros, embora bem menos consistentes, indicando que São Simão teria falecido com mais de cem anos. Porém restaram praticamente renegados frente a amplamente acolhida tradição que atesta o Martírio de todos Onze Apóstolos, seguidos pelos próprios São Matias e São Paulo Apóstolos, a exceção de São João Evangelista, que, este sim!, morreu de velho. Aliás, como Jesus mesmo havia previsto (cf. Jo 21,22), referindo-Se a Suas revelações apontadas no Livro de Apocalipse de São João, que se deram décadas mais tarde.
    Ademais, seus restos mortais sempre foram mantidos junto aos de São Judas Tadeu, desde o sepultamento pelos cristãos em Pérsia mesmo, até serem transladados a França, de onde finalmente foram levados a Roma e depositados sob o Altar de São José, na Basílica de São Pedro.


    São Simão, rogai por nós!