sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

    A primeira sexta-feira de cada mês é dia de comungar em honra ao Sagrado Coração de Jesus, e assim durante nove meses seguidos, para alcançar a Graça da penitência final e mais 11 promessas, como Ele mesmo revelou através de aparições a Santa Margarida-Maria Alacoque.

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

Nem Tudo está Escrito na Bíblia


    É evidente que a Revelação de Deus não Se encerra nas Sagradas Escrituras, pois é infinitamente maior que elas. Pensar o contrário é imaginar que o Céu e a Vida Eterna poderiam ser descritos em palavras, quando simples perguntas demonstram que, para muitas coisas, a experiência humana sequer dispõe de referências. As próprias Escrituras afirmam essa limitação. Sobre o Antigo Testamento, por exemplo, lemos na Carta aos Hebreus, dos seguidores da tradição de São Paulo: "A Lei, por ser apenas a sombra dos futuros bens, não sua real expressão..." Hb 10,1
    O mesmo podemos dizer quanto à relação entre a Encarnação do Cristo e os Evangelhos: toda Sua Vida é um mistério. O Evangelho Segundo São João afirma que nem Sua Vida pública foi registrada por completo: "Jesus ainda fez muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever." Jo 21,25
    No Evangelho Segundo São Lucas, Ele mesmo falou que Sua completa Revelação só se daria na Parusia, ao Fim dos Tempos: "Assim será no dia em que o Filho do Homem for revelado.” Lc 17,30
    Mas isso não nos impede de reconhecer Sua plenitude como Deus, que declarou pouco antes de Sua Ascensão aos Céus, no Evangelho Segundo São Mateus: "Toda autoridade foi-Me dada no Céu e na Terra." Mt 28,18
    A Carta de São Paulo aos Colossenses atesta: "Pois n'Ele corporalmente habita toda plenitude da divindade." Cl 2,9
    São João Evangelista também expressa essa certeza: "Todos nós recebemos, de Sua plenitude, Graça sobre Graça." Jo 1,16
    E ainda que não tendo registrado todos milagres de Jesus, ele confirma Sua Encarnação, que é a razão de ser de seu Evangelho: "Jesus fez, na presença de Seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste Livro. Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,30-31
    Contrariando São João Evangelista, São Lucas diz no Livro de Atos dos Apóstolos que teria registrado tudo: "Em meu primeiro Livro, ó Teófilo, tratei de tudo que Jesus fez e ensinou, desde o começo..." At 1,1
    Porém, em seguida, ele cita o próprio Senhor restringindo as revelações de Deus Pai: "Não cabe a vós saber os tempos ou momentos que o Pai determinou com Sua autoridade. Mas recebereis o poder do Espírito Santo que virá sobre vós, para serdes Minhas testemunhas em Jerusalém, por toda Judeia e Samaria, e até os confins da Terra." At 1,7-8
    Jesus já havia advertido os Apóstolos das humanas limitações perante Sua própria Revelação. Que dirá de Sua Onisciência! Contudo, garantiu que Seus ensinamentos seriam arrematados por Seu Espírito, e que Ele guiaria a Santa Igreja Católica em cada nova situação, como se viu pelos séculos: "Muitas coisas ainda tenho a vos dizer, mas agora não podeis suportá-las. Quando o Espírito da Verdade vier, ensiná-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13
    Ademais, aquela era Sua última noite entre os Apóstolos, aproximava-se Sua hora: "Já não falarei muito convosco, porque o príncipe deste mundo vem. Mas contra Mim, ele nada pode." Jo 14,30
    Apontava tal dificuldade desde o início de Sua Missão, quando disse a São Nicodemos, sábio e então líder dos fariseus, que se tornaria Seu discípulo (cf. Jo 19,39): "És doutor em Israel e ignoras estas coisas? Se vos tenho falado das terrenas coisas e não Me credes, como crereis se vos falar das celestiais?" Jo 3,10b.12
    Reclamou até dos Apóstolos após contar a parábola do Semeador, no Evangelho Segundo São Marcos: "Não entendeis essa parábola? Como entendereis então todas outras?" Mc 4,13b
    Ele apontou o pecado mortal da vaidade, o que não exclui os seis demais, como insuplantável obstáculo à elementar percepção do Divino: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44
    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo apontava não as Escrituras, mas a Igreja Apostólica, que é iluminada pelo Espírito Paráclito para agir em União, como a depositária Verdade: "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15
    E assim a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios explica a incompreensão de muitos para com a Sã Doutrina: "Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as Graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais. Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem pode compreendê-las, porque é pelo Espírito que deve ponderá-las" 1 Cor 2,12-14
    Jesus mesmo revelou essa impossibilidade: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,17
    O Divino Paráclito, de fato, veio em Nome de Jesus, e assim agiu para que nada do que Ele tinha ensinado aos Apóstolos fosse esquecido, como Nosso Senhor garantiu: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26
    Na verdade, como São Lucas anotou, sabemos que todos ensinamentos de Cristo aos Apóstolos, desde o início, foram comunicados através do Divino Paráclito: "Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda seqüência das ações e dos ensinamentos de Jesus, desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo Suas instruções aos Apóstolos que escolhera, foi arrebatado ao Céu." At 1,1-2
    Dizendo da Semente por Ele mesmo já lançada (cf. Mt 13,37), garantiu que o anúncio deles, a partir da instrução do Divino Espírito, igualmente seria plenamente acolhido: "Se guardaram Minha Palavra, também hão de guardar a vossa. Quando o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, vier, o Espírito da Verdade que vem do Pai, Ele dará testemunho de Mim. Vós também dareis testemunho, porque Comigo estais desde o princípio." Jo 15,20c.26-27
    E essa é a garantia de que a Igreja Una, pessoalmente edificada por Cristo (cf. Mt 16,18), é indestrutível (Idem), cuja obra seguirá para a eternidade por força dos Sacramentos: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a
    Por isso, a Primeira Carta de São Pedro explicitamente menciona nossa carência dos auxílios do Espírito Santo, só plenamente derramado após o Pentecostes, para o correto entendimento da Revelação, isto é, da Lei, dos antigos Profetas e do próprio Evangelho: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas, que proferiram oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e que profetizava os sofrimentos do mesmo Cristo, e as Glórias que deviam segui-los. Foi-lhes revelado que propunham, não para si mesmos, senão para vós, estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu." 1 Pd 1,10-12
    E como a Segunda Carta de São Pedro bem ensinou, ninguém está autorizado a fazer pessoais interpretações da Bíblia: "Antes de mais nada, saibam disto: nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação, pois a profecia jamais veio por humana vontade. Mas homens, impelidos pelo Espírito Santo, falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20-21
    A Primeira Carta de São João, de fato, não tinha dúvida da inspiração que guia a Igreja Católica Apostólica Romana, dizendo de Cristo Jesus e da Comunhão com Deus: "Quem observa Seus Mandamentos, permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24
    E prega aos fiéis sobre o Santo Paráclito e o Sacramento da Crisma: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo, e sabeis todas coisas. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine, mas, como Sua Unção vos ensina todas coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei n'Ele, como ela vos ensinou." 1 Jo 2,20.27b
    Porque como os discípulos de São Paulo afirmam, relembrando os anos de Israel no deserto (Sb 18,23), devemos ter presente que ainda hoje Jesus nos fala: "Guardai-vos, pois, de vos recusar a ouvir Aquele que fala. Porque, se não escaparam do castigo aqueles que d'Ele se desviaram, quando lhes falava na Terra, muito menos escaparemos nós, se O repelirmos, quando nos fala desde o Céu." Hb 12,25
    Ora, o próprio Jesus assegurou que Sua voz seria ouvida pelos pagãos mesmo após Sua Ascensão, pois disse aos judeus de Jerusalém dias antes de Sua Paixão: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. Também preciso conduzi-las. E ouvirão Minha voz, e haverá um só rebanho e um só Pastor." Jo 10,16
    Nosso Salvador deu, ademais, total autoridade a Sua Igreja, que desde o Pentecostes está sob o Ministério do Espírito Santo, à qual ninguém pode se nega a ouvir, sob pena de excomunhão: "Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos." Mt 18,17
    Ora, referindo-Se às sete dioceses de Ásia de então, Ele vai repetir por sete vezes no Livro de Apocalipse de São João: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." Ap 2,7.11.17.29;3,6.13.22
    E sentenciou: "Quem vos ouve, a Mim ouve. E quem vos rejeita, a Mim rejeita. E quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou." Lc 10,16


NO INÍCIO, O EVANGELHO FALADO

    Como Jesus avisou, auxílios e suplementação são exatamente o Ministério do Espírito Paráclito, do qual a Palavra escrita é o instrumento, mas não o único, e no início foi exclusivamente exercido através da Palavra oral dos Apóstolos, que seria chamada Sagrada Tradição. A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios confirma: "É Deus que nos fez aptos para sermos Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,6
    A Carta de São Paulo aos Romanos usou o mesmo argumento, ao falar da verdadeira obediência a Deus entre os judeus: "Pois o verdadeiro judeu não é aquele que como tal externamente aparece, nem é verdadeira circuncisão a que é visível na carne, mas é judeu aquele que o é no interior, e a verdadeira circuncisão é a do coração, segundo o Espírito e não segundo a letra. Aí está quem recebe louvor, não dos homens, mas de Deus." Rm 2,28-29
    Assim ele via as próprias pessoas da igreja de Corinto: "Vós mesmos sois nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos homens. Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,2-3
    Pois bem antes de sua primeira Carta apostólica, e exclusivamente se baseando em pregações, o Evangelho anunciado por ele e seus colaboradores não eram sopros ao vento, mas autênticas obras do Deus Vivo. A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses registrou: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por Palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção." 1 Ts 1,5
    Na inexistência do Evangelho escrito em grego, a língua universal de então, quando havia apenas o de São Mateus, em aramaico e pouco difundido, São Paulo semelhantemente ressaltou a importância da Palavra falada, pois sabia que seus sermões não haviam sido fruto de humanos artifícios: "Minha palavra e minha pregação longe estavam da persuasiva eloquência da Sabedoria. Eram, antes, uma demonstração do Espírito e do divino poder, para que vossa não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." 1 Cor 2,4-5
    Com efeito, o Amado Médico já apontava a Doutrina dos Apóstolos, junto aos três outros constitutivos da Santa Missa, falando dos cristãos nos primeiríssimos dias da Igreja, quando nada do Novo Testamento estava escrito: "Perseveravam eles na Doutrina dos Apóstolos, na Fraterna Comunhão, na fração do Pão e nas orações." At 2,42
    Quando o serviço aos fiéis crescia, e foi necessário instituir diáconos para auxiliar os Apóstolos, os Doze mesmos reclamariam: "Nós atenderemos sem cessar à oração e ao Ministério da Palavra." At 6,4
    E o Apóstolo dos Gentios atesta o grande diferencial que foi o Pentecostes, numa rápida comparação entre a Antiga e a Nova e Eterna Aliança (cf. Is 55,3): "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,7-8
    Ora, nos primeiros versículos de seu Evangelho, São Lucas registrou que os ensinamentos de Jesus já estavam amplamente difundidos, e que escreveu para os atestar: "A mim igualmente bem pareceu, depois de diligentemente haver investigado tudo desde o princípio, escrevê-los para ti segundo a ordem, excelentíssimo Teófilo, para que conheças a solidez daqueles ensinamentos que tens recebido." Lc 1,3-4
    E indicou a Igreja fundada por Jesus como sua fidelíssima fonte, ou seja, a Doutrina dos Apóstolos, a Tradição Oral: "... como no-los transmitiram aqueles que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram Ministros da Palavra." Lc 1,2
    Nas primeiras décadas do cristianismo, de fato, aos cristãos da cidade de Tessalônica, a quem primeiro escreveu, São Paulo claramente menciona que o Evangelho foi ouvido, e não lido: "Por isso, é que nós também não cessamos de dar graças a Deus, porque recebestes a Palavra de Deus, que de nós ouvistes e acolhestes, não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, como Palavra de Deus, que eficazmente age em vós, os fiéis." 1 Ts 2,13
    Ainda disse: "No mais, irmãos, de nós ouvistes a maneira como deveis proceder para agradar a Deus, e já o fazeis. Rogamo-vos, pois, e exortamo-vos no Senhor Jesus a que progridais sempre mais. Pois conheceis as instruções que vos demos da parte do Senhor Jesus." 1 Ts 4,1-2
    Aos cristãos da cidade de Corinto, repreendendo-os, ele claramente fala em Jesus conhecido por pregação, não por leitura: "Porque quando aparece alguém pregando-vos outro Jesus, diferente daquele que vos temos pregado, ou se trata de receber outro espírito, diferente d'Aquele que haveis recebido, ou outro evangelho, diverso daquele que haveis abraçado, de boa mente o aceitai." 2 Cor 11,4
    Aliás, aos católicos romanos não falou em leitura espiritual, quando explicou como se chega à fé: "Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17
    Até apontou um lapso entre a promessa feita a Abraão e a Lei apresentada por Moisés, quando sequer Escritura havia. Está na Carta de São Paulo aos Gálatas: "Afirmo, portanto: a Lei, que veio quatrocentos e trinta anos mais tarde, não pode anular o Testamento em boa e devida forma feito por Deus, e não pode tornar sem efeito a promessa. Porque se a herança fosse obtida pela Lei, já não proviria da promessa. Ora, pela promessa é que Deus deu Seu favor a Abraão. Assim a Lei se tornou um pedagogo encarregado de nos levar a Cristo, para sermos justificados pela fé." Gl 3,17-18.24
    Evoca, inclusive, uma frase de Jesus que não consta nos Evangelhos: "Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto Ele mesmo disse: 'É maior felicidade dar que receber!'" At 20,35
    Porque, como só mais tarde escreveu suas Cartas e ainda assim só a algumas comunidades, foi essencialmente por pregações que São Paulo retransmitiu o Evangelho, ao qual, lembrando seu próprio exemplo de conversão, não esquece de pedir fidelidade. Ele endereçou aos coríntios: "Eu lembro-vos, irmãos, o Evangelho que vos preguei e que tendes acolhido, no qual estais firmes. Por ele sereis salvos, se o conservardes como vo-lo preguei. De outra forma, em vão teríeis abraçado a fé. Eu transmiti-vos, primeiramente, o que eu mesmo havia recebido..." 1 Cor 15,1-3a
    Ele havia-os parabenizado exatamente pela fidelidade: "Eu felicito-vos porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais minhas instruções tais como eu vos transmiti." 1 Cor 11,2
    Contudo, já tinha tomado outra precaução nesse mesmo sentido, e mais uma vez falando de normas e exortações dadas pessoalmente. E foi rígido: "Por isso, conjuro-vos a que sejais meus imitadores. Para isso é que vos enviei Timóteo, meu amado e fiel filho no Senhor. Ele recordá-vos-á minhas normas de conduta, tais como as ensino por toda parte, em todas igrejas. Mas brevemente irei ter convosco, se Deus quiser, e tomarei conhecimento não do que esses orgulhosos falam, mas do que são capazes. Que preferis? Que eu vá visitar-vos com a vara, ou com caridade e espírito de mansidão?" 1 Cor 4,16-17.19.21
    A própria Comunhão Eucarística, ele só oralmente ensinava, até fazer seu único registro por escrito na Primeira Carta aos Coríntios, aos quais semelhantemente já havia instruído de pessoal modo: "Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-O e disse: 'Isto é Meu Corpo, que é entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim.' Do mesmo modo, depois de haver ceado, também tomou o Cálice, dizendo: 'Este Cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue. Todas vezes que O beberdes, fazei-o em memória de Mim.' Assim, todas vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice lembrais a morte do Senhor, até que Ele volte." 1 Cor 11,23-26
    E mesmo depois dessas explicações, ele ainda vai dizer de detalhes que faltavam: "As demais coisas, eu determinarei quando for ter convosco." 1 Cor 11,34
    Havia dito com igual intenção aos tessalonicenses: "Noite e dia, com intenso, extremo fervor, rezamos para que nos seja dado novamente ver vossa face, e completar o que ainda falta a vossa fé." 1 Ts 3,10
    O que ainda se via na Carta de São Paulo a São Tito, do ano de 64, deixando claro que desde então havia critérios para o Sacramento da Ordenação, ao referir-se a nosso Padres, em grego Presbíteros: "Eu deixei-te em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres Anciãos em cada cidade, de acordo com as normas que te prescrevi." Tt 1,5
    Ele assim se refere à preparação dos Bispos: "... mas seja hospitaleiro, amigo do bemprudente, justo, piedoso, continente, firmemente apegado à Doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a Sã Doutrina e rebater aqueles que a contradizem." Tt 1,8-9
    E como este grande Apóstolo, seus seguidores também declinam de uma suposta obrigação de ter que tudo ensinar por escrito: "Não queremos insistir agora nas fundamentais noções da conversão, da renúncia ao pecado, da fé em Deus, a Doutrina dos vários batismos, da imposição das mãos, da Ressurreição dos Mortos e do Eterno Julgamento. Isto faremos se Deus o permitir." Hb 6,1b-3
    Ora, a Carta de São Paulo aos Filipenses, escrita por volta do ano de 56 de nossa era, claramente diz que o próprio Evangelho foi ouvido, e não lido: "O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da Paz estará convosco." Fl 4,9
    Ainda assim ao tempo de sua Carta à igreja de Colosso, estimadamente da década de 60: "Para isto, é necessário que permaneçais fundados e firmes na fé, inabaláveis na esperança do Evangelho que ouvistes, que foi pregado a toda criatura que há debaixo do Céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído Ministro." Cl 1,23
    E a Carta de São Paulo aos Efésios, da mesma época, semelhantemente diz: "N'Ele (Cristo), depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, vós também fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,13-14
    Enfim, ele já falava da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo como de 'nós', mostrando perfeito senso de Unidade, mas novamente sem se referir a Evangelho escrito algum: "Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por Carta nossa." 2 Ts 2,15
    Ou seja: desde sempre esteve vedada qualquer 'nova interpretação' ou mesmo 'nova revelação' a respeito da Sã Doutrina, inclusive por palavra ou por Carta. A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, a segunda mais antiga, já asseverava: "... não vos deixeis facilmente perturbar o espírito e alarmar, nem por alguma pretensa revelação nem por palavra ou carta tidas como procedentes de nós..." 2 Ts 2,2
    Resta claro, portanto, que os Apóstolos Originários, que iniciaram a pregar mais de uma década antes de São Paulo, também não transmitiram através dos Evangelhos escritos ou Cartas o que devemos saber. E se o fizeram, foi esporadicamente, usando a versão em aramaico de São Mateus. Ora, São João Evangelista, um dos Doze Apóstolos, o último a divulgar Evangelho e a falecer, diz aos fiéis ainda a seu tempo, mais de 30 anos após as Cartas de São Paulo e os Evangelhos Sinóticos, já escritos em grego, sempre falando em ensinamentos ouvidos, e não lidos, quando claramente revela que sem a Sagrada Tradição não há Comunhão com Deus: "Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se permanecer em vós o que ouvistes desde o princípio, também permanecereis vós no Filho e no Pai." 1 Jo 2,24
    A Segunda Carta de São João, igualmente escrita por volta de seus 100 anos de idade, atesta a mesma Tradição Oral: "Apesar de ter mais coisas que vos escrever, não o quis fazer com papel e tinta, mas espero estar entre vós e conversar de viva voz, para que vossa alegria seja perfeita." 2 Jo 1,12
    Numa época em que poucos sabiam ler, eles não podiam depender de registros escritos, pois as ordens de Jesus, além de lhes garantir constante auxílio, eram expressas e diziam da integridade de Sua Doutrina, não de fragmentos: "Ensinai-as (as nações) a observar tudo que vos ordenei. Eis que estou convosco todos dias, até o fim do mundo." Mt 28,20
    Portanto, não podemos escusar-nos de reconhecer as manifestações de Deus só porque não estão expressamente escritas na Bíblia. Ora, o próprio Espírito de Deus é imprevisível, como Jesus mesmo disse: "O vento sopra onde quer. Ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito." Jo 3,8
    E mesmo escritas, a capacidade de expressão e as palavras humanas sempre serão limitadas para descrever a grandeza de Deus ou Suas profecias. Jesus e o Espírito Santo são grandes provas desse fato: Eles excederam no Novo Testamento, e sempre excederão em muito nossas expectativas. São Paulo bem reconhece a fragilidade das Escrituras: "Nossa ciência é parcial, nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança. Hoje vemos como por um espelho, confusamente, mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte, mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido." 1 Cor 13,9-12
    Não obstante, não estamos desobrigados de acolher o que a Deus aprouve revelar-nos. No Livro de Deuteronômio, Moisés já dizia: "O que está oculto pertence ao Senhor, Nosso Deus. O que foi revelado é para nós e para nossos filhos, para sempre, a fim de que ponhamos em prática todas palavras desta Lei." Dt 29,29
    Pois como São Paulo afirmou, falando dos pagãos, nem tudo a respeito de Deus 'se pode conhecer': "Porquanto o que se pode conhecer de Deus, eles leem-no em si mesmos, pois com evidência Deus lhes revelou." Rm 1,19
    E assim tudo que temos, ainda que modelos, são meros reflexos de Sua absoluta grandeza. Sombra, como a Carta aos Hebreus diz, inclusive sobre os ritos judaicos, citando o Livro de Êxodo: "O culto que estes celebram é, aliás, apenas a imagem, sombra das celestiais realidades, como foi revelado a Moisés quando estava para construir o Tabernáculo: 'Olha', foi-lhe dito, 'faze todas coisas conforme o modelo que te foi mostrado no monte (Êx 25,40).'" Hb 8,5
    Isso não quer dizer, porém, que as Divinas Revelações sejam insuficientes. Na Pessoa de Jesus, foi-nos revelado tudo de que realmente precisamos, como São Pedro ensina: "O divino poder deu-nos tudo que contribui para a Vida e a piedade, fazendo-nos conhecer Aquele que nos chamou por Sua Glória e Sua virtude." 2 Pd 1,3
    Exaltando o Advento do Salvador, o Amado Discípulo corrobora essa certeza: "Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em Seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a Vida Eterna." 1 Jo 5,20


A TRADIÇÃO ORAL, OU SAGRADA TRADIÇÃO

    Porque ainda que os Evangelhos não estivessem escritos, como dissemos, já se consolidava a Tradição Oral que viria ser chamada de Sagrada. Ela representa exatamente o entendimento que Jesus e o Espírito Santo nos deixaram das Escrituras. E é o respeito a essa Tradição que São Paulo exigiu: "Intimamo-vos, irmãos, em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, que eviteis a convivência de todo irmão que leve vida ociosa e contrária à Tradição que de nós tendes recebido." 2 Ts 3,6
    Ele refere-se à Sagrada Tradição como o 'Depósito', e apela à Graça: "Timóteo, guarda o Depósito. Evita o irreverente palavreado e as objeções da falsa ciência, pois alguns a professaram e se desviaram da fé. A Graça esteja convosco." 1 Tm 6,20
    E a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo cita essa Tradição de ainda mais bela forma, 'Precioso Depósito', sem deixar de mencionar o Autor da virtude pela qual nos é possível praticá-la: "Toma por modelo os salutares ensinamentos que recebeste de mim sobre a fé e o amor a Jesus Cristo. Guarda o Precioso Depósito, pela virtude do Espírito Santo que em nós habita." 2 Tm 1,13
    Não por acaso, ele já havia rebatido as meramente humanas tradições, que são heréticas interpretações das Escrituras: "Estai de sobreaviso, para que ninguém vos engane com filosofias e vãos sofismas baseados nas humanas tradições, nos rudimentos do mundo, em vez de se apoiar em Cristo." Cl 2,8
    E usando de toda sua autoridade, diz o mesmo a São Timóteo, alertando-o quanto a quem realmente transmitia a Sã Doutrina, ou seja, o Colégio dos Apóstolos: "Tu, porém, permanece firme naquilo que aprendeste e creste. Sabes de quem aprendeste." 2 Tm 3,14
    Os próprios cristãos que mais se apegavam ao Antigo Testamento que à Manifestação de Cristo, pois ainda não tinham o Novo para suas reflexões, ele severamente corrigia, quando registrou que usava uma imagem para evangelizar: "Ó insensatos gálatas! Quem fascinou a vós, ante cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo Crucificado? Apenas isto quero saber de vós: recebestes o Espírito pelas práticas da Lei ou pela aceitação da fé? Sois assim tão levianos? Depois de terdes começado pelo Espírito, quereis agora acabar pela carne?" Gl 3,1-3
    E declarava-os destituídos da Graça: "Já estais separados de Cristo, vós que procurais a justificação pela Lei. Decaístes da Graça. Quanto a nós, é espiritualmente, da fé, que aguardamos a esperada Justiça." Gl 5,4-5
    Isso não implica dizer que o Antigo Testamento deva ser desprezado, pois evidentemente a Salvação vem dos judeus, como Nosso Senhor mesmo afirmou (cf. Jo 4,22). São Paulo diz destes religiosos perante Félix, o procurador de Judeia, durante seu julgamento: "Em tua presença reconheço que, segundo a Doutrina que eles chamam de sectária, sirvo ao Deus de nossos pais, crendo em todas coisas que estão escritas na Lei e nos Profetas." At 24,14
    São Pedro também argumenta, prometendo Jesus em nós (cf. Ap 22,16): "Assim, demos ainda maior crédito à palavra dos Profetas, à qual bem fazeis em atender, como a uma lâmpada que brilha em um tenebroso lugar, até que desponte o dia e a Estrela da Manhã Se levante em vossos corações." 2 Pd 1,19
    Mas as distorções dos Sagrados Livros, sugeridas por Satanás, não eram nenhuma novidade. Citando palavras de Deus ditas no Livro do Profeta Isaías, Nosso Salvador já as denunciava, como acusou fariseus e escribas: "Jesus disse-lhes: 'Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: "Este povo honra-Me com os lábios, mas seu coração está longe de Mim. Em vão, pois, prestam-Me culto, porque ensinam humanos doutrinas e preceitos (Is 29,13)." Deixando o Mandamento de Deus, apegai-vos à tradição dos homens.'" Mc 7,6-8
    Exigia, portanto, fidelidade às Escrituras: "Ai de vós, hipócritas escribas e fariseus! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os mais importantes preceitos da Lei: a Justiça, a Misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, contudo sem deixar o restante. Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo." Mt 23,23-24
    Ora, não resta dúvida de que esses desvios são obras do pai da mentira, a quem muitos rebeldes acabam adotando, como Jesus mesmo denunciou os líderes judeus de Jerusalém: "Vós tendes como pai o Demônio, e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na Verdade, porque a Verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira." Jo 8,44
    A Sagrada Tradição, porém, foi transmitida desde os Apóstolos aos primeiros Bispos, Presbíteros, que são nossos Padres, diáconos, e assim segue sendo até hoje, tal qual São Paulo determinou a São Timóteo: "O que de mim ouviste em presença de muitas testemunhas, confia-o a fiéis homens que, por sua vez, sejam capazes de instruir a outros." 2 Tm 2,2
    Era o que ele e São Barnabé faziam, desde o início de suas missões, quando vemos outro sinal do Sacramento da Ordenação dos Presbíteros: "Em cada igreja instituíram Anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em Quem tinham confiado." At 14,23
    E como não escreveu Evangelho, valeu-se de suas Cartas para transmitir a Revelação. Seguiu creditando, entretanto, exclusivamente ao Espírito Santo essa distinta formação doutrinária que vem dos Apóstolos (cf. At 1,2): "Foi por revelação que me foi manifestado o mistério que acabo de esboçar. Lendo-me, podereis entender a compreensão que me foi concedida do Mistério de Cristo, que em outras gerações não foi manifestado aos homens da maneira como agora tem sido revelado pelo Espírito a Seus Santos Apóstolos e profetas." Ef 3,3-5
    Aliás, sempre foi assim desde o Antigo Testamento, como o Livro de Neemias disse sobre o comportamento dos judeus antes do exílio de Babilônia, em oração ao Senhor: "Vossa paciência para com eles durou muitos anos. Vós fazíeis-lhes admoestações pela inspiração de Vosso Espírito, que animava Vossos Profetas." Ne 9,30a
    Por isso, São Paulo pedia que suas Cartas fossem partilhadas entre os membros das comunidades às quais escrevia: "Encarecidamente peço-vos, no Senhor, que esta Carta seja lida a todos irmãos." 1 Ts 5,27
    E que as cidades trocassem suas Cartas entre si, como disse aos colossenses, referindo-se aos efésios: "Uma vez lida esta Carta entre vós, fazei com que ela o seja também na igreja dos laodicenses. E vós, lede a de Laodiceia." Cl 4,16
    Como visto, por esses tempos havia apenas o texto base do Evangelho de São Mateus, e em aramaico, motivo pelo qual este Apóstolo só se referia ao Evangelho falado. Deixava claro, entretanto, que se tratava de um único e inalterável Evangelho, e para quem divulgasse outro determinava a excomunhão: "De fato, não há dois evangelhos: há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém, nós ou um anjo baixado do Céu, vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema." Gl 1,7-8
    Ele mesmo registrou o esforço que fazia para que o Evangelho não fosse distorcido, como na ocasião em que foi a Jerusalém para confirmar com São Tiago Menor, São Pedro e São João Apóstolo, aí em ordem hierárquica, o que estava ensinando: "E subi em conseqüência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos, e isso particularmente àqueles que eram de maior consideração, a fim de não correr ou de não ter corrido em vão" Gl 2,2
    E de tudo fazia, inclusive expôr-se a algumas humilhações, para que a Sã Doutrina não sofresse dissensões: "... fomos, por esta vez, condescendentes, para que o Evangelho permanecesse em sua integridade." Gl 2,5
    Mas suas próprias Cartas seriam distorcidas, como São Pedro denunciou, igualmente apelando à Graça: "Reconhecei que a longa paciência de Nosso Senhor vos é salutar, como vosso caríssimo irmão Paulo também vos escreveu, segundo o dom da Sabedoria que lhe foi dado. É o que ele faz em todas suas Cartas, nas quais fala nestes assuntos. Nelas há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os ignorantes ou pouco fortalecidos espíritos deturpam para sua própria ruína, como também o fazem com as demais Escrituras. Vós, pois, caríssimos, advertidos de antemão, tomai cuidado para que não caiais de vossa firmeza, levados pelo erro destes ímpios homens. Mas crescei na Graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele a Glória, agora e eternamente." 2 Pd 3,15-18
    Pois mesmo patente toda limitação que há nas palavras e nas expressões humanas, o próprio Jesus sempre pautava seus debates pela correta interpretação das Escrituras, como questionou um doutor da Lei: "Que está escrito na Lei? Como é que lês?" Lc 10,26
    E fazia-o com frequência, mencionando o Livro do Profeta Oseias, o Livro de Gênesis, o Livro de Salmos e o Livro de Êxodo:
    "Não lestes o que fez Davi num dia em que teve fome, ele e seus companheiros, como entrou na Casa de Deus e comeu os pães da proposição?' Mt 12,3b-4a
    "Não lestes na Lei que, nos dias de sábado, os sacerdotes transgridem no Templo o descanso do sábado e não se tornam culpados?" Mt 12,5
    "Se compreendêsseis o sentido destas palavras: 'Quero a Misericórdia e não o sacrifício...(Os 6,6)' não condenaríeis os inocentes." Mt 12,7
    "Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á a sua mulher. E os dois formarão uma só carne (Gn 2,24)?" Mt 19,4b-5
    "Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes Vosso louvor (Sl 8,3)?" Mt 21,16b
    "Nunca lestes nas Escrituras: A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a Pedra Angular. Isto é obra do Senhor, e é admirável a nossos olhos (Sl 117,22)?" Mt 21,42b
    "Mas quanto à Ressurreição dos Mortos, não lestes no Livro de Moisés como Deus lhe falou da sarça, dizendo: 'Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó (Êx 3, 6)?'" Mc 12,26
    Dos que se arrogavam mestres, Ele cobrava o mais puro entendimento das Escrituras, mas não só delas. Cobrava a percepção das frequentes manifestações de Deus: "Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus." Mt 22,29
    E abertamente valorizava a inspiração e a Revelação, como atestou aquela recebida por São Pedro, quando ele O reconheceu como Cristo: "Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas Meu Pai que está nos Céus." Mt 16,17
    Quanto ao absoluto poder de Deus e nossas limitações para o pleno conhecimento de Seus mistérios, o Livro de Sabedoria já nos dava uma bela explanação: "Que homem, pois, pode conhecer os desígnios de Deus, e penetrar nas determinações do Senhor? Tímidos são os pensamentos dos mortais, e incertas nossas concepções. Porque o corruptível corpo torna pesada a alma, e a terrestre morada oprime o espírito carregado de cuidados. Mal podemos compreender o que está sobre a Terra, dificilmente encontramos o que temos ao alcance da mão. Quem, portanto, pode descobrir o que se passa nos Céus?" Sb 9,13-16
    E mais uma vez o Sagrado Autor termina apontando o infinito e ativo poder do Espírito de Deus, fonte de Vida da Igreja Católica: "E quem conhece vossas intenções, se vós não lhe dais a Sabedoria e se do mais alto dos Céus vós não lhe enviais Vosso Espírito Santo? Assim se tornaram direitas as veredas daqueles que estão na Terra. Os homens aprenderam as coisas que vos agradam, e pela Sabedoria foram salvos." Sb 9,17-18
    Sem dúvida, desde o Pentecostes é o Espírito Paráclito que vem conduzindo a Barca de São Pedro (cf. Lc 5,3) nas decisões conciliares sobre a verdadeira Doutrina de Cristo, o que inclui a correta interpretação das Escrituras, dom que sempre é renovado ao sucessor de São Pedro. Assim tem sido desde a resolução do Concílio de Jerusalém, como São Tiago Menor mandou redigir em Carta aos pagãos de Antioquia, Síria e Cilícia: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
    E assim será até o fim dos tempos, como Jesus garantiu: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Paráclito, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16
    Essa é a Luz que iluminava o entendimento de São Pedro à frente da Igreja, conforme a promessa de Nosso Senhor: "Eu dá-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na Terra será desligado nos Céus." Mt 16,19
    O Príncipe dos Apóstolos, aliás, confirmou qual a condição das verdadeiras testemunhas Cristo, ao atestar a Ressurreição do Senhor, Sua Ascensão e o poder dado a Igreja Católica para perdoar os pecados mediante o Sacramento da Confissão: "Destes fatos, nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32
    Afirmativamente, é Palavra de Jesus à multidão: "Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que LhO pedirem." Lc 11,13
    Não por acaso, antes de ser apedrejado, Santo Estevão condenou os principais dos judeus, que não compreenderam as Escrituras nem acolheram o Cristo, justamente por resistirem ao Espírito de Deus: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo." At 7,51a
    Por fim, a favor da Sagrada Tradição desde os primeiros séculos, temos estes elucidativos e luminosos registros de São João Crisóstomo, Padre Grego e Doutor da Igreja, que viveu entre 347 e 407: "Paulo ordena: 'Portanto, irmãos, permanecei firmes e guardai as Tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por Carta nossa. (2 Ts 2,15)' Disto fica claro que eles não transmitiram tudo por Carta, mas também há muito que não foi escrito. Assim como o que foi escrito, o não escrito também é digno de fé. Portanto, consideremos a Tradição da Igreja também como digna de fé. É uma Tradição? Não procureis mais que isso."
    "Pois nada perturba tanto a mente, ainda que seja feito para algum benéfico propósito, como inovar e introduzir estranhas coisas, principalmente quando isso é feito em assuntos relacionados à divina adoração e à Glória de Deus."
    "A pobre razão humana, quando confia em si mesma, substitui os mais estranhos absurdos pelos mais altos divinos conceitos."

    "Em Comunhão com toda a Igreja aqui estamos!"