quinta-feira, 26 de março de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

A Primeira Igreja


    Nas Escrituras está evidente que é Jesus, pessoalmente, que constrói a Santa Igreja Católica. Claro, Ele não Se refere apenas à edificação de pedra e argamassa, pois dessa também participa, e sob vários aspectos, mas mais propriamente Se refere às revelações pessoais ao longo dos séculos, para melhor compreensão da Sã Doutrina, bem como às próprias pessoas, Seu Reino de Sacerdotes, que escolhe (cf. Jo 15,16) para a fazer vigorar até Sua Definitiva Volta. É nesse sentido que Ele e escolheu São Pedro como pedra fundamental e Se pronunciou sobre sua construção, como está no Evangelho Segundo São Mateus: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja." Mt 16,18a
    E nestes termos Ele afirmou que a Igreja Apostólica é indestrutível: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18b
    Foi ainda mais claro em outra passagem, na noite em que ia ser entregue, quando voltou a afirmar que, por seus frutos, a Igreja Una é eterna. É registro do Evangelho Segundo São João: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a
    Mas nesta mesma ocasião Ele havia pedido a Comunhão Consigo, símbolo maior dPerfeita União da Igreja, representada pela videira que é Ele mesmo, ou simplesmente não haverá fruto: "Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim vós tampouco podeis dar fruto se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto. Porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,4-5
    Defendia, portanto, a Unidade do rebanho: "Quem não está Comigo, está contra Mim. E quem Comigo não ajunta, espalha." Mt 12,30
    E para tal Unidade, a Segunda Carta de São Pedro invocava a compreensão colegiada dos Santos Livros sob a luz do Santo Paráclito, proibindo qualquer particular opinião ou conclusão: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque uma profecia jamais foi proferida por efeito de uma humana vontade. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20
    Porque Ele é o Divino Guia da Santa Igreja (cf. Ef 5,26), que está sob Seu Ministério (cf. 2 Cor 3,8) e a tem assessorado em cada novo detalhe sobre a Revelação através dos séculos, como o próprio Jesus prometeu na noite do início de Sua Paixão: "Muitas coisas ainda tenho a vos dizer, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensiná-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13
    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios foi bem clara, e adverte à queles que se prendem a literais interpretações: "Ele (Deus) é que nos fez aptos para sermos Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,6
    Contudo, através dos Evangelhos e do Livro de Atos dos Apóstolos, também temos registros de qual foi o primeiro prédio a ser usado como igreja, ou seja, do sagrado lugar onde ela foi ungida. É exatamente onde aconteceu a Santa Ceia, indicado por Jesus a São Pedro e São João Apóstolo (cf. Lc 22,8) por Sua onisência, no Evangelho Segundo São Marcos: "Ide à cidade, e sai-vos-á ao encontro um homem, carregando um cântaro de água. Segui-o, e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: 'O Mestre pergunta: Onde está a sala em que devo comer a Páscoa com Meus discípulos?' E ele mostrá-vos-á uma grande sala no andar superior, mobiliada e pronta. Fazei lá os preparativos." Mc 14,13-15
    Aí Nosso Salvador ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue como alimento da Vida Eterna, instituindo a Santa Eucaristia, ou seja, o Santíssimo Sacramento, a Comunhão pelo Pão e pelo Vinho. O Evangelho Segundo São Lucas apontou: "Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado em favor de vós. Fazei isto em memória de Mim'. Do mesmo modo tomou o Cálice, depois de cear, dizendo: 'Este Cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue, que é derramado em favor de vós..." Lc 22,19-20
    Nessa mesma sala, havia pouco instantes, Jesus tinha demonstrado e ensinado que a Igreja Católica é, antes de tudo, serviço, e não apenas autoridade: "Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a os enxugar com a toalha com que estava cingido. Depois de lhes lavar os pés e tomar suas vestes, novamente Se sentou à mesa e perguntou-lhes: 'Sabeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque Eu o sou. Logo, se Eu, Vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós também deveis lavar-vos os pés uns aos outros.'" Jo 13,5.12-14
    E é igualmente aí, nesse santo edifício, que vai acontecer a primeira aparição de Cristo Ressuscitado. Era o dia que passou a ser chamado de Domingo, que em latim quer dizer Dia do Senhor (cf. Ap 1,10), por simbolizar a Vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte. Assim, o prédio que se tornaria igreja, foi, além de lugar da Santa Ceia, escolhido por Jesus para que os Apóstolos testemunhassem Sua Ressurreição e recebessem Sua Paz: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se em meio a eles. Disse-lhes Ele: 'A Paz esteja convosco!'" Jo 20,19
    Aí mesmo, onde a Igreja nasceu, de forma extremamente significativa os Apóstolos receberam de Jesus o Espírito Santo, e com Ele o poder de remir os pecados da humanidade. Ou seja, aí também foi instituído o Sacramento da Confissão, e logo em Sua primeira aparição: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23
    E não por acaso, São Tomé iria declarar a Divindade de Jesus nessa mesma sala, em Sua segunda aparição aos Apóstolos, no seguinte Domingo: "Oito dias depois, estavam Seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-Se em meio a eles e disse: 'A Paz esteja convosco!' Depois disse a Tomé: 'Introduz aqui teu dedo, e vê Minhas mãos. Põe tua mão em Meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de .' Respondeu-Lhe Tomé: 'Meu Senhor e Meu Deus!'" Jo 20,26-28
    Foi para lá, por fim, que Jesus mandou Apóstolos, discípulos e seguidores após Suas aparições em Galileia e Sua Ascensão aos Céus em Betânia, para que toda a embrionária Igreja recebesse a Unção do Espírito Santo: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto. Depois os levou a Betânia e, levantando as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-Se deles e foi arrebatado ao Céu. Depois de O terem adorado, voltaram a Jerusalém com grande júbilo." Lc 24,49-52
    E também aí, ainda segundo Nosso Senhor, eles se tornariam Suas Testemunhas em toda a Terra, como lemos no Livro de Atos dos Apóstolos. Quer dizer, a Igreja nasceu Católica: "... mas descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força, e sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria e até os confins do mundo." At 1,8


O CENÁCULO

    Por ter sido o lugar da Santa Ceia, os Apóstolos passaram a chamar essa sala de Cenáculo, que vem da palavra 'cenar', em português 'cear'. São Lucas registrou logo após a Ascensão do Senhor: "Voltaram eles então a Jerusalém do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, distante uma jornada de sábado. Tendo entrado no Cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer." At 1,12-13
    E com a Santíssima Virgem, em constante estado de oração, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, nas pessoas dos Apóstolos, já dava seus primeiros passos em perfeita unidade: "Todos eles unanimemente perseveravam na oração, e com eles as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele." At 1,14
    Foi lá que São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos (cf. Mt 10,2), demostrou sua liderança sugerindo a substituição de Judas Iscariotes, que traiu Jesus, quando São Matias foi escolhido. Nessa passagem, temos a primeira ideia do tamanho do ambiente, pela quantidade de pessoas que comportava: "Num daqueles dias, levantou-se Pedro em meio a seus irmãos, na assembleia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse: '... Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia, durante todo tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do Batismo por João até o dia em que de nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de Sua Ressurreição.'" At 1,15.21-22
    São Pedro não o fez por presunção, mas por responsabilidade que Jesus lhe atribuiu, para que após Sua Ascensão aos Céus os Apóstolos não se dispersassem. Ele disse-lhe em últimas recomendações pouco antes de partirem para o Horto das Oliveiras, onde seria preso: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma teus irmãos." Lc 22,31-32
    Aliás, além dos próprios Apóstolos, representantes de Seus Sacerdotes, ou seja, de Suas ovelhas, Nosso Senhor também entregou a São Pedro Seus fiéis, ou seja, Seus cordeiros: "Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,16b.17b
    E como grande unção depois de tantos capítulos de suma importância, essa edificação também foi o lugar escolhido por Deus para a plena manifestação de Sua Terceira Pessoa, o Espírito Santo, que marcou o Nascimento da Igreja Católica, ou seja, desde sempre falando ao mundo: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do Céu um ruído, como se um impetuoso vento soprasse, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes, então, uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,1-4
    E como Divino Guia da Igreja, Ele não só a instrui nos novos detalhes da Revelação, como também na correta compreensão e memória do que Jesus já havia ensinado. Nosso Salvador avisou aos Apóstolos: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26
    Neste mesmo dia do Pentecostes, e na mesma sala, São Pedro, pleno do Santo Paráclito, tomou a palavra e convocou os judeus, locais e estrangeiros que ali acorreram por ouvirem pregações suas línguas nativas (cf. At 2,8), a ser Igreja. Claro, começando pelo Sacramento da Confissão, também chamado da Penitência, como o próprio Jesus pregava no início de Sua Missão (cf. Mc 1,15), e depois o Sacramento do Batismo, desde adultos até crianças. Nessa passagem, temos outra ideia do tamanho da primeira igreja, agora pela quantidade de pessoas que receberam os Sacramentos ao longo do dia. Certamente, não era pequeno: "Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com forte voz lhes disse: 'Homens de Judeia e todos vós que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção a minhas palavras. Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos que de longe ouvirem o apelo do Senhor, Nosso Deus.' Aqueles que receberam sua palavra foram batizados, e naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos." At 2,14.39.41
    Conduzida pelo Espírito Santo, portanto, mas entregue nas mãos de simples humanos como Jesus quis (cf. Jo 15,16), a Palavra de Deus, agora segundo a Tradição da Igreja, já reconhecida como a Sã Doutrina. E desde então veem-se aí os quatro constitutivos da Santa Missa, destacadamente o Santíssimo Sacramento: "Perseveravam eles (os fiéis) na Doutrina dos Apóstolos, na fraterna Comunhão, na fração do Pão e nas orações." At 2,42
    Ora, para dar total sustentação à pregação de Seus Apóstolos, Jesus havia sentenciado: "Quem vos ouve, a Mim ouve. E quem vos rejeita, a Mim rejeita. E quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou." Lc 10,16
    Garantiu mesmo Sua permanente, ininterrupta presença na Igreja, para além de Sua Onipresença, instantes antes de Sua Ascensão: "Eis que estou convosco todos dias, até a consumação dos séculos." Mt 28,20
    E também havia determinado o caso de excomunhão: "Se se recusa a te ouvir, dize-o à Igreja. E se também se recusar a ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17
    Assim como Jesus, porém, eles igualmente padeceriam brutais perseguições, mas seus testemunhos não seriam infrutíferos: "Se Me perseguiram, também hão de vos perseguir. Se guardaram Minha palavra, também hão de guardar a vossa." Jo 15,20b
    Os Apóstolos, então, também começaram a celebrar a Santa Eucaristia nas casas onde eram bem recebidos. Mas como não imaginavam que a divisão entre eles e os judeus permaneceria, do mesmo modo continuavam presentes no Templo de Jerusalém. O que os distinguia dos demais religiosos de Israel, entretanto, era a perfeita união com que rezavam e viviam: "Unidos de coração, todos dias frequentavam o Templo. Partiam o Pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração... "At 2,46
    Ora, estavam apenas seguindo uma diretriz que receberam do próprio Jesus: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
    E é por essa união que a Igreja ostenta e leva ao mundo a Glória de Deus. Glória que é a prova da passagem do Salvador entre nós e do amor de Deus. Após a Santa Ceia, Jesus rezou ao Pai pela Comunhão dos Apóstolos com Ele e entre si: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Aliás, Comunhão não somente entre Ele e os Apóstolos, mas também entre os Apóstolos e todos nós que ouviríamos a pregação deles, o que significa nossa Comunhão com Deus. Ele também havia pedido ao Pai: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em Mim. Para que todos sejam Um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que eles também estejam em Nós e o mundo creia que Tu Me enviaste." Jo 17,20-21
    Contudo, como os líderes judeus teimavam em não reconhecer Jesus como o Messias, os Apóstolos enfrentavam-nos, e nisso foram claramente apoiados pelo Espírito de Deus, que os mantinha em perfeita Comunhão. Isto também se deu no Cenáculo, depois que São Pedro e São João curaram um aleijado à porta do Templo e por isso foram presos: "Eles (líderes judeus), então, ameaçando-os de novo, soltaram-nos, não achando pretexto para os castigar por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que tinha acontecido. Postos em liberdade, voltaram a seus irmãos e referiram tudo quanto lhes tinham dito os sumos sacerdotes e os anciãos. Ao ouvirem isso, levantaram unânimes a voz a Deus e disseram: 'Senhor, Vós que fizestes o céu, a Terra, o mar e tudo o que neles há...' Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e com intrepidez anunciavam a Palavra de Deus. A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma." At 4,21.24.31-32a
    Vale dizer, porém, que se eles romperam com as práticas judaicas foi por expressa vontade de Deus, manifesta na Pessoa de Jesus, que havia previsto em últimas palavras: "Disse-vos essas coisas para vos preservar de alguma queda. Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a Mim." Jo 16,1-3
    Assim os 'pés dos Apóstolos', e não mais o Templo de Jerusalém, passaram a ser a referência de lugar da 'Igreja Humana', visivelmente constituída por aqueles que Jesus escolheu: "Nem havia entre eles nenhum necessitado, pois todos que possuíam terras e casas as vendiam, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos Apóstolos. Repartia-se, então, a cada um deles conforme sua necessidade." At 4,34-35
    E para bem demonstrar toda autoridade da Santa Igreja na pessoa de nosso Papa, que age sob unção do Santo Paráclito, portanto 'Igreja Divina', Deus realizou, no mesmo cenáculo, esse chocante mas instrutivo sinal: "Um certo homem chamado Ananias, de comum acordo com sua mulher Safira, vendeu um campo e, combinando com ela, reteve uma parte da quantia da venda. Levando apenas a outra parte, depositou-a aos pés dos Apóstolos. Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.' Ao ouvir estas palavras, Ananias caiu morto. Depois de umas três horas, também entrou sua mulher, nada sabendo do ocorrido. Pedro perguntou-lhe: 'Dize-me, mulher. Foi por tanto que vendestes vosso campo?' Respondeu ela: 'Sim, por esse preço.' Replicou Pedro: 'Por que combinastes para pôr à prova o Espírito do Senhor? Ali à porta estão os pés daqueles que sepultaram teu marido. Também hão de te levar.' Ela imediatamente caiu a seus pés e expirou." At 5,1-3.4b-5a.7-10a
    Mas por estes tempos também se iniciavam os suplícios que a Igreja vai sofrer até a Parusia, a Volta de Jesus. São Pedro, porém, irá ressaltar a Vinda do Espírito Santo como o diferencial entre o Velho e o Novo Testamento, o início da Nova Aliança: "Levantaram-se, então, os sumos sacerdotes e seus partidários, isto é, a seita dos saduceus, cheios de inveja, e deitaram as mãos nos Apóstolos e meteram-nos na cadeia pública. Trouxeram-nos e introduziram-nos no Grande Conselho, onde o sumo sacerdote os interrogou, dizendo: 'Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse Nome. Não obstante, tendes enchido Jerusalém com vossa Doutrina! Quereis fazer recair sobre nós o Sangue d'Este Homem!' Pedro e os Apóstolos replicaram: 'Antes importa obedecer a Deus que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes suspendendo-O num madeiro. Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Destes fatos nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem.' Chamaram os Apóstolos e mandaram açoitá-los. Ordenaram-lhes que não pregassem mais em Nome de Jesus, e soltaram-nos. Eles saíram da sala do Grande Conselho cheios de alegria, por terem sido achados dignos de sofrer afrontas pelo Nome de Jesus. E todos dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo, no Templo e pelas casas." At 5,17-18.27-32.40-42
    De tão grande número de fiéis, entretanto, logo a Igreja precisou de diáconos. E também na sala de cima, por imposição de mãos dos Apóstolos, eles foram ordenados: "Por isso, os Doze convocaram uma reunião dos discípulos e disseram: 'Não é razoável que abandonemos a Palavra de Deus para administrar. Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de Sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício. Nós atenderemos sem cessar à oração e ao Ministério da Palavra.' Este parecer agradou a todos presentes. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos, e estes, rezando, impuseram-lhes as mãos." At 6,2-6


    Santo Estevão também vai invocar o Espírito Santo como o selo de Deus, o selo da Lei que Jesus elevou à perfeição (cf. Mt 5,17), quando, ao invés de ser julgado pelo Sinédrio, ele o julgou. De fato, seu Ministério foi exuberante (cf. At 6,10), e por causar grande admiração entre o povo em Jerusalém (cf. At 6,8), quiseram julgá-lo: "'Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam vossos pais, também procedeis vós! A qual dos Profetas não perseguiram vossos pais? Mataram aqueles que prediziam a Vinda do Justo, do Qual vós agora tendes sido traidores e homicidas. Vós que recebestes a Lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes...' Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele. Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o Céu e viu a Glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus: 'Eis que vejo', disse ele, 'os Céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus.'" At 7,51-56
    E mesmo após seu apedrejamento, que provocou a primeira 'diáspora' dos cristãos, os Apóstolos não arredaram pé da cidade. E é nesse registro que pela primeira vez aparece o nome daquele que viria a ser São Paulo: "E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão. Naquele dia, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Todos dispersaram-se pelas regiões de Judeia e de Samaria, com exceção dos Apóstolos." At 8,1b
    Ainda nesse mesmo prédio se deu o primeiro encontro entre São Pedro e São Paulo, as duas oliveiras de Deus em Roma (cf. Ap 11,4), que fariam de Roma a cidade apostólica, quando este último, depois de sua conversão, expressamente foi a Jerusalém para conhecer o Príncipe dos Apóstolos. A própria Carta de São Paulo aos Gálatas registrou: "Três anos depois, subi a Jerusalém para conhecer Cefas, e com ele fiquei quinze dias." Gl 1,18
    E também foi aí que São Pedro, já um ativo missionário (cf. At 9,32), justificou a admissão do primeiro grupo de não judeus na Igreja Católica, em conversão e unção operadas através dele (cf. At 10,44) e que por sua ordem eles foram batizados (cf. At 10,48). E fê-lo diante de São Tiago Menor, então Bispo de Jerusalém em substituição ao próprio São Pedro (cf. At 12,17), isto é, o segundo líder da igreja-mãe: "Os Apóstolos e os irmãos de Judeia ouviram dizer que os pagãos também haviam recebido a Palavra de Deus. E quando Pedro subiu a Jerusalém, os fiéis que eram da circuncisão o repreenderam: 'Por que entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles?' Mas Pedro fez-lhes uma exposição de tudo que acontecera..." At 11,1-4a
    Com efeito, tempo mais tarde, quando São Paulo retornou com São Lucas e outros colaboradores a Jerusalém, onde pela primeira vez seria preso por um longo período, a casa de São Tiago Menor, o primeiríssimo prédio de nossos palácios episcopais, já era usada como local de reunião presbiteral: "A nossa chegada em Jerusalém, os irmãos receberam-nos com alegria. No dia seguinte, Paulo dirigiu-se conosco à casa de Tiago, onde todos anciãos se reuniram. Tendo-os saudado, contou-lhes uma por uma todas coisas que Deus fizera entre os pagãos por seu Ministério." At 21,17-19
    Em nome da Unidade da Igreja, aliás, São Paulo fazia de tudo, e sempre recorria a Jerusalém, leia-se à igreja-mãe, à liderança dos Apóstolos, para confirmar o que estava ensinando, como ele mesmo testemunhou: "Catorze anos mais tarde, outra vez subi a Jerusalém com Barnabé, comigo também levando Tito. E subi em consequência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos, e isso particularmente àqueles que eram de maior consideração, a fim de não correr ou de não ter corrido em vão. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a Graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo: iríamos aos pagãos, e eles aos circuncidados. Recomendaram-nos apenas que nos lembrássemos dos pobres, o que precisamente era minha intenção." Gl 2,1-2.9-10
    Até se submetia a humilhações frente a despreparados cristãos para não provocar divisões na Igreja: ''Entretanto, nem sequer meu companheiro Tito, embora gentio, foi obrigado a se circuncidar- Mas por causa dos falsos irmãos, intrusos que furtivamente se introduziram entre nós para espionar a liberdade de que gozávamos em Cristo Jesus, a fim de nos escravizar, fomos, por esta vez, condescendentes, para que o Evangelho permanecesse em sua integridade." Gl 2,3-5


    E o primeiro prédio da Igreja Católica Apostólica Romana ainda vai testemunhar o início dos martírios, quando São Tiago Maior voltou de Espanha e São Pedro, salvo por seu Anjo da Guarda e em fuga por ser o Príncipe dos Apóstolos, empreenderá sua primeira viagem a Roma: "Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de o apresentar ao povo depois da Páscoa. De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma Luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: 'Levanta-te depressa', disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. O anjo ordenou: 'Cinge-te e calça tuas sandálias.' Ele assim fez. O anjo acrescentou: 'Cobre-te com tua capa e segue-me.' Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. Em seguida, Pedro dali saiu e retirou-se para outro lugar." At 12,1-4.7-10.17b
    Por fim, nessa sala aconteceu o Primeiro Concílio da Igreja, quando, sempre sob a guia do Espírito de Deus, por um voto de São Pedro foi abolida a circuncisão entre os cristãos: "Alguns homens, descendo de Judeia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: 'Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.' Então se iniciou grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e se resolveu que estes dois, com alguns irmãos, fossem tratar desta questão com os Apóstolos e os anciãos em Jerusalém. Mas levantaram-se alguns que antes de ter abraçado a fé eram da seita dos fariseus, dizendo que era necessário circuncidar os pagãos e lhes impor a observância da Lei de Moisés. Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e disse-lhes: 'Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que de minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho e cressem.'" At 15,1-2.5.7
    E São Tiago Menor, na carta que mandou redigir com as decisões desse encontro, deixa bem claro Quem estava no comando: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
    Assim, em respeito a essa Unidade mantida por decisões dos Concílios da Santa Igreja Católica, exatamente como São Paulo e São Timóteo pregavam, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo vencerá os tempos até Sua Definitiva Volta: "Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e anciãos em Jerusalém. Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e dia a dia cresciam em número." At 16,4-5

    "Lembrai-Vos, Senhor, de Vossa Igreja!"