sábado, 31 de outubro de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

A Coroa da Vida


    Desde o Livro do Profeta Isaías, sete séculos antes do Advento do Salvador, foi revelado que Deus tem uma especial coroa para nos oferecer, quando trata da Salvação e da Jerusalém Celestial, que é a Igreja Católica Apostólica Romana (cf. Ap 21,2) no Céu: "Eles chegarão a Sião com cânticos de triunfo, e uma eterna alegria coroará suas cabeças. A alegria e o gozo possuí-los-ão..." Is 35,10
    Aliás, coroação de Glória que o rei Davi já via, certamente com olhos espirituais (cf. 1 Cor 2,12), e cantou no Livro de Salmos: "Quando contemplo o firmamento, obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes... Que é um mortal, digo-me então, para Vos lembrardes d'ele? E um filho de Adão, para que venhais visitá-lo? Entretanto, Vós fizestes-lo pouco menos que um deus, de Glória e honra o coroastes." Sl 8,4-6
    E o Livro de Sabedoria, ao referir-se a essa grande dádiva, fala de uma coroa de rei, numa alusão ao poder que ela confere, e também remete à Divina Glória: "Mas os justos viverão eternamente. Sua recompensa está no Senhor, e o Altíssimo cuidará deles. Por isso, receberão a régia coroa de Glória..." Sb 5,15-16a
    O Livro de Provérbios, porém, menciona, como Davi, uma coroa que se faz perceber já nessa vida, que é concedida pela divina Sabedoria: "... adquire a Sabedoria. ... ela colocará sobre tua fronte uma graciosa coroa..." Pr 4,7.9
    O Livro de Eclesiástico igualmente diz de uma coroa que se alcança por um específico dom da Espírito Santo: "O temor do Senhor é a coroa da Sabedoria: dá uma plenitude de Paz e de frutos de Salvação." Eclo 1,22
    Diz que tal coroa é a Glória da qual os Santos e os anjos já usufruem: "Moisés foi amado por Deus e pelos homens, sua memória é abençoada. O Senhor deu-lhe uma Glória semelhante à dos santos (anjos)... Sobre sua tiara colocou uma coroa de ouro, onde estava gravado o cunho da santidade, da Glória e da honra..." Eclo 45,1-2.14
    E os Provérbios falam da Glória que também já se experimenta nessa vida, pela longevidade dos justos: "Os brancos cabelos são uma coroa de glória para quem se encontra no caminho da Justiça." Pr 16,31
    Pois a Divina Glória está na Unidade da Santa Igreja Católica (cf. Ef 5,26; At 1,8), que espelha a Comunhão da Santíssima Trindade, além de ser prova do Advento e do amor de Deus. Jesus rezou ao Pai pelos Apóstolos em Seus últimos momentos entre eles, como o Evangelho Segundo São João apontou: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Essa mesma Glória é oferecida a todos nós, conforme a Carta de São Paulo aos Colossenses, que diz em primeiras exortações: "Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos Santos na Luz." Cl 1,12
    Pois por Jesus somos convidados a assumir a herança da santidade, como os seguidores da tradição deste Apóstolo afirmam na Carta aos Hebreus: "Portanto, santos irmãos, participantes da vocação que vos destina à herança do Céu, considerai o Mensageiro e Pontífice da fé que professamos, Jesus." Hb 3,1
    A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses diz que essa coroa de Glória são os próprios irmãos que ele e seus colaboradores, nomeadamente São Timóteo e São Silvano (cf. 1 Ts 1,1), evangelizaram: "De fato, quem, senão vós, será nossa esperança, nossa alegria e nossa coroa diante de Nosso Senhor Jesus, no Dia de Sua Vinda? Sim, nossa Glória e alegria sois vós!" 1 Ts 2,19-20
    E para que essa alegria e essa coroa se concretizem na eternidade, a Carta de São Paulo aos Filipenses pede perseverança, quando começa a se despedir: "Assim, meus queridos e saudosos irmãos, minha alegria e minha coroa, continuai firmes no Senhor, ó amados." Fl 4,1
    Pois tal Glória não nos vem facilmente. Jesus bem avisou aos Apóstolos São Tiago Maior e São João Evangelista de Seu e de nosso 'Batismo', ou seja, nossa cruz, nosso sacrifício. Isso deu-se pouco antes do Domingo de Ramos, enquanto subiam a Jerusalém, conforme o Evangelho Segundo São Marcos: "Vós bebereis o cálice que Eu devo beber, e sereis batizados no batismo em que Eu devo ser batizado." Mc 10,39
    Ora, a glorificação de Jesus veio por Sua Crucificação, como Ele mesmo afirmou logo após a Santa Ceia quando Judas Iscariotes deixou o Cenáculo para O trair. Está no Evangelho Segundo São Lucas: "Logo que Judas saiu, Jesus disse: 'Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado n'Ele.'" Lc 13,31
    E corroborou-a numa aparição aos dois discípulos que partiram para Emaús na tarde do Domingo da Ressurreição, dizendo-lhes em terceira Pessoa: "Porventura não era necessário que Cristo sofresse essas coisas, e assim entrasse em Sua Glória?" Lc 24,26
    Por isso, São Paulo claramente dizia sobre a sua e a cruz de todo cristão: "Meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado em meu corpo, tenho toda certeza disto, quer por minha vida quer por minha morte." Fl 1,20
    Só assim, em plena Comunhão com Cristo, glorificamos o Pai. Jesus mesmo disse: "Se permanecerdes em Mim, e Minhas Palavras permanecerem em vós, pedireis tudo que quiserdes e sê-vos-á feito. Nisto é glorificado Meu Pai, quando produzis muito fruto e vos tornais Meus discípulos." Jo 15,7-8
    Porque apesar de todos contratempos, o amor a Deus é regiamente recompensado, como a Carta de São Tiago ensina: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da Vida que Deus prometeu àqueles que O amam." Tg 1,12
    Contudo, tal coroa nada tem de ostentação, do pecado capital da vaidade. Muito pelo contrário, trata-se da autêntica Glória, divina, eterna, inquestionável, que não precisa provar nada. A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios revela: "Os atletas abstêm-se de tudo. Eles, para ganhar uma perecível coroa, nós, para ganharmos uma imperecível." 1 Cor 9,25
    Por isso, Nosso Senhor questionou os religiosos durante uma festa em Jerusalém, quando eles já faziam planos para O matar: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44
    Também denunciou 'sacerdotes' que não se submetiam a Deus, apesar de Seu próprio exemplo, como tantos outros que ainda hoje não se submetem à Igreja Apostólica (cf. Jo 20,21): "Quem fala por si mesmo, busca a própria glória, mas quem procura a Glória de Quem o enviou, é digno de fé e nele não há impostura alguma." Jo 7,18
    Entretanto, se essa coroa nos é tão custosa, o Apóstolo dos Gentios já havia afirmado que ela representa a própria Glória de Deus: "... nós temo-vos exortado, estimulado, conjurado a comportardes de maneira digna de Deus, que vos chama a Seu Reino e a Sua Glória." 1 Ts 2,12


    A Primeira Carta de São Pedro, porém, só faz menção a ela por ocasião da Glória da Vida Eterna, ou seja, depois da Definitiva Volta de Cristo, e cobra dos Presbíteros, nossos atuais Padres, responsabilidade sobre pelas paróquias: "Eis a exortação que dirijo aos Anciãos que estão entre vós, porque sou Ancião como eles, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e com eles serei participante daquela Glória que há de se manifestar. Velai sobre o rebanho de Deus, que vos é confiado. E quando o Supremo Pastor aparecer, recebereis a imperecível coroa de Glória." 1 Pd 5,1-2.4
    Na Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo, sentindo aproximar-se o fim de sua vida terrena, ele diz o mesmo: "Resta-me, agora, receber a coroa da Justiça, que o Senhor, Justo Juiz, me dará n'Aquele Dia. E não somente a mim, mas a todos aqueles que com amor aguardam Sua Aparição." 2 Tm 4,8
    Nesse sentido, portanto, a Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses já ressaltava a importância da total obediência a Cristo nessa vida: "Nenhum atleta será coroado, se não tiver lutado segundo as regras." 2 Ts 2,5


NOS CÉUS, A GLÓRIA DOS SANTOS

    A coroa é um sinal de régio poder, assim como o cetro, o trono e o próprio reino. E é isso que Deus nos promete, porém na forma de leigo ou ordenado Sacerdócio, ou seja, de sagrado ofício, que é plenamente vivido em nome das coisas santas por aqueles que alcançam a santidade. É o que foi revelado nas visões do Livro de Apocalipse de São João, na parte que trata dos Santos, dos santificados que se apartam de malignos impérios, à época o romano, e do Juízo, seja Particular ou Final: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar. Eram as almas daqueles que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a besta ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma vida nova e com Cristo reinaram por mil anos. Feliz e Santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo." Ap 20,4.6a
    Estas coroas, de fato, já estão antecipadamente distribuídas a 'anciãos' (anjos! serafins?), que representam este Sacerdócio, desde que Deus Pai entrega o domínio da Terra a Jesus, o Cordeiro de Deus: "Imediatamente, fui arrebatado em espírito. No Céu havia um trono, e nesse trono estava sentado um Ser. Ao redor havia vinte e quatro tronos, e neles, sentados, vinte e quatro anciãos vestidos de brancas vestes e com coroas de ouro na cabeça. Eu também vi, na mão direita d'Aquele que estava sentado no trono, um Livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. Eu vi no meio do trono, dos quatro seres e no meio dos anciãos, um Cordeiro de pé, como que imolado. Tinha Ele sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda Terra. Veio e recebeu o Livro da mão direita d'Aquele que se sentava no trono." Ap 4,2.4;5,1.6-7
    E em solene reverência, junto a anjos de outra ordem, ou seja, representantes das duas mais altas, eles depõem-nas diante de Deus, reverenciado como Santíssima Trindade: "Estes seres tinham cada um seis asas cobertas de olhos por dentro e por fora. Não cessavam de clamar dia e noite: 'Santo, Santo, Santo é o Senhor, Deus Todo-Poderoso, Aquele que era, Aquele que é e Aquele que vem.' E cada vez que aqueles seres (serafins!) rendiam Glória, honra e ação de graças Àquele que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro anciãos prostram-se diante d'Aquele que está sentado no trono para aadorar Aquele que vive pelos séculos dos séculos, depondo suas coroas diante do trono e proclamando: 'Tu és digno Senhor, Nosso Deus, de receber a honra, a Glória e a majestade, porque criaste todas coisas, e por Tua vontade é que existem e foram criadas.'" Ap 4,8-11
    Depois, Jesus, de porte da mais letal arma daqueles tempos, é coroado, e encaminha-Se para a Grande e Final Batalha: "Vi aparecer, então, um branco cavalo. Seu Cavaleiro tinha um arco. Foi-Lhe dada uma coroa, e como vencedor Ele partiu para tornar a vencer." Ap 6,2
    Pois contra poderosos anjos caídos, isto é, demônios, tem-se em perspectiva uma terrível guerra, e, como demonstração de poder, eles também se apresentam coroados: "O aspecto desses gafanhotos era o de cavalos aparelhados para a guerra. Em suas cabeças havia uma espécie de coroa com dourados reflexos. Seus rostos eram como rostos de homem, seus cabelos como os de mulher, e seus dentes como os dentes de leão. Seus tórax pareciam envoltos em ferro, e o ruído de suas asas era como o ruído de carros de muitos cavalos, correndo para a guerra. Tinham caudas semelhantes à do escorpião, com ferrões e o poder de afligir os homens por cinco meses. Por rei, eles têm o anjo do abismo: em hebraico chama-se Abadon, e em grego, Apolion." Ap 9,7-11
    Assim também se apresenta o próprio Satanás, logo após a aparição, nos Céus, de Maria Santíssima coroada: "Depois apareceu outro sinal no céu: um grande e vermelho Dragão, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas." Ap 12,3
    Ora, no início destas revelações ao Amado Discípulo (cf. Cl 4,14), Jesus avisou de uma tribulação a tentar uma específica diocese de Ásia de então: a de Esmirna. Contudo, Ele segue prometendo a coroa da Vida, pois Ele é o Senhor da Vida! O maior presente, portanto, sinal de Seu amor, só poderia ser o total poder sobre a própria vida, ou seja, a Vida Plena (cf. Jo 10,10), a eternidade, como Ele a vive: "Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias, o Demônio vai lançar alguns de vós na prisão, para vos pôr à prova. Tereis tribulações durante dez dias. Sê fiel até a morte, e dá-te-ei a coroa da Vida." Ap 2,10
    Outra Graça que Ele nos promete, por meio da diocese de Éfeso e que também é sinal de Seu amor, é que comeremos do fruto da árvore da Vida, que a Adão e Eva não foi permitido após o pecado da desobediência (cf. Gn 3,22). Desse fruto, porém, além de nos conceder viver eternamente, sabemos pouco, mas certamente é outro grande dom. E Ele exorta, numa das sete vezes em que o fez (cf. Ap 2,7.11.17.29;3,6.13.22), a que jamais deixemos de ouvir nossas dioceses, pois o Divino Paráclito nos fala por elas: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: 'Ao vencedor darei de comer do fruto da árvore da Vida, que se acha no paraíso de Deus.'" Ap 2,7
    Ele ainda promete, como vimos acima e agora também através da diocese de Esmirna, que o Juízo Final não trará nenhuma ameaça a Seus verdadeiros fiéis, os membros de Seu Corpo Místico (cf. Ef 1,22), pois a santificação já terá sido alcançada. E mais uma vez diz da obrigação do cristão de ouvir sua diocese: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: 'O vencedor não sofrerá dano algum da segunda morte.'" Ap 2,11
    E aquele que perseverar no 'bom combate', como São Paulo dizia (cf. 2 Tm 4,7), comerá de mais um especial manjar, do qual sabemos apenas que existe, e receberá uma nova identidade, plenamente espiritual e divina. Está na promessa à diocese de Pérgamo: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: 'Ao vencedor darei o maná escondido, e entregá-lhe-ei uma branca pedra, na qual está escrito um novo nome que ninguém conhece, senão aquele que o receber.'" Ap 2,17
    Os Santos de Deus então recebem um poder que lhes fazem visivelmente superior, ainda nesse mundo, e que é perceptível mesmo àqueles que não acreditam. É a promessa de Nosso Senhor à diocese de Tiatira: "Então ao vencedor, àquele que praticar Minhas obras até o fim, lhe darei poder sobre as pagãs nações." Ap 2,26
    Também lhes é concedido vestir-se de branco, como Jesus, e O acompanhar aonde quer que Ele vá, agora em promessa à diocese de Sardes: "Todavia, tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes. Comigo andarão vestidas de branco, porque o merecem. O vencedor assim será revestido de brancas vestes. Jamais apagarei seu nome do Livro da Vida, e proclamá-lo-ei diante de Meu Pai e de Seus anjos." Ap 3,4-5
    Ele promete-nos, ademais, Sua proteção durante as tribulações aqui na Terra, através da diocese de Filadélfia. E assim como nosso Primeiro Papa (cf. Jo 21,15s), São Tiago Menor e São João Apóstolo já eram em vida (cf. Gl 2,9), o vencedor tornar-se-á parte estrutural da Igreja Una (cf. Jo 17,23): "Porque guardaste a Palavra de Minha paciência, também te guardarei da hora da provação que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da Terra. Venho em breve. Conserva o que tens, para que ninguém tome tua coroa. Farei do vencedor uma coluna no Templo de Meu Deus, de onde jamais sairá..." Ap 3,10-12
    E assegura que nos sentaremos até mesmo em Seu trono, gesto que significa uma inimaginável intimidade com Deus, falando à diocese de Laodiceia: "Ao vencedor concederei sentar-se Comigo em Meu trono, assim como Eu venci e Me sentei com Meu Pai em Seu trono." Ap 3,21
    Por fim, antes de punir a 'Grande Babilônia', Jesus garante manter-nos protegidos dos eternos castigos, pois eles propriamente pairam sobre o inferno: "Também vi como que um transparente mar, irisado de fogo, e os vencedores, que haviam escapado à besta, a sua imagem e ao número de seu nome, conservavam-se de pé sobre esse mar com as cítaras de Deus." Ap 15,2
    Todas estas promessas são inquestionavelmente belas. Todavia, Deus Pai faz-nos outra ainda mais encantadora, quase ao fim destas revelações: "O vencedor herdará tudo isso. E Eu serei Seu Deus, e ele será Meu filho." Ap 21,7
    E ao fim, a Primeira Carta de São João pergunta-se: "Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" 1 Jo 5,5
    Temos um vencedor, portanto, ao Qual devemos imitar. É o próprio Jesus, que havia dito aos Apóstolos pouco antes de partir para o Horto das Oliveiras, onde Sua Paixão iniciaria: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    De fato: seja para a Grande e Final Batalha, como vimos, seja momentos antes do Juízo Final, nas aparições do Livro de Apocalipse Nosso Senhor aparece coroado: "Eu ainda vi uma branca nuvem, sobre a qual Se sentava como que um Filho do Homem, com a cabeça cingida de coroa de ouro e na mão uma afiada foice." Ap 14,14
    Coroa essa bem diferente da que lhe demos aqui na Terra, quando foi flagelado pelos soldados romanos depois de ser 'julgado' por Pilatos. O Evangelho Segundo São Mateus narrou: "Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-Lha na cabeça e puseram-Lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante de Si, diziam com escárnio: 'Salve, Rei dos judeus!'" Mt 27,29
    Como dissemos, Maria, Nossa Mãe Celeste, também foi coroada. Aliás, fora Jesus, é a única pessoa que o Novo Testamento apresenta coroada de Glória. E de tão especial forma que os Ministérios dos Apóstolos, que representam as 12 tribos de Israel, são apenas estrelas em Sua coroa. Nela, portanto. cumpriu-se esta promessa feita havia vários séculos: "Em seguida, no Céu apareceu um grande sinal: uma Mulher revestida do sol, tendo a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas pagãs nações com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e de Seu trono." Ap 12,1.5

    "Concedei-nos o convívio dos eleitos!"