domingo, 15 de fevereiro de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

A Paz de Cristo


    No Evangelho Segundo São Lucas, o sacerdote São Zacarias, pai de São João Batista, foi bem específico quando profetizou a respeito de Cristo, dizendo que Sua Missão seria "... dirigir nossos passos no Caminho da Paz." Lc 1,79
    No mesmo sentido, quando anunciaram o Nascimento de Jesus aos pastores nos arredores de Belém, os anjos já desejavam aos fiéis a indizível Paz que Ele ofereceria: "Glória a Deus no mais alto dos Céus, e Paz na Terra aos homens por Ele amados." Lc 2,14
    Com efeito, compartilhando entre nós uma condição categoricamente só Sua, Jesus ensinou desde o Sermão da Montanha, ainda início de Seu Ministério, que o Evangelho Segundo São Mateus apontou: "Felizes aqueles que promovem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus." Mt 5,9
    Ele pedia que ativamente a exercêssemos, para bem celebrarmos a Santa Missa: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do altar e lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do altar e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão. Só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24
    Como Ele ensinou no Pai Nosso, mais importante oração da Santa Igreja Católica, essa é essencial condição para obtermos o perdão do Pai Eterno: "... perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..." Mt 6,12
    Aliás, Ele afirmou que este é um dever de todo cristão antes de qualquer oração, como se lê no Evangelho Segundo São Marcos: "E quando vos puserdes de pé para rezar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que Vosso Pai, que está nos Céus, também perdoe vossos pecados. Mas se não perdoardes, tampouco Vosso Pai que está nos Céus perdoará vossos pecados." Mc 11,25-26
    E assim Ele apontava para Si mesmo como vívido exemplo, além de conforto para nossas almas: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29
    Pois ao enviar os Apóstolos em missão pela primeira vez, Ele recomendou uma saudação que se tornaria Sua marca, e deixou claro que Sua Paz é sobrenatural, não consiste apenas de palavras: "Em qualquer casa em que entrardes, primeiro dizei: 'A Paz esteja nesta casa.' Se ali morar algum amigo da Paz, vossa Paz repousará sobre ele. Senão, ela retornará a vós." Lc 10,5-6
    As pessoas a quem socorria com Seus milagres, Ele despedia transmitindo-lhes Sua Paz: "Filha, tua  te salvou! Vai em Paz e sê curada de teu mal." Mc 5,34
    Por fim, em Sua última Páscoa, ao aproximar-Se de Jerusalém, chorou por ela, pois não soube receber este grande dom, do qual ainda hoje precisa: "Oh! Se tu, ao menos neste dia que te é dado, também conhecesses Aquele que pode trazer-te a Paz! " Lc 19,42
    E no Evangelho Segundo São João, momentos antes do início de Sua Paixão, falando aos Apóstolos sobre a singularidade de Sua Paz, mais uma vez Ele afirmou seu sobrenatural caráter: "Eu deixo-vos a Paz, Eu dou-vos Minha Paz. A Paz que Eu vos dou não é a paz que o mundo dá." Jo 14,27
    Lembrando que só n'Ele encontraríamos essa dádiva, consolou os Apóstolos. E eles perfeitamente entendiam, pois já a haviam experimentado. Toda preocupação, ansiedade e inquietude dissipavam-se: "Eu disse-vos estas coisas para que, em Mim, tenhais a Paz. No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem. Eu venci o mundo!" Jo 16,33
    Pois na lógica inversa de Jesus, para alcançar Sua Paz é necessário opor-se até mesmo à paz meramente mundana, inclusive em meio à própria família. Ora, Sua Paz é uma pessoal oferta, exclusiva aos membros da Igreja Católica, jamais ao mundo: "Não julgueis que vim trazer a Paz à Terra. Vim trazer não a Paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim. Quem ama seu filho mais que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma sua cruz e não Me segue, não é digno de Mim. Aquele que tentar salvar sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por Minha causa, reencontrá-la-á." Mt 10,34-39
    Esteja claro, porém, que, conforme a Carta de São Paulo aos Efésios, a espada de que Ele fala é a "... a espada do Espírito, isto é, a Palavra de Deus." Ef 6,17b
    Dirigindo-Se aos cristãos da igreja de Pérgamo, e referindo-Se a hereges que a frequentavam, Jesus mesmo vai dizer no Livro de Apocalipse de São João: "Arrepende-te, pois senão em breve virei a ti e combaterei contra eles com a espada de Minha boca." Ap 2,16
    Este Apóstolo também viu a Definitiva Volta de Nosso Senhor, quando julgará os inimigos da Igreja Católica Apostólica Romana: "Está vestido com um manto tinto de sangue, e Seu Nome é Verbo de Deus. De Sua boca sai uma afiada espada, para com ela ferir as pagãs nações..." Ap 19,15
    De fato, foi derramando, e por duas vezes, Sua Paz exclusivamente sobre Apóstolos, discípulos e seguidores que Ele instituiu a Igreja, para nessa condição a enviar ao mundo após o Pentecostes (cf. At 1,8). É o que vemos logo no Domingo da Ressurreição: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se em meio a eles. Disse-lhes Ele: 'A Paz esteja convosco!' Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, Eu envio a vós.'" Jo 20,19-21
    Afirmativamente, com o Advento, pelo Filho da Santíssima Virgem foi-nos concedido experimentar na Terra a Paz que será vivida na eternidade, como o Livro do Profeta Isaías anunciou 700 anos antes: "O povo que andava nas trevas viu uma Grande Luz, sobre aqueles que habitavam uma tenebrosa região resplandeceu uma Luz. ... porque um Menino nos nasceu, um Filho nos foi dado. A soberania repousa sobre Seus ombros, e Ele chama-Se: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz. Seu império será grande, e sem fim a Paz sobre o trono de Davi e em Seu Reino. Ele firmá-lo-á e mantê-lo-á pelo direito e pela Justiça, desde agora e para sempre." Is 9,5-6a
    Este arauto deixou memoráveis palavras, usadas em tantos hinos da Santa Igreja: "Como são belos, sobre as montanhas, os pés do Mensageiro que anuncia a Paz, que traz as Boas Novas e anuncia a Salvação, dizendo a Sião: 'Teu Deus reina!' Ouve! Tuas sentinelas elevam a voz e juntas soltam alegres gritos, porque com seus próprios olhos vêem o Senhor voltar a Sião." Is 52,7-8
    Através dele, Deus prometeu, em Cristo, ao povo de Israel: "'Mesmo que as montanhas oscilassem e as colinas se abalassem, Meu amor jamais te abandonará e Meu pacto de Paz jamais vacilará', diz o Senhor que Se compadeceu de ti. Todos seus filhos serão discípulos de Javé, grande será a Paz de seus filhos." Is 54,10.13
    E tal promessa, de modo mais detalhado descrita no Livro do Profeta Ezequiel, era de que Deus mesmo apascentaria Seu rebanho, afirmando a divindade de Jesus: "'Sou Eu que apascentarei Minhas ovelhas, sou Eu que as farei repousar' - Oráculo do Senhor. 'A ovelha perdida, Eu procurá-la-ei; a desgarrada, Eu reconduzi-la-ei; a ferida, Eu curá-la-ei; a doente, Eu restabelecê-la-ei, e velarei sobre aquela que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com Justiça.'" Ez 34,15-16
    Através do Livro do Profeta Miqueias, é dito que o Filho de Maria será a própria Paz: "Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para Mim Aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam os antigos tempos, dias do longínquo passado. Por isso, Deus deixá-los-á, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. O resto de Seus irmãos então voltará para junto dos filhos de Israel. Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do Nome do Senhor Seu Deus. Os homens viverão em Paz, pois Ele agora estenderá o poder até os confins da Terra. E Ele mesmo será a Paz." Mq 5,2-4a
    Essas promessas foram feitas porque Deus havia retirado Sua Paz de Israel pouco antes do exílio em Babilônia, quando a Israel sobrevieram os castigos previstos no Livro do Profeta Jeremias: "E ainda disse o Senhor: 'Não entres em casa em que haja luto, para chorar com seus moradores, porque', Oráculo do Senhor, 'desse povo retiro Minha Paz, Minha proteção e Minha Misericórdia. Grandes e pequenos morrerão nesta terra, e ficarão sem lamentações e sem sepulturas, e não se farão incisões, nem rasparão os cabelos. O pão não será repartido para consolar o enlutado que chora um defunto, nem se lhe oferecerá a taça do consolo pela morte de seus pais.'" Jr 16,5-7
    E Ele culpava exatamente os líderes religiosos de então, quando promete os Sacerdotes escolhidos por Cristo (cf. Jo 15,16), através da Igreja Católica: "'Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho miúdo de Minha pastagem!' Oráculo do Senhor. Por isso, assim fala o Senhor, Deus de Israel, acerca dos pastores que apascentam meu povo: 'Dispersastes Meu rebanho e afugentaste-lo, sem dele vos ocupar. Eu, porém, vou castigá-vos pela maldade de vossas ações.' Oráculo do Senhor. 'Reunirei o que restar de Minhas ovelhas, espalhadas pelos países em que as exilei, e trá-las-ei para as pastagens em que hão de multiplicar-se. Escolherei para elas pastores que as apascentarão, de sorte que não tenham receios nem temores, e já nenhuma delas se extravie.' Oráculo do Senhor. 'Dias virão', Oráculo do Senhor, 'em que farei brotar de Davi um Justo Rebento que será Rei e governará com Sabedoria e exercerá na terra o direito e a equidade. Sob Seu reinado será salvo Judá, e viverá Israel em segurança. E eis o Nome com que será chamado: Javé, Nossa Justiça!'" Jr 23,1-6
    Também havia culpado o povo por idolatria, mas deixava claro o fim do Antigo Testamento: "'Reconhece apenas tua falta, foste infiel ao Senhor, teu Deus. Vagaste à procura de deuses estrangeiros sob todas árvores verdejantes, não escutaste Minha voz.' Oráculo do Senhor. 'Voltai, rebeldes filhos,' Oráculo do Senhor,' pois que sou Vosso Senhor. Eu tomá-vos-ei, um de cada cidade e dois de cada família, e reconduzi-vos-ei a Sião. Dá-vos-ei pastores segundo Meu Coração, os quais vos apascentarão com inteligência e Sabedoria. Quando vos multiplicardes e vos tornardes numerosos na terra, naqueles dias,' Oráculo do Senhor,' não mais se falará da Arca da Aliança do Senhor nem mais se pensará nela, perdendo-se a lembrança, e a saudade nem a ela há de referir-se." Jr 3,13-16
    Falava mesmo da Igreja para além de Israel, como vemos nas palavras que Isaías antecipou do 'Discurso Inaugural' da Missão de Jesus: "O Espírito do Senhor repousa sobre Mim, porque o Senhor Me ungiu. Estrangeiros virão apascentar vossos rebanhos, gente de fora servi-vos-á de lavradores e vinhateiros. Chamá-vos-ão Sacerdotes do Senhor, como Ministros de Nosso Deus sereis qualificados." Is 61,1a.5-6
    De fato, desde a manifestação de Cristo, Sua Paz tem estado sobre Sua Igreja, e assim estará até o fim dos tempos, como o rei Salomão cantou no Livro de Salmos: "Produzirão as montanhas frutos de Paz para vosso povo, e as colinas, frutos de Justiça. Em Seus dias florescerão a Justiça e a abundância da Paz, até que a lua cesse de brilhar. Ele dominará de um ao outro mar, desde o grande rio até os confins da Terra." Sl 71,3.7-8
    Ora, até inimigos de Jesus percebiam a Paz que d'Ele emanava, como a guarda do sumo sacerdote enviada para O prender: "Voltaram os guardas para junto dos príncipes dos sacerdotes e fariseus, que lhes perguntaram: 'Por que não O trouxestes?' Os guardas responderam: 'Ninguém jamais falou como este homem!'"Jo 7,45-46
    E quando Sua Doutrina pareceu muito estranha, pois havia oferecido Seu Corpo e Seu Sangue como alimento da Vida Eterna e muitos de Seus discípulos O abandonaram, Ele mesmo perguntou se os Apóstolos também não queriam ir embora. Mas o Príncipe dos Apóstolos luminosamente interveio por eles: "Respondeu-Lhe Simão Pedro: 'Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da Vida Eterna.'" Jo 6,68
    Ainda nas primeiras missões, porém, antes de conhecê-Lo melhor, eles passaram grandes sustos. Contudo, em seguida também experimentavam Sua inefável Paz: "De repente, desencadeou-se sobre o mar tão grande tempestade que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia. Os discípulos achegaram-se a Ele e acordaram-nO, dizendo: 'Senhor, salva-nos! Nós perecemos!' E Jesus perguntou: 'Por que este medo, gente de pouca ?' Então, levantando-Se, deu ordens aos ventos e ao mar: 'Quieto! Silêncio!' Logo o vento serenou e se fez uma grande calmaria. Eles ficaram admirados, e diziam uns aos outros: 'Quem é Este Homem, a Quem até os ventos e o mar obedecem?'" Mc 4,37-39.41


PAZ QUE EXCEDE TODA COMPREENSÃO

    Após Sua Ressurreição, quando aparecia aos Apóstolos, como vimos, Jesus não Se identificava dizendo Seu Nome, mas fazendo-os sentir a Paz de Sua presença. Disse-lhes na primeira aparição ao Colégio dos Dez, pois aí não estava São Tomé: "A Paz esteja convosco." Jo 20,19b
    Também na segunda, ao Colégio dos Onze Apóstolos: "Oito dias depois, outra vez estavam Seus discípulos no mesmo lugar, e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-Se em meio a eles e disse: 'A Paz esteja convosco!'" Jo 20,26
    E na primeira aparição à margem do Mar de Galileia, Ele deu exatamente essa incumbência a São Pedro, então representante de Sua Igreja, liderando de fiéis a Sacerdotes : "Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,16b.17b
    A Primeira Carta de São Pedro, do mesmo modo, velando pela manutenção da autoridade da Igreja Católica após sua partida, que se aproximava, repartiu com os demais Sacerdotes, chamados presbíteros, essa função: "Eis a exortação que dirijo aos anciãos que estão entre vós, porque sou ancião como eles, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e com eles serei participante daquela Glória que há de manifestar-se: apascentai o rebanho de Deus, que vos é confiado. Tende dele cuidado, não constrangidos, mas espontaneamente; não por amor de sórdido interesse, mas com dedicação; não como absolutos dominadores sobre as comunidades que vos são confiadas, mas como modelos de vosso rebanho." 1 Pd 5,1-3
    E assim também fez São Paulo, quando se despediu dos anciãos da cidade de Éfeso. Está no Livro de Atos dos Apóstolos, quando ele indiretamente chama Jesus de Deus: "Estai atentos a vós mesmos e a todo o rebanho: nele o Espírito Santo constituiu-vos Bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, que Ele adquiriu para Si pelo Sangue de Seu próprio Filho." At 20,28
    Para a perfeita execução desta redentora missão, Jesus, já na primeira aparição após Sua Ressurreição, deu ao Colégio dos Apóstolos o poder de perdoar, repetindo Sua singular saudação: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, Eu envio a vós.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,21-23
    São Pedro, pois, tinha muito bem presente qual era a real natureza do Evangelho, como disse aos primeiros pagãos a converterem-se, pregação que ensejou o 'Pentecostes dos Gentios': "Deus enviou Sua Palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a Boa Nova da Paz, por meio de Jesus Cristo." At 10,36
    Ora, lembrando o implacável poder de Deus que se manifestará no Último Dia, a Segunda Carta de São Pedro encarecidamente recomenda que primemos por essa marca: "Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por Ele achados sem mácula e irrepreensíveis na Paz." 2 Pd 3,14
    E falando da necessária purificação do pecados para o efetivo conhecimento de Cristo, ele afirmava que essa era sua missão até o último dia na Terra: "Eis porque não cessarei de trazer-vos essas coisas à memória, embora estejais instruídos e confirmados na presente Verdade. Tenho por meu dever, enquanto estiver neste tabernáculo, manter-vos vigilantes com minhas admoestações." 2 Pd 1,12-13
    Com efeito, em perfeita consonância com o Profeta Miqueias, São Paulo assim define o Cristo: "... Ele é nossa Paz..." Ef 2,14
    E a reconciliação com Deus Pai que Jesus promove a todos, judeus e não-judeus, ele descreve com essas palavras: "Desse modo, dos dois povos Ele quis fazer em Si mesmo uma nova humanidade, pelo restabelecimento da Paz, e ambos reconciliá-los com Deus, reunidos num só Corpo pela virtude da Cruz, nela aniquilando a inimizade. Veio para anunciar a Paz a vós que estáveis longe, e a Paz também àqueles que estavam perto..." Ef 2,15b-17
    Atento às inevitáveis aflições da vida de um cristão, porém, a Segunda Carta de São Paulo aos Corintios exorta-nos ao fiel seguimento de Cristo, para que representemos o bem para nossos irmãos: "Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das Misericórdias, Deus de toda consolação, que nos conforta em todas nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar aqueles que estão em qualquer angústia!" 2 Cor 1,3-4
    Contudo, ainda através de Isaías e com toda franqueza, Deus já Se pronunciara: confirmou Sua irritação para com o rebelde, e que ao ímpio jamais concederia a Paz: "'Estive encolerizado contra a iniquidade de Meu povo, contra sua cobiça e, por isso, escondia-Me, mantive Minha ira. Feri-o, enquanto rebelava-se segundo sua fantasia. Vi sua conduta e curá-lo-ei. Vou guiá-lo e consolá-lo, a eles e seus enlutados. Farei brotar nos lábios dos aflitos a ação de graças. Paz, Paz àquele que está longe e àquele que está perto. Mas os ímpios são como um mar encrespado que não se pode acalmar, cujas ondas revolvem sargaço e lodo. Não há Paz para os ímpios', diz Meu Deus." Is 57,17-20
    E assim a Carta de São Paulo aos Colossenses confirma, em Cristo, o cumprimento dessa cura, dessa profecia: "Porque a Deus aprouve fazer habitar n'Ele (Jesus) toda plenitude, e por Seu intermédio reconciliar consigo todas criaturas. Por intermédio d'Aquele que, ao preço do próprio Sangue na Cruz, restabeleceu a Paz a tudo quanto existe na Terra e nos Céus." Cl 1,19-20
    Assim, afirmando esta missão da Igreja, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios pregou ao atestar o novo ser humano que somos em Cristo: "Tudo isso vem de Deus, que Consigo nos reconciliou, por Cristo, e confiou-nos o ministério desta reconciliação. Porque é Deus que, em Cristo, Consigo reconciliava o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e em nossos lábios pôs a mensagem da reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que exorta por nosso intermédio. Em Nome de Cristo, rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!" 2 Cor 5,18-20
    Pois, como Davi bem reconhece, "Oprime-nos o peso de nossas faltas..." Sl 64,4b
    E senão por um deliberado ato da Divina Misericórdia, a reconciliação com Deus só nos é concedida pelo Sacramento da Confissão. Este rei havia versado: "Feliz aquele cuja iniquidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido. Pois dia-e-noite Vossa mão pesava sobre mim. Então Vos confessei meu pecado, e não mais dissimulei minha culpa. Disse: 'Sim, vou confessar ao Senhor minha iniquidade.' E Vós perdoastes a pena de meu pecado." Sl 31,1.4a.5
    Não por acaso, dirigindo-se às igrejas locais, o Apóstolo dos Gentios vai usar essa saudação no início de todas suas cartas, sem exceção, como vemos na Carta de São Paulo aos Romanos: "... Graça e Paz..." Rm 1,7
    Também a Segunda Carta de São João: "... Graça, Misericórdia e Paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, Filho do Pai." 2 Jo 1,3
    E ainda a Carta de São Judas: "Que a Misericórdia, a Paz e o amor copiosamente se realize em vós." Jd 2
    São Pedro, da mesma forma, diz em suas duas cartas, indicando, na segunda, o modo de obtê-la: "... Graça e Paz em abundância vos sejam dadas por um profundo conhecimento de Deus e de Jesus, Nosso Senhor!" 2 Pd 1,2
    Para São Paulo, o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo tem um nome especial, que especial preparação exige de quem o anuncia: "... e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da Paz." Ef 6,15
    De fato, como está na Carta de São Paulo aos Filipenses, a prática da Sã Doutrina produz evidentes resultados: "O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da Paz estará convosco." Fl 4,9
    E os Divinos Sacramentos assim podem ser resumidos: "Deus chamou-nos a viver em Paz." 1 Cor 7,15
    Pois o Pai bem sabe nossos maiores anseios: "... a aspiração do espírito é a Vida e a Paz." Rm 8,6
    Essa Paz que só Jesus concede, no entanto, é impossível de ser descrita em palavras: "E a Paz de Deus, que excede toda compreensão, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus." Fl 4,7
    Ela é um sopro dos Céus aqui na Terra: "O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas Justiça, Paz e gozo no Espírito Santo." Rm 14,17
    E no Novo Céu e na Nova Terra, claro, ela será generalizada. Diz o Livro do Profeta Oseias: "Farei para eles, naquele Dia, uma Aliança com os animais selvagens, as aves do céu e os répteis da Terra. Farei desaparecer da Terra o arco, a espada e a guerra, e com segurança fá-los-ei repousar." Os 2,20
    Notadamente na Jerusalém Celestial, como Isaías revelou: "Pois eis que o Senhor diz: 'Vou fazer a Paz correr para ela como um rio..." Is 66,12
    É isso que ele diz quando menciona o Nascimento da Igreja, que é as primícias dessa promessa: "Porque de Sião deve sair a Lei, e de Jerusalém, a Palavra do Senhor. Ele será o Juiz das nações, o Governador de muitos povos. De suas espadas forjarão relhas de arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não mais se arrastarão para a guerra. Oh, Casa de Jacó, vinde, caminhemos à Luz do Senhor." Is 2,3b-5
    Pois essa Paz é um dos frutos do Espírito de Deus, o Autor da Graça (cf. Hb 10,29), derramado exatamente no dia de Pentecostes (cf. At 2,1.4). Diz a Carta de São Paulo aos Gálatas: "Ao contrário, o fruto do Espírito é amor, alegria, Paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei." Gl 5,22-23
    É ela que possibilita a Perfeita Unidade, que o Espírito Santo concede à Igreja Católica: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz." Ef 4,3
    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses pede empenho aos fieis, e uma grande consideração para com nossos Sacerdotes, em torno dos quais a comunidade deve permanecer unida para que a Paz de Cristo seja preservada: "Assim, pois, consolai-vos e edificai-vos uns aos outros, como já o fazeis. Suplicamo-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que entre vós arduamente trabalham para vos dirigir e vos admoestar no Senhor. Tende para com eles singular amor, em vista do cargo que exercem. Conservai a Paz entre vós." 1 Ts 5,11-13
    E quanto ao comportamento dos atuais Sacerdotes, nos primórdios da Igreja também chamados de profetas e anciãos, ele diz que sob estrito controle devem manter seus próprios espíritos, para que daí não surja multiplicidade de 'igrejas'. Ele ordenou sobre os cultos de então, essências de nossa Santa Missa: "Quanto aos profetas, falem dois ou três, e os outros julguem. Se for feita uma revelação a algum dos assistentes, cale-se o primeiro. Todos, um após outro, podeis profetizar, para todos aprenderem e todos serem exortados. O espírito dos profetas deve estar-lhes submisso, porquanto Deus não é Deus de confusão, mas de Paz." 1 Cor 14,29-33
    Mais que isso! Enquanto Corpo Místico de Cristo, devemos oferecer a Paz a todo ser humano: "Se for possível, quanto depender de vós, vivei em Paz com todos homens." Rm 12,18
    Essa deve ser a grande meta de todo cristão: "Portanto, apliquemo-nos a tudo que contribui para a Paz e para a mútua edificação." Rm 14,19
    Assim ele nos garante a Comunhão: "... vivei em Paz, e o Deus de amor e Paz estará convosco." 2 Cor 13,11
    Com efeito, a Paz de Cristo deve ser fervorosamente desejada, mas desde que vivamos em Comunhão com os membros da Igreja, como a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo lhe recomenda: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a Justiça, a fé, a caridade, a Paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    É só assim, em mútua edificação, que alcançamos a purificação. É o que a Primeira Carta de São João ensina: "Se dizemos ter Comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos Comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,6-7
    Porque ela é uma dádiva, uma divina concessão misteriosamente dada àqueles que a solicitam. A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses atesta: "O Senhor da Paz conceda-vos a Paz, em todo tempo e em todas circunstâncias." 2 Ts 3,16
    Ele exorta-nos, convidando-nos à Unidade da fé e à gratidão a Deus, apontando esse dom como a maior conquista de um cristão neste mundo: ser parte do Corpo Místico de Cristo: "Triunfe em vossos corações a Paz de Cristo, para a qual fostes chamados a formar um só Corpo. E sede agradecidos." Cl 3,15
    E pela contrição, ele promete que a vitória será concedia a cada um de nós, como escreveu aos cristãos de Roma: "Vossa obediência tornou-se notória em toda parte, razão pela qual eu me alegro a vosso respeito. O Deus da Paz em breve não tardará a esmagar Satanás debaixo de vossos pés." Rm 16,19-20
    Pois esse é o verdadeiro caminho da santidade, como disse aos cristãos da cidade de Tessalônia e a todos nós: "O Deus da Paz conceda-vos perfeita santidade. Que todo vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a Volta de Nosso Senhor Jesus Cristo!" 1 Ts 5,23
    Assim, a Carta de São Tiago dá uma preciosa lição àqueles que querem viver e anunciar o Evangelho: "Mas se no coração tendes um amargo ciúme e gosto pelas contendas... Esta não é a Sabedoria que vem do alto... O fruto da Justiça semeia-se na Paz, para aqueles que praticam a Paz." Tg 3,14a.15a.18
    E exortando às verdadeiras atitudes de fé, ele abertamente condena a hipocrisia de uma falsa saudação da Paz: "Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o cotidiano alimento, e algum de vós disser-lhes: 'Ide em Paz, aquecei-vos e fartai-vos', mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim a fé: se não tiver obras, em si mesma também é morta." Tg 2,15-17
    É muito claro, portanto, o que Davi cantou: "Aparta-te do mal e faze o bem. Busca a Paz e vai a seu encalço. Os olhos do Senhor estão voltados para os justos, e Seus ouvidos atentos a seus clamores." Sl 33,15-16
    Sobre essa preciosa dádiva, São Pedro também é incisivo: "... busque a Paz e siga-a." 1 Pd 3,11
    Por fim, quando da Aparição de Fátima, embora se referindo a bem específica situação que era o fim da Primeira e da Segunda Guerra Mundial, Nossa Senhora recomendou-nos a piedade como o principal meio para essa conquista, como já demonstraram tantos Santos e Santas: "Rezai o Terço todos dias, para alcançarem a Paz..."
    Ora, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo já pregava a ativa religiosidade: "Exercita-te na piedade. Se o exercício corporal traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da presente e da futura Vida." 1 Tm 4,8
    Por tão importante Graça, na Santa Missa o Padre reza a Oração pela Paz, durante o Rito da Comunhão:

    "Senhor Jesus Cristo, dissestes a Vossos Apóstolos: 'Eu deixo-vos a Paz, Eu dou-vos Minha Paz.' Não olheis nossos pecados, mas a fé que anima Vossa Igreja. Dai-lhe, segundo Vosso desejo, a Paz e a Unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo."

    À qual a assembleia responde "Amém", e em seguida todos rezam o Agnus Dei:

    Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós!
    Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós!
    Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a Paz!