quarta-feira, 10 de junho de 2026

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

3 Caminhos até Deus

    Embora cada ser humano faça seu próprio trajeto pela vida, é certo que todos caminhos que levam ao Pai inevitavelmente passam por Jesus. No Evangelho Segundo São João, após a Santa Ceia, Ele disse: "Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai, senão por Mim." Jo 14,6
    Por condescendência, porém, Ele até propôs uma experiência: "Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se Minha Doutrina é de Deus ou se falo de Mim mesmo." Jo 7,17
    Ora, havia muito o rei Davi já cantava no Livro de Salmos, porque sabia que só em Deus encontramos o verdadeiro alento para nossas almas: "Senhor, mostrai-me Vossos caminhos e ensinai-me Vossas veredas. Dirigi-me em Vossa Verdade e ensinai-me, porque sois o Deus de minha Salvação e em Vós eu sempre espero." Sl 24,4-5
    E foi exatamente isso que Jesus revelou ser, como o Evangelho Segundo São Mateus registrou: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de Coração, e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29
    Portanto, enquanto mais que especial capítulo do Livro da Vida, e assim com perfeição espelhando nossas buscas e angústias, o Novo Testamento apresenta três exemplares caminhos para reflexão. São emblemáticas viagens nas quais todo autêntico cristão facilmente se vê representado: os caminhos de Jerusalém, de Emaús e de Damasco.

SUBINDO A JERUSALÉM


    No primeiro caminho, o de Jerusalém, pela última vez, os Apóstolos iam com o próprio Deus na Pessoa de Jesus, mas ainda vacilantes na , mesmo depois de tudo que viram e ouviram, e serem informados de tudo de que precisavam saber. O Evangelho Segundo São Marcos apontou esse flagrante: "Estavam no caminho, subindo para Jerusalém, Jesus ia à frente deles. Estavam assustados e acompanhavam-nO com medo. E novamente tomando os Doze Consigo, começou a lhes predizer as coisas que Lhe haviam de acontecer." Mc 10,32
    O desfecho, o abandono na hora de Sua Morte, já estava previsto no Livro do Profeta Zacarias (cf. Zc 13,7), apesar de todos haverem prometido acompanhá-Lo até à morte: "Mas Pedro repetia com maior ardor: 'Ainda que seja preciso morrer Contigo, não Te renegarei.' E todos disseram o mesmo." Mc 14,31
    De fato, todos vão abandoná-Lo, não só São Pedro, como incautos pervertem. Aliás, o Príncipe dos Apóstolos (cf. Mt 10,2) foi o único que tentou defendê-Lo: "Assim que ele (Judas Iscariotes) se aproximou de Jesus, disse: 'Rabi!', e beijou-O. Lançaram-Lhe as mãos e prenderam-nO. Um dos presentes tirou da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e decepou-lhe a orelha. Mas Jesus tomou a palavra e disse-lhes: 'Como a um bandido, saístes com espadas e cacetes para Me prender! Entretanto, todos dias estava convosco, ensinando no Templo, e não Me prendestes. Mas isso acontece para que se cumpram as Escrituras. Então todos O abandonaram e fugiram." Mc 14,45-50
    São João Apóstolo, narrando o mesmo acontecimento, nomeou-o: "Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. O servo chamava-se Malco. Mas Jesus disse a Pedro: 'Enfia tua espada na bainha! Não hei de beber o cálice que o Pai Me deu?" Jo 18,10-11
    E até registrou que o próprio Senhor havia pedido que eles não fossem presos, em cumprimento de Sua própria profecia, pois Sua Igreja precisava sobreviver: "Perguntou-lhes Ele, pela segunda vez: 'A quem buscais?' Disseram: 'A Jesus de Nazaré.' Replicou Jesus: 'Já vos disse que sou Eu. Se é, pois, a Mim que buscais, deixai que estes se retirem.' Assim se cumpriu a Palavra que disse: Daqueles que Me deste, não perdi nenhum (Jo 17,12)." Jo 18,7-9
    Ademais, nosso Primeiro Papa foi o único a correr o risco de O seguir até a casa do sumo sacerdote, pois São João Evangelista que não corria nenhum: "Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar." Jo 18,15-16
    E, ao menos inicialmente, nenhum deles entendeu Sua Morte na Santa Cruz: "Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios. Foi ela noticiá-lo àqueles que estiveram com Ele, os quais estavam aflitos e chorosos. Quando souberam que Jesus vivia e que ela O tinha visto, não quiseram acreditar." Mc 16,9-10
    Apesar dos três anúncios que lhes havia feito. Citamos um: "E ensinava Seus discípulos: 'O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e matá-Lo-ão e ressuscitará três dias depois de Sua Morte.' Mas não entendiam estas palavras, e tinham medo de Lhe perguntar.'" Mc 9,31-32
    Contudo, não fugirão covardemente de Jerusalém, como vimos. Demonstrando verdadeiro amor pelo Mestre, eles ficam tão abalados com Sua Morte que vão desprezar qualquer medíocre realismo, pelo qual imediatamente se obrigariam a voltar para Galileia e retornar ao trabalho, numa postura do tipo: 'porque a vida continua...' Não! A nova realidade que o Mestre imprimiu em suas almas não lhes permitiu deixarem-se levar por pensamentos assim, por demais rasteiros. E por isso, ainda em Jerusalém, no primeiro Domingo após crucificação todos eles veriam o Ressuscitado, com a exceção de Judas Iscariotes, que se suicidou (cf. Mt 27,5), e São Tomé, que se afastou dos demais.
    Aliás, daqueles que com Nosso Senhor subiram pela última vez o caminho de Jerusalém, este Apóstolo cometerá um erro a mais, também característico da incredulidade: após ouvir, da parte dos dez Apóstolos e das santas mulheres, vários testemunhos sobre a Ressurreição do Senhor, e com riqueza de detalhes, além de ser confidente de expressa e categórica identificação do próprio Jesus (cf. Jo 14,5-7), irá exigir uma prova material, ver e tocar Suas chagas: "Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando Jesus veio. Os outros discípulos disseram-lhe: 'Vimos o Senhor.' Mas ele replicou-lhes: 'Se não vir em Suas mãos o sinal dos pregos, e não puser meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir minha mão em Seu lado, não acreditarei!'" Jo 20,25-26
    Ou seja, além do irresoluto caminho até a Cidade Santa, de ter abandonado Jesus no momento da prisão mesmo após ter sido o primeiro a prometer que O seguiria até a morte (cf. Jo 11,16), e de ouvir testemunho dos mais próximos Apóstolos, São Tomé exigia mais uma e pessoal experiência, exclusiva, capricho tão vulgar hoje em dia entre muitos dos próprios membros da Santa Igreja Católica. Entretanto, este seria só mais um capítulo da radical decisão que se deve tomar diante de Cristo, pois, de sua profunda espiritualidade, este Santo estava pronto para reconhecer, por Sua Ressurreição, antes de todos demais, a própria divindade de Jesus, exclamando: "Meu Senhor e Meu Deus!" Jo 20,28

A CAMINHO DE EMAÚS


    No segundo caminho, o de Emaús, Nosso Senhor põe-Se em viagem junto a dois de Seus discípulos, que Lhe eram, depois dos Apóstolos e entre os demais seguidores, o mais próximo grupo. O Evangelho Segundo São Lucas apontou estas palavras suas ao próprio Jesus, a Quem não reconheceram ao primeiro contato (cf. Lc 24,31): "Nós esperávamos que fosse Ele Quem haveria de restaurar Israel e agora, além de tudo isso, é hoje o terceiro dia que essas coisas aconteceram. É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao Sepulcro, antes do nascer do sol. E não tendo achado Seu Corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais declararam que Ele está vivo." Lc 24,21-23
    Certamente faziam parte dos 72 enviados (cf. Lc 10,1), e que também tinham subido com Ele a Jerusalém pela última vez. Voluntária e apaixonadamente seguiam o Messias, mas não tinham nem a intimidade nem haviam assumido o mesmo compromisso que os Doze. De fato, tudo era muito sério e as responsabilidades não eram pequenas (cf. Mt 11,23). Além de muitas inseguranças doutrinárias, sem dúvida bem maiores que as dos Apóstolos, pois estes recebiam do Mestre privilegiadas explicações (cf. Mc 4,34), eles teriam alguns temores a mais.
    Apesar de muito impressionados pela Pessoa de Jesus, e de grande simpatia por Sua Doutrina, as preocupações da vida ainda eram grandes empecilhos para esses dois. Por certo, apenas uma exagerada expectativa (cf. Lc 19,11), ou mesmo uma incompreendida atração pelo Mestre (cf. Jo 6,44), não teria bastado para os afastar de um todo da mundaneidade. A hesitação e uma ingênua empolgação, como outros pueris traços de personalidade, costumam andar juntos em corações de recém-convertidos.
    O maior erro deles, no entanto, como o próprio Jesus vai acusar (cf. Lc 24,25), foi a desatenção, a preguiçosa consciência. Eles tinham feito todo o último caminho até Jerusalém, viram a Crucificação (cf. Lc 23,49) e, como São Tomé, também ouviram testemunhos da Ressurreição (cf. Lc 24,22-24). Santa Maria Madalena e Santa Maria, esposa de São Cleofas, mãe dos parentes próximos de Jesus, maravilhadas contavam que o Santo Sepulcro estava aberto e que Seu Corpo não se encontrava lá dentro, apesar de terem encontrado as faixas com as quais O haviam envolvido. Santa Maria Madalena chegou a dizer que O tinha visto redivivo, mas para eles isso parecia demais. Se lembravam que Jesus, por várias vezes, tinha prometido ressuscitar, não levavam essa hipótese a sério.
    Quer dizer, teriam acompanhado Jesus mais pelos milagres que presenciavam, que pela Palavra que ouviam. E quando a situação se complicou, e o Mestre foi capturado, eles não pensaram muito antes de se decidirem por ir embora. Nem sequer cumpriram, na Cidade Santa, os sete dias de Páscoa como a Lei previa (cf. Êx 12,15-16). Guardaram apenas o Sábado, e no primeiro dia da semana já estavam com o pé na estrada, num misto de medo dos judeus, desilusão e 'necessidade' de 'cuidar da vida'.
    Ficava, porém, uma desconcertante pergunta: que vida? Porque semelhante situação já haviam presenciado, quando se deu a primeira dispersão entre Seus seguidores e Jesus inquiriu os próprios Apóstolos se também não queriam deixá-Lo. Mas São Pedro, inspirado por Deus (cf. Mt 16,17) e falando em nome de todos, respondeu-Lhe com outra pergunta: "Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da Vida Eterna." Jo 6,68

A CAMINHO DE DAMASCO


    E no caminho de Damasco, temos registro do ainda jovem São Paulo, nessa fase um impetuoso e violento fariseu, que havia consentido no apedrejamento de Santo Estêvão (cf. At 22,20) e queria a morte dos cristãos: "Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao sumo sacerdotes, e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém todos homens e mulheres que achasse seguindo Essa Doutrina." At 9,1-2
    Tudo isso por piamente acreditar que assim servia a Deus, como Jesus havia mesmo profetizado sobre os membros da Igreja Apostólica (cf. Jo 16,2). No Livro de Atos dos Apóstolos, São Lucas, amigo e colaborador de São Paulo após sua conversão, literalmente diz que perseguia a própria Igreja de Deus Vivo, como muitos fazem ainda hoje: "Saulo, porém, devastava a Igreja. Entrando pelas casas, arrancava delas homens e mulheres e entregava-os à prisão." At 8,3
    O Apóstolo dos Gentios mesmo confessaria, mais tarde, quando da aparição de Jesus a ele após retornar a Jerusalém, pois os cristãos lhe tinham medo: "Eu repliquei: 'Senhor, eles sabem que eu encarcerava e açoitava com varas nas sinagogas aqueles que creem em Ti." At 22,19
    Igualmente admitiu perante o rei Agripa em Cesareia, numa das etapas de seu julgamento, antes de ser preso em Roma pela primeira vez, quando vemos que Santo Estevão não foi o único que padeceu martírio com seu apoio: "Eu também acreditei que devia fazer a maior oposição ao Nome de Jesus de Nazaré. Assim procedi em Jerusalém, e em cárceres tinha encerrado muitos irmãos, para isso havendo recebido poder dos sumos sacerdotes. Quando os sentenciavam à morte, eu dava minha plena aprovação. Muitas vezes, perseguindo-os por todas sinagogas, eu torturava-os para os obrigar a blasfemar. Enfurecendo-me mais e mais contra eles, eu perseguia-os até no estrangeiro." At 26,9-11
    Ora, tomando as dores da Igreja Una, Jesus, notemos!, não vai perguntar por que ele a perseguia, mas por que perseguia a Ele mesmo, o próprio Salvador, acusação que repete por duas vezes: "Durante a viagem, estando já perto de Damasco, subitamente o cercou uma resplandecente Luz vinda do Céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: 'Saulo, Saulo, por que Me persegues?' Saulo disse: 'Quem és, Senhor?' Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a Quem tu persegues. Duro é-te recalcitrar contra o aguilhão.'" At 9,3-5
     De fato, ele havia participado na morte de Santo Estêvão, pois se ofereceu para segurar os mantos daqueles que o apedrejavam (cf. At 7,58). Assumia, assim, a postura dos extremados radicalistas que são capazes de qualquer coisa sob alegação de estarem agindo em Nome de Deus, ignorando que em essência o Criador abomina a prática do mal, principalmente através da ira, que é um pecado capital.
    Isso significa que, embora a religiosa convicção de São Paulo fosse plena, o meio de que ele usou era absolutamente desvirtuado. E eis ainda mais grave erro: em sua desarrazoada fé, ao combater a Santa Igreja ele estava combatendo o próprio Deus (cf. At 5,39) em Sua mais esplendorosa manifestação (cf. Mc 9,3; Hb 1,3), que, por ignorância e brutalidade, desconhecia: Cristo.

DIFÍCIL CAMINHADA

    Nesses três caminhos, pois, tem-se um elemento em comum: a frustração. Ela aconteceu com os Apóstolos, quando subiram a Jerusalém pela última vez, e com os discípulos que foram a Emaús no Domingo da Ressurreição, todos ao verem Jesus crucificado (cf. Lc 23,49), e ainda com São Paulo, que na sanha de matar cristãos deu de cara com a Luz do Mundo (cf. Jo 8,12), que o derrubou do cavalo e o cegou (cf. At 9,8).
    Mas também esses caminhos, desde que passem pelo Sacramento da Confissão, também chamado do Arrependimento, levam à Glória de Deus. Não esqueçamos que todos esses caminhantes eram crédulos! São três histórias religiosas, de pessoas cuja fé não era desprezível. Todos, de algum modo, buscavam a Deus, e assim Ele terminaria por Se revelar a eles.
    Em síntese, temos:
    - Indo a Jerusalém: pessoas que seguiam Jesus, 'quase' certas de que Ele era o Salvador, mas estranhavam Seus planos; que acreditavam, mas também vacilavam; que prometiam morrer com Ele, mas abandonaram-nO; que se frustraram com Sua Crucificação, mas, pelo amor que Lhe tinham, permaneceram em Jerusalém e viram a Ressurreição; e São Tomé, à parte, que no Domingo da Ressurreição não estava junto aos Apóstolos, e ao buscá-los, mesmo ouvindo os relatos das aparições, continuou mostrando-se incrédulo, individualista e materialista, embora pronto para a completa conversão.
    - Indo a Emaús: pessoas que seguiam Jesus, mas pouco dispostas a refletir apropriadamente sobre a Palavra e a vontade de Deus; que n'Ele acreditavam, mas não assumiam maior compromisso com Aquele 'Profeta'; que se frustraram com Sua Morte e fugiram com medo da perseguição dos judeus, para 'cuidar da vida'. Entretanto, como sinceramente se deixaram seduzir pela Boa Nova, e tinham dedicado muitos meses seguindo o Mestre, foram agraciados com a visão do Ressuscitado, por meio da Santa Eucaristia (cf. Lc 24,30), e sentiram-se reenviados como testemunhas.
    - Indo a Damascouma pessoa que perseguia a Igreja Viva, por não conhecer a Deus como se deve; que tinha fervorosa devoção, mas não conhecia nem o amor do Pai, nem Seus Mandamentos, nem Seu agir; que queria a morte dos cristãos, mas por reverência à Verdade cairia refém da Majestade do Crucificado; que se frustrou ao ser flagrado usando de extrema violência contra o Corpo Místico de Cristo, a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas, por seu grande zelo pelas Escrituras e porque o fazia por ignorância, mereceu ser testemunha de Sua Glória. E ao ser enviado para O servir, redimiu-se de seu passado e não teve vergonha de se converter.

TRÊS RESPOSTAS DE JESUS

    Agradecidos pela benção da confirmação na fé, de todos esses caminhantes e também nossa, é dever de todo verdadeiro cristão sempre prestar culto a Deus na Santa Missa (cf. Lc 22,19). Foi o que o cego de nascença curado por Jesus disse em resposta aos judeus por tamanha Graça alcançada: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31
    A Primeira Carta de São Pedro, pois, aponta o Ministério do Espírito Santo que nos torna Igreja Católica Apostólica Romana: "... estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,12b
    Igualmente diz a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para vossa Salvação." 1 Ts 1,5
    E os seguidores de sua tradição também advertem de nossa condição de Igreja de Deus, na Carta aos Hebreus: "Guardai-vos, pois, de recusar ouvir Aquele que fala. Porque, se não escaparam do castigo aqueles que d'Ele se desviaram quando lhes falava na Terra, muito menos escaparemos nós se O repelirmos quando nos fala desde o Céu." Hb 12,25
    Não esqueçamos, portanto, o que cada um desses caminhantes ouviu de Jesus enquanto errava. É Sua voz que deve ecoar em nossos ouvidos quando estivermos trilhando nossos caminhos, para (1) aceitarmos os desígnios de Deus pela Santa Cruz do Calvário, (2) não desacreditarmos do poder de Deus, (3) nem perseguirmos os verdadeiros fiéis, o Santos (cf. Ap 20,6), cuja religiosidade nos denuncia:
    - São Pedro, que subiu a Jerusalém para a Crucificação do Senhor, mas como representante de todos Apóstolos tinha que confirmar seus irmãos (cf. Lc 22,32), ouviu: "Simão, filho de João, amas-Me mais que a estes?" Jo 21,15
    - São Tomé, que também fez esse caminho, mas divagava em maiores dúvidas e exigia de Deus uma prova particular, ouviu: "Introduz aqui teu dedo, e vê Minhas mãos. Põe tua mão em Meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. " Jo 20,27
    Os discípulos, que semelhantemente subiram a Jerusalém nessa ocasião, mas apartaram-se da comunidade messiânica e seguiram para Emaús por medo e por não meditarem o bastante, ouviram: "Ó gente sem inteligência! Como sois tardios de coração para crerdes em tudo que os Profetas anunciaram!" Lc 24,25
    - E São Paulo, que não viu as principais manifestações de Cristo, mas, absolutamente presunçoso de sua fé e movido por extremada violência, só pensando em aniquilar os católicos, acabou por Ele submetido aos próprios membros da Igreja Católica (cf. At 1,8), pois ouviu: "Levanta-te, vai a Damasco e lá te será dito tudo que deves fazer." At 22,10
    Peçamos, pois, a Graça de realmente ouvir Jesus, porque Ele garantiu: "Minhas ovelhas ouvem Minha voz. Eu conheço-as, e elas seguem-Me." Jo 10,27

    "Caminhamos na estrada de Jesus!"