Apesar das históricas e frequentes manifestações do Espírito de Deus, não são muitos os que conhecem Sua Pessoa. Infelizmente! Mas não ignoremos: no Evangelho segundo São João, enquanto Se despedia dos Apóstolos, Jesus sentenciou que, enquanto vivêssemos no pecado, jamais poderíamos recebê-Lo. Já à Santa Igreja, isto é, àqueles que realmente vivem a Comunhão, prometeu que Ele permanece para sempre: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,7
Desde o Pentecostes, portanto, ele tem permanentemente estado com os verdadeiros membros da Igreja, como Nosso Senhor afirmou: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dá-vos-á outro Consolador, para que convosco fique eternamente." Jo 14,16
Pois quanto à veraz Comunhão com Deus, a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios revelou: "... quem se une ao Senhor, com Ele torna-se um só Espírito." 1 Cor 6,17
De fato, o Batismo que Jesus realiza pela autoridade de Sua Igreja é marcante. O Evangelho segundo São Mateus anotou essas palavras de São João Batista,: "Eu batizo-vos com água, em sinal de penitência, mas Aquele que virá depois de mim é mais poderoso que eu, e nem sou digno de carregar Seus calçados. Ele batizá-vos-á no Espírito Santo e no fogo." Mt 3,11
Assim a Vinda de Jesus, e com Ele a Nova Aliança, sinaliza o tempo da presença do Espírito Santo entre nós, pela Palavra de Deus que está ao encargo do Magistério da Igreja Católica. O Livro do Profeta Isaías aponta: "'Mas virá como Redentor a Sião, e aos arrependidos filhos de Jacó', Oráculo do Senhor. 'Eis Minha Aliança com eles', diz o Senhor: 'Meu Espírito, que repousa sobre ti, e Minhas Palavras, que coloquei em tua boca, não deixarão teus lábios nem os de teus filhos nem os de seus descendentes', diz o Senhor, 'desde agora e para sempre.'" Is 59,19-20
Muito antes disso, porém, era pelo poder do Divino Espírito que Deus guiava Seu povo, como fez ainda nos tempos de Moisés, segundo o Livro de Números, embora apenas temporariamente: "O Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés. Tomou uma parte do Espírito que o animava e distribuiu-a sobre os setenta anciãos. Apenas repousara o Espírito sobre eles, começaram a profetizar, mas não continuaram." Nm 11,25
Isso aconteceu com todos Profetas, como na oração da cerimônia expiatória dos tempos do Livro do Profeta Neemias: "Vossa paciência para com eles durou muitos anos. Vós fazíeis-lhes admoestações pela inspiração de Vosso Espírito, que animava Vossos Profetas." Ne 9,30a
Aconteceu com o rei Davi, após ser ungido. O Primeiro Livro do Profeta Samuel atesta: "Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o Espírito do Senhor apoderou-Se de Davi." 1 Sm 16,13a
Aconteceu com um dos primeiros seguidores de Davi: "Então o Espírito entrou em Amasaí, chefe dos trinta, o qual disse: 'A ti, Davi, e contigo, filho de Isaí! Paz, Paz a ti e àquele que te protege, porque Teu Deus te presta auxílio.' Davi recebeu-os e deu-lhes um lugar entre os chefes do bando." 1 Cro 12,18
Havia acontecido com o Rei Saul, antes da unção de Davi: "O Espírito do Senhor retirou-Se de Saul, e um espírito mau veio sobre ele, enviado pelo Senhor." 1 Sm 16,14
O Livro do Profeta Daniel diz de seu caso: "A mão do Senhor veio ali sobre mim. 'Vamos', disse-me Ele, 'vai à planície, onde vou falar-te.' Então me pus a caminho para a planície, e eis que a Glória do Senhor lá estava, tal qual eu a havia contemplado às margens do Cobar. E caí com a face em terra. Mas o Espírito do Senhor entrou em mim para pôr-me em pé, enquanto me falava o Senhor: 'Vai encerrar-te em tua casa.'" Dn 3,22-24
E aconteceu com o Profeta Ezequiel, quando a divina Glória vai abandonar o Templo de Jerusalém: "Enquanto Ele me falava, em mim entrou o Espírito, e fez-me ficar de pé. Então ouvi Aquele que me falava. 'Filho do homem', dizia-me, 'envio-te aos israelitas, a essa nação de rebeldes, revoltada contra Mim, a qual, do mesmo modo que seus pais, vem pecando contra Mim até este dia. É a esses filhos de dura testa e de insensível coração que te envio, para dizer-lhes: 'Oráculo do Senhor Javé!' Quer te ouçam ou não (pois é uma indomável raça), hão de ficar sabendo que há um Profeta no meio deles!" Ez 2,2-5
O Livro da Sabedoria, de fato, já avisava de Suas restrições: "A Sabedoria não entrará na perversa alma nem habitará em corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á dos insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,4-5
NO NOVO TESTAMENTO
Assim se cumpriram os tempos, e com a Vinda de Nosso Salvador, pouco antes de Sua Ascensão aos Céus, que se deu em Betânia (cf. Lc 24,50), Ele determinou aos Apóstolos referindo-Se a Jerusalém, como o Evangelho segundo São Lucas narrou: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Permanecei na cidade, entretanto, até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49
Na Bíblia, portanto, a Terceira Pessoa de Deus apresenta-Se como pomba, fogo, água, mão, dedo, selo, nuvem e luz. Porém, a discrição e a invisibilidade sempre são Suas principais características. O próprio Jesus avisou que Ele não vinha para falar de Si mesmo: "Quando vier o Espírito da Verdade, Ele encaminhá-vos-á à plena Verdade. Porque o Espírito não falará de Si mesmo, mas dirá o que escutou e anunciá-vos-á as coisas que vão acontecer." Jo 16,13
Ao falar de Sua Pessoa pela primeira vez, Nosso Salvador comparou Seu agir ao do vento. Era uma clara referência à Sua divindade, que se expressa por Sua absoluta autonomia: "O vento sopra onde quer. Ouves o barulho, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. A mesma coisa acontece com quem nasceu do Espírito." Jo 3,8
Jesus e o Espírito Santo, pois, sempre existiram, mas estariam 'ocultos', esperando a plenitude dos tempos para manifestarem-Se ao povo de Deus, e através dele ao mundo. Falando por Deus, o Livro do Profeta Zacarias previu a simultânea Revelação destas Suas Pessoas, mencionando a Paixão de Nosso Redentor: "Derramarei um Espírito de Graça e oração, sobre a Casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim. Quanto Àquele que transpassaram, chorarão por Ele como se chora pelo único filho: amargamente vão chorá-Lo, como se chora por um primogênito." Zc 12,10
Era o que havia descrito o Profeta Isaías, listando os dons do Espírito Santo, dos quais Jesus é pleno, ao reafirmar a ascendência do Messias, no caso o pai do rei Davi: "Um Renovo sairá do tronco de Jessé, e um Rebento brotará de suas raízes. Sobre Ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de Sabedoria e de entendimento, Espírito de conselho e de fortaleza, Espírito de ciência e de piedade, Espírito de temor ao Senhor." Is 11,1-2
O remoto Livro do Profeta Joel foi pioneiro no anúncio da Vinda do Santo Paráclito, mas já dizia de Sua manifestação sobre toda a Igreja, como se deu no dia do Pentecostes: "Depois disso, acontecerá que derramarei Meu Espírito sobre todo ser vivo! Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, também derramarei Meu Espírito sobre escravos e escravas." Jl 3,1-2
Essa promessa foi repetida no Livro do Profeta Ageu, quando Deus fala: "Segundo o pacto que fiz convosco quando saístes do Egito, Meu Espírito habitará convosco. Não temais." Ag 2,5
De fato, dado a vida de pecado que se espalhou sobre a Terra, desde os primórdios Deus havia retirado Seu Espírito da humanidade. Está no Livro de Gênesis: "Meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será de cento e vinte anos." Gn 6,3
Mas como único modo de levar o ser humano à verdadeira obediência, no Livro do Profeta Ezequiel Deus prometeu devolvê-Lo a Seu povo, assim como nosso Batismo de Água Viva, o que aconteceria após a manifestação do Cristo: "Derramarei sobre vós Puras Águas, que vos purificarão de todas vossas imundícies e de todas vossas abominações. Dá-vos-ei um novo coração, e colocarei um Novo Espírito dentro de vós. Tirarei de vós o coração de pedra e dá-lhes-ei um coração de carne. Em vós colocarei Meu Espírito, para fazer com que vivais de acordo com Meus estatutos, e observeis e coloqueis em prática Minhas normas." Ez 36,25-27
E no Livro do Profeta Jeremias prometeu que Sua leis estariam inscritas em nossos corações: "Eis a Aliança que então farei com a casa de Israel', Oráculo do Senhor: 'Incutir-lhe-ei Minha Lei, gravá-la-ei em seu coração." Jr 31,33
De sua tocante inspiração, o Livro dos Salmos já havia percebido a importância desta unção para vencer o pecado, pedindo a Deus: "... não retires de mim Teu Santo Espírito." Sl 50,13b
NO ANTIGO TESTAMENTO
Ao falar de Sua Pessoa pela primeira vez, Nosso Salvador comparou Seu agir ao do vento. Era uma clara referência à Sua divindade, que se expressa por Sua absoluta autonomia: "O vento sopra onde quer. Ouves o barulho, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. A mesma coisa acontece com quem nasceu do Espírito." Jo 3,8
Jesus e o Espírito Santo, pois, sempre existiram, mas estariam 'ocultos', esperando a plenitude dos tempos para manifestarem-Se ao povo de Deus, e através dele ao mundo. Falando por Deus, o Livro do Profeta Zacarias previu a simultânea Revelação destas Suas Pessoas, mencionando a Paixão de Nosso Redentor: "Derramarei um Espírito de Graça e oração, sobre a Casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim. Quanto Àquele que transpassaram, chorarão por Ele como se chora pelo único filho: amargamente vão chorá-Lo, como se chora por um primogênito." Zc 12,10
Era o que havia descrito o Profeta Isaías, listando os dons do Espírito Santo, dos quais Jesus é pleno, ao reafirmar a ascendência do Messias, no caso o pai do rei Davi: "Um Renovo sairá do tronco de Jessé, e um Rebento brotará de suas raízes. Sobre Ele repousará o Espírito do Senhor, Espírito de Sabedoria e de entendimento, Espírito de conselho e de fortaleza, Espírito de ciência e de piedade, Espírito de temor ao Senhor." Is 11,1-2
O remoto Livro do Profeta Joel foi pioneiro no anúncio da Vinda do Santo Paráclito, mas já dizia de Sua manifestação sobre toda a Igreja, como se deu no dia do Pentecostes: "Depois disso, acontecerá que derramarei Meu Espírito sobre todo ser vivo! Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, também derramarei Meu Espírito sobre escravos e escravas." Jl 3,1-2
Essa promessa foi repetida no Livro do Profeta Ageu, quando Deus fala: "Segundo o pacto que fiz convosco quando saístes do Egito, Meu Espírito habitará convosco. Não temais." Ag 2,5
De fato, dado a vida de pecado que se espalhou sobre a Terra, desde os primórdios Deus havia retirado Seu Espírito da humanidade. Está no Livro de Gênesis: "Meu Espírito não permanecerá para sempre no homem, porque todo ele é carne, e a duração de sua vida será de cento e vinte anos." Gn 6,3
Mas como único modo de levar o ser humano à verdadeira obediência, no Livro do Profeta Ezequiel Deus prometeu devolvê-Lo a Seu povo, assim como nosso Batismo de Água Viva, o que aconteceria após a manifestação do Cristo: "Derramarei sobre vós Puras Águas, que vos purificarão de todas vossas imundícies e de todas vossas abominações. Dá-vos-ei um novo coração, e colocarei um Novo Espírito dentro de vós. Tirarei de vós o coração de pedra e dá-lhes-ei um coração de carne. Em vós colocarei Meu Espírito, para fazer com que vivais de acordo com Meus estatutos, e observeis e coloqueis em prática Minhas normas." Ez 36,25-27
E no Livro do Profeta Jeremias prometeu que Sua leis estariam inscritas em nossos corações: "Eis a Aliança que então farei com a casa de Israel', Oráculo do Senhor: 'Incutir-lhe-ei Minha Lei, gravá-la-ei em seu coração." Jr 31,33
De sua tocante inspiração, o Livro dos Salmos já havia percebido a importância desta unção para vencer o pecado, pedindo a Deus: "... não retires de mim Teu Santo Espírito." Sl 50,13b
NO ANTIGO TESTAMENTO
Muito antes disso, porém, era pelo poder do Divino Espírito que Deus guiava Seu povo, como fez ainda nos tempos de Moisés, segundo o Livro de Números, embora apenas temporariamente: "O Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés. Tomou uma parte do Espírito que o animava e distribuiu-a sobre os setenta anciãos. Apenas repousara o Espírito sobre eles, começaram a profetizar, mas não continuaram." Nm 11,25
Isso aconteceu com todos Profetas, como na oração da cerimônia expiatória dos tempos do Livro do Profeta Neemias: "Vossa paciência para com eles durou muitos anos. Vós fazíeis-lhes admoestações pela inspiração de Vosso Espírito, que animava Vossos Profetas." Ne 9,30a
Aconteceu com o rei Davi, após ser ungido. O Primeiro Livro do Profeta Samuel atesta: "Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o Espírito do Senhor apoderou-Se de Davi." 1 Sm 16,13a
Aconteceu com um dos primeiros seguidores de Davi: "Então o Espírito entrou em Amasaí, chefe dos trinta, o qual disse: 'A ti, Davi, e contigo, filho de Isaí! Paz, Paz a ti e àquele que te protege, porque Teu Deus te presta auxílio.' Davi recebeu-os e deu-lhes um lugar entre os chefes do bando." 1 Cro 12,18
Havia acontecido com o Rei Saul, antes da unção de Davi: "O Espírito do Senhor retirou-Se de Saul, e um espírito mau veio sobre ele, enviado pelo Senhor." 1 Sm 16,14
O Livro do Profeta Daniel diz de seu caso: "A mão do Senhor veio ali sobre mim. 'Vamos', disse-me Ele, 'vai à planície, onde vou falar-te.' Então me pus a caminho para a planície, e eis que a Glória do Senhor lá estava, tal qual eu a havia contemplado às margens do Cobar. E caí com a face em terra. Mas o Espírito do Senhor entrou em mim para pôr-me em pé, enquanto me falava o Senhor: 'Vai encerrar-te em tua casa.'" Dn 3,22-24
E aconteceu com o Profeta Ezequiel, quando a divina Glória vai abandonar o Templo de Jerusalém: "Enquanto Ele me falava, em mim entrou o Espírito, e fez-me ficar de pé. Então ouvi Aquele que me falava. 'Filho do homem', dizia-me, 'envio-te aos israelitas, a essa nação de rebeldes, revoltada contra Mim, a qual, do mesmo modo que seus pais, vem pecando contra Mim até este dia. É a esses filhos de dura testa e de insensível coração que te envio, para dizer-lhes: 'Oráculo do Senhor Javé!' Quer te ouçam ou não (pois é uma indomável raça), hão de ficar sabendo que há um Profeta no meio deles!" Ez 2,2-5
O Livro da Sabedoria, de fato, já avisava de Suas restrições: "A Sabedoria não entrará na perversa alma nem habitará em corpo sujeito ao pecado. O Espírito Santo Educador das almas fugirá da perfídia, afastar-Se-á dos insensatos pensamentos, e a iniquidade que está por vir repeli-Lo-á." Sb 1,4-5
NO NOVO TESTAMENTO
Assim se cumpriram os tempos, e com a Vinda de Nosso Salvador, pouco antes de Sua Ascensão aos Céus, que se deu em Betânia (cf. Lc 24,50), Ele determinou aos Apóstolos referindo-Se a Jerusalém, como o Evangelho segundo São Lucas narrou: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Permanecei na cidade, entretanto, até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49
Realizando as profecias, então o Espírito Santo plenamente Se apresentou, quando a Igreja foi instituída e desde este dia ficou cheia de Sua Presença. Atesta o Livro dos Atos dos Apóstolos: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do Céu um ruído, como se soprasse um impetuoso vento, e encheu a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes, então, uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, como o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 2,1-4
Contudo, diferente dos tempos de Moisés e graças à Redenção realizada pela Paixão de Cristo, agora a unção do Santo Paráclito é total. A Carta de São Paulo a São Tito expressa: "... pelo Espírito Santo que nos foi concedido em profusão, por meio de Cristo, Nosso Salvador..." Tt 3,5b-6
Também o disse São João Batista, ao testemunhar a unção de Deus Pai sobre Jesus: "... porque Ele concede o Espírito sem medida." Jo 3,34
De fato, era Ele que, através do rito dos holocaustos, determinava que o Antigo Testamento ainda estava em vigência, pois os seguidores da tradição de São Paulo inscreveram na Carta aos Hebreus: "Com o que o Espírito Santo significava que o caminho do Santo dos Santos ainda não estava livre, enquanto subsistisse o primeiro tabernáculo." Hb 9,8
Contudo, diferente dos tempos de Moisés e graças à Redenção realizada pela Paixão de Cristo, agora a unção do Santo Paráclito é total. A Carta de São Paulo a São Tito expressa: "... pelo Espírito Santo que nos foi concedido em profusão, por meio de Cristo, Nosso Salvador..." Tt 3,5b-6
Também o disse São João Batista, ao testemunhar a unção de Deus Pai sobre Jesus: "... porque Ele concede o Espírito sem medida." Jo 3,34
De fato, era Ele que, através do rito dos holocaustos, determinava que o Antigo Testamento ainda estava em vigência, pois os seguidores da tradição de São Paulo inscreveram na Carta aos Hebreus: "Com o que o Espírito Santo significava que o caminho do Santo dos Santos ainda não estava livre, enquanto subsistisse o primeiro tabernáculo." Hb 9,8
E a Carta de São Paulo aos Romanos colocou nestes termos o que significou o Pentecostes: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez! Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,2-4
Ressaltando o Ministério do Santo Paráclito, a Carta de São Paulo aos Gálatas assim consolida a ruptura entre o Velho e o Novo Testamento: "Porém, se vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a Lei." Gl 5,18
A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz mais: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,7-8
Ele sentencia: "De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,13-14
Assim as Sagradas Escrituras podem ser corretamente interpretadas, como a Segunda Carta de São Pedro declarou. Impunha-se, em definitivo, a Tradição da Vinda do Cristo, plenamente manifesta em Jesus, e vedava-se toda e qualquer especulação pessoal quanto ao entendimento da Palavra de Deus: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de pessoal interpretação. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20-21
E a Primeira Carta de São Pedro assim explica: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas, que proferiram Oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e que profetizava os sofrimentos do mesmo Cristo, assim como as Glórias que deviam segui-los. Foi-lhes revelado que propunham não para si mesmos, senão para vós, estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,10-12
Ora, foi através do Divino Paráclito que Jesus instruiu os Apóstolos. São Lucas disse: "Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda sequência das ações e dos ensinamentos de Jesus, desde o início até o dia que foi arrebatado aos Céus, depois de ter dado pelo Espírito Santo Suas instruções aos Apóstolos que escolhera." At 1,1-2
Resistir à Santa Igreja, portanto, é resistir ao próprio Espírito de Deus, como Santo Estevão corrigiu os líderes religiosos judeus reunidos no Sinédrio, responsáveis pela crucificação de Jesus: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo." At 7,51
A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, em defesa dos ensinamentos da Igreja, diz o mesmo: "Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos infundiu Seu Santo Espírito." 1 Ts 4,8
E mentir à Igreja, aqui representada por São Pedro, é mentir ao Espírito Santo, é mentir a Deus: "Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus!'" At 5,3.4b
Porque Ele é a garantia que a Igreja tem, conforme a Carta de São Paulo aos Efésios: "N'Ele (Cristo) também vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,13-14
Como prometeu Jesus, a Primeira Carta de São João diz que Ele tudo nos ensina, desde os tempos em que não havia os Evangelhos, e só assim podemos permanecer na Unidade e em Comunhão com a Santíssima Trindade: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas coisas. Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se em vós permanecer o que ouvistes desde o princípio, também permanecereis vós no Filho e no Pai. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine, mas, como Sua Unção vos ensina todas coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei n'Ele, como ela vos ensinou." 1 Jo 2,20.24.27b
E o próprio Jesus havia determinado aos Apóstolos sobre os impenitentes: "Se se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se também se recusar ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17
O AUTOR DA GRAÇA
Pois era o Divino Paráclito que agia em São João Batista "para preparar um povo bem disposto (cf. Lc 1,17)" a receber o Messias, como o Arcanjo Gabriel disse ao sacerdote Zacarias, seu pai, quando avisou da gravidez de Santa Isabel: "Ele será para ti motivo de gozo e felicidade, e muitos alegrar-se-ão com seu nascimento. Porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo..." Lc 1,14-15
Unção esta dada pela Santíssima Virgem, quando visitou Santa Isabel logo após conceber Jesus: "Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu em seu seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 'Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu seio.'" Lc 1,41.44
Era Ele que agia no religioso Simeão, quando o Menino Jesus foi apresentado no Templo de Jerusalém: "Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a Consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao Templo. E tendo os pais apresentado o Menino Jesus, para a respeito d'Ele cumprirem os preceitos da Lei, tomou-O em seus braços e louvou a Deus nestes termos: 'Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação que preparastes diante de todos povos, como Luz para iluminar as nações, e para a Glória de Vosso povo de Israel." Lc 2,25-35
Foi Ele Quem ungiu Jesus para que se cumprisse as Escrituras, como o Nosso Senhor mesmo declarou no discurso inaugural de Sua Missão, na sinagoga de Nazaré, lendo uma profecia do Livro de Isaías, que havia falado por Si: "O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu. E enviou-Me para anunciar a Boa Nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção e aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os oprimidos, para publicar o ano da Graça do Senhor (Is 61,1-2)." Lc 4,18-19
É com Ele que Jesus unge Seus Sacerdotes, para que reconciliem o povo com Deus pelo Sacramento da Confissão. Ora, Ele tratou de fazê-lo logo em Sua primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos, no Domingo da Ressurreição: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'"Jo 20,22-23
Ele é o Guia da Igreja, que conduziu o Príncipe dos Apóstolos ao 'Pentecostes dos Gentios': "Enquanto Pedro refletia sobre a visão, disse-lhe o Espírito: 'Eis aí três homens que te procuram. Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque sou Eu Quem os enviou.'" At 10,19-20
Ele é nossa Crisma, como a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios assentou: "Ora, quem confirma a nós e a vós em Cristo, e consagrou-nos, é Deus. Ele marcou-nos com Seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito." 2 Cor 1,21-22
É Ele Quem unge a Igreja de Cristo, que são Seus verdadeiros seguidores, para que vivam em perfeita unidade. O Apóstolo dos Gentios pedia aos cristãos da cidade de Éfeso: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz." Ef 4,3
É Ele Quem instrui o povo de Deus, como se deu em Antioquia, quando São Paulo e São Barnabé foram escolhidos para evangelizar: "Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.'" At 13,2
É Ele Quem aponta à Igreja os caminhos, pelo sim e pelo não como o Amado Médico registrou as missões de São Paulo e São Timóteo: "Atravessando em seguida a Frígia e a província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra de Deus na província da Ásia. Ao chegarem aos confins de Mísia, tencionavam seguir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,6-7
É Ele que decide os Concílios da Igreja, a exemplo do de Jerusalém, o primeiro da Igreja, pois São Tiago Menor atestou: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
É Ele Quem nos inspira, Quem nos dá Sabedoria para o conhecimento e para a prática da vontade de Deus, como o Livro da Sabedoria já assentia: "E quem conhece Vossas intenções, se Vós não lhe dais a Sabedoria, e se do mais alto dos Céus Vós não lhe enviais Vosso Espírito Santo?" Sb 9,17
É d'Ele mesmo, aliás, que a Sabedoria se constitui: "Há nela, com efeito, Espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos espíritos: os inteligentes, os puros, os mais sutis." Sb 7,22-23
Só através d'Ele podemos perceber que Jesus é Deus, como São Paulo concluiu: "... ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3
Só através d'Ele, em Cristo Jesus, podemos ser Igreja, membros do Corpo de Cristo: "É n'Ele que vós conjuntamente também entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a morada de Deus." Ef 2,22
Só através d'Ele podemos celebrar o Santíssimo Sacramento em nossa Santa Missa, conforme a Carta de São Paulo aos Filipenses: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa Glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne." Fl 3,3
E só assim, em perfeita obediência a Jesus, recebemos a Graça de tornarmo-nos Sua morada: "Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se é que o Espírito de Deus realmente habita em vós." Rm 8,9a
Enfim, Ele quer-nos possessivamente para Si, o que é deduzido da Carta de São Tiago: "Ou imaginais que em vão diz a Escritura: 'Sois amados até o ciúme pelo Espírito que em vós habita?'" Tg 4,5
Pois Ele nos gerou, como um amigo no Livro de Jó disse: "Foi o Espírito de Deus que me fez, e o sopro do Todo-poderoso que me deu a vida." Jó 33,4
Já vimos, Jesus chamou-O de Espírito da Verdade, Consolador, Advogado, mas há várias e expressivas denominações. Acima, São Paulo indicou-O como Aquele que nos concede plena libertação. Vejamos: "De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,1-2
Indicou-O como Aquele que nos concede a divina filiação: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção, pelo Qual clamamos: 'Aba! Pai!'" Rm 8,15
E Aquele que nos concede a santificação: "... este Evangelho Deus prometera outrora pelos Seus Profetas na Sagrada Escritura, acerca de Seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor, descendente de Davi quanto à carne, que, segundo o Espírito de Santidade, em poder foi estabelecido Filho de Deus por Sua Ressurreição dos mortos." Rm 1,2-4
Este Santo é ainda mais místico ao identificá-Lo perante os coríntios: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,3
Também perante os cristãos da cidade de Filipos: "Pois sei que isto me resultará em Salvação, graças às vossas orações e ao socorro do Espírito de Jesus Cristo." Fl 1,19
Ou ainda perante os romanos: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b
Lembrando as perseguições que os cristãos sofrem, a Ele assim se referiu São Pedro: "Se fordes ultrajados pelo Nome de Cristo, bem-aventurados sois vós, porque o Espírito de Glória, o Espírito de Deus repousa sobre vós." 1 Pd 4,14b
Sabemos, enfim, que Pai, Filho e Espírito Santo vivem em perfeita unidade. São Três Pessoas, mas um só Deus. Eles sempre agem em Comunhão, mas costumamos 'separá-Los' por 'Suas funções', conforme Suas manifestações entre nós. O Pai seria o Criador, Jesus, o Salvador, e o Espírito Santo, o Autor de todas Graças: "Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o Sangue da Aliança, em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29
Já é usual retratá-Los ombro a ombro, em três figuras de Jesus. É uma inspirada visão, pois Ele mesmo disse a São Filipe: "Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheceste, Filipe! Aquele que Me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: 'Mostra-nos o Pai...'" Jo 14,9
E apesar de algumas referências bíblicas, a imagem de Deus Pai de cabelos brancos, como um ancião, pode não ser muito precisa. Deus não envelhece, para Ele não existe tempo, Ele vive a eternidade. E o Espírito Santo pode muito bem assumir a forma da Pessoa de Jesus.

Ressaltando o Ministério do Santo Paráclito, a Carta de São Paulo aos Gálatas assim consolida a ruptura entre o Velho e o Novo Testamento: "Porém, se vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a Lei." Gl 5,18
A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz mais: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,7-8
Ele sentencia: "De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,13-14
Assim as Sagradas Escrituras podem ser corretamente interpretadas, como a Segunda Carta de São Pedro declarou. Impunha-se, em definitivo, a Tradição da Vinda do Cristo, plenamente manifesta em Jesus, e vedava-se toda e qualquer especulação pessoal quanto ao entendimento da Palavra de Deus: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de pessoal interpretação. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20-21
E a Primeira Carta de São Pedro assim explica: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas, que proferiram Oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e que profetizava os sofrimentos do mesmo Cristo, assim como as Glórias que deviam segui-los. Foi-lhes revelado que propunham não para si mesmos, senão para vós, estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,10-12
Ora, foi através do Divino Paráclito que Jesus instruiu os Apóstolos. São Lucas disse: "Em minha primeira narração, ó Teófilo, contei toda sequência das ações e dos ensinamentos de Jesus, desde o início até o dia que foi arrebatado aos Céus, depois de ter dado pelo Espírito Santo Suas instruções aos Apóstolos que escolhera." At 1,1-2
Resistir à Santa Igreja, portanto, é resistir ao próprio Espírito de Deus, como Santo Estevão corrigiu os líderes religiosos judeus reunidos no Sinédrio, responsáveis pela crucificação de Jesus: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo." At 7,51
A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, em defesa dos ensinamentos da Igreja, diz o mesmo: "Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos infundiu Seu Santo Espírito." 1 Ts 4,8
E mentir à Igreja, aqui representada por São Pedro, é mentir ao Espírito Santo, é mentir a Deus: "Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus!'" At 5,3.4b
Porque Ele é a garantia que a Igreja tem, conforme a Carta de São Paulo aos Efésios: "N'Ele (Cristo) também vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,13-14
Como prometeu Jesus, a Primeira Carta de São João diz que Ele tudo nos ensina, desde os tempos em que não havia os Evangelhos, e só assim podemos permanecer na Unidade e em Comunhão com a Santíssima Trindade: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas coisas. Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se em vós permanecer o que ouvistes desde o princípio, também permanecereis vós no Filho e no Pai. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine, mas, como Sua Unção vos ensina todas coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei n'Ele, como ela vos ensinou." 1 Jo 2,20.24.27b
E o próprio Jesus havia determinado aos Apóstolos sobre os impenitentes: "Se se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se também se recusar ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17
Pois é o Espírito Santo que fala às dioceses, como Nosso Senhor repetidamente exortou as sete igrejas da Ásia, no Livro de Apocalipse de São João: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas..." Ap 2,7.11.17.29;3,6.13.22

O AUTOR DA GRAÇA
Pois era o Divino Paráclito que agia em São João Batista "para preparar um povo bem disposto (cf. Lc 1,17)" a receber o Messias, como o Arcanjo Gabriel disse ao sacerdote Zacarias, seu pai, quando avisou da gravidez de Santa Isabel: "Ele será para ti motivo de gozo e felicidade, e muitos alegrar-se-ão com seu nascimento. Porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo..." Lc 1,14-15
Unção esta dada pela Santíssima Virgem, quando visitou Santa Isabel logo após conceber Jesus: "Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu em seu seio, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 'Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu seio.'" Lc 1,41.44
Era Ele que agia no religioso Simeão, quando o Menino Jesus foi apresentado no Templo de Jerusalém: "Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a Consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao Templo. E tendo os pais apresentado o Menino Jesus, para a respeito d'Ele cumprirem os preceitos da Lei, tomou-O em seus braços e louvou a Deus nestes termos: 'Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação que preparastes diante de todos povos, como Luz para iluminar as nações, e para a Glória de Vosso povo de Israel." Lc 2,25-35
Foi Ele Quem ungiu Jesus para que se cumprisse as Escrituras, como o Nosso Senhor mesmo declarou no discurso inaugural de Sua Missão, na sinagoga de Nazaré, lendo uma profecia do Livro de Isaías, que havia falado por Si: "O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu. E enviou-Me para anunciar a Boa Nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção e aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os oprimidos, para publicar o ano da Graça do Senhor (Is 61,1-2)." Lc 4,18-19
É com Ele que Jesus unge Seus Sacerdotes, para que reconciliem o povo com Deus pelo Sacramento da Confissão. Ora, Ele tratou de fazê-lo logo em Sua primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos, no Domingo da Ressurreição: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'"Jo 20,22-23
Ele é o Guia da Igreja, que conduziu o Príncipe dos Apóstolos ao 'Pentecostes dos Gentios': "Enquanto Pedro refletia sobre a visão, disse-lhe o Espírito: 'Eis aí três homens que te procuram. Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque sou Eu Quem os enviou.'" At 10,19-20
Ele é nossa Crisma, como a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios assentou: "Ora, quem confirma a nós e a vós em Cristo, e consagrou-nos, é Deus. Ele marcou-nos com Seu selo e deu aos nossos corações o penhor do Espírito." 2 Cor 1,21-22
É Ele Quem unge a Igreja de Cristo, que são Seus verdadeiros seguidores, para que vivam em perfeita unidade. O Apóstolo dos Gentios pedia aos cristãos da cidade de Éfeso: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz." Ef 4,3
É Ele Quem instrui o povo de Deus, como se deu em Antioquia, quando São Paulo e São Barnabé foram escolhidos para evangelizar: "Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.'" At 13,2
É Ele Quem aponta à Igreja os caminhos, pelo sim e pelo não como o Amado Médico registrou as missões de São Paulo e São Timóteo: "Atravessando em seguida a Frígia e a província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra de Deus na província da Ásia. Ao chegarem aos confins de Mísia, tencionavam seguir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,6-7
É Ele que decide os Concílios da Igreja, a exemplo do de Jerusalém, o primeiro da Igreja, pois São Tiago Menor atestou: "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
É Ele Quem nos inspira, Quem nos dá Sabedoria para o conhecimento e para a prática da vontade de Deus, como o Livro da Sabedoria já assentia: "E quem conhece Vossas intenções, se Vós não lhe dais a Sabedoria, e se do mais alto dos Céus Vós não lhe enviais Vosso Espírito Santo?" Sb 9,17
É d'Ele mesmo, aliás, que a Sabedoria se constitui: "Há nela, com efeito, Espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos espíritos: os inteligentes, os puros, os mais sutis." Sb 7,22-23
Só através d'Ele podemos perceber que Jesus é Deus, como São Paulo concluiu: "... ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3
Só através d'Ele, em Cristo Jesus, podemos ser Igreja, membros do Corpo de Cristo: "É n'Ele que vós conjuntamente também entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a morada de Deus." Ef 2,22
Só através d'Ele podemos celebrar o Santíssimo Sacramento em nossa Santa Missa, conforme a Carta de São Paulo aos Filipenses: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa Glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne." Fl 3,3
E só assim, em perfeita obediência a Jesus, recebemos a Graça de tornarmo-nos Sua morada: "Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se é que o Espírito de Deus realmente habita em vós." Rm 8,9a
Enfim, Ele quer-nos possessivamente para Si, o que é deduzido da Carta de São Tiago: "Ou imaginais que em vão diz a Escritura: 'Sois amados até o ciúme pelo Espírito que em vós habita?'" Tg 4,5
Pois Ele nos gerou, como um amigo no Livro de Jó disse: "Foi o Espírito de Deus que me fez, e o sopro do Todo-poderoso que me deu a vida." Jó 33,4
Já vimos, Jesus chamou-O de Espírito da Verdade, Consolador, Advogado, mas há várias e expressivas denominações. Acima, São Paulo indicou-O como Aquele que nos concede plena libertação. Vejamos: "De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,1-2
Indicou-O como Aquele que nos concede a divina filiação: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção, pelo Qual clamamos: 'Aba! Pai!'" Rm 8,15
E Aquele que nos concede a santificação: "... este Evangelho Deus prometera outrora pelos Seus Profetas na Sagrada Escritura, acerca de Seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor, descendente de Davi quanto à carne, que, segundo o Espírito de Santidade, em poder foi estabelecido Filho de Deus por Sua Ressurreição dos mortos." Rm 1,2-4
Este Santo é ainda mais místico ao identificá-Lo perante os coríntios: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,3
Também perante os cristãos da cidade de Filipos: "Pois sei que isto me resultará em Salvação, graças às vossas orações e ao socorro do Espírito de Jesus Cristo." Fl 1,19
Ou ainda perante os romanos: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b
Lembrando as perseguições que os cristãos sofrem, a Ele assim se referiu São Pedro: "Se fordes ultrajados pelo Nome de Cristo, bem-aventurados sois vós, porque o Espírito de Glória, o Espírito de Deus repousa sobre vós." 1 Pd 4,14b
Sabemos, enfim, que Pai, Filho e Espírito Santo vivem em perfeita unidade. São Três Pessoas, mas um só Deus. Eles sempre agem em Comunhão, mas costumamos 'separá-Los' por 'Suas funções', conforme Suas manifestações entre nós. O Pai seria o Criador, Jesus, o Salvador, e o Espírito Santo, o Autor de todas Graças: "Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o Sangue da Aliança, em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29
Já é usual retratá-Los ombro a ombro, em três figuras de Jesus. É uma inspirada visão, pois Ele mesmo disse a São Filipe: "Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheceste, Filipe! Aquele que Me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: 'Mostra-nos o Pai...'" Jo 14,9
E apesar de algumas referências bíblicas, a imagem de Deus Pai de cabelos brancos, como um ancião, pode não ser muito precisa. Deus não envelhece, para Ele não existe tempo, Ele vive a eternidade. E o Espírito Santo pode muito bem assumir a forma da Pessoa de Jesus.

"Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de Vossos fieis e acendei neles o fogo de Vosso amor. Enviai, Senhor, Vosso Espírito, e tudo será recriado. E renovareis a face da Terra."