domingo, 3 de junho de 2018

A Igreja Católica


    A Igreja tem sua primeiríssima menção nas Escrituras logo após a declaração de São Pedro, quando nestes termos ele afirma a divina identidade de Jesus: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!" Mt 16,16
    Enquanto pedra fundamental da Igreja, o Príncipe dos Apóstolos fez-se notar por ser portador da Revelação, que é exatamente o primeiro atributo da Igreja que representa: "Jesus então lhe disse: 'Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas Meu Pai que está nos Céus.'" Mt 16,17
    É quando Nosso Salvador fala de Sua Igreja, prometendo que Ele mesmo a edifica na pessoa de São Pedro, e que ela jamais será derrotada: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18
    Também por uma sentença de Jesus, São Pedro é o único a receber, e de Suas próprias mãos, as chaves do Reino de Deus: "Eu dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos Céus." Mt 16,17-19
    Essas chaves representam a autoridade para decidir entre o certo e o errado, é a Luz do pleno conhecimento da vontade de Deus, expresso na correta interpretação das Escrituras e nas manifestações do Espírito Santo. Aliás, esta foi uma das reclamações de Jesus contra os doutores da Lei, pois eles manipulavam-nas em função de seus interesses: "Ai de vós, doutores da Lei, que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar." Lc 11,52
    Fica evidente, portanto, que Jesus nos deixou o dever de ouvir os Apóstolos: "Quem vos ouve, a Mim ouve; e quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou." Lc 10,16
    Devemos ouvir a Igreja, como Ele explicou nos casos em que, por uma ofensa à Verdade, temos o dever de corrigir nossos irmãos, que podem incorrer em punição de excomunhão: "Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17
    Com efeito, a Doutrina de Jesus, dos Apóstolos e da Igreja é uma só, e isso garantiu o sucesso da primeira comunidade logo após o Pentecostes, pois os fiéis "Eram perseverantes em ouvir a Doutrina dos Apóstolos..." At 2,42
    Jesus, contudo, não esclareceu plenamente todas as coisas, mas enviou Seu Espírito para que sempre nos ilumine sobre os assuntos que de fato importam saber: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13
    E garantiu que através do Santo Paráclito a memória de Sua Palavra estaria garantida: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensinar-vos-á todas as coisas e  recordar-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26
    Por fim, Jesus rezou ao Pai pelos Apóstolos para que eles permanecessem em perfeita união: "Pai Santo, guarda-os em Teu Nome, que Me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como Nós." Jo 17,11b
    Nessa ocasião também rezou para que nós, que ouviríamos os Apóstolos, vivêssemos em Perfeita Unidade com eles, ou seja, em total Comunhão, como prova de Sua Divindade: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em Mim. Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu Me enviaste." Jo 17,20-21
    E para a efetivação de tal união, que é a marca da Igreja, sobre ela derramou Sua Glória: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste, e amaste-os como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Mas tal unidade não é possível sem a santificação, que é realizada pela própria ação de Deus sobre aqueles que fielmente guardam Sua Palavra. Está nesta mesma oração ao Pai: "Dei-lhes Tua Palavra, mas o mundo odeia-os porque eles não são do mundo, como também Eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do Mal. Santifica-os pela Verdade. Tua Palavra é a Verdade. Como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. Santifico-Me por eles para que também eles sejam santificados pela Verdade." Jo 17,14-15.17-19
    E foi exatamente assim que os Apóstolos perseveraram, aliás, chegando às consequências do martírio. São João Evangelista, o único deles que morreu de velho, mas nem por isso padeceu menos, vai atestar essa Comunhão em sua primeira epístola: "... damos testemunho e anunciamo-vos a Vida Eterna, que estava no Pai e que a nós Se manifestou -, o que vimos e ouvimos nós anunciamo-vos, para que também vós tenhais Comunhão conosco. Ora, nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,2-3


UMA SÓ IGREJA

    Só pode haver, portanto, uma única Igreja, pois São Paulo afirma que ela é a própria "... Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15
    Essa unidade universal, isto é, entre todos os povos da terra, que é o sentido da palavra 'católica', foi prevista desde Daniel, que bem distinguiu o Cristo: "Olhando sempre a visão noturna, vi um Ser, semelhante ao Filho do Homem, vir sobre as nuvens do Céu: dirigiu-Se para o lado do Ancião, diante de Quem foi conduzido. A Ele foram dados império, Glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-nO. Seu domínio será eterno, nunca cessará, e Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,13-14
    E mesmo levando em conta tantas tradições e culturas, de tantos povos não-judeus, Jesus garantiu: "... ouvirão Minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor." Jo 10,16
    Não por acaso, o Pentecostes, que marcou o nascimento da Igreja, deu-se com a capacitação, dada pelo Espírito Santo, para que ela fale a todos os povos: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes, então, uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar em sua própria língua." At 2,1-6
    A própria terra de origem dos Apóstolos, e onde Jesus viveu até o início de Sua vida pública, era chamada Galileia das nações, dada a mistura de povos que aí já se verificava. Isso foi profetizado por Isaías: "No passado, Ele humilhou a terra de Zabulon e de Neftali, mas no futuro cobrirá de honras o Caminho do Mar, o Além do Jordão e o distrito das nações. O povo que andava nas trevas viu uma Grande Luz; raiou uma Luz sobre aqueles que habitavam uma tenebrosa região como a da morte." Is 8,23;9,1
    E assim, tão zeloso do povo que conquistara, o Apóstolo dos Gentios, ou seja, dos não-judeus, sequer admitia que pessoas de fora da Igreja fossem consultadas pelos fiéis: "No entanto, quando tendes contendas desse gênero, escolheis para juízes pessoas cuja opinião é tida em nada pela Igreja." 1 Cor 6,4
    Os seguidores da tradição de São Paulo também eram muito atenciosos para com os Sacerdotes da Igreja, e à toda comunidade recomendavam total apreço por seus trabalhos: "Sede submissos e obedecei aos que vos guiam (pois eles velam por vossas almas e delas devem dar conta)." Hb 13,17
    O próprio São Paulo também pedia encarecidamente por eles: "Suplicamo-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que arduamente trabalham entre vós para dirigir-vos no Senhor e admoestar-vos. Tende para com eles singular amor, em vista do cargo que exercem. Conservai a Paz entre vós." 1 Ts 5,12-13
    E quanto aos que se pretendem mestres, São Tiago Menor dava um sério conselho: "Meus irmãos, não haja muitos entre vós a arvorar-se em mestres; sabeis que seremos julgados mais severamente..." Tg 3,1
    Pois os verdadeiros Sacerdotes são aqueles que vêm sendo instituídos pela mesma e Sagrada Tradição desde o tempo dos Apóstolos, como disse São Paulo a São Timóteo: "O que de mim ouviste em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis que, por sua vez, sejam capazes de instruir a outros." 2 Tm 2,2
    Ele vai dizer o mesmo a São Tito, deixam muito claro que as condições de ordenação eram bem restritas: "Eu deixei-te em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres Anciãos em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei." Tt 1,5
    Quanto ao entendimento das Escrituras, especificamente, São Pedro, ele mesmo, que recebeu as chaves do Reino de Deus, avisa que a Palavra de Deus não pode ser interpretada de modo pessoal. Ao contrário, devemos acatar as revelações do Espírito Santo feitas à Igreja: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20-21
    Ora, o Divino Paráclito, Verdadeiro Guia da Igreja, para estes assuntos mostrou-Se presente desde o Primeiro Concílio, como registrou São Tiago Menor na carta escrita aos antioquenos, quando a circuncisão, secular prática dos judeus, foi abolida: "Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
    Como não poderia deixar de ser, e São Paulo confirma aos Anciãos da igreja de Éfeso, é Ele, e só Ele Quem unge os Bispos e Sacerdotes da Igreja: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28
    Sobre os Sacramentos, ademais, São Tiago Menor era absolutamente restritivo quanto aos Sacerdotes a quem devemos recorrer: "Está alguém enfermo? Chame os Sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em Nome do Senhor." Tg 5,14
    E sobre nossa reconciliação com Deus, conforme o poder dado pelo próprio Jesus, somente a Igreja pode conceder-nos o perdão dos pecados, agindo através de seus Sacerdotes pelo poder do Espírito de Deus. De fato, Jesus assim incumbiu os Apóstolos logo após Sua Ressurreição, em Sua primeira aparição ao colégio deles, então formado por Dez: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, assim também Eu vos envio.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.'" Jo 20,21-23


A IGREJA SANTA

    Antes, portanto, que se pense que a Igreja pode ser qualquer uma, é importante recordar o que disse São Paulo a respeito de sua luminosa santidade, ainda que eventualmente possa não estar expressa em algum de seus representantes: "... Cristo amou a Igreja e entregou-Se por ela, para santificá-la, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para apresentá-la a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25-27
    Ou seja, a Igreja não é santa porque ela assim se pretende, mas porque Jesus assim a constituiu, para nossa Salvação. Dessa forma, todos nossos dons devem estar orientados para sua dignidade, jamais para sua divisão ou sua ruína. Diz o último Apóstolo: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    O próprio Jesus tinha avisado: "... toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir." Mt 12,25
    E completou: "Quem não está Comigo está contra Mim; e quem Comigo não ajunta, espalha." Mt 12,30
    Nesse sentido, e por ser absolutamente essencial à nossa vitória, São Paulo afirma que Jesus "... é a Cabeça do corpo, da Igreja." Cl 1,18
    E assim a Igreja, que é o próprio Corpo Místico de Cristo, não tem como ser mais de uma: "Pois, como em um só corpo temos muitos membros, e cada um dos nossos membros tem diferente função, assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só Corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro." Rm 12,4,5
    Da mesma forma, e por óbvio, só há uma unção pelo Divino Paráclito: "Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo..." 1 Cor 12,13
    E ele é taxativo: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,16
    São João Evangelista diz que este é critério para atestar quem é cristão: "Quem observa Seus Mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E é nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24
    Ora, como Corpo de Cristo, a Igreja é, pela Graça de Jesus Eucarístico, a continuação da Encarnação do Nosso Salvador, a principal manifestação material das coisas de Deus aqui na terra. por isso São Paulo chama a: "... Igreja, que é Seu corpo, o receptáculo d'Aquele que enche todas as coisas sob todos aspectos." Ef 1,22-23
    E como Jesus havia prometido edificar Sua Igreja, ele vê-O 'preenchendo todas as coisas' e instituindo a hierarquia clerical para nosso pleno amadurecimento: "Aquele que desceu é também Aquele que subiu acima de todos os Céus, para encher todas as coisas. A uns Ele constituiu Apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo." Ef 4,10-13
    Ele explica que tais providências visam afastar os fiéis de tantas perniciosas heresias, criadas pela malícia humana, certamente por inspiração do inimigo: "Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios." Ef 4,14
    De fato, muitos até amam a Deus com alguma sinceridade, mas não se submetem nem conhecem a Sã Doutrina, como diz São Paulo sobre a recusa dos judeus para com Jesus: "Pois dou-lhes testemunho de que eles têm zelo por Deus, mas não com entendimento." Rm 10,2
    Por fim, temos a Palavra do próprio Deus, falando sobre Seu Filho e Seu Espírito, noticiando o que a Igreja representa para o mundo: "Eis Meu Servo que Eu amparo, Meu eleito ao Qual dou toda Minha afeição! Faço repousar sobre Ele Meu Espírito, para que leve o Direito às nações." Is 42,1

    "Em Comunhão com toda a Igreja aqui estamos!"