domingo, 2 de junho de 2019

A Santa Missa


REVIVER  E ATUALIZAR O SACRIFÍCIO PASCAL

    "Fazei isto em memória de Mim." Lc 22,19
    Foi pedido de Cristo que celebremos a Eucaristia, palavra grega que quer dizer ação de graças. Na Santa Missa, portanto, nós agradecemos a Deus pela obra da Salvação, e mais especificamente por Seu Sacrifício.
    É esse belo e importantíssimo episódio da Bíblia que se atualiza e se revive na celebração dominical. Primeiro Jesus ofereceu o Vinho, que materialmente é Seu Sangue derramado na Santa Cruz para a remissão de nossos pecados e como prova de Seu amor. Ele expressamente pediu que a Igreja o partilhasse: "Pegando o Cálice, deu graças e disse: 'Tomai este cálice e reparti-o entre vós. Pois, digo-vos: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus.'" Lc 22,17-18
    Depois ofereceu o Pão, que, pela mesma transubstanciação que ocorre ao Vinho, se torna Sua Carne, alimentos que nos dão a Vida Eterna: "Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado em favor de vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19
    São Paulo explicava: "Assim, todas vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice, anunciais a Morte do Senhor até que Ele venha." 1 Cor 11,26
    E esse tem sido o ritual que os cristãos praticam, desde os dias que se seguiram ao Pentecostes: "Eles perseveravam na Doutrina dos Apóstolos, na reunião em comum, na fração do Pão e nas orações." At 2,42
    Comungar, pois, é aceitar o Sacrifício de Jesus como verdadeiro e necessário, como a realidade maior que vivemos, pois durante a Santa Missa toda a Igreja também se oferece em sacrifício. São Paulo ensina: "Eu exorto-vos, portanto, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em vivo, santo e agradável sacrifício a Deus: é este vosso culto espiritual. Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,1.11
    Ele mesmo deu o exemplo: "O que falta às tribulações de Cristo, completo em minha carne, por Seu Corpo que é a Igreja." Cl 1,24
    Pede-nos: "Como amados filhos, pois, sede imitadores de Deus. Progredi na caridade segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós Se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor." Ef 5,1-2
    Diz: "... porque a vós é dado não somente crer em Cristo, mas ainda por Ele sofrer." Fl 1,29
    E detalha: "Pois com Ele fomos sepultados em Sua Morte pelo Batismo, para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela Glória do Pai, assim nós também vivamos uma Nova Vida. Sabemos que nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja reduzido à impotência o corpo outrora subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado." Rm 6,4.6
    De fato, segundo São Pedro essa é a razão de ser da Igreja: "... vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um santo sacerdócio, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo." 1 Pd 2,5
    Essa era a própria tradição dos judeus, desde o princípio, pois Deus determinou a Moisés o Dia das Expiações: "Tereis uma santa assembléia: humilhareis vossas almas e oferecereis ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo." Lv 23,27b
    Haveria, afinal, outra forma de ser cristão? São Paulo assevera: "Sempre trazemos em nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a Vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. Embora estando vivos, a toda hora somos entregues à morte por causa de Jesus, para que a Vida de Jesus também apareça em nossa carne mortal." 2 Cor 4,10-11
    Em que consistiria ser cristão, ou seja, conhecer e anunciar Cristo, ser Seu representante, senão participando de Seu Sacrifício? Ele diz: "Anseio pelo conhecimento, de Cristo e do poder da Sua Ressurreição, pela participação em Seus sofrimentos tornando-me semelhante a Ele na morte, com a esperança de conseguir a Ressurreição dentre os mortos." Fl 3,10-11
    E se ainda não o entendemos, é porque não nos convertemos de fato. Então fica a pergunta: estamos realmente fazendo a vontade de Deus? O Último Apóstolo esclarece: "Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Pois vós morrestes, e vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus." Cl 3,1-3
    Por isso recomenda: "Mortificai vossos membros, pois, no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria." Cl 3,5
    E assim explica o vigente Ministério do Espírito Santo: "Portanto, irmãos, não somos devedores da carne para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção pelo Qual clamamos: Aba! Pai!" Rm 8,12-15
    Segundo ele, isso se realiza quando conhecemos e começamos a vencer as tentações, oferecendo-nos em sacrifício por nós mesmos e por nossos semelhantes: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para carnais prazeres. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda Lei se encerra num só preceito: 'Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).' Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as más paixões e concupiscências." Gl 5,13-14.24
    Ora, são palavras do próprio Jesus: "Porque, quem quiser salvar sua vida, perdê-la-á. Mas quem perder sua vida por amor a Mim, salvá-la-á." Lc 9,24
    Os seguidores da tradição de São Paulo também exortam: "Por Jesus ofereçamos a Deus, sem cessar, sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram Seu Nome (Os 14,2)." Hb 13,15
    E assim se referiam à própria caridade: "Não negligencieis a beneficência e a liberalidade. Estes são sacrifícios que agradam a Deus!" Hb 13,16
    Pois só o ritual de Seu Sacrifício pode conduzir-nos à necessária santidade: "Foi em virtude desta vontade de Deus que de uma vez para sempre temos sido santificados, pela oblação do Corpo de Jesus Cristo." Hb 10,10


A VERDADEIRA COMUNHÃO

    Assim, morrer para o mundo é o único caminho para o cristão, como São Paulo diz aos romanos: "... com Ele fomos feitos o mesmo ser, por uma morte semelhante à Sua..." Rm 6,5
    Por isso pergunta aos coríntios o que fazemos de nossa vida: "Ou não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, que em vós habita, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
    É através de nossos corpos, portanto, que devemos dar Glórias: "Glorificai a Deus, pois, em vosso corpo." 1 Cor 6,20
    Ou seja, as restrições 'espirituais', que não impliquem verdadeira e total entrega, são puras fantasias: "Elas podem, sem dúvida, dar a impressão de Sabedoria, enquanto exibem voluntário culto, de humildade e austeridade corporal. Mas não têm real valor, e só servem para satisfazer a carne." Cl 2,23
    Eis porque ele desabona até a tradição judaica da circuncisão e exalta a Unção do Santo Paráclito, o prometido do Pai, pelo Qual nos é concedido celebrar a Santa Eucaristia: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne." Fl 3,3
    Ora, Jesus também já havia condenado vazios ritos: "Assim, por causa de vossa tradição anulais a Palavra de Deus. Hipócritas! É bem de vós que fala o Profeta Isaías: Este povo honra-Me com os lábios, mas seu coração está longe de Mim. Vão é o culto que Me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13).'" Mt 15,6-9
    E ensinou: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja." Jo 4,23
    Por crescente acomodação, de fato, a humanidade é sintomaticamente avessa às penitências. Busca apenas prazeres, muitos deles insanos, e assim se torna insensível aos sofrimentos alheios. Para com o Cristo, não foi diferente. Deus Pai já Lhe havia prescrito através de Ezequiel: "Filho do Homem, Eu envio-Te... É a esses filhos de dura cabeça e de insensível coração que Te envio... Quer Te escutem, quer não, pois são um bando de rebeldes, saberão que houve um Profeta entre eles." Ez 2,3-5
    E comungar é admitir que Seu Sacrifício foi cometido não apenas por romanos e judeus, mas por todos nós, e continua sendo todos dias quando não buscamos a verdadeira conversão. Jesus disse: "Nem todo aquele que Me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus." Mt 7,21
    Ou quando não ajudamos nem mesmo os que sofrem carências materiais, como Ele atestou: "Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me acolhestes; nu e não Me vestistes; enfermo e na prisão e não Me visitastes." Mt 25,42-43
    Enfim, aceitar a Comunhão é acreditar que Deus Encarnou, que Deus Se fez ser humano. São João Evangelista atestou: "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós, e vimos Sua Glória..." Jo 1,14
    É acreditar que Ele desceu do Céu para conosco partilhar as coisas divinas. São Pedro afirma: "Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." 2 Pd 1,4
    É acreditar que podemos sentar-nos à mesa com Ele: "Ao declinar da tarde, pôs-Se Jesus à mesa com os Doze discípulos." Mt 26,20
    É acreditar que Ele quer estar entre nós, mas através da Igreja: "Porque onde dois ou três estão reunidos em Meu Nome, aí estou Eu no meio deles." Mt 18,20
    A Comunhão Eucarística, portanto, é o maior dos Sacramentos, ao qual todos demais estão ordenados, como Ele mesmo ensinou: "... se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53


IGREJA, CASA DE DEUS

    A conclusão é clara: devemos unir-nos para agradecer a Deus por tantas Graças! Jesus previu que esse sinal seria dado ao mundo: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
    E tal Comunhão deve realizar-se na Igreja de Jesus, instituída nas pessoas dos Apóstolos, e por estrito intermédio de Seus obedientes Sacerdotes, como São Paulo ensina: "... podereis exercer toda espécie de generosidade que, por nosso intermédio, será ocasião de agradecer a Deus. ... que se multipliquem as ações de graças a Deus. ... pela obediência que professais ao Evangelho de Cristo..." 2 Cor 9,11-13
    'Amar a Deus' só em casa ou nas tarefas do dia-a-dia é um grave erro. Temos que prestar-Lhe culto em digno e apropriado lugar, e assim dar testemunho de nossa a toda gente. Os seguidores de São Paulo exortam nesse sentido: "Não abandonemos nossa Assembléia, como é costume de alguns, mas mutuamente aconselhando-nos..." Hb 10,25
    São Paulo recomenda a São Timóteo nossa constante presença entre os verdadeiros membros da Igreja: "Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a fé, a caridade e a Paz, em companhia daqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    E advertiu os coríntios: "Não vos deixeis enganar: más companhias corrompem bons costumes. Despertai, como convém, e não pequeis! Porque alguns vivem na total ignorância de Deus. Para vergonha vossa digo-o." 1 Cor 15,33-34
    O Eclesiástico também já ensinava: "Anda na companhia do povo santo, com aqueles que vivem e proclamam a Glória de Deus." Eclo 17,25
    Sem dúvida, é exatamente isso que diz um versículo na sequência dos 10 Mandamentos, quando Deus nos promete vital proteção: "Prestarás culto ao Senhor Teu Deus, e então Eu abençoarei teu pão e tua água, e preservar-te-ei da enfermidade." Ex 23,25
    São Paulo também adverte os romanos do perigo da irreligiosidade, e assim a omissão de testemunho, denunciando os que se entregam à aridez espiritual: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade. Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos." Rm 1,21-22
    Ora, a ação de graça era a prática dos Apóstolos desde os primeiros anos da Igreja, como vemos desde o início dos ministérios de São Barnabé e São Paulo: "Durante um ano inteiro, eles tomaram parte nas reuniões da comunidade e instruíram grande multidão, de maneira que em Antioquia é que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados pelo nome de cristãos." At 11,26
    Nesses primitivos cultos, que culminaram na Santa Missa, o Espírito Santo instruía-lhes: "Então havia na igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, amigo de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. Enquanto celebravam o Culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.' Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e despediram-nos." At 13,1-3
    E tal celebração era feita no Domingo, para reverenciar o dia da Ressurreição do Senhor: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o Pão, Paulo, que havia de viajar no seguinte dia, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite." At 20,7
    Até o cego de nascença, curado por Jesus, sabia a importância de prestar culto a Deus: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31
    Pois a ação de graças é uma questão de reconhecimento pela dádiva que é a Invencível Igreja: "Sim, possuindo nós um Inabalável Reino, dediquemos a Deus um reconhecimento que Lhe torne agradável nosso culto..." Hb 12,28a
    O sacerdote Zacarias, pai de São João Batista, sabia que essa promessa se cumpriria com a Vinda de Jesus: "... de conceder-nos que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e justiça, em Sua presença, todos dias da nossa vida." Lc 1,73b-75
    Havia muito tempo, porém, que o Eclesiástico já notava a relutância de alguns: "Mas o culto de Deus é abominado pelo pecador." Eclo 1,32
    Mas vale lembrar, que, mesmo estando o Templo de Jerusalém tomado por ladrões, Jesus não desistiu dele. E até citou os Profetas que havia séculos já denunciavam essa situação: "Jesus entrou no Templo e dali expulsou todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas, e disse-lhes: 'Está escrito: Minha Casa é Casa de Oração (Is 56,7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11)!'" Mt 21,12-13
    Em resposta à Nossa Senhora e a São José, Jesus, desde os doze anos, quando ficou em Jerusalém após a Páscoa, já tinha declarado Seu indefectível vínculo com este sagrado lugar: "Jesus respondeu: 'Por que Me procuráveis? Não sabeis que devo estar na Casa de Meu Pai?'" Lc 2,49
    Esse amor foi antecipadamente cantado nos Salmos: "É que o zelo de Vossa Casa Me consumiu..." Sl 68,10
    Mais: "Cumprirei meus votos para com o Senhor em presença de todo Seu povo, nos átrios da Casa do Senhor..." Sl 116,8-9a
    Outra vez aqui: "Que alegria quando vieram dizer-me: 'Vamos subir à Casa do Senhor...'" Sl 121,1
    E ainda aqui: "Aleluia! Louvai o Senhor em Seu Santuário..." Sl 150,1a
    Com efeito, o que dizia Davi sobre o lugar apropriado para a anunciação da Palavra do Senhor? "Anunciarei Teu Nome a meus irmãos, em meio à Assembléia cantarei Teus louvores." Sl 21,23
    E a promessa da Vinda do Divino Paráclito, que se vinculava ao Sacrifício Pascal, tinha lugar específico para se cumprir. Deus disse através do Profeta Zacarias: "Derramarei um Espírito de Graça e oração sobre a Casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim. Quanto Àquele que transpassaram, chorarão por Ele como se chora pelo filho único. Amargamente vão chorá-Lo, como se chora por um primogênito." Zc 12,10
    Note-se, ademais, o que São Paulo diz sobre a finalidade dos dons espirituais: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    Pois assim age o Santo Paráclito, e a Salvação através da Igreja é a vontade de Deus: "A cada um é dada a manifestação do Espírito para comum proveito." 1 Cor 12,7
    E se nos achamos tão religiosos em nossa fé e piedade, e até mais que os que frequentam a Santa Missa, São Pedro recomenda: "Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu..." 1 Pd 4,10
    São Paulo completa: "Temos diferentes dons, conforme a Graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom da profecia, exerça-o conforme a fé. Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a Misericórdia, que o faça com afabilidade." Rm 12,6-8
    E ele sempre tinha em foco, trabalhando na obra da Salvação, o que é mais importante: "... para que a Assembléia receba edificação." 1 Cor 14,5
    Por isso já estabelecia regras para o dom de línguas exaltando o da profecia, que hoje equivale a exortação feita pelo Padre durante a homilia: "Empenhai-vos em procurar a caridade. Igualmente aspirais aos dons espirituais, mas sobretudo ao de profecia. Aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala misteriosas coisas, sob a ação do Espírito. Aquele, porém, que profetiza fala aos homens, para edificá-los, exortá-los e consolá-los. Aquele que fala em línguas edifica a si mesmo, mas o que profetiza, edifica a assembléia." 1 Cor 14,1-4
    E zelava por um verdadeiro culto a Deus e à Revelação, e de amor à Verdade: "Se, porém, todos profetizarem, e aí entrar um infiel ou um simples homem, por todos ele é convencido, por todos ele é julgado. Os segredos de seu coração tornam-se manifestos. Então, prostrado com a face em terra, adorará a Deus e proclamará que Deus realmente está entre vós." 1 Cor 14,24-25
    Na verdade, todos dons eram acolhidos, mas a finalidade era sempre a mesma: "Em suma, que dizer, irmãos? Quando vos reunis, quem dentre vós tem um cântico, um ensinamento, uma revelação, um discurso em línguas, uma interpretação a fazer... Que isto se faça de modo a edificar." 1 Cor 14,26
    E em nome desse objetivo maior, ele já fazia restrições ao número de oradores: "Se há quem fala em línguas, não falem senão dois ou três, quando muito, e cada um por sua vez, e haja alguém que interprete. Se não houver intérprete, fiquem calados na reunião, e falem consigo mesmos e com Deus. Quanto aos profetas, falem dois ou três, e os outros julguem." 1 Cor 14,27-29
    Além, claro, das restrições visando qualidade, ou seja, fidelidade ao Evangelho, sem transes, arrebatamentos ou espúrias inspirações: "O espírito dos profetas deve estar-lhes submisso, porquanto Deus não é Deus de confusão, mas de Paz." 1 Cor 14,33
    Nosso Santo ainda tinha outras recomendações, mas nem tudo se fez por escrito: "As demais coisas eu determinarei quando for ter convosco." 1 Cor 11,34b


GRANDE MISTÉRIO

    E a ação de graças sempre deve ser feita, a despeito da situação que vivamos, como ele estimulava os filipenses: "Não vos inquieteis com nada! Em todas circunstâncias apresentai a Deus vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças." Fl 4,6
    Também aos colossenses: "Sede perseverantes, sede vigilantes na oração, acompanhada de ações de graças." Cl 4,2
    Se realmente amamos a Deus, pois, devemos evitar os preconceitos e as diferenças entre nós. São Paulo corrigia: "Em primeiro lugar, ouço dizer que, quando vossa Assembléia se reúne, há desarmonias entre vós." 1 Cor 11,18
    Ora, Jesus pediu que nos adiantássemos em desfazer as intrigas, principalmente nos cultos: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do altar, e lembrar-te que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do altar e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão. Só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24
    E mais ainda devemos estar em Paz com Deus, ou seja, em reais condições de comungar, com os pecados devidamente confessados, perdoados e penitenciados. São Paulo diz: "Portanto, todo aquele que indignamente comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor, será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que O come e O bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação. Esta é a razão porque entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados." 1 Cor 11,27-31
    Ele reclama de falsas eucaristias: "E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o Cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios." 1 Cor 10,20b-21
    Exorta, portanto: "Purificai-vos do velho fermento para que sejais nova massa, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, Nossa Páscoa, foi imolado. Celebremos, pois, a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães não fermentados, de pureza e de Verdade." 1 Cor 5,7-8
    E diz aos tessalonicenses: "Esta é a vontade de Deus: vossa santificação! Que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba santa e honestamente possuir seu corpo, sem se deixar levar por desregradas paixões como os pagãos que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém oprima nem defraude a seu irmão, porque o Senhor faz justiça de todas estas coisas, como já vo-lo temos dito e asseverado." 1 Ts 4,3-6
    O salmista já cantava: "Quem será digno de subir ao monte do Senhor? Ou de permanecer em Seu lugar santo? Aquele que tem limpas mãos e puro coração, cujo espírito não busca as vaidades nem perjura para enganar seu próximo. Este terá a bênção do Senhor, e a recompensa de Deus, Seu Salvador. Tal é a geração daqueles que O procuram, daqueles que buscam a face do Deus de Jacó." Sl 23,3-6
    Ora, essa era um prática dos chefes dos judeus ao tempo de Jesus, vista quando Ele foi julgado por Pilatos: "Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa." Jo 18,28b
    Bem como de todo povo: "Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muita gente de todo país subia a Jerusalém antes da Páscoa para purificar-se." Jo 11,55
    E São João Evangelista aponta a verdadeira Comunhão: "A Boa Nova que d'Ele temos ouvido e anunciamo-vos é esta: Deus é Luz e n'Ele não há treva alguma. Se dizemos ter Comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos Comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,5-7
    Pois até mesmo os anjos precisam contemplar o que acontece na Igreja para entender como a Sabedoria de Deus se expressa no mundo: "Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da divina Sabedoria..." Ef 3,10
    Por isso, São Paulo não tem dúvida quanto ao lugar onde devemos agradecer a Deus: "... a Ele seja dada glória na Igreja..." Ef 3,21
    Pois para isso Deus reuniu-nos em Cristo: "N'Ele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio d'Aquele que tudo realiza por um deliberado ato de Sua vontade, para servirmos à celebração de Sua Glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo." Ef 1,11-12
    E não poderia ser de outra forma! Nosso Santo incisivamente prega: "... Cristo é o chefe da Igreja, que é Seu Corpo, da qual Ele é o Salvador. ... a Igreja é submissa a Cristo... Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela... Certamente, ninguém jamais aborreceu sua própria carne. Ao contrário, cada qual alimenta-a e trata-a, como Cristo faz à Sua Igreja... Grande mistério é este, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja." Ef 5,23-25.29.32
    Nosso comportamento dentro dela, portanto, assim como fazem os anjos, deve mesmo ser de perfeita contrição e adoração. É nela que encontramos e conhecemos a Verdade, que é Jesus. Ele recomenda a São Timóteo: "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15
    Aí também está a importância do Padre, que representa Cristo. São Tiago Menor é taxativo quanto a quem devemos recorrer: "Chame os Sacerdotes da Igreja..." Tg 5,14
    São Paulo, de fato, reclamou de certas consultas: "No entanto, quando tendes contendas desse gênero, para juízes pessoas escolheis cuja opinião é tida como nada pela Igreja." 1 Cor 6,4
    Sem dúvida, falando às sete dioceses da época, no livro do Apocalipse a cada uma delas São João Evangelista vai repetir a mesma fórmula, deixando claro Quem nos fala através das dioceses: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." Ap 2,7
    Isso confirma o que foi dito pelo próprio Jesus: "... se também recusar ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17
    Desprezar a Igreja, portanto, é um absurdo. Já vimos: "... Cristo amou a Igreja e Se entregou por ela..." Ef 5,25
    Ora, a Igreja é de Jesus! É Ele Quem a edifica: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja." Mt 16,18a
    E Ele mesmo afirmou que ela é indefectível: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18b
    Quanto às doutrinas inventadas pelo ser humano, Ele vai dizer: "Toda planta que Meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz." Mt 15,13
    O Catecismo limpidamente ensina: "Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorar, dia a dia, a Graça de Deus." CIC 1651
    É o primeiro Mandamento da Igreja: "Participar da Missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho." CIC 2042
    A Santa Missa, por fim, é uma representação do ritual que acontece no Céu, revelados no Apocalipse. Isso terminantemente explica porque ela deve ser solene e séria: "Estes Seres tinham cada um seis asas cobertas de olhos por dentro e por fora. Não cessavam de clamar dia e noite: 'Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Dominador, Aquele-que-é, Aquele-que-era e Aquele-que-vem.' E cada vez que aqueles Seres rendiam glória, honra e ação de graças Àquele que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro Anciãos reverentemente inclinavam-se diante d'Aquele que estava no trono... e depunham suas coroas diante do trono, dizendo: 'Tu és digno Senhor, Nosso Deus, de receber a honra, a glória e a majestade, porque criaste todas coisas, e por Tua vontade é que existem e foram criadas.' E todos anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres. Prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: 'Amém, louvor, Glória, Sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao Nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém.'" Ap 4,8-11;7,11-12

    O termo 'Missa' vem da exortação feita por Jesus antes de subir aos Céus, quando disse: "Ide por todo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura." Mc 16,15
    Por isso, ao final das celebrações em latim, há séculos é feita uma análoga exortação: "Ite, missa est."
    No Brasil, essa expressão foi adaptada para nossa já tradicional: "Ide em Paz e o Senhor vos acompanhe."
    O termo 'missa' do latim, portanto, representa o envio feito por Jesus. É o mesmo radical da palavra 'missio', que originou o termo 'missão'. Assim, a literal tradução das palavras finais da Santa Missa em latim é: "Vão (anunciar), é missão."

    "Fazei de nós um sacrifício de louvor!"
    "Fazei de nós uma perfeita oferenda!"
    "Com Jesus oferecemos, ó Pai, nossa vida!"