sábado, 2 de junho de 2018

A Santa Missa


REVIVER  E ATUALIZAR O SACRIFÍCIO PASCAL

    "Fazei isto em memória de Mim." Lc 22,19
    Foi pedido de Cristo que com frequência celebremos a Eucaristia, palavra grega que quer dizer ação de graças. Na Santa Missa, portanto, nós agradecemos a Deus pela obra da Salvação, e mais especificamente pelo Sacrifício Pascal.
    É esse belo e importantíssimo episódio bíblico que se atualiza e se revive na celebração dominical. Primeiro Jesus ofereceu o Vinho, que é materialmente Seu Sangue derramado na Santa Cruz, como prova de Seu amor. Ele pediu expressamente que a Igreja o partilhasse: "Pegando o Cálice, deu graças e disse: 'Tomai este cálice e reparti-o entre vós. Pois, digo-vos: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus.'" Lc 22,17-18
    Depois ofereceu o Pão, que, pela mesma transubstanciação que ocorre ao Vinho, torna-se Sua Carne, alimentos que nos dão a Vida Eterna: "Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado em favor de vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,19
    São Paulo explicava: "Assim, todas as vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice, anunciais a morte do Senhor até que Ele venha." 1 Cor 11,26
    E esse tem sido o ritual que os cristãos praticam, desde os dias que se seguiram ao Pentecostes: "Perseveravam eles na Doutrina dos Apóstolos, na reunião em comum, na fração do Pão e nas orações." At 2,42
    Comungar, pois, é aceitar o Sacrifício de Jesus como verdadeiro e necessário, como a realidade maior que vivemos, pois durante a Santa Missa toda a Igreja também se oferece em sacrifício. São Paulo ensina: "Eu exorto-vos, portanto, irmãos, pelas Misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este vosso culto espiritual. Não relaxeis vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor." Rm 12,1.11
    Ele mesmo deu o exemplo: "O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por Seu Corpo que é a Igreja." Cl 1,24
    Diz: "... porque a vós é dado não somente crer em Cristo, mas ainda por Ele sofrer." Fl 1,29
    E detalha: "Fomos, pois, sepultados com Ele na Sua morte pelo Batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela Glória do Pai, assim nós também vivamos uma Nova Vida. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja reduzido à impotência o corpo outrora subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado." Rm 6,4.6
    De fato, segundo São Pedro essa é a razão de ser da Igreja: "... vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um santo sacerdócio, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo." 1 Pd 2,5
    Essa era a própria tradição dos judeus, desde o princípio, pois Deus determinou a Moisés o Dia das Expiações: "Tereis uma santa assembléia: humilhareis vossas almas e oferecereis ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo." Lv 23,27b
    Haveria, afinal, outra forma de ser cristão? São Paulo assevera: "Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus para que também a Vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus, para que também a Vida de Jesus apareça em nossa carne mortal." 2 Cor 4,10-11
    Ora, em que consistiria ser cristão, ou seja, conhecer e anunciar Cristo, ser Seu representante, senão participando de Seu Sacrifício? Ele diz: "Anseio pelo conhecimento, de Cristo e do poder da Sua Ressurreição, pela participação em Seus sofrimentos, tornando-me semelhante a Ele na morte, com a esperança de conseguir a Ressurreição dentre os mortos." Fl 3,10-11
    E se ainda não o entendemos, é porque não nos convertemos de fato. Fica então a pergunta: estamos realmente fazendo a vontade de Deus? O último Apóstolo esclarece: "Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Pois vós morrestes, e vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus." Cl 3,1-3
    Por isso, recomenda: "Mortificai, pois, vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria." Cl 3,5
    Segundo ele, isso se realiza quando conhecemos e começamos a vencer as tentações, oferecendo-nos em sacrifício por nós mesmos e por nossos semelhantes: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a Lei se encerra num só preceito: 'Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).' Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as más paixões e concupiscências." Gl 5,13-14.24
    Ora, são palavras do próprio Jesus: "Porque, quem quiser salvar sua vida, perdê-la-á; mas quem perder sua vida por amor a Mim, salvá-la-á." Lc 9,24
    Os seguidores de São Paulo também exortam: "Por Jesus ofereçamos a Deus, sem cessar, sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram Seu Nome (Os 14,2)." Hb 13,15
    Pois só o ritual de Seu Sacrifício pode conduzir-nos à santidade: "Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados de uma vez para sempre, pela oblação do Corpo de Jesus Cristo." Hb 10,10


A VERDADEIRA COMUNHÃO

    Assim, morrer para o mundo é o único caminho para o cristão, como diz São Paulo aos romanos: "... fomos feitos o mesmo ser com Ele, por uma morte semelhante à Sua..." Rm 6,5
    Por isso, ele pergunta aos coríntios o que fazemos de nossos corpos: "Ou não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
    É através de nossos corpos, portanto, que devemos dar Glórias: "Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo." 1 Cor 6,20
    Ou seja, as restrições 'espirituais', que não impliquem verdadeira e total entrega, são puras fantasias: "Elas podem, sem dúvida, dar a impressão de Sabedoria, enquanto exibem voluntário culto, de humildade e austeridade corporal. Mas não têm nenhum valor real, e só servem para satisfazer a carne." Cl 2,23
    Eis porque ele desabona até a tradição judaica da circuncisão e exalta a unção do Santo Paráclito, o prometido do Pai, pelo Qual nos é concedido celebrar a Santa Eucaristia: "Porque os verdadeiros circuncisos somos nós, que prestamos culto a Deus pelo Espírito de Deus, e pomos nossa glória em Jesus Cristo, e não confiamos na carne." Fl 3,3
    Ora, Jesus também já havia condenado esses ritos vazios: "Vão é o culto que Me prestam, porque ensinam preceitos que só vêm dos homens (Is 29,13)." Mt 15,9
    E ensinou: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja." Jo 4,23
    Por crescente acomodação, de fato, a humanidade é sintomaticamente avessa às penitências. Busca apenas prazeres, muitos deles insanos, e assim se torna insensível aos sofrimentos alheios. Para com o Cristo, não foi diferente. Deus Pai já Lhe havia prescrito através de Ezequiel: "Filho do Homem, Eu envio-Te... É a esses filhos de cabeça dura e de coração insensível que Te envio... Quer Te escutem, quer não - pois são um bando de rebeldes - saberão que houve um Profeta entre eles." Ez 2,3-5
    E comungar é admitir que Seu Sacrifício foi cometido não apenas por romanos e judeus, mas por todos nós, e continua sendo todos os dias quando não buscamos a verdadeira conversão. Disse Jesus: "Nem todo aquele que Me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai, que está nos Céus." Mt 7,21
    Ou quando não ajudamos nem mesmo os que sofrem carências materiais, como Ele atestou: "Porque tive fome e não Me destes de comer; tive sede e não Me destes de beber; era peregrino e não Me acolhestes; nu e não Me vestistes; enfermo e na prisão e não Me visitastes." Mt 25,42-43
    Enfim, aceitar a Comunhão é acreditar que Deus Encarnou, que Deus Se fez ser humano. São João Evangelista atestou: "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós, e vimos Sua Glória..." Jo 1,14
    É acreditar que Ele desceu do Céu para conosco partilhar as coisas divinas, como disse São Pedro: "Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." 2 Pd 1,4
    É acreditar que podemos sentar-nos à mesa com Ele: "Ao declinar da tarde, pôs-Se Jesus à mesa com os Doze discípulos." Mt 26,20
    É acreditar que Ele quer estar entre nós, mas através da Igreja: "Porque onde dois ou três estão reunidos em Meu Nome, aí estou Eu no meio deles." Mt 18,20
    A Comunhão Eucarística, portanto, é o maior dos Sacramentos, ao qual todos os demais estão ordenados, como Ele mesmo ensinou: "... se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53


IGREJA, CASA DE DEUS

    A conclusão é clara: devemos reunir-nos para agradecer a Deus por tantas Graças! Jesus previu que esse sinal seria dado ao mundo: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
    E tal Comunhão deve realizar-se na Igreja de Jesus, instituída nas pessoas dos Apóstolos, e por estrito intermédio dos Seus obedientes Sacerdotes, como ensina São Paulo: "... podereis exercer toda espécie de generosidade que, por nosso intermédio, será ocasião de agradecer a Deus. ... que se multipliquem as ações de graças a Deus. ... pela obediência que professais ao Evangelho de Cristo..." 2 Cor 9,11-13
    'Amar a Deus' só em casa ou nas tarefas do dia-a-dia é um grave erro. Temos que prestar-Lhe culto num lugar digno e apropriado, e assim dar testemunho da nossa  a toda gente. Os seguidores da tradição de São Paulo exortam nesse sentido: "Não abandonemos nossa Assembléia, como é costume de alguns, mas aconselhando-nos mutuamente..." Hb 10,25
    São Paulo recomenda a São Timóteo a constante companhia dos verdadeiros membros da Igreja: "Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a fé, a caridade e a Paz, junto àqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    E advertiu os coríntios: "Não vos deixeis enganar: más companhias corrompem bons costumes. Despertai, como convém, e não pequeis! Porque alguns vivem na total ignorância de Deus - para vergonha vossa o digo." 1 Cor 15,33-34
    O Eclesiástico também já ensinava: "Anda na companhia do povo santo, com aqueles que vivem e proclamam a Glória de Deus." Eclo 17,25
    Sem dúvida, é exatamente isso que diz um versículo na sequência dos 10 Mandamentos, quando Deus nos promete uma vital proteção: "Prestarás culto ao Senhor Teu Deus, e então Eu abençoarei teu pão e tua água, e preservar-te-ei da enfermidade." Ex 23,25
    São Paulo também adverte os romanos do perigo da irreligiosidade, e assim a omissão de testemunho, denunciando os que se entregam à aridez espiritual: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade. Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos." Rm 1,21-22
    Ora, a ação de graça era a prática dos Apóstolos desde os primeiros anos da Igreja, e era nesses primitivos cultos, que culminaram na Santa Missa, que o Espírito Santo lhes instruía: "Havia então na igreja de Antioquia profetas e doutores, entre eles Barnabé, Simão, apelidado o Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. Enquanto celebravam o Culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.' Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram." At 13,1-3
    E tal celebração era feita no Domingo, para reverenciar o dia da Ressurreição do Senhor: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o Pão, Paulo, que havia de viajar no dia seguinte, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite." At 20,7
    Até o cego de nascença, curado por Jesus, sabia a importância de prestar culto a Deus: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31
    Pois a ação de graças é uma questão de reconhecimento: "... dediquemos a Deus um reconhecimento que Lhe torne agradável nosso culto..." Hb 12,28
    Havia muito tempo, porém, que o Eclesiástico já notava a relutância de alguns: "Mas o culto de Deus é abominado pelo pecador." Eclo 1,32
    Vale lembrar, porém, que, mesmo estando tomado por ladrões, Jesus não desistiu do Templo de Jerusalém. E até citou os Profetas que havia séculos já denunciavam essa situação: "Jesus entrou no Templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas, e disse-lhes: 'Está escrito: Minha Casa é Casa de Oração (Is 56,7), mas vós dela fizestes um covil de ladrões (Jr 7,11)!'" Mt 21,12-13
    Em resposta à Nossa Senhora e a São José, Jesus, desde os doze anos, quando ficou em Jerusalém após a Páscoa, já tinha declarado Seu indefectível vínculo com este lugar sagrado: "Jesus respondeu: 'Por que Me procuráveis? Não sabeis que devo estar na Casa de Meu Pai?'" Lc 2,49
    Esse amor era cantado nos Salmos: "É que o zelo de Vossa Casa me consumiu..." Sl 68,10
    Mais: "Cumprirei meus votos para com o Senhor, na presença de todo Seu povo, nos átrios da Casa do Senhor..." Sl 116,8-9a
    E outra vez aqui: "Que alegria quando me vieram dizer: 'Vamos subir à Casa do Senhor...'" Sl 121,1
    Com efeito, o que dizia Davi sobre o lugar apropriado para a anunciação da Palavra do Senhor? "Anunciarei Teu Nome a meus irmãos, no meio da Assembléia cantarei Teus louvores." Sl 21,23
    E a promessa da Vinda do Divino Paráclito, que se vinculava ao Sacrifício Pascal, tinha lugar específico para se cumprir. Deus disse através do Profeta Zacarias: "Derramarei um Espírito de Graça e oração sobre a Casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém, e eles olharão para Mim. Quanto Àquele que transpassaram, chorarão por Ele como se chora pelo filho único; vão chorá-Lo amargamente, como se chora por um primogênito." Zc 12,10
    Note-se, ademais, o que diz São Paulo sobre a finalidade dos dons espirituais: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    E se nos achamos tão religiosos em nossa fé e piedade, e até mais que os que frequentam a Santa Missa, São Pedro recomenda: "Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu..." 1 Pd 4,10
    São Paulo completa: "Temos diferentes dons, conforme a Graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom da profecia, exerça-o conforme a fé. Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade." Rm 12,6-8
    E ele sempre tinha em foco, trabalhando na obra da Salvação, o que é mais importante: "... para que a Assembléia receba edificação." 1 Cor 14,5
    Por isso, mesmo estando o culto cristão ainda em seus rudimentos, ele já estabelecia regras para o dom de línguas exaltando o da profecia, que hoje equivale a exortação feita pelo Padre durante a homilia: "Empenhai-vos em procurar a caridade. Aspirai igualmente aos dons espirituais, mas sobretudo ao de profecia. Aquele que fala em línguas não fala aos homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas, sob a ação do Espírito. Aquele, porém, que profetiza fala aos homens, para edificá-los, exortá-los e consolá-los. Aquele que fala em línguas edifica-se a si mesmo; mas o que profetiza, edifica a assembléia." 1 Cor 14,1-4
    E zelava por um verdadeiro culto a Deus e à Revelação, e de amor à Verdade: "Se, porém, todos profetizarem, e entrar ali um infiel ou um homem simples, por todos ele é convencido, por todos ele é julgado; os segredos de seu coração tornam-se manifestos. Então, prostrado com a face em terra, adorará a Deus e proclamará que Deus está realmente entre vós." 1 Cor 14,24-25
    Na verdade, todos os dons eram acolhidos, mas a finalidade era sempre a mesma: "Em suma, que dizer, irmãos? Quando vos reunis, quem dentre vós tem um cântico, um ensinamento, uma revelação, um discurso em línguas, uma interpretação a fazer - que isto se faça de modo a edificar." 1 Cor 14,26
    E em nome desse objetivo maior, ele já fazia restrições ao número de oradores: "Se há quem fala em línguas, não falem senão dois ou três, quando muito, e cada um por sua vez, e haja alguém que interprete. Se não houver intérprete, fiquem calados na reunião, e falem consigo mesmos e com Deus. Quanto aos profetas, falem dois ou três, e os outros julguem." 1 Cor 14,27-29
    Além, claro, das restrições visando qualidade, ou seja, fidelidade ao Evangelho, sem transes, arrebatamentos ou espúrias inspirações: "O espírito dos profetas deve estar-lhes submisso, porquanto Deus não é Deus de confusão, mas de Paz." 1 Cor 14,33
    Nosso Santo tinha ainda outras recomendações, mas nem tudo se fez por escrito: "As demais coisas eu determinarei quando for ter convosco." 1 Cor 11,34b


GRANDE MISTÉRIO

    E a ação de graças deve ser feita sempre, a despeito da situação que vivamos, como ele estimulava aos filipenses: "Não vos inquieteis com nada! Em todas circunstâncias apresentai a Deus vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças." Fl 4,6
    Se realmente amamos a Deus, pois, devemos evitar os preconceitos e as diferenças entre nós: "Em primeiro lugar, ouço dizer que, quando se reúne vossa Assembléia, há desarmonias entre vós." 1 Cor 11,18
    Ora, Jesus pediu que nos adiantássemos em desfazer as intrigas, principalmente nos cultos: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do altar e lembrar-te que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24
    E mais ainda devemos estar em Paz com Deus, ou seja, em reais condições de comungar, com os pecados devidamente confessados, perdoados e penitenciados. Diz São Paulo: "Portanto, todo aquele que comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor indignamente será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que O come e O bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados." 1 Cor 11,27-31
    O salmista já cantava: "Quem será digno de subir ao monte do Senhor? Ou de permanecer no Seu lugar santo? O que tem as mãos limpas e o coração puro, cujo espírito não busca as vaidades nem perjura para enganar seu próximo. Este terá a bênção do Senhor, e a recompensa de Deus, Seu Salvador. Tal é a geração dos que O procuram, dos que buscam a face do Deus de Jacó." Sl 23,3-6
    E São João Evangelista apontava a verdadeira Comunhão: "A Boa Nova que d'Ele temos ouvido e anunciamo-vos é esta: Deus é Luz e n'Ele não há treva alguma. Se dizemos ter Comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos Comunhão recíproca uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,5-7
    Pois até mesmo os anjos precisam contemplar o que acontece na Igreja para entender como no mundo se expressa a Sabedoria de Deus: "Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da divina Sabedoria..." Ef 3,10
    Por isso, São Paulo não tem dúvida quanto ao lugar onde devemos agradecer a Deus: "... a Ele seja dada glória na Igreja..." Ef 3,21
    Pois essa é a vontade do Pai, que nos reuniu em Cristo: "N'Ele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio d'Aquele que tudo realiza por um deliberado ato de Sua vontade, para servirmos à celebração de Sua Glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo." Ef 1,11-12
    E não poderia ser de outra forma! Nosso Santo diz incisivamente: "... Cristo é o chefe da Igreja, que é Seu corpo, da qual Ele é o Salvador. ... a Igreja é submissa a Cristo... Cristo amou a Igreja e entregou-Se por ela... Certamente, ninguém jamais aborreceu sua própria carne; ao contrário, cada qual alimenta-a e trata-a, como Cristo faz à Sua Igreja... Grande mistério é este, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja." Ef 5,23-25.29.32
    Nosso comportamento dentro dela, portanto, assim como fazem os anjos, deve mesmo ser de perfeita contrição e adoração. É nela que encontramos e conhecemos a Verdade, que é Jesus. Ele recomenda a São Timóteo: "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15
    Aí também está a importância do padre, que representa o Cristo. São Tiago Menor é taxativo quanto a quem devemos recorrer: "Chame os Sacerdotes da Igreja..." Tg 5,14
    São Paulo, de fato, reclamou de certas consultas: "No entanto, quando tendes contendas desse gênero, escolheis para juízes pessoas cuja opinião é tida como nada pela Igreja." 1 Cor 6,4
    Sem dúvida, falando às sete dioceses da época, no livro do Apocalipse a cada uma delas São João Evangelista vai repetir a mesma fórmula, deixando claro Quem nos fala através das igrejas: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas." Ap 2,7
    Isso confirma o que foi dito pelo próprio Jesus: "... se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17
    Desprezar a Igreja, portanto, é um absurdo. Já vimos: "... Cristo amou a Igreja e entregou-Se por ela..." Ef 5,25
    Ora, a Igreja é de Jesus! É Ele Quem a edifica: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja." Mt 16,18a
    E Ele mesmo afirmou que ela é indefectível: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18b
    Quanto às doutrinas inventadas pelo ser humano, Ele vai dizer: "Toda planta que Meu Pai celeste não plantou será arrancada pela raiz." Mt 15,13
    O Catecismo ensina limpidamente: "Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a dar sua contribuição às obras de caridade e às iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorar, dia a dia, a graça de Deus." CIC 1651
    É o primeiro Mandamento da Igreja: "Participar da Missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho." CIC 2042
    A Santa Missa, por fim, é uma imperfeita representação do ritual que acontece no Céu. Isso explica terminantemente porque ela deve ser solene e séria: "E cada vez que aqueles Seres rendiam glória, honra e ação de graças Àquele que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro Anciãos inclinavam-se profundamente diante d'Aquele que estava no trono... e depunham suas coroas diante do trono, dizendo: 'Tu és digno Senhor, Nosso Deus, de receber a honra, a glória e a majestade, porque criaste todas as coisas, e por Tua vontade é que existem e foram criadas.' E todos os anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Seres; prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: 'Amém, louvor, Glória, Sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao Nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém.'" Ap 4,9-11;7,11-12

    O termo 'Missa' vem da exortação feita por Jesus antes de subir aos Céus, quando disse: "Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura." Mc 16,15
    Por isso, ao final das celebrações em latim, há séculos é feita uma análoga exortação: "Ite, missa est."
    No Brasil, essa expressão foi adaptada para o nosso já tradicional: "Ide em Paz e o Senhor vos acompanhe."
    O termo 'missa' do latim, portanto, representa o envio feito por Jesus. É o mesmo radical da palavra 'missio', que originou o termo 'missão'. Assim, a literal tradução das palavras finais da Santa Missa em latim é: "Vão (anunciar), é missão."

    "Fazei de nós um sacrifício de louvor!"
    "Fazei de nós uma perfeita oferenda!"
    "Com Jesus oferecemos, ó Pai, nossa vida!"