domingo, 30 de novembro de 2025

Santo André Apóstolo


    O irmão de São Pedro é o 'protocletos', que em grego significa 'primeiro convocado', pois nominalmente foi o primeiro chamado por Jesus, como o Evangelho Segundo São João atesta. Religioso e sensível, já era discípulo de São João Batista quando Nosso Senhor Se apresentou para ser batizado, e foi convocado logo depois: "No seguinte dia, lá estava João outra vez com dois de seus discípulos. E ao avistar Jesus, que ia passando, disse: 'Eis o Cordeiro de Deus.' Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Voltando-Se Jesus, e vendo que O seguiam, perguntou-lhes: 'Que procurais?' Disseram-Lhe: 'Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?' 'Vinde e vede', respondeu-lhes Ele. Foram aonde Ele morava e com Ele ficaram aquele dia. Era cerca da décima hora (4 da tarde). André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que O tinham seguido." Jo 1,35-40
    Entre os Apóstolos (cf. Lc 6,13), também é o primeiro a afirmar e a anunciar Jesus como o Messias, além de convocar um novo discípulo, o próprio São Pedro. São João Evangelista, em sequência, igualmente narrou esse episódio: "Logo foi ele, então, à procura de seu irmão e disse-lhe: 'Achamos o Messias (que quer dizer Cristo).' Levou-o a Jesus, e Jesus, nele fixando o olhar, disse: 'Tu és Simão, filho de João. Serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)!'" Jo 1,41-42
    Por essa frase, vemos que Jesus já conhecia São Pedro e seu pai, logo também de Santo André, e que deu o novo nome de São Pedro desde o primeiro encontro, mostrando que a narrativa de São Mateus (cf. Mt 16,18) é uma reafirmação que Ele fez desse seu nome de ofício. Quanto a Sua Onisciência, Ele vai dar outra mostra no dia seguinte, ao encontrar São Bartolomeu. Aliás, mais propriamente uma clarevidência, pois do caminho em que iam, voltando a Galileia, não se podia ver onde este outro Apóstolo estava: "Jesus vê Natanael, que Lhe vem ao encontro, e diz: 'Eis um verdadeiro israelita, no qual não há falsidade.' Natanael pergunta-Lhe: 'De onde me conheces?' Respondeu Jesus: 'Antes que Filipe te chamasse, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira.' Falou-Lhe Natanael: 'Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel.'" Jo 1,47,49
    Santo André e São Pedro, como São Filipe Apóstolo, eram de Betsaida, nome que significa 'casa da pesca', cidade próxima a Cafarnaum e um pouco afastada do Mar de Galileia: "Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro." Jo 1,44
    Sabemos que, junto ao mais velho irmão, Santo André fazia parte de uma colônia de pescadores, mas, após Se retirar para o deserto por 40 dias, Nosso Senhor retornou e convidou-os para que pescassem almas, no texto do Evangelho Segundo São Mateus: "Desde então, Jesus começou a pregar: 'Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo!' Caminhando ao longo do mar de Galileia, viu dois irmãos: Simão (chamado Pedro) e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: 'Vinde após Mim, e fá-vos-ei pescadores de homens.' Na mesma hora, abandonaram suas redes e seguiram-nO." Mt 4,17-20
    Dessa cooperativa de pesca de Cafarnaum também faziam parte São Tiago Maior e São João Evangelista, como o Evangelho Segundo São Lucas aponta: "Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão..." Lc 5,10a
    Aliás, o Amado Médico havia mais preciso pouco antes, usando o termo "sócios" (Lc 5,7).
    Santo André era solteiro e morava com São Pedro, cuja casa foi dote de casamento, pois nela vivia com a sogra, conforme o Evangelho Segundo São Marcos: "Dirigiram-se para Cafarnaum. E já no dia de sábado, Jesus entrou na sinagoga e pôs-Se a ensinar. Assim que saíram da sinagoga, dirigiu-Se com Tiago e João à casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e sem tardar Lhe falaram a seu respeito. Aproximando-Se Ele, tomou-a pela mão e levantou-a. A febre imediatamente deixou-a, e ela pôs-se a servi-los." Mc 1,21.29-31
    Mas São Lucas, que era médico (cf. Cl 4,14), deu outro 'diagnóstico' para esta febre: "Saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta, e pediram-lhe por ela. Inclinando-Se sobre ela, ordenou Ele à febre, e a febre deixou-a. Ela imediatamente levantou-se e pôs-se a servi-Los." Lc 4,38-39
    Na lista dos Apóstolos, Santo André é o segundo nos Evangelhos Segundo São Mateus (cf. Mt 10,2) e Segundo São Lucas, atrás apenas do próprio irmão, o Príncipe dos Apóstolos (cf. Mt 16,19): "Naqueles dias, Jesus retirou-Se a uma montanha para rezar, e aí passou toda noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e escolheu Doze dentre eles, que chamou de Apóstolos: Simão, a quem deu o sobrenome de Pedro; André, seu irmão; Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelota; Judas, irmão de Tiago; e Judas Iscariotes, aquele que foi o traidor." Lc 6,12-16
    Ou o quarto no Evangelho Segundo de São Marcos e no Livro de Atos dos Apóstolos (cf. At 1,13), dando os devidos lugares a São Tiago Maior e São João, que com São Pedro eram os três mais íntimos de Jesus (cf. Mc 5,37). Ou seja, nosso Santo sempre está entre os quatro, do primeiro dos três grupos de quatro Apóstolos: "Designou Doze, dentre eles, para ficar em Sua companhia. Ele enviá-los-ia a pregar, com o poder de expulsar os demônios. Escolheu estes Doze: Simão, a quem pôs o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer Filhos do Trovão. Ele também escolheu André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu; Tadeu, Simão, o Zelote; e Judas Iscariotes, que O entregaria." Mc 2,14-19
    No dia em que multiplicou pães e peixes, Jesus provocou São Filipe, mas foi Santo André quem Lhe dispôs do que os Apóstolos tinham para que o milagre da 'partilha' acontecesse: "Jesus subiu a um monte e ali Se sentou com Seus discípulos. Aproximava-se a Páscoa, festa dos judeus. Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão, que vinha ter com Ele, e disse a Filipe: 'Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?' Um de Seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disse-Lhe: 'Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isto para tanta gente?'" Jo 6,3-9
    E é através de Santo André que São Filipe leva um importantíssimo recado a Jesus, sinal de que Sua Paixão se aproximava, porque Seu Nome já havia chegado a distantes nações e Sua Missão, enquanto Ser Humano, era limitada aos judeus (cf. Mt 15,24): "Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa. Estes aproximaram-se de Filipe (aquele de Betsaida de Galileia) e rogaram-lhe: 'Senhor, quiséramos ver Jesus.' Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe disseram-no ao Senhor. Respondeu-lhes Jesus: 'É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. Em Verdade, em Verdade, digo-vos: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só. Se morrer, produz muito fruto.'" Jo 12,20-24
    Por essa passagem e pela seguinte, vemos que vez e outra Santo André se somava aos mais íntimos Apóstolos de Nosso Senhor: "Saindo Jesus do Templo, disse-Lhe um de Seus discípulos: 'Mestre, olha que pedras e que construções!' Jesus replicou-lhe: 'Vês este grande edifício? Não se deixará pedra sobre pedra. Tudo será demolido.' E estando sentado no Monte das Oliveiras, defronte ao Templo, perguntaram-Lhe à parte Pedro, Tiago, João e André: 'Dize-nos, quando hão de suceder essas coisas? E por qual sinal se saberá que tudo isso vai realizar-se?' Jesus pôs-Se, então, a dizer-lhes: 'Cuidai que ninguém vos engane. A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do Céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai.'" Mc 13,1-7.32
    No Livro de Atos dos Apóstolos, enfim, Santo André só é mencionado, como a maioria deles, na lista dos Onze, nos dias que antecede ao Pentecostes, o que explica sua intensa atividade fora de Jerusalém desde os primeiros anos da Santa Igreja Católica, como a Sagrada Tradição ensina: "Tendo entrado no cenáculo, subiram ao quarto de cima, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago. Todos eles unanimemente perseveravam na oração, e com eles as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele. Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar." At 1,13-14;2,1
    Segundo Santo Hipólito, que nasceu no ano de 170 e foi o maior teólogo do século II, após a Ascensão do Senhor, Santo André pregou em Trácia, pouco antes de tornar-se província romana, e hoje região do nordeste de Grécia, sul de Bulgária e a parte europeia de Turquia. O apócrifo livro 'Atos de André' aponta-o como o fundador da igreja na importante cidade de Bizâncio, que no século IV iria ser chamada de Constantinopla, e, no século XX, Istambul. Este fato teria acontecido no remoto ano de 38, poucos anos, portanto, após a Paixão de Cristo. Estácio, reconhecido como um dos 72 discípulos que o Senhor enviou (cf. Lc 10,1), teria sido ordenado bispo por ele, e substituiu-o após sua nova partida em peregrinação. Sinal da veracidade destas informações, ainda hoje ele é tratado como o Padroeiro de Istambul, a mais importante cidade da Turquia e ponto de conexão de Ásia com Europa.
    Baseando-se no registros de Orígenes, que viveu entre 185 e 253 e era herético, Eusébio de Cesareia, o Pai da História da Igreja, que viveu de 265 a 339, diz que Santo André pregou em Ásia Menor, atual Turquia, especificamente na região de Cítia, que fica na costa do Mar Negro. Ele peregrinou por algumas cidades ao longo do Rio Volga, e por isso é também o Padroeiro de Rússia, além de ter evangelizado Kiev, atual capital de Ucrânia. É igualmente Padroeiro de Romênia, onde com mesmo empenho exerceu seu apostolado. Parece ter tomado todo entorno do Mar Negro como área de atuação.
    De volta a Grécia, radicou-se em Patras, na região de Acaia, terras do sul e sudeste, onde fundou a igreja local, que viria a ser modelo para todas demais. Por sua incendiária fama, pois realizava milagres e convertia a muitos (cf. Mc 16,20), o governador e juiz romano Egeas quis impor-lhe sua autoridade, mas nosso Apóstolo recusou-a e recomendou-lhe que ele é deveria submeter-se à autoridade de Cristo. E como mensageiro da Verdade, ainda lhe revelou que, pela patente impostura de muitos sacerdotes locais e pelos maus costumes do povo, os deuses pagãos haviam-se tornado anteparos de demônios, os quais a todos seduziam, enganavam e molestavam.
    Informados desta denúncia, e enfurecidos, os principais sacerdotes pagãos passaram a assediar Egeas, e por falsos testemunhos conseguiram que ele ordenasse a crucificação de Santo André. Todos ficaram espantados, porém, quando ele, com insuspeita alegria, recebeu sua condenação. Numa atitude que vai lembrar a do próprio São Pedro, pois foi executado antes dele, Santo André apenas lhe pediu que fosse crucificado numa cruz diferente da de Jesus, porque não era digno de morrer como Seu Mestre.


    Durante dois dias ficou dependurado numa cruz em forma de X, e por não ser assistidos por nenhum cristão, porque todos foram ameaçados de morte, indicou onde estavam e doou seus pertences aos carrascos, que estavam visivelmente constrangidos em cumprir aquela ordem. Agia sob inspiração, pois eles viriam a converter-se e seus parcos bens, a maior parte deles sagrados e litúrgicos objetos, usados para celebrar a Santa Eucaristia, seriam devolvidos à igreja local, que sobreviveria na clandestinidade.
    Assim sua santidade, como seu especial carisma, de expressiva amabilidade, foram amplamente reconhecidos. Seu testemunho pelo sacrifício, de fato, foi marcante: não demonstrou vacilação alguma quanto à vontade de Deus ou à Vida Eterna.
    Seus restos mortais ficaram em Patras até o ano de 357, quando Constantino os levou a Constantinopla, o que é mais um indício de que ele realmente fundou a igreja de lá. Mas no período da Quarta Cruzada, início do século XII, os cruzados trataram de levá-los a Roma, por conta das recorrentes profanações dos invasores turcos, seguidores do islamismo.
    Conforme a Sagrada Tradição, ao serem levadas a Europa, suas relíquias primeiro estiveram em terras hoje de Escócia, de onde saíram os cruzados, e aí ainda ficaram por bom tempo antes de serem levadas a Roma, numa cidade que passou a levar seu nome, Saint Andrews. Fato que revigorou o Catolicismo entre o povo, ele tornou-se o Padroeiro da nação, cuja bandeira traz sua cruz.


    Em 1801, com a união entre Inglaterra, Escócia e Irlanda, a bandeira do Reino Unido combinou-a com a cruz de São Jorge, da bandeira inglesa, e a cruz de São Patrício, que representava todos irlandeses.


    Ainda durante as cruzadas, fragmentos dos ossos de seu pé foram levados a Donetsk, capital de uma região hoje de Ucrânia, que está sob invasão de um anticristo.


    Em 1964, o grande mariano Papa São Paulo VI devolveu suas relíquias a Patras, quando já eram apenas os ossos de um dedo, parte do crânio e pedaços de sua cruz.


    Seu crânio, em peregrinação pela comuna de Amalfi, da província de Salerno, sudoeste de Itália, foi venerado pelo saudoso Papa Bento XVI, ainda enquanto Sumo Pontífice.


    Santo André, rogai por nós!

sábado, 29 de novembro de 2025

O Advento


    O termo Advento, que significa a 'vinda' do Senhor, é um período do Calendário Litúrgico da Igreja Católica Apostólica Romana (cf. Ap 11,3) que se dedica à preparação da Epifania do Senhor, ou seja, da manifestação de Deus em Pessoa por Seu Nascimento em Jesus.
    Oficialmente, esse período foi adotado no ano de 380 no Sínodo de Saragoza, em Espanha, e previa um período de apenas três semanas antes do Natal do Senhor, data em que também se comemorava a Epifania. No final do século V, porém, o Papa São Gelásio I, percebendo a importância de instituir essa celebração, pronunciou-se no sacramentário que ficou conhecido como o Decretum Gelasianum, o segundo mais antigo Livro de Liturgia da Santa Igreja Católica (cf. Ef 5,26).
    Mas, mesmo antes do Sínodo de Saragoza, espontaneamente Bispos e Sacerdotes de França e de Espanha já praticavam a espera do Nascimento de Jesus nos mesmos modos da Quaresma, ou seja, por período de seis semanas e como tempo de abstinência, jejuns e penitências.
    No século VII, incluiu-se à essa celebração a espera da Definitiva Vinda de Jesus (cf. Mt 24,30), a Parusia, que em grego quer dizer 'Presença', e só ocorrerá no fim dos tempos (cf. Mt 28,20), pouco antes da restauração do Universo (cf. At 3,21) e da Ressurreição da Carne (cf. Jo 5,29). Assim, mais uma vez o período da celebração foi alterado, passando a ser de cinco semanas.


    Mais tarde, por força do argumento de que a Parusia já era um dos essenciais elementos de toda Liturgia, finalmente adotou-se o período de quatro semanas, que faz representar-se por quatro velas. A primeira, de cor verde, simboliza o perdão a Adão e Eva; a segunda, vermelha, a fé de Abrão e dos patriarcas em herdar a Terra Santa; a terceira, roxa, a alegria do rei Davi com a promessa da Eterna Aliança; e a quarta, a branca, a inspiração dos Profetas que anunciaram a Salvação.
    Assim as duas primeiras semanas devem ser dedicadas à contrição, como preparação para a Definitiva Volta de Jesus, enquanto as duas últimas são consagradas à devota e piedosa alegria por Sua primeira passagem entre nós, quando da Encarnação de Cristo.
    O Advento, portanto, é um período de recolhimento e sincera conversão como São João Batista pregava, pois veio anunciar o Messias, nos termos do Evangelho Segundo São Mateus: "Dai, pois, frutos de verdadeira penitência." Mt 3,8
    Mas também é o propício período a reviver a espera e a chegada do Salvador, que com grandes sinais confirmou a instauração do Reino dos Céus. Jesus disse aos fariseus, Seus ferrenhos opositores, quando O acusaram de exorcizar pelo poder do príncipe dos demônios: "Mas se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então para vós chegou o Reino de Deus." Mt 12,28
    Noutra ocasião, referindo-Se a Si mesmo, tornou a dizer-lhes quando Lhe perguntaram quando o Reino de Deus viria: "Não se poderá dizer: 'Ei-lo aqui!'. Ou: 'Ei-lo ali!' Pois o Reino de Deus já está em meio a vós." Lc 17,21
    O Livro de Apocalipse de São João também anotou o grito de um anjo, com a chegada de Jesus aos Céus, logo após Sua Ascensão: "Eu ouvi no Céu uma forte voz que dizia: 'Agora chegou a Salvação, o poder e a realeza de Nosso Deus, assim como a autoridade de Seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que dia-e-noite os acusava diante do Nosso Deus.'" Ap 12,10
    Tais sinais atestam que os tempos de uma vida meramente carnal já se haviam cumprido, como a Carta de São Paulo aos Gálatas demarcou: "Mas quando a plenitude dos tempos veio, Deus enviou Seu Filho..." Gl 4,4
    E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios vai completar, atestando a Graça Santificante derramada tão somente pela manifestação do Salvador: "Por isso, daqui em diante a ninguém nós conhecemos de um humano modo. Muito embora tenhamos considerado Cristo dessa maneira, agora já não O julgamos assim. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho. Eis que tudo se fez novo!" 2 Cor 5,16-17
    Nesse sentido, a Carta de São Tiago prega: "Todas espécies de feras selvagens, de aves, de répteis e de peixes do mar domam-se e têm sido domadas pela espécie humana. A língua, porém, nenhum homem pode domá-la. É um irrequieto mal, cheia de mortífero veneno. Com ela bendizemos o Senhor, Nosso Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede a bênção e a maldição. Não convém, meus irmãos, que seja assim. Porventura lança uma fonte, por uma mesma bica, doce e amargosa água? Acaso, meus irmãos, pode a figueira dar azeitonas ou a videira dar figos? Do mesmo modo, a salobra fonte não pode dar doce água. Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, com um bom proceder, suas obras perpassadas de doçura e de Sabedoria. Mas se no coração tendes um amargo ciúme e gosto por contendas, não vos glorieis nem mintais contra a Verdade. Esta não é a Sabedoria que vem do alto, mas terrena, humana, diabólica. Onde houver ciúme e contenda, ali também há perturbação e toda espécie de vícios. A Sabedoria que vem de cima, porém, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de Misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade nem fingimento. O fruto da justiça semeia-se na Paz, para aqueles que praticam a Paz." Tg 3,7-18
    Já a Carta de São Paulo aos Colossenses assim fala da nova criatura: "Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da Terra. Porque estais mortos e vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, Vossa Vida, aparecer, então vós também aparecereis com Ele na Glória. Mortificai vossos membros, pois, no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Contra essas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes. Outrora vós também vivíeis assim, mergulhados como estáveis nesses vícios. Agora, porém, deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, torpes palavras de vossa boca, nem vos enganeis uns aos outros. Vós despiste-vos do velho homem com seus vícios, e revestiste-vos do novo, que constantemente vai restaurando-se à imagem d'Aquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento." Cl 3,1-10
    E a Carta de São Paulo aos Efésios diz da missão da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo: "A uns Ele (Jesus) constituiu Apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios. Mas, pela sincera prática da caridade, cresçamos em todos sentidos n'Aquele que é a Cabeça, Cristo." Ef 4,11-15
    Sem dúvida, assim é a exortação do próprio Jesus, na qual se encerra o objetivo de Sua Missão. Ele pregou ainda no Sermão da Montanha, alvores de Sua via pública, invocando uma fala de Deus do Livro de Levítico, quando ordenou ao povo de Israel através de Moisés: "Portanto, sede perfeitos, assim como Vosso Pai Celeste é perfeito. (Lc 19,2)" Mt 5,48
    É, pois, na primeira semana do Advento, véspera do quarto domingo que antecede o Nascimento de Jesus, que se monta o presépio, uma criação de São Francisco de Assis para nossa mais profunda contemplação do Mistério de Cristo, e a árvore de Natal.

    "Vosso Filho permaneça entre nós!"

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

A Aparição de Kibeho


     No dia 28 de novembro de 1981, no povoado de Kibeho, no distrito de Nyaruguru, no sul de Ruanda, país africano, às 12:35 no refeitório de um internato feminino secundarista católico, Alphonsine Mumureke, de 17 anos, ao dia encarregada de conduzir as orações, ouviu uma voz:
    - Minha filha!
    Ela dirigiu-se ao corredor do edifício, de onde a voz vinha, e encontrou uma Linda Senhora toda de branco, com um véu em torno do pescoço, e as mãos postas e ao peito em oração. Maravilhada, Alphonsine perguntou-lhe:
    - Quem é a Senhora?
    - Sou a Mãe do Verbo, respondeu ela na língua nativa.
    Em seguida, a Santíssima Virgem perguntou a Alphonsine:
    - O que tu procuras na religião?
    Alphonsine respondeu com sinceridade e simplicidade, mas em memorável testemunho:
    - Amo a Deus e Sua Mãe, que nos deu um Filho que nos salva!
    - É por isso, disse Nossa Senhora, que venho tranquilizar-te, pois ouvi tuas preces. Eu gostaria que tuas colegas tivessem mais fé, pois elas não creem o bastante.
    - Mãe do Salvador!, exclamou Alphonsine, que só então reconheceu que se tratava de Maria Santíssima. Se verdadeiramente é a Senhora, e a Senhora que vem dizer que em nossa escola temos pouca fé, é porque nos ama!


    E assim várias outras aparições ocorreram na escola, despertando diversas reações, favoráveis e contrárias. Muitas pessoas zombavam de Alphonsine, mas ela manteve-se firme e viu numerosas aparições até 1989. Manifestou e alcançou seu desejo de tornar-se freira, e foi viver como clarissa em clausura no Convento de Santa Clara da cidade de Abidjã, em Costa do Marfim, com o nome religioso de Alphonsine da Cruz Gloriosa. Atualmente, serve em Itália.


    Em 12 de Janeiro de 1982, Nathalie Mukamazinpaka também teve a Graça de ver uma aparição, a primeira de várias, até 3 de dezembro de 1983. Mas através desta vidente as mensagens da Rainha do Céu já eram uma queixa à comunidade católica, que apenas se mostrava curiosa para com as visões: "Eu falo convosco, mas vós não Me ouvis. Eu quero levantar-vos, mas vós permaneceis caídos. Eu chamo-vos, mas vós fazeis moucos ouvidos. Quando vós ireis fazer o que vos peço? Vós ficais indiferente a todos meus apelos. Quando ireis entender? Quando ireis interessar-vos pelo que eu quero dizer-vos? Eu dou-vos sinais, mas vós permaneceis incrédulos. Quanto tempo vós ireis fazer moucos ouvidos a meus apelos?"


    Em 2 de março de 1982, Marie-Claire Mukangango, uma auxiliar do Arcebispo de Butare, ela que perseguia as duas videntes, igualmente foi favorecida com as aparições da Mãe do Céu, vendo várias até 15 de setembro de 1982. Numa destas, Nossa Senhora disse-lhe: "Quando falo contigo, não estou dirigindo-me só a ti. Mas estou fazendo um apelo a todo mundo." Ela narrou que Maria descrevia o mundo como estando 'em revolta' contra Deus, e ouviu essa recomendação: "O que Eu vos peço é arrependimento. Se vós recitardes este Terço, meditando-o, então tereis a força para vos arrependerdes. Hoje, muitas pessoas não mais sabem como pedir perdão. Novamente pregam o Filho de Deus à Cruz. Por isso, eu queria vir e relembrar-vos, especialmente em Ruanda, porque aqui ainda encontrei humilde gente, que não está ligada à riqueza e ao dinheiro."


    Em 4 de agosto de 1982, Agnès Kamagaju, mais jovem de oito irmãos, à época aos 22 anos de idade, semelhantemente passou a ver as aparições, privilégio que teve até 29 de agosto de 1983, incluindo aparições do próprio Senhor Jesus.
    E assim, com tantos testemunhos, tantas conversões e tantas Graças alcançadas, a aceitação do fato sobrenatural era quase total na região.


    Ao final, em Kibeho, vinte pessoas disseram ter visto a Mãe de Jesus, e ao menos mais dez em outras partes do país. Os principais videntes, porém, foram: Alphonsine, Nathalie, Marie-Claire, Agnès, Emmanuel Segatashaya, Vestine Salima, Stéphanie Mukamurenzi, Valentine Nyiramukiza, Bernadette Mukantabana e Elisabeth Yankurije.
    A capital de Ruanda, Kigali, fica a 50 quilômetros de Butare, que é a segunda maior cidade e sede da arquidiocese do povoado de Kibeho, onde a Congregação das Irmãs Benebekira, ou seja, Filhas de Maria, de inspiração jesuíta, têm várias escolas.
    Mais densamente povoado país de África em 1978, metade dos ruandeses era fiel a suas antigas e animistas crenças. Na outra metade, a maioria era de cristãos, 52% católicos, e os demais dividiam-se entre protestantes, boa parte adventista, e muçulmanos.
    Não era uma nação pacificada antes das aparições, nem mesmo em questões religiosas. Pouco antes, houve uma onda de destruições de imagens, mais uma vez insuflada por protestantes e muçulmanos, como tantas vezes se viu na História pelo mundo, incluindo judeus. Por isso, Nossa Senhora pedia orações, renúncia ao pecado, arrependimento e Confissão. E entre as revelações que fazia, em terríveis visões mostrou as consequências do pecado.
    Na aparição ocorrida em 15 de agosto de 1982, que durou oito horas, Nossa Senhora estava chorando, o que muito comoveu as videntes. E por tão assombrosas revelações que fez, por mais de uma vez as videntes desmaiaram. Segundo as jovens, entre vários assuntos de que tratou, a Santíssima Virgem também se mostrou triste, contrariada, e até verdadeiramente encolerizada.


    Em particular, Alphonsine contou que Nossa Senhora chorava pela iminência de um terrível castigo, àquela data quase impossível evitar. Com ela, Agnès e Nathalie, além de caírem por terra como mortas, foram vistas tremendo e batendo os dentes de pavor. Disseram ter visto 'um rio de sangue, pessoas que se matavam umas às outras, cadáveres abandonados sem alguém que os enterrasse, uma árvore toda em fogo, um abismo escancarado, um monstro, cabeças decapitadas.' E contaram ter ouvido dos lábios da Mãe de Deus: "Os pecados são mais numerosos que as gotas do mar. O mundo corre em direção à ruína. O mundo está cada vez pior."
    Nesse dia, aproximadamente 15 mil de pessoas estavam no local da aparição. Todos viram um sinal que se movia no céu: estrelas ao meio-dia no céu africano, como se fosse noite, quando estava plenamente iluminado pelo sol. E todos daí saíram com uma forte sensação de medo e tristeza.


    Emmanuel Segatashaya, em resumo, disse que Nossa Senhora falava de arrependimento e preparação para a Definitiva Volta de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não era nem mesmo cristão quando, num campo de feijão, teve uma visão de Jesus. Depois, em várias aparições ensinou-lhe o Pai Nosso, como rezar o Santo Rosário e muitos outros detalhes sobre a Sã Doutrina, ou seja, uma completa e privilegiadíssima catequese. Ele testemunhou: "O Senhor ensinou-me o valor do sofrimento, unido à Sua dor, para oferecer pela Salvação do mundo. Jesus disse-me que devemos mudar nossas vidas e não pecar. Orar, preparando-nos para nossa própria morte e para o fim do mundo. Todos nós devemos purificar nossos corações do ódio e do pecado, sinceramente rezando o Ato de Contrição. Confessar nossos pecados é um bom caminho para começar a limpar nossas almas, e prepararmo-nos para o encontro com Cristo."
    A última aparição de Kibeho, em 28 de novembro de 1989, ocorreu exatamente oito anos após a primeira. E como os desentendimentos políticos não diminuíam, Nossa Senhora mandou um recado aos líderes da nação através de Marie-Claire: "Eu falo a vós que sois os detentores do poder, e que representais a nação: salvem o povo, em vez de serem seus algozes. Não roubem o povo, compartilhai com os outros. Tende cuidado para não perseguirdes, para não amordaçardes aqueles que querem denunciar vossos erros. Eu digo-vos, eu repito, façais o que fizerdes, mesmo que vós tenteis de tudo para prejudicar alguém, vós nada podeis fazer contra Jesus. Porque Ele ama vossos semelhantes, defende os direitos humanos, luta pelo respeito da vida dos outros, pela Verdade e por tudo que é bom, e também porque Ele luta para que Deus possa ser amado e respeitado."
    Providente, o Arcebispo de Butare constituiu duas comissões para monitorar os acontecimentos que envolviam as aparições: médica, para acompanhar os videntes, e teológica, para analisar as mensagens. Uma igreja maior até foi construída no local das aparições, pois se tornou lugar de peregrinações. Preocupado com os avisos e com as visões que Nossa Senhora manifestou, o próprio Papa São João Paulo II visitou Ruanda em 1990, quando exortou o país a voltar-se à Virgem Maria como uma "simples e segura Guia", bem como a rezar com maior empenho e se penitenciar contra divisões locais, políticas e étnicas.
    Mas infelizmente não se deu a conversão que Nossa Senhora pedia, e menos de cinco anos depois, entre abril e junho de 1994, veio o castigo: uma onda de massacres varreu o país. Explodiu o ódio que era cultivado entre as principais tribos: os hutus e os tutsis. Com a morte do presidente em um atentado, 30 mil membros de seu partido iniciaram uma brutal perseguição. A meta, na prática, era o extermínio dos tutsis: cada hutu deveria matar pelo menos um tutsi do sexo masculino de 6 a 90 anos, e depois exibir a cabeça como prova.
    Aldeias inteiras foram massacradas, a maioria das vítimas mortas a golpes de machado. O rio Kagera, onde os corpos eram lançados, ficou conhecido como o rio de sangue. Tão grande era a poluição de cadáveres de tutsis, mas também de hutus, que veio a dizimar os peixes na margem ruandense do Grande Lago de Kivu. Centenas de milhares de refugiados buscaram países vizinhos.
    Inteiros cidades, povoados e aldeias viraram terra arrasada, porque suas casas, plantações e árvores eram queimadas. Mais de uma centena de milhares de corpos restaram insepultos. Todos principais rios ficaram fétidos com a absurda quantidade de cadáveres jogados ao leito. Quem, sem opção, bebia da água, morria de febre. Estes fatos bem lembram as revelações do Livro de Apocalipse de São João, quando o anjo derrama a terceira taça da ira de Deus: "O terceiro derramou sua taça sobre os rios e as fontes das águas, e transformaram-se em sangue."Ap 16,5
    O maior acampamento de refugiados estava no próprio Kibeho, pois, numa terra já traumatizada por muitas matanças, as igrejas eram consideradas seguros abrigos, onde as pessoas se protegiam das carnificinas. Mas a ira que se viu nada tinha de apenas natural: era satânica. No dia 14 de abril de 1994, 4 mil tutsis, que se abrigavam na igreja dedicada à aparição Nossa Senhora, foram cercados por milicianos hutus e assassinados por explosões de granadas, jogadas às dezenas. Aqueles que não morreram, e até mesmo agonizantes, acabaram trucidados a machadadas no interior do templo, cujos escombros em seguida foram incendiados. Como consolação, os videntes que sobreviveram à matança que assolou toda nação, evocaram as palavras de ouviram da Mãe do Céu: "Aqueles que me procuram, encontrá-me-ão! Eu venho não somente para Kibeho, nem apenas para o diocese de Butare ou somente para Ruanda... mas para o mundo inteiro."
    Ao decorrer de três meses, porém, centenas de milhares de pessoas foram brutalmente assassinadas. O exato número ainda é controverso. Fala-se em pelo menos 250 mil, mas há levantamentos que chegam a 1 milhão, o que seria quase um quarto da população do país. A mais provável cifra está em torno de 800 mil mortos, ou seja 70% da população tutsi. Uma abjeta carnificina, de longe classificada como o maior genocídio africano de todos tempos.
    Muitos países e as Nações Unidas enviaram socorro e grande quantidade de alimentos e remédios, embora sempre insuficientes para um hecatombe daquelas proporções. Milhares de feridos viriam a morrer nos próprios campos de refugiados, principalmente crianças que aí já chegavam em avançado quadro de desnutrição ou desidratação.
    Mas, como visto, os avisos de Maria Santíssima não se encerraram nos acontecimentos que se deram em Ruanda, ou particularmente em Kibeho. A Grande Tribulação, por incrível que pareça, certamente ainda está por vir: "Venho ao mundo para preparar o caminho de Meu Filho, pelo bem de vós, mas vós não quereis entender. Pois o tempo que temos é muito curto e vós estais distraídos com coisas desse mundo, que são passageiras. Tenho visto extraviarem-se muitos de meus filhos, e por isso vim para lhes ensinar o verdadeiro caminho!"
    De fato, a pergunta que fica é: só em Ruanda se cometia pecados? Lá estavam os mais graves de então? Que dizer da fumaça de Satanás, da teologia da libertação, da pedofilia, da cultura e da máfia gay dentro da própria Igreja Católica? Que dizer das legislações abortistas, do 'casamento' homossexual, da ideologia de gênero, do financiamento público para mudança de sexo, do charlatanismo dos inventores de 'igrejas' e das 'igrejas e sacerdotes gays' pelo mundo? Até quando poderemos contar com a Divina Misericórdia? Até quando será aplacada a ira de Deus? Com que rigor essas abominações serão punidas? Sabemos apenas que Sua mão começará a pesar sobre a Igreja Católica Apostólica Romana, como a Primeira Carta de São Pedro diz: "Porque vem o momento em que se começará o Julgamento pela Casa de Deus." 1 Pd 4,17a
    Ainda em Kibeho, a Imaculada Virgem advertiu de outro calamitoso desastre: a promiscuidade sexual! Sem dúvida, em 1994 a África possuía 70% das vítimas de AIDS de todo mundo, com 25 milhões de infectados. Vilas inteiras desapareceriam! Nossa Senhora pedia a Marie-Claire: "Arrependei-vos! Arrependei-vos! Arrependei-vos! Os homens dessa época esvaziaram cada coisa de seu verdadeiro sentido. Pecam, porém não mais reconhecem que agem injustamente."


    A Virgem Santíssima aconselhou Alphonsine e demais videntes a saírem de Ruanda antes do início dos massacres. Mas Emmanuel morreu, mesmo longe de Kigali, e Marie-Claire foi morta com o marido no povoado de Byumba. Em aparição de fevereiro de 1994, Nossa Senhora preparou Agnès, em particular, para os dolorosos eventos que estavam por vir: seus pais seriam assassinados em Kibeho, como posteriormente ocorreu. Alphonsine, Nathalie e Agnès sobreviveram.
    Na Aparição de Međugorje, outra vidente de Maria Santíssima, Ivanka, nas visões do dia 25 de junho de 1993 relatou os horríveis eventos que aconteceriam em Ruanda. Nossa Senhora havia-lhe dito que logo começariam, mas ainda então poderiam ser evitados ou ao menos amenizados com as orações de pessoas de todo mundo. Porém, não foi o que se viu.
    Absolutamente chocadas, uma das razões que fizeram as autoridades eclesiásticas reconhecerem as aparições de Kibeho foi a antecipação, em visões, deste genocídio em Ruanda, dadas em 19 de agosto de 1982.


    Como em todas aparições, em Kibeho mostrou Nossa Senhora sobrenaturais eventos:
    - Os milagres solares, como vistos na Aparição de Fátima, aconteceram algumas vezes: o sol deslocava-se para os lados e também na vertical; listras vermelhas e brancas surgiam em sua superfície; ficava azulado e era possível fitá-la por longos minutos, a olho nu.
    - O céu do então povoado pintava-se de coloridos raios. À noite, as estrelas também se moviam com rapidez, como se dançassem, desapareciam, e no lugar delas viam-se luminosas cruzes.
    - A região de Kibeho não possuía farta ou sequer mínima vegetação, o solo era quase deserto, rochoso, muito quente e seco, contava com pouquíssima chuva. Em uma das aparições de agosto de 1982, Nossa Senhora perguntou:
    - Porque não me pediram chuva?
    Nathalie respondeu:
    - A senhora disse que daria conforme vossa vontade e quando quisesse.
    Nossa Mãe concluiu:
    - E agora vou dar-lhes uma chuva de consagração!
    Algum tempo depois, torrencialmente choveu, e as milhares de pessoas presente caíam de joelhos agradecendo e louvando a Deus por tão grande Graça.
    Em agosto dificilmente chovia. A água de tão inesperada chuva prontamente foi armazenada em todo tipo de disponíveis vasilhame e depósitos. Com o passar do tempo, essa água foi sendo utilizada e realizou muitas curas.
    De Nossa Senhora, conta-se mais de 400 aparições no século passado, mas apenas 12 delas foram reconhecidas pelo Vaticano ou por bispos locais. O reconhecimento de Kibeho deu-se em 29 de junho de 2001 pelo Bispo Augustine Misago durante a Santa Missa na Catedral de Gikongoro, onde estavam os demais bispos do país e o Núncio Apostólico, Mons. Salvatore Pennacchio. No mesmo dia, o Vaticano publicou a notícia da aprovação.
    Em 2006, doze anos após o genocídio que se deu no país, 56,5% da população diziam-se católicos, 37,1% protestantes, 11,3% deles adventista, e 4,6% muçulmanos.
    A igreja de Kibeho em que aconteceu o massacre foi reconstruída.


    E em honra às aparições e às vítimas, foi erguido o Santuário de Nossa Senhora das Dores.



    "Nossa Senhora de Kibeho, rogai por nós!"