Embora até mesmo muitos cristãos digam não acreditar, as relíquias são inquestionáveis e materiais provas das manifestações de Deus, desde o Antigo Testamento. A pobre gente, ao contrário, em sua peculiar sensibilidade, há muito já percebeu o valor que elas têm pelos milagres que operam. Basta observar peregrinações, procissões, santuários, igrejas e exposições das relíquias dos Santos. Vê-se uma tocante e pura fé, isenta de acanhamento, dúvidas ou dos costumeiros entraves do racionalismo, sempre inquieto e vacilante.
Claro, elas não substituem os Sacramentos da Igreja nem os Sacramentais, mas, assim como as Aparições de Nossa Senhora, são evidentes sinais do poder de Deus e de Sua marcante presença em entre nós. É a Santa Igreja, pois, que deve coordenar esses atos de religiosidade, de modo a fazer da veneração das santas relíquias um exercício que leve ao pleno cumprimento da vontade de Deus, sumamente expressa por Jesus no Mandamento do amor a Deus e ao próximo (cf. Mt 22,37.39), através do culto à Comunhão de Seu Corpo e Seu Sangue (cf. Lc 22,19).
E não se deve esquecer a contemplação de Nosso Senhor sobre a religiosidade popular, no Evangelho segundo São Lucas, que por completo se entrega nas mãos da Divina Providência: "Levantando os olhos, Jesus viu os ricos que deitavam suas ofertas no cofre do Templo. Também viu uma indigente viúva deitar duas pequenas moedas, e disse: 'Em Verdade, digo-vos: esta pobre viúva doou mais que os outros. Porque todos eles lançaram nas ofertas de Deus o que lhes sobra. Esta, porém, em sua penúria, deu tudo que lhe restava para o sustento.'" Lc 21,1-4
Ou quando exultou no Espírito Santo, apontando como os sinais de Deus eram acolhidos neste mundo pela ação de Seus discípulos, isto é, da embrionária Igreja: "Pai, Senhor do Céu e da Terra, Eu dou-Te graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, bendigo-Te porque assim foi de Teu agrado." Lc 10,21
Igualmente ao responder aos discípulos de São João Batista, que vieram confirmar se Ele realmente era o Messias, Nosso Senhor referiu-Se a uma passagem do Livro do Profeta Isaías, usando as Escrituras para mostrar que as manifestações de Deus têm os enfermos e os mais pobres como os principais destinatários. É do Evangelho segundo São Mateus: "Ide e contai a João o que ouvistes e o que vistes: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, o Evangelho é anunciado aos pobres..." Mt 11,4-5
Pois assim que partiu de Cafarnaum, Ele viu-Se impedido de entrar nas cidades, como o Evangelho segundo São Marcos relata: "Aproximou-se d'Ele um leproso, suplicando-Lhe de joelhos: 'Se queres, podes limpar-me.' Jesus compadeceu-Se dele, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: ''Eu quero, sê curado.' E imediatamente desapareceu dele a lepra e foi purificado. De pronto Jesus despediu-o com esta severa admoestação: 'Vê que não o digas a ninguém. Mas vai, mostra-te ao sacerdote e apresenta, pela tua purificação, a oferenda prescrita por Moisés para servir-lhe de testemunho.' Este homem, porém, logo que se foi, começou a propagar e divulgar o acontecido, de modo que Jesus não podia publicamente entrar numa cidade. Conservava-Se fora, nos despovoados lugares, e de toda parte vinham ter com Ele." Mc 1,40-45
E eram exatamente os pobres e sofridos que buscavam Jesus, cientes que d'Ele emanava o poder de curar: "Jesus retirou-Se com Seus discípulos para o mar, e seguia-O muita gente vinda de Galileia. E de Judeia, de Jerusalém, de Idumeia, de além-Jordão e de arredores de Tiro e de Sidônia veio a Ele uma grande multidão, ao ouvir de tudo que Ele fazia. Ele ordenou a Seus discípulos que Lhe aprontassem uma barca, para que a multidão não O comprimisse. Porque havia curado a muitos, e todos que padeciam de algum mal arrojavam-se sobre Ele para tocá-Lo." Mc 3,7-10
A mulher, que padecia fluxo de sangue havia doze anos, também se bastou em tocar Suas vestes, que certamente eram relíquias: "Dizia ela consigo: 'Se tocar, ainda que seja na orla de Seu manto, estarei curada.'" Mc 5,28
O mesmo deu-se na região de Genesaré, onde se alcançaram grandes Graças: "As pessoas do lugar reconheceram-nO e mandaram anunciar por todos arredores. Apresentaram-Lhe, então, todos doentes, rogando-Lhe que ao menos deixasse tocar na orla de Sua veste. E todos aqueles que n'Ele tocaram, foram curados." Mt 14,35-36
E depois que Se tornou conhecido, assim era em todos lugares por onde Jesus passava: "Onde quer que Ele entrasse, fosse em aldeias, povoados ou cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-Lhe que os deixassem tocar ao menos na orla de Suas vestes. E todos que tocavam em Jesus ficavam sãos." Mc 6,56
Exceto em Sua terra natal, onde foi repudiado: "Eles ficaram escandalizados a Seu respeito. Mas Jesus disse-lhes: 'Um Profeta só é desprezado em sua pátria, entre seus parentes e em sua própria casa.' Ali não pôde fazer milagre algum. Curou apenas alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. E admirou-Se da incredulidade deles." Mc 6,3b-6a
Relíquias das relíquias, então, é a Santa Síndone, mais conhecida como o Santo Sudário, tecido de linho com o qual o Corpo de Cristo foi envolvido para sepultamento. Ele foi comprado exatamente para este fim por São José de Arimateia, que veladamente seguia Jesus: "Quando já era tarde, era a Preparação, isto é‚ a véspera do sábado, veio José de Arimateia, ilustre membro do Conselho, que também esperava o Reino de Deus. Ele foi resoluto à presença de Pilatos e pediu o Corpo de Jesus. Depois de ter comprado um pano de linho, José tirou-O da Cruz, envolveu-O no pano e depositou-O num sepulcro escavado na rocha, rolando uma pedra para fechar a entrada." Mc 15,42-43.46
O Evangelho segundo São João anotou como ela foi encontrada, na manhã do Domingo da Ressurreição do Senhor, quando também vemos a clara reverência com que o Amado Discípulo tratava o Príncipe dos Apóstolos: "Então saiu Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro. Corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Inclinou-se e ali viu os panos no chão, mas não entrou. Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão. Também viu o Sudário, que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte. Então também entrou o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu." Jo 20,3-8
A Igreja, portanto, venera várias importantes relíquias como o Lenho da Santa Cruz, encontrado por Santa Helena, a própria Santa Casa de Nazaré, transportada por anjos até Itália, além inúmeras relíquias dos Santos.
AS RELÍQUIAS DOS APÓSTOLOS
Após a Ascensão de Jesus aos Céus, parte do assédio que Ele sofria passou para São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, por força dos milagres que Deus realizava através dele. Na narração do Livro dos Atos dos Apóstolos, as pessoas eram curadas simplesmente ao serem cobertas pela sombra do pescador de almas: "Enquanto isso, muitos milagres e prodígios realizavam-se entre o povo pelas mãos dos Apóstolos. Unânimes, reuniam-se todos no Pórtico de Salomão, de maneira que traziam os doentes para as ruas e os punham em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos sua sombra cobrisse alguns deles. Das cidades vizinhas de Jerusalém também afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por imundos espíritos, e todos eles eram curados." At 5,12.15-16
E em determinado momento, São Paulo igualmente tornou-se objeto de veneração popular. Suas relíquias eram levadas a enfermos e possessos, operando grandes Graças: "Deus fazia extraordinários milagres por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado seu corpo eram levados aos enfermos. E afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os malignos espíritos." At 19,11-12
AS RELÍQUIAS DOS PROFETAS
A tradição das relíquias, porém, remonta um tempo bem anterior à Vinda de Jesus. O manto, que o grande Profeta Elias deixou cair ao ser arrebatado aos Céus, operava milagres nas mãos de Eliseu, seu discípulo, e milagre da categoria da abertura do Mar Vermelho, no não menos importante Rio Jordão. Está no Segundo Livro de Reis: "Apanhou o manto que Elias deixara cair, e voltando até o Jordão, parou à beira do rio. Tomou o manto que Elias deixara cair, feriu com ele as águas, dizendo: 'Onde está o Senhor, o Deus de Elias? Onde está Ele?' Tendo ferido as águas, estas separaram-se para um e outro lado, e Eliseu passou." 2 Rs 2,13-14
AS RELÍQUIAS DOS APÓSTOLOS
Após a Ascensão de Jesus aos Céus, parte do assédio que Ele sofria passou para São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, por força dos milagres que Deus realizava através dele. Na narração do Livro dos Atos dos Apóstolos, as pessoas eram curadas simplesmente ao serem cobertas pela sombra do pescador de almas: "Enquanto isso, muitos milagres e prodígios realizavam-se entre o povo pelas mãos dos Apóstolos. Unânimes, reuniam-se todos no Pórtico de Salomão, de maneira que traziam os doentes para as ruas e os punham em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos sua sombra cobrisse alguns deles. Das cidades vizinhas de Jerusalém também afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por imundos espíritos, e todos eles eram curados." At 5,12.15-16
E em determinado momento, São Paulo igualmente tornou-se objeto de veneração popular. Suas relíquias eram levadas a enfermos e possessos, operando grandes Graças: "Deus fazia extraordinários milagres por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado seu corpo eram levados aos enfermos. E afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os malignos espíritos." At 19,11-12
AS RELÍQUIAS DOS PROFETAS
A tradição das relíquias, porém, remonta um tempo bem anterior à Vinda de Jesus. O manto, que o grande Profeta Elias deixou cair ao ser arrebatado aos Céus, operava milagres nas mãos de Eliseu, seu discípulo, e milagre da categoria da abertura do Mar Vermelho, no não menos importante Rio Jordão. Está no Segundo Livro de Reis: "Apanhou o manto que Elias deixara cair, e voltando até o Jordão, parou à beira do rio. Tomou o manto que Elias deixara cair, feriu com ele as águas, dizendo: 'Onde está o Senhor, o Deus de Elias? Onde está Ele?' Tendo ferido as águas, estas separaram-se para um e outro lado, e Eliseu passou." 2 Rs 2,13-14
Semelhante milagre havia realizado a Arca da Aliança, a modo de Moisés atravessando o Mar Vermelho, quando Josué, discípulo e sucessor de Moisés, enfim entrou com o povo de Deus na Terra Santa: "No momento em que os portadores da Arca chegaram ao rio, e os sacerdotes mergulharam seus pés na beira do rio, o Jordão estava transbordante e inundava suas margens durante todo tempo da ceifa. Mas as águas que vinham de cima detiveram-se e amontoaram-se em uma grande extensão, até perto de Adom, localidade situada nas proximidades de Sartã. E as águas que desciam para o mar da planície, o Mar Salgado, foram completamente separadas. O povo atravessou defronte de Jericó. Os sacerdotes, que levavam a Arca da Aliança do Senhor, conservaram-se de pé sobre o leito seco do Jordão, enquanto que todo Israel passava a pé enxuto. E ali permaneceram até que todos passassem para a outra margem." 3 Js 3,15-17
O cajado usado por Moisés também era dotado de poder, no apontamento do Livro de Êxodo: "Moisés respondeu: 'Eles não me crerão, nem me ouvirão, e vão dizer que o Senhor não me apareceu.' O Senhor disse-lhe: 'O que tens na mão?' 'Uma vara.' 'Joga-a por terra.' Ele jogou-a por terra e a vara transformou-se numa serpente, de modo que Moisés recuou. O Senhor disse-lhe: 'Estende tua mão e toma-a pela cauda.' Ele estendeu a mão e tomou-a, e a serpente de novo tornou-se uma vara em sua mão. 'É para que creiam que o Senhor, o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó realmente te apareceu.' Moisés tomou consigo sua mulher e seus filhos, fê-los montar em jumentos e voltou para Egito. Levava na mão a vara de Deus." Ex 4,1-4.20
Já os restos mortais de Eliseu, enquanto relíquias, operaram um grande prodígio: a própria Ressurreição: "Eliseu morreu e foi sepultado. Guerrilheiros moabitas anualmente faziam incursões na terra. Ora, aconteceu que um grupo de pessoas, estando a enterrar um homem, viu uma turma desses guerrilheiros e jogou o cadáver no túmulo de Eliseu. O morto, ao tocar os ossos de Eliseu, voltou à vida, e pôs-se de pé." 2 Rs 13,20-21
"A todos saciai com Vossa Glória!"
Já os restos mortais de Eliseu, enquanto relíquias, operaram um grande prodígio: a própria Ressurreição: "Eliseu morreu e foi sepultado. Guerrilheiros moabitas anualmente faziam incursões na terra. Ora, aconteceu que um grupo de pessoas, estando a enterrar um homem, viu uma turma desses guerrilheiros e jogou o cadáver no túmulo de Eliseu. O morto, ao tocar os ossos de Eliseu, voltou à vida, e pôs-se de pé." 2 Rs 13,20-21
"A todos saciai com Vossa Glória!"