Com as perseguições à Igreja Católica Apostólica Romana pelos imperadores Décio e Valeriano, que aconteceram no ano de 250 e entre 257 e 258, acabou sendo denunciado como cristão por pessoas da administração pública de Tebas, cidade onde nasceu e morava. A real intenção dessa delação, porém, eram tomar suas posses. Foi feita pelo próprio cunhado, esposo de sua única irmã. Estava então por volta de seus 28 anos, e como não admitia participar dos rituais pagãos nem sequer imaginava negar sua fé em Cristo, como o imperador obrigava, finalmente falou mais alto em seu coração a vontade de abandonar a mundana vida das cidades e refugiou-se no deserto para nunca mais voltar.
Era a perfeita vida: estava em plena Comunhão com Deus, sem nenhuma interferência humana, a não ser memórias e resquícios de costumes, que por vezes faziam vagar sua mente. Mas, por sua sincera determinação, isso não o impedia de entrar em contemplação, fazer orações e praticar penitências, a Jesus pedindo Misericórdia e a conversão dos pecadores.
Sua vida foi contada no livro 'Vita Sancti Pauli Primi Eremitae', escrito por São Jerônimo, que a ouviu de Santo Atanásio, discípulo de Santo Antão.
Este último Santo, que viveu entre 251 e 356, já estava morando no deserto havia anos, pois para ele também era a única maneira de realizar a vontade de Deus, quando num sonho foi avisado que ali por perto vivia um homem ainda mais velho que ele. Santo Antão, que até então só se tinha afastado cada vez mais do contato humano, exceto em casos de extrema necessidade, sentiu que deveria conhecê-lo.
E quando foi ao encontro de São Paulo Eremita, este já estava em seus últimos dias. Encontrou-o numa caverna e não conversava com um ser humano havia mais de oito décadas. E ainda trocavam impressões sobre assuntos espirituais quando o corvo de sempre chegou trazendo a ração em dobro, para honrar a visita.
São Paulo então pediu a Santo Antão para ser enterrado numa vala que viu ser cavada por dois leões nas proximidades, havia poucos dias. Também pediu que em seu funeral fosse vestido de uma túnica que seu visitante tinha recebido de Santo Atanásio. Santo Antão ficou muito admirado, pois não lhe havia falado da túnica nem quem lha dera. Percebendo sua surpresa, São Paulo humildemente tentou disfarçar seus dons espirituais, e justificou-se dizendo que não queria ir à presença de Deus em indignos trajes.
Antecipando-se, Santo Antão logo foi buscar-lhe a túnica, mas quando voltou não mais o encontrou. Entendeu muito bem, porém, seu desejo de permanecer na solidão, como o próprio Santo Antão se sentia quando seus seguidores o encontravam.
São Paulo Eremita viveu 112 anos, informação dada por Santo Antão, que teve uma visão de sua alma envolta em Glória no momento em que subia aos Céus. No dia seguinte, foi à caverna onde o havia encontrado, vestiu seu corpo com a túnica que lhe pediu e enterrou-o na cova por ele indicada. Levou consigo, porém, a túnica de São Paulo, tecida em folha de palmeira. Tinha-lhe em grande honra e duas vezes ao ano usava-a, na Páscoa e no Pentecostes.
A solidão, que escolheu como esposa, foi a companheira de nosso Santo até a hora de sua morte. Buscou-a para se encontrar com Deus e Ele revelou-lhe o mundo místico, muito mais rico em sinais do que realmente precisamos para bem viver.
São Paulo Eremita claramente demostrou que só Deus é essencial a nossas vidas. Foi o primeiro monge eremita e o primeiro Padre do Deserto. Também é venerado pelas igrejas copta e 'ortodoxa'.
São Paulo Eremita claramente demostrou que só Deus é essencial a nossas vidas. Foi o primeiro monge eremita e o primeiro Padre do Deserto. Também é venerado pelas igrejas copta e 'ortodoxa'.
No século V, foi construído um mosteiro que entre suas muralhas conserva a caverna, em frente ao monte Sinai, também chamado Horeb, onde nosso Santo viveu. Santo que nada pregou e nada escreveu. Aí seu silêncio ainda pode ser ouvido e cultuado enquanto sua mais profunda oração. A igreja foi erguida no lugar de seu encontro com Santo Antão. Até hoje algumas celas são simplesmente escavadas na rocha, como modelo do abrigo por ele adotado.
No século XIII, foi fundada em Hungria a Ordem de São Paulo, o Primeiro Eremita, conhecida como os padres paulinos. Também tem conventos em Polônia e Itália.
Suas relíquias foram exumadas e por muito tempo estiveram expostas na mesma caverna em que viveu. Até que, por perfeita inspiração, em respeito a sua vocação pelo total eremitério, foram definitivamente ocultadas, assim como a caverna, dos visitantes e mesmo dos monges.
São Paulo Eremita, rogai por nós!






















