quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O Tempo de Deus


    O tempo é apenas mais uma das criações de Deus. Ele também é Senhor do tempo, portanto, podendo alongá-lo ou encurtá-lo a bem de Seus planos, como disse São Pedro: "... um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia." 2 Pd 3,8
    O salmista já o havia percebido: "... porque mil anos, diante de Vós, são como o dia de ontem que já passou, como uma só vigília da noite." Sl 89,4
    Também disse o Profeta Daniel: "É Ele Quem faz mudar os tempos e as circunstâncias..." Dn 2,21
    Ora, desde o início da Revelação, Ele inspirou a humanidade sobre Sua atemporal condição: "Abraão plantou um tamariz em Bersabeia e invocou ali o Nome do Senhor, Deus da eternidade." Gn 21,33
    Por isso, diz o salmista: "Antes que se formassem as montanhas, a terra e o universo, desde toda eternidade Vós sois Deus." Sl 89,2
    E São Paulo fala de 'um tempo' em que o tempo nem existia: "Pregamos a Sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para nossa Glória." 1 Cor 2,7
    Assim Ele é o Senhor da História, e, por Sua vontade, nela entra e ativamente participa por amor aos Seus filhos. Foi o que Ele manifestou ao rei Ezequias, através do Profeta Isaías: "Ignoras que desde o princípio preparei o que acontecerá? Desde remotos tempos decidi o que agora realizarei..." 2 Rs 19,25
    Para entender Seus desígnios, então, os homens de Deus sempre foram estudiosos dos tempos, e por isso eram consultados por reis e rainhas, como fez Vasti, nos anos da rainha Ester: "Consultou os sábios versados na ciência dos tempos." Es 1,13
    De fato, toda obra de Deus, inclusive o tempo, é um convite para que o ser humano O conheça e O ame, como ensinou São Paulo em Atenas: "Ele fez nascer de um só homem todo gênero humano, para que habitasse sobre toda face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites de sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e esforcem-se por encontrá-Lo como que às apalpadelas, pois na verdade Ele não está longe de cada um de nós. Porque é n'Ele que temos a vida, o movimento e o ser..." At 17,26-28a
    Mas como a humanidade não tinha plena maturidade para percebê-Lo, Ele foi revelando-Se aos poucos, por Sua pura bondade. Foi o que pregou este Apóstolo na cidade de Icônio: "Em tempos passados, Ele permitiu que todas nações seguissem seus próprios caminhos. Contudo, nunca deixou de dar testemunho de Si mesmo, por Seus benefícios: dando-vos do céu as chuvas e os férteis tempos, concedendo abundante alimento e enchendo vossos corações de alegria." At 14,16-17
    Ou seja, Ele sempre usou de muita paciência para com nossos pecados: "Deus, porém, não levando em conta os tempos da ignorância, agora a todos os homens de todos os lugares convida a arrependerem-se." At 17,30
    O Eclesiástico registrou: "A duração da vida humana é quando muito cem anos. No Dia da eternidade, esses breves anos serão contados como uma gota de água do mar, como um grão de areia. É por isso que o Senhor é paciente com os homens, e sobre eles espalha Sua Misericórdia." Eclo 18,8-9
    Ele até concede Graças aparentemente aleatórias, como fazia no tanque chamado Betesda, junto à Porta das ovelhas, em Jerusalém: "Pois de tempos em tempos um anjo do Senhor descia ao tanque, e a água punha-se em movimento. E o primeiro que entrasse no tanque, depois da agitação da água, ficava curado de qualquer doença que tivesse." Jo 5,4
    Em tudo, porém, Ele deixa marcas de Seu poder: "Desde a Criação do mundo, as invisíveis perfeições de Deus, Seu sempiterno poder e divindade tornam-se visíveis à inteligência por Suas obras, de modo que não se podem escusar." Rm 1,20
    Mas seja pelo momento da morte seja pelo fim dos tempos, Ele também predeterminou o Dia do Juízo, assim como a Ressurreição da carne no Último Dia: "Porquanto fixou o Dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo Ministério de um Homem que para isso destinou. Para todos deu como garantia disso o fato de tê-Lo ressuscitado dentre os mortos." At 17,31
    Pois por Seus Profetas fez-nos perceber que os fatos sempre estão sob Seu absoluto controle, como revelou a Isaías: "Por uma poderosa inspiração, ele viu o fim dos tempos e consolou aqueles que choravam em Sião. Ele anunciou o futuro até o fim dos tempos, assim como as coisas ocultas antes que se cumprissem." Eclo 48,27-28
    Aliás, o Pai sempre Se manteve em íntimo contato com Seu povo, em especial na Vinda de Seu Filho, que os seguidores de São Paulo acertadamente designam como os últimos tempos: "Muitas vezes e de diversos modos, outrora falou Deus a nossos pais pelos Profetas. Agora, nestes tempos que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a Quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo Qual fez os séculos." Hb 1,1-2
    São Pedro também apontou este período de preparação dos Profetas: "Foi-lhes revelado que propunham não para si mesmos, senão para vós estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,12
    Até a Manifestação do Cristo, porém, Deus pedia paciência a Seu povo, como respondeu ao Profeta Habacuc: "'Até quando, Senhor, implorarei sem que escuteis? Até quando Vos clamarei: 'Violência!', sem que venhais em socorro? Por que me mostrais o espetáculo da iniquidade, e Vós mesmo contemplais essa desgraça? Só vejo diante de mim opressão e violência, nada mais que discórdias e contendas.' E o Senhor assim me respondeu: 'Escreve esta visão, grava-a em tabuinhas, para que ela possa ser facilmente lida. Porque ainda há uma visão para um termo fixado, ela rapidamente aproxima-se de seu termo e não falhará. Mas, se tardar, espera-a, porque com toda certeza ela se realizará, e não falhará. Eis que sucumbe o que não tem íntegra alma, mas o justo vive da fé.'" Hab 1,2-3;2,2-4


O TEMPO DO FILHO

    Desde Suas primeiras pregações, Jesus dizia que o povo deve preparar-se para o encontro com Deus: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo! Fazei penitência e crede no Evangelho!" Mc 1,15
    Pois com o amadurecimento do povo de Deus, por obra do Antigo Testamento, Deus manifestou-Se na Pessoa de Jesus, assumindo a condição humana com todas suas limitações, para mais claramente mostrar-nos o Caminho para o Céu: "Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei..." Gl 4,4
    E além de submisso a uma lei, enquanto humano também Ele teve que aprender a aceitar os desígnios e o tempo de Deus: "Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve." Hb 5,8
    Aliás, como fez desde Sua infância, enquanto crescia sob os cuidados de Nossa Senhora e São José: "E Jesus crescia em estatura, em Sabedoria e Graça, diante de Deus e dos homens." Lc 2,52
    Os desígnios de Deus, porém, às vezes são difíceis de suportar, como bem demonstrou Jesus no Jardim das Oliveiras ante a proximidade de Sua morte: "Aba! (Pai!). Tudo Te é possível. Afasta de Mim este cálice! Não se faça, porém, o que Eu quero, mas o que Tu queres." Mc 14,36
    Ou mais especificamente em Sua Paixão, sob extrema crueldade, quando experimentou as profundezas da condição humana: "Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?" Mc 15,34
    Era a vontade de Deus, como haviam previsto os Profetas, que pela memória do sacrifício de Cristo a humanidade fosse redimida, e que Sua Epifania sinalizasse o início dos tempos finais. São Pedro diz: "Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, Aquele que foi predestinado antes da Criação do mundo, e que nos últimos tempos por amor a vós foi manifestado." 1 Pd 1,19-20
    Assim como a mais evidente manifestação do inimigo, como adverte São João Evangelista: "Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora." 1 Jo 2,18
    E mesmo entre aparentes contrassensos, sabemos que em Jesus está a síntese de toda obra de Deus, como escreveu São Paulo aos colossenses: "Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a Criação. N'Ele foram criadas todas as coisas nos Céus e na terra, as visíveis e as invisíveis criaturas: tronos, dominações, principados, potestades. Tudo foi criado por Ele e para Ele. Ele existe antes de todas as coisas, e n'Ele todas as coisas subsistem." Cl 1,15-17
    Na noite anterior à Sua Crucificação, Ele mesmo afirmou-o: "Agora, pois, Pai, glorifica-Me junto a Ti, concedendo-Me a Glória que tive junto a Ti antes que o mundo fosse criado." Jo 17,5
    E quando confrontado com Abraão pelos judeus, "Respondeu-lhes Jesus: 'Em verdade, em verdade, digo-vos: antes que Abraão existisse, EU SOU." Jo 8,58
    Por isso, n'Ele contemplamos o que se pode compreender dos planos de Deus, certos de que só por Seu Sangue nos reconciliamos com o Pai: "Ele manifestou-nos o misterioso desígnio de Sua vontade, que em Sua benevolência formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos - desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos Céus e as que estão na terra." Ef 1,9-10
    Pois estamos diante do chamado Mistério de Cristo, como diz São Paulo: "... coube-me a Graça de anunciar entre os pagãos a inexplorável riqueza de Cristo, e a todos manifestar o salvador desígnio de Deus, mistério oculto desde a eternidade..." Ef 3,8-9
    A partir d'Ele, os tempos foram divididos. O Julgamento, que é Sua Palavra, já foi proferido. Ou aderimos ao Seu projeto de amor, ou nos perdemos, pois assim rezam os Anciãos diante do Trono, conforme a visão de São João Evangelista: "Damo-Te Graças, Senhor, Deus Onipotente, que és e que eras, porque assumiste a plenitude de Teu real poder." Ap 11,17
    Dos contemporâneos de Sua Encarnação, de fato, Jesus cobrou atenção para com os tempos que se vivia: "Hipócritas! Sabeis distinguir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?" Mt 16,4
    E se Deus Se resguardara até então, Seus Apóstolos já não teriam mais porque vacilar. Jesus sentenciou: "Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo Profeta Isaías: 'Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, porque o coração deste povo se endureceu. Taparam seus ouvidos e fecharam seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda. E se convertam, e assim Eu os cure (Is 6,9s)'. Mas quanto a vós, bem-aventurados vossos olhos porque vêem! Ditosos vossos ouvidos porque ouvem! Eu declaro-vos, em verdade: muitos Profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram." Mt 13,14-17
    Por fim, e em pleno cumprimento de Sua Missão, Ele desceu à mansão dos mortos e de lá retirou Seu povo, que O havia precedido: "Irritaram-se os pagãos, mas eis que sobreveio Tua ira e o tempo de julgar os mortos, de dar a recompensa a Teus servos: aos Profetas, aos Santos, aos que temem Teu Nome..." Ap 11,18
    Ao falar dos que persistem no pecado, São Pedro explicou: "Eles darão conta Àquele que está pronto para julgar os vivos e os mortos. Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos, para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito." 1 Pd 4,5-6
    E assim muitos ressuscitaram com Ele, como atestou São Mateus: "Os sepulcros abriram-se e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da Ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas." Mt 27,52-53
    Não por acaso, com a chegada de Jesus aos Céus deu-se uma grande celebração por sua inconteste vitória contra Satanás. São João Evangelista registrou: "Eu ouvi no Céu uma voz forte que dizia: 'Agora chegou a Salvação, o poder e a realeza de Nosso Deus, assim como a autoridade de Seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que dia-e-noite os acusava diante do Nosso Deus.'" Ap 12,10
    E como prometido, dos Céus Ele voltará, no dia da Recriação dos Cosmos. É o que ensina São Pedro após curar um aleijado no Templo de Jerusalém: "Virão, assim, da parte do Senhor os tempos de refrigério, e Ele enviará Aquele que vos é destinado: Cristo Jesus. É necessário, porém, que o Céu O receba até os tempos da restauração universal, da qual outrora falou Deus pela boca de Seus santos Profetas." At 3,20-21
    Mas quanto ao cumprimento dos tempos finais, não nos foi dado saber nenhum detalhe, como disse o próprio Jesus aos Apóstolos, pouco antes de Sua Ascensão aos Céus: "Não vos pertence saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em Seu poder..." Ap 1,7
    São Paulo, porém, das revelações pessoais que teve, deixou um detalhe em carta aos tessalonicenses: "A respeito da época e do momento, não há necessidade, irmãos, de que vos escrevamos. Pois vós mesmos sabeis muito bem que o Dia do Senhor virá como um ladrão de noite. Quando os homens disserem: 'Paz e segurança!', então repentinamente lhes sobrevirá a destruição, como as dores à mulher grávida. E não escaparão!" 1 Ts 5,1-3


OS ÚLTIMOS TEMPOS - TEMPOS DO ESPÍRITO SANTO OU DA IGREJA

    Até lá, porém, não ficamos sem a Divina Luz. Para os tempos que Lhe sucederam, Jesus garantiu à Sua Igreja a permanente presença do Espírito Santo através dos séculos: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dar-vos-á outro Paráclito para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,16-17
    D'Ele nós temos a inspiração e a guia: "Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele glorificar-Me-á, porque receberá do que é Meu e anunciar-vos-á." Jo 16,13-14
    São Paulo fala, portanto, do glorioso ministério do Espírito Santo, iniciado com o nascimento da Igreja, isto é, no Pentecostes: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, revestiu-se de tal glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face (embora transitório), quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito!" 2 Cor 3,7-8
    Ele claramente distingue os Testamentos: "Porém, se vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a Lei." Gl 5,18
    E São João Evangelista explica: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas as coisas. Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se em vós permanecer o que ouvistes desde o princípio, também permanecereis vós no Filho e no Pai. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine, mas, como Sua unção vos ensina todas as coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei n'Ele, como ela vos ensinou." 1 Jo 2,20.24.27b
    Desde a Manifestação do Cristo, então, e após tantos castigos acontecidos às gerações que Lhe antecederam, mas não só a elas, o Último Apóstolo reafirma que vivemos os últimos tempos: "Todas estas desgraças aconteceram-lhes para nosso exemplo, foram escritas para advertência nossa, para nós a quem toca o final dos tempos." 1 Cor 10,11
    Pois a Igreja, enquanto Casa do Senhor, já se firmou, e como depositária do Evangelho leva a Salvação às nações. Isaías profetizou: "No fim dos tempos, acontecerá que o monte da Casa do Senhor estará colocado à frente das montanhas, e dominará as colinas. A ele acorrerão todas gentes, e os povos virão em multidão: 'Vinde', dirão eles, 'subamos à montanha do Senhor, à Casa do Deus de Jacó! Ele ensinar-nos-á Seus Caminhos, e nós trilharemos Suas veredas.'" Is 2,2-3a
    São Pedro, no entanto, lembra que o privilégio de receber a inteira mensagem da Salvação nos enche de responsabilidade: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas, que proferiram oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e que profetizava os sofrimentos do mesmo Cristo, assim como as Glórias que deviam segui-los. Cingi, portanto, os rins de vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na Graça que vos será dada no Dia em que Jesus Cristo aparecer." 1 Pd 1,10-11.13
    Por isso, ele faz uma revelação e pergunta-se: "Porque vem o momento em que pela Casa de Deus se começará o Julgamento. Ora, se Ele começa por nós, qual será a sorte daqueles que são infiéis ao Evangelho de Deus? E se o justo se salva com dificuldade, que será do ímpio e do pecador?" 1 Pd 4,17-18
    De fato, Jesus mesmo avisou: "Porque, a quem muito se deu, muito se exigirá. Quanto mais se confiar a alguém, mais dele há de exigir-se." Lc 12,48b
    De toda forma, também nós ainda gozamos da paciência de Deus, como São Paulo argumenta na Carta aos Romanos: "Ou será que desprezas as riquezas de Sua bondade, de Sua tolerância, de Sua paciência, não entendendo que a bondade de Deus te convida à conversão?" Rm 2,4
    Sem dúvida, só através de Seu Filho temos a plena Redenção dos pecados: "Deus destinou-O para ser, pelo Seu Sangue, vítima de propiciação mediante a . Assim Ele manifesta Sua justiça; porque no tempo de Sua paciência Ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores." Rm 3,25
    São Pedro, pois, vê a bondade de Deus no vagar do tempo dessa espera: "O Senhor não retarda o cumprimento de Sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Ele não quer que alguém pereça. Ao contrário, quer que todos se arrependam." 2 Pd 3,9
    Contudo, fomos avisados por São Paulo de que viveríamos tempos espiritualmente difíceis, quando muitos abandonam a Igreja de Cristo por causa da proliferação de falsas e tenebrosas doutrinas: "O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé dando ouvidos a embusteiros espíritos e a diabólicas doutrinas, de hipócritas e impostores, marcados na própria consciência com o ferrete da infâmia..." 1 Tm 4,1-2
    E assim será apesar do reinado dos Santos junto ao Cristo, que durará um perfeito período, como atesta São João Evangelista: "Também vi tronos, sobre os quais se assentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a Fera ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma nova vida e com Cristo reinaram por mil anos. Feliz e Santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo: com Ele reinarão durante os mil anos." Ap 20,4.6
    Serão tempos verdadeiramente inglórios, por força dos poderes que a 'besta' recebe de Satanás, durante os quais à Igreja só restará reagir pela oração: "Também lhe foi dado fazer guerra aos Santos e vencê-los. Recebeu autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação, e hão de adorá-la todos habitantes da terra cujos nomes não estão escritos desde a origem do mundo no livro da Vida, do Cordeiro Imolado. Quem tiver ouvidos, ouça! Quem procura prender, será preso. Quem matar pela espada, pela espada deve ser morto. Esta é a ocasião para a constância e a confiança dos Santos!" Ap 13,7-10
    Pois mesmo diante de verdadeiras chacinas, nem a intercessão dos Santos no Céu, diante do Trono de Deus, será prontamente atendida: "Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do Altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da terra?' Então foi dada a cada um deles uma branca veste, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam para ser mortos com eles." Ap 6,9-11
    Segundo o 'Homem vestido de linho', como viu o Profeta Daniel, será: "... no momento em que a força do povo santo for inteiramente esmagada, que todas estas coisas se cumprirão." Dn 12,7b
    Ele acrescenta: "Os ímpios agirão com perversidade, mas nenhum deles compreenderá, enquanto que os sábios compreenderão." Dn 12,10b
    O Arcanjo Gabriel explicou a este Profeta: "'Eis', disse, 'vou revelar-te o que acontecerá nos últimos tempos da cólera, porque isso diz respeito ao tempo final. No fim do reinado deles, quando estiver cheia a medida dos infiéis, um rei surgirá, cheio de crueldade e fingimento. Seu poder aumentará, nunca porém por si mesmo. Fará monstruosas devastações, terá êxito em suas empresas, exterminará os poderosos e o povo dos Santos. Graças à sua habilidade, fará triunfar sua perfídia, seu coração inchar-se-á de orgulho. Mandará matar muita gente que não espera por isso, levantar-se-á contra o Príncipe dos príncipes, mas será aniquilado sem a intervenção de mão humana.'" Dn 8,19.23-25
    O próprio Jesus avisou de tempos de total impotência por parte da Igreja: "Enquanto for dia, cumpre-Me terminar as obras d'Aquele que Me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar." Jo 9,4
    Falou inclusive de claros sinais que se verão por todo Cosmo, pouco antes de Sua Volta: "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande Glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai vossas cabeças, porque se aproxima vossa libertação." Mt 21,25-28
    Ainda segundo Ele, a situação da Cidade Santa servirá de sinal: "... Jerusalém será pisada pelos pagãos, até completarem-se os tempos das nações pagãs." Lc 21,24b
    Nas revelações a São João Evangelista, no entanto, fala-se apenas do lado de fora do Templo, talvez uma alusão à proteção de que usufrui a Igreja, quando nos foi comunicado um tempo meramente simbólico: "Foi-me dada uma vara semelhante a uma vara de agrimensor, e disseram-me: 'Levanta-te! Mede o Templo de Deus e o Altar com Seus adoradores. O átrio fora do Templo, porém, deixa-o de lado e não o meças: foi dado aos gentios, que hão de calcar aos pés a Cidade Santa por quarenta e dois meses.'" Ap 11,1-2
    O fim desses tempos também foi previsto através do Profeta Joel, quando Deus prometeu: "Sabereis, então, que Eu sou o Senhor, Vosso Deus, que habita em Sião, Minha Santa Montanha. Jerusalém será um lugar sagrado, onde os estrangeiros não mais tornarão a passar." Jl 4,17
    São Paulo, por sua vez, fala de uma época em que a fé quase desaparecerá, confirmando a constante do pequeno resto: "No que diz respeito à Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e nossa reunião com Ele, rogamo-vos, irmãos, não vos deixeis facilmente perturbar o espírito e alarmar-vos, nem por alguma pretensa revelação nem por palavra ou carta tidas como procedentes de nós, e que vos afirmassem estar iminente o Dia do Senhor. Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no Templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus." 2 Ts 2,1-4
    E deu estes detalhes: "Agora, sabeis perfeitamente que algo o detém, de modo que ele só se manifestará a seu tempo. Porque o mistério da iniquidade já está em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o detém. A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios. Ele usará de todas seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que teria podido salvá-los. Por isso, Deus enviá-lhe-á um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro." 2 Ts 2,6-7.9-11
    O próprio Jesus aludiu à apostasia numa pergunta: "Mas quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" Lc 18,8b
    E Ele mesmo respondeu: "E ante o crescente progresso da iniquidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo." Mt 24,12-13
    De fato, o pequeno resto, que persevera e representa a Igreja, chegará a perfeita santidade, como previu São Paulo: "Vós despistes-vos do velho homem com seus vícios e revestistes-vos do novo, que constantemente vai restaurando-se à imagem d'Aquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento. Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo que será tudo em todos." Cl 3,11
    É então que se dará a batalha final: "Depois de completarem-se mil anos, Satanás será solto da prisão. Sairá dela para seduzir as nações dos quatro cantos da terra, de Gog e Magog, e reuni-las para o combate. Serão numerosas como a areia do mar. Subiram à superfície da terra e cercaram o acampamento dos Santos e a Cidade Querida." Ap 20,7-9a
    Mas, com a garantia do Divino Paráclito, devemos aguardar pela finalização da obra da Salvação, que pertence exclusivamente a Deus: "N'Ele também vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor da nossa herança, enquanto esperamos a completa Redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor da Sua Glória." Ef 1,13-14
    Pois mesmo estando em minoria, aí se terá a mesma situação em que o Espírito de Deus inspirou a Jaziel, quando moabitas e amonitas se reuniram contra os israelitas: "'Prestai atenção', disse ele, 'homens de Judá e de Jerusalém, e tu, rei Josafá! Eis o que vos diz o Senhor: Não temais! Não vos deixeis atemorizar diante dessa imensa multidão, pois essa guerra não compete a vós, mas a Deus.'" 2 Cro 20,15
    A Vitória de Cristo, portanto, é mais que certa. São João Evangelista registrou: "Eu vi a Fera e os reis da terra com seus exércitos, reunidos para fazer guerra ao Cavaleiro e Seu Exército. Mas a Fera foi presa, e com ela o falso profeta que realizara prodígios sob seu controle, com os quais seduzira aqueles que tinham recebido o sinal da Fera e tinham-se prostrado diante de sua imagem. Ambos foram lançados vivos no sulfuroso lago de fogo. Os demais foram mortos pelo Cavaleiro, com a espada que Lhe saía da boca." Ap 19,19-21a
    A revelação feita a São Paulo foi mais sucinta: "Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus destruí-lo-á com o sopro de Sua boca, e aniquilá-lo-á com o resplendor da Sua Vinda." 2 Ts 2,8
    Ele complementa: "E quando tudo Lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem Àquele que Lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos." 1 Cor 15,28


A VIDA ETERNA

    Assim como Deus, a alma, Sua mais bela criação, também é eterna. Isso se dá quer sejamos bons ou maus, pois, o projeto de Deus, que é inviolável, consiste em conduzir-nos, através da Ressurreição, ou seja, em corpo e alma, à eternidade. Uns, porém, para a condenação eterna, e outros para Sua Eterna Glória, como foi revelado desde o Profeta Daniel: "Muitos daqueles que dormem no pó da terra despertarão, uns para uma Vida Eterna, outros para a ignomínia, a eterna infâmia." Dn 12,2
    O livro de Macabeus também registra essa promessa: "... o Rei do universo ressuscitar-nos-á para a Vida Eterna, se morrermos por fidelidade às Suas leis." 2 Mc 7,9b
    Ora, o próprio Jesus disse em revelação a São João Evangelista: "Eis que em breve venho, e Minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim." Ap 22,12-13
    E no Livro de Tobias, São Rafael Arcanjo já afirmava que a caridade pode levar-nos à eternidade: "... porque a esmola livra da morte: ela apaga os pecados e faz encontrar a Misericórdia e a Vida Eterna..." Tb 12,9
    Esta também era uma das recomendações de São Pedro, citando os Provérbios, seja por conta do Juízo Particular ou do Juízo Final: "O fim de todas as coisas está próximo. Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração. Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados (Pr 10,12)." 1 Pd 4,7-8
    Na Carta a São Tito, enfim, São Paulo diz que a eternidade era uma antiga promessa: "... esperança da Vida Eterna, prometida em longínquos tempos por Deus veraz e fiel..." Tt 1,2
    De fato, como menciona o Deuteronômio, há muitos séculos que Ele tem sido o verdadeiro refúgio de Seus filhos: "... o Deus dos antigos tempos que é Teu refúgio, e Teu apoio Seus eternos braços..." Dt 33,27

A VIDA TERRENA

    Em sua visão nem sempre tão esperançosa, pois ainda não era bem conhecida a doutrina de Ressurreição, o Eclesiastes lista algumas situações a que estamos expostos. Ela vale, contudo, além de atestar os misteriosos desígnios de Deus, para que se contemple a alternância dos momentos de uma vida, mas jamais como licença para se abuse do livre arbítrio:

"Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus:
tempo para nascer, e tempo para morrer;
tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado;
tempo para matar, e tempo para sarar;
tempo para demolir, e tempo para construir;
tempo para chorar, e tempo para rir;
tempo para gemer, e tempo para dançar;
tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las;
tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se.

Tempo para procurar, e tempo para perder;
tempo para guardar, e tempo para jogar fora;
tempo para rasgar, e tempo para costurar;
tempo para calar, e tempo para falar;
tempo para amar, e tempo para odiar;
tempo para a guerra, e tempo para a paz." Ecl 3,1-8

    Com efeito, citando os grandes evangelizadores de Corinto até então, entre os quais se inclui, São Paulo diz: "Tudo é vosso: Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente e o futuro. Tudo é vosso! Mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus." 1 Cor 13,21b-23

    "Todas vezes que comemos deste Pão e bebemos deste Cálice, anunciamos, Senhor, Vossa morte, enquanto esperamos Vossa Vinda!"