quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

São Severino


    Nasceu em Roma, no ano de 410 da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, de família de nobres, talvez senatorial, mas, inspirado pelas vidas de São Paulo Eremita e Santo Antão, distribuiu seus bens entre os pobres (cf. Lc 14,33) e foi viver a plena Comunhão com Deus nos desertos de Egito.
    Após anos de penitências e meditações, Severinus foi conduzido por Deus para, mudando de região e dedicando sua vida também à catequização, trabalhar pela Salvação das almas dos bravios povos que viviam ao norte do Império Romano. Por lá, a maioria sequer tinha ouvido falar do Evangelho, e tudo que conheciam dos romanos era a força armada de suas legiões, em invasões, dominações e sangrentos combates.
    Tal missão também ajudaria a defender Igreja Católica Apostólica Romana, e assim toda cristandade, pois à época esses povos representavam uma grande ameaça ao Império Romano do Ocidente, como definitivamente vieram a derrubá-lo em 476. A sede do Bispo de Roma, pois, estava em perigo, e com ela alguns séculos de importantíssima História e estruturação eclesial do Catolicismo.
    Com a morte de Átila, o rei dos hunos, dada em 453, no ano seguinte, vindo de Panônia, província do Império Romano em terras de atual Hungria, São Severino chega a Ufernoricum (Ovilava), capital de Nórica, província romana hoje correspondente a uma região entre Áustria, onde ficava a maior parte, e Alemanha.
    Morando em pequenas e frágeis cabanas que construía às margens do rio Danúbio, entre as cidades de Carnuntun e Passau, respectivamente em atuais Áustria e Alemanha, dia após dia foi ao encontro do povo para cuidar de enfermos e desvalidos, e anunciar com peculiar humildade o Mistério de Cristo. Converteu muitos pagãos e, por causa da insistência, teve que se esforçar para recusar as comodidades que eles agradecidamente lhe ofereciam, sempre retornando a seus modestíssimos barracos, pois não abdicava de suas horas de penitência, recolhimento e oração.

 
    Além de inúmeras vilas, esteve nas povoações que viriam a ser as cidades de Klosterneuburg (Astúrias), Tulln (Comagena), Kuchl, (Cucullis), Salzburg (Luvavum), Mautern (Favianis) e Melk, hoje todas em terras austríacas. Nas proximidades de Passau, esteve no assentamento de Künzing (de Quintanis), Batavis, Boiotro e Joviaco. Resistiu com a população contra os ataques germânicos vindo do norte, como vândalos, ostrogodos e visigodos, mas acabou organizando um recuo para Lorch (Lauricum), base legionária romana, em seguida, por mais segurança, a Favianis, ambas hoje cidades em Áustria. Ergueu uma ermida perto de Vindobona, atual Viena, capital deste país, e, mesmo sendo um itinerante pregador da Palavra, atraiu muitas vocações para a vida de recolhimento.
    Assim fundou alguns mosteiros, preparando várias gerações para a vida religiosa, embora tenha continuado em vida de eremitério. Além de amplamente tratado como abade, por sua disciplina, era requisitado para questões de ordem pública, pelas quais muito zelava, e grande conselheiro espiritual. Entre o povo mais pobre, com frequência organizava distribuição de comida e roupas. De notória autoridade espiritual, era muito respeitado pelos líderes guerreiros dessas regiões, como o rei dos rúgios, Flaciteu, e o rei dos hérulos, Odoacro, que o procuravam para se aconselharem sobre os assuntos de seus povos. Por sua tocante misericórdia, nosso Santo conseguiu a libertação de vários soldados romanos presos por eles.


    Não se tem registros se foi ordenado Sacerdote, mas, levado por sua vida autenticamente eremítica, é sabido que tenha recusado ordenação de Bispo.
    Seus únicos pertences eram uma túnica, um cajado e as Sagradas Escrituras, que invariavelmente usava em suas reflexões e pregações. Em total negação de si mesmo, nada falava de seu passado ou de sua família, relegando sua pregressa vida ao total esquecimento, por isso tão pouco se sabe. Baseando-se em fatos que de 'bruto e não artístico' modo coletou, Santo Eugípio, seu mais próximo discípulo, escreveu sua vida e sua regra monástica. Este escritor eclesiástico, e um dos primeiros hagiógrafos cristãos, que era africano e veio a ser abade, também foi responsável pela primeira antologia de Santo Agostinho, de mais de mil páginas. Ele testemunhou que São Severino tinha poderes de cura e de profecia.


    Morreu a 8 de janeiro de 482 em Favianis, onde havia uma fortificação do Limes Noricus romano, atualmente a cidade de Mautern an der Donau, em terras de Áustria. Teria 72 anos, como Santo Eugípio deduziu. Ainda segundo ele, nosso Santo havia previsto seu próprio falecimento e o abandono de Ufernoricum, hoje cidade de Wels, em Áustria, por força de violentos ataques bárbaros. E seis anos depois seu corpo continuava incorrupto, exalando um leve e agradável perfume. Foi adotado como o Padroeiro de Áustria, Viena e Baviera, região no sudeste de Alemanha. É o Santo que ajuda os pobres e liberta os presos.


    Em 488, instado por Santo Eugípio, Onoulf, irmão de Odoacro, levou seus restos mortais à comuna de Nápoles, em Itália, onde, com a permissão do Papa São Gelásio I, lhes ergueram um mosteiro em Castellum Lucullanum. Os monges que haviam abandonado o mosteiro de Ufernoricum também se instalaram aí. Ele foi ampliado e finalizado no século X, passando à Ordem de São Bento, com uma igreja anexa, que leva o nome São Severino e São Sossio, martirizado junto a São Januário, e foi reformada em 1490. Poucas décadas mais tarde, nela edificou-se uma capela para a devoção a suas relíquias de nosso Santo.


    Em 1807, os beneditinos foram expulsos de Nápoles e o mosteiro tornou-se um arquivo público.


    Suas relíquias foram levadas à comuna vizinha de Frattamaggiore, hoje guardadas numa urna na Basílica de São Sossio.


    São Severino, rogai por nós!