quarta-feira, 19 de setembro de 2018

São Januário


    A devoção a São Januário é tão grande que se confunde com boa parte da história de Nápoles, Itália. Desde proteção contra o vulcão Vesúvio, que fica a apenas 9 quilômetros da cidade, bem como contra pestes, fome e guerra, 'San Gennaro' é frequentemente invocado e praticamente uma pessoa da família de qualquer napolitano.
    Seu nome de nascimento era Prócolo, da família patrícia dos 'Ianuarii', ou seja, consagrada ao deus pagão Jano. Mas São Januário foi criado na fé cristã, levado pelas numerosas conversões que aconteciam no berço do Império Romano, alimentadas pelo valoroso testemunho de inúmeros mártires que preferiam morrer a renegar Cristo.
    Sacerdote de grande coração, além de tocante humildade, foi popularmente aclamado e consagrado Bispo de Benevento, uma província na Campania, região vizinha. Porém, mesmo em função tão importante, e apesar das perseguições perpetradas pelos imperadores romanos, São Januário não deixava de visitar os prisioneiros, como Jesus havia recomendado, principalmente os cristãos, que eram abandonados pela certeza de que seriam sacrificados ou porque seus visitantes eram suspeitos de também serem cristãos.
    A situação deles, no entanto, havia-se agravado bastante com o quarto 'Édito contra os cristãos', publicado por Diocleciano em 304: todo povo do império era obrigado a prestar culto aos deuses pagãos, e quem se negasse seria sumariamente sacrificado.
    Pela grande atração que exercia sobre os fiéis, e eles não conseguiam disfarçar, numa dessas visitas no ano de 305, quando foi ao encontro de um cristão chamado Sossus, preso em Pozzuoli, próximo a Nápoles, São Januário foi denunciado como seguidor de Cristo e preso com Festus, seu diácono, além de um conferencista, outros dois diáconos e dois leigos. Obrigados a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos, ele serenamente recusou-se, e foi acompanhado pelos demais.
    Assim, o amado Bispo de Benevento foi levado para ser devorado pelas feras. Como aconteceu com o Profeta Daniel, porém, os leões não lhe fizeram nenhum mal, e até deitaram-se aos seus pés. Vendo isso, e cuidando que fosse magia, o procônsul encheu-se de ira e decretou que ele fosse decapitado. Como de fato era muito querido, seu sacrifício acabou sendo espontaneamente acompanhado de um grande cortejo. E vários soldados recusaram-se a executá-lo, até que o procônsul os ameaçou de morte.


    Suas relíquias atualmente são veneradas na Real Capela do Tesouro de São Januário, tantas foram as preciosas doações que lhe fizeram durante séculos. Essa capela é parte da Catedral de Santa Maria Assunta, em Nápoles. Aí encontra-se seu ossuário.


    Movidos pelo Espírito Santo, dissimuladamente alguns cristãos ousaram recolher seu santo sangue em duas ampolas de vidro. E desde então um extraordinário milagre tem acontecido: por muitos anos, sempre no dia em que se celebra seu martírio, seu sangue tem voltado ao estado líquido, como se tivesse sido recém-derramado.
    Tal fenômeno vem sendo comprovado com todos rigores do conhecimento científico desde 1389. Coagulado durante todo restante do ano, e assim ao longo dos séculos, por várias ocasiões da festa de 'San Genaro' ele liquefaz-se, muda de cor e consistência, e até aumenta de peso. A mais recente liquefação aconteceu em 2014, mas foi parcial. A última havia sido no ano de 1988.
    Para Deus, podemos ter certeza, o sangue de São Januário não foi derramado em vão.


    São Januário, rogai por nós!