domingo, 6 de setembro de 2020

O 'Evangelho' do Espírito Santo


    Juntos, o Evangelho de São Lucas e o Livro dos Atos dos Apóstolos, também deste autor, podem ser chamados de 'Evangelho' do Espírito Santo, tão oportunas e frequentes são as citações que nosso Santo Médico Lhe faz. Os Atos dos Apóstolos, por excelência, já o seria pura e simplesmente por representar o 'Tempo da Igreja', ou, mais especificamente, o 'Tempo do Espírito Santo', que veio 'suceder' o 'Tempo de Jesus'.
    De fato, São Lucas é conhecido como o evangelista do Espírito Santo, por tão bem e detalhadamente relatar a pessoal atividade do Divino Paráclito entre nós. Por sua narrativa, foi-nos permitido perceber de mais preciso modo Sua condução e pedagogia na instrução dada ao povo de Deus, reunido em Sua Igreja. Claro, esse 'Evangelho' encontra-se em perfeita Comunhão com a Revelação, mas admitidamente tem especiais cores e matizes. E é muito importante contemplá-las para a devida compreensão da Santíssima Trindade.

NO EVANGELHO DE SÃO LUCAS

    Aí se observa a ação do Espírito de Deus desde a promessa do nascimento de São João Batista. Ele será a principal força a movê-lo por toda vida, como anunciou São Gabriel Arcanjo ao sacerdote Zacarias, pai do Batista : "... porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo..." Lc 1,15
    Logo em seguida, vemos este Arcanjo declarar a Nossa Senhora como se dará a Concepção de Jesus em seu ventre: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolvê-te-á com Sua sombra. Por isso, o Ente Santo que de ti nascer será chamado Filho de Deus." Lc 1,35
    E logo após o início desta gestação, a simples voz da Santíssima Virgem vai cumprir a promessa de São Gabriel: fez com que Ele descesse sobre São João Batista e sua mãe, Santa Isabel: "Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu em seu seio. E Isabel ficou cheia do Espírito Santo." Lc 1,41
    Quando São João Batista nasceu, o Divino Paráclito vai inspirar o idoso sacerdote do Templo de Jerusalém a profetizar a Verdadeira Liberdade, assim como o papel de seu filho: "Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou nestes termos: 'Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou seu povo, e suscitou-nos um Poderoso Salvador, na casa de Davi, seu servo... libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e justiça, em Sua presença, todos dias da nossa vida. E tu, menino, serás chamado Profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e preparar-Lhe-ás o Caminho, para dar ao Seu povo conhecer a Salvação, pelo perdão dos pecados.'" Lc 1,67-69.74-77
    E até então em perfeito cuidado para com tudo na Casa de Deus, Ele também estava com o religioso Simeão, que assistiu a Apresentação do Menino Jesus no Templo: "Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a Consolação de Israel e o Espírito Santo estava nele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria sem primeiro ver o Cristo do Senhor. Impelido pelo Espírito Santo, foi ao Templo. E tendo os pais apresentado o Menino Jesus, para cumprirem a respeito d'Ele os preceitos da Lei, tomou-O em seus braços e louvou a Deus, dizendo: 'Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação que preparastes diante de todos povos, como Luz para iluminar as nações, e para a Glória de Vosso povo de Israel.' Seu pai e Sua mãe estavam admirados das coisas que d'Ele se diziam." Lc 2,25-33
    O Batista, aliás, tratou de dar um claro aviso sobre a diferença entre seu batismo e o de Jesus: "Eu batizo-vos com água, mas eis que vem Outro mais poderoso que eu, de Quem não sou digno de desatar-Lhe a correia das sandálias. Ele batizá-vos-á no Espírito Santo e no fogo." Lc 3,16
    E quando Jesus foi batizado, que é um dos três momentos da Epifania do Senhor, foi vista uma das manifestações físicas do Espírito de Deus, assim como do próprio Deus Pai, ou seja, de toda a Santíssima Trindade: "... e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba. E do Céu veio uma voz: 'Tu és Meu amado Filho. Em ti ponho Minha afeição.'" Lc 3,22
    Foi Ele que guiou Jesus para jejuar 40 dias no deserto: "Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto..." Lc 4,1
    Jesus, por fim, no discurso inaugural de Sua Missão, anuncia a presença d'Ele sobre Si, conforme a profecia do Livro de Isaías: "O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu. E enviou-Me para anunciar a Boa Nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da Graça do Senhor." Lc 4,18-19
    É n'Ele que Jesus transborda Sua alegria, quando constata o sucesso da missão dos 72 discípulos, em triunfo contra Satanás: "Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: 'Pai, Senhor do Céu e da Terra, Eu dou-Te graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e revelaste-as aos pequeninos.'" Lc 10,21
    Jesus afirma que Ele é o maior presente que Deus tem para oferecer-nos: "Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que LhO pedirem." Lc 11,13
    É Ele, como prometeu Jesus, que fala por nós nos mais difíceis momentos de nosso testemunho: "Porém, quando vos levarem às sinagogas, perante os magistrados e as autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de falar em vossa defesa, porque naquela hora o Espírito Santo vos inspirará o que deveis dizer." Lc 12,11-12
    Contudo, ainda conforme Sua Palavra, não reconhecer Seu agir e até chegar à estupidez de maldizê-Lo, é certamente um pecado mortal. Ou seja, carece de Confissão, pois não poderá contar apenas com a Divina Misericórdia: "Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem, obterá perdão, mas aquele que tiver blasfemado contra o Espírito Santo não alcançará perdão." Lc 12,10
    E pouco antes de Sua Ascensão aos Céus, Jesus pediu aos Apóstolos que ficassem em Jerusalém, para que, com o auxílio do Divino Paráclito, eles continuassem Seu salvífico projeto: "Eu mandá-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do alto." Lc 24,49


NOS ATOS DOS APÓSTOLOS

    Ora, era através do Espírito Santo que Jesus instruía os Apóstolos. Diz São Lucas: "... contei toda sequência das ações e dos ensinamentos de Jesus, desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo Suas instruções aos Apóstolos que escolhera, foi arrebatado ao Céu." At 1,2
    E assim Jesus preparou-os para Sua Vinda no dia de Pentecostes, data do Nascimento da Igreja: "... porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias." At 1,5
    Foi o Santo Paráclito, portanto, que lhes distribuiu os dons necessários para evangelizar por todo mundo, mas partindo de Jerusalém: "... mas sobre vós descerá o Espírito Santo e dá-vos-á força. E sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria e até os confins do mundo." At 1,8
    Inspirado por Ele, São Pedro vai dirigir a indicação de São Matias para preencher a vaga deixada por Judas, que traiu Jesus: "Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na Escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus. Pois está escrito no livro dos Salmos: 'Fique deserta sua habitação, e não haja quem nela habite;' e ainda mais: 'Que outro receba seu cargo (Sl 68,26; 108,8).'" At 1,16.20
    E recomposto o colégio dos Doze, finalmente veio o grande dia: "Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, do céu veio um ruído, como se soprasse um impetuoso vento, e encheu toda casa onde estavam sentados. Então lhes apareceu uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo concedia-lhes que falassem." At 2,1-4
    São Pedro, então, em seu primeiro sermão dá testemunho da Encarnação do Cristo e prega o Arrependimento, para que se possa receber o Espírito de Deus: "Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-O como vós vedes e ouvis. Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo." At 2,33.38
    Ao prenderem os Apóstolos, para que aos chefes dos judeus prestassem esclarecimentos das pregações que faziam em Jerusalém, São Lucas diz Quem compelia São Pedro a anunciar Jesus: "Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: 'Chefes do povo e anciãos, ouvi-me. Se hoje somos interrogados a respeito do benefício feito a um enfermo, e em que Nome foi ele curado, sabei todos vós e todo povo de Israel: foi em Nome de Jesus Cristo Nazareno, que vós crucificastes, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Por Ele é que esse homem se acha são, em pé, diante de vós." At 4,8-10
    E quando foram postos em liberdade, dada a inspiração com que lhes falou São Pedro, os Apóstolos voltaram a reunir-se com a comunidade e mais um sinal de Deus assinalou essa vitória: "Mal acabavam de rezar, tremeu o lugar onde estavam reunidos. E todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciaram com intrepidez a Palavra de Deus." At 4,31
    O Príncipe dos Apóstolos, que na passagem a seguir repreende a falsidade de um fiel, diz que mentir aos Sacerdotes da Igreja é mentir ao Espírito Santo, é mentir a Deus, assim indicando a Divindade do Santo Paráclito: "Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus." At 5,3-4
    E em mais um testemunho que dá de Jesus diante do Sinédrio, por terem sido presos outra vez, ele reafirma a necessidade do Arrependimento e da obediência a Deus para que se possa viver sob a Graça do Espírito Santo: "O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-O num madeiro. Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Deste fato, nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,31-33
    O surgimento do diaconato, importante instituição da Igreja, igualmente presidido por São Pedro, também veio por uma unção do Espírito Santo: "Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de Sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício." At 6,3
    Santo Estevão, um desses 7 diáconos, por vezes assumia a função dos próprios Apóstolos, tão inspirada era sua palavra. E de tão loquaz, em vão alguns judeus que moravam fora de Israel tentaram debater com ele: "Não podiam, porém, resistir à Sabedoria e ao Espírito que o inspirava." At 6,10
    Ele acabou sendo preso, mas, quando foi levado diante dos sacerdotes judeus, fez um belo discurso que concluiu com uma dura repreensão a estes religiosos, o que lhe valeu a vida, tirada pela brutalidade do apedrejamento. Ele deixou claro, porém, que resistir à Igreja era resistir ao Espírito de Deus: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam os vossos pais, assim também procedeis vós!" At 7,51
    Pelo fervor de sua , porém, Deus concedeu-lhe uma visão do Céu. E sob essa Graça, Santo Estevão vai imitar a compaixão de Jesus por Seus algozes, no momento de Sua Morte: "Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o Céu e viu a Glória de Deus, e Jesus de pé à direita de Deus. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: 'Senhor, não lhes leves em conta este pecado... 'A estas palavras, expirou.' At 7,55.60
    Pouco tempo depois, quando a Samaria começou a acolher o Evangelho pela pregação de Filipe, o diácono, São Pedro e São João Evangelista foram enviados para crismá-los. Foi o chamado 'Pentecostes dos samaritanos': "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas apenas tinham sido batizados em Nome do Senhor Jesus." At 8,14-16
    O Espírito Santo, pois, agia sobre Filipe, e indicou-lhe o eunuco da rainha da Etiópia para que a ele fosse anunciado Jesus: "O Espírito disse a Filipe: 'Aproxima-te para bem perto deste carro.'" At 8,29
   Ao sentir-se preparado, o eunuco pediu para ser batizado, mas logo em seguida, também pelo Santo Paráclito, Filipe foi arrebatado para outra localidade: "Mal saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe dos olhares do eunuco, que, cheio de alegria, continuou seu caminho." At 8,39
    A conversão de São Paulo, assim como a cura de sua cegueira causada pela fulgurosa visão que teve de Cristo, também foram operadas pelo Espírito de Deus, através de um discípulo que morava em Damasco: "Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: 'Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.'" At 9,17
    Era graças à moção do Espírito Divino, portanto, que a Igreja crescia: "A Igreja então gozava de Paz por toda Judeia, Galileia e Samaria. Estabelecia-se caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo fazia-a crescer em número." At 9,31
    A conversão dos primeiros não-judeus pelas mãos de São Pedro também teve, desde o início, a inspiração do Espírito de Cristo, como O chamavam São Paulo e São Pedro: "Enquanto Pedro refletia sobre a visão, disse o Espírito: 'Eis aí três homens que te procuram.'" At 10,19
    Na casa de Cornélio, então, São Pedro ainda estava pregando quando se deu a unção que foi chamada do 'Pentecostes dos não judeus': "'Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como Ele andou fazendo o bem e curando todos oprimidos do demônio, porque Deus estava com Ele.' Ainda estando Pedro a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos que ouviam a Santa Palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente admiraram-se, vendo que o dom do Espírito Santo também era derramado sobre os pagãos... Então Pedro tomou a Palavra: 'Porventura pode-se negar a Água do Batismo a estes que como nós receberam o Espírito Santo?'" At 10,38-45.47
    Em seguida, Antioquia, a terceira maior cidade do Império Romano, menor apenas que Roma e Alexandria, também acolheria a Boa Nova de Jesus, e São Barnabé, por seus dons, vai ser enviado para lá: "Ao lá chegar, alegrou-se, vendo a Graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração, pois era um homem de bem, cheio do Espírito Santo e de fé. Assim uma grande multidão uniu-se ao Senhor." At 11,23-24
    E quando uma grande fome caiu sobre Jerusalém, foi o Santo Espírito Quem a anunciou, para que se fizesse uma coleta de ajuda à Comunidade-Mãe: "Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e pelo Espirito deu a entender que haveria uma grande fome em toda terra. Esta, com efeito, veio no reinado de Cláudio. Os discípulos resolveram, cada um conforme suas posses, enviar socorro aos irmãos da Judeia. Assim o fizeram, e enviaram-no aos Anciãos por intermédio de Barnabé e Saulo." At 11,28-30
    Desde então São Paulo e São Barnabé tornam-se especiais mensageiros do Evangelho, escolhidos pelo próprio Espírito de Deus: "Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.' Assim enviados pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre. " At 13,2.4
    No Primeiro Concílio da Igreja, que se deu em Jerusalém, São Pedro, perfeitamente inspirado, posicionou-se contra a circuncisão dos não-judeus convertidos. E explicou-se, valendo-se da ação que testemunhara do Divino Paráclito para com eles: "Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo da mesma forma que a nós." At 15,8
    E São Tiago Menor, ao pronunciar-se sobre as palavras de São Pedro e São Paulo, anunciou a decisão do Concílio que contrariava a proposta dos que queriam a circuncisão dos pagãos convertidos. Mas claramente mencionou em Nome de Quem ela era proferida: "Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
    Era Ele que também definia os lugares onde o Evangelho deveria ser anunciado, como por duas vezes se viram desautorizados São Paulo e São Timóteo: "Em seguida, atravessando a Frígia e a província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra de Deus na província da Ásia. Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,6-7
    A Igreja crescia muito rapidamente, mas os recém-convertidos de Éfeso, por exemplo, ainda não conheciam o Espírito Santo. É São Paulo que vai batizá-los: "'Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?' Responderam-lhe: 'Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!' 'Então em que batismo fostes batizados?', perguntou Paulo. Disseram: 'No batismo de João.' Então Paulo replicou: 'João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse n'Aquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus.' Ouvindo isso, foram batizados em Nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam." At 19,2-6
    Por revelação do Divino Espírito, São Paulo, já velho, prenunciou o início de seu martírio: "Agora, constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém, ignorando o que ali me espera. Só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo assegura-me que em Jerusalém me esperam cadeias e perseguições. Agora sei que não tornareis a ver minha face, todos vós, por entre os quais andei pregando o Reino de Deus." At 20,22-23.25
    E lembrou aos Anciãos de Éfeso de Quem eles haviam recebido a investidura, bem como da importância de manter a Unidade da Igreja, em reação às heresias que já começavam a ser introduzidas por falsos mestres, inclusive dentro da própria Igreja: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue. Sei que depois de minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir perversas doutrinas, com o intento de arrebatarem os discípulos após si." At 20,28-30
    Tal qual Jesus, que poderia ter fugido de Jerusalém, a São Paulo foi dado, por desígnio de Deus, escolher entre o martírio e a fuga, quando a segunda opção equivaleria a desonra de renegar Jesus e sua fé. A primeira vez foi quando ele estava em Tiro: "Como achássemos uns discípulos, detivemo-nos com eles por sete dias. Eles, sob a inspiração do Espírito, aconselhavam Paulo que não subisse a Jerusalém." At 21,4
    E pela segunda vez, por um Profeta da Judeia, chamado Ágabo, que lhe teria avisado de sua iminente prisão: "Veio ter conosco, tomou o cinto de Paulo e, amarrando-se com ele pés e mãos, disse: 'Isto diz o Espírito Santo: assim os judeus em Jerusalém ligarão o homem a quem pertence este cinto e entregá-lo-ão às mãos dos pagãos.' A estas palavras, nós e os fiéis que eram daquele lugar, rogamos-lhe que não subisse a Jerusalém. Paulo, porém, respondeu: 'Por que chorais e me magoais o coração? Pois eu estou pronto não só a ser preso, mas também a morrer em Jerusalém pelo Nome do Senhor Jesus.'" At 21,11-13
    Por fim, já preso e em Roma, onde viria a ser executado, enquanto gozava de alguma liberdade São Paulo convocou os judeus de lá para anunciar-lhes o Cristo, mas sua palavra não foi acolhida. E ele vê nesse fato o cumprimento de uma profecia: "Não estando concordes entre si, retiraram-se, enquanto Paulo lhes fazia esta reflexão: 'Bem falou o Espírito Santo pelo Profeta Isaías a vossos pais, dizendo: 'Vai a este povo e dize-lhes: Com vossos ouvidos ouvireis, sem compreender. Com vossos olhos olhareis, sem enxergar.' Ficai, pois, sabendo que aos não-judeus é enviada agora esta Salvação de Deus. E eles ouvi-la-ão." At 28,25-28


INSPIRADOR E INTÉRPRETE DA PALAVRA, AUTOR DA UNIDADE E DA GRAÇA

    Temos nessas linhas, portanto, o Santo Espírito sempre a conduzir a Igreja de Deus, exatamente como foi prometido por Jesus: "Se Me amais, guardareis Meus Mandamentos. E Eu rogarei ao Pai, e Ele dar-vos-á outro Consolador, para que convosco fique eternamente." Jo 14,15-16
    Segundo São Pedro, é o próprio Paráclito que tem franqueado o Evangelho: "... revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas que os próprios anjos desejam contemplar." 1 Pd 1,12b
    São Paulo diz aos tessalonicenses: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo..." 1 Ts 1,5a
    É Ele, pois, que desde o Pentecostes deu Vida e mantém a Igreja Viva, continuamente sob Sua inspiração, e não uma igreja congelada no passado, escrava de literais ou pessoais interpretações das Escrituras. Este mesmo Santo afirma: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus Vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações. Não que sejamos capazes por nós mesmos de ter algum pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus. Ele é que nos fez aptos para ser ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica. Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, revestiu-se de tal Glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o ministério do Espírito?" 2 Cor 3,3.5-8
    Aliás, condenando as interpretações pessoais, que na prática são verdadeiras heresias, São Pedro já nos alertava que só havia uma interpretação correta: aquela que procede da inspiração do próprio Espírito Santo: "Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal. Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. Homens inspirados pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20-21
    Porque foi o próprio Deus que enviou Seu Espírito, para, após a Ascensão de Jesus, lembrar-nos e ensinar-nos a Verdade através dos séculos até o Dia do Juízo. Disse Jesus: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas as coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensiná-vos-á toda Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 14,16;16,13
    Assim, apesar de serem muitos os dons de Deus, todos são distribuídos pelo Santo Paráclito: "Há diversidade de dons... Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,4a.11
    E todos eles sempre estão voltados para edificar a Igreja, o Corpo Místico de Cristo: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    Pois o próprio Jesus é Nosso Modelo, e seguindo o ensinamento dos Apóstolos devemos inexoravelmente buscar a unidade da fé, como São Paulo diz: "A uns Ele constituiu Apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo." Ef 4,11-13
    Por este esforço, o Último Apóstolo prometia a vitória da Cruz: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida aos vossos corpos mortais, por Seu Espírito que habita em vós. Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,11-14
    Porém, também advertia: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b
    Ora, ele afirma que sequer podemos saber se Jesus é Deus sem a ajuda do Santo Paráclito: "... e ninguém pode dizer: 'Jesus é o Senhor', senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3b
    Por isso, ele pede pela unidade, só existente no Corpo de Cristo, que nos é facultada pelo próprio Espírito Santo: "Exorto-vos, pois, prisioneiro que sou pela causa do Senhor, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda humildade e amabilidade, com grandeza de alma, mutuamente suportando-vos com caridade. Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz." Ef 4,1-3
    Pois só pelo Divino Espírito podemos ser da Igreja: "É n'Ele (Cristo) que todo edifício, harmonicamente disposto, levanta-se até formar um santo templo no Senhor. É n'Ele que também vós entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus." Ef 2,21-22
    Só através d'Ele podemos chegar a Comunhão com Deus e com nossos irmãos: "A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" Cor 13,13
    E só através d'Ele recebemos as Graças, como os seguidores da tradição de São Paulo disseram: "... o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29

    "Santificai-nos pelo dom de Vosso Espírito!"