sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Nossa Senhora das Dores


    Desde 1221, na Germânia, atual Alemanha, já se prestava culto de solidariedade às dores sofridas por Nossa Senhora. Para todo verdadeiro cristão, é simplesmente uma sensata atitude de compaixão, condolência e piedade.
    Em 1239, essa devoção foi trazida para Florência, na Itália, pela Ordem dos Servos de Maria, chamados de Servitas, e no século XVIII entrou na Liturgia da Igreja por decisão do Papa Bento XIII.
    Contam-se sete grandes dores:

A FUGA DA SAGRADA FAMÍLIA PARA O EGITO

    A primeira grande dor de Nossa Senhora deu-se logo após o Nascimento de Jesus, quando um anjo avisou a São José que Herodes queria matar o Menino. Sem dúvida uma terrível aflição, um pungente sofrimento que culminaria, segundo São Mateus, no cumprimento de numa profecia de Jeremias, o Massacre dos Inocentes de Belém, que provocaria o pranto da matriarca Raquel, esposa de Israel:
    "Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse:
    - Levanta-te, toma o Menino e Sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para matá-Lo.
    José levantou-se durante a noite, tomou o Menino e Sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo Profeta Oseias: 'Do Egito, Eu chamei Meu filho (Os 11,1).'
    Então, vendo Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. Assim, cumpriu-se o que foi dito pelo Profeta Jeremias: 'Em Ramá ouviu-se uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jr 31,15)!'" Mt 2,13-18

AS TRISTES PROFECIAS DE SIMEÃO SOBRE JESUS E MARIA

    Antes de partir para o Egito, porém, Seus pais ousaram passar por Jerusalém mesmo sob as ameaças de Herodes, para apresentar o Menino Jesus no Templo, como manda a Lei, no oitavo dia após de Seu nascimento. Lá a Santíssima Virgem ouviu do Profeta Simeão o anúncio de mais dores. E tal anúncio, em si mesmo, foi sua segunda grande dor:
    "Simeão abençoou-Os e disse a Maria, Sua mãe:
    - Eis que este Menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.'" Lc 2,34-35


O 'DESAPARECIMENTO' DO MENINO JESUS POR TRÊS DIAS

    Ao completar doze anos, numa viagem a Jerusalém, Jesus deixou-Se ficar no Templo questionando os doutores da Lei, e assim 'se perdeu' de Sua Mãe e Seu pai. É a terceira grande dor de Maria Santíssima:
    "Seus pais iam todos os anos a Jerusalém para a festa da Páscoa.
    Tendo Ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o Menino Jesus em Jerusalém, sem que os Seus pais o percebessem. Pensando que Ele estivesse com os Seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e buscaram-nO entre parentes e conhecidos. Mas não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura d'Ele.
    Três dias depois, acharam-nO no Templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos que O ouviam estavam maravilhados da Sabedoria de Suas respostas. Quando eles O viram, ficaram admirados. E Sua mãe disse-Lhe:
    - Meu filho, que nos fizeste?! Eis que Teu pai e eu andávamos à Tua procura, cheios de aflição.
    Respondeu-lhes Ele:
    - Por que Me procuráveis? Não sabíeis que devo estar na Casa Meu Pai?'" Lc 2,41-49

MARIA OUVE JESUS CONSOLAR AS MULHERES NO CAMINHO AO CALVÁRIO

    Ao subir o Monte Calvário carregando a Cruz, Jesus consolou algumas mulheres de Jerusalém. Como O acompanhava em meio à multidão, vendo Sua compaixão por inocentes mulheres mesmo estando sob tão grandes suplícios, a Mãe de Deus teve sua quarta grande dor:
    "Seguia-O uma grande multidão do povo e também mulheres, que batiam no peito e o lamentavam. Voltando-Se para elas, Jesus disse:
    - Filhas de Jerusalém, não choreis sobre Mim. Chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos, porque dias virão nos quais se dirá: 'Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!' Então dirão aos montes: 'Caí sobre nós!' E aos outeiros: 'Cobri-nos!' Porque se eles fazem isto ao verde lenho, que acontecerá ao seco?'" Lc 23,27-31


DE PÉ, MARIA PADECE O SOFRIMENTO E A MORTE DE JESUS

    
Ouvir as últimas palavras de Jesus e ver Seu último suspiro na Cruz, como relatou São João Evangelista, foram os momentos da quinta grande dor da Santíssima Senhora:
    "Junto à Cruz de Jesus estavam de pé Sua mãe, a irmã de Sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
    Quando Jesus viu Sua mãe e perto d'Ela o discípulo que amava, disse à Sua mãe:
    - Mulher, eis aí Teu filho.
    Depois disse ao discípulo:
    - Eis aí Tua Mãe.
    E dessa hora em diante, o discípulo levou-a para a sua casa.
    Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para cumprir-se plenamente a Escritura, disse:
    - Tenho sede.
    Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-Lhe à boca. Havendo Jesus tomado do vinagre, disse:
    - Tudo está consumado.
    Inclinou a cabeça e rendeu o espírito." Jo 19,25-30

MARIA RECEBE O CORPO DE JESUS RETIRADO DA CRUZ

    Após a morte de Jesus, é evidente que a Imaculada Virgem não sairia da presença do Corpo de Seu Filho sem ver que destino Lhe seria dado, embora tal ato não tenha sido mencionado por São Mateus. E recebê-Lo ao ser retirado da Cruz foi a sexta grande dor:
    "Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galileia para servi-Lo. Entre elas achavam-se Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
    À tardinha, um rico senhor de Arimateia, chamado José, que era também discípulo de Jesus, foi procurar Pilatos e pediu-lhe o Corpo de Jesus. Pilatos cedeu-O. José tomou o Corpo, envolveu-O num lençol branco e depositou-O num novo sepulcro, que tinha mandado talhar na rocha para si. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e partiu dali.
    Maria Madalena e a outra Maria lá ficaram, sentadas defronte do túmulo." Mt 27,55-61


MARIA VÊ O SEPULTAMENTO DO CORPO DE JESUS

    Mesmo que também São Lucas não tenha mencionado, não resta dúvida de que Nossa Mãe do Céu acompanhou todo o procedimento até o Corpo de Jesus ser sepultado. Por sua permanente presença ao lado do Amado Filho, durante toda Sua Missão, e por firme esperança na Ressurreição que Ele havia anunciado, não deve ter sido fácil tirá-la de lá antes do completo cair da noite. E essa foi sua sétima grande dor:
    "As mulheres, que tinham vindo com Jesus da Galileia, acompanharam José. Elas viram o túmulo e o modo como o Corpo de Jesus ali fora depositado. Elas voltaram e prepararam aromas e bálsamos.
    No dia de sábado, observaram o preceito do repouso." Lc 23,55-56


    Um grande sinal de Nossa Senhora das Dores foi dado recentemente no Japão, em 1973, e exatamente no dia 13 de outubro, mesmo dia do Milagre do Sol, que marcou a última Aparição de Fátima. Foi a Aparição de Akita, onde por um longo período a imagem de Nossa Mãe Celeste chorou 101 vezes.
    As mensagens que ela aí transmitiu são de fato muito sérias, lembrando mesmo o cumprimento da profecia da Grande Tribulação, e foram anunciadas para um futuro bem próximo.

    Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!