domingo, 23 de julho de 2017

Santa Brígida


    Nasceu em 1303, de família muito católica. Seu pai era nobre, governador da província mais importante da Suécia e pessoalmente muito próximo ao rei. As famílias de seus pais foram berços de vários Santos e exemplos de benfeitores, tendo construído igrejas, mosteiros e hospitais com recursos próprios. Santa Brígida também tinha esse pendor e viveu a infância com a atenção voltada para a prática da caridade aos mais necessitados.
    Aos 7 anos relatou sua primeira visão de Nossa Senhora, e aos 10, após ouvir um sermão, tomou a Paixão de Cristo como objeto de constante contemplação. Ainda aos 10 anos perdeu sua piedosa mãe e foi entregue pelo pai à sua tia materna, de tão esmerada formação quanto sua mãe, e que morava numa província próxima. Mais tarde, demonstrando gratidão, ela vai homenagear essa tia dando seu nome a uma filha, que também se tornaria santa.


    Aos 13 anos, a contragosto, foi dada em casamento ao nobre e também governador Ulf Gudmarsson, mas teve com ele uma vida feliz e foi mãe de 8 filhos, entre eles Santa Catarina da Suécia. Seu país havia acolhido a fé cristã havia mais de 300 anos, e Santa Brígida estava determinada a difundir ainda mais entre seu povo a doutrina da Salvação, preservando fielmente a educação que recebera de seus pais.
    Entrou com o marido para a Ordem Terceira Franciscana, que é formada de leigos, e logo fundaram um hospital para os indigentes. Ulf, que já era cristão e religioso, crescia ainda mais na espiritualidade por influência de Santa Brígida, que por sua vez se recorria sempre com mais frequência aos estudiosos religiosos de seu país.
    Após a morte de um de seus filhos, em 1341, o casal viajou com alguns deles em peregrinação a Santiago de Compostela, mas, no caminho de volta, Ulf foi acometido de grave enfermidade. Estavam então na França, e Santa Brígida teve uma visão de São Dionísio, 'Saint Denis' em francês, garantindo que seu marido não morreria na viagem.
    De fato, retornaram bem e fizeram votos de guardar continência. Na companhia de um dos filhos, Ulf foi morar no mosteiro beneditino de Alvastra, onde veio a falecer serenamente em 1344. De modo lamentável, essa abadia foi usurpada pelo rei da Suécia durante a Reforma Protestante, quando boa parte de suas pedras foram usadas na construção de castelos.


    Tão bela e de refinada educação, após enviuvar Santa Brígida recebeu várias propostas de casamento, porém preferiu repartir a herança entre seus filhos e doar sua parte aos pobres. Queria viver plenamente seu amor a Deus e foi viver na vizinhança do mosteiro de Alvastra. Recebeu desde então várias revelações pessoais, que cuidadosamente tratou de registrar em seus escritos. Aceitos pela Igreja como fruto de autênticas experiências divinas, ainda hoje eles são objeto de estudo por teólogos de todo mundo.
    Trabalhou muito em favor dos mais necessitados e em 1349 foi a Roma, para obter autorização para fundar a Ordem do Santo Salvador, que acolheria homens e mulheres e seguiria a Regra de Santo Agostinho. Contudo, desde 1309 o Papa estava administrando a Igreja a partir de Avignon, na França, por questões de segurança mas também por velada imposição do rei francês, Felipe IV, aos sumos pontífices.
    Na Cidade Eterna, em companhia de sua filha Santa Catarina, Santa Brígida presenciou o decaimento moral da sociedade, escreveu várias vezes ao Papa pedindo seu regresso, visitou as tumbas dos Santos e pediu esmola para os necessitados. Foi em peregrinação também a Assis, em homenagem a São Francisco, a quem sempre dedicou uma especial devoção.
    Em 1355 sua fama de santidade já se estendia por toda Suécia e o rei confiou-lhe sua jovem esposa, para que Santa Brígida fosse sua mentora espiritual. Em 1368, o Papa Santo Urbano V voltou a Roma e ela solicitou-lhe pessoalmente a aprovação da sua Ordem, o que obteve após sofrer várias alterações em sua proposta inicial. Mas reais motivos de segurança levaram o Papa a voltar a Avignon, quando Santa Brígida profetizou sua morte, que, de fato, aconteceu em poucos meses.
    Em 1371, aos 68 anos, ela partiu em viagem a Terra Santa, seu grande sonho, mas ainda em Nápoles faleceu seu filho, que ia em sua companhia. Aí mesmo, porém, ela foi agraciada com uma visão, assegurando que ele já havia alcançado a Salvação.
    De volta a Roma em 1373, contraiu uma enfermidade e veio a falecer. No local onde morou por 19 anos com as irmãs de ordenamento, foi construída uma bela igreja para a devoção ao seu nome.


    A Ordem Militar dos Cavalheiros e Damas de Santa Brígida, presentes em várias regiões da Itália, é uma especial tradição da igreja que a homenageia em Nápoles.


    A ordem religiosa por ela estabelecida teve uma rápida expansão pela Europa, fundando 78 mosteiros em poucos anos. Já em 1391, ou seja, em curto prazo, nossa Santa foi canonizada. O Papa São João Paulo II concedeu-lhe o título de co-Padroeira da Europa, junto a Santa Catarina de Sena e Santa Benedita da Cruz, também conhecida como Santa Edith Stein.
    Sua filha Santa Catarina, em companhia de um irmão, levaram seus restos mortais para a Suécia, como era seu desejo, e sepultaram-nos na igreja do mosteiro de Vadstena, sede da Ordem do Santo Salvador. Hoje elas se encontram numa urna permanentemente exposta, e seu esquife, apesar do reduzidíssimo número de católicos no país ao longo dos séculos, foi preservado.


    Santa Brígida, rogai por nós!