sexta-feira, 23 de março de 2018

O Mistério do Mal


SEM A , A DESOLAÇÃO

    Como entender o mal que há no mundo? Por que Deus não o elimina em definitivo? De fato, não é exagero dizer que vivemos num 'vale de lágrimas', como diz a oração 'Salve Rainha'.
    E é igualmente patente que nem só os maus padecem com os castigos de Deus, como se viu no episódio em que Aarão conseguiu amenizar Sua cólera: "Verdade é que a prova da morte também feriu os justos, e numerosos foram os que ela abateu no deserto. Mas a ira de Deus não durou muito tempo, porque um irrepreensível homem se apressou em tomar sua defesa, servindo-se das armas de seu ministério pessoal, a oração e o sacrifício expiatório do incenso. Opôs-se à ira e pôs fim ao flagelo, mostrando que era Vosso servo. Dominou a revolta, não pela força física, nem pela força das armas, mas por sua palavra deteve Aquele que castigava, relembrando-lhe os juramentos feitos aos antepassados e a Aliança estabelecida. Já os mortos, amontoavam-se uns sobre os outros, mas quando ele interveio, deteve a cólera e afastou-a dos vivos." Sb 18,20-23
    No livro do Eclesiastes, porém, vemos o mal cegando completamente quem se entrega ao exagerado uso da razão, rejeitando os sussurros da fé: "Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza, e que aumenta a ciência, aumenta a dor." Ecl 1,18
    O sofrimento dos pobres, citado nesse mesmo livro e facilmente constatado pelo mundo, também pode ser fonte de desolação quando não se percebe a consolação dada por Deus: "Pus-me então a considerar todas opressões que se exercem debaixo do sol. Eis aqui as lágrimas dos oprimidos e não há ninguém para consolá-los. Seus opressores fazem-lhes violência, e não há ninguém para os consolar." Ecl 4,1
    E fatidicamente a fé acaba por desaparecer, pois ao tempo do Eclesiastes a Ressurreição e a Vida Eterna ainda não eram revelações consolidadas, prevalecendo a sensação de que tudo se encerrava mesmo neste mundo: "... todos estão à mercê das circunstâncias e da sorte." Ecl 9,11
    Mais conhecido por sua paciência, Jó, em seu emblemático sofrimento, também se desesperou: "A terra está entregue nas mãos dos maus, e Ele cobre com um véu os olhos de Seus juízes. Se não é Deus quem faz isso, quem é?" Jó 9,24
    Ele questiona Deus abertamente, como que desconhecendo Seus poderes: "Em lugar de condenar-me, direi a Deus: 'Mostra-me porque razão me tratas assim. Encontras prazer em oprimir, em renegar a obra de Tuas mãos? Em favorecer os planos dos maus? Orgulhoso como um leão, Tu me caças! Multiplicas proezas contra mim..." Jó 10,2-3.16
    Mas um amigo de Jó diz que o mal provém do próprio ser humano: "Pois o mal não sai do pó, e o sofrimento não brota da terra: é o homem quem causa o sofrimento como as faíscas voam no ar." Jó 5,6-7
    E outro avisa que os desígnios do Criador nem sempre são tão fáceis de compreender: "Oh! Se Deus te falasse, e abrisse Seus lábios para responder-te, revelar-te os mistérios da Sabedoria que são ambíguos para nosso espírito..." Jó 11,5-6
    Por fim, ao retomar a palavra, Deus relembra Seu sutil agir e de pronto questiona tanta insensatez: "Quem é esse que quer obscurecer assim Meus desígnios com estapafúrdios discursos?" Jó 38,2
    Caindo em si, Jó admite seus mal arrazoados pensamentos e, pelas obras de Deus na natureza, acaba por reconhecer Sua bondade: "É verdade! Eu falei, sem nada entender, de maravilhas que superam minha compreensão. Meus ouvidos tinham escutado falar de Ti, mas agora meus olhos Te viram." Jó 42,3b.5
    O Eclesiastes, no mesmo sentido, com correção vai indicar a origem do mal: "Deus criou o homem reto, mas é ele que procura os extravios." Ecl 7,29
    E sem demora chega a essa conclusão"Isso também é vaidade! Como a sentença contra os maus atos não é executada imediatamente, o coração dos homens enche-se de desejo de fazer o mal; porque o pecador culpado de cem crimes imagina sua vida prolongada. Mas eu sei que a felicidade é para os que temem a Deus, que Sua presença os impõe respeito, e que não haverá nenhuma felicidade para o ímpio, o qual, como a sombra, não prolongará sua vida..." Ecl 8,10-13


A INCOMPARÁVEL GLÓRIA

    O que parece ser problema, no entanto, Nosso Salvador vai apontar como oportunidade para que a Graça de Deus se manifeste de ainda mais claro modo, como o milagre de uma cura, por exemplo: "Caminhando, viu Jesus um cego de nascença. Seus discípulos indagaram d'Ele: 'Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego?' Jesus respondeu: 'Nem este pecou nem seus pais, mas é para que nele se manifestem as obras de Deus.'" Jo 9,1-3
    São Paulo também nos mostra que a Graça é muito maior que o mal, e sempre o transformará num bem incomparavelmente superior, fazendo com que o futuro dos que creem em Deus seja cada vez melhor: "Mas onde abundou o pecado, superabundou a Graça. Assim como o pecado reinou para a morte, assim também a Graça reinaria pela justiça para a Vida Eterna, por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor." Rm 5,20-21
    Ele deixa claro, contudo, que o mal ou o bem por nós praticados nos levarão a diferentes destinos: "Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a Vida Eterna..." Rm 6,23
    E mesmo ungido pelo Espírito Santo, aponta como o mal se estabelece: "Eu sei que em mim, isto é, em minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas faço o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita." Rm 7,18-20
    São João Evangelista também via em nossas más inclinações a origem do mal: "Porque tudo que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo." 1 Jo 2,16
    Também foi o que disse São Tiago Menor: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a Coroa da Vida que Deus prometeu aos que O amam. Ninguém, quando for tentado, diga: 'É Deus Quem me tenta.' Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado por sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte." Tg 1,12-15
    Por isso o Apóstolo dos Gentios trata de exaltar o poder da Graça como mais importante parte na obra da Redenção: "E tudo isso se faz por vossa causa, para que a Graça se torne copiosa entre muitos e redunde o sentimento de gratidão, para Glória de Deus. É por isso que não desfalecemos. Ainda que vá arruinando-se nosso homem exterior, nosso interior renova-se de dia para dia. Nossa presente tribulação, momentânea e ligeira, proporciona-nos um eterno peso de incomensurável Glória. Porque não miramos as coisas que se vêem, mas sim as que não se vêem. Pois as coisas que se vêem são temporais, e as que não se vêem são eternas." 2 Cor 4,15-17
    E arremata: "Andamos na fé, e não na visão." 2 Cor 5,7
    Ele faz um belo discurso, no qual menciona o sofrimento, a fraqueza, a esperança, a paciência, a Redenção, a oração e os auxílios do Espírito de Deus: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm comparação alguma com a futura Glória, que nos deve ser manifestada. Por isso, a Criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda Criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo. Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera? Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos. De toda forma, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inexprimíveis gemidos. E Aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o Qual intercede pelos Santos, segundo Deus. Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo Seus desígnios." Rm 8,18-19.22-28
    E explica: "Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais. Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar." 1 Cor 2,12-14
    Tinha, portanto, perfeita ciência da efemeridade da vida terrena: "Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma nova veste por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela Vida. Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que nos deu por penhor Seu Espírito. Por isso, estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que todo tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor." 2 Cor 5,4-6
    Os seguidores de São Paulo fazem-nos lembrar as centenas de irmãos que já àqueles anos haviam gloriosamente trilhado o Caminho indicado por Jesus: "Desse modo, cercados como estamos de tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé: Jesus. Em vez de gozo que se Lhe oferecera, Ele suportou a Cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." Hb 12,1-2
    E assim ressaltam o sacrifício dos mártires: "Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o pecado." Hb 12,4
    Como já era prisioneiro, e por ser um legítimo Sacerdote, pela fé dos cristãos de Éfeso São Paulo dispõe-se ao martírio: "Ainda que tenha de derramar meu sangue sobre o sacrifício em homenagem à vossa fé, eu alegro-me e felicito-vos." Ef 2,17
    Ele não falava em linguagem figurada, como vemos ao explicar o poder do Evangelho: "Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que claramente transpareça que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós. Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não desesperamos. Somos perseguidos, mas não ficamos desamparados. Somos abatidos, mas não somos destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo os traços da morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo. Estando embora vivos, a toda hora somos entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus apareça em nossa carne mortal. Assim em nós opera a morte, e em vós a vida." 2 Cor 4,7-12
    Estava apenas sendo coerente, pois havia muito ele já preparava assim os cristãos, e sob o estigma da Cruz e de penitências a Igreja cresceu: "Naqueles dias, Paulo e Barnabé voltaram para as cidades de Listra, Icônio e Antioquia. Encorajando os discípulos, eles exortavam-nos a permanecerem firmes na fé, dizendo-lhes: 'É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus.' E em cada igreja instituíram anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em Quem tinham confiado." At 14,21b-23
    Deixou vários exemplos de tenebrosas tribulações: "Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia. Fomos maltratados ali desmedidamente, além das nossas forças, a ponto de termos perdido a esperança de sair com vida. Sentíamos dentro de nós mesmos a sentença de morte, para que aprendêssemos a pôr a nossa confiança não em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos." 2 Cor 1,8-9
    E via em sofrimentos e provações necessários alertas para manter-se em vigília: "Ademais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para esbofetear-me e livrar-me do perigo da vaidade." 2 Cor 12,7
    Sua intimidade com Deus, com efeito, chegou a verdadeiras pérolas da espiritualidade: "Deus encerrou todos os homens sob a desobediência, para com todos usar de Misericórdia. Oh, abismo de riqueza, de Sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são Seus juízos e inexploráveis Seus caminhos!" Rm 11,32-33
    E assim nos estimula a achar a sintonia das graças de Deus: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito." Rm 12,2
    Deixa, enfim, um valoroso conselho: "Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem." Rm 12,21


FÉ, ESPERANÇA E AMOR

    Em sua luminosa santidade, para que não desanimemos com contrariedades, São Paulo faz-nos recordar a virtude de esperança que é infusa através da Palavra de Deus: "Ora, tudo quanto outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, a fim de que, pela perseverança e pela consolação que dão as Escrituras, tenhamos esperança." Rm 15,4
    E descarta por completo qualquer sabedoria desprovida da inspiração de Deus: "... para que vossa fé não se baseasse na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Pregamos a Sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para nossa glória." 1 Cor 2,5.7
    Ele simplesmente desmistifica a momentânea ciência, enaltecendo a 'Visão Beatífica': "Nossa ciência é parcial, nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face." 1 Cor 13,9-10.12
    São João Evangelista garante: "Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é. E todo aquele que n'Ele tem esta esperança torna-se puro, como Ele é puro." 1 Jo 3,2-3
    E entre todas virtudes, mesmo as espirituais, o Último Apóstolo ressalta a excelência do amor, que tudo suporta: "Ainda que distribuísse todos meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada valeria! Por ora subsistem a fé, a esperança e o amor. Mas o mais importante é o amor." 1 Cor 13,3.13
    Enfim, o próprio Jesus avisou-nos do mal que há no mundo, e mostrou na perseverança o Caminho da vitória: "Disse-vos essas coisas para que tenhais a Paz em Mim. No mundo haveis de ter aflições. Mas, tenham coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    Ele deixou claro que cada dia haveria de ser enfrentado sem que nos desesperemos quanto a provações ou ao futuro: "Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas próprias preocupações. A cada dia basta o seu mal." Mt 6,34
    Falou ainda de tempos bastante difíceis, quando nossa impotência será radical: "Enquanto for dia, cumpre-Me terminar as obras d'Aquele que Me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar." Jo 9,4
    Padeceu Ele mesmo grande Sacrifício: "Meu Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice! Todavia não se faça o que Eu quero, mas sim o que Tu queres." Mt 26,39b
    E na Cruz, pouco antes de morrer, sentiu humanamente a plenitude da desolação: "Próximo da hora nona, Jesus exclamou em forte voz: 'Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?'" Mt 27,46
    São Paulo foi ainda mais específico, ao mencionar estranhas forças malignas que agem sob permissão de Deus: "Porque o mistério da iniquidade já está em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o detém." 2 Ts 2,7
    Ele deu mais detalhes sobre os poderes das trevas, acenando para grandes tormentos, nos quais, por castigo, Deus terá ativa participação: "A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios. Ele usará de todas seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que os teria podido salvar. Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro." 2 Ts 2,9-11
    E aconselhou: "Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste tenebroso mundo, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares." Ef 6,11-12
    Qual Jesus, ele recomendava a constante vigilância: "Vigiai, pois, com cuidado sobre vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que ciosamente aproveitam o tempo, pois os dias são maus." Ef 5,15-16
    Contudo, independente de toda e qualquer dificuldade que se apresente, ele seguia dizendo: "... sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus..." Rm 8,29
    Por isso falava em absoluta resignação diante dos ditames de Deus: "Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso n'Aquele que me conforta." Ef 4,12-13
    De fato, enquanto a humanidade se debate entre a sobriedade do bem e a ilusão do mal, o Pai cuida de consolar-nos. Ora, Jesus mesmo era um consolador, assim como o Espírito Santo: "Porém, quando vier o outro Consolador que Eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade..." Jo 15,26
    Falando de Sua Paixão, Ele fez menção à indizível alegria que teriam os Apóstolos e todos que creem na Ressurreição: "... sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará vossa alegria." Jo 16,22
    E falou das extasiantes graças que em Seu Nome são derramadas sobre a Igreja: "Até agora não pedistes nada em Meu Nome. Pedi e recebereis, para que vossa alegria seja perfeita." Jo 16,24
    Falou de obras só comparáveis às que ouvimos dos Santos da Igreja: "Em verdade, em verdade, digo-vos: aquele que crê em Mim fará também as obras que Eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. E tudo que pedirdes ao Pai em Meu Nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho." Jo 14,12-13
    Para entendermos o mistério do mal, portanto, temos primeiro que contemplar o mistério do bem, que, sem sombra de dúvida, é muito superior: "... Deus tanto amou o mundo que lhe deu Seu único Filho..." Jo 3,16
    Santo Agostinho ensina: "Pois o Deus Todo-Poderoso, por ser soberanamente bom, nunca deixaria qualquer mal existir em Suas obras, se não fosse bastante poderoso e bom para fazer resultar o bem do próprio Mal."

    "Socorrei, com bondade, os que Vos buscam!"