terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

São Paulo Míki e Companheiros Mártires


    Canonizados em 1862 pelo Papa Pio IX, São Paulo Miki e seus companheiros, assim como no sacrifício pascal de Nosso Salvador Jesus Cristo, foram crucificados e tiveram seus tórax perfurados com lanças. Isto se deu na cidade de Nagasaki no ano de 1597, na colina de Nishisaka. vitimados pela perseguição de Toyotomi Hideyoshi, senhor feudal que havia unificado o Japão.
    Eram ao todo 6 missionários franciscanos, 3 jesuítas, 15 da ordem terceira de São Francisco e 3 adolescentes aspirantes, de 11, 13 e 14 anos de idade. Mas a e a serenidade com que enfrentaram esses momentos tornaram o espetáculo de brutalidade numa memorável cena da História da humanidade: estavam todos radiantes por homenagear Jesus padecendo o martírio da crucificação!


    Padre Pasio e Padre Rodriguez, antes de serem crucificados, deram algumas voltas entre seus companheiros, encorajando-os; Padre Bursar não demonstrava nenhuma emoção, apenas olhava para os céus; Irmão Martin dava graças a Deus cantando o versículo 6 do Salmo 31, o qual repetia várias vezes: "Em Tuas mãos, Senhor, eu entrego meu espírito!"; Irmão Francisco Blanco também agradecia a Deus em voz alta; Irmão Gonsalvo, franciscano português, recitava bem alto o Pai Nosso e a Ave Maria.
    São Paulo Miki expressou que estava morrendo pelo Evangelho, agradeceu a Deus por essa Graça e terminou seu pequeno sermão dizendo enternecidamente: "... não há outro caminho para a Salvação, exceto o Caminho de Cristo... Eu perdoo de coração o imperador e todos aqueles que buscavam minha morte, e peço-os que procurem o Batismo e tornem-se cristãos!" Olhou em seguida para seus companheiros e exortou-os nesta última batalha.
    Luis Ibakari, de apenas 11 anos, quando ouviu alguém na multidão gritar que ele logo estaria no Paraíso, teve seu corpo todo esticado para cima, como se estivesse levitando, enquanto seu rosto reluzia de felicidade. Isso deixou a todos admirados, e causou pavor nos quatro executores que já desembainhavam suas lanças.
    O coroinha Antônio Kozaki, de 13 anos, olhou para o céu, clamou por Jesus e Maria e começou a cantar, como fazia nas aulas de catecismo, o Salmo 113, e foi entusiasmadamente seguido por seu irmão Tomé, de 14 anos: "Louvai, crianças do Senhor! Louvai o Nome do Senhor!" Todos os demais seguiam repetindo: "Jesus, Maria!"


     O Evangelho chegou ao Japão em 1549, pela grandeza de São Francisco Xavier, que aí permaneceu até 1551. Mas pelo próprio vigor da Palavra de Deus, semeada por exímios catequistas como viria a ser São Paulo Miki, décadas depois já havia mais de 300 mil cristãos nesse país.
    Nascido no ano de 1562 numa família de convertidos, filho de um militar de sangue samurai, foi educado no Colégio Jesuíta de Anziquiama e a convivência com os seguidores de Santo Inácio de Loyola fez com que pedisse ingresso na ordem em 1580. Como não havia bispo na região de Fusai, teve sua ordenação atrasada por muito tempo, mas foi o primeiro sacerdote jesuíta do Japão.
    O zelo pela evangelização, porém, fez dele desde sempre um excelente pregador. Budistas e xintoístas convertiam-se diante de sua inspiração e argumentos, mas também tocados por sua humildade, longanimidade e verdadeiro amor pelo seu povo, o qual ele alimentava por ininterruptas práticas de orações e penitências. Era de uma pureza realmente ímpar.
    No entanto, por medo do colonialismo europeu que se alastrava pela Ásia, em 1587 Toyotomi Hideyoshi, que era simpatizante do Catolicismo, acabou por proibi-lo no Império do Sol Nascente, embora tenha sido relativamente tolerado até 1594, quando os espanhóis tomaram as Filipinas.


    Desde então, por ordem do próprio imperador, sob ameaça de morte caso resistissem, os missionários e religiosos católicos foram expulsos do país. Contudo, por amor à fervorosa comunidade que ficaria absolutamente abandonada, seis corajosos franciscanos decidiram ficar e terminaram sendo os primeiros presos. Em seguida, prenderam também São Paulo Miki e com ele dois jesuítas, e por fim os 18 resolutos leigos da ordem terceira, incluindo as 3 destemidas 'crianças'. Mesmo sabendo que seriam sumariamente mortos, nenhum deles aceitou renegar Jesus Cristo.
    Foram expostos a humilhações e torturas públicas, e depois levados a pé de Meaco a Nagasaki, enquanto padeciam escárnio e violência física pelas ruas e estradas. Nos arredores de Nagasaki, a colina Nishisaka, onde as 27 cruzes lhes esperavam, ficou conhecida como o Monte dos Mártires.


    Os católicos japoneses que não aceitaram abandonar a fé, refugiaram-se ao longo do rio Urakami, nas proximidades de Nagasaki, e mesmo sem padres viveram-na na clandestinidade. Anos mais tarde a eles chegariam, também na clandestinidade, alguns virtuosos missionários europeus, mas, sob novas investidas de perseguição de sucessivos imperadores, logo seriam novos beatos mártires, e seus sacrifícios inspirariam a impressionante história de Santa Madalena de Nagasaki.
    E desde o início das perseguições e da prisão de São Paulo Miki, por várias gerações os fieis locais guardaram 3 critérios para reconhecer a Igreja de Jesus Cristo, que um dia, como acreditavam, vitoriosamente retornaria: "Quando a Igreja voltar ao Japão, vocês a reconhecerão por três sinais: os padres não são casados, haverá uma imagem de Maria e esta Igreja obedecerá ao Papa-Sama, isto é, ao Bispo de Roma." E foi exatamente o que aconteceu após 2 séculos e meio!
    Foi também em terras japonesas que aconteceu uma das mais importantes manifestações de Nossa Senhora em tempos recentes: a Aparição de Akita, cujas profecias não são boas, mas devem ser urgentemente conhecidas.


    São Paulo Míki e Companheiros, rogai por nós!