quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A Cátedra de São Pedro


    A cadeira de um bispo é chamada de cátedra, que vem do latim 'cathedra'. Daí vem o nome Catedral, isto é, a igreja que abriga a cátedra do bispo local.
    Há registros do ano de 370, do Papa São Damásio I, descrevendo uma cadeira portátil que era usada exclusivamente pelo Bispo de Roma, nas dependências do Vaticano, e mencionando várias celebrações festivas de anos anteriores, realizadas em sua homenagem.
    A Tradição sustenta que as relíquias da cadeira de sacerdócio usada por São Pedro, enquanto viveu em Roma, estão guardadas no espaço embaixo do assento dessa cadeira elevada feita em bronze, nas fotos acima.
    Ela fica atrás do Altar Papal da Basílica que leva o nome do Príncipe dos Apóstolos, e é sustentada por 4 Doutores da Igreja que magistralmente defenderam sua primazia sobre todos os demais bispados pelo mundo. São eles: Santo Ambrósio e Santo Atanásio, à esquerda, e São João Crisóstomo e Santo Agostinho, à direita. Não por acaso, sua posição na Basílica é exatamente abaixo e adiante da principal imagem do Espírito Santo, Divino Guia da Igreja, como se vê na segunda foto.
    Registros igualmente antigos dão conta de uma segunda cadeira usada por São Pedro, vista na foto abaixo, bem posterior e mais sofisticada, que começou a ser usada por ele pouco antes de seu sacrifício e em seguida foi escondida nas catacumbas de Priscila.


    É muito significativo que essa relíquia tenha sido guardada exatamente nessas catacumbas, pois eram veneradas com especial devoção pelos primeiros cristãos. É nelas, por exemplo, que se encontra a mais antiga representação de Nossa Senhora, datada do século II. Nela vemos Isaías, o Profeta que anunciou que uma Virgem daria à luz o Salvador, a Estrela de Belém e a Mãe Santíssima com o Menino Jesus ao colo.


    Quanto ao valor destas relíquias, não há o que questionar, pois até mesmo a sombra de São Pedro realizava milagres: "De maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos sua sombra cobrisse alguns deles. Também das cidades vizinhas de Jerusalém afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por espíritos imundos, e todos eles eram curados." At 5,16-17
    O mesmo acontecia com relíquias de São Paulo: "Deus fazia extraordinários milagres por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado seu corpo eram levados aos enfermos. E afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os espíritos malignos." At 19,11-12
    Havia, portanto, para cada uma dessas cadeiras um dia de festa: 18 de janeiro e 22 de fevereiro. As duas datas foram incluídas no Calendário Tridentino pelo Papa Clemente VIII, em 1604. No ano de 1960, porém, o Papa São João XXIII retirou do calendário 8 festas que estavam em duplicidade, e uma delas foi a do 18 de janeiro. Ficou então o dia 22 de fevereiro como a data da celebração.
    A Cátedra de São Pedro, entretanto, representa muito mais que a cadeira do bispo, mesmo que seja o Bispo de Roma, o Sumo Pontífice. Ela representa o próprio poder do representante máximo de Deus entre nós: a autoridade e a unidade da Igreja de Jesus Cristo.
    Representa também a Infalibilidade do Papa, poder dado pelo próprio Jesus: "Eu dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos Céus." Mt 16,19
    Por fim, significa os maiores prêmio e o poder. Para o errante ser humano, algo só imaginável numa mais que generosa relação de pai e filho, que é o que Deus nos oferece. Jesus prometeu: "Ao vencedor concederei assentar-se comigo no Meu Trono, assim como Eu venci e sentei-Me com Meu Pai em Seu trono." Ap 3,21
    E São Pedro revelou-se o administrador fiel, a quem Jesus entregou todas as coisas: "'Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem.' Disse-Lhe Pedro: 'Senhor, propões esta parábola só a nós ou também a todos?' O Senhor replicou: 'Qual é o sábio e fiel administrador que o Senhor estabelecerá sobre Seus operários para dar-lhes, a seu tempo, sua medida de trigo? Feliz daquele servo que o Senhor achar procedendo assim, quando vier! Em verdade, digo-vos: confiar-lhe-á todos Seus bens." Lc 12,40-44
    Pois ainda antes de Sua Paixão, Jesus já havia colocado o destino da Igreja em suas mãos: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para peneirar-vos como o trigo; mas Eu roguei por ti, para que tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma teus irmãos." Lc 22,31-32
    Quanto à sua vitória, desde o próprio martírio que sofreu, não deve haver dúvida. Aliás, ele até a previu e deixou registrado: "Eis a exortação que dirijo aos anciãos que estão entre vós; porque sou ancião como eles, fui testemunha dos sofrimentos de Cristo e serei participante com eles daquela Glória que há de manifestar-se." 1 Pd 5,1
    Ora, enquanto braço direito de Jesus, o Primeiro Apóstolo sabia muito bem qual era o seu papel. E cumpriu-o dignamente, pois partiu em sã consciência, mas não sem alguns privilégios, para a Vida Eterna: "Eis por que não cessarei de trazer-vos à memória essas coisas, embora estejais instruídos e confirmados na presente Verdade. Tenho por meu dever, enquanto estiver neste tabernáculo, de manter-vos vigilantes com minhas admoestações. Porque sei que em breve terei que deixá-lo, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo me fez conhecer. Mas cuidarei para que, ainda depois de meu falecimento, possais conservar sempre a lembrança dessas coisas." 2 Pd 1,12-15



    "São Pedro, rogai por nós!"