segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

As Vigílias de Dom Hélder


    "Que seria de mim sem a Vigília?"
    "A experiência ensina que, apesar das melhores resoluções e dos mais decisivos apelos de unidade, podemos acabar o dia esquartejados, de vez que nossos pedaços foram ficando, aqui e ali, enquanto as horas passavam. Sem perder a serenidade e a paz, achando muito natural que criatura seja criatura e barro seja barro, tentemos salvar a unidade antes de dormir. Se ela não se recompõe, tenhamos a confiança de dormir tranquilos e aproveitemos a Santa Missa da manhã seguinte para o reencontro com a Trindade, e, especialmente, com Jesus Cristo."
    "Reparem como no meio do trabalho mais intenso - e justamente na medida em que este aumenta e se agrava - é preciso abrir espaço, descobrir tempo para o essencial. A Regra é um esquema amplo, fácil de guardar... é a visão que Deus me dá nos dias que passam: visão positiva e larga, dentro do lema de Santo Agostinho: “Ama et fac quod vis” (Ama e faze o que quiseres)... Sua remessa vale como uma confidência, como um retrato do que desejo ser. E vale, também, como um convite a não deixar que o acidental tome conta de nós e nos afogue. É incrível como o essencial nos escapa e como é preciso uma vigilância constante para, de novo e sempre, segurá-lo com as duas mãos."
    "... Ela mesma, a Vigília, é um mistério tão grande! Talvez o seja devido às Vigílias do Filho de Deus (e que maravilhosas Vigílias foram as de Cristo, unido mais que ninguém ao Pai Celeste, louvando, agradecendo, pedindo perdão, suplicando!) que as nossas Vigílias ajudam tanto a ver claro, a ver largo, a esquecer os miúdos problemas pessoais pela união às grandes necessidades dos homens e pelo louvor à Santíssima Trindade... Na madrugada que escapou ao espaço e ao tempo, não nos cansamos de repetir os sete pedidos maravilhosos do Pater (Pai Nosso)..."