quarta-feira, 14 de março de 2018

O Evangelho da Reconciliação


    Na primeira carta que escreveu à igreja de Tessalônica, São Paulo afirma o poder que o Evangelho tem em si mesmo, como Divina Palavra que é, e informa que seu principal objetivo é reconciliar o povo com Deus. Não poderia ser diferente: é Deus Jesus que vem ao nosso encontro: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para vossa Salvação." 1 Ts 1,5
    Noutra carta, agora ao povo de Corinto, ele dá uma ideia desse poder, lembrando as trombetas que derrubaram as muralhas de Jericó: "Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-o à obediência a Cristo." 2 Cor 10,4-5
    Ele diz que no Evangelho está a Glória de Cristo, quer dizer, a máxima representação de Deus e dos Céus, e que só a sedução do inimigo pode evitar que a percebamos: "Se nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a Luz do Evangelho, onde resplandece a Glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que claramente transpareça que este extraordinário poder provém de Deus e não de nós." 2 Cor 4,3-4.7
    E de vibrante modo ele comenta a percepção que os cristãos alcançaram de Jesus e da própria humanidade, para muito além do meramente humano, e atesta a profunda transformação dos fiéis como resultado da reconciliação com o Pai. Ora, o ministério da Igreja é exatamente esse, que ela cumpre através dos Sacramentos: "Por isso, daqui em diante a ninguém nós conhecemos de um modo humano. Muito embora tenhamos considerado Cristo dessa maneira, agora já não O julgamos assim. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou Consigo, por Cristo, e confiou-nos o ministério desta reconciliação. Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava Consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação. Portanto, desempenhamos o encargo de embaixadores em Nome de Cristo, e é Deus mesmo que vos exorta por nosso intermédio. Em Nome de Cristo, rogamo-vos: reconciliai-vos com Deus!" 2 Cor 5,16-20
    Essa, aliás, era sua reclamação contra os coríntios em sua primeira carta: "A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu dei-vos leite a beber, e não alimento sólido que ainda não podíeis suportar. Nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais. Com efeito, enquanto houver entre vós ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um modo totalmente humano?" 1 Cor 3,1-3
    Pois ele havia explicado: "Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as Graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais. Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar. O homem espiritual, ao contrário, julga todas as coisas e não é julgado por ninguém." 1 Cor 2,12-15
    Foi o que Jesus disse sobre o Espírito Santo, quando prometeu que Ele seria derramado sobre a Igreja: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas vós O conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós." Jo 14,16-17
    Para São Tiago Menor, aliás, a própria Sabedoria já é por si um apelo à conciliação com Deus e com todas as pessoas: "Onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios. A Sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de Misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, nem fingimento." Tg 3,16-17
    Aos romanos, exaltando o precioso Sangue de Jesus, São Paulo atestava: "Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por Sua Vida. ... nós nos gloriamos em Deus por Nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem desde agora temos recebido a reconciliação!" Rm 5,10-11
    De fato, ao anunciar a iminência de Sua Crucificação, Jesus afirmou: "E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim." Jo 12,32
    E desde o início de Suas pregações Ele já associava o acolhimento do Evangelho ao necessário reconhecimento dos pecados, e assim à conversão: "Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho." Mc 1,15
    Pela mesma razão, Ele convocou os Apóstolos e deu-lhes poder: "Então chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos. Eles partiram e pregaram a penitência." Mc 6,7.12
    E assim Ele mesmo instituiu a Igreja, dando-lhe o poder de perdoar os pecados, que é propriamente o Sacramento da Reconciliação: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, Eu envio a vós.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.'" Jo 20,21-23
    Não foi assim que Ele justificou Sua Paixão aos discípulos que partiram para Emaús, no Domingo da Ressurreição? "Assim é que está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. E que em Seu Nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas nações, começando por Jerusalém." Lc 24,46-47
    Contudo, é o Batismo o primeiro e principal Sacramento para o perdão dos pecados, pois como indispensáveis requisitos à Salvação Jesus estabeleceu a e o Batismo: "E disse-lhes: 'Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo...'" Mc 16,15-16a
    E como diz São Paulo, é pelo Batismo que temos a justificação: "Fomos, pois, sepultados com Ele em Sua Morte pelo Batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela Glória do Pai, assim nós também vivamos uma nova vida." Rm 6,4
    Por isso, em sua pregação logo após o Pentecostes, São Pedro vai recomendá-lo ao peregrinos que estavam em Jerusalém: "Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo." At 2,38
    Pois segundo Jesus, a função do Divino Paráclito é exatamente levar o mundo a um exame de consciência: "E quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do Juízo." Jo 16,8
    Ele afirmou aos Apóstolos: "Digo-vos que assim haverá maior júbilo no Céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." Lc 15,7
    E São João Evangelista observou: "Quem conhece a Deus, ouve-nos; quem não é de Deus, não nos ouve. É nisto que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro." 1 Jo 4,6a
    Desta forma, todo gesto de verdadeira fé deve estar impregnado do poder do Espírito de Cristo, que se antecipa e promove a total reconciliação, com Deus e com todos os irmãos. Jesus recomendou no Sermão da Montanha: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do Altar e lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do Altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24
    Nas palavras de São Paulo, essa é obrigatória atitude para quem está sob os Sacramentos, como o do Matrimônio: "Aos casados mando (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido. E se ela estiver separada, que fique sem se casar, ou que se reconcilie com seu marido. Igualmente, o marido não repudie sua mulher." 1 Cor 7,10-11
    Ora, o perdão que podemos obter de Deus será proporcional ao perdão que oferecemos aos irmãos. É o que rezamos no Pai Nosso: "... perdoai-nos nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos têm ofendido..." Mt 6,12
    Aliás, em todas orações que fizermos, como Jesus mesmo determinou: "E quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também Vosso Pai, que está nos Céus, perdoe vossos pecados. Mas se não perdoardes, tampouco Vosso Pai que está nos Céus perdoará vossos pecados." Mc 11,25-26
    São João Evangelista é taxativo: "Aquele que diz estar na Luz, e odeia seu irmão, ainda jaz nas trevas. Quem ama seu irmão permanece na Luz e não se expõe a tropeçar. Mas quem odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas, sem saber para onde dirige os passos; as trevas cegaram seus olhos." 1 Jo 2,9-11
    Pois esse é o grande teste para quem diz que conhece o amor de Deus: "Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a Quem não vê." 1 Jo 4,20
    E estar em Comunhão com Deus significa estar em Comunhão com a Igreja: "Se dizemos ter Comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos Comunhão recíproca uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,6-7


O EVANGELHO DA PAZ

    Sem dúvida, era essencialmente essa a missão dos Apóstolos, como declara o 'Amado Discípulo': "O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com nossos olhos, o que temos contemplado e nossas mãos têm apalpado no tocante ao Verbo da Vida - porque a Vida se manifestou, e nós a temos visto; damos testemunho e anunciamo-vos a Vida Eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou -, o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais Comunhão conosco. Ora, nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,1-3
    Porque a Igreja aí está para celebrar na Santa Missa o Santíssimo Sacramento, e de Jesus nós aprendemos que sem o símbolo máximo dessa Comunhão, que é a Comunhão Eucarística, não entraremos na Vida Eterna: "Então lhes disse Jesus: 'Em verdade, em verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos.'" Jo 6,53
    Afirmativamente, Ele vincula Sua Paixão, oferecida na forma de Pão e Vinho, à Redenção: "Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-O, partiu-O e deu-O aos discípulos, dizendo: 'Tomai e comei, isto é Meu Corpo.' Tomou depois o Cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei d'Ele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens para a remissão dos pecados.'" Mt 24,26-28
    Com este mesmo propósito, São Paulo anuncia Jesus em Sua plenitude, como Deus Filho, bem como Sua Missão de restabelecer, pela força do Evangelho, a santidade, isto é, a divina semelhança que havemos perdido: "Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos Santos na Luz. Ele arrancou-nos do poder das trevas e introduziu-nos no Reino de Seu amado Filho, no Qual temos a Redenção, a remissão dos pecados. Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda Criação. N'Ele foram criadas todas as coisas nos Céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por Ele e para Ele. Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas n'Ele subsistem. Ele é a Cabeça do Corpo, da Igreja. Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos e por isso tem o primeiro lugar em todas as coisas. Porque aprouve a Deus n'Ele fazer habitar toda plenitude, e por Seu intermédio Consigo reconciliar todas criaturas, através d'Aquele que, ao preço do próprio Sangue na Cruz, restabeleceu a Paz a tudo quanto existe na terra e nos Céus. E também a vós, que há bem pouco tempo eram alheios a Deus e inimigos por vossos pensamentos e más obras, eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de Seu Corpo humano, para que vos possais apresentar Santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai. Para isto, é necessário que permaneçais fundados e firmes na fé, inabaláveis na esperança do Evangelho que ouvistes, que foi pregado a toda criatura que há debaixo do Céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro." Cl 1,12-23
    Povos de todas as nações, portanto, têm em Jesus a verdadeira oportunidade de reconciliar-se com Deus: "Ele quis, assim, a partir do judeu e do pagão, criar em Si um só novo homem, estabelecendo a Paz. Quis reconciliá-los com Deus, ambos em um só Corpo, por meio da Cruz." Ef 2,15a-16b
    O próprio Jesus afirmou: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6b
    Foi assertivo: "Aquele que não honra o Filho, não honra o Pai, que O enviou." Jo 5,23b
    Disse aos principais dos judeus: "Não conheceis nem a Mim nem a Meu Pai; se Me conhecêsseis, certamente também conheceríeis a Meu Pai." Jo 8,19b
    Ele explicou: "... mas sei que não tendes em vós o amor de Deus." Jo 5,42
    E São Paulo complementou: "Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5b
    Ainda na Carta aos Efésios, o Apóstolo dos Gentios assegura que é ouvindo o Evangelho que recebemos o Espírito de Deus: "Em Cristo também vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido..." Ef 1,13
    E muito além de judeus e pagãos, Deus Pai quer reunir em Jesus todas as criaturas, toda a Criação, dando um único sentido a toda existência: "Ele manifestou-nos o misterioso desígnio de Sua vontade, que em Sua benevolência formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos - desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos Céus e as que estão na terra." Ef 1,9-10
    Embora mencionando a armadura de um guerreiro, ele deixou-nos uma das definições mais apropriadas do Evangelho: "Estejam, portanto, bem firmes: cingidos com o cinturão da Verdade, vestidos com a couraça da justiça, os pés calçados com o zelo para propagar o Evangelho da Paz..." Ef 6,14-15
    Ora, essa foi a determinação dada por Jesus a São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos: "Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,15b.17b
    E São Paulo segue garantindo o poder e a origem da Palavra de Deus: "Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim não tem nada de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma revelação de Jesus Cristo." Gl 1,11
    Ele afirma: "Não me envergonho do Evangelho, pois ele é uma força vinda de Deus para a Salvação de todo aquele que crê..." Rm 1,16
    Ora, dele vem a esperança, como escreveu aos colossenses: "Esperança que vos foi transmitida pela pregação da Verdade do Evangelho..." Cl 1,5b
    Por ele Jesus realizou os maiores sonhos da humanidade: "... destruiu a morte e suscitou a Vida e a imortalidade, pelo Evangelho..." 2 Tm 1,10b
    Por ele nascem as novas criaturas: "... fui eu que vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho." 1 Cor 4,15
    Que a ele se tornam obedientes, como se deu entre os coríntios: "... eles glorificam a Deus pela obediência que professais relativamente ao Evangelho de Cristo..." 2 Cor 9,13
    Por ele toma-se parte na Glória do Filho de Deus: "E pelo anúncio do nosso Evangelho, Deus chamou-vos para tomar parte na Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Ts 2,14
    Dele os verdadeiros sacerdotes de Cristo tornam-se servos: "Eu tornei-me servo deste Evangelho em virtude da Graça que me foi dada pela onipotente ação divina." Ef 3,7
    E de todos os cristãos São Paulo exige dignidade: "Cumpre, somente, que em vosso proceder vos mostreis dignos do Evangelho de Cristo." Fl 1,27a
    Por todas essas Graças, nosso Apóstolo não deixa de reconhecer seu mistério: "E orai também por mim, para que me seja dado corajosamente anunciar o mistério do Evangelho..." Ef 6,19
    Jesus reclamava das limitações dos fariseus, como disse a Nicodemos: "Se vos tenho falado das coisas terrenas e não Me credes, como crereis se vos falar das celestiais?" Jo 3,12
    Dos líderes judeus: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44
    Disse-lhes: "'Tenho muitas coisas a dizer e a julgar a vosso respeito, pois Aquele que Me enviou é verdadeiro e o que d'Ele ouvi Eu o digo ao mundo.' Eles, porém, não compreenderam que ele lhes falava do Pai. Então lhes disse Jesus: 'Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis Quem sou e que nada faço de Mim mesmo, mas falo do modo como o Pai Me ensinou.'" Jo 8,26-28
    Disse aos próprios Apóstolos: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13
    E, por fim, refere-Se à Boa Nova como a grande prova do amor de Deus, que é a razão de ser de todas as coisas: "Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro para servir de testemunho a todas nações, e então chegará o fim." Mt 24,14
    São Pedro também discorreu inspiradamente sobre a Graça da Boa Nova. Sempre movidos pelo Espírito de Deus, os Profetas já anunciavam a remissão dos pecados pelo Sacrifício de Cristo: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas que proferiram oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e que profetizava os sofrimentos do mesmo Cristo e as Glórias que os seguiriam. Foi-lhes revelado que propunham não para si mesmos, senão para vós, estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu. Revelações estas que os próprios anjos desejam contemplar. Cingi, portanto, os rins do vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na Graça que vos será dada no Dia em que Jesus Cristo aparecer." 1 Pd 1,10-13
    Por demais importante, o Evangelho foi anunciado até aos que já haviam falecidos, e assim Jesus desceu à mansão dos mortos para levar aos Seus à reconciliação com Deus: "Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos. Para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito." 1 Pd 4,6
    Tal e qual São Paulo falando sobre a herança dos Santos, ou seja, sobre a perfeita reabilitação da condição humana, São Pedro menciona o chamamento de Deus para participarmos de Sua natureza divina: "O divino poder deu-nos tudo que contribui para a Vida e a piedade, fazendo-nos conhecer Aquele que nos chamou por Sua Glória e Sua Virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." 2 Pd 1,3-4

    "Fazei-nos, ó Pai, instrumentos de Vossa Paz!"