quinta-feira, 29 de março de 2018

A Quinta-Feira Santa

    São Mateus assim narrou a última quinta-feira de Jesus:

'A SANTA CEIA'


    "No primeiro dia dos Ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe:
    - Onde queres que preparemos a ceia pascal?
    Respondeu-lhes Jesus:
    - Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: O Mestre manda dizer-te: Meu tempo está próximo. É em tua casa que celebrarei a Páscoa com Meus discípulos.
    Os discípulos fizeram o que Jesus tinha ordenado, e prepararam a Páscoa.
    Ao declinar da tarde, pôs-Se Jesus à mesa com os Doze discípulos. Durante a ceia, disse:
    - Em verdade, digo-vos: um de vós há de trair-Me.
    Com profunda aflição, cada um começou a perguntar:
    - Sou eu, Senhor?
    Respondeu Ele:
    - Aquele que Comigo pôs a mão no prato, esse Me trairá. O Filho do Homem vai, como d'Ele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!
    Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou:
    - Mestre, serei eu?
    - Sim, disse Jesus.
    Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-O, partiu-O e deu-O aos discípulos, dizendo:
    - Tomai e comei, isto é Meu Corpo.
    Tomou depois o Cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo:
    - Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos para a remissão dos pecados. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de Meu Pai.
    Depois do canto dos Salmos, dirigiram-se eles para o Monte das Oliveiras. Disse-lhes então Jesus:
    - Esta noite, para todos serei vós uma ocasião de queda; porque está escrito: 'Ferirei o Pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas' (Zc 13,7). Mas, depois da Minha Ressurreição, Eu vos precederei na Galileia.
   Pedro interveio:
    - Mesmo que para todos sejas uma ocasião de queda, para mim jamais o serás.
    Disse-lhe Jesus:
    - Em verdade, digo-te: nesta mesma noite, antes que o galo cante, três vezes Me negarás.
    Respondeu-Lhe Pedro:
    - Mesmo que seja necessário Contigo morrer, jamais Te negarei!
    E todos os outros discípulos diziam-Lhe o mesmo.

'A AGONIA NO ORTO DAS OLIVEIRAS'


   Retirou-Se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani, e disse-lhes:
    - Assentai-vos aqui, enquanto Eu vou ali orar.
    E Consigo tomando Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se. Disse-lhes, então:
    - Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai Comigo.
    Adiantou-Se um pouco e, prostrando-Se com a face por terra, assim rezou:
    - Meu Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, mas sim o que Tu queres.
    Depois foi ter com os discípulos e encontrou-os dormindo. E disse a Pedro:
    - Então não pudestes vigiar uma hora Comigo... Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.
    Afastou-Se pela segunda vez e orou, dizendo:
    - Meu Pai, se não é possível que passe este cálice sem que Eu o beba, faça-se a Tua vontade!
    Voltou ainda e encontrou-os novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.
    Voltou então para Seus discípulos e disse-lhes:
    - Dormi agora e repousai!
    Mas, após alguns instantes, disse-lhes:
    - Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores... Levantai-vos, vamos! Aquele que Me trai está perto daqui.

'A TRAIÇÃO'


    Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor combinara com eles este sinal:
    - Aquele que eu beijar, é Ele. Prendei-O!
    Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse:
    - Salve, Mestre.
    E beijou-O.
    Disse-lhe Jesus:
    - Então é para isso que aqui vens?
    Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-Lo. Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. Jesus, no entanto, disse-lhe:
    - Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão. Crês tu que não posso invocar Meu Pai e Ele não Me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que assim seja?
    Depois, voltando-Se para a turba, falou:
    - Saístes armados de espadas e porretes para prender-Me, como se Eu fosse um malfeitor. Mas todos os dias estava Eu sentado entre vós, ensinando no Templo, e não Me prendestes. Tudo isto aconteceu porque era necessário que se cumprissem os oráculos dos Profetas.
    Então os discípulos abandonaram-nO, e fugiram.

'O JULGAMENTO'


    Aqueles que haviam prendido Jesus, levaram-nO à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo. Pedro seguia-O de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados, para ver como aquilo terminaria.
    Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de levarem-nO à morte. Mas não o conseguiram, embora apresentassem-se muitas falsas testemunhas.
    Por fim, apresentaram-se duas testemunhas que disseram:
    - Este homem disse: 'Posso destruir o Templo de Deus e reedificá-lo em três dias.'
    Levantou-se o sumo sacerdote e perguntou-Lhe:
    - Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra Ti?
    Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-Lhe o sumo sacerdote:
    - Por Deus vivo, conjuro-Te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus?
    Jesus respondeu:
    - Sim. Além disso, Eu declaro-vos que doravante vereis o Filho do Homem sentar-Se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do Céu!
    A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando:
    - Que necessidade ainda temos de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! Qual é vosso parecer?
    Eles responderam:
    - Merece a morte!
    Cuspiram-Lhe então na face, bateram-Lhe com os punhos e deram-Lhe tapas, dizendo:
    - Adivinha, ó Cristo: quem Te bateu?
    Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo:
    - Tu também estavas com Jesus, o Galileu!
    Mas ele negou publicamente, nestes termos:
    - Não sei o que dizes.
    Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam:
    - Este homem também estava com Jesus de Nazaré!
    Pedro, pela segunda vez, negou com juramento:
    - Eu nem conheço tal homem.
    Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram:
    - Sim, tu és daqueles; teu modo de falar dá-te a conhecer.
    Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera:
    - Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes.
    E saindo, chorou amargamente."                                                              Mt 26,17-75


'O LAVA-PÉS' 


    Este acontecimento, que se tornou um importante ritual da Igreja, também se deu neste dia, e foi narrado por São João Evangelista:

    "Durante a ceia, quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-Lo, sabendo Jesus que o Pai tudo Lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, depôs Suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-Se com ela.
    Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro disse-Lhe:
    - Senhor, queres lavar-me os pés?!...
   Respondeu-lhe Jesus:
    - O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve.
    Disse-Lhe Pedro:
    - Jamais me lavarás os pés!...
    Respondeu-lhe Jesus:
    - Se Eu não tos lavar, não terás parte Comigo.
    Exclamou então Simão Pedro:
    - Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.
    Disse-lhe Jesus:
    - Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!...
    Pois sabia quem O havia de trair. Por isso, disse:
    - Nem todos estais puros.
    Depois de lavar-lhes os pés e tomar Suas vestes, sentou-Se novamente à mesa e perguntou-lhes:
    - Sabeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque Eu o sou. Logo, se Eu, Vosso Senhor e Mestre, lavei-lhes os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim façais também vós. Em verdade, em verdade, digo-vos: o servo não é maior que Seu Senhor, nem o enviado é maior que Aquele que o enviou. Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de praticá-las."
                                                 Jo 13,2-17

    Depois, Jesus rezou ao Pai por todos aqueles que ouviriam a Palavra anunciada pelos Apóstolos, em nome da Unidade da Igreja, e para tanto derramou Sua Glória sobre os Onze: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em Mim. Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu Me enviaste. Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e amaste-os, como amaste a Mim." Jo 17,20-23
    E São Lucas relata que, após a Santa Ceia, Jesus mais uma vez colocou São Pedro à frente do Colégio dos Apóstolos: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou, para peneirar-vos como o trigo. Mas Eu roguei por ti, para que tua confiança não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma teus irmãos." Lc 22,31-32

A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA

    Bem antes desta noite, ainda na sinagoga de Cafarnaum, Jesus já havia avisado que instituiria este que é o mais importante dos Sacramentos: "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão que Eu hei de dar é Minha Carne, para a Salvação do mundo." Jo 6,51
    E quanto à sua importância, Ele foi bastante contundente: "Então lhes disse Jesus: 'Em verdade, em verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos. Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a Vida Eterna; e Eu o ressuscitarei no Último Dia. Pois Minha Carne é verdadeiramente comida e Meu Sangue, verdadeiramente bebida.'" Jo 6,53-55
    Mais: por ele firmou um vínculo de pertença, a Comunhão Espiritual: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele." Jo 6,56
    Disse expressamente que este é o cerne de Sua Missão: "Chegada que foi a hora, Jesus pôs-Se à mesa, e com Ele os Apóstolos. Disse-lhes: 'Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois digo-vos: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus.'" Lc 22,14-16
    Definitivamente, pois, a Eucaristia não é apenas um ritual. Tanto que, após ressuscitado, em Sua primeira aparição aos discípulos, em Emaús, Jesus fez-Se reconhecer exatamente ao partir o Pão: "Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, Ele tomou o pão, abençoou-O, partiu-O e serviu-lhO. Então se lhes abriram os olhos e reconheceram-nO... mas Ele desapareceu. Diziam então um para o outro: 'Não se nos abrasava o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e explicava-nos as Escrituras?'" Lc 24,30-32
    E essa é a piedosa prática dos Apóstolos, assim como da primeira grande leva de seguidores cativada pela Igreja, logo após o Pentecostes, através da pregação de São Pedro: "Aqueles que receberam sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos. Perseveravam eles na Doutrina dos Apóstolos, na reunião em comum, na fração do Pão e nas orações." At 2,41-42
    A Comunhão, pois, tornou-se o símbolo da unidade da Igreja: "Unidos de coração, frequentavam todos os dias o Templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a Comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia ajuntava-lhes outros que estavam a Caminho da Salvação." At 2,46-47
    Com efeito, sustentando que só existe uma Eucaristia, São Paulo vai argumentar: "Uma vez que há um único Pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só Corpo, porque todos nós comungamos do mesmo Pão." 1 Cor 10,17
    E tomando como marco o Dia da Ressurreição de Cristo, assim como os de Suas primeiras aparições, faziam-no especialmente aos domingos: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o Pão, Paulo, que havia de viajar no dia seguinte, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite." At 20,7
    Enquanto só o Evangelho de São Mateus estava escrito, São Paulo e os demais Apóstolos cuidavam de repassar, oralmente e por carta, os relatos desse grandioso evento: "Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-O e disse: 'Isto é Meu Corpo, que é entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim.' Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o Cálice, dizendo: 'Este Cálice é a Nova Aliança em Meu Sangue. Todas as vezes que O beberdes, fazei-o em memória de Mim.' Assim, todas as vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha." 1 Cor 11,23-26
    Entre os que vacilavam na , participando de rituais alheios à Igreja, ele questionava com veemência, cobrando a devida reverência a Deus: "O Cálice de Bênção, que benzemos, não é a Comunhão do Sangue de Cristo? E o Pão, que partimos, não é a Comunhão do Corpo de Cristo?" 1 Cor 10,16
    E coberto de razão, exigia respeito ao Santíssimo Sacramento, para o Qual todos os demais Sacramentos convergem: "Não podeis beber ao mesmo tempo o Cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que Ele?" 1 Cor 10,21-22
    Em sinal de compromisso com Cristo, ele exorta a comermos com deferência o verdadeiro Pão do Céu: "Pois nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, pois, a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães sem fermento, de pureza e de Verdade." 1 Cor 5,8
    Ameaçando com graves punições, ele avisava da impreterível penitência que deve ser feita antes da Comunhão: "Portanto, todo aquele que indignamente comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor, será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que O come e bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação. Esta é a razão porque entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos." 1 Cor 11,27-30
    De fato, nem todos entendiam propriamente o mistério que envolvia esse Sacramento, que passou de uma refeição coletiva para um ritual sagrado. Aqui temos um registro dos rudimentos do que viriam a ser a Santa Missa: "Desse modo, quando vos reunis, já não é para comer a Ceia do Senhor, porquanto, mal vos pondes à mesa, cada um se apressa a tomar sua própria refeição, e, enquanto uns têm fome, outros se fartam. Porventura não tendes casa onde comer e beber? Ou menosprezais a Igreja de Deus, e quereis envergonhar aqueles que nada têm? Que vos direi? Devo louvar-vos? Não! Nisto não vos louvo... Portanto, irmãos meus, quando vos reunis para a Ceia, esperai uns pelos outros. Se alguém tem fome, coma em casa. Assim vossas reuniões não vos atrairão a condenação. As demais coisas eu determinarei quando for ter convosco." 1 Cor 11,20-22.33-34
    E assim crescia a consciência da condição espiritual com que cada fiel participava do Santíssimo Sacramento, como pregavam os seguidores da tradição de São Paulo: "Por esse motivo, irmãos, temos ampla confiança de poder entrar no Eterno Santuário, em virtude do Sangue de Jesus, pelo novo e vivo Caminho que nos abriu através do véu, isto é, o Caminho de Seu próprio Corpo. E dado que temos um Sumo-Sacerdote estabelecido sobre a Casa de Deus, a Ele acheguemo-nos com sincero coração, com plena firmeza da fé, o mais íntimo da alma isento de toda mácula de pecado e o corpo lavado com a purificadora Água do Batismo. Não abandonemos nossa Assembléia, como é costume de alguns, mas admoestemo-nos mutuamente... " Hb 10,19-22-25a
    Como confirmação da realização deste sublime projeto de Deus, prefigurado nas profecias, há analogia no Antigo Testamento da aplicação desse ritual. E desde então se vê a necessária purificação dos que dele participam: "O Senhor disse a Aarão: 'Dou-te o que se reserva de tudo o que é separado para Mim, dentre todas as coisas consagradas dos israelitas: dou-o a ti e a teus filhos em virtude de uma perpétua lei, por causa da unção que recebeste. Tu as comerás em santíssimo lugar. Todo membro de tua família que estiver puro comerá dessas coisas.'" Nm 18,8.10a.11b
    A própria ceia da Páscoa impunha aos judeus algumas restrições, de não entrar em casa de estrangeiros, por exemplo, como se vê na ocasião em que Jesus foi levado a Pilatos: "Da casa de Caifás, conduziram Jesus ao pretório. Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa. Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou: 'Que acusação trazeis contra Este Homem?'" Jo 18,28

    "Senhor, eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e eu serei salvo!"