sábado, 31 de março de 2018

A Ressurreição da Carne


    Em Seu imenso amor por nós, o Pai Eterno não poderia deixar de oferecer-nos a própria eternidade. Jesus disse: "Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo aos que LhO pedirem." Lc 11,13
    Por isso, além de explicitar Sua divindade, Jesus deu um grande sinal do que aconteceria em Sua Ressurreição quando Se transfigurou. Apresentava-Se, pela primeira vez, em corpo glorioso: "Seis dias depois, Jesus tomou Consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e à parte conduziu-os a uma alta montanha. Lá Se transfigurou na presença deles: Seu rosto brilhou como o sol, Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias, conversando com Ele." Mt 17,1-3
    O rosto de Moisés, após receber de Deus as Tábuas da Lei, também brilhava a ponto de ter que usar um véu. Mas era apenas seu rosto, como sinal da proximidade que ele tinha com Deus: "E tendo-o visto Aarão e todos os israelitas, notaram que a pele de seu rosto se tornara brilhante e não ousaram aproximar-se dele." Ex 34,30
    Esse corpo que pode apresentar-se brilhante como o sol, sem necessariamente ofuscar, foi predito bem antes da Vinda de Jesus e aconteceria com Nossa Senhora, quando foi elevada ao Céu. Está lá no Cântico dos Cânticos: "Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha?" Ct 6,10
    De fato, a São João Evangelista, que cuidou de Nossa Mãe Celestial após a morte de Jesus, foi concedido ver sua chegada ao Céu, exatamente como havia sido profetizado: "Apareceu em seguida um grande sinal no Céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas." Ap 12,1
    E esse também é um suspiro de São Paulo, que vale para todos nós: "Nós, porém, somos cidadãos dos Céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante a Seu Corpo glorioso..." Fl 3,20-21


MULTIFORME, MATERIAL E IMATERIAL

    Logo ao ressuscitar na manhã de domingo, Jesus não Se apresentou de modo a ser reconhecido por Santa Maria Madalena: "... voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não O reconheceu." Jo 20,14
    E instantes depois, quando permitiu ser reconhecido, ela quis abraçá-Lo, mas Ele não o permitiu, certamente por alguma especial condição de Seu Corpo: "Disse-lhe Jesus: 'Não Me retenhas, porque ainda não subi a Meu Pai...'" Jo 20,17
    Sua simples reaparição sem feridas e luxações já era um grande milagre, pois Seu Corpo foi impiedosamente massacrado durante a flagelação ordenada por Pilatos, pelas quedas na subida ao Calvário (teve que ser ajudado!) e pela brutalidade da morte na Cruz. Ao morrer, Sua aparência nem lembrava a de um ser humano, como profetizou Isaías Seus últimos momentos: "Assim como, à Sua vista, muitos ficaram embaraçados - tão desfigurado estava que havia perdido a aparência humana...” Is 52,14
    Dois de Seus discípulos, que caminhavam para Emaús, também não O puderam reconhecer, pois ao menos inicialmente Ele assim não o quis. Aqui, como na aparição à Santa Maria Madalena, Jesus demonstrou como eles eram frágeis na , e não guardavam Sua Palavra. Ele não havia avisado que ressuscitaria? "Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-Se deles e caminhava com eles. Mas seus olhos estavam-lhes como que vendados, e não O reconheceram." Lc 24,15-16
    Entretanto, Ele não Se manifestava sempre assim. Nesta mesma situação, aliás, Ele apresentou-Se com Sua conhecida aparência, e exatamente pelo ritual do Santíssimo Sacramento, como pediu para ser celebrado, embora logo em seguida tenha demonstrado mais um poder de Sua Divindade: "Aproximaram-se da aldeia para onde iam e Ele fez como se quisesse passar adiante. Mas eles forçaram-nO a parar: 'Fica conosco, já é tarde e já declina o dia.' Entrou então com eles. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, Ele tomou o pão, abençoou-O, partiu-O e serviu-lhO. Então se lhes abriram os olhos e O reconheceram... mas Ele desapareceu." Lc 24,28-31
    E no mesmo domingo, momentos depois, também apareceu fisicamente aos Apóstolos. Para tirar qualquer dúvida, disse-lhes: "Vede Minhas mãos e Meus pés, sou Eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que tenho." Lc 24,39
    Chegou a comer diante deles: "Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou: 'Tendes aqui alguma coisa para comer?' Então ofereceram-Lhe um pedaço de peixe assado. Ele tomou e comeu à vista deles." Lc 24,41,43
    Contudo, era verdadeiramente uma aparição, pois atravessava paredes como descreveu São João Evangelista: "Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-Se no meio deles. Disse-lhes Ele: 'A Paz esteja convosco!'" Jo 20,19
    Na segunda aparição aos Apóstolos, não por acaso igualmente num domingo, Ele também apresentou-Se de modo a ser imediatamente reconhecido: "Oito dias depois, estavam Seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-Se no meio deles e disse: 'A Paz esteja convosco!'" Jo 20,26
    E logo ofereceu Suas feridas para que São Tomé as tocasse: "Põe teu dedo aqui e olha Minhas mãos. Estende tua mão e coloca-a no Meu lado e não sejas incrédulo, mas crê!" Jo 20,27
    Na terceira aparição coletiva, já na Galileia, de novo Ele apresentou-Se irreconhecível, mas só por um breve momento: "Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os discípulos não O reconheceram. Perguntou-lhes Jesus: 'Amigos, não tendes acaso alguma coisa para comer?' 'Não', responderam-Lhe. Disse-lhes Ele: 'Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis.' Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de peixes. Então aquele discípulo, que Jesus amava, disse a Pedro: 'É o Senhor!' Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se às águas." Jo 21,4-7
    E logo em seguida Ele comeu Pão e peixe diante eles. Tinha Seu próprio alimento, mas fez questão de comer do peixe que os Apóstolos haviam recém-pescado: "Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima delas, e Pão. Disse-lhes Jesus: 'Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes.' Depois de haverem comido..." Jo 21,9-10.15
    Eram todas essas aparições, porém, a realização de uma promessa do próprio Jesus, quando avisou aos Apóstolos de como se daria Sua Paixão: "Ainda um pouco de tempo, e já Me não vereis; depois, mais um pouco de tempo, e Me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai." Jo 16,16
    Ele assegurou, como registrou São Mateus, que muitos veriam Sua Glória: "Em verdade, declaro-vos: muitos destes que aqui estão não verão a morte, sem que tenham visto o Filho do Homem voltar na majestade de Seu Reino." Mt 16,28


A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS

    Jesus, porém, não ressuscitou sozinho, mas com vários Santos: "Os sepulcros abriram-se e muitos corpos de santos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da Ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas." Mt 27,53
    Aliás, isso não deveria ser surpresa, pois o próprio Jesus havia dito: "Em verdade, em verdade, digo-vos: vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão. Pois como o Pai tem a Vida em Si mesmo, assim também deu ao Filho ter a Vida em Si mesmo... Não fiqueis admirados com isso, pois vem a hora em que todos que estão nos túmulos ouvirão Sua voz, e sairão." Jo 5,25-26.28
    São Pedro, com efeito, mais tarde iria atestar Sua descida à mansão dos mortos, embora também tenha registrado que nem todos participaram da 'primeira ressurreição', que só cabe aos Santos. Ou seja, as penas do Purgatório haverão de ser cumpridas: "Pois para isto foi o Evangelho pregado também aos mortos; para que, embora sejam condenados em sua humanidade de carne, vivam segundo Deus quanto ao espírito." 1 Pd 4,6
    Como anunciava a ressurreição da carne, Jesus, em debate com saduceus, teve que dar explicações desta doutrina que havia alguns séculos fora revelada e já estava sendo corretamente observada e propagada: "Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento, mas os que serão julgados dignos do futuro século e da ressurreição dos mortos não terão mulher nem marido. Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, porque são ressuscitados. Por outra parte, que os mortos hão de ressuscitar é o que Moisés revelou na passagem da sarça ardente (Ex 3,6), chamando ao Senhor: Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacó. Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos; porque para Ele todos vivem." Lc 20,34-38
    São Paulo pregava: "Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão." 1 Cor 15,22
    E lamentou por aqueles cuja esperança só está voltada para coisas materiais: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19
    Pois sabemos que todos vão ressuscitar, é fato, mas nem todos terão o mesmo destino. Jesus afirmou: "Aqueles que praticaram o bem irão para a Ressurreição da Vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados." Jo 5,29
    Por isso alertava nestes termos para o castigo maior: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28
    De fato, Deus havia feito essa promessa através do Profeta Ezequiel: "Eis o que diz o Senhor Javé: 'Ó Meu povo, vou abrir vossos túmulos. Eu vos farei sair deles... Sabereis então que Eu é que sou o Senhor, ó Meu povo... quando Eu pôr em vós Meu Espírito para fazer-vos voltar à vida...'" Ez 37,12a.13a.14a
    Também através de Daniel: "Muitos daqueles que dormem no pó da terra despertarão, uns para uma Vida Eterna, outros para a ignomínia, a eterna infâmia. Os que tiverem sido inteligentes fulgirão como o brilho do firmamento, e os que a muitos tiverem introduzido nos caminhos da justiça luzirão como as estrelas, com um perpétuo resplendor." Dn 12,2-3
    Ora, Ezequiel tinha sido arrebatado e testemunhou a grandiosa visão do Vale dos Ossos Secos: "Profetizei, pois, assim como tinha recebido ordem. No momento em que comecei, um barulho fez-se ouvir, e em seguida um ensurdecedor ruído enquanto os ossos vinham unir-se aos outros. Prestando atenção, vi que músculos se formavam sobre eles, que carne neles nascia e que uma pele os recobria. Todavia, não tinham espírito. 'Profetiza ao Espírito!', disse-me o Senhor. 'Profetiza, filho do homem, e dirige-te ao Espírito.' Eis o que diz o Senhor Javé: 'Vem, Espírito, dos quatro cantos do Céu, sopra sobre esses mortos para que revivam.' Proferi o oráculo que Ele me havia ditado, e daí a pouco o Espírito penetrou neles. Retornando à vida, eles levantaram-se sobre seus pés: um grande, um imenso exército." Ez 37,7-10
    Foi, pois, por amor a Lázaro e para dar outro sinal da Ressurreição que Jesus devolveu-lhe a vida. Não era, entretanto, a definitiva Ressurreição, que confere ao ressuscitado um incorruptível e glorioso corpo. Sem dúvida, anos mais tarde Lázaro 'tornaria' a morrer. Sua ressurreição foi só uma prova de nossa vocação para a eternidade, assim como os demais a quem Jesus e os Apóstolos ressuscitaram. Tais sinais confirmam a Palavra e o poder de Jesus, pois num dos momentos em que Se revelou como Deus, Ele disse a Santa Marta: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá." Jo 11,25
    Ele disse-o de modo ainda mais explícito, garantindo que Ele mesmo, e não Deus Pai, ressuscitaria quem n'Ele cresse: "Esta é a vontade de Meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e n'Ele crê, tenha a Vida Eterna; e Eu o ressuscitarei no Último Dia." Jo 6,40
    E deixou claro que tal Graça se daria pelo poder do Santíssimo Sacramento: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a Vida Eterna; e Eu o ressuscitarei no Último Dia." Jo 6,54
    Aliás, sobre Sua própria Ressurreição Ele disse: "... dou Minha Vida para retomá-la. Ninguém a tira de Mim, mas dou-a de Mim mesmo porque tenho o poder para dá-la como tenho o poder para reassumi-la." Jo 10,18


O CORPO GLORIOSO

    São Paulo, fabricante de tendas por profissão, chamava de 'tenda' a carne em que vivemos: "Pois enquanto permanecemos nesta 'tenda', gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma nova veste por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela Vida." 2 Cor 5,4
    E ele fez esta explanação aos coríntios sobre a ressurreição da carne: "Assim também é a Ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado no desprezo, ressuscita glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso; semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo animal, também há um espiritual. Como está escrito: 'O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente (Gn 2,7)'; o segundo Adão é espírito vivificante. Mas não é o espiritual que vem primeiro, e sim o animal; o espiritual vem depois. O primeiro homem, tirado da terra, é terreno; o Segundo veio do Céu. Qual o homem terreno, tais os homens terrenos; e qual o Homem Celestial, tais os homens celestiais. Assim como reproduzimos em nós as feições do homem terreno, precisamos reproduzir as feições do Homem Celestial. O que afirmo, irmãos, é que nem a carne nem o sangue podem participar do Reino de Deus; e que a corrupção não participará da incorruptibilidade. Eis que vos revelo um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta (porque a trombeta soará). Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. É necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que este corpo mortal se revista da imortalidade. Quando este corpo corruptível estiver revestido da incorruptibilidade, e quando este corpo mortal estiver revestido da imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura: 'A morte foi tragada pela Vitória' (Is 25,8). 'Onde está, ó morte, tua vitória? Onde está, ó morte, teu aguilhão (Os 13,14)?' Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei. Graças, porém, sejam dadas a Deus, que nos dá a Vitória por Nosso Senhor Jesus Cristo!" 1 Cor 15,42-57
    Verdadeiramente inspirado, também deu detalhes das últimas horas do fim dos tempos: "Eis o que vos declaramos, conforme a Palavra do Senhor: por ocasião da Vinda do Senhor, nós que estivermos ainda vivos não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o mesmo Senhor descerá do Céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois nós, os vivos, os que estamos ainda na terra, seremos arrebatados juntamente a eles sobre nuvens ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor." 1 Ts 4,15-17
    São João Evangelista, pelas revelações que teve, também deu detalhes da nova condição da carne ressuscitada: "Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será Seu Pastor e levar-los-á às fontes das Águas Vivas..." Ap 7,15b-16a
    E indicou que, através de pessoal consolação de Deus, aí já não haverá mais sofrimento: "Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição." Ap 21,4
    Com efeito, mesmo aqui na Terra, corpos de muitos Santos ainda não se decompuseram. O corpo de Santa Luzia já tem 1700 anos e ainda pode ser visto, não se corrompeu por completo. São sinais que Deus nos dá da futura e definitiva Ressurreição da carne.


RESSURREIÇÃO DE CRISTO: ESSÊNCIA DA DOUTRINA

    Segundo São Paulo, conhecer o Mistério de Cristo é conhecer o poder que há em Sua Ressurreição, e é obtido oferecendo-se com Ele em sacrifício: "Anseio pelo conhecimento, de Cristo e do poder de Sua Ressurreição, pela participação em Seus sofrimentos, tornando-me semelhante a Ele na morte, com a esperança de conseguir a Ressurreição dentre os mortos." Fl 3,10-11
    Os seguidores de sua tradição afirmam: "Foi por sua que Abraão, submetido à prova, ofereceu Isaac, seu único filho, depois de ter recebido a promessa e ouvido as palavras: 'Uma posteridade com teu nome ser-te-á dada em Isaac (Gn 21,12)'. Estava ciente de que Deus é poderoso até para ressuscitar alguém dentre os mortos. Assim ele conseguiu que seu filho lhe fosse devolvido, e isso é um ensinamento para nós!" Hb 11,17-19
    E evocando já tantos testemunhos, eles exortam à perseverança em Cristo: "Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Com perseverança corramos ao combate proposto, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé, Jesus. Em vez de gozo que se Lhe oferecera, Ele suportou a Cruz e está sentado à direita do trono de Deus." Hb 12,1-2
    São Pedro também diz que a Ressurreição de Cristo é a fonte de nossa esperança, o impulso de uma Nova Vida: "Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo! Em Sua grande Misericórdia, Ele fez-nos renascer pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança..." 1 Pd 1,3
    Testemunhar Sua Ressurreição, de fato, era o tema central das primeiras pregações dos Apóstolos. Só depois divulgaram-se Seus Ensinamentos e, ainda mais tarde, detalhes de Sua História. Mas, por demais marcante e absolutamente revolucionária, era a Sua Ressurreição que no início eles anunciavam, como foi exigido de São Matias, que substituiu Judas Iscariotes. Disse São Pedro em reunião com os Dez, ainda antes do Pentecostes: "Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do Batismo de João até o dia em que de nosso meio foi arrebatado, um deles torne-se conosco testemunha de Sua Ressurreição." Ap 1,21-22
    E foi o que eles fizeram com ardor: "Com grande coragem, os Apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a Graça." At 4,33
    São Paulo também a menciona Ressurreição como o feito central do ministério de Jesus: "Dou testemunho a pequenos e a grandes, nada dizendo senão o que os Profetas e Moisés disseram que havia de acontecer, a saber: que Cristo havia de padecer e seria o primeiro que, pela Ressurreição dos mortos, havia de anunciar a Luz ao povo judeu e aos pagãos." At 26,22b-23
    E foi isso que ele pregou em Atenas: "Alguns filósofos epicureus e estoicos conversaram com ele. Diziam uns: 'Que quer dizer esse tagarela?' Outros: 'Parece que é pregador de novos deuses.' Pois anunciava-lhes Jesus e a Ressurreição. Tomaram-no consigo e levaram-no ao Areópago, e perguntaram-lhe: 'Podemos saber que nova doutrina é essa que pregas?'" At 17,18-19
    Para envolver em sua causa os fariseus, que concordavam com essa doutrina, ele usou deste argumento perante o Sinédrio, quando foi preso: "Por causa da minha esperança na Ressurreição dos mortos é que sou julgado." At 23,6
    Ele vai evocar esta Tradição mais uma vez diante Félix, procurador da Judeia, para quem foi levado sob custódia, testemunhando que haverá Ressurreição, seja para a Vida Eterna, seja para os castigos do inferno, como acreditavam os fariseus: "Tenho esperança em Deus, como também eles esperam, de que há de haver a Ressurreição dos justos e dos pecadores." At 24,15
    São João Evangelista, no apocalipse, avisa assim da Volta de Jesus: "Ei-Lo que vem com as nuvens. Todos os olhos O verão, mesmo aqueles que O traspassaram." Ap 1,7a
    A Ressurreição, portanto, é parte elementar do Catolicismo, como ensinam seus seguidores e diz o Credo: "Pelo que, transpondo os ensinamentos elementares da Doutrina de Cristo, procuremos alcançar-lhe a plenitude. Não queremos agora insistir nas fundamentais noções da conversão, da renúncia ao pecado, da fé em Deus, a doutrina dos vários batismos, da imposição das mãos, da Ressurreição dos mortos e do Julgamento Eterno." Hb 6,1-2
    Aliás, nosso Batismo consiste numa súplica pela inspiração de Deus, para que Ele nos mantenha vigilantes em nome da Ressurreição de Seu Filho: "Esta água prefigurava o Batismo de agora, que salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma boa consciência, pela Ressurreição de Jesus Cristo." 1 Pd 3,21
    Porque Sua Ressurreição é a grande força do Evangelho. Foi por ela que Deus O consagrou, como prega o Apóstolo dos Gentios: "... foi estabelecido Filho de Deus no poder por Sua Ressurreição dos mortos..." Rm 1,4
    Ora, a Ressurreição de Jesus já havia sido profetizada por Davi nos Salmos, como explicou São Pedro: "É, portanto, a Ressurreição de Cristo que ele previu e anunciou por estas palavras: 'Ele não foi abandonado na região dos mortos, e Sua Carne não conheceu a corrupção (Sl 15,10).'" At 2,31
    Falando através de Davi, era o próprio Jesus que rezava a Deus: "Por isso, Meu Coração alegra-se e Minha alma exulta; até Meu Corpo descansará seguro, porque Vós não abandonareis Minha alma na habitação dos mortos, nem permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção." Sl 15,9-10
    Essa é a Glória do 'Filho de Maria': "Senhor, Eu sou Vosso Servo. Vosso Servo, Filho de Vossa Serva. Quebrastes Meus grilhões." Sl 115,7
    Através do salmista, portanto, já era proclamada essa certeza: "Na presença do Senhor continuarei meu caminho, na terra dos vivos." Sl 114,8
    A partir da Ressurreição, como vimos afirmar Jesus, os seres humanos havidos por filhos de Deus alcançarão essa condição angelical: "Na Ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos; mas serão como os anjos de Deus no Céu." Mt 22,30
    É lá que nosso amor a Deus, e por consequência aos nossos semelhantes, será recompensado. Jesus disse sobre o bem que se faz aos mais necessitados: "Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir, mas ser-te-á retribuído na Ressurreição dos justos." Lc 14,14
    Os Santos, por sinal, asseguram para si a Vida Eterna já durante a passagem terrena, sem que suas almas passem pelo Purgatório. Aqui mesmo eles alcançam a perfeita Comunhão com Deus, e após um glorioso Juízo Particular, o Juízo Final não os assusta, pois já estão reinando com Cristo: "Feliz e Santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo: com Ele reinarão durante os mil anos." Ap 20,6
    O livro da Sabedoria já dizia: "Mas as almas dos justos estão na mão de Deus, e nenhum tormento os tocará. Aparentemente estão mortos, aos olhos dos insensatos. Seu desenlace é julgado como uma desgraça e sua morte, como uma destruição, quando na verdade estão na Paz! Se aos olhos dos homens suportaram uma correção, a esperança deles era portadora de imortalidade, e, por terem sofrido um pouco, receberão grandes bens, porque Deus, que os provou, achou-os dignos de Si. Ele provou-os como ouro na fornalha, e acolheu-os como holocausto." Sb 3,1-6
    Contudo, na parábola de Lázaro e o Rico, Jesus afirmou, atestando a descrença já de então, que nem mesmo Sua Ressurreição levaria todos à fé: "Se não ouvirem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos." Lc 12,31b

    "Anunciamos, Senhor, Vossa Morte e proclamamos Vossa Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!"