domingo, 15 de abril de 2018

O Cristo


    Quando Jesus provocou os Apóstolos, questionando-os sobre de Sua verdadeira identidade, São Pedro, inspirado por Deus, afirmou: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo!" Mt 16,16
    Santa Marta, instantes antes da ressurreição de São Lázaro, vai complementar essa frase: "... Aquele que devia vir ao mundo." Jo 11,27
    Cristo, em grego, significa Messias, que em hebraico quer dizer Ungido. É o Salvador, Aquele que vem redimir a humanidade, livrando-nos do pecado como disse o anjo do Senhor a São José sobre a gravidez de Nossa Senhora: "Ela dará à luz um filho, a Quem porás o Nome de Jesus, porque Ele salvará Seu povo dos pecados." Mt 1,21
    Essa era uma antiga promessa de Deus, feita a Seu povo através de Moisés: "O Senhor, Teu Deus, suscitará dentre teus irmãos um Profeta como eu: é a Ele que devereis ouvir." Dt 18,15
    E Deus mesmo disse: "Andarei entre vós: serei Vosso Deus e vós sereis Meu povo." Lv 26,12
    O Profeta Daniel, numa visão séculos antes da Vinda do Cristo, foi o primeiro a vê-Lo: "Olhando sempre a visão noturna, vi um ser, semelhante ao Filho do Homem, vir sobre as nuvens do céu: dirigiu-Se para o lado do Ancião, diante de Quem foi conduzido. A Ele foram dados império, Glória e realeza, e todos os povos, todas nações e povos de todas as línguas serviram-nO. Seu domínio será eterno, nunca cessará, e Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,13-14
    Mas a identidade de Jesus, mesmo após o início de Sua manifestação, não era um ponto pacífico. E para muitos, infelizmente, ainda continua sendo. Essa realidade foi prevista pelo religioso Simeão, por ocasião da Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém: "Eis que este Menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações." Lc 2,34-35
    O próprio Jesus afirmou: "Vim a este mundo fazer uma discriminação: para os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos." Jo 9,39
    Avisou os Apóstolos que essa divisão persistiria mesmo após Sua Ressurreição: "Lembrai-vos da palavra que vos disse: 'O servo não é maior que Seu Senhor.' Se Me perseguiram, também hão de perseguir-vos. Se guardaram Minha Palavra, também hão de guardar a vossa." Jo 15,20
    E foi realmente contundente: "Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim. Quem ama seu filho mais que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma sua cruz e não Me segue, não é digno de Mim." Mt 10,34-38
    De fato, Deus feito homem é um grande tema, pois coloca a humanidade diante da própria identidade de Deus. E o que sabemos sobre Deus Pai começa no Antigo Testamento, quando Moisés Lhe perguntou como deveria descrever Quem o tinha enviado. Ele revelou-Se assim: "'EU SOU AQUELE QUE SOU'. E completou: 'Eis como responderás aos israelitas: EU SOU envia-me a vós.'" Ex 3,14
    E essa foi a frase que Jesus usou para identificar-Se, enquanto debatia com os judeus a respeito da Glória, que só Deus pode conceder: "Em verdade, em verdade, digo-vos: antes que Abraão fosse, EU SOU." Jo 8,58
    Temos, então, a sugestão de conhecer Jesus segundo Ele mesmo, que aos poucos vai identificando-Se ao longo dos Evangelhos. Quem seria Esse que oferece conforto às nossas almas? "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29
    Só poderia ser o Ungido, o Messias, o Salvador, o próprio Deus. No 'discurso inaugural' de Sua Missão, Ele vai citar uma passagem, quando Deus predisse Sua Pessoa através do Profeta Isaías: "'O Espírito do Senhor está sobre Mim, pois Ele Me consagrou com a unção para anunciar a Evangelho aos pobres. Enviou-Me para proclamar o resgate dos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar o ano da Graça do Senhor.'" Lc 4,18-19
    São João Batista, Seu arauto, identificou-O assim: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." Jo 1,29
    Ele alertava o povo de seu tempo: "... no meio de vós está Quem vós não conheceis." Jo 1,26
    E pouco mais tarde, quando seus discípulos vem dizer-lhe que os Apóstolos de Jesus também estavam tomando confissão e batizando, ele vai afirmar que só pelo Cristo conhecemos a Deus: "Importa que Ele cresça e que eu diminua. Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do Céu é superior a todos. Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe Seu testemunho. Aquele que recebe Seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro." Jo 3,31-33
    São João Evangelista, falando pelos Apóstolos, vai dizer: "Todos nós recebemos de Sua plenitude Graça sobre Graça. Pois a Lei foi dada por Moisés, mas a Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo." Jo 1,16-17
    E dá esse testemunho: "O que era desde o princípio, O que temos ouvido, O que temos visto com nossos olhos, O que temos contemplado e nossas mãos têm apalpado quanto ao Verbo da Vida, porque a Vida Se manifestou e nós temo-la visto, damos testemunho e anunciamo-vos: a Vida Eterna, que estava no Pai e manifestou-se-nos. O que vimos e ouvimos nós anunciamo-vos, para que também vós tenhais Comunhão conosco. Ora, nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,13
    Usando termos essencialmente teológicos, como se tornou de sua tradição, o Amado Discípulo descreve Jesus assim: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto a Deus. Tudo foi feito por Ele, e sem Ele nada foi feito. N'Ele havia a Vida, e a Vida era a Luz dos homens. A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós, e vimos Sua Glória, a Glória que o Filho único recebe do Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,1-5.14
    Por Si mesmo, Jesus dizia-Se o 'Filho do Homem', um título enigmático, usado por Deus para dirigir-se a Daniel e Ezequiel, mas talvez apenas um sinal de Sua humildade, uma referência à Sua Encarnação, à Sua vida humana. Atribuía-Se, no entanto, evidente autoridade: "Porque o Filho do Homem é Senhor também do sábado." Mt 12,8
    Foi assim que Ele Se identificou ao cego de nascença, ao qual curou e por ele foi adorado: "Encontrando-o, perguntou-lhe: 'Acreditas no Filho do Homem?' Respondeu ele: 'Quem é, Senhor, para que eu n'Ele creia?' Jesus disse: 'Tu O estás vendo! É Aquele que está falando contigo.' Exclamou ele: 'Eu creio, Senhor!' E prostrou-se diante de Jesus." Jo 9,35b-38
    Após algum tempo de ministério, contudo, esta realidade já estava quase patente: "Algumas das pessoas de Jerusalém diziam: 'Não é Este Aquele a Quem procuram tirar a vida? Todavia, ei-Lo que fala em público e não Lhe dizem coisa alguma. Porventura reconheceram de fato as autoridades que Ele é o Cristo?'" Jo 7,25-26
    Eram sinais por demais grandiosos: "Muitos do povo, porém, creram n'Ele e perguntavam: 'Quando vier o Cristo, fará mais milagres do que Este faz?'" Jo 7,31
    Após a ressurreição de São Lázaro, os próprios pontífices e fariseus reuniram-se no Sinédrio e reconheceram: "Que haveremos de fazer? Esse homem multiplica milagres!" Jo 11,47b
    Nicodemos, por pura sensatez, não se permitiu não reconhecer Suas obras. Já no início de Sua vida pública, na primeira Páscoa em Jerusalém, foi a Ele: "Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-Lhe: 'Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele.'" Jo 3,1-2
    Ainda em Seus primeiros milagres, Ele já era procurado por multidões de todas as partes, como se viu após a cura do homem da mão ressequida na sinagoga de Cafarnaum: "E da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do além-Jordão e dos arredores de Tiro e de Sidônia, veio a Ele uma grande multidão, ao ouvir o que Ele fazia." Mc 3,8
    E logo Ele começou a ser evocado como o Filho de Davi, o que se repetiria por muitas vezes, numa referência à ascendência do Messias profetizada por Natã: "A multidão, admirada, dizia: 'Não será este o Filho de Davi?'" Mt 12,23
    Os que haviam presenciado a multiplicação de pães e peixes, porém, já não tinham a menor dúvida: Ele era o Profeta anunciado por Moisés: "Vendo o sinal que Jesus tinha realizado, aqueles homens exclamavam: 'Este é verdadeiramente o Profeta, Aquele que deve vir ao mundo.'" Jo 6,14
    O mesmo aconteceu quando Ele ofereceu Água Viva em Jerusalém, durante a Festa das Tendas: "Ouvindo essas palavras, alguns daquela multidão diziam: 'Este é realmente o Profeta.'" Jo 7,40
    Os próprios guardas dos príncipes dos sacerdotes e dos fariseus, ao serem enviados a prendê-Lo, ficaram extasiados com Sua Palavra e voltaram sem Ele: "Os guardas responderam: 'Ninguém jamais falou como Este Homem!'" Jo 7,46
    Parte do povo já não conseguia se conter, afirmando categoricamente: "Este é o Cristo." Jo 7,41a
    Ele mesmo já havia assim Se identificado perante a samaritana no poço de Jacó, após demonstrar conhecer sua vida: "Respondeu a mulher: 'Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); quando, pois, vier, Ele nos fará conhecer todas as coisas.' Disse-lhe Jesus: 'Sou eu, Quem fala contigo.'" Jo 4,25-26
    E foram estes samaritanos os primeiros a reconhecer, enquanto grupo religioso, Sua verdadeira identidade. Isso se deu após os dois dias que permaneceu entre eles: "E diziam à mulher: 'Já não é por causa da tua declaração que cremos, mas nós mesmos ouvimos e sabemos ser Este verdadeiramente o Salvador do mundo.'" Jo 4,42
    Era mister, porém, que os Apóstolos estivessem perfeitamente conscientes de tudo que de Jesus ouviam, bem como de Sua identidade. Por isso, antes de ouvir a resposta de São Pedro acima citada, foi Ele que lhes indagou: "E vós, Quem vocês acham que Eu sou?" Mt 16,15
    Mas por Sua divina didática, Ele evitou que os Apóstolos antecipassem Sua Revelação: "Depois, ordenou aos Seus discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo." Mt 16,20
    O mesmo aconteceu após Sua Transfiguração: "E, quando desciam, Jesus fez-lhes esta proibição: 'Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos.'" Mt 17,9
    Contudo, enquanto a própria Verdade, Ele mesmo já não negou Sua identidade depois de ser preso no Jardim das Oliveiras, ao ser questionado na casa do sumo sacerdote: "Então perguntaram todos: 'Logo, Tu és o Filho de Deus?' Respondeu: 'Sim, EU SOU.'" Lc 22,70
    Nem diante de Pilatos: "Perguntou-Lhe então Pilatos: 'És, portanto, Rei?' Respondeu Jesus: 'Sim, EU SOU Rei.'" Jo 18,37
    Este título, aliás, já Lhe havia sido reconhecido por São Bartolomeu desde o primeiro encontro, quando este Apóstolo percebeu Seu poder de clarevidência: "Falou-Lhe Natanael: 'Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel.'" Jo 1,49
    E Sua postura era realmente peculiar, como atesta São João Evangelista, pois não fazia experiência. Ao contrário, desde o início tinha perfeito domínio do que acontecia à Sua volta: "Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no Seu Nome, à vista dos milagres que fazia. Mas Jesus mesmo não Se fiava neles, porque conhecia a todos. Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois bem sabia o que havia no homem." Jo 2,23-25
    Ora, logo depois da multiplicação dos pães e dos peixes, Jesus apresentou-Se na sinagoga de Cafarnaum como o alimento que dá a Vida Eterna: "EU SOU o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão, que Eu hei de dar, é Minha Carne para a Salvação do mundo." Jo 6,51
    E no Templo de Jerusalém, após o episódio da mulher flagrada em adultério, Ele apresentou-Se como o 'sol' de nossas vidas: "EU SOU a Luz do mundo! Aquele que Me segue não andará em trevas, mas terá a Luz da Vida." Jo 8,12
    Expressivamente, Ele rejeitou a religiosidade dos fariseus nestes termos: "Não conheceis nem a Mim nem a Meu Pai! Se Me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a Meu Pai." Jo 8,19b
    Também havia acusado os samaritanos: "Vós adorais O que não conheceis..." Jo 4,22a
    E já não ocultava Sua divina origem quando denunciou os pecados e incredulidade dos judeus: "Vós sois cá de baixo, EU SOU lá de cima. Vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo." Jo 8,23
    De fato, mais uma vez Ele repete a identificação usada por Deus Pai: "... se não crerdes que EU SOU, morrereis no vosso pecado." Jo 8,24
    Indicou, por fim, que seria amplamente reconhecido por conta de Sua Crucificação: "Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis Que EU SOU..." Jo 8,28
    Afirmativamente, o centurião e os guardas romanos que estavam ao pé da Cruz, vendo o chão tremer e as trevas cobrirem a terra após Jesus ter expirado, disseram: "Este era verdadeiramente Filho de Deus!" Mt 27,54


DEUS JESUS

    Se o ser humano se choca com a humanidade de Jesus, mas ainda assim imagina haver um paraíso, deve saber que precisa 'passar' por Ele para lá chegar. É o que se percebe na fase em que o Nazareno passa a ser mais explícito em Suas pregações: "EU SOU a Porta. Se alguém entrar por Mim será salvo. Tanto entrará como sairá e encontrará pastagem." Jo 10,9
    Sem Jesus Eucarístico, segundo Ele mesmo, dependeremos tão somente da Divina Misericórdia para alcançar a Vida Eterna: "Então Jesus lhes disse: 'Em verdade, em verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos.'" Jo 6,35
    E ao instituir a Eucaristia, o Sublime Sacramento, Ele não o pediu em memória do Pai, mas de Si: "... fazei isto em memória de Mim." Lc 22,19
    Referindo-Se a Deus Pai, especificamente, também apresentou-Se como o único Caminho para Ele: "EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida! Ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6
    Aos que persistem em teimar, Ele deixou um desafio: "Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se Minha Doutrina é de Deus ou se falo de Mim mesmo." Jo 7,17
    Ao Seus contemporâneos, lançou um desafio ainda maior, aludindo Sua divindade: "Quem de vós Me acusa de pecado?" Jo 8,46a
    E exatamente por isso, Ele questionava-os: "E se vos falo a Verdade, por que não Me credes?" Jo 8,46b
    Porque Ele é Nosso Verdadeiro Guia para o Céu, pois deu a vida por Suas ovelhas e é reconhecido por elas: "EU SOU o Bom Pastor. O Bom Pastor expõe Sua vida pelas ovelhas. Conheço Minhas ovelhas e Minhas ovelhas conhecem a Mim..." Jo 10,11.14
    E realizou Sua Paixão e Ressurreição por Seu próprio poder: "O Pai ama-Me porque dou Minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de Mim, mas Eu dou-a de Mim mesmo e tenho poder para dá-la como tenho poder para reassumi-la. Tal é a ordem que recebi de Meu Pai." Jo 10,17-18
    Ele é Deus, afinal, pois só de Deus provém toda vida, em especial a Vida que não termina aqui e terá continuidade, segundo o próprio Jesus, no vindouro capítulo da Ressurreição da carne, quando a humanidade obediente a Deus será revestida de um corpo que não mais se corromperá: "EU SOU a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá." Jo 11,25
    Por ser Ele mesmo a Ressurreição e a Vida, portanto, prometeu que ressuscitaria quem n'Ele cresse. Ou seja, mais uma vez identificou-Se como Deus, pois só Ele pode ressuscitar os mortos: "Esta é a vontade de Meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e n'Ele crê, tenha a Vida Eterna. E Eu o ressuscitarei no Último Dia." Jo 6,40
    Noutra passagem, mencionando as blasfêmias que ouvia de Seus opositores, Ele identificou-Se como o próprio Pai: "Se chamaram de Beelzebul ao Pai de família, quanto mais o farão às pessoas de Sua casa!" Mt 10,25
    Foi ainda mais longe ao afirmar: "Eu e o Pai somos um!" Jo 10,30
    A São Filipe Apóstolo, deu uma resposta ainda mais explícita: "Respondeu Jesus: 'Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheceste, Filipe! Aquele que Me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai...?'" Jo 14,9
    Aliás, Ele já o havia dito em Suas últimas palavras aos religiosos de Jerusalém, enquanto estava em liberdade: "Aquele que crê em Mim, crê não em Mim, mas n'Aquele que Me enviou; e aquele que Me vê, vê Aquele que Me enviou." Jo 12,44b
    Declarou-Se, enfim, essencial para nós, e assim novamente revelou-Se Deus, porque só Deus é essencial. Falando aos Apóstolos, disse que, para que vivamos e demos frutos, devemos impreterivelmente estar unidos a Ele: "EU SOU a videira, vós, os ramos. Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto. Porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,5
    E logo após o lava-pés, Ele vai dizer abertamente aos Apóstolos: "Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e bem dizeis, pois EU SOU." Jo 13,13
    Ao predizer a traição de Judas, e por ela Sua Paixão, disse mais uma vez: "Digo-vos isso agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais que EU SOU." Jo 13,19
    Ele justificou assim Sua Paixão. após Sua Ressurreição, na primeira aparição ao Colégio dos Apóstolos: "Assim é que está escrito, e assim era necessário que o Cristo padecesse, mas que ressurgisse dos mortos ao terceiro dia. E que em Seu Nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isso." Lc 24,46-48
    Sem dúvida, depois de todos os milagres que realizou, e de Sua própria Ressurreição, talvez Ele não precisasse ser mais claro. Mas antes de subir ao Céu, despedindo-Se dos Apóstolos, Ele declarou a dimensão de Seu poder: "Todo poder foi-Me dado sobre o Céu e a Terra." Mt 28,18
    E Suas últimas aparições a São João Evangelista dizem tudo, especificamente sobre Seu controle sobre a Igreja: "Voltei-me para saber que voz falava comigo. Tendo-me voltado, vi sete candelabros de ouro e, no meio dos candelabros, alguém semelhante ao Filho do Homem, vestindo longa túnica até os pés, cingido o peito por um cinto de ouro. Tinha Ele cabeça e cabelos brancos como lã cor de neve. Seus olhos eram como chamas de fogo. Seus pés pareciam-se ao fino bronze, incandescido na fornalha. Sua voz era como o ruído de muitas águas. Segurava na mão direita sete estrelas. De Sua boca saía uma afiada espada, de dois gumes. Seu rosto assemelhava-se ao sol, quando brilha com toda força. Ao vê-Lo, caí como morto a Seus pés. Ele, porém, pôs sobre mim Sua mão direita e disse: 'Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, e Aquele que vive. Pois estive morto, e eis-Me de novo vivo pelos séculos dos séculos; tenho as chaves da morte e da região dos mortos. Eis o simbolismo das sete estrelas que viste na Minha mão direita e dos sete candelabros de ouro: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros, as sete igrejas.'" Ap 1,12-18.20
    E sobre Seu poder: "Ainda vi o Céu aberto: eis que aparece um cavalo branco. Seu Cavaleiro chama-Se Fiel e Verdadeiro, e é com justiça que Ele julga e guerreia. Tem olhos flamejantes. Há em Sua cabeça muitos diademas, e traz escrito um Nome que ninguém conhece, senão Ele. Está vestido com um manto tinto de sangue, e Seu Nome é Verbo de Deus. Seguiam-no em cavalos brancos os Exércitos Celestes, vestidos de fino linho e de uma imaculada brancura. De Sua boca sai uma afiada espada para com ela ferir as nações pagãs, porque Ele deve governá-las com cetro de ferro e pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus Dominador. Ele traz escrito no manto e na coxa: 'Rei dos reis e Senhor dos senhores!'" Ap 21,11-17
    Ele promete: "Eis que em breve venho, e Minha recompensa está Comigo, para dar a cada um conforme suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. " Ap 22,12-13

    "Vosso Filho permaneça entre nós!"