quarta-feira, 11 de abril de 2018

A Grande Tribulação


ABALOS NO CÉU E NA TERRA

    Jesus, Nossa Senhora, em várias de suas aparições, e os Profetas anunciaram que haverá uma Grande Tribulação antes do fim dos tempos. Serão aflições como nunca houve, marcadas por um período de evidentes trevas. Mas este ainda não será o fim. Dela sairá um 'pequeno resto', por Graça da Divina Misericórdia, ou Jesus não viria para 'julgar os vivos e os mortos', mas tão somente os mortos.
    O que sabemos, porém, sobre essa tribulação? O Profeta Joel, que se referindo à Igreja também mencionou o 'pequeno resto', apontou um período imediatamente anterior ao Juízo Final: "O sol converter-se-á em trevas e a lua, em sangue, ao aproximar-se o grandioso e temível Dia do Senhor. Mas todo aquele que invocar o Nome do Senhor será poupado, porque sobre o monte Sião e em Jerusalém haverá um resto, como o Senhor disse, e entre os sobreviventes estarão os que o Senhor tiver chamado." Jl 3,4-5
    Ao afirmar 'como o Senhor disse', Joel evocava as palavras de Deus ditas através do Profeta Abdias, que falam destes sobreviventes: "Não entres pelas portas das cidades de Meu povo, no dia da catástrofe! Não contemples com alegria seus males no dia da calamidade! Não deites a mão às suas riquezas no dia de sua desventura! Não te ponhas nas encruzilhadas para matar os fugitivos, e não entregues os sobreviventes no Dia da Tribulação, porque o Dia do Senhor estará próximo para todas as nações! Como tiveres feito, assim se fará contigo; carregarás sobre a cabeça o peso de teus atos. Mas sobre o monte Sião haverá sobreviventes; será um lugar santo, e a Casa de Jacó recuperará suas possessões." Ab 13-15.17
    E, ainda através de Joel, Deus justifica esse proceder como castigo pela perseguição das nações ao Seu povo santo, ou seja, à Igreja, que Ele mesmo indica ter edificado: "Porquanto eis que, naqueles dias, no tempo em que Eu realizar a restauração de Judá e de Jerusalém, reunirei todas nações e as farei descer ao vale de Josafá. Ali entrarei em Juízo contra elas acerca de Israel, Meu povo e Minha herança, o qual dispersaram pelas nações pagãs depois de dividirem Minha terra. Rifaram Meu povo; davam um menino para pagar uma prostituta, e vendiam uma jovem em troca de vinho para beberem!" Jl 4,1-3
    Com efeito, Ele refere-Se a um período posterior ao Pentecostes, pois momentos antes havia prescrito a Vinda do Cristo e assim o Nascimento da Igreja: "Sabereis então que Eu estou no meio de Israel, que sou o Senhor, Vosso Deus, e que não há outro. E jamais Meu povo será confundido. Depois disso, acontecerá que derramarei Meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, também derramarei Meu Espírito sobre os escravos e as escravas." Jl 2,27;3,1-2
    Ao profetizar mais uma vez os abalos cósmicos, contudo, Joel deixa claro que eles antecedem o Dia do Julgamento: "Que multidão, que multidão no vale do Julgamento! Porque está chegando o Dia do Senhor no vale do Julgamento! O sol e a lua obscurecem-se, as estrelas empalidecem. O Senhor rugirá de Sião, trovejará de Jerusalém; os céus e a terra serão abalados." Jl 4,14-16a
    O Profeta Ageu também o registrou como abalos não definitivos, embora generalizados: "Porque isto diz o Senhor dos Exércitos: 'Ainda um pouco de tempo, e abalarei céu e terra, mares e continentes, sacudirei todas nações, afluirão riquezas de todos os povos e encherei de Minha Glória esta Casa', diz o Senhor dos Exércitos." Ag 2,6-7
    E Jesus confirmou tais visões, dizendo o que acontecerá ao Seu povo durante esse período: "Porque naqueles dias haverá tribulações tais como nunca houve, desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem jamais haverá. Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria, mas Ele abreviou-os em atenção aos Seus escolhidos." Mc 13,19-20
    Além de uma inaudita escuridão, Ele avisou de uma grande instabilidade no Espaço, logo após a tribulação: "Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol se escurecerá, a lua não dará seu resplendor; cairão os astros e as forças que estão no céu serão abaladas." Mc 13, 24-25
    Descrições análogas temos no Livro do Apocalipse, mas nele São João Evangelista já relata propriamente a iminência do Dia da Ira do Senhor: "O sol escureceu-se como um tecido de crina, a lua tornou-se toda vermelha como sangue e as estrelas do céu caíram na terra, como frutos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania. O céu desapareceu como um pedaço de papiro que se enrola, e todos os montes e ilhas foram tirados de seus lugares." Ap 6,12-14
    Tal predição remonta as palavras do Profeta Isaías, nas quais tudo o que se conhece é apresentado como desconcertantemente frágil: "... os céus vão desvanecer-se como fumaça, como um vestido em farrapos ficará a terra, e seus habitantes morrerão como moscas." Is 51,6
    São Pedro, da mesma forma, deu detalhes de uma grande e astronômica convulsão, mas também não falava mais de uma 'grande aflição', senão do próprio fim do Universo, quando se dará a Recriação: o surgimento do Novo Céu e a Nova Terra, há muito prometido por Deus: "... virá o Dia do Senhor como ladrão. Naquele dia, os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão e será consumida a terra com todas obras que ela contém... o Dia de Deus, em que hão de dissolver-se os céus inflamados e hão de fundir-se os elementos abrasados!" 2 Pd 3,10.11
    E afirmando o poder do Verbo Encarnado, ele descrevia assim a atual situação e o destino final de tudo que conhecemos: "Mas os céus e a terra que agora existem são guardados pela mesma Palavra Divina, e reservados para o fogo no Dia do Juízo e da perdição dos ímpios." 2 Pd 3,7
    Os seguidores da tradição de São Paulo disseram o mesmo sobre Jesus: "Esplendor da Glória de Deus e imagem do Seu ser, Ele sustenta o universo com o poder de Sua Palavra." Hb 1,3a
    Ele mesmo, entretanto, vaticinou de catástrofes num período bem anterior ao Juízo Final, e deu apenas uma rápida justificação para elas, especificamente sobre Jerusalém: "Porque estes serão dias de castigo, para que se cumpra tudo o que está escrito." Lc 21,22
    Mas também indicava generalizados e ruinosos acontecimentos no céu e na terra: "Haverá grandes terremotos e pestes e fomes em todos os lugares; aparecerão pavorosos fenômenos e grandes sinais vindos do céu." Lc 21,11
    Essa Grande Tribulação, portanto, com clareza remete à descrição feita por São João Evangelista de um tempo que precede à definitiva instalação do Reino de Deus, e será relativamente curto, porém repleto de tentações, escândalos e destruições causadas pela influência do Maligno. De fato, tempos após a Vitória de Cristo, um anjo do Céu prenderia temporariamente o inimigo, porém também foi dito que ele sairia da prisão mais uma vez, e para combater a Santa Igreja: "Ele apanhou o Dragão, a primitiva Serpente, que é o Demônio e Satanás, e acorrentou-o por mil anos. Depois disso, ele deve ser solto por um pouco de tempo. Sairá da prisão para seduzir as nações dos quatro cantos da terra (Gog e Magog) e reuni-las para o combate. Serão numerosas como a areia do mar. Subiram à superfície da terra e cercaram o acampamento dos Santos e a querida cidade." Ap 20,2-3.8-9
    

"PRIMEIRO DEVE VIR A APOSTASIA"

    Ora, desde que vencido por Jesus e precipitado do Céu pelo Arcanjo Miguel e seus anjos, o Diabo irritou-se contra a Santíssima Virgem. Mas como também não pôde vencê-La, passou a perseguir Seus filhos, ou seja, os Apóstolos e todos os seguidores de Cristo, que formam Seu Corpo Místico, a Igreja Una: "Este, então, irritou-se contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,17
    São Paulo também anunciou um tempo especificamente difícil, uma terrível manifestação do inimigo que acontecerá depois da apostasia, quer dizer, depois que boa parte da humanidade renegar a : "Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no Templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus. Não vos lembrais de que vos dizia estas coisas, quando ainda estava convosco? Agora, sabeis perfeitamente que algo o detém, de modo que ele só se manifestará a seu tempo." 2 Ts 2,3-6
    Como visto, ele deu indicações da detenção provisória do inimigo e de sua libertação nos últimos tempos, quando estará claramente manifesta na mentalidade ateísta de muitos nações. São João Evangelista já dizia: "Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho." 1 Jo 2,22
    Pois ele aponta na confirmação da Vinda do Messias a ação do Espírito Santo: "Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo Se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus, esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo." 1 Jo 4,2-3
    Ora, o próprio Jesus afirmou: "Porque, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, vo-Lo enviarei. E, quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do Juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim." Jo 16,7b-9
    E São João Evangelista já denunciava anticristos mesmo nos primeiros anos, em gente que se diz da Igreja, verdadeiramente falsos profetas, pois como São Paulo ele via na passagem do Cristo o início dos últimos tempos: "O mundo passa com suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente. Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, certamente ficariam conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos. Vós, porém, tendes a unção do Santo e sabeis todas as coisas. Não vos escrevi como se ignorásseis a Verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira vem da Verdade." 1 Jo 2,17-21
    Sem dúvida, o último Apóstolo disse que essa prisão não faria cessar o mal que aflige a terra, o que evidentemente se dá pela atividade de seus anjos e das pessoas que de alguma forma lhe servem, ou seja, do joio por ele semeado: "Porque o mistério do mal já está em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o detém. Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus o destruirá com o sopro de Sua boca e o aniquilará com o resplendor de Sua Vinda. A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios. Ele usará de todas seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que os teria podido salvar. Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos que não deram crédito à Verdade, mas consentiram no mal." 2 Ts 2,7-12
    Nos Céus, um "Ancião" fala a São João Evangelista de uma grande tribulação como da ocasião em que os Santos se purificam e alcançam a Glória a eles reservada por Deus: "Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e alvejaram-nas no Sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e servem-nO, dia e noite, no Seu Templo. Aquele que está sentado no Trono os abrigará em Sua Tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do Trono, será Seu Pastor e os levará às fontes das Águas Vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos." Ap 7,14-16
    De fato, isso se encaixa com a promessa feita por Jesus às dioceses: "Porque guardaste a Palavra de Minha paciência, também Eu te guardarei da hora da provação, que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da terra. Venho em breve. Conserva o que tens, para que ninguém tome tua coroa." Ap 3,10-11
    Outras interpretações, porém, pretendem associar a Grande Tribulação tão somente à destruição de Jerusalém pelos romanos, ocorrida no ano 70 de nossa era, ou ainda à perseguição aos primeiros cristãos pelos imperadores romanos. Positivamente, estes foram tempos de grandes tribulações.


POUCO ANTES DO FIM DOS TEMPOS

    Para algumas igrejas locais, resta claro, foram sim previstas específicas tribulações, como no caso da igreja de Esmirna, em terras da atual Turquia: "Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias, o demônio vai lançar alguns de vós na prisão, para pôr-vos à prova. Tereis tribulações durante dez dias." Ap 2,10
    E, em geral, Jesus previu tempos difíceis para todos Seu seguidores aqui na terra: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    Aliás, falou expressamente de tempos de radical impotência: "Enquanto for dia, cumpre-Me terminar as obras d'Aquele que Me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar." Jo 9,4
    No entanto, disse que os maiores tormentos não se iniciariam com a destruição de Jerusalém, mas com o fim da dominação que ela sofreria dos estrangeiros, ou seja, após o fim dos 'tempos dos não judeus', como registra São Lucas em seu Evangelho: "... e Jerusalém será pisada pelos não judeus, até se completarem os tempos de suas nações. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas." Lc 21,24-26
    Pois, segundo Ele, até lá haverá um período para que a humanidade tomasse notícia da Salvação oferecida através de Sua Palavra: "Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro, para servir de testemunho a todas as nações, e então chegará o fim." Mt 24,14
    Pelo Profeta Joel, de fato, Deus garantiu que o tempo da dominação dos estrangeiros sobre Jerusalém viria a término: "Sabereis então que Eu sou o Senhor, Vosso Deus, que habita em Sião, Minha montanha santa. Jerusalém será um lugar sagrado, onde os estrangeiros não tornarão mais a passar." Jl 4,17
    E também segundo São Lucas, Jesus sentenciou que esses tormentos prenunciariam a definitiva vinda do Reino dos Céus, quer dizer, o fim do mundo ou o Juízo Final: "'Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai vossas cabeças; porque se aproxima vossa libertação.' Acrescentou ainda esta comparação: 'Olhai para a figueira e para as demais árvores. Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o Verão. Assim também, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, sabereis que está perto o Reino de Deus.'" Lc 21,28-31
    São Paulo fez referência a esse tempo das nações não judias, assim como à rejeição dos judeus ao Cristo: "... esta cegueira de uma parte de Israel só durará até que haja entrado a totalidade dos nãos judeus. Então Israel em peso será salvo, como está escrito: 'Virá de Sião o Libertador, apartará de Jacó a impiedade.'" Rm 11,25-26
    É o que está no livro do o Profeta Daniel, que em seguida menciona a Ressurreição da Carne, quando Deus lhe falou: "Naquele tempo, levantar-se-á Miguel, o grande príncipe, defensor dos filhos de teu povo, e será um tempo de angústia como nunca houve até então, desde que começaram a existir nações. Mas, nesse tempo, teu povo será salvo, todos que se acharem inscritos no Livro. Muitos dos que dormem no pó da terra despertarão, uns para a Vida Eterna, outros para o eterno opróbrio. Porém os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento; e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude brilharão como as estrelas, por toda eternidade." Dn 12,1-3
    Antes, porém, também segundo ele se daria um período de trevas: "... no momento em que a força do povo santo for inteiramente rompida..." Dn 12,7
    Por fim, as recomendações de Jesus para enfrentar esses tempos são as permanentes orações e vigílias: "Velai sobre vós mesmos, para que vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida, para que aquele Dia não vos apanhe de surpresa. Como um laço, cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de apresentar-vos de pé diante do Filho do Homem." Lc 21,34-36
    Essa mensagem Ele não dava apenas aos Apóstolos, mas também aos discípulos e ao mundo todo: "O que vos digo, digo a todos: vigiai!" Mc 13,37
    Na seriíssima Aparição de Akita, que se deu na década de 1970, ao referir-se a iminentes catástrofes, Nossa Senhora falou expressamente de uma Grande Tribulação.
    E tão pertinente é esse assunto, que intimamente ninguém o ignora.

    "Lembrai-Vos, ó Pai, de Vossos filhos!"