segunda-feira, 5 de março de 2018

A Luxúria


    Não há pecado mais óbvio ou mais conhecido que a luxúria, e por isso ele é confundido com o pecado original, que na verdade foi a soberba. O Catecismo ensina: "A luxúria é um desordenado desejo ou um desregrado gozo do prazer venéreo. O prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo, isolado das finalidades de procriação e de união." CIC 2351
    Quando se animaliza, o ser humano coloca-se no caminho inverso ao projeto da Criação, que é o chamado a assumir a condição de filho de Deus pela santificação pelo Espírito Santo. São Paulo ensina: "De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,13,14
    Indicando nossa verdadeira vocação, Jesus citou os Levíticos, uma frase dita por Deus a Moisés: "Portanto, sede perfeitos, assim como Vosso Pai celeste é perfeito (Lv 19,2)." Mt 5,48
    Resta evidente, então, que devemos viver em vigília contra os impulsos da carne, como prega o último Apóstolo: "Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus." Rm 8,20-21
    Assim, por força de nosso compromisso e da Graça do Espírito de Deus, aguardamos essa libertação, ou seja, a definitiva adoção pelo Pai Celestial: "Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção de nosso corpo." Rm 8,22-23
    E pela , já estamos convencidos de que "... o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza... Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus..." Rm 8,26.28
    O Apóstolo dos Gentios diz com toda clareza: "Esta é a vontade de Deus: vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir seu corpo santa e honestamente, sem se deixar levar por desregradas paixões, como os pagãos que não conhecem a Deus..." 1 Ts 4,3-5
    E explica: "Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis. Desde que vos deixeis guiar pelo Espírito... Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas previno-vos, como já vos preveni: aqueles que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" Gl 5,17-21
    Escrevendo a São Timóteo ele aponta, por trás do amor ao dinheiro, uma gama de impuros desejos. Assim, ricos entregam-se à luxúria por vaidade, e lascivos, por dinheiro: "Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em muitos insensatos e nocivos desejos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição." 1 Tm 6,9
    Referindo-se especificamente a adúlteros, São Rafael Arcanjo havia dito algo parecido a Tobias: "Ouve-me, e eu te mostrarei sobre quem o demônio tem poder: são os que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e entregam-se à sua paixão como um cavalo e um burro, que não têm entendimento. Sobre estes o demônio tem poder." Tb 6,16-17
    Ciente das fraquezas humanas, São Pedro convida-nos à obediência característica da vocação de filhos de Deus: "À maneira de filhos obedientes, já não vos amoldeis aos desejos que tínheis antes, no tempo de vossa ignorância. A exemplo da santidade d'Aquele que vos chamou, sede também vós Santos em todas vossas ações, pois está escrito: 'Sede santos, porque Eu Sou santo' (Lv 11,44)." 1 Pd 1,14-16
    E pede que perseverantemente busquemos a Salvação de nossa alma: "Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, abstenhais-vos dos desejos da carne, que combatem contra a alma." 1 Pd 2,11
    Nesse sentido, São Paulo exorta a apreciarmos os dons do Divino Espírito, lembrando a condenação eterna como resultado de uma vida meramente carnal: "Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o Espírito apreciam as coisas que são do Espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do Espírito é a Vida e a Paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à Lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus." Rm 8,5-8


O QUE DISSE JESUS?

    Por Sua compaixão pela humanidade, alguns que se diziam religiosos acusavam Jesus de 'andar com pecadores'. Na verdade, era o contrário: pecadores acompanhavam-nO. Mas Ele bem conhecia a hipocrisia dessa gente: "João veio. Ele não bebia e não comia, e disseram: 'Ele está possesso de um demônio.' O Filho do Homem vem, come e bebe, e dizem: 'É um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos devassos.' Mas a Sabedoria foi justificada por seus filhos." Mt 11,19
    Muito longe de ser um leniente, Ele até tornou mais rigorosa a Lei de Moisés, ao denunciar perversões como o adultério e o divórcio: "Ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não cometerás adultério.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração. Também foi dito: 'Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que rejeita sua mulher, fá-la tornar-se adúltera, a não ser que se trate de falso matrimônio; e todo aquele que desposa uma mulher rejeitada comete um adultério." Mt 5,27-28.31-32
    E mostrou-Se sensível a esta condição de pecado, como observou da situação da samaritana na fonte de Jacó: "Disse Jesus: 'Tens razão em dizer que não tens marido. Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a Verdade.'" Jo 4,17b-18
    Aliás, a Seu tempo os números de adultério já era um grande escândalo. Ele denunciava toda uma geração: "Porque, se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de Mim e de Minhas Palavras, também o Filho do homem Se envergonhará dele, quando vier na Glória de Seu Pai com Seus santos anjos." Mc 8,38
    Contudo, apesar de não revogar a Lei, Ele acabou por vedar o apedrejamento nesses casos. Ordenava, no entanto, que tal pecado fosse definitivamente evitado: "Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: 'Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moisés mandou-nos na Lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes Tu a isso?' Como eles insistissem, Ele ergueu-Se e disse-lhes: 'Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.' Ele então se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: 'Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?' Respondeu ela: 'Ninguém, Senhor.' Disse-lhe então Jesus: 'Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.'" Jo 8,4-5.7.10-11
    E explicou o que representa para Deus o ato de conjunção carnal, só aceitável pelo Matrimônio: "Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: 'Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne?' Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu." Mt 19,4-6
    São Paulo vai comentar essa sentença com uma simples explicação: "A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence a seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor de seu corpo: ele pertence à sua esposa." 1 Cor 7,4
    Por isso a missão de São João Batista, o Elias, o precursor do Salvador prometido por Deus através do Profeta Malaquias, tinha a especificidade de purificar a família, começando pelo coração de pais e mães: "Vou mandar-vos o Profeta Elias, antes que venha o grande e temível Dia do Senhor, e ele converterá o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para os pais, de sorte que não ferirei mais de interdito a terra." Ml 3,23-24
    E cuidando da efetividade das relações dos esposos com Deus, bem como do testemunho das esposas, São Pedro advertia-os: "Vós, também, ó mulheres, sede submissas a vossos maridos. Se alguns não obedecem à Palavra, serão conquistados, mesmo sem a Palavra da pregação, pelo simples procedimento de suas mulheres, ao observarem vossa vida casta e reservada. Do mesmo modo vós, ó maridos, comportai-vos sabiamente em vosso convívio com vossas mulheres, pois são de constituição mais frágil. Porquanto elas são herdeiras, com o mesmo direito que vós outros, da Graça que dá a Vida. Tratai-as com todo respeito para que vossas orações não fiquem sem resposta." 1 Pd 3,1-2.7
    Pois Jesus havia dito claramente: "O Espírito é que vivifica; a carne de nada serve." Jo 6,63
    Ele apontava a alma como nosso maior dom, e que é ela que deve preservada: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28
    E exortou-nos a viver valores realmente espirituais: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo." Mt 6,33
    Quanto aos pecados em geral, surpreendentemente Ele apontou apenas o coração como origem: "Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez." Mc 7,21-22
    E arrematou: "O bom homem tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o mau homem tira más coisas do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio." Lc 6,45


GRANDES PECADOS

    São Paulo revelou o que acontece com os que renegam a santidade e abraçam a devassidão: "Por isso, Deus entregou-os aos desejos de seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. Trocaram a Verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém! Por isso, Deus entregou-os a vergonhosas paixões, suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os a depravados sentimentos, e daí seu indigno procedimento." Rm 1,24-28
    Ao saber de um caso de incesto entre os coríntios, ele não usa de meias palavras e toma uma drástica decisão: "Ouve-se constantemente dizer que se comete, em vosso meio, a luxúria, e uma luxúria tão grave que não se costuma encontrar nem mesmo entre os pagãos: há entre vós quem vive com a mulher de seu pai!... Em Nome do Senhor Jesus -, reunidos vós e meu espírito, com o poder de Nosso Senhor Jesus -, seja esse homem entregue a Satanás, para mortificação de seu corpo, a fim de que sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,1.4-5
    Ele recomenda-nos severas posturas entre os da Igreja: "Em minha carta escrevi-vos que não tivésseis familiaridade com os impudicos. Porém, não me referia de modo absoluto a todos os impudicos deste mundo, os avarentos, os ladrões ou os idólatras, pois neste caso deveríeis sair deste mundo. Mas eu simplesmente quis dizer-vos que não tenhais comunicação com aquele que, chamando-se irmão, é impuro, avarento, idólatra, difamador, beberrão, ladrão. Com tais indivíduos nem sequer deveis comer." 1 Cor 5,9-11
    Explicava-se assim: "Pois que tenho eu de julgar os que estão fora? Não são os de dentro que deveis julgar? Os de fora é Deus que os julgará... Tirai o perverso de vosso meio." 1 Cor 5,12-13
    Inversamente, pedia tolerância com os de fora, por saber exatamente de que se tratava: "É com brandura que deve corrigir os adversários, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do demônio, que os mantém cativos e submetidos a seus caprichos." 2 Tm 2,25-26
    E torna a perguntar a Igreja: "Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus." 1 Cor 6,9-10
    Assim como Jesus, seus seguidores exigem que o casamento seja plenamente respeitado: "Vós todos considerai o Matrimônio com respeito e conservai o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros." Hb 13,4
    São Paulo, aliás, pedia profunda reverência a todos Sacramentos: "Na qualidade de colaboradores seus, exortamo-vos a que não recebais em vão a Graça de Deus." 2 Cor 6,1
    Ele mesmo já condenava a conjunção carnal entre homem e mulher enquanto solteiros: "Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra seu próprio corpo." 1 Cor 6,18
    Denunciava também a prostituição, usando a mesma passagem do Gênesis que Jesus fez recordar: "Ou não sabeis que o que se ajunta a uma prostituta torna-se com ela um só corpo? Está escrito: 'Os dois serão uma só carne (Gn 2,24).'" 1 Cor 6,16
    E aponta nosso corpo como habitação do Divino Paráclito: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus em vosso corpo." 1 Cor 6,19-20
    De uma revelação que teve, ele avisa da devassidão nos tempos futuros, como também foi previsto por Nossa Senhora na Aparição de Quito e de Salette: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um difícil período. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!" 2 Tm 3,1-5
    E critica pontualmente as "... mulherzinhas carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões, sempre a aprender sem nunca chegar ao conhecimento da Verdade." 2 Tm 3,6b-7
    Em oposição a esses desvairos da carne, São Pedro estimula a lutar determinadamente contra a escravidão do pecado: "Assim, pois, como Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado, a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo humanas paixões, mas segundo a vontade de Deus. Baste-vos que no tempo passado tenhais vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias." 1 Pd 4,1-3
    Lembrando os castigos de Deus, ele ressalta os especiais auxílios que estão à disposição dos que Lhe obedecem: "Pois se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas precipitou-os nos tenebrosos abismos do inferno, onde os reserva para o julgamento; se não poupou o mundo antigo, e só preservou oito pessoas, dentre as quais Noé, esse pregador da justiça, quando desencadeou o dilúvio sobre um mundo de ímpios; se condenou à destruição e reduziu à cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra para servir de exemplo para os ímpios do porvir; se, enfim, livrou o justo Lot, revoltado com a dissoluta vida daquela perversa gente (esse justo que habitava no meio deles sentia cada dia atormentada sua alma virtuosa, pelo que via e ouvia dos seus infames procedimentos), é porque o Senhor sabe livrar das provações os piedosos homens e reservar os ímpios para serem castigados no Dia do Juízo, principalmente aqueles que correm com impuros desejos atrás dos prazeres da carne e desprezam a autoridade." 2 Pd 2,4-10
    Para o Príncipe dos Apóstolos, as pessoas que conhecem o Evangelho de Jesus e reincidem no pecado, sofrerão ainda mais graves punições: "Aconteceu-lhes o que diz com razão o provérbio: 'O cão voltou ao seu vômito' (Pr 26,11); e: A porca lavada volta a revolver-se no lamaçal." 2 Pd 2,22
    Por isso exorta São Paulo: "Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais a seus apetites." Rm 6,12
    Recomenda penitências: "Mortificai, pois, vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria." Cl 3,5
    Ele explicou assim as responsabilidades da vida na carne: "Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo." 2 Cor 5,10
    E faz sutil síntese da Missão de Jesus: "Veio para ensinar-nos a renunciar à impiedade e às mundanas paixões, e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade..." Tt 2,12
    São Tiago Menor vê nos impuros desejos a verdadeira razão de desuniões e intrigas. E denuncia: "Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros? Adúlteros, não sabeis que o amor ao mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." Tg 4,1.4
    São Judas Tadeu registrou sua visão dos impuros: "Estes são descontentes murmuradores, homens que vivem segundo suas paixões, cuja boca profere soberbas palavras e que admiram os demais por interesse. ... homens sensuais que não têm o Espírito." Jd 1,16.19
    E segundo São João Evangelista, as grandes cidades são como a Babilônia, que ao mesmo tempo seduzia e escravizava o mundo: "Ela inebriou os habitantes da terra com o vinho de sua luxúria." Ap 17,2

NO ANTIGO TESTAMENTO

    O Livro dos Provérbios faz uma simples porém contundente distinção: "Um filho inteligente segue a instrução; quem convive com os devassos, torna-se a vergonha de seu pai." Pr 28,17
    E Deus, alertando de uma terrível armadilha, pede: "Meu filho, dá-Me teu coração. Que teus olhos observem Meus caminhos, pois a meretriz é uma profunda fossa e a entranha, um estreito poço: como um salteador ela fica de emboscada e, entre os homens, multiplica os infiéis." Pr 23,26-28
    O Eclesiástico é ainda mais rigoroso: "Toda mulher que se entrega à devassidão é como o esterco que se pisa na estrada." Eclo 9,10
    E diz: "Aquele que se une às prostitutas é um homem de nenhuma valia; tornar-se-á pasto de podridão e de vermes; ficará sendo um grande exemplo, e sua alma será suprimida do número dos vivos." Eclo 19,3
    Pelo afastamento de Deus e pela perversão dos valores, notadamente pela débil espiritualidade, o livro da Sabedoria denuncia a submissão à sedução do Mal: "Tudo está numa completa confusão - sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade das uniões, adultérios e impudicícias, porque o culto de inomináveis ídolos é o começo, a causa e o fim de todo o mal." Sb 14,25-27
    Jeremias, 600 anos antes de Cristo, já acusava a Cidade Santa afundada em pecados: "Teus adultérios e desregramentos, e tua luxúria infame nas colinas e nos campos, todas essas abominações, eu as vi. Desgraçada de ti, Jerusalém! Por quanto tempo, ainda, permanecerás impura?" Jr 13,27
    E sem parcimônia Deus falou a Israel pelo Profeta Oseias: "... não castigarei vossas filhas prostitutas, nem vossas noras adúlteras, porque vós mesmos coabitam com meretrizes, e oferecem sacrifícios com prostitutas sagradas. O povo insensato por si mesmo lança-se à perdição!" Os 4,14
    Pois os próprios líderes de Israel deram-se à devassidão: "Logo que cessam de beber, entregam-se à prostituição; seus chefes preferem a completa desonra." Os 4,18
    Esse Profeta via boa parte do povo sob a escravidão do pecado, e fala abertamente em possessão: "... seu proceder não lhes permite voltar a Seu Deus, porque um espírito de prostituição os possui..." Os 5,4


A ESCRAVIDÃO DO PECADO

    Jesus, de fato, havia afirmado: "Em verdade, em verdade, digo-vos: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo." Jo 8,34
    E São Pedro, acusando falsos sábios e falastrões, arremata: "Audaciosos, arrogantes, não temem falar injuriosamente das glórias... Mas estes, quais animais destinados pela lei natural para a presa e para a perdição, injuriam o que ignoram, e assim da mesma forma perecerão. Encontram suas delícias em entregar-se em pleno dia às suas libertinagens. Homens pervertidos e imundos, sentem prazer em enganar... Com palavras tão vãs quanto enganadoras, atraem pelas carnais paixões e pela devassidão aqueles que mal acabam de escapar dos homens que vivem no erro. Prometem-lhes a liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois o homem é feito escravo daquele que o venceu." 2 Pd 2,10.12-13.18-19
    São Paulo previu que muitas pessoas buscariam 'religiões' que tolerassem seus pecados: "Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a Sã Doutrina da Salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si." 2 Tm 4,3
    Ele questiona: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para obedecer-lhe, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça?" Rm 6,16
    E evoca o Santo Sacrifício de Cristo como definitivo modelo de mortificação do carne: "Sabemos que nosso velho homem foi com Ele crucificado, para que seja reduzido à impotência o corpo antes subjugado ao pecado, e já não sejamos mais escravos do pecado." Rm 6,6
    Sem dúvida, é para livrar-nos da escravidão do pecado que Jesus nos oferece Seu Senhorio: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas. Porque Meu jugo é suave e Meu peso é leve." Mt 11,29-30
    A Ele, portanto, devemos suplicar que nos liberte, pois afirmou: "Se, portanto, o Filho do Homem libertar-vos, sereis verdadeiramente livres." Jo 8,36
    Foi esse, enfim, o testemunho de São João Batista a Seu respeito: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." Jo 1,29

    "Socorrei, com bondade, os que Vos buscam!"