quinta-feira, 28 de março de 2019

A Luxúria


    Não há pecado mais óbvio ou mais conhecido que a luxúria, e por isso ele é confundido com o pecado original, que na verdade foi a soberba. O Catecismo ensina: "A luxúria é um desordenado desejo ou um desregrado gozo do prazer venéreo. O prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo, isolado das finalidades de procriação e de união." CIC 2351
    Quando se animaliza, o ser humano coloca-se no caminho inverso ao projeto da Criação, que é o chamado a assumir a condição de filho de Deus pela santificação pelo Espírito Santo. São Paulo ensina: "De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,13,14
    São João Evangelista diz dessa nova condição dos que guardam o Evangelho: "Mas a todos aqueles que O receberam, aos que creem em Seu Nome, deu-lhes o poder de tornarem-se filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus." Jo 1,12-13
    Indicando nossa verdadeira vocação, Jesus citou os Levíticos, uma frase dita por Deus a Moisés: "Portanto, sede perfeitos, assim como Vosso Pai celeste é perfeito (Lv 19,2)." Mt 5,48
    Resta evidente, então, que devemos viver em vigília contra os impulsos da carne, como prega o Último Apóstolo: "Pois a criação foi sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou, todavia com a esperança de ser também libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus." Rm 8,20-21
    Ele fala da essencial moção do Espírito Santo, derramado no Pentecostes: "Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se é que o Espírito de Deus realmente habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9
    Assim, por força de nosso compromisso e da Graça do Espírito de Deus, aguardamos essa libertação, ou seja, a definitiva adoção pelo Pai Celestial: "Pois sabemos que toda criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção de nosso corpo." Rm 8,22-23
    E pela  já estamos convencidos de que "... o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza... Aliás, sabemos que todas coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus..." Rm 8,26.28
    Ele diz com toda clareza: "Esta é a vontade de Deus: vossa santificação! Que vos aparteis da luxúria; que cada um de vós saiba possuir seu corpo santa e honestamente, sem se deixar levar por desregradas paixões, como os pagãos que não conhecem a Deus..." 1 Ts 4,3-5
    E explica: "Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis. Desde que vos deixeis guiar pelo Espírito, já nãos estais sob a Lei. Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas previno-vos, como já vos preveni: aqueles que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" Gl 5,17-21
    Escrevendo a São Timóteo, por trás do amor ao dinheiro ele aponta uma gama de impuros desejos. Assim ricos se entregam à luxúria por vaidade, e lascivos, por dinheiro: "Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em muitos insensatos e nocivos desejos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição." 1 Tm 6,9
    Especificamente referindo-se a adúlteros, São Rafael Arcanjo havia dito algo parecido a Tobias: "Ouve-me, e eu mostrar-te-ei sobre quem o demônio tem poder: são os que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e entregam-se à sua paixão como um cavalo e um burro, que não têm entendimento. Sobre estes o demônio tem poder." Tb 6,16-17
    Ciente das humanas fraquezas, São Pedro convida-nos à obediência de filhos de Deus: "À maneira de obedientes filhos, já não vos amoldeis aos desejos que antes tínheis, no tempo de vossa ignorância. A exemplo da santidade d'Aquele que vos chamou, também sede Santos em todas vossas ações, pois está escrito: 'Sede santos, porque Eu Sou santo' (Lv 11,44)." 1 Pd 1,14-16
    E pede que perseverantemente busquemos a Salvação de nossa alma: "Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, abstenhais-vos dos desejos da carne, que combatem contra a alma." 1 Pd 2,11
    Nesse sentido, São Paulo exorta a apreciarmos os dons do Divino Espírito, lembrando a eterna condenação como resultado de uma vida meramente carnal: "Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal, os que vivem segundo o Espírito apreciam as coisas que são do Espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do Espírito é a Vida e a Paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à Lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus." Rm 8,5-8


O QUE DISSE JESUS?

    Por Sua compaixão pela humanidade, alguns que se diziam religiosos acusavam Jesus de 'andar com pecadores'. Na verdade, era o contrário: pecadores andavam com Ele. Mas Ele bem conhecia a hipocrisia dessa gente, e denunciou: "João veio. Ele não bebia e não comia, e disseram: 'Ele está possesso de um demônio.' O Filho do Homem vem, come e bebe, e dizem: 'É um comilão e beberrão, amigo dos publicanos e dos devassos.' Mas a Sabedoria foi justificada por seus filhos." Mt 11,19
    Muito longe de ser um leniente, Ele até tornou mais rigorosa a Lei de Moisés, ao denunciar perversões como o adultério e o divórcio: "Ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não cometerás adultério.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração. Também foi dito: 'Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que rejeita sua mulher, fá-la tornar-se adúltera, a não ser que se trate de falso matrimônio. E todo aquele que desposa uma mulher rejeitada comete um adultério." Mt 5,27-28.31-32
    Mostrou-Se atento a esta condição de pecado, como observou da situação da samaritana na fonte de Jacó: "Disse Jesus: 'Tens razão em dizer que não tens marido. Tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu. Nisto disseste a Verdade.'" Jo 4,17b-18
    Aliás, a Seu tempo os números de adultério já era um grande escândalo. Ele denunciava toda uma geração: "Porque se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de Mim e de Minhas Palavras, também o Filho do homem Se envergonhará dele, quando vier na Glória de Seu Pai com Seus santos anjos." Mc 8,38
    E apesar de não revogar a Lei, Ele acabou vedando o apedrejamento nesses casos. Ordenava, no entanto, que tal pecado fosse definitivamente evitado: "Puseram-na no meio da multidão e disseram a Jesus: 'Mestre, agora mesmo esta mulher foi apanhada em adultério. Moisés mandou-nos na Lei que apedrejássemos tais mulheres. Que dizes Tu a isso?' Como eles insistissem, Ele ergueu-Se e disse-lhes: 'Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.' Então Ele se ergueu e vendo ali apenas a mulher, perguntou-lhe: 'Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?' Respondeu ela: 'Ninguém, Senhor.' Disse-lhe então Jesus: 'Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.'" Jo 8,4-5.7.10-11
    E explicou o que representa para Deus o ato de conjunção carnal, só aceitável pelo Matrimônio: "Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: 'Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois formarão uma só carne?' Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, que o homem não separe o que Deus uniu." Mt 19,4-6
    São Paulo vai comentar essa sentença com uma simples explicação: "A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence a seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor de seu corpo: ele pertence à sua esposa." 1 Cor 7,4
    Eis que a missão de São João Batista, o Elias, o precursor do Salvador prometido por Deus através do Profeta Malaquias, tinha a especificidade de purificar a família, começando pelos corações de pais e mães: "Vou mandar-vos o Profeta Elias, antes que venha o grande e temível Dia do Senhor. E ele converterá o coração dos pais para os filhos, e o coração dos filhos para os pais, de sorte que não mais ferirei de interdito a terra." Ml 3,23-24
    E cuidando da efetividade das relações dos esposos para com Deus, bem como do testemunho das esposas, São Pedro advertia-os: "Também vós, ó mulheres, sede submissas a vossos maridos. Se alguns não obedecem à Palavra, serão conquistados, mesmo sem a Palavra da pregação, pelo simples procedimento de suas mulheres ao observarem vossa casta e reservada vida. Do mesmo modo vós, ó maridos, sabiamente comportai-vos em vosso convívio com vossas mulheres, pois são de mais frágil constituição. Porquanto elas são herdeiras, com o mesmo direito que vós, da Graça que dá a Vida. Tratai-as com todo respeito para que vossas orações não fiquem sem resposta." 1 Pd 3,1-2.7
    Pois Jesus claramente havia dito: "O Espírito é que vivifica. A carne de nada serve." Jo 6,63
    Exortava Seus Sacerdotes à antecipação da Vida Eterna: "Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda." Mt 19,12
    Ele revelou: "Na Ressurreição dos mortos, os homens não tomarão mulheres, nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos nos Céus." Mc 12,25
    São Paulo ainda ia mais longe: não pedia celibato apenas aos Sacerdotes, mas a todos: "Pois quereria que todos fossem como eu, mas cada um tem de Deus um dom particular: uns este, outros aquele. Aos solteiros e às viúvas, porém, digo-lhes que é bom se permanecerem assim, como eu." 1 Cor 7,7-8
    E repetia Jesus, acrescentando este detalhe sobre a situação de quem se separa: "Aos casados mando (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido. E se ela estiver separada, que fique sem se casar ou que se reconcilie com seu marido. Igualmente, o marido não repudie sua mulher." 1 Cor 7,10-11
    Pois o Divino Mestre apontava a alma como nosso mais precioso bem, e que é ela que deve preservada: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28
    E exortou-nos a viver valores realmente espirituais: "Antes buscai o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas ser-vos-ão dadas em acréscimo." Mt 6,33
    Quanto aos pecados em geral, Ele surpreendentemente apontou apenas o coração como origem: "Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez." Mc 7,21-22
    E arrematou: "O bom homem tira boas coisas do bom tesouro de seu coração, e o mau homem tira más coisas de seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo do que o coração está cheio." Lc 6,45


GRANDES PECADOS

    São Paulo revelou o que acontece com os que renegam a santidade e abraçam a devassidão: "Por isso, Deus entregou-os aos desejos de seus corações, à imundície, de modo que entre si desonram os próprios corpos. Trocaram a Verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém! Por isso, Deus entregou-os a vergonhosas paixões, suas mulheres mudaram as naturais relações em relações contra a natureza. Do mesmo modo os homens, deixando o natural uso da mulher, arderam em desejos uns com os outros, cometendo homens com homens a torpeza e em seus corpos recebendo a devida paga ao seu desvario. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Ele entregou-os a depravados sentimentos e daí seu indigno procedimento." Rm 1,24-28
    Ao saber de um caso de incesto entre os coríntios, ele não usa de meias palavras e toma uma drástica decisão: "Constantemente ouve-se dizer que se comete, em vosso meio, a luxúria, e tão grave luxúria que nem mesmo entre os pagãos se costuma encontrar: entre vós há quem vive com a mulher de seu pai!... Em Nome do Senhor Jesus, reunidos vós e meu espírito, com o poder de Nosso Senhor Jesus, seja esse homem entregue a Satanás, para mortificação de seu corpo, a fim de que sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,1.4-5
    Recomenda-nos severas posturas entre os da Igreja: "Em minha carta escrevi-vos que não tivésseis familiaridade com os impudicos. Porém, não me referia de modo absoluto a todos impudicos deste mundo, os avarentos, os ladrões ou os idólatras, pois neste caso deveríeis sair deste mundo. Mas eu simplesmente quis dizer-vos que não tenhais comunicação com aquele que, chamando-se irmão, é impuro, avarento, idólatra, difamador, beberrão, ladrão. Com tais indivíduos nem sequer deveis comer." 1 Cor 5,9-11
    Assim se explicava: "Pois que tenho eu de julgar os que estão fora? Não são os de dentro que deveis julgar? Os de fora é Deus Quem os julgará... Tirai o perverso de vosso meio." 1 Cor 5,12-13
    Inversamente, pedia tolerância com os de fora, por saber de que se tratava: "É com brandura que deve corrigir os adversários, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres das correntes do demônio, que a seus caprichos os mantém cativos e submetidos." 2 Tm 2,25-26
    E torna a perguntar aos membros da Igreja: "Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus." 1 Cor 6,9-10
    Assim como Jesus, os seguidores da tradição de São Paulo exigem que o casamento seja plenamente respeitado: "Vós todos considerai o Matrimônio com respeito e conservai o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros." Hb 13,4
    O próprio Apóstolo dos Gentios, aliás, pedia profunda reverência a todos Sacramentos: "Na qualidade de colaboradores seus, exortamo-vos a que não recebais em vão a Graça de Deus." 2 Cor 6,1
    Ele já condenava a conjunção carnal entre homem e mulher enquanto solteiros: "Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra seu próprio corpo." 1 Cor 6,18
    Também denunciava a prostituição, usando a mesma passagem do Gênesis que Jesus fez recordar: "Ou não sabeis que o que se ajunta a uma prostituta torna-se com ela um só corpo? Está escrito: 'Os dois serão uma só carne (Gn 2,24).'" 1 Cor 6,16
    E aponta nosso corpo como habitação do Divino Paráclito: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai a Deus, pois, em vosso corpo." 1 Cor 6,19-20
    De uma revelação que teve, ele avisa da devassidão nos futuros tempos, como também foi previsto por Nossa Senhora na Aparição de Quito e de Salette: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um difícil período. Os homens tornar-se-ão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão de sua autoridade. Dessa gente, afasta-te!" 2 Tm 3,1-5
    E pontualmente critica as "... mulherzinhas carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões, sempre a aprender sem nunca chegar ao conhecimento da Verdade." 2 Tm 3,6b-7
    São Pedro, por sua vez, estimula a lutar com determinação contra a escravidão do pecado: "Assim como Cristo padeceu na carne, pois, armai-vos deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado, a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo humanas paixões, mas segundo a vontade de Deus. Baste-vos que no tempo passado tenhais vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias." 1 Pd 4,1-3
    Lembrando os castigos de Deus, ele ressalta os especiais auxílios que estão à disposição dos que Lhe obedecem: "Pois se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas precipitou-os nos tenebrosos abismos do inferno, onde os reserva para o Julgamento; se não poupou o mundo antigo, e só preservou oito pessoas, dentre as quais Noé, esse pregador da justiça, quando desencadeou o dilúvio sobre um mundo de ímpios; se condenou à destruição e reduziu à cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra para servir de exemplo para os ímpios do porvir; se, enfim, livrou o justo Lot, revoltado com a dissoluta vida daquela perversa gente (esse justo que habitava no meio deles sentia cada dia atormentada sua virtuosa alma, pelo que via e ouvia de seus infames procedimentos), é porque o Senhor sabe livrar das provações os piedosos homens e reservar os ímpios para serem castigados no Dia do Juízo, principalmente aqueles que correm com impuros desejos atrás dos prazeres da carne e desprezam a autoridade." 2 Pd 2,4-10
    Para o Príncipe dos Apóstolos, as pessoas que conhecem o Evangelho de Jesus e reincidem no pecado sofrerão ainda mais graves punições: "Aconteceu-lhes o que diz, com razão, o provérbio: 'O cão voltou a seu vômito' (Pr 26,11); e: A porca lavada volta a revolver-se no lamaçal." 2 Pd 2,22
    Por isso, exorta São Paulo: "Não reine o pecado, pois, em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais a seus apetites." Rm 6,12
    Recomenda penitências: "Portanto, mortificai vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria." Cl 3,5
    Assim explicou as responsabilidades da vida na carne: "Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo." 2 Cor 5,10
    E fez esta síntese da Missão de Jesus: "Veio para ensinar-nos a renunciar à impiedade e às mundanas paixões, e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade..." Tt 2,12
    São Tiago Menor vê nos impuros desejos a verdadeira razão de desuniões e intrigas. E denuncia: "Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros? Adúlteros, não sabeis que o amor ao mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." Tg 4,1.4
    São Judas Tadeu registrou sua visão dos impuros: "Estes são descontentes murmuradores, homens que vivem segundo suas paixões, cuja boca profere soberbas palavras e que por interesse admiram os demais. ... homens sensuais que não têm o Espírito." Jd 1,16.19
    E segundo São João Evangelista, as grandes cidades são como a Babilônia, que ao mesmo tempo seduzia e escravizava o mundo: "Ela inebriou os habitantes da terra com o vinho de sua luxúria." Ap 17,2


    Patente pecado, Deus, vedando qualquer vida sexual fora do matrimônio, pronunciou-Se perante os israelitas quando Moisés desceu da montanha: "Não cometerás adultério. Não cobiçarás a mulher de teu próximo." Ex 20,14.17b
    E a Igreja, reconhecendo na mera fornicação um pecado mortal e abrangendo a total compreensão deste assunto, fixou como sexto Mandamento: "Não pecar contra a castidade."
    Protegeu, ademais, o Sacramento do Matrimônio de externos ataques inscrevendo o nono Mandamento: "Não desejar a mulher do próximo."
    Mas o Pai Eterno não deixou de advertir das abominações, para as quais prevê severas punições: "Não te deitarás com um homem como se fosse mulher: isso é uma abominação. Não terás comércio com um animal para contaminar-te com ele. Uma mulher não se prostituirá a um animal: isso é uma abominação. Não vos contamineis com nenhuma dessas coisas, porque assim se contaminaram as nações que Eu vou expulsar diante de vós. Com efeito, todos aqueles que cometerem quaisquer dessas abominações, serão extirpados do meio do povo." Lv 18,22-24.29
    Ele havia dito a Abraão, que em nome de um pequeno resto conseguiu retardar Sua ira: "É imenso o clamor que se eleva contra Sodoma e Gomorra, e seu pecado é muito grande." Gn 13,20b
    E o próprio povo de Sodoma demonstrou quem era, ao procurar os dois anjos que o Senhor para lá enviou, acolhidos por Lot, sobrinho da Abraão: "Mas antes que se tivessem deitado, eis que os homens da cidade, os homens de Sodoma, se agruparam em torno da casa, desde os jovens até os velhos, toda a população. E chamaram Lot: 'Onde estão', disseram-lhe, 'os homens que em tua casa entraram esta noite? Traze-os a nós, para que deles abusemos.'" Gn 19,4-5
    O Livro dos Provérbios anota uma simples porém contundente distinção: "Um inteligente filho segue a instrução; quem convive com os devassos torna-se a vergonha de seu pai." Pr 28,17
    E Deus, alertando de uma terrível armadilha, pede: "Meu filho, dá-Me teu coração. Que teus olhos observem Meus caminhos, pois a meretriz é uma profunda fossa, e a entranha, um estreito poço: como um salteador, ela fica de emboscada e, entre os homens, multiplica os infiéis." Pr 23,26-28
    O Eclesiástico ainda é mais rigoroso: "Toda mulher que se entrega à devassidão é como o esterco que se pisa na estrada." Eclo 9,10
    E diz: "Aquele que se une às prostitutas é um homem de nenhuma valia. Tornar-se-á pasto de podridão e de vermes, ficará sendo um grande exemplo e sua alma será suprimida do número dos vivos." Eclo 19,3
    Pelo afastamento de Deus e pela perversão dos valores, notadamente pela débil espiritualidade, o livro da Sabedoria denuncia a submissão à sedução do Mal: "Tudo está numa completa confusão: sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons, esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, perversão dos sexos, instabilidade das uniões, adultérios e impudicícias. Porque o culto de inomináveis ídolos é o começo, a causa e o fim de todo mal." Sb 14,25-27
    O Profeta Jeremias, 600 anos antes de Cristo, já acusava a própria Cidade Santa afundada em pecados, que culminará na escravidão da Babilônia: "Teus adultérios e desregramentos, e tua luxúria infame nas colinas e nos campos, todas essas abominações eu vi. Desgraçada de ti, Jerusalém! Por quanto tempo, ainda, permanecerás impura?" Jr 13,27
    E sem parcimônia Deus falou a Israel pelo Profeta Oseias: "... não castigarei vossas filhas prostitutas, nem vossas noras adúlteras, porque vós mesmos coabitam com meretrizes, e oferecem sacrifícios com sagradas prostitutas. O insensato povo por si mesmo lança-se à perdição!" Os 4,14
    Pois os próprios líderes de Israel deram-se à devassidão: "Logo que cessam de beber, entregam-se à prostituição. Seus chefes preferem a completa desonra." Os 4,18
    Esse Profeta via boa parte do povo sob a escravidão do pecado, e abertamente fala em possessão: "... seu proceder não lhes permite voltar a Seu Deus, porque um espírito de prostituição os possui..." Os 5,4


A ESCRAVIDÃO DO PECADO

    Jesus, de fato, havia afirmado: "Em verdade, em verdade, digo-vos: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo." Jo 8,34
    E São Pedro, acusando falsos sábios e falastrões, arremata: "Audaciosos, arrogantes, não temem falar injuriosamente das Glórias... Mas estes, quais animais destinados pela lei natural para a presa e para a perdição, injuriam o que ignoram, e assim da mesma forma perecerão. Encontram suas delícias em entregar-se em plena luz do dia às suas libertinagens. Homens pervertidos e imundos, sentem prazer em enganar... Com palavras tão vãs quanto enganadoras, atraem pelas carnais paixões e pela devassidão aqueles que mal acabam de escapar dos homens que vivem no erro. Prometem-lhes a liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois o homem é feito escravo daquele que o venceu." 2 Pd 2,10.12-13.18-19
    São Paulo previu que muitas pessoas buscariam 'religiões' que tolerassem seus pecados: "Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a Sã Doutrina da Salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, para si ajustarão mestres." 2 Tm 4,3
    Exaltando o Evangelho, ele questiona: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para obedecer-lhe, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça? Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, de coração obedecestes à regra da doutrina na qual tendes sido instruídos." Rm 6,16-17
    Exulta pela Vinda do Santo Paráclito, Divino Guia da Igreja: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,2
    E evoca o Santo Sacrifício de Cristo como definitivo modelo de mortificação do carne: "Sabemos que nosso velho homem foi com Ele crucificado, para que seja reduzido à impotência o corpo antes subjugado ao pecado, e já não mais sejamos escravos do pecado." Rm 6,6
    Sem dúvida, é para livrar-nos da escravidão do pecado que Jesus nos oferece Seu Senhorio: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas. Porque Meu jugo é suave e Meu peso é leve." Mt 11,29-30
    A Ele, portanto, devemos suplicar que nos liberte, pois afirmou: "Portanto, se o Filho do Homem vos libertar, sereis verdadeiramente livres." Jo 8,36
    Foi esse, enfim, o testemunho de São João Batista a Seu respeito: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." Jo 1,29

    "Socorrei, com bondade, os que Vos buscam!"