domingo, 10 de março de 2019

A Salvação


    Quando se fala no fim do mundo, mesmo entre os que creem, percebe-se mais medo do apocalipse que do próprio inferno. É fato: o Juízo Final, ou o Particular, parecem não espantar ninguém. Somos excessivamente tolerantes com nossos pecados e muito mais nos aterrorizam os sofrimentos causados pelas tragédias naturais. Jesus, porém, alertou que o inferno é uma gritante realidade: "Alguém Lhe perguntou: 'Senhor, são poucos os homens que se salvam?' Ele respondeu: 'Procurai entrar pela estreita porta, porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não conseguirão.'" Lc 13,23-24
    As mundanas impressões muito têm de indiferentismo ateu, ou, em melhor hipótese, embora muito pouco mais nobre, de presunção. Por força da disseminação do relativismo moral, formou-se uma mentalidade para a qual é quase impossível ver em Deus uma mais séria face, que dirá uma punitiva ou sequer ameaçadora. Os sofrimentos deste mundo já seriam grandes tormentos, mesmo para quem confortavelmente vive, pois dia a dia estaríamos convivendo com o medo e até com o terror, ao menos psicologicamente, dadas as alheias desgraças de massivo modo mostradas pelos meios de comunicação. Haveria, portanto, uma constante e intensa carga de tribulações no ar, o inferno já seria aqui. Mas, ponderando todo sofrimento e até violência, São Paulo apenas atesta: "Pois a Criação foi sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou... E sabemos que toda Criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo." Rm 8,22-23
    Assim, por amor à Verdade, devemos seguir a orientação que é dada pelo Espírito de Cristo para conhecermos a verdadeira realidade e confiantemente abraçar o Caminho que leva à Vida Eterna. Jesus distinguia: "O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham Vida e a tenham em abundância." Jo 10,10
    E São Paulo resume como Satanás age: "Ele usará de todas seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que teria podido salvá-los." 2 Ts 2,10
    Primeiro saibamos que, da plenitude de Seu amor, Deus quer mesmo salvar a todos. Isso é inegável. O salmista já anotava a universalidade do senso de justiça, que possibilita o Juízo Final: "O Senhor fez conhecer Sua Salvação, revelou Sua justiça aos olhos dos povos. Os confins da terra puderam ver a Salvação de Nosso Deus." Sl 97,2.3b
    São Pedro assim explica a aparente inefetividade de Deus: "O Senhor não retarda o cumprimento de Sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça. Ao contrário, quer que todos se arrependam." 2 Pd 3,9
    E São Paulo escreve a São Timóteo: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todas pessoas... Isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador, o Qual deseja que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade." 1 Tm 1.1.3-4
    Ressalta, porém, a suma importância da fidelidade à Revelação: "... se nos afadigamos e sofremos ultrajes, é porque pusemos nossa esperança em Deus Vivo, que é o Salvador de todos homens, sobretudo dos fiéis." 1 Tm 4,10
    E deixa claro aos coríntios que, para bem lembrarmos a importância da vida espiritual, a Salvação, apesar da promessa da Ressurreição da carne, é dada não à carne, mas às nossas almas. É o que ele diz ao excomungar por incesto um membro da igreja de Corinto: "... seja esse homem entregue a Satanás para mortificação de seu corpo, a fim de que sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,5
    São Pedro diz o mesmo, ao falar da verdadeira felicidade que se pode alcançar já nesse mundo: "Este Jesus vós amais sem O terdes visto, n'Ele credes ainda sem O verdes, e isto é para vós a fonte de uma inefável e gloriosa alegria, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa , a Salvação de vossas almas." 1 Pd 1,8-9
    Aliás, ele só relaciona a Salvação à ostensiva Vinda do Reino de Deus, que justificará todas aflições pelas quais passamos: "Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a Salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. Isto é motivo de alegria para vós, embora agora seja necessário que por algum tempo fiqueis aflitos, por causa de várias provações." 1 Pd 1,5-6
    E evocando essas patentes tribulações, ele levanta pertinente questão sobre o destino dos que se desencaminham: "E se o justo se salva com dificuldade, que será do ímpio e do pecador?" 1 Pd 4,18
    São Paulo, no entanto, afirma a São Timóteo que é exatamente em nome dos pecadores que Se manifestou Jesus: "Eis uma verdade absolutamente certa e merecedora de fé: Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores..." 1 Tm 1,15a
    De fato, foi isso que Nosso Salvador respondeu aos escribas, explicitando a razão de Sua passagem entre nós: "Ouvindo-os, Jesus replicou: 'Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos. Não vim chamar os justos, mas os pecadores.'" Mc 2,17
    Ele disse: "Digo-vos que assim haverá maior júbilo no Céu por um só pecador que fizer penitência que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." Lc 15,7
    E apesar de tantas Graças alcançadas, as quais pôs a serviço de Deus, entre os agraciados com a Palavra o Apóstolo dos Gentios pregava tenaz dedicação para que se chegue aos Céus: "Não pretendo dizer que já alcancei a Salvação, e que cheguei à perfeição. Não. Mas empenho-me em conquistá-la..." Fl 3,12
    Mas se Deus quer salvar a todos, por que Jesus falou em poucos 'escolhidos' na parábola das bodas do filho do rei? "Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos." Mt 22,14
    Ele também disse que Seu Sangue não seria derramado por todos, mas por muitos: "Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens para a remissão dos pecados.'" Mt 26,27-28
    São Paulo diz que não serão poucos, e como 'escolhidos' Jesus estaria mencionando apenas aqueles que obtém a Salvação, em boa medida, por próprios méritos. Ou seja, falava dos Santos, cujas almas vão direto aos Céus. Sem dúvida, os judeus, noutra referência 'o povo escolhido', também tropeçaram, e Deus aproveitou essa oportunidade para cativar os não judeus: "Ainda pergunto: Acaso tropeçaram para cair? De modo algum. Mas sua queda, que abriu caminho para a Salvação dos não judeus, despertou o ciúme entre os israelitas." Rm 11,11
    Jesus mesmo, ao afirmar que aos ricos era praticamente impossível alcançar a Salvação, faz lembrar que a Divina Misericórdia está muito além de qualquer expectativa. Ou seja, Deus fará sim com que 'camelos' passem por 'buracos de agulhas': "Vendo-o entristecer-se, disse Jesus: 'Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus! É mais fácil passar o camelo pelo fundo duma agulha que um rico entrar no Reino de Deus.' Perguntaram os ouvintes: 'Sendo assim, quem então poderá salvar-se?' Respondeu Jesus: 'O que é impossível aos homens, é possível a Deus.'" Lc 18,24-27
    Nosso Salvador até aconselhou a fazer o bem com as riquezas amealhadas na injustiça: "E o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo são mais prudentes que os filhos da Luz no trato com seus semelhantes. Eu digo-vos: fazei amigos com a injusta riqueza, para que, no dia em que ela vos faltar, eles recebam-vos nos eternos tabernáculos." Lc 16,8-9
    E se algumas pessoas fazem pouco da Revelação do Cristo e, acreditando apenas na caridade material, não se empenham religiosamente em purificar a alma, temos uma séria palavra sobre as já milenares mensagens de Deus no Antigo Testamento e sua veracidade. Jesus disse à samaritana: "... nós adoramos O que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22b


    Referia-Se, pois, à concretude e à pertinência das Escrituras, que antigas religiões, bem como outras 'novas', simplesmente não reverenciam: "Vós adorais O que não conheceis..." Jo 4,22a
    A Sabedoria até já havia acusado, séculos antes: "Tomaram o fogo, ou o vento, ou o agitável ar, ou a estrelada esfera, ou a impetuosa água, ou os astros dos céus, por deuses, regentes do mundo. Se tomaram essas coisas por deuses, encantados por sua beleza, saibam, então, o quanto Seu Senhor prevalece sobre elas, porque é o Criador da beleza que fez estas coisas. Se o que os impressionou é sua força e seu poder, que eles compreendam, por meio delas, que Seu Criador é mais forte. Pois é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece Seu Autor." Sb 13,2-5
    São Pedro, pois, exalta a Revelação iniciada desde Abraão, passando pelos Profetas: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas que proferiram oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Eles investigaram a época e as circunstâncias indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava e profetizava os sofrimentos do mesmo Cristo, assim como as Glórias que deviam segui-los. Foi-lhes revelado que propunham não para si mesmos, senão para vós, estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu." 1 Pd 1,10-12
    Por isso, Jesus pede muita atenção com o inimigo, exortando a todos, na parábola da semente, à guarda da Palavra: "Aqueles que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem. Mas depois vem o Demônio e tira-lhes a Palavra do coração, para que não creiam nem se salvem." Lc 8,12
    E além de recomendar as Divinas Revelações, nos últimos discursos Ele fala em perseverança espiritual: "É por vossa constância que alcançareis vossa Salvação." Lc 21,19
    Isto é, que permaneçamos em Comunhão com o Espírito Santo, Terceira Pessoa de Deus, que desde o Pentecostes jamais abandonaria a Igreja: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dar-vos-á outro Paráclito, para que convosco fique eternamente. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,16-17
    E vai concluir nestes termos, na perfeita interiorização da fé, o que dizia à samaritana: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é Espírito, e Seus adoradores devem adorá-Lo em espírito e Verdade." Jo 4,23-24

LIVRAMENTO E SALVAÇÃO

    A passagem a seguir, como exemplo, não se refere à Salvação da alma, mas a um momentâneo livramento durante a vida terrena. E em consideração a uns poucos, Jesus prometeu que Deus poupará parte do povo quando vier a Grande Tribulação. De fato, a definitiva Salvação é, ao mesmo tempo, uma dádiva e uma pessoal conquista, e neste caso certamente temos apenas mais um sinal de Sua compaixão. Ele disse: "Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria. Mas Ele abreviou-os em atenção aos que escolheu." Mc 13,20
    Um ato assim de misericórdia e paciência, momentâneo e em nome de um pequeno grupo, não é uma novidade entre o povo hebreu, e esta é a explicação para muitas terríveis profecias que 'não se cumpriram'. Abraão obteve de Deus o livramento de Sodoma e Gomorra, ao menos à sua época, em nome de apenas dez possíveis justos que lá vivessem: "Abraão replicou: 'Que o Senhor não Se irrite se ainda falo uma última vez! Que será, se lá forem achados dez?' E Deus respondeu: 'Não a destruirei por causa desses dez.'" Gn 18,32
    Quanto à Salvação, propriamente, que conduz a Vida Eterna, no Evangelho de São Mateus vemos o Juízo Final, numa notória simplificação, ser exclusivamente decidido pelo critério da caridade, material e espiritual. Jesus diz: "Então o Rei dirá aos que estão à direita: 'Vinde, benditos de Meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo.' Perguntar-Lhe-ão os justos: 'Senhor, quando foi que Te vimos com fome e demos-Te de comer, com sede e demos-Te de beber? Quando foi que Te vimos peregrino e acolhemos-Te, nu e vestimos-Te? Quando foi que Te vimos enfermo ou na prisão e fomos visitar-Te?' Responderá o Rei: 'Em verdade, Eu declaro-vos: todas vezes que isto fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, foi a Mim mesmo que o fizestes.'" Mt 25,34.37-40
    Mas, vale lembrar, Jesus também ensinou, além dessas práticas, a combater os pecados, isto é, a viver a caridade espiritual, quando nos oferecemos em condição de santidade ao mundo para assim com ele conviver: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação." Mt 26,41a
    Até pediu certas 'penitências': "Tendes ouvido o que foi dito: 'Amarás teu próximo e poderás odiar teu inimigo.' Eu, porém, digo-vos: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de Vosso Pai do céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis?" Mt 5,43-46a
    São Paulo, neste sentido, assinala a transcendental presença do amor de Deus em nós, essencial para que tenhamos uma ideia do misterioso e gratuito caráter que envolvem a Salvação, expresso de emblemático modo pela Paixão de Nosso Senhor: "... o amor de Cristo, que ultrapassa todo conhecimento..." Ef 3,19
    Ele também nos faz recordar a Divina Onisciência, pela qual seremos julgados, e que muito bem representada se vê na inspiração dos Santos de Sua Igreja, servindo de orientação para os próprios anjos: "Assim, doravante, os principados e as potestades celestes podem conhecer, por meio da Igreja, a multiforme Sabedoria de Deus..." Ef 3,10
    E chega a uma espantosa síntese sobre a justificação, mas igualmente inspirada. Ao falar de obras, porém, vale notar que ele se referia às obras da Lei judaica, ou seja, às pormenorizadas prescrições das Escrituras, que antecediam à Vinda do Cristo: "Onde está, portanto, o motivo de gloriar-se? Foi eliminado. Por qual Lei? Pela das obras? Não, mas pela lei da fé. Pois esta é nossa tese: o homem torna-se justo através da fé, sem a observância da Lei." Rm 3,27-28
    Como visto no 'amor aos inimigos', Jesus estendeu em muito o conceito de obra, contido no Antigo Testamento: "Todo aquele que der mesmo que seja somente um copo de água fresca a um destes pequeninos, porque é Meu discípulo, em verdade, digo-vos: não perderá sua recompensa." Mt 10,42
    Ainda no Sermão da Montanha, Ele pregou: "Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus." Mt 5,20
    Disse de Si mesmo, ao falar da obra espiritual: "A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou." Jo 6,29
    E cobrou justiça, misericórdia e fidelidade: "Ai de vós, hipócritas escribas e fariseus! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os mais importantes preceitos da Lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, contudo sem deixar o restante." Mt 23,23
    Isso explica porque São Tiago Menor exalta a justiça que se expressa nas autênticas obras de caridade: "De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo? Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o cotidiano alimento, e algum de vós disser-lhes: 'Ide em Paz, aquecei-vos e fartai-vos', mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Pois alguém dirá: 'Tu tens fé e eu tenho obras. Mostra-me tua fé sem obras e eu mostrar-te-ei minha fé por minhas obras.' Crês que há um só Deus? Fazes bem. Os demônios também creem e tremem." Tg 2,14-19
    Por isso, São Paulo define a verdadeira caridade, seja material seja espiritual, como a íntima e estável disposição para fazer a vontade de Deus: "Ainda que distribuísse todos meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!" 1 Cor 13,3
    São Pedro dá mais uma luz sobre a 'rede de pesca' da Salvação. Ela estaria na variedade das Divinas Graças entre nós distribuídas para construção da Igreja, o Corpo de Cristo: "Como bons administradores da multiforme Graça de Deus, cada um coloque à disposição dos outros o dom que recebeu." 1 Pd 4,10
    E ponderando sobre a fé, as obras ou a pura Graça, São Paulo fala sobre a Graça Santificante: "É pela Graça que fostes salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós: é dom de Deus! Não provém das obras, para que ninguém se glorie." Ef 2,8-9
    Ele vai dizer a São Timóteo: "Deus salvou-nos e chamou-nos para a santidade, não em atenção às nossas obras, mas em virtude de Seu desígnio, da Graça que desde a eternidade nos destinou em Cristo Jesus..." 2 Tm 1,9
    Diz Quem nos capacita para guardar a Sã Doutrina: "Guarda o Precioso Depósito, pela virtude do Espírito Santo que em nós habita." 2 Tm 1,14
    Diz aos tessalonicenses Quem nos faz progredir e nos confirma em santidade: "Que o Senhor vos faça crescer e avantajar em mútua caridade e para com todos homens, como é nosso amor para convosco. Que Ele confirme vossos corações e os torne irrepreensíveis e santos em presença de Deus, Nosso Pai..." 1 Ts 3,12-13a
    Também aos coríntios: "Assim, nem o que planta nem o que rega é alguma coisa, mas só Deus, que faz crescer." 1 Cor 3,7
    E afirma aos filipenses: "Porque é Deus, segundo Seu beneplácito, Quem realiza em vós o querer e o executar." Fl 2,13
    Os seguidores de sua tradição dizem o mesmo: "E o Deus da Paz... queira dispor-vos ao bem e  conceder-vos que cumprais Sua vontade, em vós realizando Ele próprio o que é agradável a Seus olhos, por Jesus Cristo..." Hb 13,20a.21a
    São Judas Tadeu: "Àquele que é poderoso para preservar-nos de toda queda, e diante de Sua Glória apresentar-nos imaculados e cheios de alegria..." Jd 24
    Assim como o salmista, que já cantava: "O Senhor completará o que em meu auxílio começou. Não abandoneis, Senhor, a obra de Vossas mãos." Sl 137,8
    E o próprio Jesus: "Quem permanecer em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto. Porque sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,5b
    São Paulo explicou, por fim, o que devemos à fé, ao Evangelho e à imprescindível ação do Espírito Santo, que invariavelmente requerem nossa boa vontade: "... porque desde o princípio Deus vos escolheu para dar-vos a Salvação, pela santificação do Espírito e pela fé na Verdade. E pelo anúncio do nosso Evangelho chamou-vos para tomardes parte na Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Ts 2,13-14
    De fato, quando São Pedro proclamou seu voto, e assim decidiu o Primeiro Concílio da Igreja em Jerusalém, ele já expressava que a Salvação não poderia ser exclusivamente alcançada por pessoais méritos, sejamos judeus ou não judeus: "Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e disse-lhes: 'Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que de minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho e cressem. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo da mesma forma que a nós. Nós cremos que pela Graça do Senhor Jesus seremos salvos, exatamente como eles.'" At 15,7-8.11
    E após curar um paralítico à porta do Templo de Jerusalém, corajosamente disse aos sacerdotes e anciãos judeus em Quem está nossa Redenção: "Esse Jesus, pedra que por vós edificadores foi desprezada, tornou-Se a pedra angular. Em nenhum outro há Salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo Qual devamos ser salvos." At 4,11-12
    Para completar, Jesus ainda falou de uma purificação pós-morte, feita pelo fogo. É o que a Igreja chama de Purgatório, pois tais punições dão-se em diferentes graus, em função do quanto foi revelado a cada um: "Aquele servo que conheceu a Vontade de Seu Senhor, mas não se preparou e não agiu conforme Sua vontade, será açoitado muitas vezes. Todavia, aquele que não a conheceu e tiver feito coisas dignas de chicotadas, será açoitado poucas vezes. Àquele a quem muito se deu, muito será pedido, e a quem muito se houver confiado, mais será reclamado." Lc 12,47-48
    Assim a Palavra de Deus e a fé, para aqueles que as abraçam, são bênçãos e especiais Graças. Não há dúvida quanto a isso. Mas não representam apenas privilégios ou garantia de Salvação em comparação aos que não as abraçaram. Antes são obrigações de testemunhar, pois as dádivas de Deus não podem ser nem sonegadas nem esquecidas: "Depois Jesus começou a censurar as cidades, onde tinha feito grande número de Seus milagres, por terem-se recusado a arrepender-se: 'E tu, Cafarnaum, serás elevada ao Céu? Não! Serás atirada até o inferno! Porque se Sodoma tivesse visto os milagres que dentro de teus muros foram feitos, até este dia subsistiria. Por isso, digo-te: no Dia do Juízo, haverá menor rigor para Sodoma que para ti!'" Mt 11,23-24
    E como São Pedro revelou, bem como Nossa Senhora de Akita, a mão de Deus primeiro pesará sobre a Igreja: "Porque vem o momento em que se começará o Julgamento pela Casa de Deus." 1 Pd 4,17a
    Não estanhemos, pois, se no dia do Juízo Final muitos forem salvos. Não seria sensato duvidar do sucesso de Jesus em Sua Missão. Ele afirmou a força de Sua Paixão: "E quando Eu for elevado da terra, a Mim atrairei todos homens." Jo 12,32
    Não foi à toa que Ele Se apresentou como a própria Salvação: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6
    E foi isso que constatou o religioso Simeão, quando da Apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém: "Agora, Senhor, deixai ir em Paz Vosso servo, segundo Vossa Palavra. Porque meus olhos viram Vossa Salvação, que preparastes diante de todos povos, como Luz para iluminar as nações e para a glória de Vosso povo de Israel." Lc 2,29-32



    "Salvador do mundo, salvai-nos! Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição."