Alguns dias após multiplicar pães e peixes para milhares de pessoas, Jesus encontrava-Se com os Apóstolos nas proximidades da cidade de Cesareia de Filipe. Aí vai questioná-los, para constatar se realmente sabiam Quem Ele era. Inspirado pelo Pai (cf. Mt 16,17), São Pedro, é quase sempre ele o interlocutor entre Nosso Senhor e os demais Apóstolos, respondeu com convicção, como está no Evangelho segundo São Mateus: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo!" Mt 16,16
E é então Jesus identifica São Pedro como a pedra fundamental da Igreja Viva, a única, que Ele chamou de Sua. Aí também fez dele a 'ponte', o Pontífice entre o Céu e a Terra: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu dá-te-ei as chaves do Reino dos Céus: tudo que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na Terra será desligado nos Céus." Mt 16,18-19Identificados Criador e criatura, Nosso Salvador passou a revelar-lhes Sua Paixão: "Desde então Jesus começou a manifestar a Seus discípulos que precisava ir a Jerusalém e muito sofrer da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas. Seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia." Mt 16,21
Não eram tão boas notícias para aquele sofrido povo, que longamente esperou e acreditava numa imediata Salvação. Mas Jesus guardava-lhes, assim como para qualquer um de nós, indizíveis consolações, e uma delas era Sua Transfiguração, que aconteceria no sexto dia após esta declaração de São Pedro, ou seja, no último dia daquela intensa semana, antes do sétimo dia, o de guarda.
Além de um dos momentos em que Jesus Se revela Deus, pelo resplendor de Sua Glória, também é um dos poucos, nas Escrituras, de conjunta manifestação da Santíssima Trindade, na qual o Espírito Santo assume a forma de nuvem, uma de Suas sete:
"Seis dias depois, Jesus tomou Consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte, a uma alta montanha. Lá Se transfigurou em presença deles: Seu rosto brilhou como o sol, Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias, conversando com Ele.
Então Pedro tomou a palavra e disse-Lhe:
- Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, aqui farei três tendas: uma para Ti, uma para Moisés e outra para Elias.
Ainda falava ele, quando veio uma luminosa nuvem e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz, que dizia:
- Eis Meu Amado Filho, em Quem pus toda Minha afeição. Ouvi-O!
Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo.
Mas Jesus aproximou-Se deles e tocou-os, dizendo:
- Levantai-vos e não temais.
Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão Jesus.
E quando desciam, Jesus fez-lhes esta proibição:
- Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos."
Mt 17,1-9
"OUVI-O!"
Também foi durante a Transfiguração, portanto, quando disse 'ouvi-O', que o Pai confirmou Jesus enquanto o Profeta 'como Moisés', prometido através deste grande líder havia séculos, a Quem todos nós devemos ouvir. O Livro de Deuteronômio registrou estas palavras de Moisés aos israelitas: "O Senhor, Teu Deus, dentre teus irmãos suscitá-te-á um Profeta como eu. É a Ele que devereis ouvir. E o Senhor disse-me: '... pô-Lhe-ei Minhas Palavras em Sua boca, e Ele fá-lhes-á conhecer Minhas ordens. Mas aquele que se recusar a ouvir o que Ele de Minha parte disser, disso lhe pedirei contas.'" Dt 18,15.18-19
Nesse episódio, ademais, as presenças de Moisés e Elias, o primeiro que representa a Lei e o segundo, os Profetas, síntese do Antigo Testamento, confirmam a história da Salvação iniciada por Deus através deste povo, que até Sua Vinda detinha a Palavra de Deus (cf. Mt 11,13), como Jesus declarou à samaritana junto ao poço de Jacó, ao oferecer-lhe Água Viva. O Evangelho segundo São João apontou: "Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22
Ainda confirma a Transfiguração, e também pelas presenças de Moisés e Elias, o início da Nova e Eterna Aliança na Pessoa de Jesus, uma vez que estes são os maiores personagens bíblicos judeus e vieram ter com Ele, em Quem se cumpriam as Escrituras, como Ele mesmo afirmou, falando aos líderes religiosos de Jerusalém: "Vós perscrutais as Escrituras julgando encontrar nelas a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim." Jo 5,39
Também lhes disse: "Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim, porque ele escreveu a Meu respeito." Jo 5,46
Também lhes disse: "Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim, porque ele escreveu a Meu respeito." Jo 5,46
E se Moisés e Elias vieram ter com Jesus, não menos importantes para a cristandade são São Pedro, São Tiago Maior e São João Apóstolo, que presenciaram a Transfiguração. Dos Doze, eles são os mais íntimos Apóstolos de Nosso Senhor, privilegiadas e exclusivas testemunhas de pelo menos dois outros relevantíssimos momentos, como a ressurreição da filha de Jairo, chefe da sinagoga de Cafarnaum (cf. Mc 5,37) e agonia de Jesus no Horto das Oliveiras (cf. Mc 14,33). São Tiago Maior, o São Tiago de Compostela, seria o primeiro mártir dos Apóstolos (cf. At 12,2), e São Pedro e São João, junto a São Tiago Menor, seriam chamados as "colunas" da Santa Igreja Católica (cf. Gl 2,9).
Tão importante, esse evento também foi citado no Evangelho segundo São Marcos, sendo muito provavelmente dele o original que nos chegou, e ainda no Evangelho segundo São Lucas, que apontou que Jesus subiu o monte para rezar, revelou o assunto que Ele conversou com Moisés e Elias, e expressamente falou da "Glória de Jesus". O Amado Médico relatou:
"Passados uns oitos dias, Jesus tomou Consigo Pedro, Tiago e João, e subiu ao monte para orar. Enquanto orava, Seu rosto transformou-se e Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que com Ele falavam dois personagens: eram Moisés e Elias, que apareceram envoltos em Glória e conversavam sobre a Morte d'Ele, que havia de cumprir-se em Jerusalém.
Entretanto, Pedro e seus companheiros tinham-se deixado vencer pelo sono. Ao despertarem, viram a Glória de Jesus e os dois personagens em Sua companhia. Quando estes se apartaram de Jesus, Pedro disse:
- Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias!...
Ele não sabia o que dizia.
Enquanto assim ainda falava, veio uma nuvem e encobriu-os com Sua sombra. E os discípulos, vendo-se desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor.
Então da nuvem saiu uma voz:
- Este é Meu amado Filho. Ouvi-O!
E enquanto ainda ressoava esta voz, Jesus achou-Se sozinho."
- Mestre, é bom estarmos aqui. Podemos levantar três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias!...
Ele não sabia o que dizia.
Enquanto assim ainda falava, veio uma nuvem e encobriu-os com Sua sombra. E os discípulos, vendo-se desaparecer na nuvem, tiveram um grande pavor.
Então da nuvem saiu uma voz:
- Este é Meu amado Filho. Ouvi-O!
E enquanto ainda ressoava esta voz, Jesus achou-Se sozinho."
Lc 9,28-36a
Aliás, para melhor exprimir este glorioso fenômeno, absolutamente sobrenatural, São Marcos disse do efeito da Transfiguração na túnica e no manto de Jesus: "Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a Terra pode fazê-las assim tão brancas." Mc 9,3
A Transfiguração, pois, sinaliza para a passageira condição da carne, que haverá de ser transformada. Sobre o Dia da Definitiva Volta de Jesus, consta da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "Eis que vos revelo um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta, porque a trombeta soará. Os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. É necessário que este corruptível corpo se revista da incorruptibilidade, e que este corpo mortal se revista da imortalidade." 1 Cor 15,51-53
Ele explica, citando o Livro de Gênesis: "Assim também é a Ressurreição dos mortos. Semeado na corrupção, o corpo ressuscita incorruptível; semeado no desprezo, ressuscita glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita vigoroso; semeado corpo animal, ressuscita corpo espiritual. Se há um corpo animal, também há um espiritual. Como está escrito: 'O primeiro homem, Adão, foi feito vivente alma (Gn 2,7)'; o Segundo Adão é Vivificante Espírito. Mas não é o espiritual que vem primeiro, e sim o animal; o espiritual vem depois. O primeiro homem, tirado da terra, é terreno; o Segundo veio do Céu. Qual o homem terreno, tais os homens terrenos; e qual o Homem Celestial, tais os homens celestiais. Assim como reproduzimos em nós as feições do homem terreno, precisamos reproduzir as feições do Homem Celestial." 1 Cor 15,42-49
E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios diz de nosso corpo: "Com efeito, sabemos que ao desfazer-se a tenda, que neste mundo habitamos, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma eterna habitação no Céu. E por isto suspiramos e anelamos ser sobrevestidos de nossa celeste habitação, contanto que sejamos achados vestidos e não despidos. Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma nova veste por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela Vida. Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que por penhor nos deu Seu Espírito. Por isso estamos sempre cheios de confiança. Sabemos que todo tempo que passamos no corpo é um exílio longe do Senhor. Andamos na fé e não na visão." 2 Cor 5,1-7
Ora, a Carta de São Paulo aos Colossenses diz o que significa a verdadeira conversão: "Vós despiste-vos do velho homem, com seus vícios, e revestiste-vos do novo, que constantemente vai restaurando-se à imagem d'Aquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento." Cl 3,9-10
Esse processo, portanto, de 'reproduzir as feições do Homem Celestial', deve ser ativado desde já e para tanto temos a Santa Missa, na qual nos oferecemos em sacrifício, revivendo e atualizando a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Carta de São Paulo aos Romanos prega, dizendo do respeito que devemos ao dom da fé de nossos irmãos: "Eu exorto-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em vivo, santo e agradável sacrifício a Deus: este é vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vosso espírito para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que Lhe agrada e o que é perfeito. Em virtude da Graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios maior opinião do que convém, mas um razoavelmente modesto conceito, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu." Rm 12,1-3
Pois se todos ressuscitarão, nem todos terão o mesmo destino nesta nova carne, como Jesus asseverou, de Si falando em terceira Pessoa: "Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos que se acham nos sepulcros sairão deles ao som de Sua voz: os que praticaram o bem irão para a Ressurreição da Vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados." Jo 5,28-29
Quanto aos que forem justificados após a Ressurreição da Carne, Ele prometeu algo como Sua Transfiguração: "Então, no Reino de Meu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça." Mt 13,43
"A todos saciai com Vossa Glória!"
Pois se todos ressuscitarão, nem todos terão o mesmo destino nesta nova carne, como Jesus asseverou, de Si falando em terceira Pessoa: "Não vos maravilheis disso, porque vem a hora em que todos que se acham nos sepulcros sairão deles ao som de Sua voz: os que praticaram o bem irão para a Ressurreição da Vida, e aqueles que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados." Jo 5,28-29
Quanto aos que forem justificados após a Ressurreição da Carne, Ele prometeu algo como Sua Transfiguração: "Então, no Reino de Meu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça." Mt 13,43
"A todos saciai com Vossa Glória!"