terça-feira, 4 de março de 2025

As Tentações


    Antes que meros impulsos humanos, logo naturais, a Carta de São Tiago ensina que somos tentados por nossas propensões para o pecado, ou seja, por desregradas paixões: "Ninguém, quando for tentado, diga: 'É Deus Quem me tenta.' Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado por sua própria concupiscência, que o atrai e alicia." Tg 1,13-14
    Do contrário, o amor também seria um impulso natural, e continuaria sendo exigível por ser mais benéfico, como Jesus revelou em última noite entre os Apóstolos, no Evangelho segundo São João: "Este é Meu Mandamento: amai-vos uns aos outros, como Eu vos amo. Ninguém tem maior amor que Aquele que dá Sua vida por Seus amigos." Jo 15,12-13
    Pois o amor é a mais elevada virtude, na lição da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "O amor jamais acabará. As profecias desaparecerão, o dom das línguas cessará, o dom da ciência findará. Por ora subsistem a , a esperança e o amor, as três. Porém, a maior delas é o amor." 1 Cor 13,8.13
    Mas se as tentações não vêm de Deus, devemos saber que Ele as permite, como se lê na história de Tobit, no Livro de Tobias, seu filho, pois assim é Sua obra para a Salvação das almas: "Deus permitiu que lhe acontecesse essa prova, para que sua paciência, como a do santo homem Jó, servisse de exemplo à posteridade. Como sempre havia temido a Deus desde sua infância, e guardado Seus Mandamentos, ele não se afligiu nem murmurou contra Deus por ter sido atingido pela cegueira. Mas perseverou firme no temor de Deus, e continuou a dar-Lhe graças em todos dias de sua vida." Tb 2,12-14
    De fato, no Livro de Jó, Deus permitiu que Satanás lhe tirasse tudo, inclusive seus familiares: "Mas Satanás respondeu ao Senhor: 'É a troco de nada que Jó teme a Deus? Não cercastes como de uma muralha sua pessoa, sua casa e todos seus bens? Abençoais tudo quanto ele faz e seus rebanhos cobrem toda a região. Mas estendei Vossa mão e tocai em tudo que ele possui. Juro-Vos quve Vos amaldiçoará em Vossa face.' 'Pois bem!', respondeu o Senhor. 'Tudo que ele tem está em teu poder, mas não estendas tua mão contra sua pessoa.'" Jó 1,9-12a
    Aliás, segundo nova ordem de Deus, ele 'estenderia sua mão' contra Jó, ferindo-lhe de lepra maligna por todo corpo: "O Senhor disse-lhe: 'Notaste Meu servo Jó? Não há ninguém igual a ele na Terra: íntegro, reto, temente a Deus e afastado do mal. Persevera sempre em sua integridade. Foi em vão que me incitaste a perdê-lo. 'Pele por pele!', respondeu Satanás. 'O homem dá tudo que tem para salvar a própria vida. Mas estendei Vossa mão, tocai-lhe nos ossos, na carne. Juro que Vos renegará em Vossa face.' O Senhor disse a Satanás: 'Pois bem, ele está em teu poder, poupa-lhe apenas a vida.'" Jó 2,3-6
    Ora, no Evangelho segundo São Lucas, Jesus mesmo revelou, após a Santa Ceia: “Simão, Simão, saiba que Satanás insistentemente pediu para peneirar-vos como trigo. Mas Eu rezei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. Pois quando tu te converteres, confirma teus irmãos” Lc 22,31-32
    Porque também existe a obra do inimigo, aquele que, conhecedor dessas fraquezas, quer arrastar-nos à perdição. A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses admite: "... pois receava que o tentador vos tivesse seduzido, e em nada resultasse nosso trabalho." 1 Ts 3,5
    É o que a Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo expressamente diz, dos que caem nos: "... laços do Demônio, que os mantém cativos e submetidos a seus caprichos." 2 Tm 2,26b
    Sabemos, ademais, que, por força da Graça de Deus manifesta na proteção de nosso Anjo da Guarda, a dominação do Maligno não se dá de uma só vez. Foi o que São João Evangelista relatou sobre Judas Iscariotes, um dos Apóstolos: "Durante a Ceia, quando o Demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-Lo..." Jo 13,2
    Contudo, como São Paulo disse, a dominação pode ser total. São João ainda registrou sobre a Santa Ceia: "Nesse momento, depois do Pão, Satanás entrou em Judas." Jo 13,27
    De fato, ao dizer com que poder realizava exorcismos, Jesus explicou passo-a-passo como se dava uma possessão. É do Evangelho segundo São Mateus: "Mas se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus. Como pode alguém entrar na casa de um forte homem e roubar-lhe os bens, sem primeiro ter amarrado este forte homem? Só então pode roubar sua casa!" Mt 12,28-29

OS TRÊS ESTÁGIOS DA TENTAÇÃO

    São:
    1º - Sugestão - o tentador, conhecedor de nossos pecados, usa de ideias, de coisas ou de pessoas que manipula, para sugerir o pecado. Já lemos de São Tiago Menor: "Cada um é tentado por sua própria concupiscência, que o atrai e alicia." Tg 1,14
    2º - Prazer - em resposta, porque desprovido da Graça ou por reincidente fraqueza, o tentado deleita-se tão somente em imaginar o pecado sugerido. Segundo Jesus, aí o pecado já aconteceu: "... todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou em seu coração." Mt 5,28; Em mesmo sentido, São Tiago afirma: "A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado..." Tg 1,15a
    3º - Assentimento - o pecador, por fim, consente em pecar, e a tentação torna-se um pecado consumado. Segundo São Tiago, nesse momento voluntariamente abraçamos o caminho da perdição: "... e o pecado, uma vez consumado, gera a morte." Tg 1,15b

    Na Primeira Carta de São João, aprendemos que a propensão ao pecado nada tem de Deus, e age em nós através da exacerbação das necessidades fisiológicas, da cobiça e da vaidade: "Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas do mundo." 1 Jo 2,16
    Porém, para que ninguém se engane atribuindo demasiado poder às tentações, São Paulo avisa: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além de vossas forças, mas, diante da tentação, Ele dá-vos-á os meios de suportá-la e sairdes dela." 1 Cor 10,13
    Foi o que Deus disse a Caim, momentos antes de ele matar Abel, na leitura do Livro de Gênesis: "Se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te. Mas tu deverás dominá-lo." Gn 4,7b
    A Primeira Carta de São Pedro até vê com normalidade tais eventos na vida de um cristão: "Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse algo extraordinário. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que possais alegrar-vos e exultar no Dia em que for manifestada Sua Glória." 1 Pd 4,12-13
    Ele diz: "É isto que constitui vossa alegria, apesar de passageiras aflições ainda a serem-vos causadas por diversas provações..." 1 Pd 1,6
    E a Segunda Carta de São Pedro também garante: "... é porque o Senhor sabe livrar das provações os piedosos homens, e reservar os ímpios para serem castigados no Dia do Juízo, principalmente aqueles que correm com impuros desejos atrás dos prazeres da carne e desprezam a autoridade. Audaciosos, arrogantes, não temem falar injuriosamente das Glórias..." 2 Pd 2,9-10
    Por isso, São Tiago Menor elogia e assegura: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da Vida que Deus prometeu aos que O amam." Tg 1,12

JESUS FOI TENTADO

    Ao ser tentado, como São Lucas narrou, Nosso Salvador prontamente tudo rejeitava quando ainda eram sugestões. E em três respostas, confirmando o valor da Revelação, Ele cita o Livro de Deuteronômio.


    Na primeira tentação, foi-Lhe oferecido comida, pois estava jejuando no deserto. Além de fisiológica necessidade, porém, nesse caso a comida representa os mundanos prazeres, como a gula:

    "Então Lhe disse o Demônio:
    - Se és o Filho de Deus, ordena a esta pedra que se torne pão.
    Jesus respondeu:
    - Está escrito: 'Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra de Deus' (Dt 8,3)." Lc 4,3-4


    Na segunda, o Diabo, mentiroso, mesmo sem ser dono de nada, pois apenas domina alguns maus administradores, oferece-Lhe riquezas e poder em troca da negação de Deus. Vale dizer, aí estão três das mais sérias e recorrentes ilusões, verdadeiras idolatrias do ideário humano: o dinheiro, o poder e o ateísmo:

    "Em seguida, o Demônio levou-O a um alto monte e mostrou-Lhe num só momento todos reinos da Terra, e disse-Lhe:
    - Dá-Te-ei todo poder e a glória desses reinos, porque me foram dados, e dou-os a quem quero. Portanto, se Te prostrares diante de mim, tudo será Teu.
    Jesus disse-lhe:
    - Está escrito: 'Adorarás o Senhor Teu Deus, e só a Ele servirás (Dt 6,13).'" Lc 4,5-8


    Na terceira, maliciosamente usando do conhecimento das Escrituras, em específico o Livro de Salmos, o Diabo propõe que Jesus teste, de suicida maneira, os poderes de Deus. Aqui também estão representadas algumas meramente humanas exigências, como querer a divina proteção em atos de deliberada loucura, pois, sem a inspiração do Espírito Santo, ignoram a real natureza da Divina Providência e menosprezam o projeto de Deus:

    "O Demônio ainda O levou a Jerusalém, ao mais alto ponto do Templo, e disse-Lhe:
    - Se és o Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo. Porque está escrito: 'Ordenou a Seus anjos a teu respeito que te guardassem. E que te sustivessem em suas mãos, para não ferires teu pé em pedra alguma' (Sl 90,11s.).
    Jesus disse:
    - Foi dito: 'Não tentarás o Senhor Teu Deus' (Dt 6,16)." Lc 4,9-12

    Destas passagens, fica mais um importante detalhe: o inimigo, que tem o poder de 'sussurrar' ideias e palavras à nossa mente, procura oportunas ocasiões para tentar-nos. De fato, ainda sobre as tentações de Jesus no deserto, o Amado Médico relata: "Depois de tê-Lo tentado de todos modos, o Demônio apartou-se d'Ele até outra ocasião." Lc 4,13
     O Evangelho segundo São Marcos, por fim, diz da duração destas provações, das condições em que Ele as enfrentou e do divino auxílio que não falta aos filhos de Deus: "Aí esteve quarenta dias. Foi tentado pelo Demônio e vivia entre as feras. E os anjos serviam-nO." Mc 1,13b

CONSELHOS E PROTEÇÃO DE DEUS

    Dada a seriedade deste assunto e a gravidade do problema, no Pai Nosso, que, mais que diária, deve ser uma frequente oração, Jesus ensinou-nos a pedir: "... e não nos deixeis cair em tentação..." Mt 6,13
    Contudo, caso caiamos, na mesma oração Ele ensinou a pedir a Pai que nos livrasse do completo domínio do Maligno: "... mas (caso isso aconteça) livrai-nos do Mal." Idem
    Ora, perante os principais dos judeus em Jerusalém, Jesus descreveu-o como muito perigoso: "Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na Verdade, porque a Verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira." Jo 8,44
    Referindo-Se a suas dissimulações, mas igualmente perversas, disse mais: "O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir." Jo 10,10a
    Na parábola do joio e o do trigo, explicou como ele tem minado o projeto da Salvação: "O Reino dos Céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu." Mt 13,24-25
    Sabendo que ele tentaria destruir a Santa Igreja Católica desde sua fase embrionária, na pessoa dos Apóstolos, liderados por São Pedro, Jesus disse-lhe antes de partir para o Horto das Oliveiras, onde se iniciaria Sua Paixão: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para peneirar-vos como o trigo, mas Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma teus irmãos." Lc 22,31
    E já no Horto, enquanto agonizava, recomendou como devemos resistir: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." Mt 26,41
    Mas havia garantido, quando foi identificado pelo Príncipe dos Apóstolos como o Cristo, que a Igreja seria nosso indestrutível refúgio: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18
    Falando sobre Suas ovelhas, também assegurou: "... ninguém as roubará de Minha mão. ... ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai." Jo 10,27a.28b.29b
    Pois pela Comunhão, Jesus, o Pai e o Espírito Santo garantem total proteção, como Ele rezou na Oração da Unidade, enquanto Se despedia dos Apóstolos: "Pai Santo, guarda-os em Teu Nome, que Me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como Nós. Enquanto Eu estava com eles, Eu guardava-os em Teu Nome... Conservei os que Me deste, e nenhum deles se perdeu exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura." Jo 17,11b-12a.c
    De fato, São Pedro testemunhou: "... vós que, por causa de vossa fé, sois guardados pelo poder de Deus..." 1 Pd 1,5a
    E Jesus, dirigindo-Se aos líderes judeus, estabeleceu uma sucinta, porém marcante distinção: "Quem é de Deus ouve as palavras de Deus, e se vós não as ouvis é porque não sois de Deus." Jo 8,47
    Não deixou de explicar, entretanto, como o inimigo age e distrai os mal-ouvidos. Foi na parábola do Semeador: "Aqueles que estão à beira do caminho são aqueles que ouvem. Mas depois vem o Demônio e tira-lhes a Palavra do coração, para que não creiam nem se salvem." Lc 8,12
    São João Apóstolo, no mesmo sentido, pelo comportamento percebia quem realmente crê em Deus: "Aquele que diz conhecê-Lo e não guarda Seus Mandamentos é mentiroso, e a Verdade não está nele. Aquele, porém, que guarda Sua Palavra, nele o amor de Deus verdadeiramente é perfeito. É assim que conhecemos se estamos n'Ele: aquele que afirma permanecer n'Ele também deve viver como Ele viveu." 1 Jo 2,4-6
    Grande místico, ele não tinha dúvida sobre a realidade do ser humano: "... o mundo todo jaz sob o Maligno." 1 Jo 5,19b
     Porque com a chegada de Jesus ao Céu, junto ao Pai temos nosso Vitorioso Defensor, mas o Diabo, o acusador, foi precipitado à Terra. Está no Livro do Apocalipse de São João: "Eu ouvi no Céu uma forte voz que dizia: 'Agora chegou a Salvação, o poder e a realeza de Nosso Deus, assim como a autoridade de Seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que dia e noite os acusava diante do Nosso Deus. Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e todos que aí habitais. Mas, ó Terra e mar, cuidado! Porque o Demônio desceu para vós, cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta.'" Ap 12,10.12
    Uma vez aqui na Terra, desde então ele tem perseguido os filhos de Nossa Mãe Celeste, ou seja, a Igreja: "Este, então, irritou-se contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de seus filhos, aos que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,17
    Por isso, São Pedro exorta-nos a resistir, lembrando que Deus nos concede a virtude da fortaleza: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o Demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda Graça, que em Cristo vos chamou à Sua Eterna Glória, depois que tiverdes padecido um pouco, aperfeiçoar-vos-á, tornar-vos-á inabaláveis, fortificar-vos-á." 1 Pd 5,8-10
    Denunciando a cobiça e suas consequentes aflições, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo recomenda a prática de virtudes: "Mas tu, ó homem de Deus, foge desses vícios e com todo empenho procura a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão." 1 Tm 6,11
    Prega, portanto, a autêntica religiosidade: "Exercita-te na piedade. Se o corporal exercício traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da presente e da futura Vida. Eis uma verdade absolutamente certa e digna de fé: se nos afadigamos e sofremos ultrajes, é porque pusemos nossa esperança em Deus Vivo, que é o Salvador de todos homens, sobretudo dos fiéis." 1 Tm 4,8-10
    Também condena as ilusões e os vãos debates, aconselhando a convivência com os verdadeiros membros da Igreja: "Foge das paixões da mocidade, empenha-te em buscar a justiça, a fé, a caridade, a Paz, em companhia daqueles que invocam o Senhor com pureza de coração. Rejeita as tolas e absurdas discussões, visto que geram contendas." 2 Tm 2,22-23
    E São João Evangelista exalta a Comunhão que se vive na Igreja, que pelo Sangue de Cristo nos livra da condenação: "Deus é Luz e n'Ele não há treva alguma. Se dizemos ter Comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos Comunhão uns com os outros e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,5b-7
    Aliás, até o cego de nascença curado por Jesus sabia quem é ouvido por Deus. Ele disse aos judeus que perseguiam Nosso Senhor: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31
    A Carta de São Paulo aos Gálatas, pois, pede solicitude para com aqueles que estão em pecados. Dando, no entanto, uma sutil advertência em função da perigosa natureza do pecado: "Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. Mas tem cuidado de ti mesmo, para que também não caias em tentação!" Gl 6,1-2
    E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios explica: "Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos suas maquinações." 2 Cor 2,11
    Nesse sentido, São Tiago Menor denuncia: "Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros? Cobiçais, e não recebeis. Sois invejosos e ciumentos, e não conseguis o que desejais. Litigais e fazeis guerra. Não obtendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes vossas paixões. Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." Tg 4,1-4
    E tal qual São João Evangelista, como solução aponta a perfeita obediência aos Mandamentos de Deus: "Sede submissos a Deus. Resisti ao Demônio, e ele fugirá para longe de vós." Tg 4,7
    Com efeito, São Pedro, ao testemunhar a Ressurreição de Jesus perante o Sinédrio, afirma que só pela obediência a Deus se pode receber o Santo Espírito. O Livro de Atos dos Apóstolos apontou: "Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32
    E o Amado Discípulo só atestou a santidade através da Unção do Espírito Santo, a Quem chama de 'Germe de Deus', que nos é concedida pela Graça dos Sacramentos e se manifesta na virtude da temperança: "Todo aquele que é nascido de Deus não peca, porque o Divino Germe nele reside... ... o que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca." 1 Jo 3,9a;5,18b
    Ele diz que o Santo Paráclito é o grande diferencial do cristão: "Quem observa Seus Mandamentos, permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24
    A Carta de São Paulo aos Romanos, contrastando o Antigo e o Novo Testamento, também garante: "O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a Lei, e sim sob a Graça." Rm 6,14
    E assim explica o feito do Pentecostes: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,2-4
    Segundo ele, os que vivem os Mandamentos sufocam até mesmo as propensões ao pecado: "Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, também andemos de acordo com o Espírito." Gl 5,24-25
    Essa, contudo, de jeito algum será a tendência dos tempos finais. Bem ao contrário, revelou São Pedro: "Antes de tudo, sabei o seguinte: nos últimos tempos virão escarnecedores cheios de zombaria, que viverão segundo suas próprias concupiscências." 2 Pd 3,3
    Cientes de nossa falibilidade, portanto, e da difícil luta contra os pecados, é consolador sabermos que em Jesus temos uma nova chance. São João Evangelista trata de estimular-nos: "No entanto, se alguém pecar, junto ao Pai temos um Defensor: Jesus Cristo, o Justo." 1 Jo 2,1
    Ademais, Jesus ensinou a Santa Faustina do especial poder que tem a Confissão: "... não lutes sozinha com a tentação, mas imediatamente conta-a ao confessor, e então a tentação perderá toda sua força." (Diário, 1560)

    "Santificai e reuni Vosso povo!"