sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Santa Josefina Bakhita


    Não sabemos seu nome de nascimento. Ela esqueceu-o por bloqueio traumático, devido ao sofrimento durante anos de escravidão na infância. Bakhita quer dizer afortunada, nome que lhe foi dado por seus sequestradores, quando aos cinco anos de idade a levaram de Darfur, região oeste do Sudão, país do Continente Africano.
    Foi várias vezes vendida e revendida no mercado das cidades de El Obei e Khartoum, capital do Sudão, padecendo todo tipo de humilhação. Por toda vida carregou uma tatuagem que fizeram enquanto servia a um general turco, além de numerosas marcas e desenhos no peito, na barriga e no braço direito, maldosamente feitos a navalha e cobertos com sal, para que não apagassem.
    Por volta dos 15 anos, pela Graça de Deus, foi comprada por Calisto Legnani, cônsul italiano, que, rendido por seu humilde olhar, sentiu que deveria libertá-la. Ele já havia resgatado muitas crianças, devolvendo-as aos seus pais, mas com Santa Josefina não foi possível: estava muito longe de sua região de origem e ela não recordava de nada. Acabou ficando em sua casa, ajudando em serviços domésticos. Dois anos mais tarde, porém, com a Revolta Mahadista em 1884, o cônsul teve que retornar a Itália com sua família e ela implorou que a levassem. Naqueles estrangeiros ela havia reencontrado e reconhecido o maternal e familiar carinho, que tivera quando muito pequenina.
    Ao chegarem a Itália, a pedido de Augusto Michieli, outro italiano que retornava do Sudão, foi viver com sua família próximo a Veneza. Ele e sua esposa encantaram-se com a ternura daquela jovem. Tiveram uma filha e Bakhita amavelmente tornou-se sua babá.
    Mas, para gerenciar um hotel, esse casal precisou voltar a África, e assim Bakhita e a criança foram entregues aos cuidados das Irmãs Canossianas do Instituto de Catecúmenos de Veneza. Aí, após alguns meses, em 1890, estimadamente aos 21 anos, ela foi batizada e adotou o nome de Josefina. Seu sorriso ficou ainda mais bonito. Quase sempre que passava pela pia batismal, ela beijava-a e dizia: "Aqui me tornei filha de Deus!"
    Em 1893, quando a esposa do casal retornou a Itália, Bakhita manifestou-lhe o firme propósito de entrar para a Congregação de Santa Madalena de Canossa, que acabou sendo atendido. Ela fez votos perpétuos em 1896, e estava radiante por servir a Deus, 'Meu Patrão', como ela O chamava.


    Na casa das irmãs, em Schio, na cidade de Vicenza, exerceu as mais variadas funções durante 50 anos. Foi cozinheira, responsável pelo guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. Trabalhou na Primeira Guerra Mundial como ajudante de enfermagem. Tudo fazia com tanto amor, e sempre com tão belo sorriso no rosto, que logo se tornou muito conhecida. Na portaria, afagava todas crianças que entravam o Instituto: via-as como se fossem seus filhos. E era visível como se desdobrava em carinho ao tratar os pobres e os enfermos que procuravam socorro em sua congregação. Sua contagiava. Todos à sua volta sentiam nela a presença de Deus.
    E com a curiosidade que despertava, bem como pela divulgação de sua origem e história, que logo foi contada em alguns livretos, de várias edições, passou a ser procurada por gente de toda Itália e admirada por sua religiosidade. Com cativante timidez, calma e doce voz e largos sorrisos, a todos dava os mais simples conselhos, embora marcantes, pois não falava muito bem o italiano e tinha dificuldades com o dialeto do Vêneto, região onde vivia: "Sejam boas, amem a Deus, rezem por aqueles que não O conhecem. Se soubésseis que grande Graça é conhecer a Deus!"
    Participou de várias campanhas missionárias pelo país, quando dizia algumas palavras nos finais das palestras, mas, de modo inesquecível, sempre emocionava a todos. Além de sua história, sua simples presença e seus modos encantavam multidões. Muito zelosa em servir a Deus em cada minuto de sua vida, o que conscientemente fazia pela Salvação de todos, falava às pessoas com quem conversava que quando chegasse aos Céus iria dizer a Ele: "Pai Eterno, agora podes julgar-me." E a São Pedro: "Pode fechar a porta, porque eu vou ficar."


    Enferma e sofridamente viveu seus últimos anos, mas sem deixar de mostrar seu costumeiro sorriso nem perder seu forte ânimo. Em seu leito de morte, tinha delírios e chorando pedia as enfermeiras que lhe tirassem as correntes, dizendo que eram muito pesadas. Intensamente revivia a agonia dos anos de escravidão.


    Morreu em 1947, à idade de quase 80 anos, e suas últimas palavras foram: "Nossa Senhora! Nossa Senhora!" Em seguida estampou no rosto seu conhecido sorriso.
    Em seu funeral, a congregação de Schio recebeu uma enorme multidão, que lá foi pedir pela intercessão da 'Santa Mãe Morena', como era conhecida, que desde então, todos tinham certeza, já estava no Céu.
    O milagre que valeu para sua canonização aconteceu no Brasil, em Santos, em 1992, quando, logo após sua beatificação, a senhora Eva Costa pediu sua intercessão e teve inteira, imediata e irreversivelmente sanadas incuráveis feridas.
    As relíquias de Santa Josefina Bakhita são veneradas no Santuário do Templo da Sagrada Família, em Schio.


    Santa Josefina Bakhita, rogai por nós!