domingo, 23 de novembro de 2025

Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo


    O Reinado de Cristo já está em vigor e sempre foi uma certeza, embora muitos teimem em não aceitar. No Evangelho Segundo São João, ao ser inquirido por Pilatos, Jesus afirmou: "'Meu Reino não é deste mundo. Se Meu Reino fosse deste mundo, Meus súditos certamente teriam pelejado para que Eu não fosse entregue aos judeus.' Então Lhe perguntou Pilatos: 'És, portanto, Rei?' Respondeu Jesus: 'Sim, Eu sou Rei. É para dar testemunho da Verdade que nasci e vim ao mundo. Todo aquele que é da Verdade, ouve Minha voz.'" Jo 18,36-37
    Falava mesmo da Unidade que em Si reuniria povos de todas nações, como Se referiu aos não judeus aos quais não evangelizaria pessoalmente, pois Se encaminhava para Sua Paixão, mas através da Santa Igreja Católica: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. Também preciso conduzi-las, e ouvirão Minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor." Jo 10,16
    Foi o que a Carta de São Paulo aos Efésios atestou, dizendo de Deus: "Ele manifestou-nos o misterioso desígnio de Sua vontade, que em Sua benevolência formara desde sempre, para o realizar na plenitude dos tempos, desígnio de em Cristo reunir todas coisas, as que estão nos Céus e as que estão na Terra." Ef 1,9-10
    E das revelações que teve, o Livro de Apocalipse de São João iria dizer de Maria Santíssima: "Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas pagãs nações com cetro de ferro." Ap 12,5a
    Pois o Arcanjo São Gabriel, anunciando Nosso Salvador, já havia revelado a Nossa Senhora no Evangelho Segundo São Lucas: "Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus dá-Lhe-á o trono de Seu pai Davi. Eternamente reinará na Casa de Jacó, e Seu Reino não terá fim." Lc 1,32-33
    Essa foi a constatação de São Bartolomeu Apóstolo, ao perceber a onisciência de Jesus no momento em que O encontrou, dois dias após ser batizado por São João Batista: "Falou-Lhe Natanael: 'Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel.'" Jo 1,49
    Sua instituição, no entanto, já se havia dado no próprio Céu 600 anos antes, feita por Deus Pai. O Livro do Profeta Daniel apontou: "Sempre olhando a noturna visão, vi um Ser, semelhante ao Filho do Homem, vir sobre as nuvens do Céu: dirigiu-Se para o lado do Ancião, diante de Quem foi conduzido. A Ele foram dados império, Glória e realeza, e todos povos, todas nações e todas línguas serviram-nO. Seu domínio será eterno, nunca cessará, e Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,13-14
    Ele mesmo já havia profetizado, ao interpretar um sonho de Nabucodonosor, rei de Babilônia: "... o Deus dos Céus suscitará um Reino que jamais será destruído e cuja soberania jamais passará a outro povo: destruirá e aniquilará todos outros, enquanto que ele eternamente subsistirá ." Dn 2,44b
    Conforme o Primeiro Livro de Crônicas, o rei Davi até cogitou a construção do Templo, mas Deus mesmo interveio e assim determinou a respeito da Igreja Católica Apostólica Romana, ou seja, do Corpo Místico de Cristo: "Quando Davi se instalou em sua casa, disse ao Profeta Natã: 'Eis que moro numa casa de cedro e a Arca da Aliança do Senhor está debaixo de uma tenda.' Natã respondeu: 'Faze o que teu coração te sugere, porque Deus está contigo.' Mas, na seguinte noite, a Palavra de Deus foi dirigida a Natã, nestes termos: 'Vai e dize a Davi, Meu servo: Eis o que diz o Senhor: Não és tu que Me construirás a Casa em que habitarei. Quando teus dias se acabarem e tiveres ido juntar-te a teus pais, levantarei tua posteridade após ti, num de teus filhos, e firmarei Seu Reino. É Ele que Me construirá uma casa, e para sempre firmarei Seu trono. Serei para Ele um Pai, e Ele será para Mim um Filho. E d'Ele nunca retirarei Meu favor, como retirei daquele que reinou antes de ti. Eu estabelecê-Lo-ei em Minha Casa e em Meu Reino para sempre, e Seu trono será firme por todos séculos.'" 1 Cr 17,1-3.11-14
    Aliás, o próprio Jesus afirmou esta invencibilidade em Sua Igreja, que é a representação material e espiritual de Seu Reino. Foi logo depois de ser reconhecido como o Cristo por São Pedro, no Evangelho Segundo São Mateus: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18
    O rei Davi, que também era Profeta, cantou essa promessa de Deus a Seu Amado Filho no Livro de Salmos: "O Senhor disse a Meu Senhor: 'Senta-Te a Minha direita até que Eu ponha Teus inimigos como um banquinho para Teus pés.'" Sl 109,1
    Ele bem sabia da grandeza que isso representa, pois já havia versado: "Nos Céus, o Senhor estabeleceu Seu trono, e Seu império estende-se sobre o universo. Bendizei ao Senhor todos Seus anjos, valentes heróis que cumpris Suas ordens, sempre dóceis a Sua Palavra. Bendizei ao Senhor todos Seus Exércitos, ministros que executais Sua vontade." Sl 102,19-21
    Ora, o trono do Pai é o trono de Jesus, pois Ele disse a São João Apóstolo: "... como Eu venci e Me sentei com Meu Pai em Seu trono." Ap 3,21b
    E Seu poder, como se pode imaginar, é absoluto. Na Carta aos Hebreus, seguidores da tradição de São Paulo afirmam: "Esplendor da Glória (de Deus) e imagem de Seu Ser, sustenta o universo com o poder de Sua Palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos Céus..." Hb 1,3
    Para sua união, portanto, a Igreja Católica está investida da Glória de Deus, que lhe concede a Unidade da Santíssima Trindade, como Nosso Senhor rezou ao Pai por Apóstolos, discípulos e seguidores depois da Santa Ceia: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    E como portentoso e cósmico sinal, sábios reis de pagãs nações, igualmente inspirados pelo Espírito Santo, viram e seguiram a Estrela que anunciava a Vinda do 'Rei dos judeus', sabendo que Ele é Deus, pois queriam adorá-Lo: "Tendo, pois, Jesus nascido em Belém de Judá, no tempo do rei Herodes, eis que magos vieram do Oriente a Jerusalém. Perguntaram eles: 'Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos Sua Estrela no Oriente e viemos adorá-Lo.'" Mt 2,1-2
    Com efeito, a despeito das características imprecisões das profecias, o salmista já cantava a eternidade de Seu reino: "Os reis de Társis e das ilhas trá-Lhe-ão presentes, os reis da Arábia e de Sabá oferecê-Lhe-ão seus dons. Assim Ele viverá e o ouro da Arábia sê-Lhe-á ofertado, por Ele sempre hão de rezar, e perpetuamente bendi-Lo-ão." Sl 71,10.15
    E tal reconhecimento espalhou-se pelo mundo nas pessoas de muitos reis cristãos, vários deles Santos e Santas, como São Luis, Santa Isabel da Hungria, Santa Margarida da Escócia, Santa Isabel de Portugal, São Miguel de Bulgária, São Fernando de Castela, Santo Henrique II imperador, Santo Eduardo III de Inglaterra, Santo Estevão de Hungria etc, o que justifica plenamente Seu título de Rei dos reis: "Todos reis hão de adorá-Lo, hão de servi-Lo todas nações." Sl 71,11
    Durante toda vida pública de Jesus, pois, a figura do Reino de Deus sempre esteve presente em Suas exortações e sermões. Quando Ele começou a pregar, por exemplo, Suas primeiras palavras foram um convite à purificação, para que pudéssemos entrar em Seu Reino: "Fazei penitência, porque o Reino dos Céus está próximo." Mt 3,2
    Mas essa penitência, também chamada de Sacramento de Reconciliação, deve ser precedida do Batismo, para que depois se receba a Santa Comunhão e, mais tarde, a Crisma. Sacramentos, aliás, exclusivamente ministrados pela Santa Igreja. Jesus revelou a Nicodemos, um sábio fariseu, em Sua primeira visita a Jerusalém em vida pública: "Em Verdade, em Verdade, digo-te: quem não renascer da Água e do Espírito, não poderá entrar no Reino de Deus." Jo 3,5
    E em tratando-se de penitência, Seu Reino é oferecido aos verdadeiramente humildes, como Ele pregou desde o Sermão da Montanha: "Bem-aventurados aqueles que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!" Mt 5,3
    Assim, Jesus mesmo instou-nos a buscar Seu Reino, o que  deve ser nossa meta: "Antes buscai o Reino de Deus e Sua justiça, e todas estas coisas sê-vos-ão dadas em acréscimo." Mt 6,33
    Porque, por Seus milagres, Ele deu-nos grandiosas provas do início de Seu Reinado. Quando advertiu aos fariseus, por exemplo: "Mas se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." Mt 12,28
    Não permitiu, porém, que as pessoas o confundissem com os reinos desse mundo, como aconteceu após a multiplicação dos pães e peixes: "Jesus, percebendo que queriam arrebatá-Lo e fazê-Lo rei, tornou a retirar-Se sozinho para o monte." Jo 6,15
    Pois no Evangelho Segundo São Marcos, aos Seus Ele prometia mais clara instauração do Reino no dia de Sua Ressurreição: "Em Verdade, digo-vos que estão aqui presentes alguns que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus chegando com poder." Mc 9,1
    E determinou como deve ser a hierarquia da Igreja Una, a parte visível de Seu Reino, pouco antes do Domingo de Ramos: "Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, faça-se vosso servo. E o que quiser tornar-se o primeiro entre vós, faça-se vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar Sua vida em resgate por uma multidão." Mt 20,26-28


IGREJA CATÓLICA, O REINO DE SACERDOTES

    E assim, como esse projeto também deve ser levado a cabo pelo ser humano, Jesus confiou as Chaves a São Pedro: "Eu dá-te-ei as Chaves do Reino dos Céus. Tudo que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na Terra será desligado nos Céus." Mt 16,19
    Por reconhecer nestes Sacerdotes a condução do Espírito de Deus, a Primeira Carta de São João anotou: "Aceitamos o testemunho dos homens." 1 Jo 5,9a
    E dirigindo-se aos fiéis, aferiu sobre o Sacramento da Crisma: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas coisas. Não vos escrevi como se ignorásseis a Verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira vem da Verdade." 1 Jo 2,20-21
    Pela mesma razão, a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses defendia a Sã Doutrina e os Sacerdotes da Santa Igreja Católica, seus depositários: "Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos deu Seu Espírito Santo." 1 Ts 4,8
    Por isso, Jesus pede pureza e inocência de criança a todos nós: "Em Verdade, declaro-vos: se não vos transformardes e não vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus. Aquele que se fizer humilde como esta criança, será maior no Reino dos Céus." Mt 18,3-4
    Seus Sacerdotes, portanto, devem viver a castidade, como Ele mesmo viveu: "Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda." Mt 19,12
    E tal condição é apenas mais um testemunho de fé dado pelo clero, antecipando nesse mundo o que haverá de ser nos Céus, como Ele corrigiu os saduceus: "Respondeu-lhes Jesus: 'Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus. Na Ressurreição, os homens não terão mulheres nem as mulheres, maridos, mas serão como os anjos de Deus no Céu.'" Mt 22,29-30
    Não por acaso, referindo-Se a São João batista, Ele severamente criticou a impenitência dos religiosos de Sua época, avisando-os de um mais longo período no Purgatório: "Em Verdade, digo-vos: os cobradores de impostos e as meretrizes precedem-vos no Reino de Deus! João veio a vós no Caminho da Justiça e não crestes nele. Os cobradores de impostos e as prostitutas, porém, creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para nele crerdes." Mt 21,31-32
    De tão sutil, porém, Seu Reino parece mesmo nem existir. Mas Ele assegurou-nos de sua ostensiva instauração: "A que é semelhante o Reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou em sua horta, e que cresceu até fazer-se uma grande planta e as aves do céu vieram fazer ninhos em seus ramos." Mt 13,18-19
    Pela boa vontade daqueles que acolhem Sua Palavra, no entanto, também garantiu que Seu Reino já se faz sensivelmente presente entre nós. E quanto a Sua Definitiva Volta, deixou claro que será inconfundível: "Um dia, os fariseus perguntaram a Jesus quando viria o Reino de Deus. Respondeu-lhes: 'O Reino de Deus não virá de ostensivo modo. Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está em meio a vós.' Mais tarde, Ele explicou aos discípulos: 'Virão dias em que desejareis ver o Filho do Homem por um só dia, e não O vereis. Então vos dirão: Ei-lo aqui; e: Ei-lo ali. Não deveis sair nem os seguir, pois como o relâmpago, que reluzindo numa extremidade do céu brilha até a outra, assim será com o Filho do Homem em Seu Dia.'" Lc 17,20-24
    Ainda garantiu que os Apóstolos reinariam com Ele: "Em Verdade, declaro-vos: no Dia da Renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da Glória, vós, que Me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel." Mt 19,28
    E em mais uma bela e cativante imagem, disse-nos que Seu Reino é como um grande e festivo banquete: "E vós tendes permanecido Comigo em Minhas provações. Eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como Meu Pai o dispôs a Meu favor, para que comais e bebais a Minha mesa em Meu Reino e vos senteis em tronos..." Lc 22,28-30
    De fato, foi isso que São João testificou em Apocalipse, rendendo-Lhe graças: "Àquele que nos ama, que de nossos pecados nos lavou em Seu Sangue e que de nós fez um Reino de Sacerdotes para Deus e Seu Pai, Glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém." Ap 1,5b-6
    Essa era uma antiga promessa que Deus fez através de Moisés aos israelitas, quando, saindo de Egito, chegaram ao deserto do monte Sinai. Mas ela certamente só se cumpriu pela Igreja, porque Israel não honrou nem a Antiga nem a Nova Aliança. De fato, desde então já estava no Livro de Êxodo: "Agora, pois, se obedecerdes a Minha voz e guardardes Minha Aliança, sereis Meu povo particular entre todos povos. Toda a Terra é Minha, mas vós sê-Me-eis um Reino de Sacerdotes e uma consagrada nação." Êx 19,5-6
    Ademais, Jesus também prometeu que a Divina Justiça seria feita, e que o Mal definitivamente seria banido: "Quando o Filho do Homem voltar em Sua Glória, e com Ele todos anjos, sentar-Se-á em Seu glorioso trono. Todas nações reunir-se-ão diante d'Ele e Ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E estes irão para o eterno castigo, e os justos, para a Vida Eterna." Mt 25,31-32.46
    E se o eterno castigo parece por demais violento, lembremos o que Ele havia dito noutra parábola, igualmente sobre o Último Dia: "Quanto àqueles que Me odeiam, e que não Me quiseram por Rei, trazei-os e massacrai-os em Minha presença." Lc 19,27
    A última subida de Jesus a Jerusalém, por fim, aconteceu como previsto pelo Profeta Zacarias, e o povo recebeu-O como um rei: "Trouxeram, então, o jumentinho até Jesus, puseram seus mantos em cima e Ele montou. Muitos estenderam seus mantos no caminho, enquanto outros espalharam ramos apanhados no campo. Os que iam à frente e os que vinham atrás, clamavam: “Hosana! Bendito Aquele que vem em Nome do Senhor! Bendito o Reino que vai começar, o Reino de Davi, nosso pai! Hosana no mais alto dos Céus!" Mt 11,7-10
    Mas, como sabemos, a inveja dos sacerdotes judeus levou-O a um farsesco julgamento e à Santa Cruz. E Seus executores espancaram-nO e debocharam de Sua Majestade: "Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-nO com todo pelotão. Arrancaram-Lhe as vestes e colocaram-Lhe um escarlate manto. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-Lha na cabeça e puseram-Lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante d'Ele, diziam com escárnio: 'Salve, Rei dos judeus!' Cuspiam-Lhe no rosto e, tomando da vara, davam-Lhe golpes na cabeça. Depois de escarnecerem d'Ele, tiraram-Lhe o manto e entregaram-Lhe as vestes. Em seguida, levaram-nO para O crucificar." Mt 27,27-31
    Pois mesmo detestando a ocupação romana, os religiosos judeus haviam dito apoiar César, só para O crucificar "Pilatos disse aos judeus: 'Eis Vosso Rei!' Mas eles clamavam: 'Fora com Ele! Fora com Ele! Crucifica-O!' Pilatos perguntou-lhes: 'Hei de crucificar Vosso Rei?' Os sumos sacerdotes responderam: 'Não temos outro rei senão César!'" Jo 19,14b-15
    

O REINO DOS CÉUS

    continuaram nessa zombaria depois de tê-Lo crucificado. Contudo, não foram os únicos, porque todos nós que não buscamos Seu Reino fazemos pouco de Sua Paixão: "Do mesmo modo, zombavam d'Ele os soldados. Aproximavam-se d'Ele, ofereciam-Lhe vinagre e diziam: 'Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo!'" Lc 23,36-37
    Para concluir o espetáculo de crueldades, o governador de Judeia fez-Lhe mais essa humilhação: "Pilatos redigiu uma inscrição e fixou-a por cima da Cruz. Nela estava escrito: 'Jesus de Nazaré, Rei dos judeus.'" Jo 19,19
    Mas até Seu último suspiro houve gente humilde a Sua volta, que acreditava no Reino de Deus. Dimas, mesmo sendo ladrão e passando por momentos de grande dor e agonia, soube perceber a injustiça que estava acontecendo. Tocado pelo Espírito Santo, arrependeu-se e reconheceu n'Ele o Salvador: "Jesus, lembra-Te de mim quando tiveres entrado em Teu Reino!" Lc 23,42
    E seu pedido foi imediatamente concedido, pois Nosso Senhor respondeu: "Em Verdade, digo-te: hoje estarás Comigo no Paraíso." Lc 23,43
    Após Sua Ressurreição, e pouco antes de definitivamente subir aos Céus, os Apóstolos quiseram saber quando Ele iria instaurar materialmente Seu Reino. Mas Ele ainda teria que enviar o Espírito Santo, para que nós assumíssemos a construção de Sua Igreja. É leitura do início do Livro de Atos dos Apóstolos: "'Senhor, é porventura agora que ides instaurar o Reino de Israel?' Respondeu-lhes Ele: 'Não vos pertence saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em Seu poder, mas descerá sobre vós o Espírito Santo e dá-vos-á força. E sereis Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria e até os confins do mundo.'" At 1,6-8
    Os Sacerdotes de Cristo, portanto, já estão reinando, pelo serviço de Salvação que prestam. Está nas revelações feitas por Jesus a São João Evangelista: "Quando recebeu o Livro, os quatro seres e os vinte e quatro anciãos (todos eles anjos, das mais elevadas ordens!) prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos Santos. Cantavam um novo cântico, dizendo: 'Tu és digno de receber o Livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, a preço de Teu Sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça. E deles fizeste para Nosso Deus um Reino de Sacerdotes, que reinam sobre a Terra.'" Ap 5,8-10
    E os Santos, cujas almas já estão nos Céus, já vivem a Nova Vida e estão reinando com Cristo. Depois de testemunharem com a própria vida e não servirem ao maligno império, são Sacerdotes da eternidade, aguardando a Ressurreição da Carne como o Amado Discípulo afirmou: "Também vi tronos, sobre os quais se sentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a besta ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles voltaram à vida e com Cristo reinaram por mil anos. Feliz e Santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo: com Ele reinarão durante os mil anos." Ap 20,6
    Eles reinam, pois, sobre este mundo, como Nosso Senhor prometeu aos cristãos de cidade de Tiatira, uma das sete diocese de Ásia à época: "Então ao vencedor, àquele que praticar Minhas obras até o fim, lhe darei poder sobre as pagãs nações." Ap 2,26
    Logo também intercedem, quando o Mistério do Mal lhes é informado: "E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da Terra?' Então foi dada a cada um deles uma branca veste, e lhes foi dito que ainda um pouco aguardassem, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que com eles estavam para ser mortos." Ap 6,10-11
    São Paulo e São Barnabé, no entanto, bem sabiam que, a exemplo da Cruz, alcançar o Reino da Justiça é uma dolorosa tarefa, dada a oposição do mundo e do Maligno que cotidianamente afrontam a Igreja Católica. Mas, pelo Sacramento da Crisma, eles recomendavam a todos fiéis que resistissem, pregando nas cidades por onde passavam: "Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na , dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações." At 14,22
    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, portanto, pede-nos esse testemunho de vida, que damos através de nossas atitudes: "Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos." 1 Cor 4,20
    E afirma que depois da Final Batalha (cf. Ap 19,19), na qual cita três ordens de anjos caídos, se dará o Juízo Final e o Reino de Jesus será repassado a Deus Pai: "Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. E quando tudo Lhe estiver sujeito, então o próprio Filho também renderá homenagem Àquele que Lhe sujeitou todas coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos." 1 Cor 15,24.28
    Das revelações que teve de Nosso Senhor, São João Evangelista assim descreveu o trono e o Reino de Deus, que se perfaz na Santíssima Trindade:

    "Imediatamente fui arrebatado em espírito. No Céu havia um trono, e nesse trono estava sentado um Ser. E Quem estava sentado Se assemelhava, pelo aspecto, a uma pedra de jaspe e de sardônica. Um halo, semelhante à esmeralda, nimbava o trono.
    Ao redor havia vinte e quatro tronos, e neles, sentados, vinte e quatro anciãos vestidos de brancas vestes e com coroas de ouro na cabeça. Do trono saíam relâmpagos, vozes e trovões. Diante do trono ardiam sete tochas de fogo, que são os sete espíritos de Deus.
    Ainda havia diante do trono um mar, límpido como cristal. Diante do trono e ao redor, quatro seres vivos cheios de olhos à frente e atrás. O primeiro ser vivo assemelhava-se a um leão, o segundo, a um touro, o terceiro tinha um rosto como o de um homem, e o quarto era semelhante a um águia em pleno voo.
    Estes seres tinham cada um seis asas cobertas de olhos por dentro e por fora. Não cessavam de clamar dia e noite:
    - Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Dominador, O que é, O que era e O que deve voltar.
    E cada vez que aqueles seres rendiam Glória, honra e ação de Graças Àquele que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro anciãos profundamente inclinavam-se diante d'Aquele que estava no trono e prostravam-se diante d'Aquele que vive pelos séculos dos séculos, e depunham suas coroas diante do trono, dizendo:
    - Tu és digno Senhor, Nosso Deus, de receber a honra, a Glória e a Majestade, porque criaste todas coisas, e por Tua vontade é que existem e foram criadas.
    Em minha visão também ouvi, ao redor do trono, dos seres e dos anciãos, a voz de muitos anjos, em número de miríades de miríades e de milhares de milhares, bradando em alta voz:
    - Digno é o Cordeiro Imolado de receber o poder, a riqueza, a Sabedoria, a força, a Glória, a honra e o louvor.
    Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de brancas vestes e palmas na mão... o Cordeiro... é Senhor dos senhores e Rei dos reis.
    Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia:
    - Eis aqui o Tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão Seu povo, e Deus mesmo estará com eles.
    Então Aquele que está sentado no trono disse:
    - Eis que Eu renovo todas coisas."
                        Ap 4,2-11;5,11-12;7,9;17,14a;21,3.5

    "Vosso é o Reino, o poder e a glória para sempre!"