quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Os Santos


    Os Santos são um capítulo mais que especial da História da Igreja, e por isso da nossa . Eles sim são a verdadeira face da Igreja, os verdadeiros seguidores de Cristo. Suas vidas são um sopro de eternidade em nossas almas, e têm o dom de fazer-nos conceber plenamente a santidade. Como não se render à tanta dedicação? Neles a Igreja alcança seu mais alto exemplo, sua mais elevada representação; são a fina flor do Catolicismo. Enquanto vivos, na pessoa deles Deus Se faz presente entre nós da forma mais natural e mais humilde. Se as Pessoas de Jesus e de Maria são por demais especiais para que tomemos como modelo, perante os Santos não temos escusas: Deus quer e mostra claramente Seu desejo de habitar em nós. Como Jesus prometeu: "Se alguém Me ama, guardará a Minha Palavra e Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos Nossa morada." Jo 14,23
    E foi o próprio Pai, desde os primórdios da Revelação, que nos determinou: "Sede Santos, porque Eu, o Senhor Vosso Deus, sou Santo." Lv 19,2
    Por isso, em carta aos coríntios, São Paulo não tinha vergonha de dizer Quem era seu exemplo: "Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo." 1 Cor 1,1
    Pediu também aos filipenses: "Irmãos, sede meus imitadores, e olhai atentamente para os que vivem segundo o exemplo que nós vos damos." Fl 3,17
    Disse aos efésios com todas as letras: "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados." Ef 5,1
    E foi assim, e tão somente assim, que a Igreja surgiu e cresceu, como ele aponta aos tessalonicenses: "E vós vos fizestes imitadores nossos e do Senhor, ao receberdes a Palavra, apesar das muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo, de sorte que vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia." 1 Ts 1,6-7
    O testemunho dos Apóstolos, levado até à consequência da morte, à exceção de São João Evangelista que morreu de velho, é outro fato que demonstra a força da manifestação de Deus na vida dos Santos. Eles preferiram morrer a calar-se, tal e qual testemunhou São Paulo: "Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas, se o viver no corpo é útil para o meu trabalho, não sei então o que devo preferir. Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo - o que seria imensamente melhor; mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário, por causa de vós..." Fl 1,21-24
    Pois, para ele, pregar a chegada do Messias era um dever perante Deus: "Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!" 1 Cor 9,16
    Com razão, eles não podiam negar o que viram e ouviram, como registrou São João: "O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos têm apalpado no tocante ao Verbo da Vida - porque a Vida Se manifestou, e nós A temos visto; damos testemunho e vos anunciamos a Vida Eterna, que estava no Pai e que Se nos manifestou -, o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais Comunhão conosco. Ora, a nossa Comunhão é com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo. E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou Seu Filho como Salvador do mundo." 1 Jo 1,1-3; 4,14
    E Jesus declarou abertamente que esperava por eles nos Céus: "Na casa de Meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e Eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei Comigo, para que, onde Eu estou, também vós estejais." Jo 14,2-3
    Santo Estevão, de fato, ao ser preso e levado à presença do Grande Conselho, depois de um belíssimo sermão e pouco antes de ser apedrejado, não teve medo de declarar diante dos principais dos judeus a visão que tinha: "Eis que vejo os Céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus." At 7,56
    Quanto aos milagres que se realizam através deles, são apenas mais um sinal da Vida que levam em Comunhão com Deus. Jesus afirmou: "Eu vos garanto: quem acredita em Mim fará as obras que Eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai." Jo 14,12
    Aliás, é o próprio Jesus que promete um poder igual ao Seu aos que alcançarem a santidade; poder esse que vai vigorar já neste mundo, logo após suas mortes: "Então ao vencedor, ao que praticar Minhas obras até o fim, dar-lhe-ei poder sobre as nações pagãs. Ele as regerá com cetro de ferro, como se quebra um vaso de argila, assim como Eu mesmo recebi o poder de Meu Pai..." Ap 2,26-28
    O livro da Sabedoria, de fato, já havia previsto tal efeito como resultado da passagem de Jesus entre nós: "No Dia de Sua visita, eles se reanimarão, e correrão como centelhas na palha. Eles julgarão as nações e dominarão os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. Os que põem sua confiança n'Ele compreenderão a Verdade, e os que são fiéis habitarão com Ele no amor: porque Seus eleitos são dignos de favor e Misericórdia." Sb 3,7-9
    Há outras promessas igualmente grandiosas, de evidentes demonstrações de poder: "Ao vencedor concederei assentar-se Comigo no Meu Trono, assim como Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu Trono." Ap 3,21
    É também a garantia da perene pureza, da Vida Eterna: "O vencedor será assim revestido de vestes brancas. Jamais apagarei o seu nome do livro da Vida, e o proclamarei diante do Meu Pai e dos Seus anjos." Ap 3,5
    Pois a condenação final já estará totalmente afastada: "Quem tiver ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: 'O vencedor não sofrerá dano algum da segunda morte.'" Ap 2,11
    Essas promessas falam de uma condição idêntica a dos Apóstolos: "Farei do vencedor uma coluna no Templo de Meu Deus, de onde jamais sairá, e escreverei sobre ele o nome de Meu Deus, e o nome da cidade de Meu Deus, a nova Jerusalém, que desce dos Céus enviada por Meu Deus, assim como o Meu Nome Novo." Ap 3,12
    São poderes da perfeita filiação divina, da qual Jesus é o Modelo: "O vencedor herdará tudo isso; e Eu serei Seu Deus, e ele será Meu filho." Ap 21,7
    Tal e qual prometeu Nosso Salvador a São Pedro, enquanto Sumo Pontífice da Igreja: "O Senhor replicou: 'Qual é o administrador sábio e fiel que o Senhor estabelecerá sobre os Seus operários para lhes dar a seu tempo a sua medida de trigo? Feliz daquele servo que o Senhor achar procedendo assim, quando vier! Em verdade vos digo: confiar-lhe-á todos os Seus bens.'" Lc 12,42-44
    Por isso, referindo-se aos que já estão nos Céus e aos que estão a caminho, São Paulo diz: "Mas Deus, que é rico em Misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a Vida juntamente com Cristo - é por Graça que fostes salvos! -, juntamente com Ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos Céus, com Cristo Jesus." Ef 2,4-6
    Ora, Jesus falou inclusive em poder de julgar, que se só dará pela Comunhão dos Santos: "Eu, pois, disponho do Reino a vosso favor, assim como Meu Pai o dispôs a Meu favor, para que comais e bebais à Minha mesa no Meu Reino e vos senteis em tronos, para julgar as doze tribos de Israel." Lc 22,29-30
    E falou mais de uma vez. Aqui Ele refere-Se a juízes: "Mas Eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: 'Raca', será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: 'Louco', será condenado ao fogo da geena." Mt 5,22
    São Paulo também tratou desse assunto: "Não sabeis que os santos julgarão o mundo? E, se o mundo há de ser julgado por vós, seríeis indignos de julgar os processos de mínima importância? Não sabeis que julgaremos os anjos? Quanto mais as pequenas questões desta vida!" 1 Cor 6,2-3
    Objetivamente, ele até informa já ter julgado o comportamento incestuoso de um membro da Igreja em Corinto e, evocando a Comunhão com os de lá, profere por carta seu veredicto: "Pois eu, em verdade, ainda que distante corporalmente, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim se comportou. Em Nome do Senhor Jesus -, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Nosso Senhor Jesus -, seja esse homem entregue a Satanás, para mortificação do seu corpo, a fim de que a sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,3-5
    Dá inclusive algumas balizas: "Irmãos, não sejais crianças quanto ao modo de julgar: na malícia, sim, sede crianças; mas quanto ao julgamento, sede homens." 1 Cor 14,20
    Não é isso o que já faz a Igreja, na pessoa de Seus Sacerdotes? E assim é a despeito da santidade deles, pois, afirmativamente, Jesus deu-lhes totais poderes para examinar e perdoar nossos pecados, logo em Sua primeira Aparição aos Onze: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23
    Quanto à presença deles nos Céus, desde a Ressurreição de Cristo, e à intercessão que fazem junto a Deus, está no livro do Apocalipse: "Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do Altar as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?' Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos." Ap 6,9-10
    Suas orações chegam ao Pai de modo muito peculiar: "Eu vi os sete Anjos que assistem diante de Deus. Foram-lhes dadas sete trombetas. Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao Altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os Santos no Altar de ouro, que está adiante do trono. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos Santos, diante de Deus." Ap 8,20-4
    Eles compõem o 'Reino de Sacerdotes' formado por Jesus, e daí vem o poder que têm: "Cantavam um cântico novo, dizendo: 'Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de Teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça; e deles fizeste para Nosso Deus um Reino de Sacerdotes, que reinam sobre a terra.'" Ap 5,9
    Sim, eles já estão reinando com Cristo, conforme a visão de São João Evangelista, pois obtiveram a Graça de passar pela primeira ressurreição, e aí mais uma vez é mencionado o poder que têm de julgar, avaliar nossos projetos para interceder ou não: "Vi também tronos, sobre os quais se assentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a Fera ou sua imagem, que não tinham recebido o seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma Vida Nova e reinaram com Cristo por mil anos. Os outros mortos não tornaram à vida até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Feliz e Santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão Sacerdotes de Deus e de Cristo: reinarão com Ele durante os mil anos." Ap 20,4-6
    E assim todos que alcançarem tal pureza de coração participarão do Glorioso Retorno de Jesus, como disse São Paulo aos colossenses: "Quando Cristo, Vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com Ele na Glória." Cl 3,4
    Glória, aliás, que aqueles que vivem em Comunhão com Ele já alcançaram, como aconteceu com os Apóstolos. Jesus rezou ao Pai: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    E que se alcança pela fidelidade à Sua Palavra, como disse São Paulo aos tessalonicenses: "E pelo anúncio do nosso Evangelho vos chamou para tomardes parte na Glória de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Ts 2,14
    De fato, ele afirma aos coríntios: "... quem se une ao Senhor torna-se com Ele um só Espírito." 1 Cor 6,17
    Essa é a pureza que nos pede São Pedro: "Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por Ele achados sem mácula e irrepreensíveis na Paz." 2 Pd 3,14
    Mesmo reconhecendo a realidade de um passado de pecados, São Paulo também advoga nesse sentido perante os colossenses: "Há bem pouco tempo, sendo vós alheios a Deus e inimigos pelos vossos pensamentos e obras más, eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de Seu Corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai." Cl 1,21-22
    Ele diz aos filipenses: "Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, íntegros filhos de Deus no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a Palavra da Vida." Fl 2,14-16a
    São João Evangelista afirmou placidamente essa possibilidade: "Sabemos que aquele que nasceu de Deus não peca; o que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca." 1 Jo 5,18
    Assim também é a oração de São Judas Tadeu: "Àquele, que é poderoso para preservar-nos de toda queda e apresentar-nos diante de Sua Glória, imaculados e cheios de alegria, ao Deus único, Salvador Nosso, por Jesus Cristo, Senhor Nosso, sejam dadas glória, magnificência, império e poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre. Amém." Jd 24-25
    São Paulo confirma: "O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a Lei, e sim sob a Graça." Rm 6,14
    E atestou essa inefável dádiva entre os coríntios: "Não cesso de agradecer a Deus por vós, pela Divina Graça que vos foi dada em Jesus Cristo. N'Ele fostes ricamente contemplados com todos os dons, com os da Palavra e os da ciência, tão solidamente foi confirmado em vós o testemunho de Cristo." 1 Cor 1,4-6


    Essa é a especialíssima condição de Nossa Senhora, que foi agraciada com maravilhas, como ela mesma testemunhou, além da indizível honra de ser a Mãe do Salvador: "Por isto, desde agora, todas as gerações Me proclamarão bem-aventurada, porque realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e Cujo Nome é Santo." Lc 1,48
    Com efeito, ela sempre usufruiu de privilégios para combater o inimigo, como narra São João Evangelista no Apocalipse: "O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara." Ap 12, 13-16
    Ora, essa profecia já era antiga. Desde o pecado original, Deus havia dito à Serpente: "Porei ódio entre ti e a Mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar." Gn 3,15


    A mumificação dos corpos, ademais, uma cultura muita antiga e de vários povos, sinal inequívoco do desejo que Deus infunde em nossas almas de viver a Vida Eterna pela perpetuação da carne, não foi conseguida com êxito senão recentemente, por sofisticada manipulação química dos cadáveres. Há séculos, porém, muitos santos tiveram seus corpos miraculosamente conservados. É o fenômeno conhecido como Corpo Santo ou Corpo Incorrupto, como o visto acima, de São Pio de Pietrelcina. Essa promessa era conhecida desde o Antigo Testamento, quando Davi antecipou um discurso que se referia à Encarnação de Cristo: "... até Meu Corpo descansará seguro, porque Vós não abandonareis Minha alma na habitação dos mortos, nem permitireis que Vosso Santo conheça a corrupção." Sl 15,9-10
    Embora o fenômeno do Corpo Santo seja apenas um sinal da futura e definitiva Ressurreição, o divino projeto de eternizar a vida na carne é confirmado por São Paulo: "Quando este corpo corruptível estiver revestido da incorruptibilidade, e quando este corpo mortal estiver revestido da imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura: 'A morte foi tragada pela vitória (Is 25,8).'" 1 Cor 15,54-55
    Mais que a Ressurreição da Carne, porém, é a Comunhão dos Santos o anseio maior de todas as almas. Se a humanidade o soubesse... Ela já pode ser vivida agora por nós, pois é toda centelha divina partilhada entre os que ainda vivem na Terra, os que estão no purgatório e os que já estão nos Céus. É tudo que o Espírito Santo abraça, propriamente o perfume do paraíso, o perfume do Cristo. São Paulo fez referência a essa família nesses termos: "Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus..." Ef 2,19
    E diz claramente que ela se encontra no Céu e na terra: "Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao Qual deve a sua existência toda família no Céu e na terra..." Ef 3,14-15
    Sem dúvida, o próprio São Mateus já havia apontado a ascensão de muitos Santos aos Céus, à Jerusalém Celestial: "Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos Santos falecidos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da Ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas." Mt 2,52-53
    De fato, é de lá que São Paulo diz que os Santos virão com Jesus: "Que Ele confirme os vossos corações numa santidade irrepreensível, diante de Deus, Nosso Pai, por ocasião da Vinda do Nosso Senhor Jesus, com todos os Seus Santos." 1 Ts 3,13
    Citando o livro de Henoc, que aliás é apócrifo, São Judas Tadeu diz o mesmo: "Também Henoc, que foi o oitavo patriarca depois de Adão, profetizou a respeito deles, dizendo: Eis que veio o Senhor entre milhares de Seus Santos para julgar a todos..." Jd 1,14-15a
    Por isso São Paulo nos exorta: "Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos Santos na Luz." Cl 1,12
    Vale esclarecer, contudo, que não são apenas os que são canonizados que chegam à santidade. Estes são apenas os que a Igreja pode afirmar, com total convicção, que já chegaram aos Céus. Mas há muitos, muitos outros. A multidão de santos é infinitamente maior. Já dizia São João Evangelista: "... vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão..." Ap 7,9
    Fica então uma inspiradora pergunta: quantos parentes nossos já devem estar lá, contemplando Deus "face a face" (cf. 1 Cor 13,12)?
    Em suma, o que podemos fazer para alcançar a Graça dessa Comunhão é obedecer a Deus. E rezar, pedindo para que possamos contar "... com as orações de todos os santos, sobre o Altar de ouro que está diante do trono." Ap 8,3
    No Ato de Contrição, dizemos:
    "Confesso a Deus Todo Poderoso e a vós irmão e irmãs, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa.
    E peço à Virgem Maria, aos Anjos e Santos, e a vós irmãos e irmãs que rogueis por mim a Deus, Nosso Senhor. Amém."

    "Concedei-nos o convívio dos eleitos!"