quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Os Milagres de Cristo


    Os milagres realizados por Jesus foram tão verazes e evidentes que, aparentemente, ocorreriam até mesmo sem Sua ciência, como que por mera propriedade de Sua natureza divina. Contudo, por Sua Onisciência, Ele sabia muito bem o que estava acontecendo, e consentia nessas Graças.
    No caso da mulher hemorroíssa, porém, esperando que ela testemunhasse a Graça alcançada, Jesus quis ver quem O havia tocado, não escondendo que d'Ele saía 'uma força' quando operava milagres: "Ora, uma mulher que padecia de fluxo de sangue havia doze anos, e com médicos tinha gasto todos seus bens, sem que nenhum a pudesse curar, aproximou-se d'Ele por detrás e tocou-Lhe a orla do manto. E no mesmo instante parou-lhe o fluxo de sangue. Jesus perguntou: 'Quem Me tocou?' Como todos negassem, Pedro e os que com Ele estavam disseram: 'Mestre, a multidão aperta-Te por todos lados...' Jesus replicou: 'Alguém Me tocou, porque percebi que de Mim saiu uma força!' A mulher viu-se descoberta e foi tremendo, e prostrou-se a Seus pés. E declarou diante de todo povo o motivo porque O havia tocado, e como logo ficara curada. Jesus disse-lhe: 'Minha filha, tua te salvou. Vai em Paz.'" Lc 8,43-48
    Mas essa mulher não foi a única que tentou alcançar uma Graça dessa maneira, como registrou São Lucas: "Descendo com eles, parou numa planície. Aí se achava um grande número de Seus discípulos e uma grande multidão de pessoas vindas da Judeia, de Jerusalém, da região marítima, de Tiro e Sidônia, que tinham vindo para ouvi-Lo e ser curadas das suas enfermidades. E os que eram atormentados dos espíritos imundos ficavam livres.Todo povo procurava tocá-Lo, pois d'Ele saía uma força que a todos curava." Lc 6,19
    São Marcos fez outro registro: "Navegaram para o outro lado e chegaram à região de Genesaré, onde aportaram. Assim que saíram da barca, o povo reconheceu-O. Percorrendo toda aquela região, começaram a levar, em leitos, os que padeciam de algum mal, para o lugar onde ouviam dizer que Ele Se encontrava. Onde quer que Ele entrasse, fosse nas aldeias ou nos povoados, ou nas cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-Lhe que ao menos deixassem tocar na orla de Suas vestes. E todos que tocavam em Jesus ficavam sãos." Mc 6,53-56
    E desde o início, depois que partiu da Cafarnaum, já não podia entrar em cidades ou aldeias: "Ele retirou-Se dali, pregando em todas sinagogas e por toda Galileia, e expulsando demônios. D'Ele aproximou-se um leproso, suplicando-Lhe de joelhos: 'Se queres, podes limpar-me.' Jesus compadeceu-Se dele, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: 'Eu quero, sê curado.' E imediatamente dele desapareceu a lepra, e foi purificado. Jesus despediu-o com esta severa admoestação: 'Vê que não o digas a ninguém. Mas vai, mostra-te ao sacerdote, e pela tua purificação apresenta a oferenda prescrita por Moisés, para servir-lhe de testemunho.' Este homem, porém, logo que se foi, começou a propagar e divulgar o acontecido, de modo que Jesus publicamente não podia entrar numa cidade. Conservava-Se fora, em despovoados lugares, e de toda parte vinham ter com Ele." Mc 1,40-45
    Até em Sua terra, onde não foi acolhido em vida pública, Jesus era reconhecido como um realizador de desconcertantes milagres: "Foi para Sua cidade e ensinava na sinagoga, de modo que todos diziam admirados: 'Donde Lhe vem esta Sabedoria e esta miraculosa força?' E não sabiam o que d'Ele dizer. Disse-lhes, porém, Jesus: 'É só em sua pátria e em sua família que um Profeta é menosprezado.' E por causa da falta de confiança deles, ali operou poucos milagres." Mt 13,54.57-58


A INVEJA DOS 'RELIGIOSOS' E A DOS PAGÃOS

    Os prodígios de Jesus eram tão frequentes e impactantes que os fariseus se recorriam de supostas prescrições da Lei para acusá-Lo. Tudo por inveja de Sua autoridade e despeito de Sua humilde origem, mas Ele desmascarava-os e o povo embevecia-se com o triunfo da Verdade: "Jesus ensinava na sinagoga num sábado. Ali estava uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e absolutamente não podia erguer-se. Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: 'Estás livre de tua doença.' Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela endireitou-se, glorificando a Deus. Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: 'São seis os dias em que se deve trabalhar. Vinde, pois, nestes dias para curar-vos, mas não em dia de sábado.' 'Hipócritas!', disse-lhes o Senhor. 'Não desamarra cada um de vós no sábado seu boi ou seu jumento da manjedoura, para levá-los a beber? Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado?' Ao proferir estas palavras, todos Seus adversários encheram-se de confusão, ao passo que todo povo, à vista de todos milagres que Ele realizava, entusiasmava-se." Lc 13,10-17
    Mas nem todos religiosos eram insensíveis às demonstrações de Seus poderes. Um chefe dos fariseus, que eram Seus principais opositores, logo na primeira Páscoa em vida pública reconheceu Suas maravilhas, assim como Sua origem divina: "Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter com Jesus à noite, e disse-Lhe: 'Rabi, sabemos que és Mestre vindo de Deus, pois ninguém pode fazer esses milagres que fazes se Deus não estiver com ele.'" Jo 3,1-2
    A alguns religiosos, porém, por causa de suas tacanhas e materialistas visões, Jesus prometeu que não veriam sinal algum a não ser Sua Ressurreição: "Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: 'Mestre, quiséramos ver-Te fazer um milagre.' Respondeu-lhes Jesus: 'Esta adúltera e perversa geração pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal que aquele do Profeta Jonas: do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra.'" Mt 12,38-40
    Entretanto, até entre os soldados romanos Sua fama já arrebatava corações, que viam Seus poderes como última esperança. Jesus ainda chegou a argumentar com um oficial que a Salvação é mais importante que a saúde do corpo, mas, diante do desespero de um pai, curou seu filho mesmo sem ir ao seu encontro: "Ele voltou, pois, a Caná da Galileia, onde transformara água em vinho. Havia então em Cafarnaum um oficial do rei, cujo filho estava doente. Ao ouvir que Jesus vinha da Judeia para a Galileia, foi a Ele e rogou-Lhe que descesse e curasse seu filho, que estava prestes a morrer. Disse-lhe Jesus: 'Se não virdes milagres e prodígios, não credes...' Pediu-Lhe o oficial: 'Senhor, desce antes que meu filho morra!' 'Vai', disse-lhe Jesus, 'teu filho está passando bem!' O homem acreditou na Palavra de Jesus e partiu. Enquanto ia descendo, os criados vieram-lhe ao encontro e disseram-lhe: 'Teu filho está passando bem.'" Jo 4,46-51
    E foi de um estrangeiro que Ele viu das maiores manifestações de fé: "Entrou Jesus em Cafarnaum. Um centurião veio a Ele e fez-lhe esta súplica: 'Senhor, meu servo está em casa, de cama, paralítico, e sofre muito.' Disse-lhe Jesus: 'Eu irei e curar-lo-ei.' Respondeu o centurião: 'Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado. Pois eu também sou um subordinado, e tenho soldados às minhas ordens. Eu digo a um: Vai, e ele vai; a outro: Vem, e ele vem; e a meu servo: Faze isto, e ele o faz...' Ouvindo isto, cheio de admiração, disse Jesus aos presentes: 'Em verdade, digo-vos: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel." Mt 8,5,10
    O próprio Herodes, apesar de seus poderes de rei, com a consciência pesada por ter ordenado a decapitação de São João Batista, tinha medo de Jesus: "O rei Herodes ouviu falar de Jesus, cujo Nome Se tornara célebre. Dizia-se: 'João Batista ressurgiu dos mortos, e por isso o poder de fazer milagres opera n'Ele.'" Mc 16,14


A REPERCUSSÃO EM JERUSALÉM

    As grandes festas judaicas em Jerusalém, por aqueles tempos, já não eram mais as mesmas sem Jesus. Tanto que, em Sua última Páscoa, sabendo que Ele era perseguido pelos religiosos, o povo perguntava-se se Ele viria ou não: "Estava próxima a Páscoa dos judeus, e muita gente de todo país subia a Jerusalém antes da Páscoa para purificar-se. Procuravam Jesus e falavam uns com os outros no Templo: 'Que vos parece? Achais que Ele não virá à festa?' Mas os sumos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que O denunciasse todo aquele que soubesse onde Ele estava, para prenderem-nO." Jo 11,55-57
    Realmente, desde a primeira Páscoa que lá esteve em Sua vida pública, o povo, por causa de Seus milagres, já O tinha em conta de um enviado de Deus: "Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no Seu Nome, à vista dos milagres que fazia." Jo 2,23
    Sempre se criava uma grande expectativa a cada nova festa em Jerusalém, como na das Tendas: "Mas quando Seus irmãos tinham subido, então também subiu Ele à festa, não em público, mas ocultamente. Buscavam-nO os judeus durante a festa e perguntavam: 'Onde está Ele?' E na multidão só se discutia a Seu respeito. Uns diziam: 'É homem de bem.' Outros, porém, diziam: 'Não é! Ele seduz o povo.' Ninguém, contudo, ousava d'Ele livremente falar com medo dos judeus." Jo 7,10-13
    E Ele tinha que se defender em públicos debates com os religiosos, como aquele sobre o homem do tanque de Betesda, que estava paralítico havia trinta e oito anos: "Replicou Jesus: 'Fiz uma só obra, e todos vós maravilhais-vos! Moisés deu-vos a circuncisão, se bem que ela não é de Moisés, mas dos patriarcas, e até no sábado circuncidais um homem! Se um homem recebe a circuncisão em dia de sábado, e isso sem violar a Lei de Moisés, por que vos indignais Comigo, que tenho curado um homem em todo seu corpo em dia de sábado? Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça.'" Jo 7,21-24
    Pois muita gente, profundamente impressionada com tantas maravilhas que viam, ficava divagando sobre Sua Pessoa: "Muitos do povo, porém, creram n'Ele e perguntavam: 'Quando vier o Cristo, fará mais milagres que Este faz?'" Jo 7,31
    Mas não somente Jesus realizava milagres, como também Seus Apóstolos, após serem nominalmente por Ele chamados e investidos de autoridade: "Reunindo Jesus os Doze Apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos demônios, e para curar enfermidades. Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos. Partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte." Lc 9,1-2.6
    E a multidão, que se formou ao Seu redor pouco antes do episódio da multiplicação dos pães e dos peixes, também O buscava com expectativa de curar seus enfermos: "Depois disso, atravessou Jesus o lago da Galileia, que é o de Tiberíades. Seguia-O uma grande multidão, porque via os milagres que fazia em beneficio dos enfermos. Jesus subiu a um monte e ali Se sentou com Seus discípulos." Jo 6,1-3
    Mas alguns na multidão ainda O procuravam por razões meramente materiais, como pelo pão e o peixe multiplicado, ou por curiosidades, como andar sobre as águas. E Ele aproveitava para falar-lhes do Pão da Vida Eterna: "À vista desse milagre de Jesus, aquela gente dizia: 'Este verdadeiramente é o Profeta que há de vir ao mundo.' Encontrando-O na outra margem do lago, perguntaram-Lhe: 'Mestre, quando chegaste aqui?' Respondeu-lhes Jesus: 'Em verdade, em verdade, digo-vos: buscais-Me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele imprimiu Deus Pai Seu sinal.'" Jo 6,14.25-27
    Com efeito, isso havia sido previsto pelo Profeta Isaías: "Naquele tempo, o Rebento de Jessé, que Se ergue como um sinal para os povos, será procurado pelas nações e gloriosa será Sua morada." Is 11,10
    A ressurreição de Lázaro também foi um grande acontecimento entre o povo de Israel, e motivou o evento que ficou conhecido como o Domingo de Ramos: "A multidão, pois, que se achava com Ele quando chamara Lázaro do sepulcro e ressuscitara-o, aclamava-O. Por isso, o povo saía-Lhe ao encontro, porque tinha ouvido que Jesus fizera aquele milagre." Jo 12,17-18
    Mas para os líderes religiosos de Israel a situação estaria fugindo ao controle. Temiam que os romanos vissem em Jesus o início de uma rebelião, da qual seriam cúmplices. E mais uma vez eram os milagres de Jesus que incendiavam a multidão: "Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: 'Que faremos? Esse homem multiplica os milagres. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão n'Ele, e os romanos virão e arruinarão nossa cidade e toda nação.'" Jo 11,47-48
    No entanto, mesmo entre os principais sacerdotes muitos acreditavam n'Ele: "Embora tivesse feito tantos milagres na presença deles, não acreditavam n'Ele. Não obstante, muitos dos chefes também creram n'Ele, mas por causa dos fariseus não o manifestavam, para não serem expulsos da sinagoga." Jo 12,37.42
    Pode-se imaginar, assim, uma grande incerteza que havia muito pairava entre Seus mais ferrenhos inimigos: "Celebrava-se em Jerusalém a festa da Dedicação. Era inverno. Jesus passeava no Templo, no pórtico de Salomão. Os judeus rodearam-nO e perguntaram-Lhe: 'Até quando nos deixarás na incerteza? Se Tu és o Cristo, dize-nos claramente.'" Jo 10,22-24
    E na Páscoa em que foi crucificado, viu-se uma calorosa aclamação a Jesus também no Templo: "Quando Ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda cidade, perguntando: 'Quem é Este?' A multidão respondia: 'É Jesus, o Profeta de Nazaré da Galileia.' Os cegos e os coxos vieram a Ele no Templo e Ele curou-os, com grande indignação dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas que assistiam a Seus milagres e ouviam os meninos gritar no Templo: 'Hosana ao filho de Davi!' Disseram-Lhe eles: 'Ouves o que dizem eles?' 'Perfeitamente', respondeu-lhes Jesus. 'Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes Vosso louvor (Sl 8,3)?'" Mt 21,10-11.14-16
    Tantos foram Seus prodígios que São João Evangelista viu-se obrigado a registrar: "Fez Jesus, na presença de Seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Jesus fez muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever." Jo 20,30; 21,25
    A intenção de Jesus com esses milagres, porém, era demonstrar a origem divina de Seus ensinamentos. Tanto que Ele vai propôr: "Se alguém quiser cumprir a vontade de Deus, distinguirá se Minha Doutrina é de Deus ou se falo de Mim mesmo." Jo 7,17
    Por isso, pedia aos judeus: "Se Eu não faço as obras de Meu Pai, não Me creiais. Mas se as faço, e se não quiserdes crer em Mim, crede em Minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em Mim e Eu no Pai." Jo 10,37-38
    Pedido, aliás, que fez até mesmo a São Filipe Apóstolo, ao falar-lhe de Sua Comunhão com o Pai: "Crede-Me: estou no Pai, e o Pai em Mim. Crede-o ao menos por causa destas obras." Jo 14,11
    Com efeito, quando interrogado, Ele assim resumiu a Missão que Lhe foi dada pelo Pai: "Perguntaram-Lhe: 'Que faremos para praticar as obras de Deus?' Respondeu-lhes Jesus: 'A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou.'" Jo 6,28-29
    O próprio São João Evangelista assim vai justificar o registro que fez de Seus milagres: "Mas estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e crendo tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,31


O PODER DA IGREJA

    E mais uma vez, após ressuscitar, Jesus investiu Seus Apóstolos e discípulos com autoridade e poder. Essa é Sua força que permanece entre os homens para a edificação de Sua Igreja, que tem a notória função de confirmação: "Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão demônios em Meu Nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal. Imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados. Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles, e confirmava Sua Palavra com os milagres que a acompanhavam." Mc 16,17-18.20
    Com efeito, como Ele mesmo afirmou, a Igreja é invencível: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18b
    De maior importância, porém, foi o poder de perdoar os pecados que Ele deu aos Seus Sacerdotes, Graça que nos é concedida pelo Sacramento da Reconciliação com Deus: "Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos." Jo 20,23
    Pois assim temos a Redenção, que é a Missão de Jesus: "... para dar a Seu povo conhecer a Salvação, pelo perdão dos pecados." Lc 1,77
    De fato, Ele colocava o perdão dos pecados como muito mais importante que uma cura: "Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum e souberam que Ele estava em casa. Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E Ele instruía-os. Trouxeram-Lhe um paralítico, carregado por quatro homens. Como não pudessem apresentar-lhO por causa da multidão, descobriram o teto acima do lugar onde Jesus Se achava e, por uma abertura, desceram o leito em que jazia o paralítico. Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: 'Filho, perdoados são-te os pecados.'" Mc 2,1-5
    E aí está o poder do Santíssimo Sacramento, pois por Seu Sacrifício que nos é concedida esta redenção: "Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lhO, dizendo: 'Dele bebei todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.'" Mt 26,27-28
    Bem como comungar dos bens celestiais e divinos: "Quem come Minha Carne e bebe Meu Sangue tem a Vida Eterna. E Eu ressuscitá-lo-rei no Último Dia." Jo 6,54
    Nem toda manifestação de poder, contudo, tem por intenção fazer-nos participar do Reino de Deus. O inimigo realiza espetáculos que enganam os olhos e a muitos afastam da Sã Doutrina, como o próprio Jesus avisou: "Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se possível fosse, até mesmo os escolhidos." Mt 24,24
    De fato, falando de um tempo em que muitos abandonariam a fé, esse também foi um aviso de São Paulo: "A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios." 2 Ts 2,9
    Apesar da ousadia de insurgir-se em combate contra o próprio Deus, porém, não resta dúvida que o poder do inimigo jamais prosperará, como atestam as visões de São João Evangelista: "Combaterão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro vencê-los-á, porque é Senhor dos senhores e Rei dos reis." Ap 17,14a
    Absolutamente convicto, ao narrar essa batalha final São Paulo vai ser bem sucinto: "Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus destruir-lo-á com o sopro de Sua boca, e aniquilar-lo-á com o resplendor de Sua Vinda." 2 Ts 2,8
    Até lá, o Último Apóstolo assim descreve o poder da Igreja, que é Seu Reino de Sacerdotes: "Depois virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. Porque é necessário que Ele reine, até que ponha todos inimigos debaixo de Seus pés. O último inimigo a derrotar será a morte, porque Deus tudo sujeitou debaixo de Seus pés. E quando tudo Lhe estiver sujeito, então o próprio Filho também renderá homenagem Àquele que Lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos." 1 Cor 15,24.26-28
    Quanto aos Santos, cujas almas alcançam a santidade e são a verdadeira face da Igreja, Jesus prometeu-lhes grande poder ainda sobre este mundo: "Então ao vencedor, ao que praticar Minhas obras até o fim, dar-lhe-ei poder sobre as nações pagãs. Ele as regerá com cetro de ferro, como se quebra um vaso de argila, assim como Eu mesmo recebi o poder de Meu Pai. E dar-lhe-ei a Estrela da manhã." Ap 2,26-28
    É nestes termos que se compreende Sua Palavra: "Em verdade, em verdade, digo-vos: aquele que crê em Mim, fará também as obras que Eu faço e ainda maiores que estas, porque vou para junto do Pai. E tudo que pedirdes ao Pai em Meu Nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho." Jo 14,12-13
    São João Evangelista rejubila-se: "Àquele que nos ama, que em Seu Sangue nos lavou de nossos pecados e de nós fez um Reino de Sacerdotes para Deus e Seu Pai, Glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém." Ap 1,5b-6

    "Salvador do mundo, salvai-nos, Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição."