sexta-feira, 3 de agosto de 2018

As Virtudes


    O Catecismo da Igreja dá uma luminosa explanação sobre as virtudes, que nos orientam para o Sumo Bem: "As virtudes humanas são firmes atitudes, estáveis disposições, habituais perfeições da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem." CIC § 1804
    São Paulo, não por acaso, já recomendava aos filipenses: "Além disso, irmãos, tudo que é verdadeiro, tudo que é nobre, tudo que é justo, tudo que é puro, tudo que é amável, tudo que é de boa fama, tudo que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos." Fl 4,8
    E São Gregório de Nissa, um dos Padres Capadócios e grande místico, dizia com absoluta propriedade: "O objetivo da vida virtuosa é tornar-se semelhante a Deus."
    O livro da Sabedoria aponta quatro VIRTUDES CARDEAIS, aquelas que servem de base para todas outras. O autor sagrado diz: "E se alguém ama a justiça, seus trabalhos são virtudes; a Sabedoria ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza. Não há nenhum bem que seja mais útil aos homens na vida." Sb 8,7

TEMPERANÇA

    Também chamada de moderação ou sobriedade: virtude que garante o domínio de si e coloca a vontade acima dos instintos.
    Ela é citada por São Paulo como um dos frutos do Espírito Santo: "... o fruto do Espírito é caridade, alegria, Paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança." Gl 5,22-23
    É também um ensinamento de Jesus, que nos manifestou plenamente a Graça de Deus: "Veio para ensinar-nos a renunciar à impiedade e às mundanas paixões, e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade..." Tt 2,12
    Aparece, igualmente, numa proposta de ascese da tradição de São Pedro, como um dos dons do amadurecimento espiritual: "Por estes motivos, esforçai-vos quanto possível por unir à vossa a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o amor fraterno, e ao amor fraterno a caridade. Se estas virtudes se acharem abundantemente em vós, não vos deixarão inativos nem infrutuosos no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo." 2 Pd 1,5-8
    Ele ainda afirma que, sem essa virtude, não se chega aos frutos da oração: "Sede, portanto, moderados e sóbrios, para dedicardes-vos à oração." 1 Pd 4,7
    São Tiago Menor fala da importantíssima moderação nas palavras: "Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua e engana o seu coração, então é vã a sua religião. Considerai como uma pequena chama pode incendiar uma grande floresta! Também a língua é um fogo, um mundo de iniquidade. A língua está entre nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso de nossa vida." Tg 1,26;3,5a-6
    Os Provérbios, vinculando a língua ao coração, já ponderavam: "Não pode faltar o pecado num caudal de palavras; quem modera os lábios é um sensato homem. A língua do justo é finíssima prata; o coração dos maus, porém, para nada serve. Os lábios dos justos nutrem a muitos, mas os néscios perecem por falta de inteligência." Pr 10,19-21
    E o Eclesiástico, visando a aquisição dessa virtude, recomenda a prática de comedimento: "Não sigas tuas paixões. Refreia teus desejos." Eclo 18,30

PRUDÊNCIA

    É a virtude da reflexão, da ordem, do bom senso e do discernimento. Jesus mesmo apontou: "Aquele, pois, que ouve estas Minhas palavras, e põe-nas em prática, é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa. Ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha." Mt 7,24-25
    Numa exortação à Lei de Deus, o salmista canta: "Sobre Vossos preceitos meditarei, e considerarei Vossos caminhos." Sl 118,15
    E exulta: "Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor, e dia e noite medita Sua Lei." Sl 1,1-2
    Com total pertinência, o livro dos Provérbios registra essa reflexão sobre a peculiaridade das circunstâncias: "Sabedoria do prudente é discernir seu próprio caminho; a imprudência dos insensatos resvala no erro." Pr 14,8
    E também: "Quem adquire bom senso quer bem a si mesmo, e quem conserva o discernimento será feliz." Pr 19,8
    Ainda nos Provérbios, temos a advertência de um funesto destino para os insensatos: "O homem que se desvia do caminho da prudência, na assembléia das sombras repousará." Pr 21,16
    O Eclesiástico também versa sobre insensatez: "O hábito de praticar o mal não é sabedoria; o modo de agir dos pecadores não é prudência." Eclo 19,19
    Denuncia a agressividade do prepotente: "Há uma falsa correção na cólera de um insolente. Há um modo de julgar que muitas vezes não é justo, e aquele que se cala dá prova de prudência." Eclo 19,28
    E elogia quem espera o momento e a quem se manifestar: "O homem de bom senso guarda suas palavras; muitos falarão, em alta voz, de sua prudência." Eclo 1,30
    Pois ela é sinal de frutífero aprendizado ao longo da vida: "Aquele que não tem experiência, pouca coisa sabe, mas o que passou por muitas dificuldades desenvolve a prudência." Eclo 34,10
    E São Tiago Menor deixou-nos essa realística ponderação: "Mas aquele que com atenção procura meditar a Lei perfeita da liberdade e nela persevera - não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como fiel cumpridor do preceito -, este será feliz em seu proceder." Tg 1,25

JUSTIÇA

    É a virtude do compromisso moral com a Verdade, com a equidade, com a correção.
    Até os fariseus, ferrenhos opositores de Jesus, maliciosamente invocaram esse valor, fingindo reconhecê-lo entre Suas qualidades: "Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus segundo a Verdade. Não Te deixas influenciar por ninguém, pois não olhas a aparência das pessoas." Mt 22,16
    Em sentido inverso, numa atitude que bem atestava Sua humildade, Jesus deixou-Se batizar por São João Batista, demonstrando obediência à Lei e Sua igualdade de condição perante todos nós: "Por ora, deixa, é assim que devemos cumprir toda justiça!" Mt 3,15
    Ele garantiu, no Sermão da Montanha, que os justos serão plenamente correspondidos pelo Pai: "Felizes os que têm fome e sede da justiça, porque serão saciados." Mt 5,6
    Fez dela um preceito: "Antes buscai o Reino de Deus e sua justiça..." Mt 6,33
    E exigiu-a entre as advertências do "Ai de vós": "Ai de vós, hipócritas escribas e fariseus! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e desprezais os mais importantes preceitos da Lei: a justiça, a Misericórdia, a fidelidade." Mt 23,23a
    Assim como no exemplo de humildade dado pelo Mestre, São Paulo afirma que só pela obediência a Deus se chega à Sua justiça: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para obedecer-lhe, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça?" Rm 6,16
    Ora, a justiça, que Jesus veio ajudar-nos a cumprir, está estampada nos Mandamentos de Deus. O Apóstolo dos Gentios vai dizer aos romanos: "Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,3b-4
    E deixa patente que é o amor à Verdade que nos traz a Salvação, falando daqueles "... que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que os teria podido salvar." 2 Ts 2,10
    O próprio Jesus vai dizer: "Aquele que não Me ama, não guarda Minhas palavras." Jo 14,24a
    São João Evangelista sintetiza: "Nisto consiste o amor: que vivamos segundo Seus Mandamentos." 2 Jo 1,16

FORTALEZA

    É a virtude da firmeza e da perseverança, contra todas as dificuldades. É por ela que se resiste ao medo, às tentações e às injustiças. Ela confere destemor perante a própria morte, como demonstraram os mártires da Igreja.
    Foi a essa virtude que Jesus aludiu quando ensinou: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes temei Aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena." Mt 10,28
    E prometeu-nos Sua Paz como fortaleza: "Referi-vos essas coisas para que em Mim tenhais a Paz. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    Na parábola do semeador, falando sobre sementes para referir-Se à Palavra da Salvação, Ele aponta como é possível evoluir na Graça de Deus: "Aquela que caiu na boa terra são os que ouvem a Palavra com coração reto e bom, retêm-na e dão fruto pela perseverança." Lc 8,15
    Ela é um dos dons dos Santos, como afirmou São Lucas: "Estêvão, cheio de Graça e fortaleza..." At 6,8
    O rei Davi, por sinal, sabia muito bem de onde vinha sua força: "O Senhor é Meu rochedo, Minha fortaleza..." 2 Sm 22,2
    São Paulo confirma: "Mas o Senhor é fiel, e Ele há de dar-vos forças e preservar-vos do Mal." 2 Ts 3,3
    E disse a São Timóteo: "Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza..." 2 Tm 1,7
    Ele indicava-lhe o Evangelho como seguríssimo caminho: "Tu, porém, permanece firme naquilo que aprendeste e creste. Sabes de quem aprendeste." 2 Tm 3,14
    Referia-se a si mesmo, pois realmente era exemplar: "Não é minha penúria que me faz falar. Aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade. Tudo posso n'Aquele que me fortalece." Fl 4,11-13
    Por isso, pregava: "Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, por Seu soberano poder." Ef 6,10
    E bem sabia do que falava: "Porque, ainda que vivamos na carne, não militamos segundo a carne. Não são carnais as armas com as quais lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações." 2 Cor 10,3-4
    Já conforme seus seguidores, a fortaleza é uma inafastável condição para sermos Igreja, para sermos parte no Corpo Místico de Cristo: "Porque somos incorporados a Cristo, mas sob a condição de até o fim conservarmos firme nossa fé dos primeiros dias..." Hb 3,14


    Há, portanto, as VIRTUDES TEOLOGAIS, que vêm do profundo conhecimento de Deus e levam à plena Comunhão com Ele.
    Diz o Catecismo da Igreja: "As virtudes humanas fundam-se nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina. Pois as virtudes teologais referem-se diretamente a Deus. Dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto.
    As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas virtudes morais. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como Seus filhos e merecer a Vida Eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. Há três virtudes teologais: a , a esperança e a caridade." CIC §§ 1812-1813
    Elas foram apontadas por São Paulo: "Agora, portanto, permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e o amor. A maior delas, porém, é o amor." 1 Cor 13,13
    E vela por elas entre os tessalonicenses: "Com efeito, diante de Deus, Nosso Pai, continuamente pensamos nas obras da vossa fé, nos sacrifícios da vossa caridade e na firmeza da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo, sob o olhar de Deus, Nosso Pai." 1 Ts 1,3
    E falando da vigília à espera do Senhor, ele vai citá-las como armas de guarda: "Nós, ao contrário, que somos do dia, sejamos sóbrios. Tomemos por couraça a fé e o amor, e por capacete a esperança da Salvação." 1 Ts 5,8
    Diferente das VIRTUDES MORAIS, as teologais são infusas dádivas, isto é, só podem ser alcançadas por manifesto auxílio de Deus. Elas são o selo do Espírito Santo.



    Como disse Jesus, vir a acreditar n'Ele é um trabalho realizado pelo Pai: "A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou." Jo 6,29
    Ele expressou essa mesma realidade nestes termos: "Ninguém pode vir a Mim se o Pai, que Me enviou, não o atrair." Jo 6,44a
    Mas também ensinou que devemos afastar-nos das ilusões: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44
    Ora, Jesus falava de uma realidade muito além da natural: "Em verdade, em verdade, digo-vos: quem ouve Minha Palavra, e crê n'Aquele que Me enviou, tem a Vida Eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a Vida." Jo 5,24
    Por isso, afirma São Paulo: "Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17
    Ele recomenda a São Timóteo a companhia dos verdadeiros cristãos, que realmente cultuam a piedade: "Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a fé, a caridade, a Paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Pois através de Sua esplendorosa manifestação, Jesus deu-nos elementos que claramente apontam a grandeza do Pai. São João Evangelista testemunhou: "Sabemos que o Filho de Deus veio e deu-nos entendimento para conhecermos o Verdadeiro." 1 Jo 5,20
    E diz do Cristo em seu Evangelho: "Aquele que recebe Seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro." Jo 3,33
    Foi o Ele que fez por Sua Paixão e Ressurreição, como disse São Pedro: "Por Ele tendes fé em Deus, que O ressuscitou dos mortos e glorificou, a fim de que vossa fé e vossa esperança se fixem n'Ele." 1 Pd 1,21
    Assim como pela fundação da Igreja, na qual refulge Sua Glória pela indestrutível Unidade: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e amaste-os, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Os Apóstolos, com efeito, desde o início já sabiam Quem os podia fazer crer: "... disseram ao Senhor: 'Aumenta-nos a fé!'" Lc 17,5
    De fato, crer é um mistério. Os seguidores de São Paulo cravaram: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." Hb 11,1
    Ainda segundo eles, nossa busca pela Verdade não pode ser nem negligente nem presunçosa: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus..." Hb 11,6
    E evocando tantos testemunhos que recebemos, voltam a afirmar a obra da Salvação realizada por Jesus: "Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé, Jesus." Hb 12,1
    Contudo, reafirmando essa dádiva de Deus, e em diversos graus, São Paulo pede humildade: "Em virtude da Graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um razoavelmente modesto conceito, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu." Rm 12,3
    Porque a Sã Doutrina só pode ser assimilada e preservada por ação do Santo Espírito, a Terceira Pessoa de Deus. É o que vemos na recomendação que este Apóstolo dá a São Timóteo: "Guarda o Precioso Depósito, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós." 2 Tm 1,14
    Por isso, exorta Jesus: "E Eu digo-vos: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, abrir-se-lhe-á. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que LhO pedirem." Lc 11,9-10.13


ESPERANÇA

    Uma vez que nos submetemos aos Seus desígnios, é o próprio Deus que nos anima para a Vida Plena, como escreveu aos romanos o último Apóstolo: "O Deus da esperança encha-vos de toda alegria e de toda Paz na vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança!" Rm 15,13
    Essa obra, ainda segundo São Paulo, Deus realiza em nós através do amor que Jesus manifestou em Suas atitudes e ensinamentos, ao anunciar o Reino dos Céus: "Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, Nosso Pai, que nos amou e que nos deu consolação eterna e boa esperança pela Sua Graça, animem vossos corações e confirmem-nos para toda boa obra e palavra!" 2 Ts 2,16
    Pois Jesus é a própria esperança: "Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo por ordem de Deus, Nosso Salvador, e de Jesus Cristo, nossa esperança..." 1 Tm 1,1
    Ele é o Verbo que se fez carne, a Boa Nova, a própria Verdade: "Esperança que vos foi transmitida pela pregação da Verdade do Evangelho..." Cl 1,5
    E de fato, as Escrituras são um franco convite à esperança. São Paulo atesta: "Ora, tudo quanto outrora foi escrito, para nossa instrução foi escrito, a fim de que, pela perseverança e pela consolação que dão as Escrituras, tenhamos esperança." Rm 15,4
    Porque a esperança também é um mistério: "Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança. Porque o que alguém vê, como é que ainda o espera?" Rm 8,24
    Ele citou o exemplo grande patriarca: "Esperando contra toda esperança, Abraão teve fé e tornou-se pai de muitas nações..." Rm 4,18a
    E diz que devemos olhar para muito além da vida terrena, como ele exorta os coríntios: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19
    Pois só a Luz de Deus, fruto de íntima relação com Ele, pode fazer-nos compreender a grandeza de Seus projetos: "... que ilumine os olhos de vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados..." Ef 1,18
    Não perdê-la, porém, depende de nós, de nossa perseverança em função da promessa. No entanto, sem esquecer do exemplo e da boa companhia dos Santos: "Desejamos, apenas, que ponhais todo empenho em guardar intacta vossa esperança até o fim, e que, longe de tornardes-vos negligentes, sejais imitadores daqueles que pela fé e paciência se tornam herdeiros das promessas. Esperança esta que seguramos qual âncora de nossa alma, firme e sólida..." Hb 6,11.19
    E assim tudo devemos suportar, como ensina São Paulo: "Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana." Rm 5,3b-5a
    Ele explica a São Timóteo: "Eis uma verdade absolutamente certa e digna de fé: se nos afadigamos e sofremos ultrajes, é porque pusemos nossa esperança em Deus Vivo, que é o Salvador de todos homens, sobretudo dos fiéis." 1 Tm 4,9-10
    Diz ao Sinédrio, quando foi preso em Jerusalém: "Por causa da minha esperança na Ressurreição dos mortos é que sou julgado." At 23,6b
    E pede-nos: "Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração." Rm 12,12
    Pois para ela nós renascemos, segundo São Pedro: "Bendito seja Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo! Em Sua grande Misericórdia, ele fez-nos renascer pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos para uma viva esperança..." 1 Pd 1,3
    Para tanto, ele recomenda que, em espírito de mansidão, guardemos bem meditada a Sã Doutrina: "Portanto, não temais suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder, para vossa defesa, a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito." 1 Pd 3,15
    Com efeito, segundo São João Evangelista, ela representa nossa chance de recuperar a semelhança divina: "E todo aquele que n'Ele tem esta esperança torna-se puro, como Ele é puro." 1 Jo 3,3

AMOR

    É Jesus, pois, que nos infunde o amor ao Pai, pela absoluta fidelidade com que exerceu Sua Missão. Mencionando a Palavra que transmitiu aos Apóstolos, assim rezou a Ele na oração pela Unidade da Igreja: "Manifestei-lhes Teu Nome, e ainda hei de manifestar-Lho, para que o amor com que Me amaste esteja neles..." Jo 17,26
    E com o Pentecostes, quando se deu o nascimento da Igreja, o Espírito Santo tem consumado essa Graça. São Paulo diz: "Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5
    Pois é Ele, o Autor da Graça, que nos conduz à Vida Eterna: "Foi Epafras que nos informou do amor com que o Espírito vos anima." Cl 1,8
    É Ele Quem conduz a Igreja: "... pois todos que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,14
    É nesse amor, aliás, divinamente demonstrado por Jesus, que devemos perseverar. Ele recomenda: "Como o Pai Me ama, assim também Eu vos amo. Perseverai no Meu amor." Jo 15,9
    E indicou como fazê-lo: através da obediência: "Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes no Meu amor..." Jo 15,10
    Essa grande obra, enfim, é imensamente compensada pela Graça, como reza São Paulo: "A Graça esteja com todos que, com inalterável e eterno amor, amam Nosso Senhor Jesus Cristo." Ef 6,24
    Inebriado por esse amor, ele perguntava-se: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?" Rm 8,35
    Pertinaz, ele convida-nos a essa grande virtude: "Tendei à perfeição, animai-vos, tende um só coração, vivei em Paz, e o Deus de amor e Paz estará convosco." 2 Cor 13,11
    No mesmo sentido, diz São João Evangelista: "Aquele, porém, que guarda Sua Palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito." 1 Jo 2,5
    Diz mais: "Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." 1 Jo 4,8
    Contudo, não deixa de indicar a fonte: "Mas amamos, porque Deus nos amou primeiro." 1 Jo 4,19
    E aponta-o como a verdadeira fortaleza, a absoluta serenidade: "No amor não há temor." 1 Jo 4,18

    "Santificai-nos pelo dom de Vosso Espírito!"