quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Santa Inês


    Pertencente à nobreza, Agnes nasceu em Roma no ano de 291. De extrema beleza, aos 12 anos era cortejada por muitos nobres com pedidos de casamentos, como era comum à época, mas seus pais bem conheciam sua precoce personalidade e assim respeitavam a clara inclinação que tinha para a vida religiosa, não a prometendo a ninguém. Ela já tinha feito voto de castidade.
    Aos 13 anos, foi pedida em casamento por Fúlvio, filho de Semprônio, prefeito de Roma. Após várias insistências, porém, e sempre a mesma respeitosa mas firme recusa, pois ela não se escondia atrás de seus pais, foi denunciada sob a suspeita de ser cristã, e para a testar o prefeito obrigou-a a prestar culto a Vesta, a deusa romana do lar e do fogo. Sábia apesar da pouca idade, Santa Inês prontamente objetou: "Se recusei seu filho, que é um homem vivo, como pode pensar que eu aceite prestar honras a uma estátua que nada significa para mim? Meu esposo não é desta Terra."


    Diante de tão veemente testemunho, mas em consideração a sua família, e principalmente a seu apaixonado filho, Semprônio tentou argumentar com ela, dizendo que era ainda muito jovem, tinha toda vida pela frente e estaria apenas iludida com aquela nova religião. Porém, como logo percebeu que não conseguiria fazê-la prestar o sacrifício pagão, lembrou-lhe das execuções de que padeciam os cristãos e veladamente ameaçou-a de morte, alegando que os deuses poderiam ficar furiosos com sua recusa.
    Santa Inês, no entanto, não era nem despreparada nem inconstante, e tinha a virtude da fortaleza. Diante de todos presentes demonstrou impressionante maturidade espiritual ao defender sua : "Sou jovem, é verdade, mas a fé não se mede pelos anos e sim pelos sentimentos. Deus mede a alma, não a idade. Quanto aos deuses, podem até ficar furiosos, que eu não os temo. Meu Deus é amor."
    Calado por uma adolescente ainda em seus rebentos, o prefeito irritou-se e ordenou que a levassem ao prostíbulo do Circo Agnolo, lugar de diversões públicas, para que fosse abusada. Mas quando foi apresentada nesse imundo ambiente, e retiraram-lhe as roupas diante dos homens, seus cabelos, instantaneamente crescidos, foram vistos longos até os pés, recobrindo todo seu corpo. E tão forte e celestial Luz irradiava a sua volta que ninguém ousou aproximar-se dela.
    Enquanto ela saia do prostíbulo, Fúlvio, totalmente transtornado e contrariando a vontade do pai, correu em sua direção para a abraçar. Mas, como chovia, ele foi atingido por um raio e ali mesmo morreu. Ao ser informado da tragédia, e imaginando que havia sido um castigo, Semprônio desesperadamente correu ao lugar e implorou a Santa Inês que pedisse a Deus pela vida de seu filho. Sinceramente comovida, ela pôs-se a rezar e o rapaz logo ressuscitou.
    Começava, naquele instante, a conversão de Semprônio e de Fúlvio ao Catolicismo. Agradecido e profundamente tocado, o prefeito mandou que dali se retirassem todos que haviam sido encarregados de levá-la ao prostíbulo.
    Contudo, mesmo ouvindo tão impressionantes relatos, o vice-prefeito Aspásio não se deu por convencido. Incrédulo e sem atender aos apelos de Semprônio, que temia ser descoberto pelo imperador, convocou Santa Inês para um novo interrogatório, quando mais uma vez e destemidamente nossa Santa afirmou sua fé. Sentindo-se ultrajado por suas convictas declarações, mas demonstrando indiferença e a costumeira arrogância vista na corte romana, Aspásio sucintamente ordenou que fosse queimada viva.
    Desejando testemunhar Jesus pelo martírio, como os demais cristãos de seu tempo, ela serenamente caminhou ao ser conduzida à fogueira. Quando a acenderam, porém, as chamas abriam-se em sua volta e não lhe queimavam nem mesmo as roupas, mas voltavam-se na direção dos carrascos em grandes línguas de fogo.


    Exasperado e querendo vê-la de qualquer maneira morta, mas já duvidando se isso seria possível, com medo de passar novo vexame o vice-prefeito desistiu de fazê-la sofrer aos poucos, naqueles corriqueiros espetáculos de barbárie para intimidar os cristãos, e mandou que dali fosse retirada para o calabouço, onde Santa Inês foi sumariamente decapitada. Antes de ser golpeada, ela serenamente disse, afirmando seu casamento místico com Cristo: "Aquele que me escolheu primeiro, recebê-me-á."
    Graças à influência de sua família, seu corpo não foi jogado no rio Tibre, como Aspásio havia ordenado. Levaram-no para sepultar na Via Nomentana, cujas catacumbas passaram a levar seu nome. Era 21 de janeiro.


    Desconsolados, seus pais diariamente iam rezar junto ao túmulo, até que, 8 dias depois do martírio, ela apareceu-lhes segurando um Branco Cordeiro, ou seja, o próprio Jesus, e na outra mão a palma (cf. Ap 7,9) que representa a vitória (cf. Ap 2,26) dos Santos (cf. Ap 20,6). Estava rodeada de anjos, e na Glória de Deus. Por conta das perseguições do imperador, o lugar tornou-se um discreto santuário para
os cristãos, que por pedidos de intercessão (cf. Ap 6,10) e peregrinações alcançavam grandes milagres.


    Santa Inês foi martirizada em 304, mais sangrento ano das perseguições perpetradas por Diocleciano, que em seu quarto 'Édito contra os cristãos' os obrigava a prestar sacrifícios públicos aos deuses pagãos, com punição de execução sumária para quem se recusasse.
    São Jerônimo, Padre Latino e Doutor da Igreja que viveu em 347 e 420, escreveu sobre ela: "Memória de Santa Inês, virgem e mártir, que, ainda jovem, deu a Roma o supremo testemunho de fé e consagrou a fama de sua castidade com o martírio. Assim, venceu tanto sua tenra idade quanto o tirano, conquistando a admiração do povo e obtendo ainda maior Glória de Deus."


    A devoção a Santa Inês é uma das mais antigas da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, e seu nome é citado no Cânon Romano, a Oração Eucarística I, a mais antiga e tradicional da Santa Missa.
    É padroeira das virgens, das noivas, da castidade e da Ordem da Santíssima Trindade, mendicante, criada em 1193 para libertar escravos, em particular cristãos escravizados por muçulmanos.
    Em 354, Constantina, neta de Santa Helena e filha de Constantino, primeiro imperador que se converteu, mandou desenterrar suas relíquias e no mesmo lugar mandou erguer uma linda basílica em sua homenagem, uma das mais antigas igrejas de Roma.
    

    Aí, no dia de sua veneração é realizada uma Santa Missa Solene na qual se benze dois cordeirinhos, para mais tarde serem apresentados ao Papa e entregues às Irmãs de Santa Cecília, que os tosquiam e com a lã confeccionam pálios. Esses pálios são apresentados no altar da Basílica de São Pedro, na noite da vigília do dia de São Pedro e São Paulo, e depois enviados aos novos arcebispos pelo mundo como um sinal da pureza da Santa Igreja Católica, representada por Santa Inês, e de sua fidelidade a Cristo, representado pelo Bispo de Roma.


    Agnes, em grego, de onde vem nosso 'Inês', significa pura, casta. Em latim, Agnus, significa cordeiro.
    Exames forenses, recentemente realizados no crânio guardado em seu túmulo, atestaram que se trata de uma menina de 13 anos, do século IV.


    Santa Inês, rogai por nós!