A Igreja Apostólica, portanto, nasceu com a Vinda do Espírito de Deus, e desde então falando ao mundo inteiro: "Todos eles (Apóstolos) unanimemente perseveravam em oração, junto às mulheres, entre elas Maria, Mãe de Jesus, e os irmãos d'Ele. Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como se um impetuoso vento soprasse, e encheu toda casa onde estavam sentados. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." At 1,14:2,1-4 Ora, o verdadeiro cristão é um sinal do Espírito de Deus para o mundo, como Jesus havia prometido em Jerusalém invocando o Livro do Profeta Zacarias e o Livro do Profeta Isaías, e o Evangelho Segundo São João explicou: "Quem crê em Mim, como a Escritura diz: 'De seu interior manarão rios de Água Viva (Zc 14,8; Is 58,11).' Dizia isso, referindo-Se ao Espírito que haviam de receber aqueles que n'Ele cressem, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado." Jo 7,38-39 E a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, contrastando o Antigo e o Novo Testamento, diz com todas letras que vivemos sob o Ministério do Espírito Paráclito: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face, embora transitório, quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito?" 2 Cor 3,7
Também deixou claro que a
Palavra de Deus não pode ser corretamente interpretada sem a ajuda do Divino Paráclito, pois o
Magistério da Igreja Católica não é mera letra escrita mas Sua própria inspiração: "Não que sejamos capazes por nós mesmos de ter algum
pensamento, como de nós mesmos. Nossa capacidade vem de Deus. Ele é que nos fez aptos para sermos
Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Porque a letra mata, mas o Espírito vivifica." 2 Cor 3,5-6
A Segunda Carta de São Pedro diz o mesmo, afirmando que a
Palavra de Deus não pode ser interpretada de pessoal modo. Ou seja, todos devem buscar o entendimento da
Revelação que a
Igreja fundada por Jesus já possui desde o início: "Antes de tudo, sabei que nenhuma
profecia da Escritura é de pessoal interpretação. Porque profecia alguma jamais foi proferida por humana vontade. Homens inspirados pelo Espírito Santo, falaram da parte de Deus." 2 Pd 1,20-21
Doutrina que a Carta de São Judas atesta com concluída, falando da "... fé, de uma vez para sempre confiada aos Santos." Jd 3c
Ou seja, ao invés de literais e pessoais interpretações, temos que acolher o que já foi revelado pelo Espírito Santo, pois Jesus prometeu à Santa Igreja, e só a ela, nas pessoas dos Apóstolos, a assistência do Divino Paráclito, que desde o Pentecostes jamais a abandonou por um instante sequer: "E Eu rogarei ao Pai e Ele dá-vos-á outro Consolador, para que eternamente fique convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,16-17
E quanto aos verdadeiros católicos, Ele disse à samaritana quando estava junto ao poço de Jacó: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai no espírito e na Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e Seus adoradores devem adorá-Lo no espírito e na Verdade." Jo 4,23-24
Ora, Ele identificou-O como Aquele que vinha para ensinar todas coisas de que realmente precisamos saber, e nos fazer recordar tudo que Ele já havia dito: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensiná-vos-á todas coisas e recordá-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26 É Ele, pois, que tem guiado a
Santa Madre Igreja através dos
tempos, levando-nos a compreender as
Revelações de Deus desde a Criação até os assuntos que surgem pelos séculos. Nosso Senhor acrescentou: "Quando o Espírito da Verdade vier, ensiná-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,13
De fato, os Apóstolos não podiam, em tão breve período, compreender tudo que Jesus tinha para ensinar. Ele mesmo disse-lhes: "Muitas coisas ainda tenho a vos dizer, mas agora não podeis suportá-las." Jo 16,12 Por isso, Ele enviou o Santo Espírito para que permanecesse para sempre com
Sua Igreja, Cuja primeira Missão é reconfortar
Seu rebanho, como visto: "E Eu rogarei ao Pai e Ele dá-vos-á outro Consolador, para que eternamente fique convosco." Jo 14,16
Pois Ele é o maior e melhor presente que Deus nos concede, ainda segundo
Nosso Salvador, que prega no Evangelho Segundo São Lucas: "Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo àqueles que LhO pedirem." Lc 11,13
ESPÍRITO DE COMUNHÃO
Devemos ajudar uns aos outros, portanto, unidos pelo Espírito em oração, como
São Judas Tadeu recomenda: "Mas vós, caríssimos, mutuamente vos edificai sobre o fundamento de vossa santíssima fé. Rezai no Espírito Santo." Jd 20
Porque se temos o dom do Santo Paráclito, não temos como fugir desses compromissos, segundo a Carta de São Paulo aos Romanos: "Pois os
dons e o chamado de Deus são irrevogáveis." Rm 11,29
Trata-se de muito profunda
Comunhão, conforme a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: "... quem se une ao Senhor, com Ele torna-se um só Espírito." 1 Cor 6,17
Ele também diz da
Paixão de Cristo, que devemos abraçar como
nosso Caminho: "Se com Ele fomos feitos o mesmo Ser, por uma morte semelhante à Sua..." Rm 6,5a
Pois só a Unção do Espírito de Deus,
propriamente o
Sacramento da Crisma, nos conduz à Verdade, como Jesus disse e a Primeira Carta de
São João repetiu: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas coisas. ... a Unção que d'Ele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine. Mas como Sua Unção vos ensina todas coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei n'Ele, como ela vos ensinou." 1 Jo 2,20.27
Por isso, desde os Apóstolos, a Igreja Una conta com o testemunho de seus membros, como foi determinado por Jesus: "Aceitamos o testemunho dos homens." 1 Jo 5,9a
Ele reclamou o acolhimento desta instrumento de Deus, no Evangelho Segundo
São Marcos, e ainda no
Domingo da Ressurreição: "Por fim, Ele
apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem nos que O tinham visto ressuscitado." Mc 16,14
E também repreendeu a São Tomé, pelo mesmo motivo, no marcante mas egocentrista episódio do 'ver para crer': "Não sejas incrédulo, mas homem de fé." Jo 20,27b Tais dons, pois, têm por inafastável fim conduzir-nos à Unidade da fé, porque para isso somos inspirados por um só Espírito, como São Paulo prega: "Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só Corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres. E todos fomos impregnados do mesmo Espírito." 1 Cor 12,4.13
Unidade que a Carta de São Paulo aos Efésios assim detalha: "Aquele (
Cristo) que desceu também é
Aquele que subiu acima de todos
Céus, para levar todas coisas à plenitude. A uns Ele constituiu Apóstolos, a outros, profetas, a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o
aperfeiçoamento dos santos em vista do
Ministério, para a edificação do Corpo de Cristo, até que todos alcancemos a unidade da fé e do
pleno conhecimento do Filho de Deus, o estado de Perfeito Homem, a
estatura da plenitude de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer
sopro de doutrina, ao
capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios. Mas pela sincera prática do
amor, cresçamos em todos sentidos em direção Àquele que é a Cabeça, Cristo, cujo Corpo, em sua inteireza, bem ajustado e unido por meio de toda junta e ligadura, com a harmoniosa operação de cada uma de suas partes, realiza seu crescimento para sua própria edificação no amor." Ef 4,10-16
Porque a missão da Igreja Viva é a elevação dos
filhos de Deus, como os seguidores da
tradição de São Paulo atestaram na Carta aos Hebreus: "Porque aqueles que uma vez foram iluminados, saborearam o dom celestial, participaram dos dons do Espírito Santo..." Hb 6,4
Divina filiação que se realiza através da Divina Adoção operada pelo Santo Paráclito, como foi revelado pela Carta de São Paulo aos Gálatas: "Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho, que
nasceu de uma
mulher e nasceu submetido a
Lei, a fim de remir aqueles que estavam sob a Lei, para que recebêssemos Sua Adoção. A prova de que sois filhos é que Deus enviou a vossos corações o Espírito de Seu Filho, que clama: 'Aba, Pai!'" Gl 4,4-6
Ele torna a dizer: "Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para ainda viverdes no temor, mas recebestes o Espírito de Adoção, pelo Qual clamamos: 'Aba! Pai!'" Rm 8,15
E assim afirma o grande diferencial que se estabeleceu pelo Pentecostes, dia no nascimento da Santa Igreja Católica, contrastando o Novo e o Antigo Testamento: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. ... pois todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus." Rm 8,2.14 Vida que se prorrogará pela eternidade, pois Ele havia dito: "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão, viverá eternamente." Jo 6,51a
Mas também havia advertido: "Na Verdade, na Verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53b
Nestes mesmos termos, apresentando-Se como
igual a Deus, havia explicado Sua
Divindade: "Com efeito, como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá Vida, assim o Filho também dá Vida a quem Ele quer." Jo 5,21
Sua própria Vida: "Pois como o Pai tem a Vida em Si mesmo, assim também deu ao Filho ter a Vida em Si mesmo..." Jo 5,26
Sua Palavra, que é Ele mesmo, o Verbo Encarnado (cf. Jo 1,14), e estava sendo rejeitada pelos judeus: "E vós não quereis vir a Mim, para que tenhais a Vida..." Jo 5,40
Seu próprio poder: "O Pai ama-Me porque dou Minha Vida para a retomar. Ninguém a tira de Mim, mas dou-a por Mim mesmo, pois tenho poder para a dar como tenho poder para a reassumir." Jo 10,17-18a
Vida que é Ele próprio,
Único Caminho para Deus: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6b
Por isso, São João Evangelista vai dizer de Nosso Senhor: "N'Ele havia a Vida, e a Vida era a Luz dos homens." Jo 1,4
Mais: "... porque a Vida se manifestou, e nós temo-la visto..." 1 Jo 1,2a
Ele completa: "E o testemunho é este: Deus deu-nos a
Vida Eterna, e esta Vida está em Seu Filho. Quem possui o Filho, possui a Vida, quem não tem o Filho de Deus, não tem a Vida." 1 Jo 5,11-12
Aliás, assim arrematou seu Evangelho: "Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste Livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,30-31 Assim, movida pelo próprio Deus, em assuntos de fé a Santa Igreja é infalível. A Palavra que ela divulga é a própria Água Viva que Nosso Senhor prometeu (cf. Jo 7,38), como todos Apóstolos ouviram após serem presos por ordem do sinédrio, o conselho dos judeus em Jerusalém: "Mas, de noite, um anjo do Senhor abriu as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes: 'Ide e apresentai-vos no
Templo, e pregai ao povo as Palavras desta Vida.'" At 5,19-20
É o que tem acontecido desde o Antigo Testamento, como
Santo Estevão disse sobre Moisés perante o sinédrio: "Este é aquele que esteve entre o povo congregado no deserto, com o anjo que lhe falara no monte Sinai e com nossos pais. Aquele que recebeu Palavras de Vida para nos transmitir." At 7,38
Grande Santo, São Paulo tinha isso por missão, como se apresentou na Segunda Carta de São Paulo
a São Timóteo: "Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, para anunciar a promessa da Vida que está em Jesus Cristo..." 2 Tm 1,1 Fala, no entanto, de uma vida de tribulações neste mundo: "Trazemos sempre em nosso corpo os traços da Morte de Jesus, para que a Vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo. Embora estando vivos, a toda hora somos entregues à morte por causa de Jesus, para que a Vida de Jesus também apareça em nossa carne mortal." 2 Cor 4,10-11 Bem como fala do poder que nela há: "Se quando ainda éramos inimigos, fomos
reconciliados com Deus pela Morte de Seu Filho, com muito mais razão, já estando reconciliados, seremos salvos por Sua Vida." Rm 5,10
E garantiu: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais por Seu Espírito que em vós habita. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer. Mas se pelo Espírito
mortificardes as obras da carne, vivereis..." Rm 8,11.13
Acabou
afirmando, p
ortanto, o Purgatório: "Para isso é que Cristo morreu e retomou a Vida, para ser o Senhor tanto dos mortos como dos vivos." Rm 14,9 A Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses também: "Ele morreu por nós, a fim de que nós, quer em estado de vigília, quer de sono, vivamos em união com Ele." 1 Ts 5,10
Ora, assim Jesus definiu o próprio Pai, dizendo de todas almas, mesmo as condenadas ao
inferno, pois são imortais (cf. Mt 10,28): "Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, porque para Ele todos vivem." Lc 20,38
Disse de
Sua Morte na
Santa Cruz e de nossa condição de católicos para a eternidade: "Ainda um pouco de tempo e o mundo já não Me verá. Vós, porém, tornareis a Me ver, porque Eu vivo e vós vivereis." Jo 14,19
E assim anunciou Sua Ressurreição, atestando nossa
Comunhão com Deus: "Naquele dia, conhecereis que estou em Meu Pai, e vós em Mim e Eu em vós." Jo 14,20
Ele questiona-nos: "Examinai a vós mesmos, se estais na fé. Provai-vos a vós mesmos. Acaso não reconheceis que Cristo Jesus está em vós?" 2 Cor 13,5a
Citando o Livro de Gênesis, ele apontou Jesus como o Novo Adão, de absolutamente nova condição: "Como está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito vivente alma (Gn 2,7). O Segundo Adão é Vivificante Espírito." 1 Cor 15,22.45
São João Apóstolo, portanto, diz do Salvífico Amor: "Nisto manifestou-se o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo Seu único Filho, para que por Ele vivamos." 1 Jo 4,9 Já a Carta de São Paulo aos Colossenses exorta, defendendo a Tradição Oral, chamada Sagrada Tradição: "Como recebestes o Senhor Jesus Cristo, n'Ele vivei, n'Ele enraizados e edificados, inabaláveis na fé em que fostes instruídos, com o coração a transbordar de gratidão!" Cl 2,6-7
Porém, havia advertido: "Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se o Espírito de Deus realmente habita em vós. Se alguém não possui o
Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9
Ora, testemunhar Cristo é uma questão de obediência a Deus, e assim à Verdade. Afirmando a Ressurreição e a Ascensão do Senhor, bem como a Salvação que Ele concede aos arrependidos através do Sacramento da Confissão dos pecados, São Pedro afirmou perante o conselho dos judeus de Jerusalém como se recebe o Divino Paráclito: "Destes fatos, nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32 Temendo pelo pior e alertando do poder que temos de, pelo Livre Arbítrio, darmos as costas para Deus, ele exclama: "Não extingais o Espírito." 1 Ts 5,19
Sem dúvida, é a Ele que
ofendemos com nossos pecados, pois Ele é o Selo que nos garante a
Salvação: "Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o Qual estais selados para o
Dia da Redenção." Ef 4,30
Assim como é por Seu poder que os
Sacerdotes da Igreja têm o poder de perdoar os pecados em caso de Confissão, pois para tanto Nosso Salvador tratou de ungir os Dez Apóstolos após ressuscitar, e logo em Sua primeira aparição: "Depois dessas palavras, Jesus soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, sê-lhes-ão perdoados. Àqueles a quem os retiverdes, sê-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23
O próprio Evangelho, enfim, só pode ser anunciado através de Seu poder, segundo São Paulo: "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que entre vós temos sido para vossa Salvação." 1 Ts 1,5
Tornou a dizer, agora aos cristãos da cidade de Corinto: "Minha palavra e minha pregação longe estavam da eloquência persuasiva da Sabedoria. Eram, antes, uma demonstração do Espírito e do poder divino," 1 Cor 2,4
E todas revelações trazem a plenitude da Verdade, nas palavras dos discípulos de São Paulo: "Porque a Palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes, e atinge até a divisão da alma e do espírito, das juntas e das medulas, e discerne os pensamentos e as intenções do coração." Hb 4,12 A Igreja Apostólica, portanto, guarda a Sã Doutrina por Sua virtude, que age em Seus Sacerdotes e fiéis. Referindo-se ao conjunto da Revelação, São Paulo recomenda a São Timóteo: "Guarda o Precioso Depósito, pela virtude do Espírito Santo que em nós habita." 2 Tm 1,14 Ele diz a todos católicos
: "Não há dúvida de que vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso Ministério e escrita. Não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, em vossos corações." 2 Cor 3,3 Os seguidores deste grande Apóstolo deixaram fortes argumentos sobre a importância da Palavra desde o início da Revelação, e que desde o Pentecostes é guardada e divulgada pela Santa Igreja: "Por isso, é necessário prestarmos a maior atenção à mensagem que temos recebido, para não acontecer que nos desviemos do Reto Caminho. A Palavra anunciada por intermédio dos
anjos era a tal ponto válida, que toda transgressão ou desobediência recebeu o justo
castigo. Como, então, escaparemos nós se agora desprezarmos a mensagem da Salvação, tão sublime, primeiro anunciada pelo Senhor e depois confirmada por aqueles que a ouviram, comprovando-a o próprio Deus por sinais, prodígios, milagres e pelos dons do Espírito Santo, repartidos segundo
Sua vontade?" Hb 2,1-4
Ora, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo, como parte das Escrituras que é, afirmou que é a Igreja Católica, e não as próprias Escrituras, a guardiã a Verdade. Isso acontece porque, instantemente inspirada pelo Espírito Santo como Jesus prometeu (cf. Jo 16,13), a Igreja é viva como Deus é Vivo: "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na
Casa de Deus, que é a Igreja de Deus Vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15
E a Segunda Carta de São João, que se apresenta como um Presbítero, nosso
Padre, revelou que a Verdade sempre permanecerá com a Igreja que Jesus fundou: "O Ancião à Eleita Senhora e a seus filhos, que amo na Verdade. Não somente eu, mas todos que também conheceram a Verdade, por causa da Verdade que em nós permanece e que eternamente ficará conosco." 2 Jo 1,1-2
Por tudo isso, imaginar a Igreja 'afastada da Palavra' ou vencida por
Satanás é grande blasfêmia. Antes, ela é um
pedaço do Céu, o
Reino de Sacerdotes de Deus (cf. Ap 1,6) pelo qual a Santa Missa se torna possível. Citando o Livro de Deuteronômio, os seguidores de São Paulo disseram: "Sim, possuindo nós um Inabalável
Reino, com
temor e respeito dediquemos a Deus um reconhecimento que Lhe torne agradável nosso culto, porque Nosso Deus é um fogo devorador (Dt 4,24)." Hb 12,28
Pois, como visto, ela é plenamente animada pelo "... Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29 Assim, a Igreja jamais vai sucumbir às forças de Satanás, como Ele mesmo garantiu no Evangelho Segundo São Mateus: "As portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18b Isso já havia sido revelado no Livro do Profeta Daniel, séculos antes, que registrou sobre Nosso Salvador: "... Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,14b E não podia ser de outra forma, pois a Igreja é de Jesus e por Ele é pessoalmente edificada: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja." Mt 16,18a Ele alimenta-a e dela cuida, como São Paulo assegurou: "Ninguém jamais odiou sua própria carne. Ao contrário, alimenta-a e cerca-a de cuidados, como Cristo faz com Sua Igreja." Ef 5,29 Enfim, é Jesus mesmo Quem escolhe Seus Sacerdotes, para ministrar Sacramentos que valem para a eternidade: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a
Escolhas que Ele continua fazendo através da Igreja Una, porque age em colegiado e em Seu Nome, quer dizer, obedecendo a tudo que Ele ordenou (cf. Mt 28,20), como prometeu aos Apóstolos, e não a qualquer um: "Na Verdade, digo-vos: tudo que ligardes sobre a Terra será ligado no Céu, e tudo que desligardes sobre a Terra também será desligado no Céu. Ainda vos digo isto: se dois de vós se unirem sobre a Terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de Meu Pai que está nos Céus. Porque onde dois ou três estiverem reunidos em Meu Nome, aí estou Eu em meio a eles." Mt 18,18-20
DONS ESPIRITUAIS
Ora, assumindo sua posição de
Primeiro Papa da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, num de seus primeiros sermões São Pedro foi movido pelo Espírito de Deus para destemidamente falar aos sacerdotes judeus no sinédrio, quando ele e o
Amado Discípulo foram presos pela primeira vez: "Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: 'Chefes do povo e anciãos,
ouvi-me...'" At 4,8
Aliás, tal qual Jesus havia garantido: "Porém, quando vos levarem às sinagogas, perante os magistrados e as autoridades, não vos preocupeis com o que haveis de falar em vossa defesa, porque o Espírito Santo vos inspirará o que deveis dizer naquela hora." Lc 12,11-12
Assim, quem mentia ao
Príncipe dos Apóstolos, representante máximo da
nascente Comunidade Messiânica (cf. Mt 16,19), mentia ao Espírito Santo, ou seja, ao próprio Deus: "Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que Satanás tomou conta de teu coração, para mentires ao Espírito Santo e enganares acerca do valor do campo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus!'" At 5,3.4b
Os sete primeiros Diáconos da Igreja Una, que seriam auxiliares dos Apóstolos, foram escolhidos exatamente por serem movidos pelo Espirito de Deus, como o Colégio dos Apóstolos determinou: "Portanto, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de
Sabedoria, aos quais encarregaremos este ofício." At 6,3
E como Santo Estevão bem expressou, um desses sete, contrariar a Igreja é contrariar o Divino Espírito. Numa inversão de papéis, ele condenou os chefes dos judeus que se haviam reunido no sinédrio para o julgar, sob falsas acusações de estar negando a Lei de Deus: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo. Como procederam vossos pais, também procedeis vós!" At 7,51
Ora, os Apóstolos, fundamentos da Igreja de Deus Vivo (cf. Ef 2,20), ministravam os Sacramentos do Batismo e da Crisma pela unção do Espírito de Deus, como vemos no 'Pentecostes dos Samaritanos', também presidido por São Pedro: "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e
João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que ainda não havia descido sobre nenhum deles, mas somente tinham sido batizados em Nome do Senhor Jesus. Então os dois Apóstolos lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo." At 8,14-17
Era, pois, pela ação do Divino Paráclito que a Barca de São Pedro (cf. Lc 5,3) crescia: "A Igreja então gozava de Paz por toda Judeia, Galileia e Samaria. Estabelecia-se caminhando no temor ao Senhor, e a assistência do Espírito Santo fazia-a crescer em número." At 9,31 Foi Ele mesmo Quem decidiu, pela pregação de São Pedro, descer sobre os não judeus, pois quer
agregar todos povos em Sua Igreja. Era o 'Pentecostes dos Gentios', também presidido por nosso Primeiro Papa, alcançando as três vertentes religiosas apontadas por Jesus (cf. At 1,8), em símbolo representando toda Terra: "Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos que ouviam a Palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram vendo que o dom do Espírito Santo também era derramado sobre os não judeus..." At 10,44-45
São Barnabé, que num lapso chegou a ser chamado de Apóstolo (cf. Ap 14,14), igualmente só conseguia atrair tanta gente para a Igreja porque o Espírito de Deus agia por seu intermédio: "A notícia dessas coisas chegou aos ouvidos da igreja de Jerusalém. Enviaram então Barnabé até Antioquia. Ao chegar lá, alegrou-se, vendo a Graça de Deus, e a todos exortava a perseverar no Senhor com firmeza de coração, pois era um homem de bem, cheio do Espírito Santo e de fé. Assim uma grande multidão se uniu ao Senhor." At 11,22-24 É o Espírito de Cristo, portanto, Quem decide quais missões são mais importantes para a divulgação do Evangelho, como aconteceu ainda na Antioquia durante uma Santa Missa: "Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.'" At 13,2
Ora, foi Ele Quem decidiu o Primeiro Concílio da Igreja, como
São Tiago Menor afirmou como
Bispo de Jerusalém, cargo lhe foi transmitido por São Pedro (cf. At 12,17), que pelas perseguições que sofria teve que iniciar uma vida de missões (cf. At 9,32): "Com efeito, bem pareceu ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
Também decidia as áreas de atuação, como determinou a São Paulo e São Timóteo: "Atravessando em seguida Frígia e a província de Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra de Deus na província de Ásia." At 16,6 Bem como
as áreas de não atuação: "Ao chegarem aos confins da Mísia, tencionavam seguir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu." At 16,7 É Ele Quem investe os Sacerdotes da Igreja, como São Paulo disse aos Anciãos, em grego Presbíteros, afirmando a
Divindade de Jesus: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28
É Ele Quem nos leva a
amar a Deus e ao próximo (cf. Mc 12,29s), ou seja, ao
verdadeiro amor, como São Paulo ensinou: "E a
esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5
É Ele Quem nos dá a esperança que conduz à Vida Eterna: "O Deus da esperança encha-vos de toda alegria e de toda Paz em vossa fé, para que pela virtude do Espírito Santo transbordeis de esperança!" Rm 15,13 Pois desde o Batismo, o Espírito de Deus vem habitar em nós: "Ou não sabeis que vosso corpo é
Templo do Espírito Santo, que em vós habita, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo,
já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
É Ele Quem constantemente intercede pelos 'santos', como ele genericamente chamava os membros da Igreja: "E Aquele que perscruta os corações sabe o que o Espírito deseja, o Qual intercede pelos santos, segundo Deus." Rm 8,27
E socorre-nos em nossas maiores fragilidades: "Assim, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza. Porque não sabemos o que devemos pedir, nem rezar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inexprimíveis gemidos." Rm 8,26
Portanto, não há como fazer parte da Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo, a
habitação de Deus, sem Ele, que nos faz participar da
Comunhão dos Santos: "Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos Santos e membros da
família de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e profetas, tendo por Pedra Angular o próprio Cristo Jesus. É n'Ele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um Santo Templo no Senhor. É n'Ele que vós também entrais, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus." Ef 2,19-22
Com efeito, é Ele Quem distribui os divinos dons, e sempre visando o bem da comunidade eclesial, nunca para a atacar: "A cada um é dada a manifestação do Espírito para comum proveito. Mas é um e o mesmo Espírito que distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,7.11
Pois a exclusiva razão de ser desses dons é servir à Igreja Católica, que é o Reino de Sacerdotes, ou seja, o próprio Reino de Deus: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
Enfim, só com Sua ajuda somos capazes de compreender a Missão de Jesus e reconhecê-Lo como Deus, e Nosso Salvador: "... ninguém pode dizer: 'Jesus é o Senhor', senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3
"Lembrai-Vos, ó Pai, de Vossa Igreja!"