terça-feira, 7 de agosto de 2018

A Verdadeira Liberdade


    Falando por Deus, o Profeta Isaías antecipou as palavras do discurso inaugural da vida pública de Jesus, o Messias, cuja Missão é "... anunciar aos cativos a Redenção, e aos prisioneiros a liberdade..." Is 61,1
    Ele certamente referia-se a algo maior, muito além da mera liberdade de ir e vir. Falava de uma sutil escravidão, mas nem por isso menos sufocante e destruidora. E é Jesus mesmo Quem nos diz mais claramente de qual escravidão Ele veio libertar-nos: "... todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo." Jo 8,34
    Referindo-se, portanto, a todos inimigos, principalmente às forças invisíveis, no dia do nascimento de São João Batista, seu filho, o sacerdote Zacarias explicita a missão de Jesus, dizendo que só por Sua Redenção podemos apropriadamente louvar a Deus: "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou Seu povo, e suscitou-nos um Poderoso Salvador, na casa de Davi, Seu servo (como desde os primeiros tempos havia anunciado mediante Seus santos Profetas), para livrar-nos de nossos inimigos e das mãos de todos que nos odeiam. Assim exerce Sua Misericórdia com nossos pais, e recorda-Se de Sua Santa Aliança, segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de conceder-nos que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e justiça, em Sua presença, todos dias da nossa vida." Lc 1,68-74
    Sob as forças invisíveis, São Paulo foi ainda mais explícito: "Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste tenebroso mundo, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares." Ef 6,12
    E diz do recente passado dos membros da igreja de Éfeso: "E vós estáveis mortos por vossas faltas, pelos pecados que outrora cometestes seguindo o modo de viver deste mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos rebeldes." Ef 2,1-2
    Nessa perspectiva, ele explica o que efetivamente representam os valores que cultuamos: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para obedecer-lhe, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça?" Rm 6,16
    Por isso, ele reza para que os incrédulos sejam libertados da impenitência e das ilusões, como diz a São Timóteo: "... na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do demônio, que os mantém cativos e submetidos a seus caprichos." 2 Tm 2,26
    Mas como poderíamos ser realmente livres se, como é notório da realidade que se vive, não podemos contemplar a Glória de Deus, como escreveu São Paulo? "... todos pecaram e todos estão privados da Glória de Deus..." Rm 3,23
    Ora, essa é a maior angústia da humanidade, que sonha com a eternidade e "... espera ser libertada da escravidão da corrupção, em vista da liberdade que é a Glória dos filhos de Deus." Rm 8,21
    Para esse fim, Jesus ungiu os Apóstolos, para que pudessem viver e promover a verdadeira união facultada por Sua Igreja, que é Seu Corpo Místico: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim. Para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e amaste-os, como amaste a Mim. Pai, quero que onde Eu estou, Comigo estejam aqueles que Me deste, para que vejam Minha Glória, que Me concedeste, porque Me amaste antes da criação do mundo." Jo 17,22-24
    E eis que São Paulo atesta: "... quem se une ao Senhor, torna-se com Ele um só Espírito." 1 Cor 6,17
    De fato, tal purificação dá-se pela guarda de Sua Palavra, como Ele disse aos Apóstolos: "Vós já estais puros pela Palavra que vos tenho anunciado." Jo 15,3
    E como sentenciou, só através d'Ele podemos chegar ao esplendor da Graça: "... ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6
    Pois só Ele pode revelar-nos o Pai: "... ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-Lo." Mt 11,27
    São Paulo fala da esperança de, através do Cristo, ou seja, através de Seu modelo de amor, que inclui sacrifício, recuperarmos divina semelhança, a Divina Glória: "Por Ele é que tivemos acesso a essa Graça, na qual estamos firmes, e gloriamo-nos na esperança de um dia possuir a Glória de Deus." Rm 5,2
    Também São Pedro: "O divino poder deu-nos tudo que contribui para a Vida e a piedade, fazendo-nos conhecer Aquele que nos chamou por Sua Glória e Sua virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de por este meio tornar-vos participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." 2 Pd 1,3-4
    Os seguidores da tradição de São Paulo argumentam: "Aliás, temos na terra nossos pais que nos corrigem e, no entanto, olhamo-os com respeito. Com quanto mais razão havemos de submeter-nos ao Pai de nossas almas, o Qual nos dará a Vida? Os primeiros educaram-nos para pouco tempo, segundo sua própria conveniência, ao passo que Este o faz para nosso bem, para comunicar-nos Sua santidade." Hb 12,9-10
    Alertam, contudo, para o alcance espiritual da Palavra: "Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender uma profunda doutrina, porque ainda é criança. Mas o sólido alimento é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal." Hb 5,13-14
    Em síntese, Jesus veio mostrar-nos o caminho da Glória que é a verdadeira liberdade: "Se permanecerdes em Minha Palavra, sereis Meus verdadeiros discípulos, conhecereis a Verdade e ela libertar-vos-á." Jo 8,31-32
    Mas qual seria essa Verdade que devemos conhecer? A resposta está em uma de Suas mais conhecidas declarações: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida..." Jo 14,6
    Pois é d'Ele mesmo, do Mistério de Cristo que temos que aprender, e isso só é possível com o auxílio de Sua própria Graça, como disse São Paulo: "Graças a Deus que vós, depois de terdes sido escravos do pecado, passastes a obedecer de coração à Doutrina à qual Deus vos confiou." Rm 6,17
    E assim ele exorta os efésios: "Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios." Ef 4,14
    Pois o Cristo é Nosso Modelo: "... até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo." Ef 4,13
    Só por Ele podemos vir a ser manifestamente libertos, como Ele mesmo afirmou: "Portanto, se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres." Jo 8,36
    De fato, São João Evangelista denuncia a escravidão: "Aquele que peca é do demônio, porque o demônio peca desde o princípio. Eis porque o Filho de Deus Se manifestou: para destruir as obras do demônio." 1 Jo 3,8
    São Paulo também testemunhou nestes termos a Missão de Jesus, fazendo questão de deixar uma grave advertência: "Cristo veio para que sejamos verdadeiramente livres. Portanto, permanecei firmes e não vos submetais de novo ao jugo da escravidão." Gl 5,1
    Sem dúvida, referindo-se à Graça que era testemunhar os anos da manifestação do Messias, Jesus avisa que retornar ao pecado depois da libertação representa uma desgraça ainda maior: "Quando o espírito impuro sai de um homem, ei-lo errante por áridos lugares à procura de um repouso que não acha. Diz ele, então: 'Voltarei à casa donde saí.' E voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada. Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e estabelecem-se aí. E o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta perversa geração." Mt 12,43-45
    Foi quanto a isso que Ele alertou o paralítico curado num sábado, no tanque de Betesda: "Mais tarde, Jesus achou-o no Templo e disse-lhe: 'Eis que ficaste são. Já não peques, para não te acontecer coisa pior.'" Jo 5,14
    Pois desde a primeira dominação pelo pecado, como ensina Nosso Salvador, o inimigo já detém o ser humano por completo: "Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa." Mc 3,27
    E tal escravidão pode arrastar-se por anos, por toda uma vida, inclusive levando à condenação eterna, pois, como disse Jesus alertando para os escândalos, "seu verme não morre": "Mas todo aquele que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que creem em Mim, melhor lhe seria que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e lançassem-no ao mar! Se tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na Vida aleijado que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível [onde seu verme não morre e o fogo não se apaga]. Se teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares coxo na Vida Eterna que, tendo dois pés, seres lançado à geena do fogo inextinguível [onde seu verme não morre e o fogo não se apaga]. Se teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo, onde seu verme não morre e o fogo não se apaga." Mc 9,42-48
    São Paulo também argumentou sobre a condição daqueles que deixam de testemunhar as bênçãos e as graças já alcançadas, e, negligenciando o necessário aprofundamento, acabam num tenebroso retrocesso espiritual: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade. Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos depravados sentimentos, e daí seu indigno procedimento. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais." Rm 1,18.21.28-30
    E tão grave é esse retrocesso, que os seguidores de São Paulo equivocadamente não viam mais solução: "Depois de termos recebido e conhecido a Verdade, se voluntariamente a abandonarmos, já não haverá sacrifício para expiar este pecado. Só teremos que esperar um tremendo juízo e o ardente fogo que há de devorar os rebeldes. Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o Sangue da Aliança, em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,26,27.29
    Dentre os pecados da vida adulta, descrevendo talvez o mais grave retrato do adultério, o Arcanjo São Rafael já havia ensinado a Tobias: "Ouve-me, e eu mostrar-te-ei sobre quem o demônio tem poder: são os que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e entregam-se à sua paixão como o cavalo e o burro, que não têm entendimento. Sobre estes o demônio tem poder." Tb 6,16-17
    Citando as Escrituras, São Pedro diz o que significa a recaída: "Com efeito, se aqueles que renunciaram às corrupções do mundo pelo conhecimento de Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador, nelas de novo deixam-se enredar e vencer, seu último estado torna-se pior que o primeiro. Melhor fora que não tivessem conhecido o Caminho da justiça que, depois de tê-lo conhecido, tornarem atrás, abandonando a Santa Lei que lhes foi ensinada. Aconteceu-lhes o que diz, com razão, o provérbio: 'O cão voltou ao seu vômito' (Pr 26,11); e: 'A porca lavada volta a revolver-se no lamaçal.'" 2 Pd 2,20-22
    Ele pedia constante vigília: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar." 1 Pd 5,8
    Em sua análise, no mesmo sentido, São João Evangelista não vacila: "... o mundo todo jaz sob o Maligno." 1 Jo 5,9b
    O próprio Deus alertou Caim, antes que ele assassinasse seu irmão: "Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te. Tu, porém, deverás dominá-lo.'" Gn 4,7
    E São Paulo advertiu aos coríntios: "Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos suas maquinações." 2 Cor 2,11
    Ele ironizou a liberalidade de que eles usam: "Vós, sendo homens sensatos, suportais de boa mente os loucos... Sim, tolerais a quem vos escraviza, a quem vos devora, a quem vos faz violência, a quem vos trata com orgulho, a quem vos dá no rosto." 2 Cor 11,19-20
    Ensina: "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma." 1 Cor 6,12
    Pede prontidão e resistência, como escreveu aos efésios: "Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, por Seu soberano poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio." Ef 6,10-11
    Garante o poder de Deus agindo em auxílio da Igreja: "Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-os à obediência a Cristo." 2 Cor 10,4-5
    E é agradecido a Deus, dizendo com todas as letras aos colossenses: "Ele libertou-nos do poder das trevas e introduziu-nos no Reino de Seu amado Filho, no Qual temos a Redenção, a remissão dos pecados." Cl 1,13-14
    Em saudação aos gálatas, ele celebra: "... Senhor Jesus Cristo, que Se entregou por nossos pecados para libertar-nos da perversidade do presente mundo..." Gl 1,4a


NASCIDOS DO ESPÍRITO SANTO

    Não nos resta opção, portanto, senão nos deixar acolher pelo Espírito da promessa, como exortou São Paulo: "... deixai-vos conduzir pelo Espírito..." Gl 5,16
    Pois esse é o projeto do Pai, como declarou Jesus. O Santo Espírito é nosso guia para a eternidade: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dar-vos-á outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque permanecerá convosco e estará em vós." Jo 14,16-17
    São Paulo diz que Ele é nossa garantia para entrar no Reino dos Céus: "Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que por penhor nos deu Seu Espírito." 2 Cor 5,5
    Ele é nosso selo, concedido pela pregação do Cristo: "N'Ele também vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor da nossa herança..." Ef 1,13-14a
    São Pedro explica como O recebemos: "... o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." Ap 5,32
    Pois segundo São Paulo, Ele é a única maneira de alcançarmos a Glória, a divina herança: "... pois todos aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,14
    Glória que é o extremo oposto da escravidão: "Portanto já não és escravo, mas filho. E se és filho, então também és herdeiro de Deus." Gl 4,7
    Porque sendo Deus, o Espírito Santo, pelo Qual devemos renascer, revela-nos e convida-nos à Sua total autonomia. Não por acaso, Jesus comparou-O ao vento: "O vento sopra onde quer. Ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito." Jo 3,8
    São Paulo atesta essa realidade: "... onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade." 2 Cor 3,17
    Coloca nestes termos o significado da Nova Aliança: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,2
    E afirma que, mesmo vivendo na carne, pela unção do Santo Paráclito é-nos possível vencer o pecado, como bem demonstrou Jesus: "O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,3-4
    Os seguidores da tradição paulina, por sua vez, apontam na Paixão de Cristo a vitória sobre o inimigo, e assim sobre a morte: "Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, também Ele participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio, e libertar aqueles que, pelo medo da morte, estavam toda vida sujeitos a uma verdadeira escravidão." Hb 2,14-15
    Porque após o Sacrifício de Cristo já não pertencemos ao mundo, mas tão somente a Ele. São Paulo exalta a Redenção que temos em Sua Paixão: "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a Lei, pelo Sacrifício do Corpo de Cristo, para pertencerdes a Outrem, Àquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos frutos para Deus." Rm 7,4
    Exige: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus em vosso corpo." 1 Cor 6,19-20
    E explica assim o Sacramento do Batismo: "Fomos, pois, sepultados com Ele na Sua morte pelo Batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela Glória do Pai, assim nós também vivamos uma Nova Vida. Sabemos que nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja reduzido à impotência o corpo outrora subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado." Rm 6,4.6
    Pois esse é o projeto da Salvação posto em prática por Jesus, como disse o sacerdote Zacarias, pai de São João Batista: "... para dar ao Seu povo conhecer a Salvação, pelo perdão dos pecados." Lc 1,77
    Para tanto Ele derramou o Divino Espírito sobre os Apóstolos, cuja finalidade é edificar em santidade Sua Igreja: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.'" Jo 20, 22-23
    Por isso, em face dos que ainda pregavam resquícios do Antigo Testamento, São Paulo resume nesses termos à função da Igreja: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade." Gl 5,13a
    E até fala de excomunhão: "Já estais separados de Cristo, vós que procurais a justificação pela Lei. Decaístes da Graça." Gl 5,4
    Devemos fugir do mundo, pois, buscando abrigo na Igreja, entre os verdadeiros cristãos, como ele recomenda a São Timóteo: "Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a fé, a caridade, a Paz, junto àqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Diz-lhe convictamente: "O Senhor salvar-me-á de todo mal e preservar-me-á para Seu Reino celestial." 2 Tm 4,18
    E também garante aos romanos: "O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a Lei, e sim sob a Graça." Rm 6,14
    Mas, claro, informa de um inevitável compromisso: "E libertados do pecado, tornastes-vos servos da justiça." Rm 6,18
    Contudo, sabemos que a nova condição é incomparavelmente melhor. Jesus propõe-na nesses termos: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração, e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29
    Ele garante: "Eu vim para que as ovelhas tenham Vida, e tenham-na em abundância." Jo 10,10b
    São João Evangelista, falando sobre a moção interior do Santo Paráclito, assim explica a condição dos Santos: "Todo aquele que é nascido de Deus não peca, porque o divino germe nele reside... aquele que é gerado de Deus acautela-se, e o Maligno não o toca." 1 Jo 3,9a;5,18b
    E olhando o futuro, ele anuncia a indizível Graça do pleno retorno à gloriosa filiação e à semelhança de Deus: "Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é." 1 Jo 3,2
    É quando nossa liberdade será total e absoluta, como disse São Paulo: "O último inimigo a derrotar será a morte..." 1 Cor 15,26
    Por isso, Jesus prometeu: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá." Jo 11,25
    Mas a Salvação é uma conquista, e ainda temos nossa missão por cumprir, demonstrando fé no amor salvífico. E se temos padecido algum sofrimento, segundo São Paulo, foi "... para que aprendêssemos a pôr a nossa confiança não em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos." 2 Cor 1,9
    Até que, pela Ressurreição da carne, retornemos à definitiva Glória, sendo "... revestidos com uma nova veste, por cima da atual, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela Vida." 2 Cor 5,4
    Essa é a santidade semeada em nós pelo Cristo através dos Sacramentos, desde o Batismo: "Vós despistes-vos do velho homem com seus vícios e revestistes-vos do novo, que constantemente vai restaurando-se à imagem d'Aquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento." Cl 3,10
    Só a libertação, portanto, que é realizada pela absolvição dos pecados, pode abrir-nos o caminho à plena santidade e à eternidade: "Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a Vida Eterna." Rm 6,22
    Essa é a Glória dos filhos de Deus, como disse o próprio Jesus: "Então, no Reino de Seu Pai, os justos resplandecerão como o sol." Mt 13,43
    Exatamente como aconteceu a Nossa Senhora: "Em seguida, no Céu apareceu um grande sinal: uma Mulher revestida do sol..." Ap 12,1
    E tudo isso, diz o último Apóstolo, devemos agradecer ao Salvador: "Em Cristo, pela que n'Ele temos, conseguimos plena liberdade de confiantemente aproximar-nos de Deus." Ef 3,12
    Inspirado, ele faz-nos recordar Seu Sangue: "Por alto preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens." 1 Cor 7,23
    Sacrifício, aliás, ao qual Jesus exemplarmente se submeteu, por puro amor, 'abraçando livremente a Paixão': "... dou Minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de Mim, mas Eu dou-a de Mim mesmo, pois tenho poder para dá-la como tenho poder para reassumi-la." Jo 10,18
    E assim Ele ensina: "Se alguém quer seguir-Me, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me. Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á. Mas aquele que perder sua vida por amor a Mim e ao Evangelho, salvá-la-á. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder sua vida? Ou que dará o homem em troca de sua vida?" Mc 8,34b-37
    O salmista já observava: "Apenas clamaram os justos, o Senhor atendeu-os e livrou-os de todas suas angústias. O Senhor está perto dos contritos de coração, e salva os que têm o espírito abatido. São numerosas as tribulações do justo, mas o Senhor livra-o de todas. O Senhor livra a alma de Seus servos; não será punido quem a Ele se acolhe." Sl 33,18-20.23
    E tendo presente que Deus é o Sumo Bem, o Catecismo da Igreja afirma: "Quanto mais pratica o bem, mais a pessoa torna-se livre." CIC 1733

    "Salvador do mundo, salvai-nos, Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição."