domingo, 27 de maio de 2018

Santo Agostinho da Cantuária


    Em 597, quando a Inglaterra vivia sob constantes invasões dos saxões, oriundos de terras da atual Alemanha, um monge beneditino italiano foi enviado para lá pelo Papa São Gregório Magno, com a difícil missão de estabelecer-se e, tanto quanto pudesse, evangelizar. Para surpresa de todos, no Natal do mesmo ano mais de 10 mil pessoas já tinham sido convertidas ao Catolicismo e batizadas, incluindo toda a nobreza.
    Sabemos que Santo Agostinho da Cantuária era de Roma, e, por conta de sua excelente formação, provavelmente de família nobre. Mas por seu temperamento sempre tão humilde e modesto, ou até por sua deliberada intenção de omitir a fidalga descendência, a origem e a história de nosso Santo tenham sido relegadas ao esquecimento antes mesmo de ele tornar-se monge. Não sabemos sequer o ano em que nasceu. Certamente, esses detalhes não eram ignorados por São Gregório Magno, pois acolheu-o em 'sua própria casa', logo depois de havê-la transformado no Mosteiro de Santo André.
    Os 40 monges beneditinos enviados com ele a Inglaterra, entre eles aquele que viria a ser São Lourenço da Cantuária, quando de passagem pela França procuraram informações sobre o país ao qual se dirigiam e as notícias eram não eram nada estimulantes: muita violência. Mas São Gregório Magno sabia a quem havia entregue tal missão. Ele deveria começar seus trabalhos entrando em contato com a rainha Berta, que era católica, filha do rei da França, e que recentemente havia desposado Etelberto, o rei de Kent, à época o mais importante da Inglaterra.
    E Deus colaborava com eles: por surpresa, foram recebidos pessoalmente pelo próprio rei já na ilha de Thanet, a 'porta de entrada da Inglaterra'. Tão bem escoltados, entraram na corte em procissão, carregando a Cruz e entoando cantos gregorianos. O rei, hoje bem sabemos porquê, ficou muito impressionado com a personalidade de Santo Agostinho: sua inteligência e inspiração pareciam não caber em tão humilde pessoa. Sua santidade era notória.
    Obtida a autorização do rei para evangelizar, Santo Agostinho logo lançou mãos dos trabalhos que deram início a construção da Abadia de Kent, que mais tarde iria levar seu nome. Séculos mais tarde, porém, após a chegada do protestantismo na Inglaterra, por ordem do rei o Catolicismo foi banido do país e muitos mosteiros do país foram destruídos. Hoje só se veem suas ruínas.


    Informado das frequentes boas notícias, pois ele e os monges percorriam longas distâncias e quase sempre eram bem acolhidos, o Papa São Gregório ordenou Santo Agostinho Arcebispo da Cantuária. E sua resposta, sempre muito ativo e aproveitando os ventos favoráveis, foi fundar as dioceses de Londres e Rochester. A Catedral da Cantuária, atual sede da Arquidiocese de Londres, também foi uma edificação iniciada por ele, ali mesmo nas imediações da abadia.


    Sua obra não foi mais longe porque a Grã-Bretanha vivia constantes conflagrações, dividida em vários reinos de relacionamentos nem sempre amigáveis, além dos frequentes ataques de piratas e invasores.
    Santo Agostinho veio a falecer apenas 8 anos depois do início de sua missão, em 605. Seu vertiginoso sucesso em tão curto período, porém, não pode ser explicado apenas por sua dedicação e pureza de coração, ainda que patentes: muitos milagres, curas e prodígios, conforme registros, abriram portas e foram grande um sinal da presença de Deus em sua alma.
    Foi enterrado, como de sua vontade, na Abadia de Kent. Aliás, uma sepultura tão humilde quanto ele mesmo, que talvez por isso nunca foi violada por invasores ou profanadores, e assim foi mantida.


    Contudo, foi muito bem sucedido por seu Santo companheiro, São Lourenço da Cantuária, que ocupou seu cargo até 619.
    É carinhosamente chamado de 'Apóstolo da Inglaterra', e lembrado de modo excepcional também pela igreja anglicana. De fato, os arcebispos da Cantuária ainda hoje são nomeados para a 'Cadeira de Santo Agostinho'.


    Santo Agostinho da Cantuária, rogai por nós!