quarta-feira, 16 de maio de 2018

São Simão Stock


    Nasceu em 1165, era de nobre família do condado de Kent, Inglaterra, e desde cedo revelou ser dotado de incomum inteligência: aprendeu a ler ainda muito novo e rezava serenamente com os pais o Pequeno Ofício da Santíssima Virgem.
    A partir dos 7 anos foi estudar Belas Artes no colégio de Oxford, e tão fortemente impressionava professores e padres por sua maturidade que logo foi considerado pronto para receber o Santíssimo Sacramento. Tinha realmente especial gosto pelas coisas de Deus: a Igreja, a Santa Missa, as orações, o Evangelho, o Catecismo, as imagens.
    Por uma dificuldade de saúde de sua mãe, ainda no ventre foi consagrado a Maria Santíssima. Antes de amamentar-lhe ao seio, sua mãe sempre rezava uma Ave Maria. Quando por alguma razão esquecia, o pequeno São Simão recusava-se a mamar. E quando por algum motivo ele chorava, bastava entregar-lhe qualquer objeto sagrado, como um crucifixo, ou colocar-lhe à vista uma imagem de Jesus ou de Nossa Senhora para que rapidamente se acalmasse.
    Ainda com apenas 12 anos, por sua inclinação espiritual que rejeitava a vida na riqueza, após várias contendas com o irmão mais velho, que lhe tinha inveja, São Simão fugiu para uma floresta onde por 20 anos viveu dentro de um tronco de carvalho. Daí vem o nome stock, que em inglês significa tronco.
    Aí, além do lugar de deitar, havia espaço apenas para um pequeno altar improvisado, onde ficava exposto um crucifixo, e, num singelo nicho feito de pedras, repousava a imagem de Nossa Senhora e a Bíblia. Era sua casa e seu oratório.


    Porém, como aconteceu a Santo Antão, o inimigo não lhe dava descanso. Foi atormentado por tenebrosos remorsos por renegar a família e afastar-se dos Sacramentos da Igreja. Mas confiava nos exemplos dos Santos eremitas que bem conhecia, e tinha certeza que Deus não o abandonaria. De fato, era atendido com indizíveis consolações do Espírito Santo e a proteção da Virgem Maria.
    Mas acabou retornando à vida urbana depois de uma visão de Nossa Senhora, que anunciou a vontade de vê-lo fazer parte de uma congregação de monges que vinham da Palestina, mais propriamente do Monte Carmelo, e viviam consagrados a Mãe de Deus. Inicialmente, ele retornou à casa dos pais, abraçou os estudos de Teologia, foi ordenado padre e levou vida de mendicante pregador.
    Em 1213, aos 48 anos, chegaram dois frades carmelitas ao seu condado e ele prontamente reconheceu-os como os monges designados por Nossa Senhora. Foi de imediato admitido entre eles e sentia-se profundamente realizado. Em 1215, porém, como sua santidade já era amplamente reconhecida, foi chamado para ser coadjutor de São Brocardo, que era o Segundo Geral Latino da ordem. E em 1226, por fim, foi nomeado Vigário Geral de todas províncias da Europa.
    A Ordem do Carmo, no entanto, sofria uma forte perseguição dentro do próprio clero. Pediam sua extinção por contrariar o IV Concílio de Latrão, que proibia a instituição de novas ordens, embora os carmelitas já fossem uma ordem muito antiga. São Simão enviou delegados a Roma para que resolvessem a questão e, após muitas contrariedades, Nossa Senhora apareceu ao Papa Honório III e ordenou-lhe que aprovasse a Regra do Carmo, confirmasse Ordem e assumisse sua proteção.
    Em 1237 foi realizado o Capítulo Geral da Ordem na Terra Santa, porque eram os tempos das Cruzadas, os muçulmanos estavam prestes a dominar toda região, os monges certamente seriam assassinados e os conventos, destruídos. Alguns queriam ficar, mesmo sob risco de martírio, mas São Simão, como muitos outros, era a favor da retirada. Ele não via nenhum proveito nesses heroicos atos, que sequer seriam testemunhados, e julgava muito mais frutuoso a catequização da Europa. Como principal argumento, recorria-se de uma passagem do Evangelho na qual Jesus diz: "Se vos perseguirem numa cidade, fugi para outra." Mt 10,23
    E não estava errado, pois, por vontade de Deus, mesmo antes que São Simão pudesse voltar a Europa, o Mar Mediterrâneo foi dominado pelos árabes e ele teve que se refugiar no Monte Carmelo. Aí reviveu seus tempos de adolescente e adulto, levando vida de eremita numa gruta por mais de 6 anos, em absoluta solidão. Só quando foi procurado por outros monges, e informado que havia cruzados ingleses preparando-se para voltar, decidiu-se mais uma vez servir à sua Ordem.
    Com efeito, no capítulo realizado em 1245 foi eleito Prior Geral da Ordem do Carmelo. Mas não por acaso: continuavam as perseguições aos carmelitas pelos clérigos, mesmo após a Bula Papal de Honório III. E ele teve que sofrê-las mais alguns anos até que em 1251, quando fervorosamente rezava a Nossa Senhora pedindo-lhe uma ajuda para manter a Ordem, ela apareceu-lhe e ofereceu-lhe o Escapulário.


    E disse-lhe: "Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como distintivo sinal e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo. É um sinal de Salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de Paz e de uma sempiterna proteção. Quem morrer revestido com ele, será preservado do fogo eterno."


    Também deu-lhe instruções para mandar delegados ao Papa Inocêncio IV, de quem obteve a definitiva aprovação da Ordem em 1252. A partir daí, São Simão alterou a tradição, passando de eremitas a mendicantes ou apostólicos, e abriu vários mosteiros na Europa, principalmente nas grandes cidades onde surgiam as universidades, como Cambridge, em 1249, Oxford em 1253, Paris em 1254, e Bolonha em 1260.
    A tradição do Escapulário rapidamente espalhou-se por todo continente, e os milagres da Santíssima Virgem confirmavam sua maternal proteção.


    Nosso Santo morreu em Bordeaux, França, em 1265, quase centenário, quando estava de viagem a Tolouse para um novo Capítulo da Ordem. Já havia, então, mais de 500 mosteiros carmelitas nas mais distintas nações.
    Em 1951, parte de suas relíquias foram trasladada para o mosteiro carmelita de Aylesford, em Kent, sua terra natal na Inglaterra.


    São Simão Stock, rogai por nós!