quarta-feira, 30 de maio de 2018

Santa Joana d'Arc


    Viveu as últimas décadas da Guerra dos Cem Anos, dada entre França e Inglaterra. Filha de humildes camponeses, era pastora e não recebeu alfabetização. Nascida em 1412, em Domrémy, região de Lorena, nordeste da França, seu pai era agricultor e sua mãe ensinou-lhe os afazeres domésticos, que incluíam fiar e costurar. Sempre foi muito religiosa: gostava de rezar e ia assiduamente à Santa Missa. Muitas vezes entregava confiantemente o rebanho à Divina Providência e ia à igreja da cidade, onde passava horas em orações.
    Ainda aos 13 anos começou a ter experiências místicas: de longe ouviu vozes que vinham da igreja que frequentava. Elas provocavam uma inexplicável claridade à sua volta, fenômeno que chegava a repetir-se até três vezes por semana. Mais tarde, ela identificou-a como as vozes de São Gabriel Arcanjo, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia, avisando da importância de perseverar firmemente na oração, pois Deus reservava-lhe uma difícil missão: haveria de expulsar os ingleses da região da cidade de Orleans. 


    Em 1428, aos 16 anos, recebeu mensagens mais específicas: deveria ir ao encontro do comandante do exército, numa cidade vizinha, e pedir uma escolta que a conduzisse ao rei da França. Seu tio levou-a, mas o comandante riu de suas motivações e das previsões que fazia sobre uma batalha que ocorreria nas proximidades de Orleans, no ano seguinte. Quando elas se cumpriram, porém, e com exatidão como Santa Joana d'Arc havia previsto, o comandante pessoalmente encaminhou-a com toda segurança ao rei. Viajou disfarçada de escudeiro, vestida de armadura como um soldado francês, por sugestão das vozes que ouvia, artifício que acabou adotando em todas batalhas que liderava.
    Em Chinon, ao sul de Paris, onde o rei estava refugiado, ela reconheceu-o entre vários nobres sem nunca o ter visto, pois ele também se disfarçava, dados os riscos que sua vida corria. Numa sala repleta, ela dirigiu-se diretamente até ele e disse: "Senhor, vim conduzir seus exércitos à vitória." Foi um grande sinal e impressionou muito o rei, mas ele foi convencido a entregá-la para ser examinada pelas autoridades eclesiásticas de Poitiers, que exaustivamente a interrogaram até convencerem-se de que suas mensagens tinham de fato origem divina.
    Ao retornar ao rei, mais uma vez causou-lhe profunda admiração ao demonstrar que conhecia segredos das forças armadas francesas. Absolutamente consciente que ela era inspirada por Deus, ele entregou em suas mãos um grupamento de 4000 homens para que libertasse Orleans, conforme lhe pediam as vozes. E mesmo se posicionando em meio à batalha, gritando e incentivando os soldados franceses, miraculosamente os ingleses não a atacavam. Por fim, após dez dias de batalha, Orleans foi reconquistada. A despeito das pinturas que a retratam, como arma ela empunhava apenas uma bandeira branca em que ostentava a Cruz, o Nome de Jesus e o Nome de Maria.


    A vitória em Orleans, após tantas tentativas frustradas, reergueu o moral das tropas e do povo francês, e foi o início da virada. Sob seu comando os franceses impuseram fragorosas derrotas aos inimigos também nas cidades vizinhas: Jargeau, Meung-sur-Loire e Beaugency. A fama de Santa Joana correu toda França e muitos combatentes franceses, que até então lutavam a favor da Inglaterra, passaram a temê-la e mudaram de lado. Os próprios ingleses estavam assombrados com os relatos a seu respeito.


    A cerimônia de coroação de Carlos VII, na cidade de Reims, após uma arriscada viagem praticamente circundando toda Paris, que estava dominada, passando por várias áreas do exército inimigo, é um exemplo de como os caminhos se abriram para ela e para o rei, que acatava fielmente suas instruções. Várias autoridades que viajaram até Reims também tiveram suas passagens liberadas.
    Com a vitória em Orleans, os ingleses esperavam que ela atacasse Paris, mas Santa Joana, inspirada pelas vozes, convenceu o rei a firmar posição em Rouen, circundando mais uma vez Paris e cruzando com o exército francês algumas posições do invasor.


    Embora já tivesse cumprido sua missão, a pedido do rei e por própria vontade Santa Joana d'Arc também foi a campo na batalha pela reconquista de Paris, onde foi ferida por uma flecha. O rei, batendo em retirada, abandonou-a. Sozinha, mas ainda com o exército absolutamente solícito ao seu comando, ela mudou de estratégia e atacou Compiègne, uma pequena cidade ao norte de Paris, porém acabou traiçoeiramente aprisionada por nobres da região, que se opunham ao rei. Como os saldados franceses não a esqueciam e iriam fazer de tudo para resgatá-la, os ingleses anteciparam-se e pagaram para obter sua guarda. Na verdade, como não a podiam matar, pois era prisioneira de guerra, eles julgaram-na como feiticeira num processo pretensamente religioso, simulando uma inquisição.
    Aos 19 anos, depois de receber a Comunhão Eucarística, Santa Joana d'Arc foi levada à fogueira, onde padeceu martírio murmurando os nomes de Jesus e Maria. Era 30 de maio de 1431, na Praça Vermelha, em Rouen, no noroeste da França.
    Enquanto alguns gritavam 'bruxa', 'feiticeira', uma multidão de gente humilde acompanhou comovidamente seu sacrifício, que ela enfrentou com muita coragem e . Suas cinzas foram jogadas no Rio Sena, para que não fossem veneradas.
 

    20 anos mais tarde, por falta dos mais elementares fundamentos, o Papa Calisto III considerou inválido o processo de seu julgamento e reabilitou-a como perfeita cristã. Em 1920, como havia muito já pedia a gente simples e devota, do país e de outros lugares, o Papa Bento XV canonizou-a e deu-lhe o título de Padroeira da França.
    Além de muitas igrejas e monumentos por toda França, assim como imagens e estátuas nas principais catedrais, em Rouen, o local de seu martírio foi preservado e uma moderna igreja foi construída em sua homenagem.


    Santa Joana d'Arc, rogai por nós!