terça-feira, 31 de julho de 2018

Santo Inácio de Loyola


    Um orgulhoso soldado levou toda sua determinação para a vida religiosa, e fundou a maior congregação católica do mundo, a Companhia de Jesus, atualmente com 30 mil membros, 500 universidades e 200 mil alunos anuais. A seu tempo, as companhias eram destacamentos militares que levavam o nome de seu capitão, e essa foi a inspiração de Santo Inácio.
    Nascido em 1491, de nobre família, era o mais novo de 13 filhos e foi pajem no palácio do tesoureiro dos reis da Espanha. Por mera vaidade, gostava dos exercícios de guerra e era hábil em montaria e várias armas. Para demonstrar bravura a seus irmãos, vitoriosos numa batalha em Nápoles, alistou-se para a batalha de Pamplona em 1521, contra os franceses, que eram superiores em força. Mas, após alguns combates, um tiro de bombarda feriu-lhe gravemente as pernas.
    Transportado numa liteira, seus ossos começaram a calcificar-se em posições erradas, e ao chegar em casa teve que quebrá-los mais uma vez, o que causou-lhe torturantes dores. Teve que passar por um longo período de convalescença, quase 1 ano, porém foi quando verdadeiramente descobriu Deus. Lendo para ocupar o tempo, veio-lhe às mãos 'Vita Christi', de Rodolfo da Saxônia, e a 'Legenda Áurea', de Jacopo de Varazze, que conta a vida dos Santos. Achou, então, o sentido que sua vida ainda não tinha. Percebendo fortemente a presença de Deus, decidiu-se que iria viajar à Terra Santa para converter os infiéis.
    É nesse período que começa a elaborar seus 'Exercícios Espirituais', uma obra que vai marcar toda cristandade. Fugiu da casa de seus pais e foi ao Mosteiro Beneditino de Monte Serrado, em Barcelona, onde se entregou a três dias de Confissão. Era 1522, e ele doou todas suas vestes de nobre a um mendigo, depositou suas armas diante de uma imagem de Nossa Senhora, vestiu-se de saco e foi viver numa caverna próxima ao mosteiro de Manresa, como um mendicante. Fazia severas penitências, participava da Santa Missa todo dia e rezava o Ofício das Horas. Aí teve suas primeiras visões. A caverna, mais tarde, tornou-se lugar de peregrinação e oração.



    Em 1523 partiu, finalmente, à Terra Santa com seu projeto de salvar almas. Peregrinou pelos lugares sagrados, foi recebido pelos franciscanos em Jerusalém, contudo, dadas as tensões e os conflitos armados da época, não lhe consentiram permanecer lá. Voltando em 1524, foi morar em Barcelona, onde estudou latim, prestava assistência espiritual aos carentes e trabalhou na reforma do Mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos.
    Foi a Alcalá cursar universidade, mas aí, por causa de suas pregações, foi tido como suspeito de ser um dos 'alumbrados', seita mística e herética que tinha similaridades com o protestantismo, e assim teve que passar pela Inquisição. Chegou a ser preso por um mês e meio, porém foi liberado sob condição de voltar a usar roupas 'descentes'. Três companheiros já lhe seguiam desde Barcelona, e com eles foi ao bispo para explicarem-se, encontro que lhes rendeu oportunidade de estudar na Universidade de Salamanca.
    Lá Santo Inácio tornou-se famoso como pregador, mas durante uma confissão num mosteiro dominicano foi tido mais uma vez como suspeito, pois sabia demais sobre Deus sem ter formação reconhecida. Presos, nosso Santo foi visitado pelo vigário do bispo e professor da Universidade, que pediu-lhe o livro 'Exercícios Espirituais' para examinar o conteúdo. Liberados, foram proibidos de pregar até que terminassem os estudos. Era um duro golpe para Santo Inácio, que preferiu ir estudar na França e deixou seus companheiros.


    No mesmo ano, 1528, aos 37 de idade, entrou na Universidade de Paris, onde estudou literatura e teologia, e tornou-se mestre em artes. Mas seu principal projeto continuava sendo cativar colegas para abraçar a vida religiosa e praticar seus 'Exercícios Espirituais'. Aí encontrou seis novos companheiros, entre eles São Francisco Xavier, que iria tornar-se o Padroeiro dos Missionários e seria reconhecido como o 'Apóstolo do Oriente'. Com eles, em 1534 nascia a Companhia de Jesus, na igreja de Santa Maria, em Montmartre, e o plano, mais uma vez, era ir a Jerusalém para converter e salvar almas.
    Foram ao Papa Paulo III, em 1537, pedir autorização para viajar e também para serem ordenados Sacerdotes, o que aconteceu em Veneza, pelas mãos do Bispo de Arbe. A viagem à Terra Santa, porém, teve que ser esquecida, ao menos temporariamente, porque a guerra entre as cidades italianas e os turcos otomanos havia recrudescido. Enquanto esperavam, por aí trabalhavam ativamente fazendo caridade, socorrendo enfermos e trabalhando em hospitais, além de catequizar.
    Em 1538, percebendo que autoridades de vários países adotavam o protestantismo para minar o poder da Igreja, Santo Inácio foi oferecer seus serviços ao Papa e, no caminho, na Capela La Storta, teve uma revelação: a Companhia de Jesus deveria fixar-se em Roma. O Catolicismo sofria uma forte oposição e a Igreja perdia acesso aos fiéis não apenas na Alemanha, mas também na Áustria, na Polônia, nos Países Baixos, na Escandinávia, na França e até mesmo na Itália.
    Quando eles aí se fixaram e começaram a pregar, tamanho era o desprendimento e a influência que exerciam sobre as classes mais instruídas, que outra vez foram suspeitos de contrariar a Fé Católica. Diziam até que Santo Inácio seria 'fugitivo da Inquisição Espanhola'. Ele mesmo, no entanto, foi ao Papa e pediu-lhe para ser julgado em novo processo, mas que desta vez fosse tão a fundo que em definitivo os eximisse de qualquer suspeição. O processo foi aberto e todos foram inocentados.
    O Papa Paulo III, percebendo como era muito produtivo o trabalho dos jesuítas, resolveu pedir a Santo Inácio que escrevesse a constituição de sua nova ordem e assim pudesse admitir mais candidatos. Feito isso, em 1540 eles receberam a aprovação papal e, em 1543, após verificada sua eficácia, a congregação foi liberada do limite inicial de apenas 60 membros.
    E logo a Companhia de Jesus começou a trazer de volta para a Igreja os fiéis desviados pelas doutrinas meramente humanas. Na Alemanha, além dos trabalhos marcantes do Beato Pedro Fabro, Cláudio Le Jay e Bobadilha, destacou-se São Pedro Canísio, que recebeu a alcunha de 'martelo dos hereges'. No Concílio de Trento, um dos três mais importantes da Igreja e o mais longo da História, que durou de 1545 a 1563, dois jesuítas, Laynes e Salmeron, sobressaíam-se com brilhantismo.
    Santo Inácio escreveu-lhes: "Demos graças a Deus por Sua inefável misericórdia e piedade, tão copiosamente derramada em nós por Seu Glorioso Nome. Porque muitas vezes me comovo quando ouço e em parte vejo o que me dizem de vós e de outros chamados à nossa Companhia em Cristo Jesus."


    Com a descoberta das Américas, novos desafios surgiam e para cá eram mandados também os jesuítas. Ao Brasil chegaram, só para lembrar alguns, o Padre Manoel da Nóbrega, o 'irmão Anchieta', que aqui seria ordenado e se tornaria Santo, e mais tarde o célebre Padre Antonio Vieira.
    Para as terras da Índia, China e Japão foi enviado São Francisco Xavier, que vez em quando dizia a seus companheiros: "O Padre Inácio é um grande santo." São Francisco de Borja, mais um Santo jesuíta cativado por Santo Inácio, também o venerava ainda em vida.
    Em Roma, eles catequizavam crianças, esforçavam-se para converter judeus e fundaram a conhecida casa de Santa Marta, onde acolhiam prostitutas, jovens e órfãos. Em 1551 criaram o Colégio Romano, onde ensinavam de graça e tempos depois viria a ser a Pontifícia Universidade Gregoriana, homenagem pelo especial apoio que teriam do Papa Gregório XIII.
    Considerando os riscos de administrar uma congregação tão grande, em 1554 Santo Inácio escreve as Constituições Jesuítas, que reforçaram sua hierarquia e o absoluto compromisso de obediência ao Papa. O lema da Companhia de Jesus passou a ser: Ad Majorem Dei Gloriam (Para Maior Glória de Deus).
    O próprio Santo Inácio, por esses anos, nada mais fazia pensando em si. Era puro servo de Deus. Dormia 4 horas e trabalhava todos os dias, o dia todo. Por seus severos jejuns, sofria muitas dores gástricas, mas delas não fazia caso. Morreu em 1556, aos 65 anos, quando os jesuítas já tinham 35 colégios, 110 casas, 13 províncias e aproximadamente 1000 religiosos.
    É de sua inspiração:
    "Ó Meu Deus, ensina-me a ser generoso para atendê-Lo como Tu mereces ser servido, para dar sem contar o custo, lutar sem medo de ser ferido, trabalhar sem buscar descanso e gastar-me sem esperar qualquer recompensa, mas o conhecimento de que estou fazendo Tua santa vontade. Amém."
    "Toma, ó Senhor, e receba toda minha liberdade, minha memória, minha compreensão e toda minha vontade. Tudo que sou e tudo que possuo, Tu deste-me. Eu entrego tudo a Ti para ser descartado de acordo com Tua vontade. Dai-me somente Teu amor e Tua Graça, com os quais eu serei rico o suficiente e mais nada desejarei."
    "Alma de Cristo, santifica-me. Corpo de Cristo, salva-me. Sangue de Cristo, inebria-me. Água do lado de Cristo, lava-me. Paixão de Cristo, fortaleça-me. Ó Bom Jesus, ouça-me. Dentro de Tuas feridas esconda-me. Permita que eu não seja separado de Ti. Do perverso inimigo defenda-me. Na hora da minha morte, chama-me. E faze-me vir a Ti. Que com Teu Santos eu eternamente louvar-Te-ei. Amém."
    "Se Deus te causa muito sofrer, é um sinal de que Ele certamente pretende fazer de ti um Santo."
    "Queres te tornar um grande Santo? Peça a Deus para enviar-te muitos sofrimentos. Todos prazeres do mundo não são nada comparados com a doçura encontrada no fel e vinagre oferecidos a Jesus Cristo. Isto é, duras e dolorosas coisas sofridas por Jesus Cristo e com Jesus Cristo."
    "Todas as coisas neste mundo são dons de Deus, criados para nós, para ser o meio pelo qual podemos melhor conhecê-Lo, mais seguramente amá-Lo e mais fielmente servi-Lo."
    "Reze como se Deus tomasse conta de tudo. Aja como se tudo dependesse de ti."
    "Aquele que ouviu a Palavra de Deus pode suportar Seus silêncios."
    "A verdadeira obediência não considera aquele a quem é prestada, mas sim Aquele por Quem se obedece; e se obedece só por Nosso Criador e Senhor, é ao mesmo Senhor de todos que se obedece."
    "Não é difícil obedecer quando realmente amamos aquele a quem obedecemos."
    "Para não nos enganar em tudo, devemos sempre ter este critério: o que para mim é branco, faço-o negro, se é a Igreja hierárquica quem o diz. De fato, nós cremos que aquele Espírito que governa e guia nossas almas para a Salvação, também está em Cristo Nosso Senhor, o Esposo, e na Igreja, Sua Esposa."
    "A humildade consiste em alegrar-nos com tudo que nos leva a reconhecer nosso nada."
    "Conselho ou aviso, sempre é melhor recebê-los com humildade que dá-los sem ela."
    "Encontrar Deus em todas as coisas, e ver que todas as coisas vem do alto."
    "A Glória de Deus é a humanidade plenamente viva."

    "A mais bela vitória que se pode alcançar é vencer a si mesmo."
    "Jesus realmente é fundamental. Sem Ele, nada teria sentido!"
    "Como se me afigura vil o mundo, quando olho para o céu."
    "Nós deveríamos procurar colher o infinito perfume e a infinita doçura da Divindade."
    "Esforça-te n'Aquele que te criou e remiu com Seu Sangue e Vida, e confia-te em Sua suavíssima Providência."
    "Não há árvore mais apropriada para produzir e conservar o amor de Deus que a árvore da Cruz."
    "Devemos falar com Deus como um amigo fala ao seu amigo, como um servo ao seu mestre. Ora pedindo algum favor, ora reconhecendo nossas falhas, e a Ele comunicando tudo que nos preocupa, nossos pensamentos, nossos medos, nossos projetos, nossos desejos, e em todas as coisas buscando Seu conselho."

    "Ninguém sabe o que Deus faria de nós, se não opuséssemos tantos obstáculos à Sua Graça."
    "Muita Sabedoria unida a uma moderada santidade é preferível a muita santidade com pouca Sabedoria."
    "Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear internamente as coisas."
    "A Verdade sempre termina com a vitória; Ela não é inatacável, mas invencível."

    "Para aqueles que acreditam, nenhuma prova é necessária. Para aqueles que não acreditam, nenhuma quantidade de provas é suficiente."
    "Ninguém trabalha melhor que quando faz apenas uma coisa."
    "Servindo mais a Deus, em pias obras, mais se move o povo a sustentá-las e com mais caridade."

    "Aquele que carrega Deus em seu coração, leva o Céu aonde quer que vá."
    "Se nossa Igreja não é marcada por cuidar dos pobres, dos oprimidos, dos famintos, somos culpados de heresia."

    "Se tenho de desgostar a Deus em alguma coisa, ou afrouxar-me em Seu santo serviço, antes queira Ele tirar-me a vida."
    "Entre os muitos sinais de uma viva fé e esperança que temos na Vida Eterna, um dos mais seguros não está sendo suficientemente dito diante da morte daqueles a quem profundamente amamos em Nosso Senhor."
    "Preferia eu dar mais importância a uma falta minha, que a todo o mal que de mim disseram."
    "Não deve ser tacanho aquele com quem Deus tem sido generoso."
    "Nunca pares de olhar os defeitos dos outros, mas estejas seja pronto para desculpá-los. Sê sempre pronto para acusar-te a ti próprio; mais ainda, deseja que todos te conheçam por dentro e por fora."
    "Aquele que vai reformar o mundo deve começar consigo mesmo, ou perde seu trabalho."
    "Não me atreveria a pernoitar numa casa em que soubesse haver um homem em pecado mortal; temeria que o telhado nos esmagasse sob seus escombros."
    "Depois de tomar uma decisão que agrada a Deus, o Diabo pode tentar fazer com que tu tenhas segundas intenções. Intensifica teu tempo de oração, meditação e boas ações. Pois se as tentações de Satanás apenas fizerem com que tu aumentes teus esforços para crescer em santidade, ele terá um incentivo para deixar-te em paz."
    "Lembrai-vos que os anjos (da Guarda) fazem o que podem para defender do pecado os homens, e assim Deus ser honrado."

    Foi sepultado na Igreja de Jesus, em Roma, onde lhe consagraram uma bela Capela.
    Em 1929, o Papa Pio XI estabeleceu um retiro anual para a prática dos 'Exercícios Espirituais' de Santo Inácio, a serem ministrados ao próprio Papa e à Cúria Romana, que raras vezes deixou de acontecer. Mais tarde, o Papa Paulo VI mudou o período desses retiros, do Advento para a Quaresma.
    Santo Inácio teve o grande dom de fazer com que os cristãos compreendessem melhor o Catolicismo.


    Santo Inácio de Loyola, rogai por nós!

segunda-feira, 30 de julho de 2018

São Pedro Crisólogo


    Foi um dos maiores pregadores da Igreja, amado tanto pelo povo como pela imperatriz romana e seus filhos, entre eles o futuro imperador Valentiniano III. Crisólogo significa 'palavra de ouro', dada sua facilidade de comunicar o Catecismo e conforto às almas que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Escreveu 176 sermões, onde de modo simples explica os mais complicados assuntos da Doutrina da Igreja.
    Nasceu em Imola, província de Ravena, Itália, em 380. Seus pais eram fervorosos católicos, e ainda jovem ele foi ordenado diácono. Esteve sob os cuidados de Cornélio, Bispo de Imola, a quem chamava de pai. Em 424, a imperatriz, que já o tinha como conselheiro pessoal, embora não fosse necessário, empenhou-se pessoalmente para que ele fosse indicado ao cargo de Arcediácono de Ravena, que nesta época era a capital do Império Romano do Ocidente.
    Em 433, Valentiniano III também usou de sua influência para ele fosse indicado Arcebispo de Ravena, mas isso já era um clamor popular e ele acabou consagrado pessoalmente pelo Papa Sisto III. Pudera, ninguém menos que São Pedro havia aparecido em sonho ao Papa, exclusivamente para indicar São Pedro Crisólogo para o arcebispado.
    Eram tempos difíceis para a parte do Império Romano que ficava na Europa: godos, vândalos e hunos sitiavam cidades italianas, provocando grandes flagelos. E após três séculos de resistência e martírios para estabelecer-se contra as perseguições do próprio Império Romano, a Igreja via-se mais uma vez ameaçada. Não bastasse o perigo das guerras, impiedosos 'cristãos' atiravam-se à aventura das mais insanas teorias, burlando a Doutrina e desrespeitando a inspiração do Espírito Santo, que sempre se fez perceber tanto pela comunhão espiritual vivida pela Igreja como pelo voto da maioria nas decisões dos Concílios.
    Precisamente por esses anos, fantasiosos teólogos inventavam tresloucadas heresias a respeito da natureza de Jesus. O Primeiro Concílio de Éfeso, em 431, onde notavelmente brilhou a inspirada Sabedoria de São Cirilo, Patriarca de Alexandria, já havia aceito por ampla maioria que Jesus misteriosamente tinha duas naturezas: humana e divina. Acolhendo as manifestações de Deus exatamente como elas se deram, ao mesmo tempo que refutando grosseiras simplificações e reduções, o Concílio reconheceu que não havia mais iluminada conclusão para a compreensão do Cristo: Ele é totalmente Deus e, ao mesmo tempo, totalmente humano.


    Pouco tempo antes caíra por terra a heresia de Nestório, que dizia que as duas naturezas de Jesus só vagamente se relacionavam. Mas Eutiques, um alto sacerdote de Constantinopla, após vários acertos e acordos entre os bispos desta região, imprudentemente insurgiu com a heresia de que as duas naturezas de Jesus se haviam fundido numa só. E começou a divulgá-la, mesmo depois de ter recebido uma belíssima carta do Papa São Leão Magno, na qual magistralmente lhe explicou a Encarnação do Verbo. É de São Pedro Crisólogo a célebre frase: "Pedro fala por Leão", referindo-se a São Pedro Apóstolo e ao Papa Leão Magno. E de fato, as decisões do Concílio da Calcedônia, em 451, mais uma vez vão confirmar os entendimentos reconhecidos pelo Concílio de Éfeso de 431.
    Sabendo da inteligência e da importância de São Pedro Crisólogo para a Igreja, Eutiques escreveu-lhe uma carta, tentando convencê-lo de sua heresia. Recebeu, no entanto, uma inspirada resposta, a qual, se tivesse bom senso, teria acolhido e posto de lado suas mal fadadas ideias. Escreveu-lhe o Prelado de Ravena: "Li tristemente tua triste carta, e percorri com grande aflição teus torturantes escritos. Porque, como a Paz das igrejas, a concórdia dos Sacerdotes e a tranquilidade do povo nos enchem de satisfação, duma alegria toda celeste, assim a divisão dos irmãos aflige-nos e deprime-nos, sobretudo quando com semelhantes causas... disputa-se temerariamente sobre a geração do Cristo, que a divina lei nos propôs como inexplicável. Tu não ignoras a que desvairamentos foi atirado Orígenes procurando os princípios, e Nestório disputando naturezas... Nós exortamo-te, honorável irmão, a que te submetas ao que foi escrito pelo bem-aventurado Papa de Roma: porque São Pedro, que vive e preside na Cátedra, dá a verdade de fé aos que a procuram. Quanto a nós, afeiçoados que somos pela paz e pela , não podemos interpretar as causas da fé sem o consentimento do Bispo de Roma."


    Seus ensinamentos sobre a vida piedosa valem não apenas para a humilde gente, a quem ele se dedicava na maior parte do tempo, mas certamente a todos que perderam as referências de uma vida verdadeiramente espiritual: "A oração é uma das três coisas que sustentam a fé. As outras duas são o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum obtém e a misericórdia recebe. Unidos, a oração, o jejum e a misericórdia tudo podem. O jejum é a alma da oração, e a misericórdia a vida do jejum. Não os separeis jamais. Quem um não tiver, nenhum dos três terá; donde se segue que quem ora deve jejuar, e quem jejua deve exercer obras de misericórdia."
    Um dos mais ilustres bispos de seu tempo, São Germano de Auxerre, que havia percebido a vocação de Santa Genoveva e apadrinhado São Patrício, foi visitar-lhe em Ravena no ano de 448, para desfrutar um pouco de sua santidade. Mas aí se deu outra vontade de Deus: carinhosamente acolhido por São Pedro Crisólogo, este grande santo foi acometido de uma enfermidade e docemente morreu sob seus cuidados.
    Ele ensina:
    "Quem não admira a grandeza de Maria, não sabe quanto Deus é grande."
    "O nome hebreu de Maria se traduz por Domina, em Latim. O anjo dá-lhe, portanto, o título de Senhora."
    "O jejum é Paz do corpo, força dos espíritos e vigor das almas."
    "O jejum é o leme da vida humana, e governa todo o navio do nosso corpo."
    "Ofereça tua alma a Deus, faça a Ele uma oblação com teu jejum para que tua alma seja uma pura oferenda, um sagrado sacrifício, uma viva vítima, permanecendo tua própria e ao mesmo tempo entregue a Deus. Quem deixar de dar isso a Deus, não será desculpado, pois só se te deres a Ele jamais estarás sem os meios de dar."
    "Vamos usar o jejum para compensar o que perdemos desprezando os outros. Vamos oferecer nossas almas em sacrifício por meio do jejum. Não há nada mais agradável que possamos oferecer a Deus, como o salmista disse em profecia: 'O sacrifício a Deus é um alquebrado espírito. Deus não despreza um ferido e humilhado coração.'"
    "Cada um de nós é chamado para ser, ao mesmo tempo, um sacrifício a Deus e ao Seu Sacerdote. Não perca o que a divina autoridade te oferece. Coloca a vestimenta da santidade, cinge-te com o cinturão da castidade. Deixa Cristo ser teu capacete, deixa a Cruz em tua testa ser tua infalível proteção. Teu peitoral deve ser o conhecimento de Deus, que Ele mesmo te deu. Continua queimando continuamente o doce incenso da oração. Toma a espada do Espírito. Deixa teu coração ser um altar. Então, com total confiança em Deus, apresenta teu corpo para o sacrifício. Deus não deseja a morte, mas a fé; Deus não tem sede de teu sangue, mas de teu sacrifício; Deus é aplacado não pela violenta morte, mas pela oferta de teu livre arbítrio."
    "Ele (Cristo) realmente fez de Seu corpo um vivo sacrifício, porque, apesar de morto, Ele continua a viver. Em tal Vítima, a morte recebe seu resgate, mas a Vítima continua viva. A própria morte sofre o castigo. É por isso que a morte dos mártires é, na verdade, um nascimento, e seu fim, um começo. Sua execução é a porta para a Vida, e aqueles, de quem se pensou terem sido apagados da terra, brilhantemente reluzem no Céu."
    "A mão do pobre é o gazofilácio (local das ofertas) de Cristo, porque tudo que o pobre recebe é Cristo que o recebe."
    "Os pobres estendem a mão, mas é Deus Quem recebe o que é oferecido."
    "Os que passaram, viveram para nós; nós, para os vindouros, e ninguém para si."
    "Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto, em seu benefício, o coração de Deus, não feche o seu a quem o suplica."
    "Ele é o Pão semeado na Virgem, fermentado na carne, moldado em Sua Paixão, assado na fornalha do sepulcro, colocado nas igrejas e posto sobre os altares, que diariamente fornece o Celestial Alimento aos fiéis."
    "Os Magos estão admirados diante do que vêem: o céu sobre a terra e a terra no céu; o homem em Deus e Deus no homem. Vêem contido num Pequenino Corpo Quem não pode ser contido por todo o mundo."
    "Pois aquele que indignamente toca o Corpo de Cristo, recebe sua condenação."
    "Hoje Cristo opera o primeiro de Seus sinais do Céu, transformando água em vinho. Mas a água (misturada com o vinho) ainda precisa ser transformada no Sacramento de Seu Sangue, para que Cristo possa oferecer bebida espiritual do cálice de Seu Corpo, para cumprir a profecia do salmista: 'Quão excelente é Meu Cálice, aquecendo Meu Espírito.'"
    "E o Criador… fez-te à Sua imagem para que tu, em tua pessoa, pudeste tornar o invisível Criador presente na terra. Ele fez de ti Seu legado, para que o vasto império do mundo pudesse ter o representante do Senhor."
    "Agora que renascemos, ... à semelhança de Nosso Senhor, e, de fato, fomos adotados por Deus como Seus filhos, nesta imagem vamos colocar por completo Nosso Criador, de modo a ser inteiramente como Ele, não na Glória que só Ele possui, mas na inocência, simplicidade, gentileza, paciência, humildade, misericórdia, harmonia... aquelas qualidades nas quais Ele escolheu tornar-Se, e ser Um conosco."
    "Ouça o apelo do Senhor: '... Vem, então, volta-te a Mim e aprende a conhecer-Me como Teu Pai, que paga o bem pelo mal, o amor pelo ferimento, e a ilimitada caridade por perfuradas chagas.'"
    "Deus prefere ser amado que ser temido."
    "Qualquer um que deseje brincar com o diabo, não pode alegrar-se com Cristo."

    O Sermão 30 é uma de suas mais conhecidas obras:
    "'Ele come com publicanos e pecadores!'
    Deus é acusado de vergar-Se ao homem, de sentar-Se perto do pecador, de ter fome de sua conversão e sede de seu regresso, de tomar o alimento da misericórdia e o cálice da benevolência.
    Mas Cristo, meus irmãos, veio a esta refeição; a Vida veio ao seio de seus convidados para que, condenados à morte, vivam com a Vida; a Ressurreição prostrou-se para que aqueles que jaziam se levantem de seus túmulos; a Bondade baixou-se para elevar os pecadores até ao perdão; Deus veio ao homem para que o homem chegue até Deus; o Juiz veio à refeição dos culpados para desviar a humanidade da sentença de condenação; o Médico veio aos doentes para restabelecê-los comendo com eles; o Bom Pastor inclinou o ombro para trazer a ovelha perdida ao aprisco da Salvação.
    'Ele come com publicanos e pecadores!'
    Mas quem é pecador, senão aquele que recusa ver-se como tal? Não será afundar-se em seu pecado e, a bem dizer, identificar-se com ele, o deixar de reconhecer-se pecador? E quem é injusto, senão aquele que se acha justo?…
    Vamos, fariseu, confessa teu pecado, e poderás vir à mesa de Cristo; Cristo, por ti, far-Se-á Pão, esse Pão que será partido para o perdão de teus pecados; Cristo tornar-Se-á, por ti, no cálice, esse cálice que será derramado para a remissão de tuas faltas.
    Vamos, fariseu, compartilha da refeição dos pecadores, e Cristo compartilhará de tua refeição; reconhece-te pecador, e Cristo comerá contigo; entra com os pecadores no festim do Teu Senhor, e poderás deixar de ser pecador; entra com o perdão de Cristo na casa da misericórdia."

    É do trabalho de São Pedro Crisólogo a construção do Mosteiro de Classe, uma pequena cidade próxima à sua diocese. Em Ravena, propriamente, ele construiu uma igreja em homenagem a Santo André e outra a São Pedro, a quem tinha como padrinho.
    Em 451, sentindo que chegava sua hora, pediu dispensa do bispado e retornou a Imola, onde havia iniciado sua vida sacerdotal. No dia seguinte á sua chegada, rezou a Santa Missa pela manhã na igreja de São Cassiano, e aos fiéis pediu para ali ser enterrado, perto do altar. Ao meio-dia, serenamente faleceu.
    São Pedro Crisólogo foi reconhecido como Doutor da Igreja.


    São Pedro Crisólogo, rogai por nós!

domingo, 29 de julho de 2018

Santa Marta


    "Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, recebeu-O em sua casa. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-Lo falar. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse:
    - Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude.
    Respondeu-lhe o Senhor:
    - Marta, Marta, andas muito inquieta e preocupas-te com muitas coisas. No entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada." Lc 10,38

    Nesta cena, São Lucas retrata o lado ativista de Santa Marta, que se apega demasiadamente ao trabalho e esquece a vida espiritual. Mas foi o generoso coração dessa mulher que viu em Jesus uma pessoa a ser acolhida em casa e na alma. Ela abriu-Lhe a porta porque O havia visto pregando, e foi tocada por Sua Palavra. Tal acolhimento será digno de afortunada recompensa, como disse Jesus: "Aquele que recebe um Profeta, na qualidade de Profeta, receberá uma recompensa de Profeta. Aquele que recebe um justo, na qualidade de justo, receberá uma recompensa de justo." Mt 10,41
    E Ele mesmo prometeu às igrejas através de São João Evangelista: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir Minha voz e abrir-Me a porta, entrarei em sua casa e cearemos. Eu com ele e ele Comigo." Ap 3,20
    Não resta dúvida, pois, que nossa Santa quis dar um bom acolhimento e uma boa refeição a Jesus e Seus Apóstolos. E de fato, não era pouco trabalho: eram ao menos 13 pessoas. Sua irmã Maria, entretanto, não queria parar de ouvi-Lo. Estava encantada, e com toda razão. Disse São João Evangelista: "... a Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo." Jo 1,17
    Também disse o soldado romano: "Respondeu o centurião: 'Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado.'" Mt 8,8
    Ainda disseram os guardas do sumo sacerdote, que foram enviados para aprender Jesus mas voltaram sem Ele: "Ninguém jamais falou como Este Homem!..." Jo 7,46
    Assim como São Pedro: "Respondeu-Lhe Simão Pedro: 'Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as Palavras da Vida Eterna.'" Jo 6,68

    E é Santa Marta, como consta do quarto Evangelho, que vai fazer uma declaração de suma importância para o perfeito reconhecimento da Divindade de Jesus. De fato, como ela declarou, prova de sua inspiração divina, só São Pedro havia afirmado: '... Tu és o Cristo...' Mt 16,16

    "Ora, havia um doente, Lázaro, de Betânia, povoado de Marta e de Maria, sua irmã. Suas irmãs mandaram, pois, dizer a Jesus:
    - Senhor, aquele que Tu amas está enfermo.
    A estas palavras, disse-lhes Jesus:
    - Esta enfermidade não causará a morte, mas tem por finalidade a Glória de Deus. Por ela será glorificado o Filho de Deus.
    Ora, Jesus amava Marta, Maria, sua irmã, e Lázaro. Mas, embora tivesse ouvido que ele estava enfermo, demorou-Se ainda dois dias no mesmo lugar. À chegada de Jesus, já havia quatro dias que Lázaro estava no sepulcro. Mal soube Marta da vinda de Jesus, saiu-Lhe ao encontro. Maria, porém, estava sentada em casa. Marta disse a Jesus:
    - Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Mas também sei que tudo que agora pedires a Deus, Deus To concederá.
    Disse-lhe Jesus:
    - Teu irmão ressurgirá.
    Respondeu-Lhe Marta:
    - Sei que há de ressurgir na Ressurreição do Último Dia.
    Disse-lhe Jesus:
    - Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em Mim, jamais morrerá. Crês nisto?
    Respondeu ela:
    - Sim, Senhor. Eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, Aquele que devia vir ao mundo.
    - Onde o pusestes?
    Responderam-Lhe:
    - Senhor, vinde ver.
    Jesus pôs-Se a chorar. Observaram, então, os judeus:
    - Vede como Ele o amava!
    Novamente tomado de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra. Jesus ordenou:
    - Tirai a pedra.
    Disse-Lhe Marta, irmã do morto:
    - Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí...
    Respondeu-lhe Jesus:
    - Não te disse Eu: Se creres, verás a Glória de Deus?
    Tiraram, pois, a pedra. Levantando Jesus os olhos ao alto, disse:
    - Pai, rendo-Te graças porque Me ouviste. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas assim falo por causa do povo que está em roda, para que creiam que Tu Me enviaste.
    Depois destas palavras, exclamou em alta voz:
    - Lázaro, vem para fora!
    E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Então ordenou Jesus:
    - Desligai-o e deixai-o ir.
    Muitos dos judeus que tinham vindo a Marta e Maria, e viram o que Jesus fizera, creram n'Ele." Jo 11,1.3-6.17.20-27.34-36.38-45


    São João Evangelista conta mais uma importante visita de Jesus à casa de Santa Marta. É quando Santa Maria de Betânia, sua irmã, vai lavar os pés do Salvador com um caro perfume e enxugá-los com os cabelos. E lá está Santa Marta mais uma vez ocupada em servi-Lo. Desta vez, porém, sem deixar de ouvi-Lo:

    "Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus a Betânia, onde vivia Lázaro, que Ele ressuscitara. Deram ali uma ceia em Sua honra. Marta servia e Lázaro era um dos convivas. Tomando Maria uma libra de bálsamo de puro nardo, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo. Mas Judas Iscariotes, um de Seus discípulos, aquele que havia de trai-Lo, disse:
    - Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários, e não se deu aos pobres?
    Dizia isso não porque ele se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela lançavam. Jesus disse:
    - Deixai-a. Ela guardou este perfume para o dia de Meu sepultamento. Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a Mim nem sempre tereis." Jo 12,1-8

    E foi em Betânia, enfim, após mais uma passagem pela casa de Santa Marta, pois vinham de viagem desde a Galileia, que Jesus ascendeu aos Céus: "Depois, levou-os para Betânia e, levantando as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, separou-Se deles e foi arrebatado ao Céu. Depois de terem-nO adorado, voltaram para Jerusalém com grande júbilo." Lc 24,50-52
    Uma muito antiga tradição relata que Santa Marta, Santa Maria e São Lázaro teriam deixado Israel, fugindo dos judeus de Jerusalém, e instalaram-se na França. De fato, São João Evangelista relata que a vida de São Lázaro estava em risco bem antes da perseguição iniciada com a morte de Santo Estevão: "Mas os príncipes dos sacerdotes resolveram também tirar a vida de Lázaro, porque muitos judeus, por causa dele, afastavam-se e acreditavam em Jesus." Jo 12,10-11
    E quando essa perseguição se deu, só os Apóstolos ficaram em Jerusalém: "E Saulo havia aprovado a morte de Estêvão. Naquele dia, rompeu uma grande perseguição contra a comunidade de Jerusalém. Todos se dispersaram pelas regiões da Judeia e de Samaria, com exceção dos Apóstolos." At 1,8
    Talvez porque realmente esperassem a morte, e Jesus havia dito: "... porque não é admissível que um Profeta morra fora de Jerusalém." Lc 13,33b
    Sendo São Lázaro um alvo certo, e grande sinal da passagem do Salvador, em Betânia ele não teria permanecido, pois era muito perto de Jerusalém, pouco menos de 3 quilômetros, como anotou São João: "Ora, Betânia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios." Jo 11,18
    Nem em Roma, pois no ano de 49 o imperador expulsou todos os judeus: "Depois disso, saindo de Atenas, Paulo dirigiu-se a Corinto. Ali encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, e sua mulher Priscila. Pouco antes, eles haviam chegado da Itália, por Cláudio ter decretado que todos judeus saíssem de Roma. Paulo uniu-se a eles." At 18,1-2
    Na comuna de Tarascon, no sudeste da França, próximo a Avignon e à fronteira com a Itália, mesma região onde se refugiou Santa Maria Madalena, no lugar de um antigo edifício que protegia a sepultura de Santa Marta foi construída uma igreja no século XI em sua homenagem, em cuja cripta depuseram seus restos mortais. Ela é venerada pela Igreja como a padroeira das cozinheiras e das donas de casa.



    Santa Marta, rogai por nós!

sábado, 28 de julho de 2018

Não ser Católico


    Numa palavra, não ser católico significa não estar sob a Graça de Deus, mas tão somente sob Sua Misericórdia, pois a Graça é obtida através dos Sacramentos da Igreja. São Pedro diz sobre o sacerdócio: "Como bons dispensadores das diversas Graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a Palavra, para anunciar as mensagens de Deus, e o ministério, para exercê-lo com a divina força, a fim de que Deus, em todas as coisas, seja glorificado por Jesus Cristo." 1 Pd 4,10-11
    O Batista, de fato, já apontava a única e exclusiva origem da Graça: "João replicou: 'Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do Céu.'" Jo 3,27
    O próprio Jesus disse aos Apóstolos porque a Igreja seria bem sucedida: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça." Jo 15,16a
    E São João Evangelista, falando em nome da Igreja e atestando a Divindade de Jesus, vai dizer: "Todos nós recebemos, de Sua plenitude, Graça sobre Graça. Pois a Lei foi dada por Moisés, mas a Graça e a Verdade vieram por Jesus Cristo." Jo 1,16-17
    São Paulo critica até mesmo os cristãos que, à falta do Novo Testamento, pois ainda não havia sido escrito, dedicavam-se mais ao Antigo Testamento que ao Evangelho anunciado: "Já estais separados de Cristo, vós que procurais a justificação pela Lei. Decaístes da Graça. Quanto a nós, é espiritualmente, da , que aguardamos a esperada justiça." Gl 5,4-5
    Para começar, só à Igreja Jesus enviou o Espírito Santo, que é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque permanecerá convosco e estará em vós." Jo 14,17
    Desde o Pentecostes, portanto, o Divino Espírito tem ininterruptamente estado com a Igreja, pois para isso foi enviado pelo Pai, a pedido de Jesus: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dar-vos-á outro Paráclito, para que fique eternamente convosco." Jo 14,16
    É sob Seu Ministério que a Igreja se encontra, pois vivemos o tempo dos Espírito Santo. São Paulo assim distingue o Novo do Antigo Testamento: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, revestiu-se de tal glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face (embora transitório), quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito!" 2 Cor 3,7-8
    E sem o Divino Paráclito não há divina filiação, como diz São Paulo aos romanos: "Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele." Rm 8,9b
    O próprio São Paulo, mesmo tendo sido agraciado com uma visão de Jesus, não saiu imediatamente pregando, mas por Ele foi submetido aos membros da Igreja: "Saulo disse: 'Quem és, Senhor?' Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a Quem tu persegues. Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.' Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: 'Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.'" At 9,5.6b.17
    Em carta aos coríntios, nestes termos o último Apóstolo acusa as divisões: "A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu dei-vos leite a beber, e não sólido alimento que ainda não podíeis suportar. Nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais. Com efeito, enquanto entre vós houver ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um modo totalmente humano?" 1 Cor 3,1-3
    Ora, foi justamente de resistência ao Espírito Santo que Santo Estevão acusou os judeus que não acolheram Jesus como Salvador: "Homens de dura cerviz, e de incircuncisos corações e ouvidos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo." At 7,51a
    Porque, como deveria ser patente, só há um Espírito Santo: "Em um só Espírito fomos batizados todos nós, para formar um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou livres. E todos fomos impregnados do mesmo Espírito." 1 Cor 12,13
    São Pedro, catequizando adultos no dia de Pentecostes, vai falar na necessária Confissão dos pecados, sem a qual não se dá o Sacramento da Crisma, nosso 'Pentecostes Pessoal': "Pedro respondeu-lhes: 'Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.'" At 2,38
    São Paulo diz: "Ora, o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." 2 Cor 3,17
    E celebra: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,2-4
    Foi essa liberdade que Jesus prometeu a Nicodemos, claramente distinguindo a Crisma do Batismo: "Respondeu Jesus: 'Em verdade, em verdade, digo-te: quem não renascer da Água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus. Aquele que nasceu da carne é carne, e aquele que nasceu do Espírito é espírito. Não te maravilhes de que Eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito.'" Jo 3,5-8
    E o próprio São João Batista falou do Ministério de Jesus: "Eu batizo-vos na água, mas eis que vem Outro mais poderoso que eu, a Quem não sou digno de desatar-Lhe a correia das sandálias. Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo." Lc 3,16a
    Em cumprimento desta missão da Igreja, São Pedro e São João Evangelista não vacilavam: "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas somente tinham sido batizados em Nome do Senhor Jesus. Então os dois Apóstolos impuseram-lhes as mãos, e receberam o Espírito Santo." At 8,14-17
    E em caso de pecado, também é pelo poder do Espírito Santo que a Igreja concede o perdão mediante a Confissão, pois o Sacerdote é Seu instrumento, como Jesus os ungiu logo na primeira aparição ao colégio dos Apóstolos, no Domingo da Ressurreição: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23


RECEBER O ESPÍRITO SANTO

    Não ser batizado nem se confessar, portanto, é em ficar sem a Crisma, ou seja, sem o Espírito Santo. Jesus disse a Seus seguidores pouco antes da Ascensão: "Eu mandar-vos-ei o Prometido de Meu Pai. Entretanto, permanecei na cidade até que sejais revestidos da força do Alto." Lc 24,49
    É não conhecer a Verdade, ainda segundo Nosso Senhor: "Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a Verdade. Porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." Jo 16,13
    É não ter Seus dons, na lição de São Paulo: "Há diversidade de dons, mas um só Espírito. A cada um é dada a manifestação do Espírito para comum proveito. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,4.7.11
    É não ter o penhor, isto é, a garantia da Salvação: "Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que por penhor nos deu Seu Espírito." 2 Cor 5,5
    É não ter o selo de Deus: "Ora, Quem confirma a nós e a vós em Cristo, e consagrou-nos, é Deus. Ele marcou-nos com Seu selo, e a nossos corações deu o penhor do Espírito." 2 Cor 1,21-22
    É não ter a marca da obediência, conforme São João Evangelista: "Quem observa Seus Mandamentos permanece em Deus e Deus nele. É nisto que reconhecemos que Ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu." 1 Jo 3,24
    Foi referindo-se à obediência como única forma de receber o Santo Paráclito que São Pedro testemunhou Jesus como o Messias diante do Sinédrio: "Deste fato nós somos testemunhas. Nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." At 5,32
    Pois ao ser humano Deus deu o incrível poder de repelir Seu Espírito, eliminando-o em nossos corações. Por isso, pede São Paulo: "Não extingais o Espírito." 1 Ts 5,19
    Aliás, pede que sequer O contrariemos nas mínimas coisas: "Nenhuma má palavra saia de vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o Qual estais selados para o Dia da Redenção." Ef 4,29-30
    Porque após Sua unção nem mesmo o corpo é nosso: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
    E o Apóstolo dos Gentios ia muito além da mera exortação à obediência. Falava de santificação, sempre lembrando o Espírito Santificador: "Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos deu Seu Espírito Santo." 1 Ts 4,7-8


NÃO É ENTENDER, MAS OBEDECER A DEUS!

    Os exemplos de pessoas obedientes a Deus são muitos, como quando Nossa Senhora respondeu ao Arcanjo Gabriel, mesmo sem saber como explicaria sua gravidez a São José: "Então disse Maria: 'Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.'" Lc 1,38
    Estava na palavra de São Pedro em resposta a Jesus, pouco antes da miraculosa pesca: "Quando acabou de falar, disse a Simão: 'Faze-te ao largo, e lançai vossas redes para pescar.' Simão respondeu-lhe: 'Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos. Mas por causa de Tua Palavra, lançarei a rede.' Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade que a rede se lhes rompia." Lc 5,4-6
    O próprio Jesus diria ao Pai, no Horto das Oliveiras: "'Aba! (Pai!)', suplicava Ele. 'Tudo Te é possível. Afasta de Mim este cálice! Contudo, não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres.'" Mc 14,36
    Ele havia ensinado a Seus discípulos: "Mas qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só minuto à duração de sua vida? Se vós, pois, não podeis fazer nem as mínimas coisas, por que estais preocupados com as outras? Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas Vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso." Lc 12,26.30
    Enquanto Verbo de Deus, Ele vai dizer: "Em verdade, não falei por Mim mesmo. Mas o Pai, que Me enviou, Ele mesmo prescreveu-Me o que devo dizer e o que devo ensinar." Jo 12,49
    E falando como Deus encarnado, recomendou: "Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Assim também vós: tampouco podeis dar fruto se não permanecerdes em Mim." Jo 15,4
    Apenas pedia que perseverássemos em Sua Palavra: "Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como também Eu guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,10
    Sabia de nossas dificuldades e limitações em compreender: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não podeis suportá-las agora." Jo 16,12
    Apontou, porém, a importantíssima obra da Terceira Pessoa de Deus: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordar-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26
    E com Sua Manifestação a Revelação completou-se, e foi confiada à Igreja, como afirma São Judas Tadeu: "Caríssimos, estando eu muito preocupado em escrever-vos a respeito da nossa comum Salvação, senti a necessidade de dirigir-vos esta carta para exortar-vos a pelejar pela , de uma vez para sempre confiada aos Santos." Jd 3
    Rejeitar a Igreja, portanto, ainda que parcialmente, é rejeitar a Revelação. Aliás, é rejeitar Jesus e Deus, como Nosso Salvador disse aos Apóstolos: "Quem vos ouve, a Mim ouve. E quem vos rejeita, a Mim rejeita. E quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou." Lc 10,16
    Ele garantiu à Igreja: "Se guardaram Minha Palavra, também hão de guardar a vossa." Jo 15,20b
    Pois só por Ele se chega realmente a Deus: "... ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 146b
    Não é verdadeira, pois, a afirmação de que todas religiões estão certas, apesar de todas elas conterem sim centelhas da Luz de Deus. Jesus mesmo apontou o erro dos samaritanos: "Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a Salvação vem dos judeus." Jo 4,22
    São Paulo, enfim, ele explica que só nos Céus chegaremos a onisciência de Deus: "Nossa ciência é parcial, Nossa profecia é imperfeita. Quando chegar o que é perfeito, o imperfeito desaparecerá. Hoje vemos como por um espelho, confusamente, mas então veremos face a face. Hoje conheço em parte, mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido." 1 Cor 13,9-10.12
    E assim há de ser nossa espera: "N'Ele (Cristo) também vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação, no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança, enquanto esperamos a completa Redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,13-14


BUSCAR OS SACRAMENTOS - NÃO INVENTE IGREJA!

    Jesus, pois, além de também prometer Sua presença na Igreja, determinou aos Apóstolos a completa transmissão, e jamais algo parcial, de Seus ensinamentos, que se tornou o Catecismo: "Ensinai-as a observar tudo que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." Mt 28,20
    Ele mesmo previu até a mais branda punição: "Aquele que violar um destes Mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será declarado o menor no Reino dos Céus." Mt 5,19a
    E por conta dessa 'dificuldade' de expressar toda Graça ao mundo, São Paulo foi preso e martirizado: "Orai também por nós. Pedi a Deus que dê livre curso à nossa palavra, para que possamos anunciar o mistério de Cristo. É por causa deste mistério que estou preso." Cl 4,3
    Ele sabia, porém, que neles agia a tremenda 'força do Alto': "Nosso Evangelho foi-vos pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que entre vós temos sido para vossa Salvação." 1 Ts 1,5
    E assim garantia: "Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e reduzimo-o à obediência a Cristo. Também estamos prontos para castigar todos desobedientes, assim que for perfeita vossa obediência." 2 Cor 10,4-6

A IGREJA

    Porque a Glória de Deus está estampada na Igreja que é una, que não pactua com divisões, pois só assim a manifestação de Cristo expressa todo Seu poder: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim. Pra que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e amaste-os, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Só assim ela expressa Seu amor, como Ele disse aos Apóstolos: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
    Vemos que São Paulo, com recorrência, lutou pela unidade da Igreja em suas cartas: "Exorto-vos, pois, - prisioneiro que sou pela causa do Senhor -, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade. Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo." Ef 4,1-5
    Sem dúvida, a Igreja é santa porque Jesus assim a quer: "... Cristo amou a Igreja e entregou-Se por ela, para santificá-la, purificando-a pela Água do Batismo com a Palavra, para a Si mesmo apresentá-la toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25b-27
    Membro a membro, apesar de nossos pecados, ela é constituída pelo Espírito Santo, como disse São Paulo aos Anciãos de Éfeso: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio sangue." At 20,28
    Pois todas questões levantadas sobre a Santa Doutrina foram exaustivamente debatidas, à Luz do Santo Paráclito, nos concílios através dos século. O próprio São Tiago Menor vai dizer do Concílio de Jerusalém: "Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
    E ainda que restassem um ou outro renitente, essas decisões sempre foram divulgadas pelos Santos e acatadas pela Igreja em todo mundo, como vemos no ministério de São Paulo e São Barnabé em referência a este Concílio de Jerusalém: "Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e Anciãos em Jerusalém." At 16,4
    São João Evangelista, que apontou a obediência como a marca do Espírito Santo, vai dizer da falta que Sua Unção faz aos dissidentes: "Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, certamente ficariam conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos. Vós, porém, tendes a unção do Santo e sabeis todas as coisas. Não vos escrevi como se ignorásseis a Verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira vem da Verdade." 1 Jo 2,19-21
    Já os seguidores da tradição de São Paulo, bem retratando a opinião das maiorias que venceram os concílios, invocam um retumbante sinal: a nuvem de testemunhas que forma a Igreja pelos séculos, e tem a Cruz como Caminho: "Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé, Jesus. Considerai atentamente, pois, Aquele que tantas contrariedades sofreu dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." Hb 12,1.3


    Como vimos acima, é o próprio Jesus que escolhe Seus Sacerdotes, e começou pelos Apóstolos, que quer dizer Seus enviados: "Ao amanhecer, chamou Seus discípulos e escolheu Doze dentre eles, que chamou de Apóstolos." Lc 6,13
    E assim a Igreja tem feito até hoje, ordenando Presbíteros, nossos Padres, como fazia São Paulo: "E em cada igreja instituíram Anciãos e, após orações com jejuns, encomendaram-nos ao Senhor, em Quem tinham confiado." At 14,23
    Ele tinha normas muito claras, e recomendou-as a São Tito: "Eu deixei-te em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres Anciãos em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei." Tt 1,5
    E atribuía, como visto, esta unção ao Espírito de Cristo, como disse aos Anciãos de Éfeso: "Cuidai de vós mesmos e de todo rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu Bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com Seu próprio Sangue." At 20,28
    Quanto ao Papa, também foi o próprio Jesus que fez esta ordenação, pois só a um dos Apóstolos entregou a chave do Reino dos Céus: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja. As portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus. Tudo que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo que desligares na terra será desligado nos Céus.'" Mt 16,18-19
    Assim como na tradição judaica do Sumo Sacerdote, São Pedro claramente tinha a primazia perante os demais Apóstolos, que formariam um colégio de conselho, nosso atual colégio cardinalício. Pelo sucesso da Igreja, de fato, Jesus vai rezar só por ele: "Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para peneirar como o trigo. Mas eu roguei por ti, para que tua confiança não desfaleça. E tu, por tua vez, confirma teus irmãos." Lc 22,31-32
    E só a São Pedro Ele confiou, de cordeiros a ovelhas, todo Seu rebanho: "Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-Me mais que estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas.'" Jo 21,15.17b

O BATISMO

    São estes Sacerdotes que estão autorizados a realizar o Batismo, como lhes instruiu Jesus: "Ide, pois, e ensinai a todas nações. Batizai-as em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." Mt 28,19
    Nele claramente incluem-se as crianças, como disse o Príncipe dos Apóstolos no dia do Pentecostes: "Pedro respondeu-lhes: 'Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em Nome de Jesus Cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos que de longe ouvirem o apelo do Senhor, Nosso Deus.'" At 2,38-39
    Era o que fazia São Paulo, batizando famílias inteiras: "Aliás, também batizei a família de Estéfanas. Além destes, não me consta ter batizado ninguém mais." 1 Cor 1,16


    Como de nossa necessária purificação para aproximar-nos de Deus, as primeiras palavras de Jesus ao iniciar Sua vida pública pediam exatamente arrependimento: "Desde então, Jesus começou a pregar: 'Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo.'" Mt 4,17
    O próprio batismo de São João requeria confissão: "Pessoas de Jerusalém, de toda Judeia e de toda circunvizinhança do Jordão vinham a ele. Confessavam seus pecados e por ele eram batizados nas águas do Jordão." Mt 3,5-6
    E assim também faziam os Apóstolos de Jesus, que inicialmente usavam o mesmo batismo de São João: "O Senhor soube que os fariseus tinham ouvido dizer que Ele recrutava e batizava mais discípulos que João, se bem que não era Jesus quem batizava, mas Seus discípulos." Jo 4,1-2
    Como pregou Jesus desde o início, a missão dos Apóstolos, ao serem enviados desde a primeira vez, não podia ser diferente: "Eles partiram e pregaram a penitência." Mc 6,12
    Para que obtenhamos o perdão de nossos pecados, portanto, com esse poder Jesus investiu Seus Sacerdotes, que assim agem pelo Santo Paráclito: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.'" Jo 20,22-23
    É assim que podemos estar na Paz de Cristo: "Deixo-vos a Paz, dou-vos Minha Paz. Não vo-la dou como o mundo a dá." Jo 14,27a
    E foi isso que Ele pediu a São Pedro: "Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas.'" Jo 21,15b.17b
    Essa obra de reconciliação com Deus continuou com São Paulo, como se viu em Éfeso: "Muitos dos que haviam acreditado, vinham confessar e declarar suas obras." At 19-18
    Ele diz dessa missão dos Sacerdotes da Igreja: "Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho: eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou Consigo, por Cristo, e confiou-nos o ministério desta reconciliação." 2 Cor 5,17-18
    E o Purgatório, como purificação pós-morte, é 'lugar' para depurar diferentes graus de pecados, desde que não mortais, pois Jesus não falou apenas de Céu, onde não haverão punição, e de inferno, onde a punição é máxima: "O servo que, apesar de conhecer a vontade de Seu Senhor, nada preparou e desobedeceu-lhe, será açoitado com numerosos golpes. Mas aquele que, ignorando a vontade de Seu Senhor, fizer coisas repreensíveis, será açoitado com poucos golpes." Lc 12,47-48a

    Só há, pois, uma forma de celebrar a memória de Jesus, e é exatamente como Ele pediu, celebrando Sua Paixão: "Pegando o cálice, deu graças e disse: 'Tomai este Cálice e distribuí-O entre vós.' Em seguida, tomou o pão e depois de ter dado graças, partiu-O e deu-lhO, dizendo: 'Isto é Meu Corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de Mim.'" Lc 22,1.19
    E disse que não participar da Eucaristia é não ter a Vida Eterna: "Jesus disse-lhes então: 'Em verdade, em verdade, digo-vos: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu sangue, não tereis a Vida em vós mesmos.'" Jo 6,53
    Mas a participação na Santa Ceia requer a devida purificação, que se realiza pela Confissão. São Paulo diz: "Portanto, todo aquele que indignamente comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor, será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que o come e bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação." 1 Cor 11,27-29
    E nem toda 'comunhão' é a Comunhão proposta por Cristo. Ele diz: "Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios." 1 Cor 10,21
    Ademais, não deveria haver duvida de que Deus quer ser reverenciado em cultos, e para isso temos a Santa Missa. Foi o que inspiradamente disse o cego de nascença curado por Jesus: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade." Jo 9,31

A CRISMA

    O Sacramento da Confirmação só pode ser ministrado por um bispo, e a distinção entre ele e o Batismo, como já citada, é evidente desde os primeiros anos da Igreja: "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas apenas tinham sido batizados em Nome do Senhor Jesus." At 8,14-16
    São Pedro bem distingue a Água do Batismo da Unção do Espírito Santo, como se viu na casa de Cornélio, centurião romano, onde aconteceu o 'Pentecostes dos Gentios': "Então Pedro tomou a palavra: 'Porventura pode-se negar a Água do Batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós?' E mandou que fossem batizados em Nome de Jesus Cristo." At 10,47-48
    Idêntica situação foi vista na Unção de São Paulo, que só depois foi batizado: "Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: 'Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.' No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado." At 9,17-18
    Essa função foi fielmente cumprida por São Paulo e São Barnabé: "Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações." At 14,22
    São Paulo, aliás, pouco batizaria, mas não deixaria de crismar, como se verá com os recém-convertidos de Éfeso: "'Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?' Responderam-lhe: 'Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!' 'Então em que batismo fostes batizados?', perguntou Paulo. Disseram: 'No batismo de João.' Então Paulo replicou: 'João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse n'Aquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus.' Ouvindo isso, foram batizados em Nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam." At 19,2-6

O MATRIMÔNIO

    O Sacramento do Matrimônio, como afirmou o próprio Jesus, é indissolúvel: "... mas, no princípio da Criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, deixará o homem pai e mãe e unir-se-á à sua mulher. E os dois não serão senão uma só carne. Assim, já não são dois, mas uma só carne. Não separe o homem, pois, o que Deus uniu. Quem repudia sua mulher e casa-se com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudia o marido e casa-se com outro, comete adultério." Mc 10,6-9.11-12
    Questionado, Ele invoca o original projeto de Deus, e diz sobre o divórcio: "Disseram-lhe eles: 'Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?' Jesus respondeu-lhes: 'É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres. Mas no começo não foi assim.'" Mt 19,7-8
    Por esse Sacramento morreu São João Batista: "Pois o próprio Herodes mandara prender João e acorrentá-lo no cárcere, por causa de Herodíades, mulher de seu irmão Filipe, com a qual ele se tinha casado. João tinha dito a Herodes: 'Não te é permitido ter a mulher de teu irmão.' Mc 6,17-18
    Pois uma de suas missões era justamente a sacralização do Matrimônio pela reestruturação da família, como disse Deus através do Profeta Malaquias: "Vou mandar-vos o Profeta Elias, antes que venha o grande e temível Dia do Senhor. E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais, de sorte que não mais ferirei de interdito a terra." Ml 3,23-24

A UNÇÃO DOS ENFERMOS

    Esse Sacramento, que como o Batismo e a Crisma também usa dos Santos Óleos, foi ministrado pelos Apóstolos desde suas primeiras missões, quando Jesus os enviou a pregar: "Expeliam numerosos demônios, ungiam com Óleo a muitos enfermos e curavam-nos." Mc 6,13
    E São Tiago Menor recomendou-a, deixando muito claro a quem se deve recorrer: "Está alguém enfermo? Chame os Sacerdotes da Igreja e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com Óleo em Nome do Senhor." Tg 5,14


O ANJO DA GUARDA

    Não ser católico é não ter a intimidade do Anjo da Guarda após a infância, como advertia Jesus os adultos dos escândalos: "Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque Eu vos digo que seus anjos no Céu contemplam sem cessar a face de Meu Pai, que está nos Céus." Mt 18,10
    É não ter suas instruções, como disse Arcanjo São Rafael a Tobias: "Apenas saíra, Tobias encontrou um jovem de belo aspecto, equipado como para uma viagem. Sem saber que se tratava de um anjo de Deus, ele saudou-o e disse-lhe: 'De onde és tu, ó bom jovem?' Ele respondeu: 'Sou israelita.' Tobias perguntou-lhe: 'Conheces porventura o caminho para a Média?' 'Oh, muito!', respondeu ele." Tb 5,5-8
    E são nossos Anjos da Guarda que levam nossas orações a Deus, como disse São Rafael a Tobit, o pai de Tobias: "Quando tu com lágrimas oravas e enterravas os mortos, quando deixavas tua refeição e ias ocultar os mortos em tua casa durante o dia, para sepultá-los quando a noite viesse, eu apresentava tuas orações ao Senhor." Tb 12,11-12

OS SANTOS

    Não ser católico é rejeitar a intercessão dos Santos, os autênticos cristãos, aqueles louvavelmente participam da 'primeira ressurreição'. São eles que, nos Céus, clamam a Deus: "Quando abriu o quinto selo, debaixo do altar vi as almas dos homens imolados por causa da Palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: 'Até quando Tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar nosso sangue contra os habitantes da terra?'" Ap 6,9-10
    E não acatar o exemplo deles é uma lástima, patente arrogância, pois, como mencionado, ao nosso tempo não temos apenas o exemplo de Jesus: "Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao proposto combate, com o olhar fixo no Autor e Consumador de nossa fé, Jesus." Hb 12,1
    De fato, suas almas já estão no Céu, e pela Comunhão dos Santos gozam de inimaginável poder: "Também vi tronos, sobre os quais se assentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a Fera ou sua imagem, que não tinham recebido seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma Nova Vida, e com Ele reinaram por mil anos." Ap 20,4
    Sem dúvida, a Glória que Jesus lhes deu não se viu apenas na Igreja durante suas vidas. Eles já usufruem eternamente da Comunhão com Santíssima Trindade: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    São Paulo sintetizou: "... quem se une ao Senhor, com Ele torna-se um só Espírito." 1 Cor 6,17b


MARIA

    Não ser católico é aceitar qualquer 'paternidade', de qualquer líder, mas cometer a grosseria de não aceitar a maternidade de Maria, que foi determinada por Jesus: "Quando Jesus viu Sua mãe, e perto dela o discípulo que amava, disse à Sua mãe: 'Mulher, eis aí teu filho.' Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua mãe.'" Jo 19,26-27a
    É não a levar para casa, como fez São João Evangelista, Apóstolo desde a mocidade, amado por Jesus como longevo ramo da Revelação, e assim arrematado e perfeito exemplo de cristão: "E dessa hora em diante o discípulo levou-a para sua casa." Jo 19,27b
    E é correr o risco de, após a morte, não ser um de seus filhos, contra os quais, desde a Ascensão do Senhor, ensandecidamente combate Satanás: "A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara. Este, então, irritou-se contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,15-17

    "Santificai e reuni Vosso povo!"