terça-feira, 24 de março de 2026

A Esperança


    Embora até mesmo inconscientemente a maioria de nós a alimente todo dia, a esperança é das teologais virtudes a mais esquecida. Muito falamos da , pouco exercemos o amor, mas quase nada pensamos sobre a esperança. E quando dela se fala é por algum objetivo material. Seu verdadeiro significado, no entanto, é espiritual, como o rei Davi cantava no Livro de Salmos: "Sei que verei os benefícios do Senhor na terra dos vivos! Espera no Senhor e sê forte! Fortalece teu coração e espera no Senhor!" Sl 26,13-14
    E ainda que um sagrado autor mencione materiais necessidades, versa mesmo sobre anseios da alma: "Eis os olhos do Senhor pousados sobre aqueles que O temem, sobre aqueles que esperam Seu amor, a fim de lhes livrar a alma da morte e os nutrir ao tempo da fome. Nossa alma espera no Senhor, porque Ele é nosso amparo e nosso escudo. N'Ele, pois, alegra-se nosso coração, em Seu Santo Nome confiamos. Senhor, que Vosso amor esteja sobre nós, assim como nossa esperança está em Vós." Sl 32,18-22
    Outro salmista reza: "Eu espero, Senhor, e minha alma espera, confiando em Vossa Palavra. Minha alma espera pelo Senhor, mais que os guardas pela aurora. Espera, Israel, pelo Senhor..." Sl 129,4-7a
    Pois, Davi revela, os divinos socorros são espirituais: "São muitos os sofrimentos do ímpio. Mas quem espera no Senhor, Sua Misericórdia envolve-o." Sl 31,10
    Assim como a própria Salvação, que em Jesus será compreendida, conforme um grupo de sagrados autores: "Por que te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de O louvar: Ele é Minha Salvação e Meu Deus." Sl 41,12
    Sem dúvida, é isso que Nosso Redentor oferece no Evangelho Segundo São Mateus: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29
    Ele ensinou-nos e deu exemplo na noite em que ia ser entregue. É leitura do Evangelho Segundo São João: "Perseverai em Meu amor. Se guardardes Meus Mandamentos, sereis constantes em Meu amor, como Eu também guardei os Mandamentos de Meu Pai e persisto em Seu amor." Jo 15,9b-10
    Pois não basta acreditar em Deus e amá-Lo. Devemos mesmo esperar por Suas Graças. Contudo, é pela fé e pelo amor que se demonstra a esperança, como Jesus exigiu da igreja de Éfeso no Livro de Apocalipse de São João: "Tens perseverança, sofreste por Meu Nome e não desanimaste. Mas contra ti tenho que arrefeceste teu primeiro amor." Ap 2,3-4
    E foi justamente um inimigo de Israel, Antíoco Epífanes, rei de Síria e agindo contra a vontade de Deus, que bem a expressou numa carta aos judeus, nos tempos do grande líder religioso e militar Judas Macabeus, na leitura do Segundo Livro de Macabeus: "Não que me desespere de meu estado. Ao contrário, tenho a firme esperança de escapar dessa doença..." 2 Mc 9,22
    Deus, de fato, havia dito a Israel no Livro do Profeta Isaías, durante o exílio em Babilônia: "Nada temas, porque Eu estou contigo. Não lances desesperados olhares, pois Eu sou Teu Deus" Is 41,10a
    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios cita este Profeta: "É como está escrito: 'Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4)', tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam." 1 Cor 2,9
    E assim exortava: "Quem trabalha, deve trabalhar com esperança, e igualmente quem debulha, deve debulhar com esperança de receber sua parte." 1 Cor 9,10b
    Pois mesmo exaltando a excelência do amor entre as espirituais virtudes, ele não esquece a importância da esperança: "Atualmente permanecem estas três coisas: a fé, a esperança, o amor. Mas a maior delas é o amor." 1 Cor 13,13
    E conforme os discípulos que fizeram escola na tradição paulina, a esperança espiritual está intimamente ligada à fé, é uma natural consequência dela. A Carta aos Hebreus cravou: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." Hb 11,1
    Na verdade, a Palavra de Deus tem esse objetivo, como Carta de São Paulo aos Romanos atesta: "Tudo que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela constância e consolação que as Escrituras nos dão, sejamos firmes na esperança." Rm 15,4
    Pois o Reino dos Céus, dom maior que Deus nos oferece em Sua Palavra, deve ser o objeto de nossa esperança: "Com efeito, sabemos que até o presente toda Criação está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nosso íntimo, esperando a filial Adoção, a Redenção de nosso corpo. Porque pela esperança é que fomos salvos." Rm 8,22-24a
    Por isso, exaltando a Ressurreição da Carne, ele fala da miserabilidade de quem cuida apenas da vida nesse mundo: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, de todos homens somos os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19
    Afirmativamente, na Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, vemos que ele vivia essa realidade na própria pele, pelas flagelações que passou: "Não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio em Ásia. Ali desmedidamente fomos maltratados, além de nossas forças, a ponto de termos perdido a esperança de sair com vida. Sentíamos dentro de nós mesmos a sentença de morte, para que aprendêssemos a pôr nossa confiança não em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos." 2 Cor 1,8-9
    E explicava pela ação do Espírito Santo o sobrenatural caráter da esperança, que em muito transcende as mundanas expectativas: "Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança, porque o que alguém vê, como é que ainda o espera? Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos. Outrossim, o Espírito vem em auxílio a nossa fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir, nem rezar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com inefáveis gemidos. E Aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o espírito, pois é segundo Deus que Ele intercede pelos santos. Aliás, sabemos que todas coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus." Rm 8,24b-28
    Com efeito, como consta na Carta de São Paulo a São Tito, todo ser humano espiritualmente sensível está "... na esperança da Vida Eterna, desde imemoráveis tempos prometida por Deus... " Tt 1,2
    Pois assim são os desígnios do Pai: "Deus abundantemente derramou o Espírito sobre nós, por meio de Jesus Cristo Nosso Salvador, para que nós nos tornássemos, uma vez justificados por Sua Graça, herdeiros da esperança da Vida Eterna." Tt 3,6-7
    É, portanto, o Espírito de Deus que nos enche dos mais elevados anseios. Lê-se na Carta de São Paulo aos Gálatas: "Quanto a nós, que nos deixamos conduzir pelo Espírito, é da fé que aguardamos a justificação, objeto de nossa esperança." Gl 5,5
    Ora, pela Carta de São Paulo aos Efésios sabemos que o Santo Paráclito é nossa garantia até o pleno cumprimento das promessas de Cristo, após encerrada a obra da Salvação realizada através da Santa Igreja Católica: "N'Ele (Jesus) é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio d'Aquele (Deus) que tudo realiza por deliberado ato de Sua vontade, para servirmos à celebração de Sua Glória, nós que desde o começo voltamos nossas esperanças para Cristo. N'Ele, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, vós também fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor de nossa herança, enquanto esperamos a completa redenção daqueles que Deus adquiriu para o louvor de Sua Glória." Ef 1,11-14
    Exatamente por isso, São Paulo reza ao Pai pelos cristãos da cidade de Éfeso: "... que vos dê o Espírito da Sabedoria e da Revelação, para que de verdade O conheçais. Que Ele ilumine os olhos de vosso coração, para que conheçais a esperança à qual Ele vos chama... " Ef 1,18
    E a Carta de São Paulo aos Colossenses já tinha voltado a apontar sua primeiríssima fonte: "Esperança que vos foi transmitida pela pregação da Verdade do Evangelho..." Cl 1,5
    O Apóstolo dos Gentios tinha uma simples fórmula, mais brilhante, que deve orientar todo católico: "Sede alegres na esperança, pacientes na tribulação e perseverantes na oração." Rm 12,12
    Às viúvas, a Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo recomenda algo que vale para todas pessoas em dificuldades: "... põe sua esperança em Deus, e noite e dia persevera em orações e súplicas." 1 Tm 5,5
    E a este seu maior colaborador pede que adverta os abastados: "Exorta os ricos deste mundo a não serem orgulhosos nem ponham sua esperança nas volúveis riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas coisas para delas fruirmos. Que pratiquem o bem, se enriqueçam de boas obras, sejam generosos, comunicativos, juntem um sólido e excelente tesouro para seu futuro, a fim de conquistarem a verdadeira Vida." 1 Tm 6,17-19
    Pois para muito além das forças naturais, é a esperança que fortalece nossos mártires conforme os discípulos deste Apóstolo: "Alguns foram torturados, por recusarem ser libertados, movidos pela esperança de uma mais gloriosa Ressurreição." Hb 11,35
    Ela tem sido o grande baluarte de Israel através dos tempos, como São Paulo mesmo argumentou em sua defesa perante o rei Agripa, após ser preso em Jerusalém. Está no Livro de Atos dos Apóstolos: "Mas agora sou acusado em juízo, por esperar a promessa que foi feita por Deus a nossos pais, e a qual nossas doze tribos esperam alcançar, noite e dia servindo a Deus. Por essa esperança, ó rei, é que sou acusado pelos judeus. Que pensais vós? É coisa incrível que Deus ressuscite os mortos?" At 26,6-8
    Ela é a própria razão de ser de nossa Vida: "Esperança esta que seguramos qual âncora de nossa alma, firme e sólida..." Hb 6,19
    Ela é uma prova de fidelidade que damos a Deus: "Firmemente nos conservamo apegados a nossa esperança, porque Aquele, Cuja promessa aguardamos, é fiel." Hb 10,23
    Ela é a o grande trunfo, e a certeza da vitória dos Santos: "Esperando contra toda esperança, Abraão acreditou e tornou-se o pai de muitas nações..." Rm 4,18
    Ela é o capacete da armadura de Deus (cf. Ef 6,11) para um católico, conforme a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Tomemos por couraça a fé e o amor, e por capacete a esperança da Salvação." 1 Ts 5,8b
    Ela é a própria manifestação de Deus na vida do fiel, conforme o Livro de Eclesiástico: "Aquele que teme ao Senhor, não tremerá. De nada terá medo, pois o próprio Senhor é sua esperança." Eclo 34,16
    Ela é a razão da União que a Igreja Apostólica vive, como São Paulo diz: "Sede solícitos em conservar a Unidade do Espírito no vínculo da Paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como por vossa vocação fostes chamados a uma só esperança." Ef 4,3-4
    Porque só a Igreja Una pode glorificar o Criador: "O Deus da perseverança e da consolação conceda-vos o mesmo sentimento uns para com os outros, segundo Jesus Cristo, para que, com um só coração e uma só voz, glorifiqueis a Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo." Rm 15,5-6
    É por meio da esperança, portanto, que a Igreja Católica colabora com Cristo para a Salvação das almas. A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo aconselha: "Rejeita as tolas e absurdas discussões, visto que geram contendas. Não convém a um servo do Senhor altercar. Bem ao contrário, seja ele condescendente com todos, capaz de ensinar, paciente em suportar os males. É com brandura que deve corrigir os adversários, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do Demônio, que os mantém cativos e submetidos a seus caprichos." 2 Tm 2,23-26
    E assim a despeito de toda dificuldade: "Por isso, não desanimamos deste Ministério que por Misericórdia nos foi conferido. Em tudo somos oprimidos, mas não sucumbimos. Vivemos em completa penúria, mas não nos desesperamos." 2 Cor 4,1.8
    Pois este Apóstolo sabia estar sob a Guia do Divino Paráclito, porque a Igreja Católica Apostólica Romana é o próprio Ministério do Espírito Santo: "Ele (Deus) é que nos fez aptos para ser Ministros da Nova Aliança, não a da letra, e sim a do Espírito. Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de tal Glória... quanto mais glorioso não será o Ministério do Espírito? Se o ministério da condenação já foi glorioso, muito mais em Glória há de o sobrepujar o Ministério da Justificação! Em posse de tal esperança, procedemos com total desassombro." 2 Cor 3,6a.7a.c.9.12
    A Primeira Carta de São Pedro, pois, pedia que bem a conhecêssemos: "... estai sempre prontos a dar a razão de vossa esperança a todo aquele que a pedir." 1 Pd 3,15
    Dava exemplo das Santas do Antigo Testamento que não viviam o pecado capital da vaidade, dando ensejo a nossa filiação perante Maria Santíssima, Nossa Mãe Celeste: "Era assim que outrora as Santas mulheres que esperavam em Deus se adornavam e eram submissas a seus maridos, como Sara que obedecia a Abraão, chamando-o de senhor. Dela tornai-vos filhas pela prática do bem, sem temor de perturbação alguma." 1 Pd 3,5-6
    E pedindo prontidão e vigilância, tinha dado essa simples recomendação para a Definitiva Volta de Cristo: "Cingi, portanto, os rins de vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na Graça que vos será dada no Dia em que Jesus Cristo aparecer." 1 Pd 1,13
    De fato, a passagem do Messias entre nós, assim como Sua Ressurreição, tem como primeira razão fazer prevalecer nosso vínculo com Deus: "Por Ele tendes fé em Deus, que O ressuscitou dos mortos e glorificou, a fim de que vossa fé e vossa esperança se fixem em Deus." 1 Pd 1,21
    Bem como o vínculo com as maiores promessas, como a Segunda Carta de São Pedro afirma, o que nos obriga à santidade: "Nós, porém, segundo Sua promessa, esperamos novos céus e uma nova Terra, nos quais habitará a Justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por Ele achados sem mácula e irrepreensíveis na Paz." 2 Pd 3,13-14
    O Príncipe dos Apóstolos exaltava-a porque por ela renascemos para anseios muito além de quaisquer expectativas neste mundo: "Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em Sua grande Misericórdia, pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, Ele fez-nos nascer de novo para uma viva esperança, para uma incorruptível herança, que não se mancha nem murcha e que para vós é reservada nos Céus." 1 Pd 1,3-9
    O Catecismo da Igreja Católica, pois, ensina: "A esperança é a teologal virtude pela qual desejamos o Reino dos Céus e a Vida Eterna como nossa felicidade, pondo toda nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos, não em nossas forças, mas no socorro da Graça do Espírito Santo. (...)
    A virtude da esperança responde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo homem, assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens, purifica-as e ordena-as para o Reino dos Céus, protege contra o desânimo, sustenta no abatimento, dilata o coração na espera da Eterna Bem-Aventurança. O ânimo, que a esperança dá, preserva do egoísmo e conduz à felicidade do amor.
    A esperança cristã manifesta-se, desde o princípio da pregação de Jesus, no anúncio das Bem-Aventuranças. As Bem-Aventuranças elevam nossa esperança ao Céu como nova Terra Prometida, e traçam o caminho através das provações que aguardam os discípulos de Jesus. (...) Exprime-se e nutre-se na oração, particularmente na oração do Pai-Nosso, resumo de tudo que a esperança nos faz desejar." CIC § 1817-1818.1920


A ESPERANÇA DE ISRAEL

    Não por acaso, tratando de coisas realmente celestiais, 700 anos antes o Profeta Isaías previu que o Reinado de Jesus iria muito além das terras de Israel: "Em Seu Nome as não judias nações porão sua esperança." Is 42,4
    São Paulo, por sinal, referiu-se à Salvação, ou seja ao próprio Cristo, de singelo modo: "Pois é por causa da esperança de Israel é que estou preso com esta corrente." At 28,20
    Ora, foi assim que o Menino Jesus foi anunciado por uma profetisa no dia de Sua Apresentação no Templo de Jerusalém, conforme o Evangelho Segundo São Lucas: "Também havia uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era de avançada idade. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do Templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que esperavam a Redenção de Jerusalém." Lc 2,36-38
    De fato, a Carta de São Paulo aos Filipenses voltava suas atenções para a verdadeira Redenção: "Nós, porém, somos cidadãos dos Céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante a Seu Corpo Glorioso, em virtude do poder que tem de a Si sujeitar toda criatura." Fl 3,20-21
    Pois é por essa esperança, como a Primeira Carta de São João assegura, que somos justificados: "E todo aquele, que n'Ele tem esta esperança, torna-se puro como Ele é puro." 1 Jo 3,3
    Os seguidores de São Paulo também disseram: "... assim uma só vez Cristo Se ofereceu para sobre Si tomar os pecados da multidão, e aparecerá uma segunda vez, não porém em razão do pecado, mas para trazer a Salvação àqueles que O esperam." Hb 9,28
    As dificuldades, portanto, quando corretamente enfrentadas, são exercícios e ocasiões para que vivenciemos o que dizemos acreditar. Por isso, nossa esperança não é ilusão nem casualidade. Pelo contrário: ela tem sentido e histórico. O próprio São Paulo argumenta: "Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade, e a fidelidade, uma vez comprovada, produz a esperança. E a esperança não decepciona, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,3b-5
    Logo, nada de apegar-se a vãos prazeres ou de abandonar a fé, como Davi bem atinava: "Feliz o homem que pôs sua esperança no Senhor, e não segue os idólatras nem os apóstatas." Sl 39,5
    Por fim, o Apóstolo dos Gentios dá um novo título a Deus, e diz do grande dom que Seu Espírito realiza em nossas almas: "Que o Deus da esperança vos encha de toda alegria e Paz, em vossa vida de fé. Assim vossa esperança transbordará, pelo poder do Espírito Santo." Rm 15,13

    "Tornai viva nossa fé, nossa esperança!"
    "Livrai-nos de todos males, ó Pai, e dai-nos hoje Vossa Paz. Ajudados por Vossa Misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a Vinda de Cristo Salvador."