domingo, 2 de agosto de 2026

O Cordeiro de Deus


    São João Batista, que segundo o próprio Jesus encerrou os tempos da Lei e dos Profetas, ou seja, do Antigo Testamento (cf. Mt 11,13), foi quem O apresentou como o Cordeiro de Deus a seus seguidores, um dia depois de O batizar. É leitura do Evangelho Segundo São João: "No dia seguinte, João viu Jesus que vinha a ele e disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.'" Jo 1,29
    E deu esse testemunho, revelando que falava com Deus: "É este de Quem eu disse: 'Depois de mim virá um Homem que me é superior, porque existe antes de mim. Eu não O conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que Ele se torne conhecido em Israel.' João havia declarado: 'Vi o Espírito descer do Céu em forma de uma Pomba e repousar sobre Ele. Eu não O conhecia, mas Aquele que me mandou batizar em água, disse-me: Sobre Quem vires descer e repousar o Espírito, este é Quem batiza no Espírito Santo. Eu vi-O e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.'" Jo 1,30-34
    Ele tornou a o dizer mais uma vez diante de dois de seus seguidores, Santo André e São João Evangelista, que se tornariam Apóstolos: "No dia seguinte,  estava João outra vez com dois de seus discípulos. E avistando Jesus que ia passando, disse: 'Eis o Cordeiro de Deus.' Os dois discípulos ouviram-no falar, e seguiram Jesus." Jo 1,35-36
    De fato, era precisamente essa a missão do Batista, como havia profetizado seu pai, o sacerdote São Zacarias, no dia de seu nascimento, anunciando o Sacramento da Confissão. O Evangelho Segundo São Lucas apontou: "E tu, menino, serás chamado Profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e Lhe prepararás o Caminho, para dar a conhecer a Seu povo a Salvação pelo perdão dos pecados." Lc 1,76-77
    Aliás, como o próprio São Gabriel Arcanjo havia informado, logo que apareceu a São Zacarias no Templo de Jerusalém: "Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos alegrar-se-ão com seu nascimento, porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo. Ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, Seu Deus, e irá adiante de Deus com o Espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à Sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto." Lc 1,14-17
    A simbologia do Cordeiro, como etapa da Revelação, faz parte do patrimônio judaico desde o Livro de Gênesis, quando Deus, falando por um anjo, poupou Abraão de sacrificar seu filho Isaque, apresentando-lhe um filhote de ovelha para ser oferecido em sacrifício: "O anjo do Senhor, porém, gritou-lhe do Céu: 'Abraão! Abraão!' 'Eis-me aqui!' 'Não estendas tua mão contra o menino, e não lhe faças nada. Agora Eu sei que temes a Deus, pois não Me recusaste teu próprio filho, teu único filho.' Abraão, levantando os olhos, viu atrás dele um cordeiro preso pelos chifres entre os espinhos, e tomando-o, ofereceu-o em holocausto em lugar de seu filho." Gn 22,11-13


    Contudo, Deus não poupou os primogênitos dos egípcios, quando por meio de pragas tentava convencer o Faraó a libertar Seu povo da escravidão em Egito. Nessa ocasião, o sangue de cordeiro serviu de sinal para proteger o povo de Israel, e marcou o início do sacrifício da páscoa, que seria eternizado pela Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. É do Livro de Êxodo: "Moisés convocou todos anciãos de Israel e disse-lhes: 'Ide e escolhei um cordeiro por família, e sacrificá-lo-ás para a páscoa. Depois disso, tomareis um feixe de hissopo, ensopá-lo-eis no sangue que estiver na bacia e com esse sangue aspergireis a verga e as duas ombreiras da porta. Nenhum de vós transporá o limiar de sua casa até a manhã. Quando o Senhor passar para ferir Egito, vendo o sangue sobre a verga e as duas ombreiras da porta, passará adiante e não permitirá ao Destruidor entrar em vossas casas para vos ferir. Observareis esse costume como uma perpétua instituição para vós e vossos filhos. Quando tiverdes penetrado na terra que o Senhor vos dará, como prometeu, observareis esse rito. E quando vossos filhos vos disserem: Que significa esse rito? respondereis: É o sacrifício da páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os egípcios, passou por cima das casas dos israelitas em Egito e preservou nossas casas.'" Êx 12,21-27
    E embora fossem os tempos da passagem pelo deserto, que durou 40 anos (cf. Js 14,10), haveria um especial lugar para esse sacrifício, que além da celebração da páscoa servia para o perdão dos pecados no Antigo Testamento. Era uma sinalização para o futuro Templo de Jerusalém, como Deus mesmo determinou a Moisés no Livro de Levítico: "O sacerdote que fez a purificação, apresentará o homem que há de ser purificado junto a todas essas coisas ao Senhor, à entrada da Tenda de Reunião. Tomará, em seguida, um dos cordeiros e oferecê-lo-á em sacrifício de reparação com a medida de óleo, e agitá-los-á como oferta diante do Senhor. Degolará o cordeiro no lugar onde se imolam as vítimas pelo pecado e o holocausto, no santo lugar, porque a vítima do sacrifício de reparação, assim como a do sacrifício pelo pecado, pertencem ao sacerdote: esta é uma santíssima coisa." Lv 14,11-13
    Em tempos de forte conversão em Israel, como se lê no Primeiro Livro de Samuel, este grande Profeta realizou este sacrifício a pedido do povo para obter proteção do Senhor: "Samuel tomou um cordeiro de leite e ofereceu-o inteiro em holocausto ao Senhor. Depois clamou ao Senhor por Israel, e o Senhor ouviu-o. Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus começaram o combate contra Israel. O Senhor, porém, trovejou com Sua fortíssima voz sobre os filisteus naquele momento, e eles dispersaram-se, sendo batidos pelos israelitas. Samuel tomou uma pedra e pô-la entre Masfa e Sen, dando-lhe o nome de Eben-Ezer, pois disse: 'Até aqui nos socorreu o Senhor.'" 1 Sm 7,9-10.12
    Com as reformas religiosas  promovidas pelo rei Josias, após Helcias ter reencontrado o Livro da Lei no Templo, os sacerdotes judeus retomaram essa função. O Segundo Livro de Crônicas traz: "Imolaram o cordeiro pascal. Com o sangue que receberam das mão dos levitas, os sacerdotes fizeram a aspersão, enquanto os levitas esfolavam as vítimas." 2 Crô 35,11
    Séculos depois, porém, no Livro do Profeta Oseias, que será mencionado por Jesus (cf. Mt 12,7), Deus começou a contestar os sacrifícios por se terem tornado um rito banalizado, sem a devida devoção, em meio à completa corrupção de Israel: "Que te farei, Efraim? Que te farei, Judá? Vosso amor é como a nuvem da manhã, como o orvalho que logo se dissipa. Por isso, Eu os castiguei pelos Profetas, matei-os pelas palavras de Minha boca, e Meu Juízo resplandece como o relâmpago, porque Eu quero o amor mais que os sacrifícios, e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos. Mas eles vergonhosamente violaram a Aliança e traíram-Me. Galaad é uma cidade de malfeitores, cheia de traços de sangue. Os bandidos são sua força, uma quadrilha de sacerdotes. Assassinam no caminho de Siquém, porque seu proceder é criminoso. Vi horrores na Casa de Israel: ali cresce a prostituição de Efraim, ali se mancha Israel." Os 6,4-10
    Ele também procedeu assim no Livro do Profeta Isaías, reclamando uma verdadeira conversão espiritual: "'De que Me serve a multidão de vossas vítimas?', diz o Senhor. 'Já estou farto de holocaustos de cordeiros... Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem. Respeitai o direito, protegei o oprimido. Fazei Justiça ao órfão, defendei a viúva.'" Is 1,11.17
    Aliás, o próprio Samuel alegou perante o rei Saul, que foi deposto por Deus por O desobedecer: "Samuel replicou-lhe: 'Acaso o Senhor Se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência a Sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício. e a submissão vale mais que a gordura dos carneiros. A rebelião é tão culpável quanto a superstição, a desobediência é como o pecado de idolatria. Pois que rejeitaste a Palavra do Senhor, Ele também te rejeita e te despoja da realeza!" 1 Sm 15,22-23
    E o rei Davi vai cantar no Livro de Salmos: "Vós não quisestes sacrifício nem oferenda, mas abristes meus ouvidos. Não pedistes holocausto nem vítima de expiação." Sl 39,7
    Rito realmente em descrédito, o Livro do Profeta Amós apontou esta reação de Deus antes de falar através de Oseias: "Detesto vossas festas, elas desgostam-Me. Não sinto gosto algum em vossos cultos. Quando Me ofereceis holocaustos e ofertas, não encontro neles prazer algum, e não faço caso de vossos sacrifícios e animais cevados. Longe de Mim o ruído de vossos cânticos, não quero mais ouvir a música de vossas harpas, mas, antes, que jorre a equidade como uma fonte, e a Justiça como torrente que não seca. Porventura Me oferecestes sacrifícios e oblações no deserto, durante quarenta anos, ó Casa de Israel?" Am 5,21-25
    Ora, o amor a Deus e ao próximo (cf. Lv 19,18), desde que como Jesus nos amou (cf. Jo 15,12), é mais importante que rituais. O Evangelho Segundo São Marcos registrou esse diálogo de um religioso com Nosso Senhor, que concordou com a conclusão a que ele chegou: "Disse-Lhe o escriba: 'Perfeitamente, Mestre, disseste bem que Deus é Um só e que não há outro além d'Ele. E amá-Lo de todo teu coração, de toda tua alma, de todo teu entendimento e de toda tua força, e amar o próximo como a si mesmo, excede a todos holocaustos e sacrifícios.' Vendo Jesus que ele sabiamente falara, disse-lhe: 'Não estás longe do Reino de Deus.'" Mc 12,32-33-34a


JESUS, CORDEIRO IMOLADO

    E em suas profecias, Isaías terminou por ver o próprio Messias na figura do Cordeiro Imolado: "Foi maltratado e resignou-Se. Não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma muda ovelha nas mãos do tosquiador. Ele não abriu a boca. Por um iníquo julgamento foi arrebatado. Quem pensou em defender Sua causa quando foi suprimido da terra dos vivos, morto pelo pecado de meu povo? Foi-Lhe dada Sepultura ao lado de facínoras, e ao morrer achava-se entre malfeitores, se bem que não haja cometido injustiça alguma, e em Sua boca nunca tenha havido mentira." Is 53,7-9
    Na Carta aos Hebreus, de fato, os seguidores da tradição de São Paulo vão dizer de Sua Paixão: "Uma vez que os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, Ele também participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o Demônio, e libertar aqueles que, pelo medo da morte, por toda vida estavam sujeitos a uma verdadeira escravidão. Veio em socorro, não dos anjos, e sim da raça de Abraão, e por isso convinha que em tudo Ele Se tornasse semelhante a Seus irmãos, para ser um compassivo e fiel Sumo Sacerdote no serviço de Deus, capaz de expiar os pecados do povo. De fato, por ter Ele mesmo suportado tribulações, está em condição de vir em auxílio daqueles que são atribulados." Hb 2,14-18
    Afirmativamente, se Deus poupou Isaque, o filho de Abraão, e tão somente o fato de Ele ter cogitado tal sacrifício nos parece um absurdo, não hesitou em sacrificar Seu próprio Filho. Jesus mesmo atestou: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo que lhe deu Seu Único Filho, para que todo aquele que n'Ele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna." Jo 3,16
    A Carta de São Paulo aos Romanos semelhantemente apresentou Seu Sacrifício como uma prova do amor de Deus, e assim como garantia de tudo que d'Ele receberemos: "Aliás, sabemos que todas coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo Seus desígnios. Aquele que não poupou Seu próprio Filho, mas que por todos nós O entregou, como também não nos dará com Ele todas coisas?" Rm 8,28.32
    Todavia, prevendo que Seus seguidores igualmente seriam hostilizados, e até de brutal modo martirizados, Jesus compara-os a cordeiros prontos para um holocausto: "Ide! Eis que Eu vos envio como cordeiros entre lobos." Lc 10,3
    Por isso, evocando o Profeta Oseias no Evangelho Segundo São Mateus, Ele, mais que rituais, vai pedir compaixão aos fariseus: "Ide e aprendei o que significam estas palavras: 'Eu quero a Misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6).'" Mt 9,13
    Ora, Ele bem sabia o que a Santa Igreja Católica sofreria, como disse a Apóstolos, discípulos e seguidores noite em que ia ser entregue, após a Santa Ceia: "Expulsá-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a Mim." Jo 16,2-3
    E por duas vezes pediu a nosso Primeiro Papa que cuidasse dos mais frágeis em Seu rebanho, que são os fiéis, que não recebem o Sacramento da Ordenação: "Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, amas-Me mais que a estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros.' Perguntou-lhe outra vez: 'Simão, filho de João, tu Me amas?' Respondeu-Lhe: 'Sim, Senhor, Tu sabes tudo, sabes que Te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta Meus cordeiros.'" Jo 21,15-16
    Pois ele tinha bem claro que o Cordeiro havia redimido nossos pecados diante de Deus. A Primeira Carta de São Pedro vai pregar: "Porque vós sabeis que não é por perecíveis bens, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados de vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais. Mas pelo precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro Imaculado e sem defeito algum, Aquele que foi predestinado antes da criação do mundo e nos últimos tempos foi manifestado por amor a vós." 1 Pd 1,18-20
    Explicou: "Assim, pois, como Cristo padeceu na Carne, também vos armai deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado, a fim de que, no tempo que lhe resta para o corpo, já não viva segundo as humanas paixões, mas segundo a vontade de Deus." 1 Pd 4,1-2
    E a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, pelo mesmo motivo, pedia uma completa renovação em nossas vidas, tomando como exemplo de pureza os pães sem fermento: "Purificai-vos do velho fermento para que sejais nova massa! Porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, Nossa Páscoa, foi imolado." 1 Cor 5,7
    Com razão, para estabelecer a Nova Aliança prometida desde os tempos de Jeremias, em Si mesmo Jesus realizou o Sacrifício Perfeito. É o que os discípulos de São Paulo argumentam, citando um Salmo de Davi, ao referirem-se aos sacrifícios que os judeus seguiam oferecendo: "Enquanto todo sacerdote diariamente se ocupa com seu ministério, e inúmeras vezes repete os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício, e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus, onde de ora em diante espera que Seus inimigos sejam postos como um banquinho para Seus pés (Sl 109,1)." Hb 10,11-13
    Sem dúvida, Deus prometeu, no Livro do Profeta Jeremias, a indizível Graça do perdão que temos no Sacrifício do Sangue do Cordeiro de Deus: "Dias hão de vir, Oráculo do Senhor, em que firmarei Nova Aliança com as Casas de Israel e de Judá. Será diferente da que concluí com seus pais, no dia em que pela mão os tomei para os tirar de Egito. Aliança que violaram, embora Eu fosse o Esposo deles. Eis, então, a Aliança que farei com a Casa de Israel, Oráculo do Senhor: 'Incuti-lhe-ei Minha Lei, gravá-la-ei em seu coração. Serei Seu Deus e Israel será Meu povo. Então ninguém terá encargo de instruir seu próximo ou irmão, dizendo: 'Aprende a conhecer o Senhor', porque todos Me conhecerão, grandes e pequenos, Oráculo do Senhor, pois a todos perdoarei as faltas, sem guardar nenhuma lembrança de seus pecados." Jr 31,31-34
    E assim, pelo Espírito de Deus que nos é concedido desde o Pentecostes, sabemos que Cristo aperfeiçoou a Antiga Aliança: "Por uma só oblação, Ele realizou a definitiva perfeição daqueles que recebem a santificação. É o que nos confirma o testemunho do Espírito Santo. Ora, onde houve plena remissão dos pecados não há porque por eles oferecer sacrifício. Por esse motivo, irmãos, temos ampla confiança de poder entrar no Eterno Santuário, em virtude do Sangue de Jesus, pelo novo e vivo Caminho que nos abriu através do véu, isto é, o Caminho de Seu próprio Corpo." Hb 10,14-15a.18-20
    Por isso, o Apóstolo dos Gentios fala do Batismo do Espírito Santo, profetizado por São João Batista, distinguindo o Novo e o Antigo Testamento: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa Carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na Carne a fim de que a Justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito." Rm 8,2-4


AS NÚPCIAS DO CORDEIRO

    Mas é tão somente no Céu, onde a Esposa, a Jerusalém Celestial, perpetuação da Igreja Católica Apostólica Romana, devidamente receberá Jesus, que Deus Pai quer oferecer-nos o Eterno Banquete. Foi o texto ditado para que se registrasse no Livro de Apocalipse de São João: "Felizes os convidados para a ceia das Núpcias do Cordeiro." Ap 19,9
    Assim foi sua visão: "Nisto, ouvi como que um imenso coro, sonoro como o ruído de grandes águas e como o ribombar de possantes trovões, que cantava: 'Aleluia! Eis que o Senhor reina, Nosso Deus, o Dominador! Alegremo-nos, exultemos e demos-Lhe Glória, porque se aproximam as Núpcias do Cordeiro. Sua Esposa está preparada. Foi-lhe dado revestir-se de puríssimo e resplandecente linho. Pois o linho são as boas obras dos Santos." Ap 19,6-8
    Porque Ele, o Cordeiro de Deus, é digno de toda Glória perante todos anjos de Deus: "Eu vi no meio do trono, dos quatro seres e dos anciãos (todos anjos!) um Cordeiro, de pé, como que imolado. Tinha Ele sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda Terra. Em minha visão também ouvi, ao redor do trono, dos seres e dos anciãos, a voz de muitos anjos, em número de miríades de miríades e de milhares de milhares, bradando em alta voz: 'Digno é o Cordeiro Imolado de receber o poder, a riqueza, a Sabedoria, a força, a Glória, a honra e o louvor.'" Ap 5,6.11-12
    Lá, Santos de todas nações já proclamam Seu Sacrifício como a obra da Salvação: "Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua. Conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de brancas vestes e palmas na mão, e bradavam em alta voz: 'A Salvação é obra de Nosso Deus, que está sentado no trono, e do Cordeiro.'" Ap 7,9-10
    De fato, Jesus purifica Seu povo por Seu Sangue através do Santíssimo Sacramento, exclusivamente celebrado na Santa Missa, e sobre ele derrama Seu Divino Espírito, fonte de Água Viva. Assim se chega à santificação, como um ancião disse ainda durante essas visões: "Esses são os sobreviventes da grande tribulação. Lavaram suas vestes e alvejaram-nas no Sangue do Cordeiro, por isso estão diante do trono de Deus e dia e noite servem-nO em Seu Templo. Aquele que está sentado no trono abrigá-los-á em Sua Tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será Seu Pastor e levá-los-á às fontes das Águas Vivas. E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos." Ap 7,14-16
    E como Se disse a Luz do mundo, como tal Jesus Se apresentará ainda mais explicitamente na Cidade, na Jerusalém Celestial: "A Cidade não necessita de sol nem de lua para a iluminar, porque a Glória de Deus a ilumina e Sua luz é o Cordeiro." Ap 21,23
    Por tantas razões, durante a Santa Missa se reza o Agnus Dei, antes de se receber a Santa Eucaristia:

    Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós!
    Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós!
    Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a Paz!