quinta-feira, 31 de maio de 2018

Corpus Christi


    Como é sabido, na Quinta-Feira Santa, durante a Santa Ceia, Jesus ofereceu Seu Corpo como o Pão da Vida. Bem antes, porém, por ocasião da multiplicação dos pães e dos peixeis, Ele havia afirmado na sinagoga de Cafarnaum: "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão, que Eu hei de dar, é Minha Carne para a Salvação do mundo." Jo 6,51
    Em 1209, na Bélgica, Santa Juliana de Mont Cornellieu, freira agostiniana, começou a ter visões que pediam à Igreja uma festa para o Santíssimo Sacramento incluída no Calendário Litúrgico. No ano de 1230, por graça da Divina Providência, ela teve a oportunidade de confidenciar suas visões ao arquidiácono de Liège, que viria a ser o Papa Urbano IV. E a partir daí iniciaram-se as Procissões de Corpus Christi.
    Na Itália, em Bolsena, no ano de 1263, o padre Pietro de Praga, que duvidava que na Eucaristia estivessem realmente transubstanciados o Corpo e o Sangue de Cristo, ao elevar a Hóstia Consagrada viu dela sair Sangue e cair sobre o linho litúrgico. Esse linho foi levado a Orvieto, residência de Urbano IV, que à época já era o Sumo Pontífice. Não restava mais dúvida para ele: Deus manifestamente pedia uma festa para o Santíssimo Sacramento. E em 11 de agosto de 1264, registrou em bula papal a Festa de Preceito para homenagear o Corpo de Cristo.
    O linho com as marcas do Preciosíssimo Sangue de Jesus está exposto na Catedral de Orvieto.


    Três das quatro pedras de mármore do altar, que fora banhado pelo Sangue que corria da Hóstia, são devidamente preservadas como relíquias no Tabernáculo da Basílica de Santa Cristina, em Bolsena, que remonta o século XI.


    O Milagre Eucarístico, no entanto, não aconteceu apenas em Bolsena. Já se havia dado em Lanciano, também na Itália, por volta do ano 700. E aí não apenas saiu Sangue da Hóstia Consagrada, mas toda ela tornou-se carne e resiste incorrupta através dos tempos.
    Foi analisada em 1971 e atestada como músculo cardíaco: contém, em seção, o miocárdio, endocárdio, o nervo vago e, no considerável espessor do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo. O sangue é humano do tipo AB, e, apesar de mais de 13 séculos, cuja conservação é outro milagre, ainda mantém fresca constituição, como se houvesse recém-saído de uma pessoa viva.
    Ela encontra-se exposta no Santuário Eucarístico de São Francisco, em Lanciano.
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    E esse determinante sinal de Deus também se deu em muitos outros lugares através dos séculos, mais de uma centena deles. Ou seja, o mundo não se pode dizer alheio à patente realidade do Corpo e o Sangue de Cristo no Santíssimo Sacramento.
    Citando os mais conhecidos, temos várias cidades da Itália, como Trani, Rimini, Alatri, Firenzi, Valvasone e Gruaro, Siena, Macerata, Bagno di Romagna, Torino, Veroli, Mogoro, Patierno e San Mauro La Bruca.
    Na França em Blanot, Faverney e Pressac, na Alemanha em Walldürn, na Holanda em Alkmaar e Amsterdam, na Polônia em Cracóvia e Poznań, em Portugal em Santarém, na Espanha em O Cebreiro e Ivorra, na Áustria em San Georgenberg-Fiecht, na Suíça em Ettiswil, na Bélgica em Bois-Seigneur-Isaac, e na atual Croácia em Ludbreg.
    O Milagre do Juazeiro, que consagrou popularmente o Padre Cícero, também foi um Milagre Eucarístico, que, aliás, repetiu-se por várias vezes diante de muitas testemunhas.
    Quanto à Transubstanciação, que ocorre no momento da consagração da hóstia, não há dúvida: o pão e o vinho oferecidos no altar realmente transformam-se em Corpo e Sangue de Cristo. O fato é que alguns ainda teimam em não acreditar na própria Palavra de Jesus, que havia dito expressamente: "Pois Minha Carne é verdadeiramente uma comida e Meu Sangue, verdadeiramente uma bebida." Jo 6,55
    É por Sua Carne e por Seu Sangue que nos é concedida a Graça a Comunhão com Deus: "Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em Mim e Eu nele." Jo 6,56
    E Ele havia advertido: "Disse-lhes então Jesus: Em verdade, em verdade, digo-vos: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes seu sangue, não tereis a Vida em vós mesmos." Jo 6,53
    É o Pão de Céu, portanto, celebrado exclusivamente na Santa Missa pela Igreja de Jesus, que devemos buscar como verdadeiro alimento. Foi isso que disse Jesus à multidão, após a multiplicação dos pães e dos peixes: "Respondeu-lhes Jesus: 'Em verdade, em verdade, digo-vos: buscais-Me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele Deus Pai imprimiu Seu sinal.'" Jo 6,26-27
    São Paulo exorta: "Pois Nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, então, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães sem fermento, de pureza e de Verdade." 1 Cor 5,8
    E explica a celebração do Santíssimo Sacramento nestes termos: "Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: 'Isto é Meu Corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de Mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: 'Este cálice é a Nova Aliança no Meu Sangue; todas as vezes que O beberdes, fazei-o em memória de Mim.' Assim, todas as vezes que comeis desse Pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que Ele venha." 1 Cor 11,23-26
    Mas também adverte: "Portanto, todo aquele que comer o Pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse cálice. Aquele que O come e O bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação. Esta é a razão porque entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos." 1 Cor 11,27-30
    Dizia com toda clareza: "As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da Mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes que Ele?" 1 Cor 10,20-22
    Pois antes se deve cumprir o Sacramento da Confissão, como já era feito entre os judeus desde o sacrifício pela reparação dos pecados, que também exigia prévia purificação: "Todo homem puro poderá comer da carne do sacrifício pacífico. Mas aquele que a comer em estado de impureza será cortado de seu povo." Lv 7,19b-20
    A própria família do levita deveriam estar em estado em pureza para comer das oferendas consagradas a Deus pelo povo: "Todo membro de tua família que estiver puro comerá dessas coisas." Nm 18,11b
    Assim como todo o povo de Israel para comer a Páscoa: "Mas se alguém, estando puro, não se encontrar em viagem, e todavia não fizer a Páscoa, será cortado do seu povo, porque não apresentou a oferta do Senhor no tempo estabelecido; este levará a pena de seu pecado." Nm 9,13
    E a absolvição é dada pelo Sacerdote, desde que se cumpram as penitências por ele estabelecida, exatamente como Deus instruiu a Abraão: "Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes, a fim de que sempre estejais em condições de discernir o que é santo do que é profano, o puro do impuro, e de ensinar aos israelitas todas as leis que o Senhor lhes deu por Moisés." Lv 10,9b-11
    Ora, tão vital é o Santíssimo Sacramento que toda a Missão de Jesus foi orientada precisamente para esse momento: "Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa. Chegada que foi a hora, Jesus pôs-Se à mesa, e com Ele os Apóstolos. Disse-lhes: 'Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer.'" Lc 22,13-15
    Além de ser o mais importante deles, ele é ainda a visível e material presença de Deus entre nós. E como só ao fim dos tempos Ele já voltará definitivamente em Seu Corpo Glorioso, a promessa de estar conosco 'até o fim do mundo' refere-se tanto ao Seu Santo Espírito, que é derramado sobre a Igreja desde o Pentecostes, como à Eucaristia, pela Comunhão da Santíssima Trindade, como Ele mesmo prometeu antes de Sua Ascensão: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." Mt 28,20
    Que nos alegremos, então, com esse indizível privilégio de podermos sentar à mesa com Jesus e receber Seu Corpo e Seu Sangue como alimento. Aguardemos com Ele, à mesa do altar, pelo banquete celestial, como Ele prometeu: "Em verdade, digo-vos: já não beberei do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus." Mc 14,25
    E que nossa verdadeira felicidade seja o altar do Senhor, agora e na eternidade. Disse o anjo na visão que teve São João Evangelista: "Felizes os convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro." Ap 19,9
    A secular procissão de Corpus Christi, portanto, faz-nos recordar o caminho que Jesus fez do Cenáculo, onde ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue, até o Monte das Oliveiras, onde livremente Se entregou para ser crucificado. E neste difícil momento, sentindo que chegava Sua hora, Ele convidou-nos à vigília: "Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai Comigo." Mt 26,38

    "Todas as vezes que comemos deste Pão e bebemos deste Cálice, anunciamos, Senhor, Vossa morte, enquanto esperamos Vossa Vinda!"

Nossa Senhora da Visitação


    Assim narra São Lucas a Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel:

    "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe:
    - Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo.
    Perturbou-se ela com estas palavras, e pôs-se a pensar no que significaria tal saudação. O anjo disse-lhe:
    - Não temas, Maria, pois encontraste Graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um Filho, e Lhe porás o Nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai Davi. Ele reinará eternamente na Casa de Jacó, e Seu Reino não terá fim.
    Maria perguntou ao anjo:
    - Como se fará isso, pois não conheço homem?
    Respondeu-lhe o anjo:
    - O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com Sua sombra. Por isso, o Ente Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Isabel, tua parenta, também concebeu um filho em sua velhice. E já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
    Então disse Maria:
    - Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra.
    E o anjo afastou-se dela.
    Naqueles dias, Maria levantou-se e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
    Ora, Isabel apenas ouviu a saudação de Maria e a criança estremeceu em seu seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo, e exclamou em alta voz:
    - Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto de teu ventre. Donde me vem esta honra? De vir a mim a Mãe de Meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria em meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
    E Maria disse:
    - Minha alma glorifica ao Senhor,
    meu espírito exulta de alegria em Deus, Meu Salvador,
    porque olhou para sua pobre serva.
    Por isto, desde agora, todas gerações
    proclamar-me-ão bem-aventurada,
    porque realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso.
    Seu Nome é Santo,
    e Sua Misericórdia estende-se de geração em geração
    sobre os que O temem.
    Manifestou o poder de Seu braço,
    desconcertou os corações dos soberbos.
    Derrubou do trono os poderosos
    e exaltou os humildes.
    Saciou de bens os indigentes
    e despediu de mãos vazias os ricos.
    Acolheu a Israel, Seu servo,
    lembrado de Sua Misericórdia
    - conforme prometera a nossos pais -
    em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.

    Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa." Lc 1,26-56


NOSSA MÃE EM VISITAÇÃO POR TODO O MUNDO

    Avisada pelo Arcanjo São Gabriel da gravidez de sua parenta, Maria viajou aproximadamente 100 quilômetros em companhia de São José para visitá-la, numa cidade das montanhas de Judá. Ou seja, além da radiante alegria que por tão grandes Graças partilhavam entre si, mesmo durante a gravidez que traria ao mundo o Salvador ela não poupou esforços para servir a quem precisava. Ciosa dos cuidados da casa de Santa Isabel em momento tão especial, Nossa Senhora aí ficou até o Nascimento de São João Batista.
    Mas as visitações de Nossa Senhora não parariam por aí. Nem seus primorosos auxílios. Recordando o casamento em Caná da Galileia, Maria estava lá com Jesus e Seus discípulos. E sempre muito atenciosa e prestativa, Nossa Mãe percebeu que o vinho tinha acabado e avisou a Jesus, o único que podia evitar uma vexaminosa situação para a família dos noivos. Como Deus, Ele já sabia do embaraço, mas não planejava manifestar-Se publicamente ali, e chegou a alegar em resposta que Sua hora ainda não havia chegado.
    Maria, entretanto, por compaixão à família amiga não media esforços. E instou a que Jesus usasse de Seus divinos dons, com os quais já estava bem acostumada. Nesses dias falava alto seu coração de Mãe, não somente do Messias, mas, em seus primeiros raios, Mãe de toda a humanidade. Sem dúvida, após Seu Batismo por São João no Jordão, ela sabia que a vida pública de Seu Filho já havia iniciado, e por isso não se contentou com a explicação que Ele lhe deu: tratou de avisar os serviçais.
    Dada tão especial natureza de Jesus, os noivos e seus familiares deveriam ser Seus potenciais seguidores, pois fizeram questão de tê-Lo presente mesmo com quase todos os Doze Apóstolos. E como Maria, além de Perfeita Mãe, era a primeiríssima seguidora de Jesus, lá estava ela, silente, ouvindo cada palavra do Salvador, embora sempre igualmente atenta às dificuldades alheias.
    Ou se os noivos e familiares eram apenas íntimos amigos da Sagrada Família, pois Caná ficava a apenas 8 km de Nazaré, por certo fizeram questão da presença de Maria, atitude que é para todos nós um belo exemplo. Além da harmoniosa e santa interação ente ela e Seu Filho, eles já tinham uma razoável ideia de quem seria aquela flor, a Bem Aventurada, como dissera Santa Isabel.
    Nossa Mãe, contudo, foi muito além em suas visitações; bem mais que as peregrinações junto a Seu Filho, enquanto Ele estava entre nós, ou junto aos Apóstolos, após Sua Ascensão, que inicialmente se detiveram em Jerusalém.
    Ela já visitou todos continentes por meio de esplendorosas manifestações que são suas Aparições. Aonde pelo mundo foram seus laboriosos filhos, os Sacerdotes, lá ela aparecia para ajudá-los na conversão e Salvação das almas. Veio ao México nos primeiríssimos anos do descobrimento das Américas, em Guadalupe, estabelecer contato com os indígenas, assim como à América do Sul, a Quito, ainda nos anos de 1500, para alertar-nos dos difíceis séculos que se seguiriam.
    A Europa já é um lugar privilegiado com tantas visitas. Apareceu também na África, especialmente em Ruanda, quando tentou evitar o recente e terrível genocídio. Esteve, da mesma forma, na Ásia e na Oceania.
    Seus constantes cuidados, porém, terminam por 'atordoar' os religiosos que precisam dar a palavra final da Igreja a respeito da veracidade das Aparições. Por todo mundo, são listadas mais de 400 só no século passado. Por isso, na década de 1960, diante de tão frequentes afagos da Mãe do Céu, as autoridades eclesiais viram-se na obrigação de simplesmente autorizar a peregrinação e o culto em todos locais onde houver relatos de Aparição, bastando apenas que as mensagens a ela atribuídas não estejam em discordância com os ensinamentos da Santa Igreja.
    É muito séria e complexa a tarefa de confirmação das aparições e de cada uma de suas mensagens. O certo é que temos uma Mãe muito especial e extremamente benevolente, correndo o mundo em socorro de seus filhos. E como se pode imaginar, nem todas as aparições trazem novas revelações em suas mensagens, mas, mais frequentemente, trata-se de manifestações locais, com objetivos bastante específicos para aquelas pessoas, história e época.
    Das mais recentes, entretanto, a mais importante é Aparição de Akita, no Japão, em 1973, cuja mensagem teve aprovação da Igreja e é uma evidente continuação da Aparição de Fátima, como testemunhou a vidente, Irmã Agnes Sasagawa:


    O próprio Bispo de Niigata, antes de aposentar-se, viu-se obrigado a deixar seu relato, que pode visto neste site: http://www.adf.org.br/home/tag/nossa-senhora-de-akita/
    Assim é Nossa Senhora da Visitação, Nossa Mãe sempre tão ativa e presente apesar de requisitada a cada instante por todos os cantos do mundo. Esses fenômenos são muito mais que simples maternal carência de pessoas humildes, como pretendem alguns incrédulos. A gritante Verdade é que boa parte da humanidade percebe claramente seus sobrenaturais cuidados. A quantidade de relatos é praticamente infindável.
    Mas nós podemos e devemos adiantar-nos e poupar-lhe algum esforço. Basta que obedeçamos a Seu Amado Filho e ajudemos a cuidar de nossos mais necessitados irmãos, seus filhos, e que, em agradecimento por seus silenciosos e constantes cuidados, dirijamos diariamente a ela nossas preces para manifestar-lhe amor. E com tantos e tão carentes filhos para cuidar, é muito bom que ela não tenha que se preocupar também conosco.
    Podemos ainda, e também devemos, imitá-la em seu maior exemplo como Filha da Deus, oferecendo-nos para trabalhar mais intensamente nas obras do Reino de Seu Filho. Após o anjo ter-lhe anunciado a Concepção do Messias em Seu ventre, ela prontamente respondeu com seu obediente e prestativo amor: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo tua palavra." Lc 1,38

    Nossa Senhora da Visitação, rogai por nós!

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Santa Joana d'Arc


    Viveu as últimas décadas da Guerra dos Cem Anos, dada entre França e Inglaterra. Filha de humildes camponeses, era pastora e não recebeu alfabetização. Nascida em 1412, em Domrémy, região de Lorena, nordeste da França, seu pai era agricultor e sua mãe ensinou-lhe os afazeres domésticos, que incluíam fiar e costurar. Sempre foi muito religiosa: gostava de rezar e ia assiduamente à Santa Missa. Muitas vezes entregava confiantemente o rebanho à Divina Providência e ia à igreja da cidade, onde passava horas em orações.
    Ainda aos 13 anos começou a ter experiências místicas: de longe ouviu vozes que vinham da igreja que frequentava. Elas provocavam uma inexplicável claridade à sua volta, fenômeno que chegava a repetir-se até três vezes por semana. Mais tarde, ela identificou-a como as vozes de São Gabriel Arcanjo, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia, avisando da importância de perseverar firmemente na oração, pois Deus reservava-lhe uma difícil missão: haveria de expulsar os ingleses da região da cidade de Orleans. 


    Em 1428, aos 16 anos, recebeu mensagens mais específicas: deveria ir ao encontro do comandante do exército, numa cidade vizinha, e pedir uma escolta que a conduzisse ao rei da França. Seu tio levou-a, mas o comandante riu de suas motivações e das previsões que fazia sobre uma batalha que ocorreria nas proximidades de Orleans, no ano seguinte. Quando elas se cumpriram, porém, e com exatidão como Santa Joana d'Arc havia previsto, o comandante pessoalmente encaminhou-a com toda segurança ao rei. Viajou disfarçada de escudeiro, vestida de armadura como um soldado francês, por sugestão das vozes que ouvia, artifício que acabou adotando em todas batalhas que liderava.
    Em Chinon, ao sul de Paris, onde o rei estava refugiado, ela reconheceu-o entre vários nobres sem nunca o ter visto, pois ele também se disfarçava, dados os riscos que sua vida corria. Numa sala repleta, ela dirigiu-se diretamente até ele e disse: "Senhor, vim conduzir seus exércitos à vitória." Foi um grande sinal e impressionou muito o rei, mas ele foi convencido a entregá-la para ser examinada pelas autoridades eclesiásticas de Poitiers, que exaustivamente a interrogaram até convencerem-se de que suas mensagens tinham de fato origem divina.
    Ao retornar ao rei, mais uma vez causou-lhe profunda admiração ao demonstrar que conhecia segredos das forças armadas francesas. Absolutamente consciente que ela era inspirada por Deus, ele entregou em suas mãos um grupamento de 4000 homens para que libertasse Orleans, conforme lhe pediam as vozes. E mesmo se posicionando em meio à batalha, gritando e incentivando os soldados franceses, miraculosamente os ingleses não a atacavam. Por fim, após dez dias de batalha, Orleans foi reconquistada. A despeito das pinturas que a retratam, como arma ela empunhava apenas uma bandeira branca em que ostentava a Cruz, o Nome de Jesus e o Nome de Maria.


    A vitória em Orleans, após tantas tentativas frustradas, reergueu o moral das tropas e do povo francês, e foi o início da virada. Sob seu comando os franceses impuseram fragorosas derrotas aos inimigos também nas cidades vizinhas: Jargeau, Meung-sur-Loire e Beaugency. A fama de Santa Joana correu toda França e muitos combatentes franceses, que até então lutavam a favor da Inglaterra, passaram a temê-la e mudaram de lado. Os próprios ingleses estavam assombrados com os relatos a seu respeito.


    A cerimônia de coroação de Carlos VII, na cidade de Reims, após uma arriscada viagem praticamente circundando toda Paris, que estava dominada, passando por várias áreas do exército inimigo, é um exemplo de como os caminhos se abriram para ela e para o rei, que acatava fielmente suas instruções. Várias autoridades que viajaram até Reims também tiveram suas passagens liberadas.
    Com a vitória em Orleans, os ingleses esperavam que ela atacasse Paris, mas Santa Joana, inspirada pelas vozes, convenceu o rei a firmar posição em Rouen, circundando mais uma vez Paris e cruzando com o exército francês algumas posições do invasor.


    Embora já tivesse cumprido sua missão, a pedido do rei e por própria vontade Santa Joana d'Arc também foi a campo na batalha pela reconquista de Paris, onde foi ferida por uma flecha. O rei, batendo em retirada, abandonou-a. Sozinha, mas ainda com o exército absolutamente solícito ao seu comando, ela mudou de estratégia e atacou Compiègne, uma pequena cidade ao norte de Paris, porém acabou traiçoeiramente aprisionada por nobres da região, que se opunham ao rei. Como os saldados franceses não a esqueciam e iriam fazer de tudo para resgatá-la, os ingleses anteciparam-se e pagaram para obter sua guarda. Na verdade, como não a podiam matar, pois era prisioneira de guerra, eles julgaram-na como feiticeira num processo pretensamente religioso, simulando uma inquisição.
    Aos 19 anos, depois de receber a Comunhão Eucarística, Santa Joana d'Arc foi levada à fogueira, onde padeceu martírio murmurando os nomes de Jesus e Maria. Era 30 de maio de 1431, na Praça Vermelha, em Rouen, no noroeste da França.
    Enquanto alguns gritavam 'bruxa', 'feiticeira', uma multidão de gente humilde acompanhou comovidamente seu sacrifício, que ela enfrentou com muita coragem e . Suas cinzas foram jogadas no Rio Sena, para que não fossem veneradas.
 

    20 anos mais tarde, por falta dos mais elementares fundamentos, o Papa Calisto III considerou inválido o processo de seu julgamento e reabilitou-a como perfeita cristã. Em 1920, como havia muito já pedia a gente simples e devota, do país e de outros lugares, o Papa Bento XV canonizou-a e deu-lhe o título de Padroeira da França.
    Além de muitas igrejas e monumentos por toda França, assim como imagens e estátuas nas principais catedrais, em Rouen, o local de seu martírio foi preservado e uma moderna igreja foi construída em sua homenagem.


    Santa Joana d'Arc, rogai por nós!

terça-feira, 29 de maio de 2018

Deus castiga!


A JUSTIÇA DE DEUS

    Deus é Deus de Misericórdia, não há dúvida, mas Ele também é, e indefectivelmente, Deus de Justiça! E só esta noção já é o bastante para que se entenda a razão de ser do Purgatório, pois ninguém poderá aproximar-se d'Ele sem antes passar por completa purificação, como é o caso da maioria de nós, que não alcança a santidade.
    Mais do que observamos, a justiça de Deus é frequentemente mencionada nas Escrituras. O próprio Jesus tratou de apontá-la logo no início de Sua vida pública, ao ser batizado por São joão Batista: "Da Galileia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se: 'Eu devo ser batizado por Ti, e Tu vens a mim?' Mas Jesus respondeu-lhe: 'Deixa por agora, pois convém que cumpramos a completa justiça.' Então João cedeu." Mt 3,13-15
    Pregou que sua busca é uma bem-aventurança, no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!" Mt 5,6
    Advertiu, entretanto, que quem a buscasse seria perseguido, mas ganharia um lugar junto a Deus: "Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!" Mt 5,10
    Tal justiça, porém, vai muito além de parâmetros terrenos. Referindo-Se a alguns religiosos de então, Jesus mostrou-se exigente: "Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus." Mt 5,20
    E cobrou-lhes, jogando-lhes em face, exortando à perfeita interiorização da fé: "Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os mais importantes preceitos da Lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar em primeiro lugar, contudo sem deixar o restante." Mt 23,23
    Recomendava-a, pois, como o mais elevado valor aos olhos de Deus: "Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber; e não andeis com vãs preocupações. Porque os homens do mundo é que se preocupam com todas estas coisas. Mas Vosso Pai bem sabe que precisais de tudo isso. Antes buscai o Reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo." Lc 12,29-31
    E deu este testemunho de São João Batista: "João veio a vós no caminho da justiça e não crestes nele. Os publicanos e as prostitutas, porém, creram nele. E vós, vendo isto, nem fostes tocados de arrependimento para crerdes nele." Mt 21,32
    Essa revelação seria obra do Espírito Santo: "E quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do Juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim. Ele convencê-lo-á a respeito da justiça, porque Eu Me vou para junto de Meu Pai e vós já não Me vereis; Ele convencê-lo-á a respeito do Juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado." Jo 16,8-11
    Zacarias, quando do nascimento de seu filho, São João batista, disse que esta seria uma das duas condições para bem servir a Deus: "Assim exerce Sua Misericórdia com nossos pais, e recorda-Se de Sua Santa Aliança, segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de conceder-nos que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e justiça, em Sua presença, todos os dias de nossa vida." Lc 1,72-75
    E o completo estabelecimento da justiça de Deus será a obra final de Jesus, como profetizado havia séculos, pois Ele sempre agiu discretamente, evitando alarde sobre Seus milagres: "Proibia-lhes formalmente falar disso, para que se cumprisse o anunciado pelo Profeta Isaías: 'Eis Meu servo a Quem escolhi, Meu bem-amado em Quem Minha alma pôs toda Sua afeição. Farei repousar sobre Ele Meu Espírito e Ele anunciará a justiça aos pagãos. Ele não disputará, não elevará Sua voz; ninguém ouvirá Sua voz nas praças públicas. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar a justiça. Em Seu Nome, as nações pagãs porão sua esperança (Is 42,1-4).'" Mt 12,16-21
    São Paulo diz de Jesus: "Porque n'Ele se revela a justiça de Deus..." Rm 1,17a
    E resumiu: "Veio para ensinar-nos a renunciar à impiedade e às mundanas paixões, e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade... " Tt 2,12
    Ele recomenda a companhia dos membros da Igreja a São Timóteo: "Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a , a caridade, a Paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Identifica como "ministros da Justiça" os Sacerdotes da Igreja: "Pois, se o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz, parece bem normal que seus ministros se disfarcem em ministros de justiça, cujo fim, no entanto, será segundo suas obras." 2 Cor 11,14b-15
    Exalta, em exortação a São Timóteo, a Luz de Deus nos santos livros: "E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de proporcionar-te a Sabedoria que conduz à Salvação, pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus torna-se perfeito, capacitado para toda boa obra." 2 Tm 3,15-17
    E esperava a 'Coroa dos Santos': "Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé. Resta-me, agora, receber a coroa da justiça, que o Senhor, Justo Juiz, dar-me-á naquele Dia. E não somente a mim, mas a todos aqueles que com amor aguardam Sua aparição." 2 Tm 4,7-8
    Como Zacarias, ele zelava por essas duas qualidades: "Renovai sem cessar o sentimento de vossa alma, e revesti-vos do novo homem, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade." Ef 4,23-24
    E pediu aos romanos: "Pois, como pusestes vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniquidade, ponde agora vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade." Rm 6,19b
    Falou-lhes da obediência como o oposto do pecado: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para obedecer-lhe, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça? E, libertos do pecado, tornastes-vos servos da justiça." Rm 6,16.18
    Apontou-a como uma dádiva, na Carta aos Efésios: "Ora, o fruto da Luz é bondade, justiça e Verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas infrutíferas obras das trevas. Pelo contrário, condenai-as abertamente." Ef 5,9-11
    E como parte da armadura de Deus: "Ficai alerta, à cintura cingidos com a Verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da Paz." Ef 6,14-15
    Ela era constante objeto de suas pregações, como quando foi preso e apresentado diante do procurador de judeia: "Mas, como Paulo lhe falasse sobre a justiça, a castidade e o futuro Juízo, Félix, todo atemorizado, disse-lhe: 'Por ora, podes retirar-te. Na primeira ocasião, chamar-te-ei.'" At 24,25
    Rezou, enfim, para que os filipenses produzam de seus frutos: "Peço, em minha oração, que vossa caridade se enriqueça cada vez mais de compreensão e critério, com que possais discernir o que é mais perfeito e tornei-vos puros e irrepreensíveis para o Dia de Cristo, cheios de frutos da justiça, que provêm de Jesus Cristo, para a Glória e louvor de Deus." Fl 1,9-11
    São Tiago Menor exaltava, como meio de alcançá-los, a mansidão proposta por Jesus: "O fruto da justiça semeia-se na Paz, para aqueles que praticam a Paz." Tg 3,18
    E alertava para um pecado capital: "Já o sabeis, meus diletíssimos irmãos: todo homem deve ser pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para irar-se; porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus. Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia e recebei com mansidão a Palavra em vós semeada, que pode salvar vossas almas." Tg 1,19-21
    São Paulo ensinava o mesmo, e até invocou uma significativa passagem do Deuteronômio: "Não vos vingueis uns aos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: 'A Mim a vingança. A Mim exercer a justiça', diz o Senhor (Dt 32,35)." Rm 12,19
    São Pedro apontou-a como o sentido da vida do cristão: "Carregou nossos pecados em Seu Corpo sobre o madeiro para que, mortos para nossos pecados, vivamos para a justiça." 1 Pd 2,24
    Até alertava para possíveis sacrifícios: "Se fordes zelosos do bem, quem vos poderá fazer mal? E até sereis felizes, se alguma coisa padecerdes por causa da justiça!" 1 Pd 3,13-14
    Disse que foi graças a ela que os pagãos também chegaram à fé: "Simão Pedro, servo e Apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, pela justiça do Nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo, por partilha alcançaram tão preciosa fé como a nossa, Graça e Paz sejam-vos dadas em abundância por um profundo conhecimento de Deus e de Jesus, Nosso Senhor!" Pd 1,1-2
    E falou do local de sua eterna morada, prometido por Jesus: "Nós, porém, segundo Sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça." 2 Pd 3,13
    São João Evangelista indicava essa marca de Cristo: "Filhinhos, ninguém vos seduza: aquele que pratica a justiça é justo, como também Jesus é justo." 1 Jo 3,7
    Falou dos renascidos do Espírito Santo, como ensinou Jesus: "Se sabeis que Ele é justo, sabei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido d'Ele." 1 Jo 2,29
    E fez esta radical distinção: "É nisto que se conhece quais são os filhos de Deus e quais os do demônio: todo aquele que não pratica a justiça não é de Deus, como também aquele que não ama seu irmão." 1 Jo 3,10


A NECESSÁRIA JUSTIFICAÇÃO

    São Paulo atesta na Missão de Jesus a plena justificação do ser humano: "Mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em Nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de Nosso Deus." 1 Cor 6,11b
    Já não dava crédito aos rituais do Antigo Testamento, mas somente à indizível Graça que nos foi concedida por Cristo: "E não por causa de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente em virtude de Sua Misericórdia, Ele salvou-nos mediante o Batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo, que por meio de Cristo, Nosso Salvador, em profusão foi-nos concedido. Para que a justificação obtida por Sua Graça nos torne, em esperança, herdeiros da Vida Eterna." Tt 3,5-7
    Ele explica: "Porquanto pela observância da Lei nenhum homem será justificado diante d'Ele, porque a Lei se limita a dar o conhecimento do pecado. Mas, agora, sem o concurso da Lei, manifestou-se a justiça de Deus, atestada pela Lei e pelos Profetas. Esta é a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo, para todos os fiéis (pois não há distinção; com efeito, todos pecaram e todos estão privados da Glória de Deus), e são justificados gratuitamente por Sua Graça. Tal é a obra da Redenção, realizada em Jesus Cristo: Deus destinou-O para ser, por Seu Sangue, vítima de propiciação mediante a fé. Assim Ele manifesta Sua justiça, porque no tempo de Sua paciência Ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores. Assim, digo eu, Ele manifesta Sua justiça no tempo presente, exercendo a justiça e justificando aquele que tem fé em Jesus. Onde está, portanto, o motivo de gloriar-se? Foi eliminado. Por qual Lei? Pela das obras? Não, mas pela Lei da fé. Porque julgamos que o homem é justificado pela fé, sem as observâncias da Lei." Rm 3,20-28
    Pois a Vinda do Espírito de Deus é o grande diferencial da Nova Aliança: "O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é d'Ele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em Verdade, está morto pelo pecado, mas o espírito vive pela justificação." Rm 8,3-4.8-10
    Assim também explicou, distinguindo meras práticas religiosas de uma verdadeira interiorização da fé, a adesão dos não-judeus ao cristianismo: "Então que diremos? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justificação, a que vem da fé, ao passo que Israel, que procurava uma lei que desse a justificação, não a encontrou. Por quê? Porque Israel a buscava como fruto não da fé, e sim das obras." Rm 9,30-32a
    Anunciando, pois, o Cristo, ele convictamente pregou em Antioquia da Pisídia: "Todo aquele que crê, por Ele é justificado de tudo aquilo que não pôde ser pela Lei de Moisés." At 13,39
    E nestes termos denunciava o erro dos Judeus, por rejeitarem Jesus: "Desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus. Porque a finalidade da Lei é Cristo, para justificar todo aquele que crê." Rm 10,3-4
    Exaltava, portanto, o Sacrifício Pascal: "... porque cremos n'Aquele que dos mortos ressuscitou Jesus, Nosso Senhor, o Qual foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação." Rm 4,24b-25
    Pregou igualmente aos coríntios: "Aquele que não conheceu o pecado, Deus fê-Lo pecado por nós, para que n'Ele nós nos tornássemos justiça de Deus." 2 Cor 5,21
    Disse mais do Espírito Santo, como a grande dádiva da Nova Aliança: "Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, revestiu-se de tal Glória que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos no rosto de Moisés, por causa do resplendor de sua face (embora transitório), quanto mais glorioso não será o ministério do Espírito! Se o ministério da condenação já foi glorioso, muito mais há de sobrepujá-lo em Glória o ministério da justificação !" 2 Cor 3,7-9
    E ele mesmo dava exemplo de prudência e humildade: "De nada me acusa a consciência! Contudo, nem por isso sou justificado. Meu Juiz é o Senhor." 1 Cor 4,4
    De fato, Jesus contou essa parábola: "Subiram dois homens ao Templo para orar. Um era fariseu, o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava em seu interior desta forma: 'Graças dou-te, ó Deus, porque não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos meus lucros.' O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: 'Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!' Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo aquele que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado." Lc 18,10-14
    Falando de vigília, Ele avisou do peso de cada simples palavra: "Eu digo-vos: no Dia do Juízo os homens prestarão contas de toda vã palavra que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." Mt 12,36-37
    São Tiago Menor também falou do que elas significam para uma verdadeira religiosidade: "Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia sua língua e engana seu coração, então é vã sua religião." Tg 1,26
    E se não são as "obras da Lei" que nos levam a justificação, como diz São Paulo referindo-se aos rituais judeus, as obras de caridade são absolutamente impreteríveis. Este Santo Apóstolo argumenta: "A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e Nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas em suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo. Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé? Do mesmo modo Raab, a meretriz, não foi ela justificada pelas obras, por ter recebido os mensageiros e tê-los feito sair por outro caminho? Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." Tg 1,27;2,24-26
    Assim como os rituais da Igreja, isto é, os Sacramentos, e em específico o da Confissão como pregou São Pedro: "O Senhor não retarda o cumprimento de Sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça. Ao contrário, quer que todos se arrependam." 2 Pd 3,9
    O próprio São Paulo vai dizer: "Se, porém, deixai-vos guiar pelo Espírito, não estais sob a Lei. Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas, previno-vos, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus! Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, Paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há Lei. Se vivemos pelo Espírito, também andemos de acordo com o Espírito." Gl 5,18-22.25
    Ele pede: "Não extingais o Espírito." 1 Ts 5,19
    E recomenda total respeito aos Sacramentos: "Na qualidade de colaboradores Seus, exortamo-vos a que não recebais em vão a Graça de Deus." 2 Cor 6,1
    Principalmente ao Santíssimo Sacramento: "Portanto, todo aquele que comer o Pão ou beber o Cálice do Senhor indignamente, será culpável do Corpo e do Sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo, e assim coma desse Pão e beba desse Cálice. Aquele que O come e O bebe sem distinguir o Corpo do Senhor, come e bebe sua própria condenação." 1 Cor 11,27-29
    Exortava, então, à devida contrição: "Examinai a vós mesmos, se estais na fé. Provai-vos a vós mesmos. Acaso não reconheceis que Cristo Jesus está em vós?" 2 Cor 13,5a
    Só não deu muitos detalhes de como se alcança o dom da verdadeira fé, tão raro na atualidade: "Essa é a Palavra da fé, que pregamos. Portanto, se com tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e se em teu coração creres que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. É crendo de coração que se obtém a justiça, e é professando com palavras que se chega à Salvação." Rm 10,8b-10
    Foi sucinto, mencionando apenas a catequese: "Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17


DEUS CASTIGA

    Em contrapartida, os Provérbios ensinam: "... o Senhor castiga aquele a quem ama, e pune o filho a quem muito estima." Pr 3,12
    Também Jó: "Bem-aventurado o homem a quem Deus corrige! Não desprezes a lição do Todo-poderoso, pois Ele fere e cuida. Se golpeia, Sua mão cura." Jó 5,17-18
    Bem como os seguidores da tradição de São Paulo: "Aliás, temos na terra nossos pais que nos corrigem e, no entanto, olhamo-os com respeito. Com quanto mais razão havemos de submeter-nos ao Pai de nossas almas, o Qual nos dará a Vida? Os primeiros educaram-nos para pouco tempo, segundo sua própria conveniência, ao passo que Este o faz para nosso bem, para comunicar-nos Sua santidade. É verdade que toda correção parece, de momento, antes motivo de pesar que de alegria. Mais tarde, porém, granjeia aos que por ela se exercitaram o melhor fruto de justiça e de Paz." Hb 12,9-11
    E ainda a Sabedoria, versando sobre os mais graves erros: "Mas os ímpios terão o castigo que merecem seus pensamentos, uma vez que desprezaram o justo e separaram-se do Senhor. Desgraçado é aquele que rejeita a Sabedoria e a disciplina! A esperança deles é vã, seus sofrimentos, sem proveito, e as obras deles, inúteis. Suas mulheres são insensatas e seus filhos malvados. A raça deles é maldita." Sb 3,10-12
    Tobit, pai de Tobias, rezava pelo abrandamento dos castigos de seu tempo: "Vós sois justo, Senhor! Vossos juízos são cheios de equidade, e Vossa conduta é toda Misericórdia, Verdade e justiça. Lembrai-vos, pois, de mim, Senhor! Não me castigueis por meus pecados e não guardeis a memória de minhas ofensas, nem das de meus antepassados. Se fomos entregues à pilhagem, ao cativeiro e à morte, e se nos temos tornado objeto de mofa e de riso para os pagãos entre os quais nos dispersastes, é porque não obedecemos às Vossas leis. Agora Vossos castigos são grandes, porque não procedemos segundo Vossos preceitos e não temos sido leais para Convosco." Tb 3,2-5
    Daniel também intercedeu pelo povo de Israel, durante o exílio na Babilônia: "Senhor, dignai-vos, pela Vossa Misericórdia, afastar de Vossa Santa Cidade, Jerusalém, Vossa cólera e Vossa exasperação, porque é devido às nossas iniquidades e aos pecados de nossos antepassados que Jerusalém e Vosso povo são alvo dos insultos por todos nossos vizinhos." Dn 9,16
    E Deus, demostrando que os judeus não tiveram só privilégios, disse através do Profeta Amós, quando se aproximava o cativeiro na Assíria: "'Ouvi, israelitas, o Oráculo que o Senhor pronunciou contra vós, contra todo o povo', disse Ele, 'que tirei do Egito. Dentre todas raças da terra, só a vós conheço. Por isso, castigar-vos-ei por todas vossas iniquidades.'" Am 3,1-2
    O próprio Jesus falou sobre o tema, advertindo as igrejas do fim do primeiro século: "Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima teu zelo, pois, e arrepende-te." Ap 3,19
    Ele previu, durante Sua vida pública, até mesmo a excomunhão: "Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,15-17
    São Paulo dela usou, na comunidade dos coríntios: "Pois eu, em verdade, ainda que distante corporalmente, mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim se comportou. Em Nome do Senhor Jesus -, reunidos vós e meu espírito, com o poder de Nosso Senhor Jesus -, seja esse homem entregue a Satanás para mortificação de seu corpo, a fim de que sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,3-5
    Também registrou estes castigos ao seu tempo: "Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Mudaram a majestade de Deus incorruptível em representações e figuras de homem corruptível, de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou-os aos desejos de seus corações, à imundície, de modo que entre si desonraram os próprios corpos. Trocaram a Verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém! Por isso, Deus entregou-os a vergonhosas paixões: suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida a seu desvario. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os a depravados sentimentos, e daí seu indigno procedimento." Rm 1,21a.23-28
    E exigindo penitência antes que se receba o Santíssimo Sacramento, ele ponderou: "... Ele castiga-nos para não sermos condenados com o mundo." 1 Cor 11,32
    No livro do Apocalipse, temos esta grave sentença de Jesus contra a Igreja de Tiatira: "Mas tenho contra ti que permites a Jezabel, mulher que se diz profetisa, seduzir Meus servos e ensinar-lhes a praticar imundícies e comer carne imolada aos ídolos. Eu dei-lhe tempo para arrepender-se, mas não quer arrepender-se de suas imundícies. Desta vez, lançá-la-ei num leito, e com ela os cúmplices de seus adultérios para aí muito sofrerem se não se arrependerem de suas obras. Farei perecer pela peste seus filhos, e todas as igrejas hão de saber que Eu sou Aquele que sonda os rins e os corações, porque darei a cada um de vós segundo suas obras." Ap 2,20-23
    Deus Pai também já havia sentenciado as mais severas punições. Desde àqueles que murmuravam contra Moisés no deserto, mesmo tendo visto Suas obras, até aos anjos caídos, como alerta São Judas Tadeu: "Quisera trazer-vos à memória, embora saibais todas estas coisas: o Senhor, depois de ter salvo o povo da terra do Egito, fez em seguida perecer os incrédulos. Os anjos que não tinham guardado a dignidade de sua classe, mas abandonado seus tronos, Ele guardou-os com eternas correntes nas trevas, para o Julgamento do Grande Dia." Jd 5-6
    Nosso Salvador também falou da condenação total, isto é, do inferno: "Depois Jesus começou a censurar as cidades onde tinha feito grande número de Seus milagres, por terem-se recusado a arrepender-se: 'Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas teriam-se arrependido sob o cilício e a cinza. Por isso, digo-vos: no Dia do Juízo haverá menor rigor para Tiro e para Sidônia que para vós! E tu, Cafarnaum, serás elevada até o Céu? Não! Serás atirada ao inferno! Porque se Sodoma tivesse visto os milagres que foram feitos dentro de teus muros, subsistiria até este dia. Por isso, digo-te: no Dia do Juízo haverá menor rigor para Sodoma que para ti!'" Mt 11,20-24
    O próprio Judas Iscariotes, um de Seus Apóstolos, não teve perdão, em face dos privilégios que obteve ao estar por mais de três anos em Sua companhia. Jesus disse: "O Filho do Homem vai, segundo o que d'Ele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem for traído! Melhor lhe seria que nunca tivesse nascido..." Mt 14,21
    E antes do fim dos tempos, como foi revelado a São João Evangelista, cruéis e massivas punições recairão sobre a humanidade, executadas pelos quatro anjos da morte: "Os cavalos tinham crina como uma juba de leão e de suas narinas saíam fogo, fumaça e enxofre. E uma terça parte dos homens foi morta por esses três flagelos (fogo, fumaça e enxofre) que lhes saíam das narinas. Porque o nocivo poder dos cavalos estava também nas caudas; tinham cabeças como serpentes e com elas causavam dano. Mas o restante dos homens, que não foram mortos por esses três flagelos, não se arrependeu das obras de suas mãos." Ap 9,17b-20
    Aliás, as punições dos últimos tempos não parecem ser novidade para ninguém, como se lê no Apocalipse: "Ainda vi, no Céu, outro grande e maravilhoso sinal: sete anjos que tinham os sete últimos flagelos, porque por eles é que deve consumar-se a ira de Deus." Ap 15,1
    Ora, o anúncio das punições aos desobedientes aos Mandamentos, feito por Deus ainda nos tempos dos Levíticos, e que certamente se cumpriram antes da Vinda de Cristo, é aterrador: "Farei cair sobre vós a espada para vingar Minha Aliança. Se vos ajuntardes em vossas cidades, lançarei a peste no meio de vós e sereis entregues nas mãos de vossos inimigos. Tirar-vos-ei o pão, vosso sustentáculo, de tal sorte que dez mulheres o cozerão em um só forno e vo-lo entregarão por peso: comereis e não ficareis saciados. Se, apesar disso, não Me ouvirdes, e resistirdes-Me ainda, marcharei contra vós em Meu furor e castigar-vos-ei sete vezes mais, por causa de vossos pecados. Comereis a carne de vossos filhos e de vossas filhas." Lv 26,23-29
    Punições que durariam por gerações do povo de Israel: "Perecereis entre as nações e a terra inimiga consumir-vos-á. Os que sobreviverem consumir-se-ão por causa de suas iniquidades na terra de seus inimigos, e também serão consumidos por causa das iniquidades de seus pais, que levarão sobre si. Assim, eles confessarão suas iniquidades e as de seus pais, as transgressões cometidas contra Mim, porque Me resistiram. E, por isso, Eu também resisti-lhes e levei-os à terra de seus inimigos. Se, então, humilharem seu incircunciso coração e sofrerem a pena de sua iniquidade, Eu lembrar-Me-ei de Minha Aliança com Jacó, de Minha Aliança com Isaac e com Abraão, e lembrar-Me-ei dessa terra." Lv 26,38-42
    Algo análogo tornou a acontecer ao tempo do Profeta Jeremias: "Depois que o rei queimou o rolo que continha os Oráculos escritos por Baruc, que Jeremias lhe ditara, foi a Palavra do Senhor dirigida ao Profeta nestes termos: 'Toma outro rolo, e nele escreverás todos Oráculos contidos no primeiro, que foi queimado por Joaquim, rei de Judá.' Pois bem, eis o que diz o Senhor a respeito de Joaquim, rei de Judá: 'Nenhum de seus descendentes ocupará o trono de Davi. Ficará seu cadáver exposto ao calor do dia e ao frio da noite. Assim castigarei a iniquidade nele, em sua raça e em seus servidores. E sobre eles, sobre os habitantes de Jerusalém e o povo de Judá, farei cair todos flagelos de que os ameacei, sem que Me houvessem escutado." Jr 36,27-28.30-31
    Ele assentia: "Concedeis vossos favores a milhares, e castigais os filhos por causa dos pecados dos pais." Jr 32,18a
    Tal castigo, em tão graves tempos, dava-se mesmo contra religiosos: "Quando esse povo ou algum profeta ou sacerdote vier perguntar-te: 'Qual o novo fardo do Senhor que anuncias? Dir-lhe-ás: 'Fardo? És tu esse fardo e dele Me alijarei - Oráculo do Senhor.' E o profeta, o sacerdote ou o leigo, que ousar dizer: 'Oráculo do Senhor', Eu castigá-lo-ei, assim como sua família." Jr 23,33-34
    Pois ao anunciar os Dez Mandamentos, Deus havia dito ao povo de Israel através de Moisés: "Eu sou o Senhor, Teu Deus, um Deus zeloso que vingo a iniquidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que Me odeiam, mas uso de Misericórdia até a milésima geração com aqueles que Me amam e guardam Meus Mandamentos." Ex 20,5b-6
    Por isso, também ensinam os Provérbios: "O princípio da Sabedoria é o temor ao Senhor!" Pr 9,10
    Mas o próprio Deus iria reclamar através de Ezequiel, dando a entender que tais castigos aos descendentes não se davam sem existência de culpa: "A Palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 'Por que repetis continuamente esse provérbio entre os israelitas: 'Os pais comeram uvas verdes, mas são os dentes dos filhos que ficam embotados'? Por Minha Vida - Oráculo do Senhor Javé -, não tereis mais ocasião de repetir esse provérbio em Israel. É a Mim que pertencem as vidas, a vida do pai e a vida do filho. Ora, é o culpado que morrerá." Ez 18,1-4
    Ele vai argumentar: "É o pecador que deve perecer. Nem o filho responderá pelas faltas do pai nem o pai pelas do filho. É ao justo que se imputará sua justiça, e ao mau sua malícia. Se, no entanto, o mau renuncia a todos seus erros para praticar Minhas leis e seguir a justiça e a equidade, então ele decerto viverá, e não há de perecer. Não lhe será tomada em conta qualquer das faltas cometidas: ele há de viver por causa da justiça que praticou. Terei Eu prazer com a morte do malvado? - Oráculo do Senhor Javé. - Não desejo Eu, antes, que ele mude de proceder e viva? E se um justo abandonar sua justiça, se praticar o mal e imitar todas abominações cometidas pelo malvado, viverá ele? Não! Não será tido em conta qualquer dos atos bons que houver praticado. É em razão da infidelidade, da qual se tornou culpado, e dos pecados que tiver cometido que deverá morrer." Ez 18,20-24
    Contudo, essa prática de penitência continuaria ainda no período de Neemias, quando da reconstrução do Templo de Jerusalém"No vigésimo quarto dia do mesmo mês, vestidos de sacos, e com a cabeça coberta de pó, os israelitas reuniram-se para um jejum. Os que eram de origem israelita estavam separados de todos estrangeiros, e apresentaram-se para confessar seus pecados e as iniquidades de seus pais." Ne 9,1-2
    Deus havia assegurado, entretanto, ainda no Deuteronômio: "Não morrerão os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais. Cada um morrerá por seu próprio pecado." Dt 24,16
    E isso foi reafirmado por Jesus: "Porque o Filho do Homem há de vir na Glória de Seu Pai com Seus anjos, e então recompensará cada um segundo suas obras." Mt 16,27

    "Fazei de nós uma perfeita oferenda!"