sexta-feira, 4 de abril de 2025

Devoção ao Sagrado Coração de Jesus

    A primeira sexta-feira de cada mês é dia de comungar em honra ao Sagrado Coração de Jesus, e assim durante nove meses seguidos, para alcançar a Graça da penitência final e mais 11 promessas, como Ele mesmo revelou através de aparições a Santa Margarida-Maria Alacoque.

Textos para Celular

 
Anuário de Leituras Bíblicas

Acesso: dizemasescrituras.blogspot.com

Metas Espirituais Propostas por Jesus


    Não resta dúvida de que Jesus elevou à excelência a espiritualidade dos que realmente professam em Deus. Para começar, durante a Santa Ceia, Ele pediu que cultuássemos Seu Sacrifício, graças ao qual temos a remissão dos pecados e o Alimento da Vida Eterna. É do Evangelho segundo São Lucas: "Fazei isto em memória de Mim." Lc 22,19b
    Nesta mesma noite, no Evangelho segundo São João, garantiu que Sua Ressurreição seria sinal da Santíssima Trindade e da Comunhão dos Santos: "Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai, e vós em Mim e Eu em vós." Jo 15,20
    Realmente falava de outra Vida, como disse após a multiplicação de pães e peixes: "Então Jesus lhes disse: 'Em Verdade, em Verdade, digo-vos: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos. Assim como o Pai, que Me enviou, vive, e Eu vivo pelo Pai, aquele que comer Minha Carne também viverá por Mim.'" Jo 6,53.57
    Junto ao poço de Jacó, falando a samaritana, havia determinado a completa interiorização da obediência e da devoção: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja." Jo 4,23
    Pregava os mais profundos valores da Lei de Deus, como quando sentenciou líderes religiosos judeus em Jerusalém em Sua última Páscoa, no Evangelho segundo São Mateus: "Ai de vós, hipócritas escribas e fariseus! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os mais importantes preceitos da Lei: a justiça, a Misericórdia, a fidelidade." Mt 23,23a
    Mostrou o estreito caminho a ser seguido, que por muitos é preterido: "Entrai pela estreita porta, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e são muitos que por ela entram!" Mt 7,13
    Quem ouve Jesus, portanto, de pronto é convidado a libertar-se da auto-ilusão. Ele denunciava os fariseus: "Vós procurais parecer justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece vossos corações..." Lc 16,15
    Questionou os religiosos judeus no Templo de Jerusalém: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44
    E dava exemplo: "Não espero Minha Glória dos homens..." Jo 5,41
    Também questionou a indisposição dos líderes judeus em acolher Suas pregações, necessariamente cheias de parábolas, metáforas e alegorias: "Por que não compreendeis Minha linguagem?" Jo 8,43a
    Havia interrogado o notável fariseu Nicodemos, na primeira visita a Cidade Santa em vida pública, quando lhe falou sobre o renascer espiritual: "Disse Jesus: 'És doutor em Israel e ignoras estas coisas!... Se vos tenho falado das terrenas coisas e não Me credes, como crereis se vos falar das celestiais?'" Jo 3,10.12
    E inquiriu as multidões que O seguia, logo em Suas primeiras pregações : "Por que Me chamais: 'Senhor, Senhor...' e não fazeis o que Eu digo?" Lc 6,46
    Os próprios Apóstolos, que com Ele estiveram pouco mais de três anos, não foram capazes de absorver todos Seus ensinamentos. Mas eles contariam com os luminosos auxílios do Espírito Santo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, como Jesus prometeu em despedida: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, porém, o Espírito da Verdade, ensiná-vos-á toda Verdade. Porque não falará de Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciá-vos-á as coisas que virão." Jo 16,12-13
    Seus Sacerdotes, ademais, devem de abraçar o celibato: "Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor ao Reino dos Céus." Mt 19,12a
    Viver a evangélica pobreza: "Assim, pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo que possui, não pode ser Meu discípulo." Lc 14,33
    Tomar as mais difíceis tarefas: "Deixa que os mortos enterrem seus mortos. Tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus." Lc 9,60b
    E não vacilar: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus." Lc 9,62b
    Logo no Sermão da Montanha, Ele apontou falsos religiosos como exemplos a serem definitivamente ultrapassados: "Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus." Mt 5,20
    Mesmo falando de coisas essenciais, como alimentos e vestes, separou de uma vez as coisas sagradas das meramente mundanas: "Antes buscai o Reino de Deus e Sua justiça, e todas estas coisas sê-vos-ão dadas em acréscimo." Mt 6,33
    Pois quem quer servir a Deus, deve assumir uma postura de total confiança na Divina Providência: "Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que com isso se preocupam. Ora, Vosso Pai Celeste sabe que necessitais de tudo isso." Mt 6,25.31-32
    Para nossa mais profunda reflexão sobre Suas Palavras, Ele revelou-Se Deus, essencial às nossas vidas, e exortou que mantivéssemos incondicional Comunhão com Ele. Foi na última noite entre os Apóstolos: "Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Assim também vós: tampouco podeis dar fruto se em Mim não permanecerdes." Jo 15,4
    Ainda nessa ocasião, afirmou que a Missão do Espírito Santo é revelar o pecado, e assim contundentemente questiona nossa fé: "Ele convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim." Jo 16,9
    De fato, desde pregações na sinagoga de Cafarnaum, Ele havia determinado a Seus seguidores: "Perguntaram-Lhe: 'Que faremos para praticar as obras de Deus?' Respondeu-lhes Jesus: 'A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou.'" Jo 6,28-29
    E ao distinguir-Se da mera humana condição, ou seja, afirmar Sua divindade, abertamente falou em Jerusalém perante os judeus: "Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo. ... se não crerdes o que EU SOU, morrereis em vosso pecado." Jo 8,23.24b
    Pois quem realmente O conhece, deve saber o que significa 'amar a Deus sobre todas coisas', como Ele exige: "Quem ama a seu pai ou à sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim. Quem ama a seu filho mais que a Mim, não é digno de Mim." Mt 10,37
    Acenava, desta forma, para uma vida terrena cheia de adversidades: "Se alguém quiser vir Comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me." Mt 16,24
    E como se viu em primeiras exortações, Sua meta é elevada. Aliás, máxima: "Portanto, sede perfeitos, assim como Vosso Pai Celeste é perfeito." Mt 5,48
    Ele quer santidade, como ordenou no Templo de Jerusalém à mulher flagrada em adultério, que esteve para ser apedrejada: "Então Ele Se ergueu e ali vendo apenas a mulher, perguntou-lhe: 'Mulher, onde estão aqueles que te acusavam? Ninguém te condenou?' Respondeu ela: 'Ninguém, Senhor.' Disse-lhe então Jesus: 'Nem Eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.'" Jo 8,10-11
    Ensinava aparentes absurdos desde o início de Sua Missão: "... amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos maldizem e rezai pelos que vos injuriam." Lc 6,27-28
    Que haveriam de ser o mínimo dentro da Igreja Católica: "Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." Jo 13,35
    E dizia que o Pai do Céu era o exemplo a ser seguido: "Deste modo sereis os filhos de Vosso Pai do Céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos." Mt 5,45
    Pois assim Ele mesmo agia: "Jesus tomou a palavra e disse-lhes: 'Em Verdade, em Verdade, digo-vos: de Si mesmo o Filho não pode fazer coisa alguma. Ele só faz o que vê o Pai fazer. E tudo que o Pai faz, semelhantemente faz o Filho." Jo 5,19
    Por isso, indagava: "Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se só saudais vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Também não fazem isto os pagãos?" Mt 5,46-47
    E lembrou a Divina Misericórdia, pregando comedimento no proceder para com o próximo: "Sede misericordiosos, como Vosso Pai também é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e sê-vos-á dado." Lc 6,36-38
    Ora, tudo que Ele ensinou nada mais é que o aperfeiçoamento do que havia no Antigo Testamento: "Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para aboli-los, mas sim para levá-los à perfeição." Mt 5,17
    Denunciou, portanto, não só o assassinato como também sua motivação, que é deixar-se levar pela ira contra o próximo: "Ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás, mas quem matar será castigado pelo Juízo do Tribunal.' Mas Eu digo-vos: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes." Mt 5, 21-22a
    Ele terminantemente proibia o uso de qualquer ofensa, avisando do inferno em caso de continuação sem o devido arrependimento: "Aquele que disser a seu irmão: 'Raca', será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: 'Louco', será condenado ao fogo da geena." Mt 5,22b
    Advertia, pois, de cada ociosa palavra: "Eu digo-vos: no Dia do Juízo os homens prestarão contas de toda vã palavra que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." Mt 12,36-37
    Exortava à constante busca da Paz como iniciativa, mesmo quando não nos sintamos culpados: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do altar e lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do altar e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão. Só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24
    Indicava o coração como fonte de todos pecados, mesmo dos aparentemente inofensivos: "Ouvistes que foi dito aos antigos: 'Não cometerás adultério.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher, já adulterou com ela em seu coração." Mt 5,28
    E quando recomendava a temperança, ou seja, autocontrole, Suas propostas até pareceriam grandes absurdos, não fossem comparadas ao eterno castigo do inferno: "Por isso, se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor entrares na Vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no eterno fogo. Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor entrares na Vida cego de um olho que com teus dois olhos seres jogado no fogo da geena." Mt 18,8-9
    Mesmo as leis expressamente ditas mosaicas, Ele também aperfeiçoou. Ora, elas seriam mais importantes que os próprios preceitos de Deus? "Também foi dito: 'Todo aquele que rejeitar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.' Eu, porém, digo-vos: todo aquele que rejeita sua mulher, fá-la tornar-se adúltera, a não ser que se trate de falso Matrimônio. E todo aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete um adultério." Mt 5,31-32
    O mesmo dizia sobre a mulher, como está no Evangelho segundo São Marcos: "E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, também comete adultério." Mc 10,12
    Questionado sobre esse tema, mais uma vez Ele apontou a razão do engano: o mau coração: "Disseram-lhe eles: 'Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la?' Jesus respondeu-lhes: 'É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres. Mas no começo não foi assim.'" Mt 19,7-8
    Desconcertante para com os seguidores de mundanas tradições, Ele exclusivamente invocava o projeto de Deus como proposto dede a Criação, no Livro de Gênesis: "Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: 'Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois formarão uma só carne (Gn 2,24)?' Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu." Mt 19,4-6


PEDIR A DEUS

    E aos que se arrogam o poder de condenar seus semelhantes, Ele disse uma frase que acabou por inviabilizar a execução prevista na lei do apedrejamento. Foi no caso da mulher flagrada em adultério: "Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra." Jo 8,7
    Se proibia a ofensa por palavra, Ele também não tolerava excessos em nome da fé, como 'atestado de santidade' em própria defesa: "Ainda ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor teus juramentos.' Eu, porém, digo-vos: não jureis de modo algum! Nem pelo Céu, porque é o trono de Deus, nem pela Terra, porque é o banquinho de Seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Nem jurarás por tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo tornar-se branco ou negro." Mt 5,33-36
    Pedia, nessas situações, apenas comedimento e simplicidade, avisando dos laços do inimigo: "Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo que vai além disto vem do Maligno." Mt 5,37
    Em oposição à vingança, à violência e ao mal, Ele pregava resignação e liberalidade para com bens materiais: "Tendes ouvido o que foi dito: 'Olho por olho, dente por dente.' Eu, porém, digo-vos: não resistais ao mau homem. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que quer pedir-te emprestado." Mt 5,38-42
    Assim sintetizou os Mandamentos, na chamada Regra de Ouro: "Tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles." Mt 7,12
    E alertava da vida de cobiça que se leva aqui na Terra, feita de constantes injustiças, para que nos voltássemos para os bens celestiais e para a Vida Eterna: "Para vós não ajunteis tesouros na Terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Para vós ajuntai tesouros no Céu, onde nem as traças nem a ferrugem os consomem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está teu tesouro, lá também está teu coração." Mt 6,19-21
    Advertia, porém, e com contundência, aqueles que teimam em iludir-se: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro." Mt 6,24
    Falando apenas de méritos pessoais, sem levar em conta o que compete à Graça da Divina Misericórdia, Ele vai dizer: "Em Verdade, declaro-vos: é difícil para um rico entrar no Reino dos Céus! Eu repito: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no Reino de Deus." Mt 19,23-24
    E pregou a autêntica caridade: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de Vosso Pai que está no Céu. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como os hipócritas fazem nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em Verdade, digo-vos: já receberam sua recompensa. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que a direita fez. Assim, tua esmola far-se-á em segredo, e Teu Pai, que vê o escondido, recompensá-te-á." Mt 6,1-4
    Caridade essa que representará a própria Salvação do cristão, como disse na parábola das ovelhas e dos cabritos, analogia do Juízo Final: "Perguntá-Lhe-ão os justos: 'Senhor, quando foi que Te vimos com fome e Te demos de comer, com sede e Te demos de beber? Quando foi que Te vimos peregrino e Te acolhemos, nu e Te vestimos? Quando foi que Te vimos enfermo ou na prisão e fomos visitar-Te?' Responderá o Rei: 'Em Verdade, Eu declaro-vos: todas vezes que a um destes Meus pequeninos irmãos fizestes isto, foi a Mim mesmo que o fizestes." Mt 25,37-40
    Propôs banquetes que mais pareceriam loucuras: "Quando deres alguma ceia, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem os parentes, nem os vizinhos ricos. Porque eles te convidarão, por sua vez, e assim te retribuirão. Mas quando deres uma ceia, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. Serás feliz porque eles não têm com que te retribuir, mas sê-te-á retribuído na Ressurreição dos justos." Lc 14,12-14
    Sobre as orações pessoais, que jamais podem substituir as Santas Missas, Ele pede autêntica contrição: "Quando orares, entra em teu quarto, fecha a porta e ora a Teu Pai em segredo. E Teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensá-te-á. Em vossas orações, não multipliqueis as palavras como fazem os pagãos, que julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque Vosso Pai sabe o que vos é necessário antes que vós Lho peçais." Mt 6,6-8
    Pede sincera misericórdia: "E quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que Vosso Pai, que está nos Céus, também vos perdoe vossos pecados. Mas se não perdoardes, tampouco Vosso Pai que está nos Céus perdoará vossos pecados." Mc 11,25-26
    De fato, Ele ensinou a pedir no Pai Nosso: "... perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..." Mt 6,12
    E pediu perseverança na oração: "Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que sempre é necessário orar, sem jamais deixar de fazê-lo." Lc 18,1
    Em caso de controvérsias, enfaticamente defendia a autoridade da Santa Igreja, dando-lhe o poder de excomungar: "... se também se recusar ouvir a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,17
    Por isso, garantiu a Seus Ministros: "Quem vos ouve, a Mim ouve; e quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que Me enviou." Lc 10,16
    Disse de onde haveria de vir o sucesso de seus trabalhos, quando estabeleceu Seu Mandamento (Jo 13,34;15,12): "Não fostes vós que Me escolhestes, mas Eu escolhi-vos e constituí-vos para que vades e produzais fruto, e vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu Nome, Ele conceda-vos. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros." Jo 15,16-17
    Também os admoestava: "... todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, seja vosso servo. E todo aquele que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos." Mc 10,43b-44
    E seguiu apontando Quem era o exemplo, como no Lava-pés: "Logo, se Eu, Vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós também deveis lavar os pés uns aos outros." Jo 13,14
    Ensinou sobre as verdadeiras penitências: "Quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas, que exibem um abatido semblante para manifestar aos homens que jejuam. Em Verdade, digo-vos: já receberam sua recompensa. Quando jejuares, perfuma tua cabeça e lava teu rosto. Assim não parecerá aos homens que jejuas, mas somente a Teu Pai que está presente ao oculto. E Teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensá-te-á." Mt 6,16-18
    E afirmou a pureza e a inocência como modelo dos que ressuscitarão para a Vida Eterna: "Em Verdade, declaro-vos: se não vos transformardes e não vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos Céus. Aquele que se fizer humilde como esta criança será o maior no Reino dos Céus, e aquele que em Meu Nome recebe a um menino como este, é a Mim que recebe." Mt 18,3-6
    No mesmo sentido, deixou uma grave advertência aos que pervertem inocentes e se entregam à devassidão: "Mas se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em Mim, melhor seria que ao pescoço lhe atassem a pedra de um moinho e o lançassem no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!" Mt 18,6-7
    Pois o zelo pelas virtudes e as constantes orações eram Suas frequentes recomendações para fazer frente às tentações e tribulações que os cristãos passam nesse mundo: "Vigiai em todo tempo, pois, e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar de todos estes males que hão de acontecer, e de apresentardes de pé diante do Filho do Homem." Lc 21,36
    Suscitando prudência, Ele avisava das fragilidades da carne, como disse aos mais íntimos Apóstolos no Horto das Oliveiras, enquanto já agonizava em Sua Paixão: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." Mt 26,41
    E mostrou o único modo de alcançar a verdadeira maturidade espiritual, numa vida de constante vigília, para que se possa usufruir dos auxílios da Divina Graça: "Eu digo-vos: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, abri-se-lhe-á. ... Vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que LhO pedirem." Lc 11,9-10.13
    Ecoam, por fim, as palavras que Deus disse ao povo de Israel através de Moisés, no Livro de Deuteronômio: "O Mandamento que hoje te dou não está acima de tuas forças nem fora de teu alcance. Essa Palavra está perto de ti, em tua boca e em teu coração. E tu podes cumpri-la!" Dt 30,11.14
    O próprio Jesus propõe: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas. Porque Meu jugo é suave e Meu fardo é leve." Mt 11,29-30
    E a Primeira Carta de São João, grande e místico Apóstolo então em elevada idade, atesta: "E Seus Mandamentos não são penosos, porque todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo." 1 Jo 5,3b-4a

    "Santificai-nos pelo dom de Vosso Espírito!"

quinta-feira, 3 de abril de 2025

A Ira


    No Evangelho segundo São Mateus, que apontou o Sermão da Montanha, ao tratar da violência contida na Lei, ou seja, do Antigo Testamento, Jesus ensinou:

    "Tendes ouvido o que foi dito: 'Olho por olho, dente por dente.' Eu, porém, digo-vos: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que quer pedir-te emprestado.
    Tendes ouvido o que foi dito: 'Amarás teu próximo e poderás odiar teu inimigo.' Eu, porém, digo-vos: amai vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam, rezai pelos que vos maltratam e perseguem.
    Deste modo sereis filhos de Vosso Pai do Céu, pois Ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Também não fazem isto os pagãos?
    Portanto, sede perfeitos, assim como Vosso Pai Celeste é perfeito."
                                                 Mt 5,38-48

    Assim, se algumas passagens do Antigo Testamento parecem absurdas, ou se as palavras de Jesus parecem revogar as sagradas prescrições, deve-se levar em conta os diferentes estágios de civilização, e assim as etapas da Revelação, observando o que Ele havia anunciado pouco antes. De fato, como no último versículo acima, Jesus falava de perfeição: "Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para aboli-los, mas sim para levá-los à perfeição." Mt 5,17
    Nesse sentido, diante de uma revelação maior que é o Novo Testamento, a ira passou a ser um grave pecado, mesmo quando sua motivação parece justa. Jesus vai ampliar o alcance da prescrição: "Ouvistes o que foi dito aos antigos: 'Não matarás, mas quem matar será castigado pelo Juízo do Tribunal.' Mas Eu digo-vos: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes." Mt 5,21-22a
    Demonstrava, pois, ser muito mais exigente, condenando toda e qualquer palavra de ofensa que restasse sem arrependimento: "Aquele que disser a seu irmão: 'Idiota', será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: 'Louco', será condenado ao fogo da geena." Mt 5,22b
    Realmente falava muito sério: "Eu digo-vos: no Dia do Juízo os homens prestarão contas de toda vã palavra que tiverem proferido." Mt 12,36
    Pedia toda iniciativa e diligência em busca da Paz, principalmente durante a Santa Missa: "Se estás, portanto, para fazer tua oferta diante do altar e lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá tua oferta diante do altar e primeiro vai reconciliar-te com teu irmão. Só então vem fazer tua oferta." Mt 5,23-24
    Em caso contrário, Ele alertava para o Purgatório: "Sem demora, entra em acordo com teu adversário enquanto estás em caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao juiz, e o juiz entregue-te a seu oficial de justiça e sejas posto em prisão. Em Verdade, digo-te: dali não sairás antes de pagares até o último centavo." Mt 5,25-26
    E é simples de entender o porquê de tanta 'exigência': em Cristo dispomos de uma inestimável dádiva, vivemos o tempo dos portentosos auxílios do Santo Paráclito! Ele diz do precioso recurso de que dispomos em caso de testemunho, o qual não podemos trair: "... naquele momento sê-vos-á inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de Vosso Pai que falará em vós." Mt 10,19a-20
    Ora, no Evangelho segundo São João, Nosso Senhor prometeu que pelo Santo Paráclito nós conheceríamos toda a Verdade, bem como detalhes sobre o futuro: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 16,13
    A Carta de São Paulo a São Tito, no mesmo sentido, lembra o Sacramento do Batismo e alegra-se com o "... Espírito Santo, que em profusão nos foi concedido por meio de Cristo, Nosso Salvador..." Tt 3,5b-6
    Já a Carta de São Paulo aos Romanos havia lembrado quão reconfortante é essa nova condição: "Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos. Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza..." Rm 8,25-26a
    E a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios não tinha dúvida quanto aos dons dos membros da Igreja, por Ele distribuídos para o bem da própria Santa Igreja, jamais contra ela: "A cada um é dada a manifestação do Espírito para comum proveito." 1 Cor 12,7
    Garantia: "N'Ele (Cristo) fostes ricamente contemplados com todos dons, com os da Palavra e os da ciência..." 1 Cor 1,5
    Por isso, a Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses pede que perseveremos sob Sua Graça: "Em todas circunstâncias dai graças, porque esta é a vontade de Deus, em Jesus Cristo, a vosso respeito. Não extingais o Espírito." 1 Ts 5,18-19
    E a Carta de São Paulo aos Efésios exorta: "Nenhuma má palavra saia de vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o Qual estais selados para o Dia da Redenção. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas de vosso meio, bem como toda malícia. Antes, sede bondosos e compassivos uns com os outros. Perdoai-vos uns aos outros, como Deus também vos perdoou, em Cristo." Ef 4,29-32
    Pois mesmo a ira de Deus, embora real, pouco diz, principalmente aos incautos, de Sua imensa paciência e Misericórdia. A Carta de São Tiago afirma nossas imperfeições em comparação ao Divino Juízo: "Já o sabei, meus diletíssimos irmãos: todo homem deve ser pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para irar-se. Porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus." Tg 1,19-20
    De fato, havia muito tempo, desde o Livro de Deuteronômio, que a justiça feita pelas próprias mãos já vinha sendo contestada por Deus: "... a Mim pertencem a vingança e as represálias..." Dt 32,35
    E o Livro de Salmos canta o exemplo do Pai: "O Senhor é bom e misericordioso, lento para a cólera e cheio de clemência." Sl 102,8
    Mas não foi só com os Salmos e com Jesus que vimos um abrandamento dos rigores da lei mosaica. O Livro de Provérbios, como São Pedro vai mencionar, também já desestimulavam o ódio e exaltavam o amor: "O ódio desperta rixas; o amor, porém, cobre uma multidão de pecados." Pr 10,12
    Este sagrado autor sabia que a divina justiça era melhor caminho que o ódio: "A vida está na vereda da justiça; o caminho do ódio, porém, conduz à morte." Pr 12,28
    Ele via insanidade na violência, e grandes problemas no cinismo: "O homem violento comete loucura; o dissimulado atrai a si o ódio." Pr 14,17
    Recomendava a mansidão: "Uma branda resposta aplaca o furor; uma dura palavra excita a cólera." Pr 15,1
    Louvava o autocontrole: "Um sábio sabe conter sua cólera, e tem por honra passar por cima de uma ofensa." Pr 19,11
    E via no culto ao ódio uma porta aberta para todos pecados: "Aquele que odeia, fala com dissimulação, em seu interior projeta a fraude. Quando falar com amabilidade, não te fies nele porque há sete abominações em seu coração. Pode dissimular seu ódio sob aparências, e sua malícia acabará por ser revelada em público." Pr 26,24-26
    O Livro de Eclesiástico, aliás, não viu violência na pessoa de Moisés, apesar do assassinato que havia cometido (cf. Êx 2,12): "... foi amado por Deus e pelos homens: sua memória é abençoada. O Senhor deu-lhe uma glória semelhante à dos Santos... Santificou-o por sua e mansidão, escolheu-o entre todos homens." Eclo 45,1-2.4
    Via mais valor na serenidade que na própria caridade: "Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás mais amado que um generoso homem." Eclo 3,19
    E também apontava a estultice da ira: "Cólera e furor são ambos execráveis; o homem pecador alimenta-os em si mesmo." Eclo 27,33
    A oração do Livro de Judite, por sinal, revelava um Deus mais afeito aos que primam pela mansidão: "... os soberbos nunca Vos agradaram, mas sempre Vos foram aceitas as preces dos mansos e humildes." Jt 9,16
    Assim também o Eclesiástico: "A oração do humilde penetra as nuvens." Eclo 35,21a
    E ainda um Salmo: "Sim, excelso é o Senhor! Ele vê o humilde, e de longe percebe os soberbos." Sl 137,6
    Eis que Jesus anunciou, e também desde o Sermão da Montanha. Ou seja, desde o início de Sua Missão: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a Terra!" Mt 5,5
    Ele estava fazendo menção a um Salmo de Davi, que havia muito já ensinava: "Quanto aos mansos, possuirão a Terra, e nela gozarão de imensa Paz." Sl 36,11
    Nosso Salvador também disse, no Evangelho segundo São Marcos: "Amarás teu próximo como a ti mesmo." Mc 12,31
    E mais uma vez estava ressaltando um antigo ensinamento, do Livro de Levítico, que tentava aplacar o ódio ao menos entre o povo de Israel: "Não odiarás teu irmão em teu coração. Repreenderás teu próximo para que não incorras em pecado por sua causa. Não te vingarás; não guardarás rancor contra os filhos de teu povo. Amarás teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor." Lv 19,17-18
    Essa importante revelação, portanto, foi confirmada e ampliada por Jesus, pois ela precisava assumir seu devido lugar. A Primeira Carta de São João cravou: "Quem não ama, permanece na morte. Quem odeia seu irmão, é assassino. E sabeis que a Vida Eterna não permanece em nenhum assassino." 1 Jo 3,14a-15
    A Carta de São Paulo aos Gálatas até alertava para o risco que há nas situações de pecado, que podem piorar: "Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que também não caias em tentação!" Gl 6,1
    Na Primeira Carta de São Paulo a São Timóteo, ele vai pedir: "Quero, pois, que os homens rezem em todo lugar, levantando limpas mãos, superando todo ódio e ressentimento." 1 Tm 2,8
    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo recomendou-lhe que ficasse longe de vãos debates: "Rejeita as tolas e absurdas discussões, visto que geram contendas. A um servo do Senhor não convém altercar. Bem ao contrário, seja ele condescendente com todos, capaz de ensinar, paciente em suportar os males. É com brandura que deve corrigir os adversários, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do Demônio, que aos seus caprichos os mantém cativos e submetidos." 2 Tm 2, 23-26
    Porque lhe havia indicado o caminho da Paz, em oposição ao da cobiça e suas sequelas: "Acossados pela cobiça, alguns desviaram-se da fé e enredaram-se em muitas aflições. Mas tu, ó homem de Deus, foge desses vícios e com todo empenho procura a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão." 1 Tm 6,10b-11
    Reclamava da fraca espiritualidade dos cristãos da cidade de Corinto: "A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu dei-vos a beber leite e não sólido alimento, que ainda não podíeis suportar. Nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais. Com efeito, enquanto entre vós houver ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de meramente humano modo?" 1 Cor 3,1-3
    A Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios tornou a reclamar: "Temo que, quando for, não vos ache quais eu quisera, e que vós me acheis qual não quereríeis. Receio encontrar entre vós contendas, invejas, rixas, dissensões, calúnias, murmurações, arrogâncias e desordens. Receio que à minha chegada entre vós Deus ainda me humilhe a vosso respeito, e tenha de chorar por muitos daqueles que pecaram e não fizeram penitência da impureza, da fornicação e da dissolução que cometeram." 2 Cor 12,20-21
    Em prevenção a estes erros, ele exortava São Timóteo à religiosidade: "Exercita-te na piedade. Se o corporal exercício traz algum pequeno proveito, a piedade, esta sim, é útil para tudo, porque tem a promessa da presente e da futura Vida. Eis uma verdade absolutamente certa e digna de fé: se nos afadigamos e sofremos ultrajes, é porque pusemos nossa esperança em Deus Vivo, que é o Salvador de todos homens, sobretudo dos fiéis. Seja este o objeto de tuas prescrições e de teus ensinamentos." 1 Tm 4,8-11
    Dos que caem na irreligiosidade, ele dizia aos fiéis de Roma: "Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos e obscureceu-se-lhes o insensato coração. Pretendendo-se sábios, tornaram-se estultos. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os a depravados sentimentos, e daí seu indigno procedimento. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes aos pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as praticam." Rm 1,21-22.28-32
    E até para com mundanas autoridades, ele pedia aos cristãos que praticassem obediência, como escreveu a São Tito, seu colaborador: "Admoesta-os a que sejam submissos aos magistrados e às autoridades, sejam obedientes, estejam prontos para qualquer boa obra, não falem mal dos outros, sejam pacíficos, afáveis e saibam dar provas de toda mansidão para com todos homens." Tt 3,1-2
    Foi mais detalhado ao escrever a São Timóteo, justificando: "Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos homens, pelos reis e por todos que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma calma e tranquila vida, com toda piedade e honestidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, Nosso Salvador..." 1 Tm 2,1-3
    Era o mesmo que São Tiago Menor dizia sobre como devemos receber a Palavra de Deus: "Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia, e com mansidão recebei a Palavra em vós semeada, que pode salvar vossas almas." Tg 1,21
    Ele pregava: "Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre com um bom proceder suas obras perpassadas de doçura e de Sabedoria. Mas se no coração tendes um amargo ciúme e gosto por contendas, não vos glorieis, nem mintais contra a Verdade. Esta não é a Sabedoria que vem do alto, mas terrena, humana e diabólica sabedoria. Onde houver ciúme e contenda, também há perturbação e toda espécie de vícios. A Sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, nem fingimento." Tg 3,13-17


A SUPERIORIDADE DO AMOR

    Se Jesus cabalmente refutou a ira, e mandou que amássemos até mesmo nossos inimigos, São Paulo não exagera ao falar do amor como o pleno cumprimento de todos Mandamentos: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser recíproco amor, porque aquele que ama seu próximo cumpriu toda Lei." Rm 13,8
    São João Evangelista confirma: "Quem ama seu irmão permanece na Luz, e não se expõe a tropeçar." 1 Jo 2,10
    E avisa: "Mas quem odeia seu irmão está nas trevas e anda nas trevas, sem saber para onde dirige os passos. As trevas cegaram seus olhos." 1 Jo 2,11
    Falando dos relatos de Epafras, um de seus colaboradores, a Carta de São Paulo aos Filipenses diz Quem nos amina para o amor: "Foi ele que nos informou do amor com que o Espírito vos anima." Fl 1,8
    Aos romanos, ele já expressava esta certeza: "Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5b
    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, pois, reza pelos divinos amor e paciência: "Que o Senhor dirija vossos corações para o amor de Deus e a paciência de Cristo." 2 Ts 3,5
    O Amado Discípulo chega a ser bem simples, mas deixou-nos um dos mais belos conceitos de Deus: "Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." 1 Jo 4,8
    Para ele, o verdadeiro amor traz tanta Paz e segurança que é desprovido de qualquer medo: "No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor." 1 Jo 4,18
    Em consonância com o que foi dito por São Paulo, ele afirma que o amor está na observância dos Mandamentos: "Eis o amor de Deus: que guardemos Seus Mandamentos." 1 Jo 5,3
    E Seu amor induz-nos não a ira, mas ao perdão, como Jesus mandou rezar no Pai Nosso, pedindo um perdão na proporção daquele que oferecemos: "... perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido." Mt 6,12
    Porém não só nessa oração, mas em todas: "E quando vos puserdes de pé para rezar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que Vosso Pai, que está nos Céus, também perdoe vossos pecados. Mas se não perdoardes, tampouco Vosso Pai que está nos Céus perdoará vossos pecados." Mc 11,25-26
    Enfim, o Apóstolo dos Gentios, em carta aos cristãos de Éfeso, pede temperança e lembra nosso dever de não guardar rancor por nem um dia: "Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre vosso ressentimento." Ef 4,26

A GRAÇA DA PAZ

    A Paz de Cristo, pois, é nossa maior conquista nesse mundo, principalmente para quem já foi atormentado pela ira. Por isso, um Salmo recomenda que a busquemos com pertinácia: "Aparta-te do mal e faze o bem, busca a Paz e vai ao seu encalço." Sl 33,15
    Os Provérbios colocavam-na como mais valiosa que o mais saboroso alimento: "Mais vale um bocado de pão seco, com a Paz, que uma casa cheia de carnes, com a discórdia." Pr 17,1
    O Livro do Profeta Isaías também declamou sobre a excelência da Paz, revelando o caminho para alcançá-la: "A justiça produzirá a Paz, e o direito assegurará a tranquilidade..." Is 32,17
    São Tiago Menor tem parecida receita: "O fruto da justiça semeia-se na Paz, para aqueles que praticam a Paz." Tg 3,18
    E denunciava nas desregradas paixões a fonte das intrigas, que prenunciam a ira: "De onde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?" Tg 4,1
    Pois a Paz não está disponível para todos, como Isaías diz: "Mas não há Paz para os maus, diz o Senhor." Is 48,22
    São Paulo também apontava os pecados como o principal obstáculo à Paz: "Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a Vida e a Paz." Rm 8,6
    Ele aponta em Deus essa marcante característica: "E o Deus da Paz esteja com todos vós." Rm 15,33
    E diz que a Sagrada Tradição ensina como podemos ter Deus sempre por perto: "O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da Paz estará convosco." Fl 4,9
    Pois só Ele pode fazer-nos conhecer a perfeição dos Santos: "O Deus da Paz conceda-vos perfeita santidade. Que todo vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo!" 1 Ts 5,23
    E só Sua Paz mantem-nos longe das propensões para o mal, como está na Segunda Carta de São Pedro: "Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por Ele achados sem mácula e irrepreensíveis na Paz." 2 Pd 3,14
    Segundo São Paulo, assim Jesus pode ser apresentado: "Porque é Ele nossa Paz... Veio para anunciar a Paz a vós que estáveis longe, e a Paz também àqueles que estavam perto..." Ef 2,14.17
    O Evangelho, nas palavras dele, também tem essa específica marca: "... e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da Paz." Ef 6,15
    E nem tentava explicar essa Paz: "E a Paz de Deus, que a toda inteligência excede, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus." Fl 4,7
    Na Carta de São Paulo aos Colossenses, portanto, vemos que ele só aguardava a vitória do Corpo Místico de Cristo: "Em vossos corações triunfe a Paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único Corpo. E sede agradecidos." Cl 3,15
    Pregava que permanecêssemos entre os membros da Igreja Católica e celebrando a Santa Missa, como exortou São Timóteo: "Foge das paixões da mocidade, com empenho busca a justiça, a fé, a caridade, a Paz, em companhia daqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Pediu mais que amor por nossos Sacerdotes: "Assim, pois, mutuamente vos consolai e vos edificai, como já fazeis. Suplicamo-vos, irmãos, que reconheçais aqueles que entre vós arduamente trabalham para dirigir-vos no Senhor e admoestar-vos. Tende para com eles singular amor, em vista do cargo que exercem. Conservai a Paz entre vós." 1 Ts 5,11-13
    E rezava para que nós a mantivéssemos por todos instantes: "O Senhor da Paz conceda-vos a Paz em todo tempo e em todas circunstâncias. O Senhor esteja com todos vós." 2 Ts 3,16
    Pois só conseguimos viver a Unidade da fé, que é proporcionada pelo Espírito Santo, se tivermos a Paz de Cristo: "Exorto-vos, pois, prisioneiro que sou pela causa do Senhor, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda humildade e amabilidade, com grandeza de alma, mutuamente suportando-vos com caridade. Sede solícitos em conservar a Unidade do Espírito pelo vínculo da Paz." Ef 4,1-3
    Esta, portanto, é a missão da Igreja de Jesus, como Ele mesmo determinou a São Pedro após ressuscitar: "Apascenta Meus cordeiros. Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,15b.17b
    E na Primeira Carta de São Pedro, o Príncipe dos Apóstolos pediu a todos Presbíteros: "Apascentai o rebanho de Deus, que vos é confiado. Dele tende cuidado, não constrangidos, mas espontaneamente; não por amor de sórdido interesse, mas com dedicação; não como absolutos dominadores sobre as comunidades que vos são confiadas, mas como modelos de vosso rebanho." 1 Pd 5,2-3


A PAZ DE CRISTO

    Em oposição ao terrível pecado da ira, pois, o maior presente que Jesus nos concede nesse mundo, depois de Seu infinito amor, é a Sua indizível Paz. Na última noite entre os Apóstolos, Ele disse: "Deixo-vos a Paz, dou-vos Minha Paz. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe vosso coração, nem se atemorize!" Jo 14,27
    Portanto, não podemos hesitar em abraçar Seus ensinamentos. Porque, se bem examinarmos, só na mansidão de Jesus encontraremos o sossego que buscamos: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para vossas almas." Mt 11,29

    "Fazei-nos, ó Pai, instrumentos de Vossa Paz!"

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Aparição de Jesus na Polônia


    Extratos do 'Diário de Santa Faustina':


    (Plock, Polônia) "1931, dia 22 de fevereiro.
  
    À noite, quando me encontrava em minha cela, vi Nosso Senhor vestido de branco. Uma das mãos erguida para a bênção, e a outra tocava-Lhe a túnica, sobre o peito. Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. Em silêncio, eu contemplava o Senhor; minha alma estava cheia de temor, mas também de grande alegria.
    Logo depois, Jesus disse-me: 'Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inserção: Jesus, eu confio em Vós.'" (Diário, 47)
    "Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Também prometo, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte. Eu mesmo defendê-la-ei com Minha própria Glória." (Diário, 48)
     "Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja solenemente benta no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia." (Diário, 49)
    "Neste dia, estão abertas as entranhas de Minha Misericórdia. Derramo todo um mar de Graças sobre as almas que se aproximam da fonte de Minha Misericórdia. A alma que se confessar e comungar, alcançará o perdão de penas e culpas. Neste dia, estão abertas todas divinas comportas pelas quais fluem as Graças. Que nenhuma alma tenha medo de aproximar-se de Mim, ainda que seus pecados sejam como escarlate." (Diário, 699)
    "Desejo que os Sacerdotes anunciem essa Minha Grande Misericórdia para com as almas pecadoras." (Diário, 50)

    Porém, como Santa Faustina não conseguia pintá-la, e achava impossível descrevê-la para que alguém a pintasse, tentou conseguir de seu confessor que fosse dispensada dessa obrigação, mas não lhe foi concedido. E assim, outro dia Jesus apareceu-lhe e disse: "Fique sabendo que, se negligenciares a tarefa da pintura dessa Imagem e de toda obra da Misericórdia, serás responsável por um grande número de almas no Dia do Julgamento." (Diário, 154)
    Como também não conseguia encontrar um pintor que tão bem representasse a grandeza destas aparições, dias mais tarde, chorando, ela rezou a Jesus: "'Quem Vos pintará tão belo como sois?' Então ouvi estas palavras: 'O valor da Imagem não está na beleza da tinta nem na habilidade do pintor, mas em Minha Graça.'" (Diário, 313)
    "Por meio dessa Imagem concederei muitas Graças às almas. Que toda alma tenha, por isso, acesso a ela." (Diário, 570)


     "Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas de Minha Misericórdia, quando Meu agonizante Coração foi aberto na Cruz pela lança (...). Feliz aquele que viver à Sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus." (Diário, 299)


    "Meu olhar, nesta Imagem, é o mesmo que Eu tinha na Cruz." (Diário, 326)
    "DESEJO QUE O MUNDO TODO CONHEÇA MINHA MISERICÓRDIA!" (Diário, 687)
    "As Graças de Minha Misericórdia colhem-se com o único vaso, que é a confiança. Quanto mais a alma confiar, tanto mais receberá. Grande consolo dão-Me as almas de ilimitada confiança, porque, em almas assim derramo todos tesouros de Minhas Graças. Alegro-Me por pedirem muito, porque Meu desejo é dar muito, muito mesmo. Fico triste, entretanto, quando as almas pedem pouco, quando estreitam seus corações." (Diário, 1578)
    "... existem almas, que vivem no mundo, que sinceramente Me amam; permaneço com prazer em seus corações, mas não são muitas. Nos conventos também existem almas que enchem de alegria Meu Coração. Nelas estão gravadas Minhas Feições (...) mas seu número é muito pequeno. Elas são a defesa contra a justiça do Pai Celestial, e alcançam a Misericórdia para o mundo. O amor e o sacrifício dessas almas sustentam a existência do mundo." (Diário, 367)
     "Todas almas que louvarem Minha Misericórdia e divulgarem sua veneração, estimulando outras almas à confiança em Minha Misericórdia, essas almas na hora da morte não sentirão pavor." (Diário, 1540)
    "Aos Sacerdotes que proclamarem e glorificarem Minha Misericórdia darei um extraordinário poder e ungirei suas palavras, e tocarei o coração daqueles a quem eles falarem." (Diário, 1521)
    Jesus ainda disse de que se tratava a missão que era confiada a esta Santa Faustina: "Prepararás o mundo para Minha Última Vinda." (Diário, 429)
    E Maria Santíssima, que igualmente apareceu a nossa Santa, deu estes detalhes: "Eu dei o Salvador ao mundo e, quanto a ti, deves falar ao mundo de Sua Grande Misericórdia, preparando-o para Sua Segunda Vinda, quando virá não como Misericordioso Salvador, mas como Justo Juiz. Oh, quão terrível será este Dia! Está decidido o Dia da justiça, o Dia da ira de Deus; os próprios anjos tremem diante dele. Fala às almas dessa grande Misericórdia, enquanto é tempo de compaixão." (Diário, 635)
    Em 1933, Santa Faustina teve uma impressionante visão de Deus Pai. Ela escreveu: "... vi uma grande claridade e nela Deus Pai. Entre essa claridade e a Terra, vi Jesus pregado na Cruz e de tal maneira que Deus Pai, querendo olhar para a Terra - tinha que olhar através das Chagas de Jesus. E compreendi que por Jesus Ele abençoa a Terra." (Diário, 60)

A HORA DA DIVINA MISERICÓRDIA

    Jesus ensinou mais à nossa Santa, sobre uma devotíssima prática diária: "Às três horas da tarde implora à Minha Misericórdia, especialmente pelos pecadores, e, ao menos por um breve tempo, reflete sobre Minha Paixão, especialmente sobre o abandono em que Me encontrei no momento da agonia. Esta é a hora de Grande Misericórdia para o mundo inteiro. Permitirei que penetres em Minha mortal tristeza. Nessa hora, nada negarei à alma que Me pedir em nome de Minha Paixão." (Diário, 1320)
    "Lembro-te, Minha filha, que todas vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas da tarde, deves mergulhar toda em Minha Misericórdia, adorando-a e glorificando-a. Invoca Sua onipotência em favor do mundo inteiro e especialmente dos pobres pecadores, porque nesse momento ela está largamente aberta para cada alma. Nessa hora, conseguirás tudo para ti e para os outros. Naquela hora, o mundo inteiro recebeu uma grande Graça: a Misericórdia venceu a justiça. Nessa hora procura rezar a Via-Sacra, à medida que te permitirem teus deveres, e se não puderes rezar a Via-Sacra, ao menos por um momento entra na capela e adora a Meu Coração, que está cheio de Misericórdia no Santíssimo Sacramento. Se não puderes ir à capela, recolhe-te em oração onde estiveres, ainda que seja por um breve momento. Exijo honra à Minha Misericórdia de toda criatura, mas de ti em primeiro lugar, porque mais profundamente te dei a conhecer esse mistério." (Diário, 1572)
    São três as condições, portanto, para essa devoção à Hora da Misericórdia:
    - a oração deve ser dirigida a Jesus;
    - deve ter lugar às três horas da tarde; e,
    - deve apelar ao valor e aos méritos da Paixão do Senhor.

O TERÇO DA MISERICÓRDIA

    Sobre uma visão em 13 de setembro de 1935, Santa Faustina escreve: "À noite, quando me encontrava em minha cela, vi o anjo executor da ira de Deus. (...) Quando vi esse sinal da ira de Deus que deveria atingir a Terra... Comecei, então, a suplicar a Deus pelo mundo, com palavras ouvidas interiormente." (Diário, 474)
    "Quando eu assim rezava, vi a impossibilidade do anjo em poder executar aquele justo castigo, merecido por causa dos pecados." (Diário, 475)
    No dia seguinte, uma voz interior ensinou-lhe esta oração nas contas do rosário:
    "Primeiro dirás o 'Pai Nosso', a 'Ave Maria' e o 'Credo'. Depois, nas contas do Pai-Nosso, dirás as seguintes palavras: 'Eterno Pai, eu ofereço-Vos o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Vosso Diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.'
    Nas contas da Ave-Maria rezarás as seguintes palavras: 'Pela Sua dolorosa Paixão, tende Misericórdia de nós e do mundo inteiro.'
    No fim, rezarás três vezes estas palavras: 'Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro.'(Diário, 476)
    Tempos mais tarde, Santa Faustina ouviu estas outras palavras: "Recita sem cessar esse Terço que te ensinei. Todo aquele que o recitar, alcançará grande Misericórdia na hora de sua morte. Os Sacerdotes recomendá-lo-ão aos pecadores como a última tábua de Salvação. Ainda que o pecador seja o mais empedernido, se recitar esse Terço uma só vez, alcançará a Graça de Minha Infinita Misericórdia." (Diário, 687)
    Ora, é promessa de Nosso Senhor: "As almas que recitarem esse Terço serão envolvidas por Minha Misericórdia durante sua vida, e de particular modo na hora da morte." (Diário, 754)
    Ele explicou: "Oh, que grandes Graças concederei às almas que recitarem esse Terço. As entranhas de Minha Misericórdia comovem-se por aqueles que recitam este Terço. Anota estas palavras, Minha filha, fala ao mundo de Minha Misericórdia, que toda humanidade conheça Minha Insondável Misericórdia. Este é o sinal para os últimos tempos, depois dele virá o Dia da Justiça. Enquanto é tempo, recorram à fonte de Minha Misericórdia, tirem proveito do Sangue e da Água que jorraram para eles." (Diário, 848)
    Também lhe disse: "Minha filha, agrada-Me a linguagem de teu coração; pela recitação desse Terço aproximas a humanidade de Mim." (Diário, 929)
    E completou: "Pela recitação desse Terço, agrada-Me dar tudo que Me pedem. Quando o recitarem os empedernidos pecadores, encherei suas almas de Paz, e a hora da morte deles será feliz. Escreve isto às atribuladas almas: Quando a alma vê e reconhece a gravidade de seus pecados, quando se desvenda diante de seus olhos todo abismo da miséria em que mergulhou, que não desespere, mas com confiança lance-se nos braços de Minha Misericórdia, como uma criança nos braços da querida mãe. Estas almas têm sobre Meu Misericordioso Coração um direito de precedência. Dize que nenhuma alma que tenha recorrido a Minha Misericórdia se decepcionou nem experimentou vexame... Quando rezarem este Terço junto aos agonizantes, Eu colocar-Me-ei entre o Pai e a agonizante alma, não como Justo Juiz, mas como Misericordioso Salvador." (Diário, 1541)
    Noutra ocasião, veio pedir-lhe: "Minha filha, ajuda-Me a salvar um agonizante pecador; reza por ele o Terço que te ensinei." (Diário, 1565)

A FESTA DA MISERICÓRDIA

    Como vimos, Jesus expressou esse pedido à Santa Faustina: "Desejo que o primeiro domingo depois da Páscoa seja a Festa da Misericórdia." (Diário, 299)
    "Minha filha, diz que a Festa da Misericórdia brotou de Minhas entranhas para o consolo do mundo inteiro." (Diário, 1517)
    "Desejo conceder indulgência plenária às almas que se confessarem e receberem a Santa Comunhão na Festa da Misericórdia." (Diário, 1109)
    "... que aquele que nesse dia se aproximar da Fonte da Vida alcançará o total perdão das culpas e das penas. A humanidade não encontrará Paz enquanto não se voltar com confiança para Minha Misericórdia." (Diário, 300)
    "Nenhuma alma terá justificação enquanto não se dirigir com confiança à Minha Misericórdia. E é por isso que o primeiro domingo depois da Páscoa deve ser a Festa da Misericórdia. Nesse dia, os Sacerdotes devem falar às almas de Minha Grande e Insondável Misericórdia." (Diário, 570)
    "As almas perdem-se, apesar de Minha amarga Paixão. Estou dando-lhes a última tábua de Salvação, isto é, a Festa de Minha Misericórdia. Se não venerarem Minha Misericórdia, perecerão por toda eternidade." (Diário, 965)

APÊNDICE

    Para que tenhamos uma ideia da seriedade e da importância das imagens, indubitavelmente um excelente meio usado por Deus para comunicar-nos Seu amor, como, aliás, bem revelou Jesus nesta aparição, é possível comparar como Seu rosto do quadro descrito por Santa Faustina perfeitamente se encaixa nas proporções do rosto do Santo Síndone de Turim (vulgarmente conhecido como o Santo Sudário).
    Ademais, foram minuciosos exames feitos no Santo Síndone que nos revelaram uma pequena e vertical cicatriz abaixo do olho esquerdo de Jesus, o que justificaria Seu olho ligeiramente 'caído' retratado em Sua mais antiga imagem de que ainda se dispõe, o Pantocrator.


    "Pela Sua dolorosa Paixão, tende Misericórdia de nós e do mundo inteiro."