terça-feira, 28 de abril de 2026

São Luís-Maria de Montfort


    No fim do século XVII, quando em todo mundo abertamente se pregava a abolição da escravatura, um Sacerdote francês convidava todos à escravidão a Nossa Senhora, através de uma das maiores obras de Mariologia da atualidade, da qual é um dos precursores: 'O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria'.
    Louis-Marie Grignion nasceu a 31 de janeiro de 1673, em Montfort-sur-Meu, Bretanha francesa. Sua mãe era fervorosa católica e enviou-o, aos 12 anos, ao Colégio Jesuíta São Thomas Becket, em Rennes, mais próxima cidade. Desde então nosso Santo já sentia o chamado à vida sacerdotal, e aí mesmo começou a estudar Teologia e Filosofia. Conheceu o Padre local, que vivia como missionário itinerante, e percebeu que seu coração haveria de ser entregue a serviço dos mais pobres. E ao ouvir sobre o trabalho dos missionários da Companhia dos Padres de São Sulpício, que evangelizavam em Canadá, logo se candidatou.
    Com esse intuito, em 1693 foi enviado a Paris, para o Seminário de São Sulpício, uma escola de referência para a espiritualidade francesa. Mas o dinheiro dado por seu benfeitor não era suficiente, e por dois anos ele contentou-se em viver entre os mais pobres e mendigos da cidade, enquanto frequentava as palestras de Teologia na Universidade de Sorbonne.
    Sem os devidos cuidados, gravemente adoeceu, mas foi internado e, apesar de algumas sequelas, convalesceu. Alguém do Seminário de São Sulpício soube de sua história e deu-lhe um emprego de bibliotecário, de modo a poder custear seus estudos, e durante as horas de trabalho ele dedicou-se a conhecer em profundidade as principais obras do Catolicismo, dando especial atenção aos assuntos referentes à Virgem Mãe do Céu.
    Em 1700 recebeu o Sacramento da Ordenação e foi enviado a Nantes, porém queira mesmo era pregar aos pobres, dos quais, desde a chegada a Paris, não mais se havia afastado. E para maior contrariedade, deu-se conta que toda comunidade sacerdotal local era adepta do jansenismo, heresia de um bispo holandês para quem, na prática, o ser humano é um mero objeto: já nasce predestinado ou ao inferno ou à Salvação. Essa visão tropeçava e caía, portanto, diante de um elementar ensinamento de Jesus no Evangelho Segundo São Marcos, que disse: "Os sãos não precisam de médico, mas os enfermos. Não vim chamar os justos, mas os pecadores." Mc 2,17b
    E ainda esse, no Evangelho Segundo São Lucas: "Digo-vos que assim haverá maior júbilo no Céu por um só pecador que fizer penitência, que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." Lc 15,7
    Seus seguidores, pois, recusavam-se a absolver os pecados de quem confessasse reincidência, e, com tamanha exigência de contrição, a 'comunhão espiritual' seria para eles mais importante que a própria Comunhão Eucarística!
    A perfeita instrução doutrinária de nosso Santo, claro, não sucumbiu a esses absurdos. E frontalmente se opondo a esses desvios, vai ser perseguido por toda vida. Como uma das consequências, foi enviado a Poitiers, cidade do centro-oeste de França, na condição de capelão do hospital, e, para servir aos mais pobres entre os enfermos, começou a trabalhar com a Beata Marie Louise Trichet, de apenas 17 anos, com quem em 1715 fundaria a Congregação das Filhas da Sabedoria.


    Contudo, não desistiu de pregar, e tanto quanto pôde viveu em missão por toda região de Bretanha, entre cidades e aldeias, levando ao mais carente povo o mais puro Catecismo Católico. Seu amor por Nossa Senhora era encantador, tocava o coração de toda gente. Aí começou a ser conhecido como o 'bom Padre de Montfort'. Em Pontchateau, uma comuna a noroeste quase 300 km, chegou a reunir milhares de pessoas para construir uma grande Via Sacra para as práticas de , mas terminou sendo expulso pelo bispo não só do hospital como também da diocese de Nantes.
    Tristemente compungido, vai a pé até Roma, aconselhar-se com o Papa, pedir-lhe para ser enviado a Canadá, como era seu antigo sonho. Porém será mandado pelo Santo Padre de volta a França, justamente para fazer frente ao jansenismo, e agora com o título de Missionário Apostólico, pois viu nele um grande catequista, de singular inspiração. Continuará, entretanto, sendo violentamente combatido em paróquias e dioceses. Tentaram matá-lo por envenenamento, o que ainda mais agravou seus problemas de saúde.
    Mas ele não retrocedia. Vai escrever o 'Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria', no qual luminosamente justificou: "A mais perfeita devoção é aquela pela qual nos conformamos, unimos e consagramos mais perfeitamente a Jesus Cristo, pois toda nossa perfeição consiste em sermos conformados, unidos e consagrados a Ele. Ora, porque Maria é, de todas criaturas, a mais conforme a Jesus Cristo, segue daí que, de todas devoções, a que mais consagra e conforma uma alma a Nosso Senhor é a devoção à Santíssima Virgem, Sua Santa Mãe, e que, quanto mais uma alma se consagrar a Maria, mais consagrada estará a Jesus Cristo."
    Também escreveu 'O Segredo de Maria' e 'O Segredo do Rosário', assim como as regras para a Companhia de Maria, que fundaria em 1712, e para a Congregação das Filhas da Sabedoria.


    Nas proximidades de Montfort, na gruta Mervent, ele vai recolher-se por várias vezes, por muitos meses, quatro anos ao todo durante sua vida, revigorando sua vida espiritual e contemplativa.
    A Marie Louse Trichet, ele escreveu de Paris: "Sou-vos infinitamente grato. Estou sentindo o efeito de vossas orações, já que, hoje mais que nunca, me vejo empobrecido, crucificado, humilhado. Homens e demônios desta grande cidade de Paris movem-me uma guerra que me é amável e suave. Que me caluniem, que me ridicularizem, que destruam minha reputação, que cheguem até a me prender. Que preciosos dons! Que deliciosos manjares! Que encantadoras grandezas! São os indispensáveis séquito e companhia que a divina Sabedoria envia à casa daqueles onde deseja habitar. Quando me será dado possuir essa amável e desconhecida Sabedoria?"
    Foi muito criticado por sua 'falta de prudência', porém uma vez respondeu em carta a um amigo: "Dais-me como exemplo pessoas muito prudentes e de grande virtude, a quem ninguém pensa em censurar. Mas há duas espécies de prudência: a própria dos cristãos que vivem em sociedade, e outra que vai melhor aos missionários e homens apostólicos. Os primeiros, para prudentemente procederem, só têm que observar as regras e costumes de uma santa casa, os outros frequentemente veem-se obrigados a desprezar a própria glória para buscar a de Deus, e, para isso, têm que se lançar em mais de uma empresa que choca e até escandaliza. Não é de estranhar que se deixe em paz aos primeiros e se ataque os segundos. Quando os homens de ação são bem acolhidos pelo mundo, é sinal de que o inferno não os teme. Se a prudência simplesmente consistisse em não dar que falar, os Apóstolos não precisariam ter saído de Jerusalém, nem São Paulo teria sido obrigado a fazer tantas viagens, nem São Pedro porque fincar a cruz no Capitólio. Com uma prudência assim, não se teria sobressaltado a sinagoga, mas também não se teria conquistado o mundo."
    Para ele, como São Paulo afirmou, a Sabedoria está na loucura da Santa Cruz: "Se fizermos qualquer coisa para não correr riscos por Deus, nunca iremos fazer algo de grande por Ele."
    A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, de fato, ensina: "Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o Evangelho, e isso sem recorrer à habilidade da arte oratória, para que não se desvirtue a Cruz de Cristo. A linguagem da Cruz é loucura para aqueles que se perdem, mas, para aqueles que foram salvos, para nós, é uma divina força. Já que o mundo, com sua sabedoria, não reconheceu a Deus na Divina Sabedoria, aprouve a Deus salvar aqueles que creem pela loucura de Sua mensagem. Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam sabedoria. Nós, porém, pregamos Cristo Crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas, para os eleitos, quer judeus quer gregos, força de Deus e Sabedoria de Deus." 1 Cor 1,17-18.21-24
    E completou: "Ninguém engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se julga sábio à maneira deste mundo, faça-se louco para se tornar sábio, porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus..." 1 Cor 3,18-19a
    Ora, os escritos de São Luís-Maria Grignion de Montfort sobre Mariologia vieram a fortemente influenciar a devoção de quatro Papas, em especial, que a ele fizeram várias menções em suas encíclicas. São eles: Papa Leão XIII, Papa São Pio X, Papa Pio XII e o Papa São João Paulo II.


    Devoção a Nossa Senhora, ele explica por dois princípios:
    1 - Deus quis servir-Se de Maria para a Encarnação do Cristo; e,
    2 - Deus quer servir-Se de Maria para a santificação das almas.
    Essa devoção tem cinco características:
    1 - é interior, ou seja, vem do espírito e do coração, fundamentando-se na correta visão do fulgurante papel representado por Maria no plano da Redenção, e num amor coerente a essa visão;
    2 - é terna, gerando na alma uma grande confiança, que faz recorrer a Maria em todas suas necessidades, como uma criança recorre a sua mãe;
    3 - é santa, isto é, faz com que se evite todo pecado e se imitem as virtudes da Santíssima Virgem;
    4 - é constante, consolidando a alma no bem e fazendo com que não abandone facilmente o caminho iniciado; e,
    5 - é desinteressada, inspirando a alma a mais buscar a Glória de Deus que suas próprias vantagens.

    São luzes de sua inspiração:

    "Digo que devemos pertencer a Jesus Cristo e servi-Lo, não como mercenários servos, mas como amorosos escravos, que por efeito de um grande amor se dedicam a O servir como escravos, pela exclusiva honra de Lhe pertencer."
    "Jesus Cristo, Nosso Salvador, Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, deve ser o fim último de todas nossas devoções."
    "Jamais a Cruz sem Jesus, nem Jesus sem a Cruz!"
    "Toma tua cruz! E não deverás arrastá-la, sacudi-la, reduzi-la ou escondê-la. Pelo contrário, leve-a bem erguida em tuas mãos, sem impaciência, nem azedume, nem murmurações... Enfim, sem qualquer vergonha ou respeito humano..."
    "O Senhor não considera tanto o sofrimento em si mesmo, mas sim a maneira como se sofre."
    "Dai preferência às vilas mais que às cidades, aos pobres mais que aos ricos."
    "Os pobres e as crianças seguiam-nO por toda parte, considerando-O um entre elas. Viam nesse Querido Salvador tanta simplicidade, benignidade, condescendência e caridade que se acotovelavam a Sua volta para se aproximarem d'Ele."
    "Deus ama tanto as crianças que as coloca como prioridade do Reino dos Céus. Por isso, quando temos um coração de criança que é dócil à Palavra de Deus e busca praticar o que Jesus ensinou, acabamos por escolher o mais fácil caminho para chegar à Salvação: o caminho da pequenez."
    "O conhecimento da eterna Sabedoria não é apenas o mais nobre e o mais doce, mas ainda o mais útil e o mais necessário, já que a Vida Eterna consiste em conhecer a Deus e Seu Filho Jesus Cristo."
    "Só Deus é minha ternura, só Deus é meu sustentáculo, só Deus é todo meu bem, minha vida e minha riqueza."
    "Que todos homens, os estudiosos e os simples, os justos e os pecadores, os maiorais e os pequenos, louvem e honrem a Jesus e a Maria, dia e noite, através da oração do Santíssimo Rosário."
    "Peço que estejais atentos, a fim de não penseis que o Rosário é de pouca importância, como dizem os ignorantes e alguns grandes intelectuais do 
orgulho. Longe de insignificante, o Rosário é um tesouro de incalculável valor e inspirado por Deus."
    "É lamentável ver como a maioria das pessoas rezam o Santo Rosário, extremamente rápido e murmurando, fazendo com que as palavras não sejam claramente pronunciadas."
    "O cristão que não medita sobre os mistérios do Rosário é muito ingrato a Nosso Senhor, e mostra quão pouco se preocupa por tudo que o Divino Salvador sofreu para salvar o mundo."
    "Aprouve a Deus, atendendo a seus pedidos (de Maria) de ocultação, empobrecimento e humildade, esconder sua concepçãoseu nascimento, sua vida, seus mistérios, sua ressurreição e sua assunção aos olhos de quase toda criatura humana."
    "Sua humildade (de Maria) foi tão profunda, que na Terra nada a seduziu mais poderosa ou mais continuamente que se esconder de si própria e de toda criaturas, para que só Deus a conhecesse."
    "Maria manteve-se muito escondida durante toda sua vida. Por isso, o Espírito Santo e a Igreja chamaram-na 'Alma Mater': Mãe escondida e secreta."
    "Tal é a vontade de Deus, que tudo tenhamos por Maria! E assim pelo Altíssimo será enriquecida, elevada e honrada aquela que, em toda sua vida, quis ser pobre, humilde e escondida até ao nada."
    "Lembrai-vos, repito-o uma segunda vez, de que Maria é o grande e único molde de Deus, próprio para fazer imagens vivas de Deus, com pouca despesa e em pouco tempo, e que uma alma que encontrou este molde, e que nele se perde, fica em breve mudada em Jesus Cristo, aí representado ao natural."
    "A consagração é conjuntamente feita à Santíssima Virgem e a Jesus Cristo. À Santíssima Virgem como ao perfeito meio que Jesus Cristo escolheu para Se unir a nós e nós a Ele. E a Nosso Senhor como a nosso fim último, ao Qual devemos tudo que somos, como a Nosso Redentor e Nosso Deus."
    "Quanto mais uma alma estiver consagrada a Maria, tanto mais estará consagrada a Jesus Cristo."
    "Esta devoção (a Maria) é um fácil, curto, perfeito e seguro caminho para chegar à união com Nosso Senhor, e nisto consiste a perfeição do cristão."
    "O espírito desta devoção é tornar a alma interiormente dependente e escrava da Santíssima Virgem, e de Jesus por meio dela."
    "Através da devoção a Maria, o próprio Jesus 'alarga o coração com uma santa confiança em Deus, fazendo com que Ele seja visto como Pai e inspirando terno e filial amor.'"
    "A Santíssima Virgem é o meio de que Nosso Senhor Se serviu para vir a nós, e é o meio de que nos devemos servir para ir a Ele."
    "A Santíssima Virgem é a fiel Virgem que, por sua fidelidade a Deus, repara as perdas que a infiel Eva causou por sua infidelidade, e que obtém de Deus a fidelidade e a perseverança para aqueles que a ela se apegam. Por isso, um Santo (São João Damasceno) compara-a à firme âncora, porque os retém e impede de soçobrar no agitado mar deste mundo, onde tantas pessoas naufragam por não se firmarem nesta inabalável âncora."
    "Uma das razões porque tão poucas almas atingem a plenitude da maturidade de Jesus Cristo, é que Maria, a Mãe do Filho e a Esposa do Espírito Santo, não está suficientemente formada nos corações."
    "É mister fazer todas ações com Maria, isto é, em todas ações olhar Maria como um modelo acabado de todas virtudes e perfeições, que o Espírito Santo formou numa pura criatura, e imitá-lo na medida de nossa capacidade."
    "Maria é um santo lugar, o Santo dos Santos, em que se formam e modelam os Santos."
    "Quanto mais ganhares a benevolência desta venerável Princesa e fiel Virgem, tanto mais teu comportamento de vida estará inspirado pela pura fé."
    "Como é feliz uma alma quando... está totalmente arrebatada e guiada pelo espírito de Maria, que é um doce e forte espírito, zeloso e prudente, humilde e corajoso, puro e fecundo."
    "Se eu soubesse que meu pecaminoso sangue poderia servir para fazer entrar no coração as verdades que escrevo em honra de minha querida Mãe e soberana Senhora, da qual sou o último dos filhos e escravos, em lugar de tinta eu usá-lo-ia para formar esses caracteres, na esperança que me anima de encontrar boas almas que, por sua fidelidade à prática que ensino, compensarão minha boa Mãe e Senhora das perdas que lhe têm causado minha ingratidão e infidelidade."
    
"Só Maria achou Graça diante de Deus (Lc 1,30) sem auxílio de qualquer outra criatura."
    "Tudo que convém a Deus pela Natureza, convém a Maria pela Graça."
    "Deus, vendo que somos indignos de receber Suas Graças diretamente de Suas divinas mãos, dá-as a Maria, afim de obtermos por ela o que Ele quer dar-nos. E também redunda em Glória para Ele, receber pelas mãos de Maria o reconhecimento, o respeito e o amor que Lhe devemos por Seus benefícios."
    "Se atentamente examinarmos o resto da vida de Jesus, veremos que foi por Maria que Ele quis começar Seus milagres."
    
"Quem encontrar Maria, encontrará a Vida (Jesus Cristo)."
    "É por Maria que procuro e que vou encontrar Jesus, que eu esmagarei a cabeça da Serpente e vencerei todos meus inimigos e a mim mesmo, para a maior Glória de Deus."
    "Mil graças a Maria! Este Jesus que eu possuo é, com efeito, seu fruto, e sem ela eu jamais O teria."
    "O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade. O que Eva condenou e perdeu pela desobediência, Maria salvou-o pela obediência. Eva, obedecendo à Serpente, perdeu consigo todos seus filhos e entregou-os ao poder infernal. Maria, por sua perfeita fidelidade a Deus, salvou consigo todos seus filhos e servos, e consagrou-os a Deus."
    "Por meio de Maria começou a Salvação do mundo, e é por Maria que deve ser consumada. Na primeira Vinda de Jesus Cristo, Maria quase não apareceu, para que os homens, ainda insuficientemente instruídos e esclarecidos sobre a Pessoa de Seu Filho, não se lhe apegassem demais e grosseiramente, afastando-se, assim, da Verdade."
    "A diferença entre a Primeira e a Última Vinda (de Jesus) é que a Primeira foi secreta e oculta, e a Segunda será gloriosa e retumbante. Ambas, porém, são perfeitas, porque, como a Primeira, também a Segunda será por Maria."
    "Mas o poder de Maria sobre todos demônios há de se patentear com mais intensidade, nos últimos tempos, quando Satanás começar a armar insídias a seu calcanhar, isto é, a seus humildes servos, a seus pobres filhos, os quais ela suscitará para combater o príncipe das trevas."
    "Conhecerão as misericórdias de que ela (Maria) é cheia e a necessidade que têm de seu auxílio, e hão de recorrer a ela em todas circunstâncias como a sua querida advogada e medianeira junto de Jesus Cristo. Reconhecerão que ela é o mais seguro, mais fácil, mais rápido e mais perfeito meio de chegar a Jesus Cristo, e entregar-se-lhe-ão de corpo e alma, sem restrições, para assim também pertencerem a Jesus Cristo."
    "(Maria) É tão caridosa que a ninguém repele daqueles que imploram sua intercessão, ainda que seja um grande pecador. Pois, como dizem os Santos, nunca se ouviu dizer, desde que o mundo é mundo, que alguém que tenha recorrido à Santíssima Virgem, com confiança e perseverança, e tenha sido desamparado ou repelido."
    "Confesso com toda a Igreja que Maria é uma pura criatura, saída das mãos do Altíssimo. Comparada, portanto, à Infinita Majestade, ela é menos que um átomo. É, antes, um nada, pois que só Ele é 'Aquele que é (Êx 3,14).'"
    "Saúdo-vos, Maria, predileta do Pai Eterno! Saúdo-vos, Maria, admirável mãe do Filho! Saúdo-vos, Maria, fidelíssima esposa do Espírito Santo!"
    "Ser vosso devoto, ó Santíssima Virgem, é uma arma de Salvação que Deus dá àqueles que quer salvar."
    "Ó fiel Virgem, tornai-me em todas coisas um perfeito discípulo, imitador e escravo da Sabedoria Encarnada, Jesus Cristo, Vosso Filho."
    "Minha querida e amadíssima Mãe, se for possível, fazei com que eu não tenha outro espírito, a não ser o vosso, para conhecer Jesus Cristo e Seus divinos desejos. Que não tenha outra alma, a não ser a vossa, para louvar e glorificar o Senhor. Que não tenha outro coração, a não ser o vosso, para amar Deus com pura e ardente caridade como vós."
    "Oh! Espírito Santo, concedei-me uma grande devoção e uma grande inclinação para Maria, um sólido apoio sobre seu materno seio e um assíduo recurso a sua misericórdia, para que, nela, Vós possais formar Jesus dentro de mim."
    "Divino Espírito Santo, lembrai-Vos de produzir e de formar filhos de Deus, com Maria, Vossa divina e fiel Esposa."

    "Eu sou todo Vosso, e tudo que é meu Vos pertence, Meu amável Jesus, por meio de Maria, Vossa Santa Mãe."
    "A Virgem Maria 'mais ardentemente Vos ama (Jesus) e mais perfeitamente Vos glorifica que todas outras criaturas juntas.'"
    "Ela (Maria) é de tal forma transformada em Vós pela Graça, que não mais vive, não mais existe. Sois unicamente Vós, Meu Jesus, que nela viveis e reinais..."

    A 28 de abril de 1716, durante uma missão em Saint-Laurent-sur-Sèvre, nas imediações de Nantes, com apenas 43 anos e a saúde bastante fragilizada, nosso Santo deixou esse mundo. Milhares de fieis acorreram a seu funeral, realizado aí mesmo, e logo surgiram relatos de milagres junto ao sepulcro.
    Em 1892, sobre a igreja dedicada a São Lourenço, do século XI, nesta pequena cidade foi concluída uma Basílica toda em granito para a devoção a ele, que é visitada por milhares de peregrinos todos anos. Nela também há uma estátua de seu último gesto, quando a gente do lugar, ao saber de seu frágil estado de saúde, acorreu para lhe pedira última benção. E num esforço que lhe era característico, ele abençoou-os com o crucifixo.



    São Luís-Maria Montfort, rogai por nós!

segunda-feira, 27 de abril de 2026

A Grande Tribulação


HECATOMBE, ABALOS NO CÉU E NA TERRA

    Jesus, Maria Santíssima, em várias de suas aparições, e os Profetas anunciaram que haverá uma Grande Tribulação antes do fim dos tempos. Serão aflições como nunca houve (cf. Mc 13,19), nem mesmo no Dilúvio, marcadas por um período de evidentes trevas. Contudo, este ainda não será o fim. Dela sairá um 'pequeno resto', por Graça da Divina Misericórdia, ou Jesus não viria para 'julgar os vivos e os mortos', mas tão somente os mortos.
    O que sabemos, porém, sobre essa tribulação? O Livro do Profeta Joel, que se referindo à Santa Igreja Católica mencionou o 'pequeno resto', apontou um período pouco antes do Juízo Final: "O sol converter-se-á em trevas e a lua, em sangue, ao aproximar-se o grandioso e temível Dia do Senhor. Mas todo aquele que invocar o Nome do Senhor será salvo, porque sobre o monte Sião e em Jerusalém haverá um resto, como o Senhor disse, e entre os sobreviventes estarão aqueles que o Senhor tiver chamado." Jl 3,4-5
    O Livro do Profeta Abdias, da mesma forma, fala destes sobreviventes: "Não entres pelas portas das cidades de meu povo, no dia da catástrofe! Não contemples com alegria seus males no dia da calamidade! Não deites a mão a suas riquezas no dia de sua desventura! Não te ponhas nas encruzilhadas para matar os fugitivos, e não entregues os sobreviventes no Dia da Tribulação, porque o Dia do Senhor estará próximo para todas nações! Como tiveres feito, assim se fará contigo. Carregarás sobre a cabeça o peso de teus atos. Mas sobre o monte Sião haverá sobreviventes, será um santo lugar, e a Casa de Jacó recuperará suas possessões." Ab 13-15.17
    E ainda através de Joel, Deus justifica tamanho castigo pela perseguição das nações a Seu santo povo, ou seja, à Igreja Apostólica, que Ele mesmo diz ter edificado: "Porquanto eis que, naqueles dias, no tempo em que Eu realizar a restauração de Judá e de Jerusalém, reunirei todas nações e fá-las-ei descer ao vale de Josafá. Ali entrarei em Juízo contra elas acerca de Israel, Meu povo e Minha herança, o qual dispersaram pelas pagãs nações depois de dividirem Minha terra. Rifaram Meu povo, davam um menino para pagar uma prostituta, e vendiam uma jovem em troca de vinho para beberem!" Jl 4,1-3
    Com efeito, Ele refere-Se a um período posterior ao Pentecostes, que foi o Nascimento da Igreja Una, pois momentos antes havia prescrito o Advento: "Então sabereis que Eu estou em meio a Israel, que sou o Senhor, Vosso Deus, e que não há outro. E Meu povo jamais será confundido. Depois disso, acontecerá que derramarei Meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, também derramarei Meu Espírito sobre os escravos e as escravas." Jl 2,27;3,1-2
    E ao mais uma vez profetizar os cósmicos abalos, Joel deixa claro que eles antecedem o Dia do Julgamento: "Que multidão, que multidão no vale do Julgamento! Porque está chegando o Dia do Senhor no vale do Julgamento! O sol e a lua obscurecem-se, as estrelas empalidecem. O Senhor rugirá de Sião, trovejará de Jerusalém, os céus e a Terra serão abalados." Jl 4,14-16a
    O Livro do Profeta Ageu igualmente os registrou como não definitivos abalos, embora generalizados, falando em grande proveito para a verdadeira Igreja de Jesus, certamente conversões: "Porque isto o Senhor dos Exércitos diz: 'Ainda um pouco de tempo, e abalarei céu e Terra, mares e continentes, sacudirei todas nações. Afluirão riquezas de todos povos e encherei de Minha Glória esta Casa', diz o Senhor dos Exércitos." Ag 2,6-7
    Jesus confirmou tais visões, dizendo o que acontecerá a Seu povo durante esse período, no Evangelho Segundo São Marcos: "Porque naqueles dias haverá tribulações tais como nunca houve, desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem jamais haverá. Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria, mas Ele abreviou-os em atenção a Seus escolhidos." Mc 13,19-20
    De fato, o Livro do Profeta Zacarias deu voz ao anúncio de uma inimaginável mortandade, quando os sobreviventes serão caprichosamente depurados. Deus mesmo diz: "'Em toda Terra', Oráculo do Senhor, 'dois terços dos habitantes serão exterminados e um terço subsistirá. Mas este terço farei passar pelo fogo. Purificá-lo-ei como se purifica a prata, prová-lo-ei como se prova o ouro.'" Zc 13,7-8a
    O Livro de Apocalipse de São João também menciona um enorme hecatombe, promovido por anjos de Satanás, mas em invertidas proporções e com a continuação da pecaminosidade. Assim foram as revelações de Jesus: "Então foram soltos os quatro anjos que se conservavam preparados para a hora, o dia, o mês e o ano da matança da terça parte dos homens. O número de soldados desta cavalaria era de duzentos milhões. Eu ouvi seu número. E foi assim que eu vi os cavalos e aqueles que os montavam: estes últimos eram couraçados de uma azul e sulfurosa chama. Os cavalos tinham crina como uma juba de leão. e de suas narinas saíam fogo, fumaça e enxofre. E uma terça parte dos homens foi morta por esses três flagelos que lhes saíam das narinas. Mas o restante dos homens, que não foram mortos por esses três flagelos, não se arrependeu das obras de suas mãos. Não cessaram de adorar o Demônio e os ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar. Não se arrependeram de seus homicídios, suas magias, suas prostituições e furtos." Ap 9,15-21
    E além de uma inaudita escuridão, Jesus avisou de uma grande instabilidade no Espaço Sideral, logo após a tribulação: "Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol escurecer-se-á, a lua não dará seu resplendor, os astros cairão e as forças que estão no céu serão abaladas." Mc 13,24-25
    Análogas descrições são dadas pelo texto de Apocalipse, mas o Amado Discípulo já relatava a iminência do Dia da ira do Senhor: "O sol escureceu-se como um tecido de crina, a lua tornou-se toda vermelha como sangue e as estrelas do céu caíram na Terra, como verdes frutos que caem da figueira agitada por forte ventania. O céu desapareceu como um pedaço de papiro que se enrola, e todos montes e ilhas foram tirados de seus lugares." Ap 6,12-14
    Tal predição remonta as palavras do Livro do Profeta Isaías, nas quais tudo é apresentado com desconcertante fragilidade: "... os céus vão desvanecer-se como fumaça, como um vestido em farrapos ficará a Terra, e seus habitantes morrerão como moscas." Is 51,6
    Mas outra escuridão acontecerá antes da matança da terça parte dos homens, obviamente os não batizados, e, quando um anjo liberta maus espíritos, não se pode dizer que o castigo será menor: "O quinto anjo tocou a trombeta. Então vi uma estrela cair do céu na Terra, e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. Ela abriu-o e do poço saiu uma fumaça como a de uma grande fornalha. O sol e o ar obscureceram-se com a fumaça do poço. Da fumaça saíram gafanhotos pela Terra, e foi-lhes dado poder semelhante ao dos escorpiões da Terra. Porém, foi-lhes dito que não causassem dano à erva, verdura, ou árvore alguma, mas somente aos homens que na fronte não têm o selo de Deus. Foi-lhes ordenado que não os matassem, mas por cinco meses afligissem-nos. Seu tormento era como o da picada do escorpião. Naqueles dias, os homens buscarão a morte, e não a conseguirão. Desejarão morrer, e a morte fugirá deles." Ap 9,1-6
    A Segunda Carta de São Pedro semelhantemente deu detalhes de uma grande e sideral convulsão, embora também não falasse mais de uma 'grande aflição', senão do próprio fim do Universo, quando se dará a Recriação, o surgimento do Novo céu e da Nova Terra, havia muito prometido por Deus (cf. Is 65,17): "... virá o Dia do Senhor como ladrão. Naquele dia, os céus passarão com ruído, os elementos abrasados dissolver-se-ão, e será consumida a Terra com todas obras que ela contém... o Dia de Deus, em que hão de se dissolver os céus inflamados e hão de se fundir os elementos abrasados!" 2 Pd 3,10.11
    E afirmando o poder do Verbo Encarnado (cf. Jo 1,14), ele assim descreve a atual situação e o final destino de tudo que conhecemos: "Mas os céus e a Terra que agora existem são guardados pela mesma Divina Palavra, e reservados para o fogo no Dia do Juízo e da perdição dos ímpios." 2 Pd 3,7
    Ora, na Carta aos Hebreus, os seguidores da tradição de São Paulo disseram o mesmo sobre Jesus: "Esplendor da Glória de Deus e imagem de Seu ser, Ele sustenta o universo com o poder de Sua Palavra." Hb 1,3a
    Nosso Senhor mesmo, entretanto, vaticinou de catástrofes num período muito anterior ao Juízo Final, especificamente sobre a destruição de Jerusalém, como se viu no ano 70 de nossa era, e deu apenas uma ligeira justificação, no Evangelho Segundo São Lucas: "Porque estes serão dias de castigo, para que se cumpra tudo que está escrito." Lc 21,22
    Contudo, igualmente indicou generalizados e ruinosos acontecimentos no céu e na Terra para o terrível período que antecede o Dia do Juízo: "Haverá grandes terremotos, e pestes e fomes em todos lugares. Aparecerão pavorosos fenômenos e grandes sinais vindos do céu." Lc 21,11
    A Grande Tribulação, portanto, com clareza remete à descrição feita por São João Apóstolo de um tempo que precede à definitiva instauração do Reino de Deus, e será relativamente curto, porém repleto de tentações, escândalos e destruições causadas pela influência do Maligno. De fato, tempos após a Vitória de Cristo, um anjo do Céu (São Rafael Arcanjo?) temporariamente prenderia o inimigo, e ele seria solto para combater a Igreja Católica Apostólica Romana: "Ele apanhou o Dragão, a primitiva Serpente, que é o Demônio e Satanás, e acorrentou-o por mil anos. Depois disso, ele deve ser solto por um pouco de tempo. Sairá da prisão para seduzir as nações dos quatro cantos da Terra (Gog e Magog) e as reunir para o combate. Serão numerosas como a areia do mar. Subiram à superfície da Terra e cercaram o acampamento dos Santos e a querida cidade." Ap 20,2-3.8-9
    

"PRIMEIRO DEVE VIR A APOSTASIA"

    Ora, desde que vencido por Jesus e precipitado do Céu por São Miguel Arcanjo e seus anjos, o Diabo irritou-se contra a Santíssima Virgem. Mas como também não pôde vencê-La, passou a perseguir Seus filhos, ou seja, os Apóstolos e todos seguidores de Cristo, que formam Seu Corpo Místico, a Santa Madre Igreja: "Este, então, irritou-se contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, àqueles que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus." Ap 12,17
    A Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, da mesma forma, profetizou um tempo especificamente difícil, a manifestação de um destacado anticristo, pelo poder do inimigo, que acontecerá depois da apostasia, quer dizer, depois que uma parte da humanidade renegar a : "Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniquidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no Templo de Deus e se apresentar como se fosse Deus. Não vos lembrais de que vos dizia estas coisas, quando ainda estava convosco? Agora perfeitamente sabeis aquele que o detém, de modo que ele só se manifestará a seu tempo." 2 Ts 2,3-6
    E seus discípulos disseram o que a apostasia representa: "Depois de termos recebido e conhecido a Verdade, se voluntariamente a abandonarmos, já não haverá sacrifício para expiar este pecado. Só teremos que esperar um tremendo Juízo e o ardente fogo que há de devorar os rebeldes. Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o Sangue da Aliança, no qual foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,26,27.29
    De fato, esse abandono da fé havia sido previsto pelo próprio Jesus, quando perguntou aos Apóstolos falando de Sua Volta Triunfal: "Mas, quando o Filho do Homem vier, acaso achará fé sobre a Terra?" Lc 18,8b
    A libertação do inimigo, nos últimos tempos, claramente estará manifesta na mentalidade ateísta e anticristã de muitas nações. A Primeira Carta de São João já dizia: "Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho." 1 Jo 2,22
    Pois ele aponta, na confirmação da passagem de Jesus entre nós, a ação do Espírito Santo, bem como a do espírito do mal: "Nisto reconhece-se o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo Se encarnou, é de Deus. E todo espírito que não proclama Jesus, esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e agora já está no mundo." 1 Jo 4,2-3
    No Evangelho Segundo São João, de fato, Nosso Senhor mesmo afirmou enquanto Se despedia dos Apóstolos: "Não mais vos falarei muito porque vem o príncipe deste mundo, mas ele nada pode contra Mim." Jo 14,30b
    E também disse sobre a obra da Salvação, arrematada pelo Santo Espírito: "Porque, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós. Mas se Eu for, enviá-Lo-ei. E, quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da Justiça e do Juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim." Jo 16,7b-9
    Ora, São João Evangelista já denunciava anticristos nas primeiras décadas, em gente que renegou a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiramente falsos profetas, pois a passagem do Messias, que nos concedeu o Sacramento da Crisma, é o início dos últimos tempos: "O mundo passa com suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente. Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, certamente ficariam conosco. Mas isto dá-se para que se conheça que nem todos são dos nossos. Vós, porém, tendes a Unção do Santo e todos possuís a ciência. Não vos escrevi como se ignorásseis a Verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira vem da Verdade." 1 Jo 2,17-21
    A Carta de São Judas também denunciava infiltrados na Santa Igreja: "Pois certos ímpios homens furtivamente se introduziram entre nós, os quais desde muito tempo estão destinados para este Julgamento. Eles transformam em licenciosidade a Graça de Nosso Deus, e negam Jesus Cristo, Nosso Único Mestre e Senhor." Jd 4
    Com efeito, o Apóstolo dos Gentios diz que a prisão do inimigo não faz cessar o mal que aflige a Terra, que se dá pela atividade das pessoas que lhe servem como o destacado anticristo, ou seja, do joio por ele semeado (cf. Mt 13,39): "Porque o mistério do mal já está em ação, apenas esperando o afastamento daquele que o detém. Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus destruí-lo-á com o sopro de Sua boca, e aniquilá-lo-á com o resplendor de Sua Vinda. A manifestação do ímpio será acompanhada, pela atividade de Satanás, de toda sorte de enganadores portentos, sinais e prodígios. Ele usará de todas seduções do mal para com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à Verdade que teria podido salvá-los. Por isso, Deus enviá-lhes-á um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos que não deram crédito à Verdade, mas consentiram no mal." 2 Ts 2,7-12
    A Segunda Carta de São Paulo a São Timóteo volta a falar dessa afronta à fé e dessa colaboração dada pelo ser humano: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um difícil período. Os homens tornar-se-ão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão de sua autoridade. Como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim estes homens de pervertido coração, reprovados na fé, também tentam resistir à Verdade. Mas não irão longe, porque a todos será manifesta sua insensatez, como o foi a daqueles dois." 2 Tm 3,1-5a.8-9
    São Pedro semelhantemente apontou, evocando o Dilúvio: "Antes de tudo sabei o seguinte: nos últimos tempos virão escarnecedores cheios de zombaria, que viverão segundo suas próprias concupiscências. Eles dirão: 'Onde está a promessa de Sua Vinda? Desde que nossos pais morreram, tudo continua como desde o princípio do mundo.' Propositadamente esquecem que, desde o princípio, existiam os céus e igualmente uma Terra que a Palavra de Deus fizera surgir do seio das águas, em meio a água, e deste modo o mundo de então perecia afogado na água." 2 Pd 3,3-6
    Nos Céus, enfim, um anjo (serafim?), que se apresenta como um ancião, fala a São João Evangelista da Grande Tribulação como da ocasião em que os Santos se purificam e alcançam a Glória: "Esses são os sobreviventes da Grande Tribulação. Lavaram suas vestes e alvejaram-nas no Sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e dia e noite servem-nO em Seu Templo. Aquele que está sentado no Trono abrigá-los-á em Sua Tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum abrasá-los-á, porque o Cordeiro, que está no meio do Trono, será Seu Pastor e os levará às fontes das Águas Vivas. E Deus enxugará toda lágrima de seus olhos." Ap 7,14-16
    Outras interpretações, porém, pretendem associar a Grande Tribulação tão somente à destruição de Jerusalém levada a cabo pelos romanos. E assim leem a seguinte profecia de Jesus, do Evangelho Segundo São Mateus, que fala de uma abjeta profanação do Templo: "Quando virdes estabelecida no santo lugar a abominação da desolação que foi predita pelo Profeta Daniel (Dn 11,31) - o leitor entenda bem! - então os habitantes de Judeia fujam para as montanhas. Aquele que está no terraço não desça para tomar o que está em sua casa. E aquele que está no campo não volte para buscar suas vestimentas. Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentarem naqueles dias! Rogai para que vossa fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado." Mt 24,15-20
    Outros ainda a associam à perseguição aos primeiros cristãos pelos imperadores romanos. Inegavelmente, foram tempos de grandes tribulações movidas pela religião pagã, e Jesus previu-as: "Disse-vos essas coisas para vos preservar de alguma queda. Expulsá-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. Deste modo procederão porque não conheceram o Pai, nem a Mim." Jo 16,1-3


POUCO ANTES DO FIM DOS TEMPOS

    Para algumas igrejas locais, resta claro, foram sim previstas específicas tribulações, como no caso da diocese de Esmirna, em terras de atual Turquia. Décadas após Sua Ascensão, Jesus diz: "Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias, o Demônio vai lançar alguns de vós na prisão, para vos pôr à prova. Tereis tribulações durante dez dias." Ap 2,10
    Em geral, Ele previu difíceis tempos para todos Seu seguidores aqui na Terra: "No mundo haveis de ter tribulações. Coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    Aliás, expressamente falou de tempos de radical impotência: "Enquanto for dia, cumpre-Me terminar as obras d'Aquele que Me enviou. Virá a noite, na qual já ninguém pode trabalhar." Jo 9,4
    Entretanto, à diocese de Filadélfia em Apocalipse, Ele claramente promete proteção durante uma grande provação a toda Terra, pois Suas mensagens têm cunho universal, e também claramente diz de uma resposta a Seu tempo, o tempo de Deus: "Porque guardaste a Palavra de Minha paciência, Eu também te guardarei da hora da provação que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da Terra. Venho em breve. Conserva aquilo que tens, para que ninguém tome tua coroa." Ap 3,10-11
    E revelou que os maiores tormentos não se iniciariam com a destruição de Jerusalém, mas com o fim da dominação que ela sofreria dos estrangeiros, ou seja, após o fim dos 'tempos dos não judeus'. O Amado Médico registrou estas palavras, de Seus últimos dias entre os Apóstolos: "... e Jerusalém será pisada pelos não judeus, até se completarem os tempos de suas nações. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na Terra, a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda Terra. As próprias forças dos céus serão abaladas." Lc 21,24-26
    Pois, ainda segundo Jesus, até lá haverá tempo para que a humanidade tome notícia da Salvação oferecida através de Sua Palavra: "Este Evangelho do Reino será pregado pelo mundo inteiro, para servir de testemunho a todas nações, e então chegará o fim." Mt 24,14
    Por Joel, de fato, Deus garantiu que o tempo da dominação dos estrangeiros sobre Jerusalém viria a término: "Então sabereis que Eu sou o Senhor, Vosso Deus, que habita em Sião, Minha santa montanha. Jerusalém será um lugar sagrado, onde os estrangeiros não tornarão mais a passar." Jl 4,17
    E todavia segundo São Lucas, Nosso Senhor sentenciou que estes tormentos prenunciariam a definitiva vinda do Reino dos Céus, quer dizer, o fim do mundo e o Juízo Final: "'Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai vossas cabeças, porque se aproxima vossa libertação.' Ainda acrescentou esta comparação: 'Olhai para a figueira e para as demais árvores. Quando elas lançam os brotos, vós julgais que está perto o Verão. Assim, quando virdes que vão sucedendo estas coisas, também sabereis que se aproxima o Reino de Deus.'" Lc 21,28-31
    A Carta de São Paulo aos Romanos também fez referência a esse tempo das nações não judias, assim como à rejeição dos judeus a Cristo. Mas profetiza uma redenção, ao fim: "... esta cegueira de uma parte de Israel só durará até que haja entrado a totalidade dos nãos judeus. Então todo Israel será salvo, como está escrito: 'Virá de Sião o Libertador, apartará de Jacó a impiedade.'" Rm 11,25-26
    É o que está no Livro do Profeta Daniel, que em seguida menciona a Ressurreição da Carne, quando Deus lhe falou: "Naquele tempo levantar-se-á Miguel, o grande príncipe, defensor dos filhos de teu povo, e será um tempo de angústia como nunca houve até então, desde que começaram a existir nações. Mas nesse tempo teu povo será salvo, todos que se acharem inscritos no Livro. Muitos daqueles que dormem no pó da terra despertarão, uns para a Vida Eterna, outros para o eterno opróbrio. Porém aqueles que tiverem sido sábios, brilharão como o firmamento, e aqueles que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude, brilharão como as estrelas, por toda eternidade." Dn 12,1-3
    Antes, porém, este Profeta diz que haverá um período de trevas: "... no momento em que a força do povo santo for inteiramente rompida..." Dn 12,7
    E as recomendações de Jesus para enfrentar esses tempos são as permanentes orações e vigílias: "Velai sobre vós mesmos, para que vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, com a embriaguez e com as preocupações da vida, para que aquele Dia não vos apanhe de surpresa. Como um laço, cairá sobre aqueles que habitam a face de toda Terra. Vigiai, pois, em todo tempo e rezai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem." Lc 21,34-36
    Essa mensagem Ele não dava apenas aos Apóstolos, mas também aos discípulos, seguidores e ao mundo todo: "O que vos digo, digo a todos: vigiai!" Mc 13,37
    Eis que, em linhas gerais, a Primeira Carta de São Pedro exorta: "Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma extraordinária coisa. Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que possais alegrar-vos e exultar no Dia em que Sua Glória for manifestada." 1 Pd 4,12-13
    Na seriíssima Aparição de Akita, que se deu na década de 1970, em semelhança com a Aparição de Garabandal, nos anos 60, e também de Međugorje, nos anos 80, ao referir-se a iminentes catástrofes, Nossa Senhora expressamente menciona uma Grande Tribulação.

    "Lembrai-Vos, ó Pai, de Vossos filhos!"