sábado, 8 de dezembro de 2018

Imaculada Conceição de Maria


    Muito antes de o Dogma da Imaculada Conceição de Maria ser declarado na Bula Ineffabilis Deus em 1854, pelo Papa Pio IX, a Igreja já celebrava essa obra da Divina Graça. Há registro destas festas em Constantinopla no século VII, embora ainda não tivesse sido oficializada pela Santa Sé.
    No século XIII, o Beato John Duns Scot, teólogo e filósofo franciscano da Escócia, fiel seguidor das ideias e da veneração de São Francisco de Assis à Santíssima Virgem, deduziu que foi a vontade de Deus preservar Maria da falta da Graça Santificante, que acomete a humanidade desde o pecado original. Para conceber o Filho de Deus, portanto, quis Deus que Maria viesse ao mundo já 'agraciada', isto é, dotada da Graça maior que é a vitória sobre o pecado, pois tão somente de sua carne seria gerada a carne de Seu Filho.
    Ora, o Livro de Jó lembra que nós trazemos a marca do pecado, em total contraste com a geração de Jesus, que haveria de nascer de uma mulher pura: "O homem nascido da mulher vive pouco tempo e é cheio de muitas misérias. Quem fará sair o Puro do impuro?" Jó 14,1.4
    Como já era da Sagrada Tradição, pois, a absoluta pureza de Nossa Senhora foi devotamente contemplada por São Francisco, e por seu exemplo o inspirado Beato John Scot chegou aos termos da inicial argumentação a respeito desta singular Graça: a divina intervenção aconteceu desde o primeiro momento da concepção de Maria no ventre de Santa Ana.
    De fato, ao cantar o Magnificat, Nossa Mãe Celeste aponta não apenas uma maravilha que lhe foi concedida por Deus (das quais a maior é a gestação do Senhor!), mas maravilhas: "Por isto, desde agora, todas gerações proclamar-me-ão bem-aventurada, porque em mim realizou maravilhas Aquele que é poderoso, e Cujo Nome é Santo." Lc 1,48b-49
    E quase dois séculos mais tarde, em 1474, o Papa Sisto IV instituiu a Festa da Imaculada Conceição para toda Igreja, escolhendo como data oficial o dia 8 de dezembro, mesmo sem proclamar esse Dogma, pois simplesmente não julga necessário. O Papa Pio V, pouco menos de um século depois, confirmou e formalizou a festa com a publicação do Novo Ofício da Igreja, em 1570, e o Papa Clemente XI, por fim, tornou-a obrigatória para toda Igreja no início do século XVIII.
    Em 11 de fevereiro de 1858, ou seja, apenas quatro anos depois da declaração do Dogma por Pio IX, Nossa Senhora apareceu em Lourdes, na França, a Santa Bernardete Soubirous, e apresentou-se exatamente assim: "Eu sou a Imaculada Conceição." A idade de Santa Bernardete, que contava 14 anos, sua humilde condição e pouca alfabetização, além do improvável conhecimento da proclamação desse Dogma, à época ignorada até mesmo por muitos padres pelo mundo afora, concorreram como fortes indícios para a confirmação da aparição.
    Afirmativamente, Nossa Senhora estava fazendo uso de um título que, com toda justiça, era-lhe devido desde seu nascimento. E respondia à proclamação do Dogma pelo papa com uma celestial manifestação! Assim somos levados a reconhecer que, desde Adão e Eva, Maria é o primeiro e único ser humano a vir ao mundo totalmente isento do pecado. É, portanto, perfeita imagem e semelhança de Deus.
    Para sustentar esse Dogma, entre tantos outros argumentos, o Papa Pio IX valeu-se de conclusões obtidas de passagens bíblicas:
    - Maria não traz nem sequer a mancha do pecado: "És toda bela, ó minha amiga, e não há mancha em ti." Ct 4,7
    - Ela é a Incorruptível Arca da Nova Aliança: "Fiz, pois, uma arca de incorruptível madeira..." Dt 10,3
    - No livro do Apocalipse, São João Evangelista vê Nossa Mãe Celeste como a definitiva Arca da Aliança, na qual se guardavam as Tábuas da Lei, de importância só superada pelo próprio Verbo Encarnado, isto é, Jesus, gerado em seu ventre, além de testemunhar sua luz e sua coroação: "Abriu-se o Templo de Deus no Céu, e em Seu Templo apareceu a Arca de Seu Testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva. Em seguida apareceu um grande sinal no Céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas." Ap 11,19;12,1


    Conforme os Mandamentos da Santa Madre Igreja, este é um dos 4 dias de preceito no Brasil, junto ao Natal, ao Corpus Christi e ao dia de Solenidade da Santíssima Mãe de Deus, em 1º de janeiro. São dias, portanto, que devem ser guardados como o Domingo, participando-se da Santa Missa.

    Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!