sábado, 14 de outubro de 2017

São Calisto


    Papa por pouco mais de 6 anos, em pleno período de perseguição aos cristãos pelo Império Romano, São Calisto era escravo em Roma, sua cidade natal, e, quando adulto, nas minas da Sardenha, onde exerceu trabalho insalubre e muito pesado.
    Durante a juventude, por sua boa índole e inteligência, seu senhor confiou-lhe uma boa soma em dinheiro para que negociasse. Mas, reconhecido como um ex-escravo num mercado cheio de velhacos, foi descaradamente enganado e acabou ficando sem nenhum centavo, pois não conseguia receber o que havia contratado em mercadoria nem reaver o dinheiro. Temendo ser severamente punido, resolveu fugir.
    Uma vez capturado, porém, conseguiu explicar-se perante seu ex-dono, que mais uma vez concedeu-lhe liberdade sob condição de recuperar o dinheiro perdido. Mas nosso Santo não demorou a ser preso: por brigar com judeus na sinagoga de Roma, quando tentava reaver empréstimos, e por ser denunciado como cristão.
    Deportado como escravo para a ilha da Sardenha em companhia de muitos cristãos cheios de e esperança, aí abraçou fervorosa e definitivamente sua cristandade. Anos mais tarde, junto a outros cristãos, recebeu indulto por intercessão de Jacinto, que era autoridade em Roma, e foi morar em Anzio, onde aprofundou sua formação cristã e tornou-se diácono.
    De tão notória que foi sua profunda conversão, Zeferino, ao tornar-se Papa, convidou-o para trabalhar consigo: fez-lhe responsável pelas catacumbas da Via Apia, que hoje levam o nome de Catacumbas de São Calisto. Nelas renomados Santos foram sepultados, como Santa Cecília, Papa São Damásio I, o próprio Santo Hipólito, além de muitos dos Primeiros Santos Mártires de Roma. Aí está também a recém-descoberta Cripta dos Papas, e o histórico epitáfio da tumba do Papa São Marcelino, de pontificado do século III, no qual temos um dos mais antigos registros do uso da palavra 'Papa'.



    Àquela época, fim do século II, pelas dimensões que já haviam alcançado, as catacumbas eram o grande segredo dos cristãos, por causa da perseguição que sofriam. Lá eles celebravam a Santa Missa e sepultavam os corpos dos fiéis, pois muitos ainda acreditavam que eles seriam necessários no Dia da Ressurreição da carne.
    Com a morte de Zeferino, e como já eram evidentes sua devoção e santidade, São Calisto foi unanimemente aclamado papa, pelo clero e pelo povo. E por um forte motivo: tinha sido o melhor aluno de Santo Irineu, padre, teólogo e escritor de grande importância para a Igreja, que rebatia com maestria as heresias da época e foi a última testemunha viva da canonização dos quatro Evangelhos.


    Como papa, São Calisto I foi perseguido e caluniado, por hereges e não convertidos, por ter sido escravo e seguir sendo muito humilde. De fato, contrariando muitos estudiosos de então, usou larga e sabiamente do poder de perdoar, através do Sacramento da Penitência ou Confissão. Ele ensinava: "Todo pecado pode ser perdoado pela Igreja, cumpridas as devidas penitências."


    Sofreu forte oposição, principalmente de São Hipólito, por refutar heresias que contrariavam a concepção da Santíssima Trindade e por conceder perdão por adultério, homicídio e apostasia, que naqueles tempos só era dado uma única vez, após severas penitências públicas. Pouco mais tarde, São Hipólito, que já era um grande teólogo, reconheceu os argumentos de São Calisto, arrependeu-se, pediu-lhe perdão e morreu como mártir.
    Numa rebelião popular no ano de 222, aos 62 ou 67 anos de idade, ao ser acusado de cristão, o que era patente por seu comportamento, São Calisto recusou-se a renegar sua fé em Cristo e por isso foi espancado e jogado num poço, onde, já sem forças, morreu afogado.
    Viveu como escravo, foi libertado para servir a Deus sob violenta perseguição à Igreja, e passou seus últimos instantes num 'calabouço'. Sem dúvida, um grande mártir.


   Sobre esse poço foi erguido uma capela, ao lado da atual Igreja de São Calisto, cujo primeiro prédio foi provavelmente construído por ele mesmo.


    Ela fica nas proximidades da Igreja de Santa Maria, em Trastevere, Roma, sob cujo altar principal foram sepultados seus restos mortais, séculos após terem sido sepultados na Via Aurélia.


    São Calisto, rogai por nós!