quinta-feira, 26 de maio de 2016

Corpus Christi


    Como é sabido, na Quinta-Feira Santa, durante a Santa Ceia, Jesus ofereceu Seu Corpo como o Pão da Vida. Tempos atrás, porém, Ele já havia afirmado: "Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente. E o Pão, que Eu hei de dar, é a Minha Carne para a Salvação do mundo." Jo 6,51
    Na Bélgica, em 1209, Santa Juliana de Mont Cornellieu, freira agostiniana, começou a ter visões que pediam à Igreja uma festa para o Santíssimo Sacramento, incluída no Calendário Litúrgico. No ano de 1230, por graça da Divina Providência, ela teve a oportunidade de confidenciar suas visões ao arquidiácono de Liège, que viria a ser o Papa Urbano IV. E a partir daí se iniciaram as Procissões de Corpus Christi.
    Em 1263, em Bolsena, na Itália, o padre Pietro de Praga, que duvidava que na Eucaristia estivessem realmente transubstanciados o Corpo e o Sangue de Cristo, ao elevar a Hóstia Consagrada, viu dela sair Sangue e cair sobre o linho litúrgico. Esse linho foi levado a Orvieto, residência de Urbano IV, que à época já era o Sumo Pontífice. Não restava mais dúvidas para ele: Deus pedia manifestamente uma festa para o Santíssimo Sacramento. Em 11 de agosto de 1264, Urbano IV registrou em bula papal a Festa de Preceito para homenagear o Corpo de Cristo.
    O linho com as marcas do Preciosíssimo Sangue de Jesus ainda pode ser visto na Catedral de Orvieto.


    Três das quatro pedras de mármore do altar, que fora banhado pelo Sangue que corria da Hóstia, são apropriadamente preservadas como relíquias no Tabernáculo da Basílica de Santa Cristina, em Bolsena, que remonta o século XI.


    O Milagre Eucarístico, no entanto, não aconteceu apenas em Bolsena. Já havia se dado em Lanciano, também na Itália, por volta do ano 700. E aí não apenas saiu Sangue da Hóstia Consagrada; toda ela tornou-se carne. Ela resiste incorrupta através dos tempos, foi analisada em 1971 e atestada como músculo cardíaco: contém, em seção, o miocárdio, endocárdio, o nervo vago e, no considerável espessor do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo. O sangue é humano do tipo AB, e, apesar de mais de 13 séculos, cuja conservação é outro milagre, ainda mantém a fresca constituição, como se houvesse recém-saído de uma pessoa viva.
    Ela se encontra exposta no Santuário Eucarístico de São Francisco, em Lanciano.
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    Mas esse determinante sinal de Deus também se deu em muitos outros lugares através dos séculos, mais de uma centena deles. Ou seja, o mundo não se pode dizer alheio à patente realidade do Corpo e o Sangue de Cristo no Santíssimo Sacramento. Citando os mais conhecidos, temos várias cidades da Itália, como Trani, Rimini, Alatri, Firenzi, Valvasone e Gruaro, Siena, Macerata, Bagno di Romagna, Torino, Veroli, Mogoro, Patierno e San Mauro La Bruca. Na França em Blanot, Faverney e Pressac, na Alemanha em Walldürn, na Holanda em Alkmaar e Amsterdam, na Polônia em Cracóvia e Poznań, em Portugal em Santarém, na Espanha em O Cebreiro e Ivorra, na Áustria em San Georgenberg-Fiecht, na Suíça em Ettiswil, na Bélgica em Bois-Seigneur-Isaac, e na atual Croácia em Ludbreg. O Milagre do Juazeiro, que consagrou popularmente o Padre Cícero, também foi um Milagre Eucarístico, que, aliás, repetiu-se por várias vezes diante de muitas testemunhas.
    Quanto à Transubstanciação, que ocorre no momento da consagração da hóstia, não há dúvida: o pão e o vinho oferecidos no altar realmente se transformam em Corpo e Sangue de Cristo. O fato é que alguns ainda teimam em não acreditar na Palavra de Jesus, mas Ele havia dito expressamente: "Pois a Minha Carne é verdadeiramente uma comida e o Meu Sangue, verdadeiramente uma bebida." Jo 6,55
    E, afirmativamente, é por Sua Carne e por Seu Sangue que nos é concedida a Comunhão com Deus: "Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele." Jo 6,56
    É o Pão de Céu, portanto, celebrado exclusivamente na Santa Missa pela Igreja de Jesus, que devemos buscar como verdadeiro alimento. Foi isso que disse Jesus à multidão, após a multiplicação dos pães e dos peixes: "Respondeu-lhes Jesus: 'Em verdade, em verdade vos digo: buscais-Me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a Vida Eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois n'Ele Deus Pai imprimiu o Seu sinal.'" Jo 6,26-27
    São Paulo nos exorta: "Pois Nossa Páscoa, Cristo, foi imolada. Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães sem fermento, de pureza e de Verdade." 1 Cor 5,8
    E explica: "Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: 'Isto é o Meu Corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de Mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: 'Este cálice é a Nova Aliança no Meu Sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim.' Assim, todas as vezes que comeis desse Pão e bebeis desse Cálice lembrais a morte do Senhor, até que Ele venha." 1 Cor 11,23-26
    Ora, tão vital é esse Sacramento que toda a vida pública de Jesus foi orientada para esse momento: "Foram, pois, e acharam tudo como Jesus lhes dissera; e prepararam a Páscoa. Chegada que foi a hora, Jesus pôs-Se à mesa, e com Ele os Apóstolos. Disse-lhes: 'Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer.'" Lc 22,13-15
    E além de ser o mais importante deles, ele é ainda a visível e material presença de Deus entre nós. E como só ao fim dos tempos Ele já voltará definitivamente em Seu Corpo Glorioso, a promessa de estar conosco 'até o fim do mundo' refere-se tanto ao Seu Santo Espírito, que é derramado sobre nós desde o Pentecostes, como à Eucaristia, pela Comunhão da Santíssima Trindade, como Ele mesmo prometeu: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." Mt 28,20
    Que nós nos alegremos com esse indizível privilégio de podermos sentar à mesa com Jesus e receber Seu Corpo e Seu Sangue como alimento. Aguardemos, pois, com Ele, à mesa do altar, pelo banquete celestial: "Em verdade vos digo: já não beberei do fruto da videira, até aquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus." Mc 14,25
    E que nossa verdadeira felicidade seja o altar do Senhor, agora e na eternidade: "Felizes os convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro." Ap 19,9
    A secular procissão de Corpus Christi, portanto, faz-nos recordar o caminho que Jesus fez do Cenáculo, onde ofereceu Seu Corpo e Seu Sangue, até o Monte das Oliveiras, onde entregou-Se livremente para ser crucificado. E neste difícil momento, sentindo que chegava a Sua hora, Ele nos convidou à vigília: "Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai Comigo." Mt 26,38

    "Todas as vezes que comemos deste Pão e bebemos deste Cálice, anunciamos, Senhor, a Vossa morte, enquanto esperamos a Vossa vinda!"