domingo, 7 de junho de 2020

A Santíssima Trindade


    Temos, de fato, um só Deus, mas, não há como negar, que Se revelou três Pessoas. A despeito de qualquer estranheza que essa informação possa causar, foi assim que as revelações se deram e é assim que temos que acolhê-las, por mero amor à Verdade. Antes que algo por demais complexo, ou mesmo inconcebível a nosso intelecto, esse é apenas mais um mistério a respeito do Todo Poderoso. Com efeito, e sem nos deixar seduzir por grosseiras simplificações, verdadeiras tentações contra a humildade e a prudência, tal constatação é absolutamente notória no Livro Sagrado.
    Ainda no livro do Gênesis, a Abraão foi dada essa contemplação, mas, após registros no singular e no plural, o sagrado autor acaba por apontar dois destes 'Homens' apenas como anjos: "Naqueles dias, o Senhor apareceu a Abraão junto ao carvalho de Mambré, quando ele estava sentado à entrada de sua tenda, no maior calor do dia. Levantando os olhos, Abraão viu três Homens de pé, perto dele. Assim que Os viu, correu ao Seu encontro e prostrou-se por terra. E disse: 'Meu Senhor, se ganhei Tua amizade, peço-Te que não prossigas viagem, sem parar junto a mim, Teu servo. Mandarei trazer um pouco de água para lavar-Vos os pés, e descansareis debaixo da árvore. Farei servir um pouco de pão para refazerdes Vossas forças, antes de continuar a viagem. Pois foi para isso mesmo que Vos aproximastes do Vosso servo.' Eles responderam: 'Faze como disseste.' Eles perguntaram-lhe: 'Onde está Sara, tua mulher?' 'Está na tenda', respondeu ele. E um deles disse: 'Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho.' Os Homens partiram, pois, na direção de Sodoma, enquanto Abraão ficou na presença do Senhor. Pela tarde, chegaram os dois anjos a Sodoma. Lot, que estava assentado à porta da cidade, ao vê-los, levantou-se e foi-Lhes ao encontro, prostrando-se com o rosto por terra." Gn 18,1-6.9-10a.22;19,1
    Contudo, no Antigo Testamento não é raro vermos Deus confundir-Se com Seu anjo. Aconteceu com Agar, que de Abraão concebeu Ismael e provocou ciúmes em Sara: "O anjo do Senhor, encontrando-a no deserto junto de uma fonte que está no caminho de Sur, disse-lhe: 'Agar, escrava de Sarai, donde vens? E para onde vais?' 'Eu fujo de Sarai, minha senhora', respondeu ela. 'Volta para tua senhora', tornou o anjo do Senhor, 'e humilha-te diante dela.' Agar deu ao Senhor, que lhe tinha falado, o nome: 'Vós sois El-Roí, porque', dizia ela, 'não vi eu, aqui mesmo, o Deus que me via?'" Gn 16,7-9.13
    E com o próprio Abraão, quando esteve por sacrificar Isaac: "Pela segunda vez chamou o anjo do Senhor a Abraão, do Céu, e disse-lhe: 'Juro por Mim mesmo', diz o Senhor: 'pois que fizeste isto, e não Me recusaste teu filho, teu filho único, Eu abençoar-te-ei.'" Gn 22,15-16
    Mas a primeira cena bíblica em que se menciona as três Pessoas da Santíssima Trindade é no Novo Testamento, que é propriamente o ápice da Revelação, quando se lê a Anunciação do Arcanjo São Gabriel a Maria: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo envolver-te-á com Sua sombra. Por isso, o Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus." Lc 1,35
    E a primeira cena de pública manifestação das três Pessoas de Deus dá-se imediatamente após o Batismo de Jesus por São João Batista: "Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os Céus se abriram e viu descer sobre Ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus. E do Céu baixou uma voz: 'Eis Meu Amado Filho, em Quem ponho Minha afeição.'" Mt 3,16-17
    Por fim, quando profetiza o Pentecostes, o próprio Jesus menciona as três Pessoas da Santíssima Trindade: "Quando vier o Paráclito, que Vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade... Ele dará testemunho de Mim." Jo 15,26


DEUS PAI

    Além da figura de um Ancião, vista por Daniel em relato abaixo, a Pessoa de Deus Pai distintamente apareceu ao Profeta Isaías: "No ano da morte do rei Ozias, eu vi o Senhor sentado num trono muito elevado; as franjas de Seu manto enchiam o Templo. Os serafins mantinham-se junto d'Ele. Cada um deles tinha seis asas; com um par de asas velavam a face; com outro cobriam os pés; e, com o terceiro, voavam. Suas vozes revezavam-se e diziam: 'Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama Sua Glória!' A este brado as portas estremeceram em seus gonzos e a casa encheu-se de fumo. 'Ai de mim', gritava eu. 'Estou perdido porque sou um homem de lábios impuros, habito com um povo também de lábios impuros, e, entretanto, meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!'" Is 6,1-5
    E também apareceu ao Profeta e grande místico Ezequiel: "Acima dessa abóbada havia uma espécie de trono, semelhante a uma pedra de safira, e, bem no alto dessa espécie de trono, uma Silhueta Humana. Vi que Ela possuía um vermelho fulgor, como se houvesse sido banhada em fogo, desde o que parecia ser Sua cintura, para cima, enquanto que, para baixo, vi algo como fogo que esparzia clarões por todos lados. Como o arco-íris que aparece nas nuvens em dias de chuva, assim era o resplendor que A envolvia. Era esta visão a imagem da Glória do Senhor." Ez 1,26-28


DEUS JESUS

    A primeira e mais evidente manifestação de Jesus, enquanto Segunda Pessoa de Deus, aparece ainda no Antigo Testamento, na visão que teve o Profeta Daniel: "Continuei a olhar, até o momento em que foram colocados os tronos e um Ancião chegou e sentou-Se. Brancas como a neve eram Suas vestes, e tal como a pura lã era Sua cabeleira; Seu trono era feito de chamas, com rodas de fogo ardente. Saído de diante d'Ele, corria um rio de fogo. Milhares e milhares serviam-nO, dezenas de milhares assistiam-nO! O tribunal deu audiência e os livros foram abertos. Olhando sempre a noturna visão, vi um Ser, semelhante ao Filho do Homem, vir sobre as nuvens do Céu: dirigiu-Se para o lado do Ancião, diante de Quem foi conduzido. A Ele foram dados império, Glória e realeza, e todos os povos, todas nações e povos de todas as línguas serviram-nO. Seu domínio será eterno; nunca cessará e Seu Reino jamais será destruído." Dn 7,9-10.13-14
    E no Evangelho de São João, que é mais teológico que narrativo, vemos Jesus como Deus Filho com ainda mais evidência, quase que a despeito da didática que Ele empregou ao revelar-Se pouco a pouco durante os mais de três anos que esteve entre os Apóstolos. Ao atestar Sua clarevidência, logo após ser batizado por São João Batista, São Bartolomeu vai declará-Lo Rei de Israel, mas Ele promete muito mais que manifestação de poderes: promete a realização do sonho de Jacó, a conexão entre o Céu e a terra: "Falou-Lhe Natanael: 'Mestre, Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel.' Jesus replicou-lhe: 'Porque Eu te disse que te vi debaixo da figueira, crês! Verás coisas maiores do que esta.' E ajuntou: 'Em Verdade, em Verdade, digo-vos: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.'" Jo 1,50-51
    Na passagem adiante, ainda que apenas indiretamente afirmando Sua onipotência, que é atributo exclusivo de Deus, Jesus diz que Ele mesmo, e não o Pai, realizará a Ressurreição dos mortos: "... Eu hei de ressuscitá-lo no Último Dia." Jo 6,44
    Realmente igualava-Se a Deus: "Com efeito, como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá Vida, assim também o Filho dá Vida a quem Ele quer." Jo 5,21
    Ele será ainda mais explícito, quando diz aos religiosos judeus no Templo de Jerusalém: "Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo." Jo 8,23
    Noutra passagem, atestando Sua Divindade, Comunhão e Unidade com o Pai, Ele afirma: "Eu e o Pai somos um." Jo 10,30
    Sem dúvida, só Deus colocaria a Si mesmo como centro de todas coisas, e Jesus peremptoriamente disse aos Apóstolos: "... sem Mim nada podeis fazer." Jo 15,5
    São Mateus também registrou flagrantes do Jesus Essencial, Absoluto, como quando Ele disse: "Quem não está Comigo está contra Mim..." Mt 12,30
    São João Evangelista, aliás, já começa seu Evangelho afirmando que a Palavra de Deus era o próprio Deus: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus." Jo 1,1
    Ele confirma o Verbo, ou seja, a Palavra de Deus, como sendo Jesus: "E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós, e vimos Sua Glória, a Glória que o Filho único recebe do Seu Pai, cheio de Graça e de Verdade." Jo 1,14
    E diante da samaritana, no poço de Jacó, o próprio Jesus vai declarar-Se o Salvador: "Respondeu a mulher: 'Sei que deve vir o Messias (que se chama Cristo); pois quando vier, Ele nos fará conhecer todas as coisas.' Disse-lhe Jesus: 'Sou eu, Quem fala contigo.'" Jo 4,25-26
    Declarou-Se também, através de seguidores, a São João Batista, que parece ter estranhado Sua profunda humanidade: "E João chamou dois de seus discípulos e enviou-os a Jesus, perguntando: 'És Tu Aquele que há de vir ou devemos esperar por outro?' Ora, naquele momento Jesus havia curado muitas pessoas de enfermidades, de doenças e de espíritos malignos, e dado a vista a muitos cegos. Respondeu-lhes Ele: 'Ide anunciar a João o que tendes visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, aos pobres é anunciado o Evangelho. E bem-aventurado é aquele para quem Eu não for ocasião de queda!'" Lc 7,19.21-23
    Ao redor d'Ele, segundo São Lucas, desde Seus primeiros milagres o povo já sentia fortemente a presença de Deus, e afirmava: "Deus veio visitar Seu povo." Lc 7,16
    E por força das maravilhas que realizava, no episódio da tormenta os Apóstolos ainda incertos começaram a perguntar-se: "Quem é Este, a Quem até o vento e o mar obedecem?" Mc 4,41
    Afirmando mais uma vez Sua onipotência, Ele deixou explícito que não precisa evocar o Pai para libertar a humanidade: "... todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Portanto, se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres." Jo 8,34.36
    Em diálogo com São Filipe, e já aproximando-se a hora de Sua Paixão, Jesus não escondeu Sua identidade: "Disse-Lhe Filipe: 'Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta.' Respondeu Jesus: 'Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheceste, Filipe? Aquele que Me viu, também viu o Pai.'" Jo 14,8-9
    Ele proclamava-Se o Filho do Homem, um título enigmático que talvez apenas afirme Sua natureza também humana, mas o título de Senhor é exclusivo de Deus, e Ele sentenciou: "Porque o Filho do Homem é Senhor também do sábado." Mt 12,8
    E na cena do lavas-pés, Ele foi ainda mais explícito: "Vós Me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque EU SOU." Jo 13,13
    Esse titulo, até então usado por apenas Deus, Ele havia empregado perante os judeus, entre outras vezes: "Por isso, disse-vos: morrereis no vosso pecado. Porque se não crerdes que EU SOU, morrereis no vosso pecado." Jo 8,24
    São Tomé, enfim, após duvidar de Sua Ressurreição por uma semana, vai proclamá-Lo Senhor e Deus: "Meu Senhor e Meu Deus!" Jo 20,28
    São Paulo também deixa muito claro Quem é o Senhor: "Por isso, Deus exaltou-O soberanamente e outorgou-Lhe o Nome que está acima de todos os nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho no Céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a Glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor." Fl 2,9-11
    E recitando o Hino Cristológico, disse de Sua divindade: "Sendo Ele de condição divina, não Se prevaleceu de Sua igualdade com Deus..." Fl 2,6
    Chegou mesmo a apontá-Lo como o Visível do Invisível, plena Encarnação de Deus: "Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda Criação. Porque aprouve a Deus fazer n'Ele habitar toda plenitude e por Seu intermédio reconciliar Consigo todas criaturas..." Cl 1,15.19-20
    Apesar de ciente que o Pai e o Filho são Um só, num 'lapso' o Último Apóstolo diz que Deus derramou Seu sangue pela Igreja, e não Jesus: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o Seu próprio Sangue." At 20,28
    E terminou por afirmar textualmente: "Veio para ensinar-nos a renunciar à impiedade e às mundanas paixões, e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa feliz esperança, a gloriosa aparição de Nosso Grande Deus e Salvador, Jesus Cristo..." Tt 2,12-13
    São João Evangelista, com suas convicções já muito bem refletidas, na primeira de suas epístolas atesta quase expressamente que Jesus é Deus: "Sabemos que o Filho de Deus veio e deu-nos entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em Seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a Vida Eterna." 1 Jo 5,20



    Tal qual a divindade de Jesus, o reconhecimento do Espírito Santo como a Terceira Pessoa de Deus não foi imediato. São Paulo, porém, também dava o título de Senhor ao Santo Paráclito, anotando Sua autonomia para libertar-nos do pecado: "Ora, o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." 2 Cor 3,17
    Em distinção ao Antigo, ele diz de Seu Ministério pelo Novo Testamento: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,2
    E aponta-O como Guia da Igreja: "Porém, se vos deixais guiar pelo Espírito, não estais sob a Lei." Gl 5,18
    Igualmente afirmou Sua onisciência, atributo exclusivo de Deus: "Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus." 1 Cor 2,11
    Ora, foi através de Seu poder que Nossa Senhora concebeu Jesus. São Mateus escreve: "... ela concebeu por Virtude do Espírito Santo." Mt 1,18
    E desde o Primeiro Concílio da Igreja, dado em Jerusalém, é sempre o Espírito Santo Quem decide as questões juntamente com os Apóstolos. São Tiago Menor fez registrar na Carta à igreja de Antioquia: "Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor outro peso além do indispensável seguinte..." At 15,28
    É Ele Quem investe os Bispos, como vimos São Paulo afirmar aos Anciãos de Éfeso: "Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastorear a Igreja de Deus..." At 20,28
    Era Ele, por Sua autonomia, Quem enviava os Apóstolos, como São Lucas registrou: "Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.' Enviados assim pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre." At 13,2.4
    Ou impedia o anúncio do Evangelho em determinadas áreas: "Atravessando em seguida a Frígia e a província da Galácia, foram impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a Palavra de Deus na província da Ásia." At 16,6
    É Ele Quem distribui os dons, como São Paulo atesta: "Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como Lhe apraz." 1 Cor 12,11
    Foi Ele que confirmou a divina filiação de Jesus: "... que, segundo o Espírito de Santidade, foi estabelecido Filho de Deus no poder por Sua Ressurreição dos mortos. E do Qual temos recebido a Graça e o apostolado, a fim de levar, em Seu Nome, todas nações pagãs à obediência da fé... " Rm 1,4-5
    É o Espírito Santo que, após a Ascensão de Jesus, dá testemunho de Sua Missão, como São João Evangelista afirma em sua primeira carta: "E o Espírito é Quem dá testemunho d'Ele, porque o Espírito é a Verdade." 1 Jo 5,6b
    São Pedro, ainda nos primeiros anos da Igreja, diz que mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus: "Ananias, por que Satanás tomou conta do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus." At 5,3-4
    E d'Ele mesmo ouviu a ordem que o levou a participar do 'Pentecostes dos Gentios': "Enquanto Pedro refletia sobre a visão, disse-lhe o Espírito: 'Eis aí três homens que te procuram. Levanta-te! Desce e vai com eles sem hesitar, porque sou Eu Quem os enviou.'" At 10,19-20
    Ora, é o Espírito Santo que pode restituir-nos a semelhança divina, como São Paulo argumenta: "Mas todos nós temos o rosto descoberto, refletimos como num espelho a Glória do Senhor e vemo-nos transformados nesta mesma imagem, sempre mais resplandecentes, pela ação do Espírito do Senhor." 2 Cor 3,18
    Enfim, só sob Sua moção é-nos revelado que Jesus é Deus: "... ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3
    Pois Ele é o Autor da Graça, como os seguidores de sua tradição anotaram: "Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o Sangue da Aliança, em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,29
    Por isso, Jesus até admitia a ambiguidade de Sua manifestação humana como um empecilho à , mas não admitia ofensas ao Santo Paráclito, as quais não terão perdão se não houver as devidas penitências: "Todo aquele que tiver falado contra o Filho do Homem será perdoado. Se, porém, falar contra o Espírito Santo, não alcançará perdão nem neste século nem no século vindouro." Mt 12,32

O PAI EM JESUS

    Na oração que faz ao Pai, pedindo pela Unidade da Igreja, Jesus refere-Se à Sua Comunhão com Ele como modelo para nós: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam Um, como Nós somos Um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na Unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    E pediu a todos nós: "Crede-Me: Eu estou no Pai, e o Pai em Mim." Jo 14,11
    Ele disse do poder de Sua Ressurreição, que atestaria a Comunhão: "Naquele dia conhecereis que estou em Meu Pai, e vós em Mim e Eu em vós." Jo 14,20
    Esse era o poder de Sua Palavra: "E, se julgo, Meu julgamento é conforme a Verdade, porque não estou sozinho, mas Comigo está o Pai que Me enviou." Jo 8,16
    Por suas fortes vivências espirituais, São Paulo deu esse testemunho sobre Jesus, acima anotado: "Porque aprouve a Deus fazer n'Ele habitar toda plenitude..." Cl 1,19
    
O ESPÍRITO SANTO EM JESUS

    O Espírito de Deus sempre esteve com Jesus, como vemos logo após Seu Batismo, quando foi tentado: "Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto..." Lc 4,1
    Pois assim era o cumprimento de uma profecia de Isaías, como Jesus vai declarar no início de Sua Missão: "O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu. E enviou-Me para anunciar a Boa Nova aos pobres, para sarar os contritos de coração..." Lc 4,18
    Era o Espírito de Deus que Lhe dava poder: "Mas, se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." Mt 12,28
    E foi Ele Quem arrematou os últimos capítulos da Revelação, iniciados por Cristo, que nestes termos atestou a Comunhão da Santíssima Trindade: "Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas agora não podeis suportá-las. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a Verdade, porque não falará por Si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele glorificar-Me-á, porque receberá do que é Meu, e vo-lo anunciará. Tudo que o Pai possui é Meu. Por isso, Eu disse: 'Há de receber do que é Meu, e vo-lo anunciará.'" Jo 16,12-15


TRÊS PESSOAS EM PERFEITA COMUNHÃO

    Entre Eles, é mais que certo que existe uma relação de amor. Jesus afirmou: "O Pai ama-Me porque dou Minha Vida para retomá-la." Jo 10,17
    E disse pouco antes de Sua Paixão: "O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai Me ordenou." Jo 14,31a
    São Paulo completa: "Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." Rm 5,5
    E o Ministério dos Três é perfeitamente coincidente: "Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em Meu Nome, ensinar-vos-á todas coisas e recordar-vos-á tudo que vos tenho dito." Jo 14,26
    Citando a Unção que recebemos no Sacramento da Crisma, São João Evangelista fala da Comunhão que é característica do Ministério do Espírito Santo, e é mantida pela fidelidade ao Evangelho: "Vós, porém, tendes a Unção do Santo e sabeis todas coisas. Que permaneça em vós o que tendes ouvido desde o princípio. Se em vós permanecer o que ouvistes desde o princípio, também permanecereis vós no Filho e no Pai. E não tendes necessidade de que alguém vos ensine, mas, como Sua Unção vos ensina todas coisas, assim é ela verdadeira e não mentira. Permanecei n'Ele, como ela vos ensinou." 1 Jo 2,20.24.27b
    E aqui temos mais um exemplo do entendimento entre Eles. Jesus diz: "Pois o Pai ama o Filho e mostra-Lhe tudo que faz." Jo 5,20a
    Exemplo do poder que compartilham: "Pois como o Pai tem a Vida em Si mesmo, assim também deu ao Filho ter a Vida em Si mesmo, e conferiu-Lhe o poder de julgar, porque é o Filho do Homem." Jo 5,26-27
    Do acesso a Deus: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6
    Exemplo de colaboração: "Jesus tomou a palavra e disse-lhes: 'Em Verdade, em Verdade, digo-vos: de Si mesmo o Filho não pode fazer coisa alguma. Ele só faz o que vê o Pai fazer. E tudo que o Pai faz, semelhantemente faz o Filho.'" Jo 5,19
    De testemunho: "... porque as obras que Meu Pai Me deu para executar, essas mesmas obras que faço, testemunham a Meu respeito que o Pai Me enviou." Jo 5,36a
    Aí incluso o testemunho do Santo Espírito: "Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, Ele dará testemunho de Mim." Jo 15,26
    Exemplo da fidelidade à Palavra de Deus: "Em verdade, não falei por Mim mesmo, mas o Pai, que Me enviou, Ele mesmo prescreveu-Me o que devo dizer e o que devo ensinar. E Eu sei que Seu Mandamento é Vida Eterna. Portanto, o que digo, digo-o como Me falou o Pai." Jo 12,49-50
    Exemplo da total sintonia entre Eles: "Esta é a vontade de Meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e n'Ele crê, tenha a Vida Eterna. E Eu ressuscitá-lo-ei no Último Dia." Jo 6,40    
    Ele expressava-a como Sua fonte de Vida: "Disse-lhes Jesus: 'Meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e cumprir Sua obra.'" Jo 4,34
    E em estrita obediência, mesmo nos momentos que antecederam de Sua Paixão: "Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: 'Meu Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice! Todavia não se faça o que Eu quero, mas sim o que Tu queres.'" Mt 26,39
    Além do momento do Batismo, o próprio Pai também expressou essa comunhão no Dia da Transfiguração do Senhor: "E daquela Nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: 'Eis Meu Amado Filho, em Quem pus toda Minha afeição. Ouvi-O!'" Mt 17,5
    Bem como no Domingo de Ramos, enquanto Jesus rezava ao ver chegada Sua Hora: "'Pai, glorifica Teu Nome!' Nisto veio do Céu uma voz: 'Já O glorifiquei e tornarei a glorificá-Lo.' Ora, a multidão que ali estava, ao ouvir isso, dizia ter havido um trovão. Outros replicavam: 'Um anjo falou-Lhe.' Jesus disse: 'Essa voz não veio por Mim, mas sim por vossa causa. Agora é o Juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo.'" Jo 12, 28-31
    Nosso Salvador também deixou ordenado o Sacramento do Batismo em Nome das três Pessoas de Deus: "Ide, pois, e ensinai a todas nações. Batizai-as em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo." Mt 28,19
    São João Batista, por sua vez, explicou assim o Batismo que se realizaria pelo poder de Jesus: "Ele batizar-vos-á no Espírito Santo..." Mt 3,11
    E por mais de uma vez Jesus falou de duas outras Pessoas de Deus: "Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais Vosso Pai Celestial dará o Espírito Santo aos que LhO pedirem." Lc 11,13
    Ora, a alegria de Jesus era sentida através do Divino Paráclito: "Naquele mesma hora, Jesus exultou de alegria no Espírito Santo e disse: 'Pai, Senhor do Céu e da terra, Eu dou-Te graças porque escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes e revelaste-as aos pequeninos.'" Lc 10,21
    Segundo o Evangelho de São João, um 'pré-Pentecostes' teria acontecido pelas mãos do próprio Jesus, já em Sua primeira aparição ao colégio dos Apóstolos: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo.'" Jo 20,22
    E São Pedro atribuía a cada um d'Eles uma específica função, dizendo que os cristãos eram "... eleitos segundo a presciência de Deus Pai, e santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo..." 1 Pd 1,2
    Também São Paulo, para melhor explicar a ação de Deus, menciona as três Pessoas: "Ora, Quem confirma a nós e a vós em Cristo, e consagrou-nos, é Deus. Ele marcou-nos com Seu selo e a nossos corações deu o penhor do Espírito." 2 Cor 21-22
    De fato, não podemos chegar ao Pai sem a ajuda do Filho, como Jesus mesmo afirmou: "... ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-Lo." Mt 11,27
    Nem podemos chegar a Jesus sem a ajuda do Pai, também segundo Ele mesmo: "Ninguém pode vir a Mim se o Pai, que Me enviou, não o atrair." Jo 6,44a
    Ou sequer perceber que Jesus é Deus sem a ajuda do Espírito Santo, como vimos São Paulo asseverar: "... ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo." 1 Cor 12,3
    Aliás, foi o próprio Deus Quem revelou a São Pedro que Jesus era o Cristo. Nosso Salvador aí reconheceu a ação do Pai: "Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas Meu Pai que está nos Céus." Mt 16,17


A TRINDADE SANTA QUER HABITAR EM NÓS

    Jesus ainda prometeu que, se fôssemos verdadeiramente fiéis à Sua Palavra, Ele e o Pai viriam fazer morada em nós: "Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra e Meu Pai amá-lo-á. E Nós viremos a ele e nele faremos Nossa morada." Jo 14,23
    Pois a presença do Santo Paráclito, Ele já havia assegurado: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele dar-vos-á outro Paráclito, para que convosco fique eternamente. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem o conhece. Mas vós conhecê-Lo-eis, porque convosco permanecerá e em vós estará." Jo 14,16-17
    E é assim que nos tornamos Igreja, conforme o Apóstolo dos Gentios: "E vós também sois integrados nesta construção, para tornardes-vos morada de Deus pelo Espírito." Ef 2,22
    Porque, ainda segundo este Santo, podemos concluir que o Divino Espírito também vem para habitar em nós: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
    Porém, como inicialmente só a divindade do Pai era conhecida, para não confundir e assim deixar que as divinas revelações se dessem por si mesmas, Jesus só mencionava Sua unidade com Ele: "Eu e o Pai somos Um." Jo 10,30
    Tanto que São João Evangelista, ao falar sobre a Comunhão em sua primeira carta, também mencionou apenas o Pai e o Filho: "... o que vimos e ouvimos, nós anunciamos-vos, para que também vós tenhais Comunhão conosco. Ora, nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,3
    Mas, mais à frente, ele vai completar sua formulação: "Se mutuamente nos amarmos, Deus permanece em nós e Seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos n'Ele e Ele em nós, por Ele ter-nos dado Seu Espírito." 1 Jo 4,12-13
   Por fim, é de São Paulo esta inspiração que retrata as três Pessoas de Deus naquelas que seriam Suas mais características manifestações: "A Graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a Comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!" 2 Cor 13,13

    "Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! O Céu e a terra proclamam Vossa Glória. Hosana nas alturas! Bendito O que vem em Nome do Senhor! Hosana nas alturas!"