domingo, 5 de outubro de 2025

São Benedito


    Um recatado frade capuchinho, que era analfabeto, negro e filho de escravos, e no século XVI estaria fadado a fazer apenas ordinários serviços, tornou-se um grande sinal de Deus para a humanidade.
    Pobre pastor de ovelhas na ilha italiana de Sicília durante a infância, nascido na comuna de San Fratello, província de Messina, a 31 de março de 1524, pelo dom de Deus e pela fervorosa piedade de seus pais, Cristoforo Manasseri e Diana Larcan, Benedito Manasseri fez-se, desde criança, um expoente de Sabedoria e santidade.
    Morreu no dia 4 de abril de 1589, mas, em Brasil, graças à enorme devoção que tinha entre os escravos e propagou-se entre seus descendentes, recebeu outra data de comemoração, o dia 5, seguinte ao de São Francisco de Assis, uma canônica deferência concedida pela Santa Sé.
    Seus pais, escravos trazidos de Etiópia, terra onde havia séculos era grande a presença judaica e cristã, abertamente praticavam o mais exemplar Catolicismo. Sua mãe era grande devota do Santíssimo Sacramento e muito caridosa para com os mais pobres. Seu pai diariamente recitava o Rosário de Nossa Senhora, ensinando-o àqueles que com ele trabalhavam na fazenda, e, sempre que as obrigações lhe permitiam, ia à Santa Missa. Verdadeiramente religiosos, contraíram Matrimônio mas fizeram voto de abstinência, para não submeter seus filhos à escravidão. O senhor deles, Vincenzo Manasseri, ao saber de tão belo gesto, teve compaixão e prometeu-lhes que seus filhos seriam livres. E assim tiveram três, São Benedito foi o primeiro.
    Tão expressiva era a espiritualidade de seus pais, que uma neta deles, portanto sobrinha de São Benedito, também se tornou religiosa, da Ordem fundada por Santa Clara. E recebeu do tio, já frade, o hábito das clarissas, adotando o nome de irmã Benedita em homenagem a ele, pois à época sua santidade já era amplamente reconhecida. Em Palermo, capital de Sicília, onde ela está sepultada, há muitos relatos de milagres atribuídos a sua intercessão, e continuam acontecendo.
    Desde os tempos de pastor, o menino São Benedito já profundamente se entregava à oração, à contemplação e à penitência. E assim passava os dias pelos campos, 'cuidando do rebanho'. Seus amigos chamavam-no de 'nosso Santo mouro', uma referência aos negros de Mauritânia, pois um dia estranharam que ele sempre se afastasse demais com as ovelhas e trataram de segui-lo. Descobriram que ele buscava abundantes água e pasto, onde as ovelhas pudessem estar tranquilas, pois assim dedicava mais tempo às práticas de fé: encontraram-no numa gruta, arrebatado em êxtase, longa e fixamente olhando para cima, como se visse o Céu.


    Aos 18 anos, São Benedito já estava totalmente decidido a seguir Jesus. Tocado pelo exemplo de sua mãe, com muito trabalho como lavrador havia comprado uma junta de bois e vivia só para ajudar os mais pobres. Aos 21 anos, com pleno consentimento dos pais, seguiu um monge eremita da Ordem dos Frades Menores, de São Francisco de Assis, Frei Jerônimo Lanza. Este tinha conseguido autorização do Papa Júlio III para viver a Regra Franciscana em eremitério, acrescentando aos 3 tradicionais votos, de obediência, castidade e pobreza, o voto de vida quaresmal, que consiste em 3 jejuns por semana.
    Frei Jerônimo conheceu nosso Santo numa algazarra que viu, quando alguns jovens da comuna o ridicularizavam, injuriavam e até o batiam por sua cor, mas ele não demostrava contrariedade alguma. Sequer esboçou a menor reação! Ficou tão impressionado com sua Paz e humildade que o convidou para o Eremitério de Santa Dominica, na comuna de Caronia, lá mesmo em Sicília. Ele prontamente vendeu a junta de bois e foi viver sua em meio à fraternidade. São Benedito levou uma modelar vida. Depois de cinco anos de relativa solidão e austeridades, recebeu o hábito, mas parecia que a Ordem dos Eremitas Franciscanos havia sido criada para ele. Era o sempre feliz e bem disposto cozinheiro, fidelíssimo às orações, e que, nas horas de descanso, saía do convento levando pães para os pobres, inclusive os que fingia comer durante suas refeições, escondendo-os sob o hábito.
    E o Espírito Santo correspondia a sua devoção dando-lhe Seus dons, como o da cura. Atendendo pedidos de oração, a gente local trazia-lhe seus enfermos, que sempre voltavam sãos. Sua santidade era de fato evidente, e os sinais que realizava simplesmente confirmavam-na. Visando manter o propósito de eremitério da Ordem, teve que ser escondido do assédio popular, sendo levado a Platanella e depois a Mancusa, mas foi descoberto, e então tentaram o Monte Pellegrino, todos logares nos arredores de Palermo. Também esteve, pelo mesmo motivo, um ano e oito meses no Santuário da Madonna della Dayna, na comuna de Marineo, na mesma região, voltando em seguida a Monte Pellegrino.
    Mesmo sem ser Sacerdote, foi nomeado Mestre dos Noviços, que tinham nele um grande conselheiro, e, mais tarde, eleito superior do Eremitério. Mas, com a morte de Frei Jerônimo e as reclamações de muitos monges contra os rigores do quarto voto, em 1562, quando nosso Santo contava 38 anos, o Papa Paulo IV extinguiu a Ordem dos Eremitas e ordenou que os monges se recolhessem em algum convento franciscano regular. São Benedito ficou muito triste e foi chorar diante da imagem de Nossa Senhora das Graças, na Catedral de Palermo. É quando a Santíssima Mãe lhe fala, referindo-se aos capuchinhos: "Meu filho, é vontade de Deus que entres para a Ordem dos Frades Menores Reformados."


    Escolheu o Convento de Santa Maria de Jesus, também em Palermo, onde com grande alegria foi recebido pelo frei Arcangelo de Scieli, que era o guardião, e pelos demais frades, pois já conheciam sua história. Chegou a ser mandado para o então renomado Convento de Sant’Ana, na comuna de Giuliana, também em Sicília, onde ficou por quatro anos, mas acabou voltando e ficando até o fim de seus dias. Era visitado por nobres, príncipes, vice-rei, Sacerdotes e até teólogos e mestres, que faziam questão de ouvir seus inspirados ensinamentos e conselhos em questões muito específicas. Não há dúvida: tinha o dom da ciência infusa. Mesmo sem saber ler, tudo via com excepcional clareza, e em profundidade conhecia detalhes da Sã Doutrina. Isso não se alcança só participando da Santa Missa e ouvindo sermões! Por mais atencioso que se seja. Não há nenhum outro caso.
    Aí também foi eleito Superior em 1578, mas enquanto todos vibravam de euforia com sua eleição quase por unanimidade, triste foi ele ao Padre Superior pedindo que o dispensasse, pois seria muito simples e ignorante para tal função. O Padre, porém, conhecedor de seu entendimento, apenas consolou-o, prometendo toda assistência de que precisasse.
    No entanto, sua dedicação e simplicidade eram grandes exemplos, bastantes para tocar o coração de todos. E se enquanto Superior ele trabalhava como um serviçal, quem poderia furtar-se às obrigações? Contudo, realmente modesto, demonstrou mesmo incomum alegria quando acabou seu período, e enfim pôde voltar à cozinha. Sabia muito bem da seriedade que era ser diretor espiritual de seus confrades e preferia estar ao lado de todos, colaborando pela caridade, ao invés de liderá-los.
    Zelosamente responsável pela alimentação deles, em sua perfeita Comunhão com Deus aí realizou grandes prodígios, fazendo multiplicar comida em tempos de grande escassez, e aparecer peixes e condimentos em panelas que tinham apenas água. E como a gente do povo, a maioria deles camponeses e pescadores, para o encontrar fazia questão de pessoalmente entregar-lhe os donativos, embora nem sempre os tivessem, alimentou pobres trabalhadores e frades quando a dispensa estava vazia, cozinhou sem acender o fogão e até preparou um banquete para o arcebispo de Palermo, Dom Diogo d´Abedo, que costumava recolher-se neste convento, quando tudo que fez foi acender o fogo: teve o auxílio de dois belos 'jovens', na verdade anjos, pois demoradamente entrou em êxtase diante de um quadro do Menino Jesus, durante a festa de Natal.


    A primeira história de sua venturosa vida logo foi escrita, por seu amigo Giovanni Domenico Rubbiano. Segundo Frei Giacomo di Pazza, testemunha no processo de sua beatificação que teve numerosos relatos, São Benedito fazia milagre todo dia. Ressuscitou uma criança morta por asfixia apenas tomando-a nos braços, e logo em seguida a devolveu à mãe para que a amamentasse, fato presenciado por várias pessoas e largamente conhecido como sua principal imagem. Curava cegos apenas fazendo o sinal da Cruz. Profundamente compassivo, ressuscitou até o cavalo do convento, que caíra num abismo.
    São Benedito sabia quando iria morrer. Chegou a estar gravemente enfermo no início de 1589, mas contrariou o diagnóstico do médico que o atendeu, dizendo que ainda não chegara sua hora. E dois meses depois quando adoeceu de febre muito alta, sentindo que chegava sua morte, pediu para receber a Unção dos Enfermos e o Viático, e que fosse enterrado o quanto antes, pensando nos confrades: "... para que não tenham contrariedade." Vendo lágrimas em seus olhos, um dos irmãos colocou uma vela em sua mão, mas ele disse-lhe que ainda não era a hora, e que o avisaria. Teve então uma visão de Santa Úrsula e as onze virgens mártires, certamente em reconhecimento a sua santa castidade, o que o arrebatou em ainda mais um êxtase. Minutos depois, pediu que a Frei Guilherme que lhe acendesse a vela e a pusesse em sua mão. Tinha 65 anos, e morreu enquanto tinha outra visão, exclamando com alegria: "Jesus! Jesus! Minha Mãe doce Maria! Meu pai São Francisco!"
    E a contrariedade de que ele advertia aconteceu: quando se espalhou a notícia de sua passagem, mesmo sendo sete horas da noite, uma multidão invadiu o convento querendo vê-lo e tocá-lo pela última vez. Quem sabe, conseguir uma relíquia, pois era costume cortar um pequeno pedaço do hábito dos frades que morriam.
    A imagem no alto da página apresenta São Benedito com a Bíblia na mão, mas sabemos que assim fizeram para o engrandecer ou o livrar de preconceitos, numa época em que se pensava que ser iletrado era sinônimo de ignorância. Até tentaram clarear sua pele, representando-o 'mais moreninho' em algumas imagens. Mas a Verdade sempre prevalece, o que apenas torna a vida desse Santo ainda mais brilhante.
    É o Santo Padroeiro dos camponeses (agricultores e pastores), dos tempos de seca e fome do gado, das difíceis gestações, dos negros, dos migrantes, dos discriminados e dos músicos de jazz.
    Quando seu corpo foi exumado três anos depois, em sete de maio de 1592, estava perfeitamente conservado e exalava agradável perfume. E em 3 de outubro de 1611 fez-se outra exumação, para ser exposto na urna de cristal que desde então se encontra. Elas são guardadas em Palermo, na igreja do Convento de Santa Maria de Jesus. Seu hábito está exposto na cela em que viveu, que foi preservada, e depois de mais de 400 anos seu corpo ainda não tinha sofrido decomposição que o desfigurasse por completo, até que um incêndio severamente destruiu a igreja em 25 de julho de 2023, deixando apenas fragmentos de ossos. Tristíssima perda para o mundo todo, pois sempre atraiu muitas peregrinações.



    São Benedito, rogai por nós!

sábado, 4 de outubro de 2025

São Francisco


    Um rico jovem, apaixonado por vida noturna, roupas, música, bebida, aventuras e histórias de cavaleiros, foi sutilmente tocado por Deus para chocar o mundo.
    Giovanni di Pietro di Bernardone, que seu pai, Pietro di Bernardone, resolveu chamar de Francesco, queria tornar-se herói, e tomou parte na guerra entre Assis, sua comuna natal, e Perúgia, comuna vizinha, ambas na central região italiana de Úmbria, mas foi preso por um ano e só libertado após um resgate pago por seu pai. Dessa prisão trouxe enfermidades de visão e de digestão que teve que suportar por toda vida.
     Depois se alistou para lutar contra o Sacro-Império Germânico, que combatia os Estados Pontifícios, pertencentes à Igreja Católica Apostólica Romana, mas por problemas de saúde teve que voltar para casa. Noutro esforço, tentou alistar-se para a Quarta Cruzada, que era uma grande honra para os homens de seu tempo, mas ainda na comuna de Spoleto, também em Úmbria, caiu enfermo e duas noturnas visões fizeram-no retornar. Os amigos, para o confortar em sua aparente desolação, tentaram levá-lo de volta à boemia, mas ele retirou-se para meditar numa caverna acompanhado de apenas um amigo. E aí pedia a Deus Sabedoria para entender o verdadeiro sentido da vida.
    Um dia, em casual passeio a cavalo, deparou-se com um leproso pelo caminho, que com um sinete avisava aos passantes de sua presença, para que se afastassem. Num impulso, porém, Francisco desceu do cavalo e entregou-lhe o manto, pois estava coberto de farrapos e era um frio inverno. E ao ver a grande alegria nos olhos do pobre enfermo, o Santo de Assis desatou a chorar e a beijar, várias vezes, seu rosto cheio de chagas. Chorava de comoção pela triste condição do leproso, mas também de felicidade, pois finalmente conhecia a caridade, a razão última da existência.
    Não foi nada fácil, no entanto, convencer sua gente da nova vida que havia encontrado: suas conversas de compaixão pelos pobres eram ridicularizadas pelos amigos, pois, segundo eles, os prazeres da nascente vida burguesa em toda Europa seriam inegáveis. E assim, na solidão em que se viu, enquanto a angústia de uma vida sem sentido tinha acabado, um grande dilema se instalava: como viver só para o amor se os trabalhos e as necessidades do dia-a-dia o tragavam de volta para a 'realidade' da vida material? Que poderia fazer? Vender sua herança e entregar o dinheiro aos pobres como Jesus mandou, no Evangelho Segundo São Mateuso rico jovem que se julgava perfeito (cf. Mt 19,21)?
    Naqueles dias, seu pai teve que viajar a Provença, em França, como sempre fazia para comprar e vender tecidos, e precisava que ele assumisse todos negócios em Assis, como tão bem fazia desde os 14 anos, quando deixou a escola. São Francisco resignou-se, tentou sufocar seus novos sonhos e com sinceridade esforçou-se para seguir a vontade e a carreira do pai.
    Mas, dias mais tarde, sentindo-se profundamente inquieto, fechou a venda e foi passear fora dos muros da cidade, nas imediações da igreja de São Damião, que estava em ruínas. E ao aproximar-se dela ouviu a voz de Cristo, que lhe falava do crucifixo, pedindo que reconstruísse Sua Igreja. Radiante de felicidade, São Francisco não teve dúvida: foi à loja de seu pai, vendeu os mais caros tecidos por qualquer preço e correu para entregar o dinheiro ao padre.
    Quando retornou da viagem e tomou conhecimento deste feito, seu pai mandou que o capturassem, mas ele escondeu-se num celeiro. Arrependido de lançar mão dos bens de seu pai, dias depois ele apresentou-se diante de sua loja e armazém e admitiu a culpa, acusando-se de desocupado e preguiçoso. O povo ria-se dele e simbolicamente começou a apedrejá-lo, sem violência, tratando-o como um louco. Seu pai, porém, recolheu-o e acorrentou-o dentro de casa, julgando mesmo ter algum desequilíbrio mental, embora com esperança de que o castigo e o isolamento o curassem.
    Mas sua mãe, Madonna de Bourlemont, não resistiu muitos dias: soltou-o e ele foi ao encontro do bispo, que era muito piedoso, dele tinha compaixão e terminou tornando-se seu protetor, levando-o para sua casa. Seu pai, que o queria trabalhando para si, tomado de raiva, foi à frente da casa do bispo e ainda da rua pediu de volta o dinheiro que Francisco havia entregue ao padre. É quando São Francisco sai, despe-se por completo diante de toda gente, entrega suas roupas ao pai, renuncia à herança, pede a benção do bispo e definitivamente abraça a pobreza.
    Tornou-se pedreiro para reconstruir igrejas, e missionário para anunciar o Evangelho. Pregando, e tão apaixonadamente, conquistou os primeiros irmãos entre a nobre gente de Assis. Tornou-se um grande adorador e propagador da adoração ao Santíssimo Sacramento. Quando foi ao Papa em 1209, entre 27 e 28 anos de idade, para pedir a aprovação de uma regra religiosa baseada naquele estilo de vida, pois 'já eram doze irmãos', a princípio enfrentou a ironia de membros do clero, que sequer lhe permitiram ter uma audiência com o Sumo Pontífice. Uma mendicante e tão rigorosa ordem, como ele propunha, era impossível de ser obedecida por muito tempo e certamente seria tratada com repugnância pelo povo. Aquilo só podia ser devaneio, coisa de um jovem sem juízo.
    Mas, em um sonho, o Papa Inocêncio III viu um pobre religioso sustentando a Basílica de São João de Latrão, a Catedral do Bispo de Roma, ou seja, do próprio Papa. Julgou ser um sinal de Deus e, lembrando-se do jovem em farrapos que lhe disseram ter vindo a seu encontro, chamou-o a sua presença, verbalmente autorizou-lhe que fizesse a experiência da pregação mendicante e retornasse mais tarde, para lhe informar dos resultados.
    No caminho, voltando de Roma, como não foi ouvido pelo povo da cidade de Spoleto, São Francisco fez um célebre sermão que acabou sendo ouvido pelos... pássaros.
    Em Assis, ele e seus amigos adotaram uma rude cabana para morar, que logo se tornaria muito pequena com a chegada de novos irmãos. E em 1210, vendo a sinceridade da devoção daqueles jovens, o abade do Mosteiro Beneditino de Subásio concedeu-lhes o uso da minúscula Capela da Porciúncula.


    É nesse período, em 1212, que Santa Clara, aos 18 anos, abandona a nobre vida de sua família. Pouco mais tarde, ela vai fundar com São Francisco o que viria a ser a Segunda Ordem Franciscana, que eles chamaram de Ordem das Damas Pobres de São Damião, depois denominada de Pobres Claras, e em seguida Clarissas.
    Na companhia de alguns irmãos, São Francisco tomou a decisão de viajar a Síria, com intenção de converter os árabes e conseguir pacífico acesso à Terra Santa. Era o período em que líderes de Europa arregimentava o povo para se juntar aos peregrinos, na tentativa de reabrir o caminho e reconquistar sagrados lugares por meio das Cruzadas. Retornaram, ao menos da primeira vez, sem nenhum sucesso, mas pelo caminho São Francisco começou a realizar grandes milagres. De fato, ele visivelmente vivia uma profunda Comunhão com Deus, e assim crescia sua fama de Santo, atraindo cada vez maior número de irmãos para a Ordem. É quando recebe em doação o Monte Alverne, no ano de 1213, presente de Orlando Cattaniconde de Chiusi della Verna, comuna da vizinha região de Toscana, após evangelizar o castelo em que vivia. Aí vai fundar um memorável santuário.
    Persistente, outra vez viajou à Terra Santa, visitando sagrados lugares, realizando milagres e efetivamente convertendo muitos muçulmanos. Mas teve que retornar ao receber notícias do martírio de vários frades em Marrocos, e principalmente porque sua Ordem dos Frades Menores, como ele a batizou, vivia uma grande crise em Itália.
    De fato, uns irmãos haviam-se casado, outros queriam construir suntuosas igrejas, outros queriam fazer caros estudos, outros abusavam do direito de não obedecer aos superiores... São Francisco perde a paciência e chega a reagir com violência contra os dissidentes. Na comuna de Bolonha expulsou todos irmãos, inclusive os enfermos, de um colégio que haviam fundado.
    Em 1221 escreve a segunda Regra, mesmo que a primeira ainda não houvesse sido aprovada. Tentava evitar esses abusos, mas alguns mais próximos irmãos acharam-na demasiadamente rigorosa.
    Em 1223, após algumas alterações feitas pelo Cardeal Ugolino, a Regra foi aprovada pelo Papa Honório III. Contudo, foi um duro golpe para São Francisco saber que foram retiradas do texto a absoluta pobreza, a permissão de desobediência aos indignos superiores, a exigência de trabalhos manuais, assim como a proibição de mais caros livros e estudos.
    Para ele, sempre tão fervoroso, permitir essas coisas seriam uma traição a Cristo. Pensou em desistir de tudo, porém começou a ver nisso apenas uma 'grande tentação'. Depois de um período de profundo silêncio, e alguns conselhos de amados irmãos, resolveu aceitar a Regra em obediência ao Papa. Sabia, entretanto, que ali se criava um profundo abismo entre a hierarquia espiritual e a institucional, que é um frequente dilema da vida na , mas conseguiu estabelecer três fortes e marcantes princípios para a religiosidade dos companheiros, que foram a fraternidade, a humildade e a pobreza. E para tanto constituiu Maria Santíssima como a Advogada da Ordem, o que sem dúvida é um poderosíssimo trunfo.


    Apesar de continuar pregando pela região, e ser muito procurado por novos irmãos e pelo povo, São Francisco passou a levar uma vida cada vez mais interiorizada e de ermitério. Com frequência retirava-se sozinho pelas matas, onde tinha visões e êxtases místicos. Recebeu revelações do passado, do presente e do futuro. Conhecia o pensamento e o desejo dos irmãos e das pessoas. Para a contemplação durante o Natal, criou o presépio.
    Em 14 de setembro de 1224, na festa da Exaltação da Santa Cruz, de um serafim, a mais alta ordem de anjos, recebeu em seu corpo os estigmas de Cristo, que de todos tentava esconder com faixas, com as mangas do hábito ou simplesmente ausentando-se até mesmo da presença dos frades. Mas essas chagas quase constantemente sangravam e as dores eram muito fortes. Alguns irmãos perceberam os estigmas ainda durante sua vida, pois por muitas vezes não conseguia sequer caminhar, e tinha que ser levado em uma mula, coisa que ele tentava rejeitar por considerar um grande luxo.
    Por esses tempos, já tinha composto o Cântico das Criaturas, Canticum ou Laudes Creaturarum, também conhecido como Cântico do Irmão Sol, que é o mais antigo poético texto da literatura italiana, já bem distinto do latim, que repete a cada estrofe: "Louvado sejas, Meu Senhor...".
    Já muito frágil, foi entregue aos cuidados de Santa Clara e suas irmãs no Mosteiro de São Damião, fundado por ela e as mulheres que lhe acompanhavam, com a ajuda de nosso Santo, de onde logo voltou assim que sentiu ligeira melhora. Na verdade, não aceitava fugir das dores que Deus lhe havia dado.
    Sua saúde, porém, estava cada vez mais fragilizada. Seus contínuos jejuns, desde os primeiros dias de nova vida, em muito haviam agravado seus problemas de digestão.
    Suas reflexões, porém, atingiam expressiva profundidade:

    "Nem os demônios O crucificaram. Fostes vós que O crucificastes e ainda O crucificais, quando vos deleitais em vossos vícios e pecados."
    "Por meio das ansiedades e preocupações desta vida, Satanás tenta entorpecer o coração do homem e ali fazer morada para si mesmo."
    "Todos nós deveríamos perceber que não importa onde ou como um homem morre. Se ele estiver em estado de pecado mortal e não se arrepender, quando ele poderia ter feito isso e não o fez, o Diabo arranca sua alma de seu corpo em meio a tanta angústia e sofrimento que somente uma pessoa que passou por isso pode avaliar."
    "Não mais adies a Confissão de todos teus pecados, pois a morte logo chegará. Dá e sê-lhe-á dado, perdoa e tu serás perdoado... Bem-aventurados aqueles que morrem arrependidos, pois eles irão para o Reino dos Céus!"
    "A esmola é uma herança e uma justiça devida aos pobres, e que Jesus nos impôs."
    "Seria considerado um roubo de nossa parte se não doássemos a alguém mais necessitado que nós."
    "Lembra-te de que, quando tu deixares esta Terra, não poderá levar consigo nada do que recebeste, apenas o que deste: um pleno coração, enriquecido por honesto serviço, amor, sacrifício e coragem."
    "Nem todos vós podeis abandonar vossos bens, mas pelo menos podeis mudar sua atitude em relação a eles. Todo receber separa-vos dos outros, toda doação une-vos."
    "Nossas ações são nossas. Suas consequências pertencem ao Céu."
    "Um homem tem apenas a quantidade de conhecimento que ele coloca em prática."
    "As ações que tu fazes podem ser o único sermão que algumas pessoas ouvirão hoje."
    "Toma cuidado com tua vida, talvez ela seja o único Evangelho que as pessoas leiam."
    "Começa fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente tu estarás fazendo o impossível."
    "Faço tudo que posso, tento fazer o possível, e lá na frente, quando olhar para trás, vou ver que fiz o impossível."
    "A única coisa que se consegue na vida sem esforço é o fracasso."
    "Cuidado com as armadilhas, elas chegam disfarçadas... Por isso, sempre devemos manter a vigilância. Não ser um rabugento, que de todos desconfia, mas cuidadoso."
    "O que temer? Nada. A quem temer? Ninguém. Por quê? Porque aqueles que se unem a Deus obtêm três grandes privilégios: onipotência sem poder, embriaguez sem vinho e vida sem morte."
    "A maior segurança que podemos ter neste mundo de que estamos na Graça de Deus não consiste nos sentimentos que temos de amor por Ele, mas sim num irrevogável abandono de todo nosso ser em Suas mãos e numa firme resolução de nunca consentir em nenhum pecado, grande ou pequeno."
    "Acima de tudo, a Graça e os dons que Cristo dá a Seus amados é a superação de si mesmo."
    "Sê paciente, porque as fraquezas do corpo nos foram dadas por Deus neste mundo para a Salvação da alma. Portanto, são de grande mérito quando suportadas com paciência."
    "Sê paciente nas provações, vigilante na oração e nunca pares de trabalhar."
    "A alegria espiritual surge da pureza do coração e da perseverança na oração."
    "Não devemos procurar tanto orar, mas tornar-nos oração."
    "Para pregar a 
Paz, primeiro tu deves ter a Paz dentro de ti."
    "Prega o Evangelho em todo tempo. Se necessário, usa palavras."
    "É pois uma grande vergonha para nós, servos de Deus, terem os Santos praticados tais obras, e nós querermos receber honra e glória somente por contar e pregar os que eles fizeram."
    "O que é que está acima das palavras? Ação. O que é que está acima da ação? Silêncio."
    "Não vos esforceis pelas honras do mundo, mas honrai o Senhor."
    "Quem a tudo renuncia, tudo receberá."
    "Santifica-te e tu santificarás a sociedade."
    "A humildade é a chave que abre todas portas."
    "Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras."
    "Ao servo de Deus nada deve desagradar senão o pecado."
    "Aprendamos com as pedras..."
    "O Céu é que sustenta a Terra."
    "Enche-se de felicidade aquele que vê, sem inveja, a felicidade dos outros."
    "Quem ler e entender o Evangelho em espírito e Verdade, nele encontrará Deus e o Céu, os anjos e o próprio Paraíso, tudo a esperar-nos, aguardando que façamos nossa parte, para recebermos o prêmio da felicidade."

    "Se tu tens homens que excluem qualquer criatura de Deus do abrigo da compaixão e da piedade, tu terás homens que farão o mesmo com seus semelhantes."
    "Não te envergonhes se, às vezes, animais estejam mais próximos de ti que pessoas. Eles também são teus irmãos."
    "Todas coisas da Criação são filhos do Pai e irmãos do homem. Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida."
    "Todos seres são iguais por sua origem, seus naturais e divinos direitos e seu objetivo final."
    "Irmão lobo, tu prejudicas a muitos nestas paragens e fazes um grande mal. Todas estas pessoas acusam-te e amaldiçoam-te. Mas, irmão lobo, eu gostaria de fazer a paz entre ti e essas pessoas."
    "A pura saudade não encontra distância no espaço nem no tempo, criando de tal sorte um vínculo que, mesmo as almas estando separadas, sentem-se unidas pela força do amor."
    "A cortesia é irmã da caridade, que apaga o ódio e fomenta o amor."
    "O Amor não é amado! O Amor não é amado!"
    "Como é que os homens podem amar uns aos outros se não amam o Amor?"
    "Nada existe desprezado no amor de Deus, que espera de nós a compreensão, e ainda nos dá meios de compreender. Vede a bondade de Deus na eternidade!"
    "A vida é um mistério que somente nos é revelado pelos processos do Amor. Quanto mais nós amamos, no quilate do amor que nada pede, mais ficamos sabendo das coisas escondidas dos que desconhecem essa virtude por excelência."
    "E se por esse motivo tiver de suportar perseguições da parte de alguém, que então o ame ainda mais por amor a Deus."
    "Quando digo Ave, Maria, os Céus sorriem, os anjos rejubilam, o mundo alegra-se, o inferno treme e os demônios fogem. Vós sois, ó Maria, a filha do Altíssimo Pai Celestial, a Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e a Esposa do Divino Espírito Santo."
    "Por isso, ordeno a todos meus Irmãos, aqueles que vivem agora e aqueles que virão no futuro, que venerem a Santa Mãe de Deus a quem sempre imploramos que seja Nossa Protetora. Que a louvem em todos momentos, em todas circunstâncias da vida, com todos meios a seu alcance e com a maior devoção e submissão."
    "Vamos confiar mais em Deus e obedecer a Suas magnânimas leis. Se trabalharmos em favor do Bem, esse Bem virá a nosso encontro. Esta é a lei."
    "Peço a todos que me ouvis que, ao sairdes daqui, não vos mostrais desinteressados pela Luz do coração. Procurai, na sequência das horas, melhorar em todos sentidos e anular o mal que ainda existe em cada um de nós, como princípio de ajuda ao Bem que deseja entrar em nossos corações."
    "Em toda parte onde estiverem ou se encontrarem os irmãos, que estejam a serviço uns dos outros. Que com confiança manifestem uns aos outros suas necessidades, pois se uma mãe nutre e cuida de seu filho carnal, com quanto mais cuidado não deve cada qual amar e nutrir seu irmão espiritual? Se um dos irmãos cair doente, os outros irmãos devem servi-lo como gostariam eles mesmos de serem servidos."
    "Ninguém deve ser chamado de inimigo. Todos são vossos benfeitores, e ninguém vos faz mal. Vós não tendes inimigos além de vós mesmos."
    "Fomos chamados para curar feridas, unir o que se afastou e trazer para casa aqueles que se perderam. Muitos que nos parecem filhos do Diabo ainda se tornarão discípulos de Cristo."
    "Ninguém é suficientemente perfeito, que não possa aprender com o outro. E ninguém é totalmente estruído de valores, que não possa ensinar algo a seu irmão."
    "Eis aqui um dos melhores meios para adquirir humildade. Fixa bem em mente esta máxima: cada um é tanto quanto é aos olhos de Deus, e nada mais."
    "Todos somos candidatos à imperturbável tranquilidade, mas para tanto temos de lutar e vencer a mais dura das batalhas, na guerra contra nós mesmos, que carece de permanente vigilância para eliminar os inimigos que muito conhecemos: o ódio, a inveja, o ciúme, a discórdia, a maledicência, a vingança, o orgulho, o egoísmo... São frentes de lutas que devemos travar para vencer a nós mesmos, e conhecer o sagrado terreno de nosso coração."
    "... porque os anjos têm asas como as aves, porque os homens têm pelos como os bichos e todos nós temos alma como Deus!"
    "Eternas são somente as coisas do Bem, a função caritativa e as leis que o Evangelho nos revela."
    "E em qualquer pregação que fizerdes, admoestai o povo sobre o arrependimento e que ninguém pode ser salvo, exceto aquele que recebe o Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor. E quando for sacrificado no altar pelo Sacerdote ou levado para qualquer lugar, que todo povo, de joelhos, renda louvor, glória e honra ao Verdadeiro e Vivo Senhor Deus."
    "Peço-vos que mostreis a maior reverência e honra possível ao Santíssimo Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, por Quem todas coisas, tanto na Terra como no Céu, foram trazidas à Paz e reconciliadas com Deus Todo-Poderoso."
    "E como apareceu aos santos Apóstolos em verdadeira Carne, também a nós e do mesmo modo que eles, enxergando Sua Carne, não viam senão Sua Carne, contemplando-O contudo com seus olhos espirituais, n'Ele creram como em Seu Senhor e Deus (cf. Jo 20,28), assim também nós, vendo o Pão e o Vinho com nossos olhos corporais, olhemos e firmemente creiamos que Ele está presente."
    "O homem deveria tremer, o mundo deveria vibrar, o Céu inteiro deveria profundamente comover-se quando o Filho de Deus aparece sobre o altar nas mãos do Sacerdote."
    "Todos dias Ele humilha-Se, assim como fez quando saiu de Seu celestial trono para o ventre da Virgem. Todos dias Ele vem até nós e deixa-nos vê-Lo em humildade, quando desce do seio do Pai para as mãos do Sacerdote no altar."
    "O que faz o pobre à porta do rico, o doente diante do seu médico, o sedento diante de um riacho límpido? O que eles fazem, eu faço diante do Deus Eucarístico. Eu rezo. Eu adoro. Eu amo."
    "Irmãos, comecemos, pois até agora pouco ou nada fizemos."
    "Senhor, fazei de mim um instrumento de Vossa Paz."
    "E depois que o Senhor me deu irmãos, ninguém me mostrou o que eu deveria fazer. Mas o Altíssimo mesmo revelou-me que eu devia viver segundo a forma do Santo Evangelho."
    "E o Senhor deu-me e ainda me dá tanta fé nos Sacerdotes que vivem segundo a forma da Santa Igreja Romana, por causa de suas ordens, que, mesmo que me perseguissem, quero recorrer a eles. E hei de respeitar, amar e honrar a eles e a todos outros como a meus senhores. Não quero neles considerar o pecado, porque neles vejo o Filho de Deus e eles são meus senhores."
    "Choro as dores e humilhações de Meu Senhor. O que mais me faz chorar é que os homens, por quem Ele tanto sofreu, d'Ele vivem esquecidos."
    "Era fácil amar a Deus em tudo que era belo. As lições de um conhecimento mais profundo, porém, instruíram-me a abraçar Deus em todas coisas."
    "Eu tenho sido totalmente profano. Se Deus pode operar através de mim, Ele pode operar através de qualquer um."
    "Deus não poderia ter escolhido ninguém menos qualificado, ou mais pecador, que eu. E assim, para esta obra maravilhosa que Ele pretende realizar através de nós, Ele me escolheu, pois Deus sempre escolhe os fracos e os absurdos, e aqueles que não valem nada."
    "Senhor, ajuda-me a viver este dia, sereno e tranquilo. A apoiar-me em Tua grande força, confiante e serenamente. A aguardar o desenrolar de Tua vontade, paciente e serenamente. A encontrar os outros, em paz e alegria. A encarar o amanhã, confiante e corajosamente."
    "Nós adoramos-Te, ó Santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui em todas Tuas igrejas que estão no mundo inteiro, porque por Tua Santa Cruz remiste o mundo."

    "Onde há amor e Sabedoria, não há medo nem ignorância.
    Onde há paciência e humildade, não há raiva nem aborrecimento.
    Onde há pobreza e alegria, não há 
cobiça nem avareza.
    Onde há paz e contemplação, não há cuidado nem inquietação.
    Onde há misericórdia e prudência, não há excesso nem aspereza.
    Onde há o temor a Deus para guardar a morada, nenhum inimigo pode entrar."

    "Salve ó Senhora, Rainha Santa,
    Mãe Santa de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita Igreja,
    escolhida pelo Santíssimo Pai Celestial,
    que vos consagrou por Seu Santíssimo e
    Dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito.
    Em vós residiu e reside toda plenitude da Graça e todo bem.

    Salve, ó Palácio do Senhor!
    Salve, ó Tabernáculo do Senhor!
    Salve, ó Morada do Senhor!
    Salve, ó Manto do Senhor!
    Salve, ó Serva do Senhor!
    Salve, ó Mãe do Senhor!

    Salvai vós todas santas virtudes derramadas,
    pela Graça e iluminação do Espírito Santo,
    nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis
    em servos fiéis de Deus!

    Amém.

    "Deus é Deus de amor que transforma a semente em árvore, em fruto que alimenta a vida, e, por vezes, o luto!...
    Deus é Deus de amor que muda o ninho dos pensamentos em ninho de Luz, que muda as idéias em ação que nos conduz, ou deixa que nós caiamos, para compreender Jesus.
    Deus é Deus de amor que nos deu os pés para que haja caminhada, que nos ofertou as mãos para dar trabalho à enxada. Mas, se ferirmos o companheiro, erramos a estrada.
    Deus é deus de amor que nos deu a cabeça para pensar, que nos premiou com o coração para amar. Quem aceita o ódio, não pode cantar.
    Deus é Deus de amor que tudo fez, sem usar o alarde, que tudo faz, mesmo que achemos tarde. Que nunca diz: sois covardes.
    Deus é Deus de amor que nos deu o Verbo e nos ensina a falar, que nos deu a boca e nos ensina a cantar: que nos deu o coração e nos ensina a amar."

    "Louvado sejas, Meu Senhor,
    com todas Tuas criaturas,
    especialmente com o senhor irmão Sol
    que clareia o dia e com sua luz nos alumia.

    E ele é belo e radiante
    com grande esplendor:
    de ti, Altíssimo, é a imagem."


    Louvado sejas, Meu Senhor,
    Pela irmã Lua e as Estrelas,

    Que no céu formaste claras
    E preciosas e belas.

    Louvado sejas, Meu Senhor,
    Pelo irmão Vento,
    Pelo ar, ou nublado
    Ou sereno, e todo tempo
    Pela qual a Tuas criaturas dás sustento.

    Louvado sejas, Meu Senhor,
    Pela irmã Água,
    Que é mui útil e humilde
    E preciosa e casta.

    Louvado sejas, Meu Senhor,
    Pelo irmão Fogo
    Pelo qual iluminas a noite
    E ele é belo e jucundo
    E vigoroso e forte.

    Louvado sejas, Meu Senhor,
    Por nossa irmã, a mãe Terra
    Que nos sustenta e governa,
    E produz diversos frutos
    E coloridas flores e ervas.


    Louvado sejas, Meu Senhor,
    Por nossa irmã, a morte corporal,
    Da qual homem algum pode escapar.

    Ai dos que morrerem em pecado mortal!
    Felizes os que ela achar
    Conformes Tua santíssima vontade,
    Porque a segunda morte não lhes fará mal!

    Morreu por volta de 44 anos, em 3 de outubro de 1226, depois de ler algumas passagens do Evangelho, quando a maioria dos irmãos e o povo da cidade puderam ver seus estigmas.
    Foi enterrado no dia seguinte, totalmente despido, conforme havia solicitado, acompanhado de uma grande multidão. Em menos de 2 anos, o Papa Gregório IX foi pessoalmente a Assis para o canonizar.
    Sua sepultura fica numa cripta da Basílica de Assis, que tem seu convento anexo, onde seu manto e a pedra que ele usava com travesseiro estão expostos. É, junto a Santa Catarina de Sena, o Padroeiro de Itália, além de Padroeiro dos comerciantes, dos poetas, dos animais e dos ecologistas. 


    São Francisco, rogai por nós!